por / 30 Jun

Eu sempre fui o carinha da internet. Mas também sempre fui aquele que não tirava o fone de ouvido, que gostava das bandas estranhas e que, mais tarde, não recusava uma balada.

Bem, agora tudo isso vai se misturar. Recebi o convite da Funhouse, uma das baladas que mais frequento em São Paulo, para tocar uma festa. E amanhã nasce a Alt+Tab, com a missão de trazer o melhor da web para a pista de dança.

E eu escolhi um time bem bacana de amigos para botarem o sobradinho abaixo junto comigo (sim, vou atacar de DJ!): a Lia, do Just Lia; a Fe, do Fake Doll; e o Gus Fune, do Papo de Homem.

Além disso, o Júniorwm, que é um mixologista ferradão e assina a coluna Dr. Drinks do Papo de Homem, preparou drinks que traduzem os blogs convidados. Ou seja, você vai poder beber a Lia. Ou quase isso.

Infelizmente o OutrOs OlhOs, que é residente, não vai ter drink nessa edição. O motivo? Eu esqueci de passar pro Júnior fazer… Pois é. Mas tudo bem: a gente bebe os demais e vai ver tudo com outros olhos de um jeito ou de outro, né?

Quero ver todo mundo lá, dançando até o chão com o melhor do Indie e do Pop. Os preços são bem camaradas e, mandando os nomes para alttab@outrosolhos.com.br ou clicando em sim no Facebook, você paga só R$10,00 de entrada ou R$25,00 de consumação. Vale muito a pena!

Então é isso: se você quiser aproveitar o lado mais divertido da internet e dar uma força para esse blogueiro que está ansioso com sua primeira festa, passe amanhã na Funhouse, curta a Alt+tab e, claro, me procure pra dar oi! :)

ALT+TAB
Quando: 01/07 (sexta-feira), às 23h00
Onde: Funhouse
Endereço: Rua Bela Cintra, 567, Consolação – São Paulo, SP

Entradas:
Lista: R$10,00 entrada / R$25,00 consumação
Na porta: R$15,00 entrada / R$35,00 consumação

Nomes para a lista (até as 17h de sexta): alttab@outrosolhos.com.br

PS: Fique ligado no meu twitter! Vou sortear ingressos vip! :D

por / 7 Abr

É dia do jornalista e eu continuo acreditando piamente no fato de que a mídia fabrica polêmicas nessa época só para eu fazer meu tradicional post de dia do jornalista.

Não tem caso mais falado nos últimos tempos do que o da entrevista do deputado carioca Jair Bolsonaro ao CQC. Na última edição, Marcelo Tas defendeu o programa (que vem sendo criticado por ter veiculado tal entrevista), citando, inclusive, um fato pessoal – o de que sua filha é gay – para mostrar posição antagônica à do político. Ao dizer ter orgulho da filha homossexual, palmas da platéia. É aí que o jornalista, que teoricamente não faz parte de história alguma, se consagra no papel de herói contra um cara que, convenhamos, é mesmo o bandido.

Minha opinião sobre a exploração do caso? Bem, o nobre deputado está em seu sexto mandato. O papel do jornalismo é mostrar os fatos de relevância para a sociedade. E não existe jeito melhor do que mostrar a escrotidão do que dando algum espaço para ela.

Feliz dia do jornalista.

por / 16 Dez

Todo mundo já gostou de uma banda adolescente – mesmo depois de deixar de ser um. O problema é que, no geral, as bandas teen, especialmente brasileiras, estão coloridas demais e com pouco talento. Isso é, aquelas que fazem sucesso hoje em dia.

A Yázigi organizou um concurso pra novas bandas, chamado Band Me Up. Na primeira fase, centenas de bandas novas de todo o país enviaram seus vídeos musicais e foram avalidas por gente como o mestre Marcelo Costa, do Scream&Yell. E se o Marcelo deixou essas bandas passarem pra final, dá pra confiar que merecem a audição (ele era um dos jornalistas mais empolgados com a Poléxia, minha banda nacional favorita, que já acabou. Desde então, e por todo o resto, respeito e ouço com atenção tudo que ele indica. E nem é só porque eu automaticamente gosto de todos que gostam de Poléxia).

Eu ouvi as seis bandas finalistas e, bem, elas estão cruas. Mas é pra isso que serve o concurso: para achar talentos – e isso alguns de lá têm! A banda que vencer será premiada com a gravação de uma música produzida por profissionais do mercado – o que já ajuda a ficar bem menos crua -, mais um upgrade geral na programação visual do grupo (logomarca, capa do CD, layout do site…) e a produção de um videoclipe que entrará na programação da MTV.

A decisão, agora, é do público. Ou seja, a responsabilidade de escolher uma banda jovem que tem tudo para emplacar é nossa. É a oportunidade dessa geração ter uma banda teen de sucesso menos colorida! :P Para votar, é só clicar aqui. Quem sabe sai algo bom daí…

Qual sua favorita? E qual banda teen (mesmo que hoje já seja trintona) você curte?

por / 13 Dez

Quem estuda, trabalha ou ataca de jornalista, já deve ter passado os olhos no blog Desilusões Perdidas. O blog é ótimo e vale sua visita.

Nele, ao contrário do clássico balzaquiano “Ilusões Perdidas”, que fala das ilusões de dois poetas que se aventuram na capital francesa, Duda Rangel, “jornalista desempregado, abandonado pela mulher e em ruinas” segundo sua própria descrição fictícia, discorre com bom-humor sobre as aventuras e desventuras do dia a dia de um jornalista. E bota aventura nisso.

Duda, que já deixou um currículo atualizado na meia esperando Papai Noel, fez também suas próprias versões dos clássicos natalinos para os companheiros cantarem juntos enquanto tomam guaraná no plantão da “escala especial de trabalho” do fim de ano. Só faltou pedir ao bom velhinho que não morra ninguém durante o feriado.

Até no Natal (versão de Bom Natal)

Quero ver você não chorar
Se um furo tomar
E um puta esporro levar.

Quero ver você não sofrer
Se o texto escrever
Mas no fim a pauta cair.

Se achar a grana ruim
Tão ruim assim vou dizer…

Glamour não existe
O dissídio é triste
Jornalismo é puro amor.

É Natal, até no Natal
Um plantão a mais pra você
Pra você.

Se quiser conferir as outras versões feitas por Duda, basta ir ao Desilusões Perdidas. Garanto: vale a pena! :D

por / 20 Nov

Esse post deveria ter saído a tarde, mas não consegui postar por problema técnico. O Planeta Terra começa em pouco mais de 12 horas e acho que, a essa altura, todo mundo já está bem curioso (e desesperado) para saber quem fez a mais criativa rota musical e vai curtir Phoenix, Mika, Pavement, Passion Pit e Smashing Pumpkins e várias outras atrações amanhã no Planeta Terra.

Pois bem, é chegada a hora. Eis a história vencedora:

Com a chave o Nokia N8 – o busão do Planeta Terra – em mãos, eu me armaria de uma câmera de vídeo e começaria minha viagem lá em Santa Catarina. Lotaria o busão com pessoas que marcaram minha vida musicalmente, como o primo que me criou ouvindo The Doors, os amigos que me apresentaram Ramones e Sex Pistols, as amigas que fizeram meus ouvidos sangrar com muito Jota Quest e levaria todos eles na viagem musical dos meus sonhos: conhecer alguns dos lugares mais importantes para o rock.

Magicamente – o busão tem poderes sobrenaturais – transportaria todo mundo para os EUA, precisamente San Francisco, no Fillmore Auditorium, onde lá por meados dos anos 60 começou a cena hippie e o rock psicodélico – dos meus favoritos! Depois, partiria para a Big Apple. Lá, conheceríamos o berço do punk e do new wave: o lendário clube CBGB & OMFUG. Óbvio que faríamos performance ramonística, comigo nos vocais a la Debbie Harry, mistureba das boas!

De NY, partiríamos para o encontro das rodovias 61 e 49, em Clarksdale, Mississipi. Por que raios pararíamos no cruzamento de duas rodovias? Porque ali, diz a lenda, Robert Johnson vendeu a alma ao Diabo a troco de se tornar um dos melhores guitarrista de blues do universo. Parece que deu certo porque ele é considerado influência por nomes como Eric Clapton. Ali, além de tocar um blues nervoso, negociaríamos mais umas 40 almas com o Demo.
A próxima parada seria Memphis, Tennessee, para acertar 2 alvos com 1 tiro: visitar Graceland, lugar onde Elvis, viveu e morreu, e o Sun Records, considerado um dos berços do rock’n roll, de onde saíram os primeiros discos do Elvis, do Jerry Lee Lewis e do Johnny Cash. É muito rock pra uma cidade só.

Depois de rodar os EUA, o busão mágico pararia na Europa, em Liverpool. Destino: Cavern Club, onde os Beatles começaram a carreira e conheceram o empresário que os levaria ao estrelato. Uma cerveja e uma Rock and Roll Music depois, seria hora de pular para Londres, na Abbey Road, para que todos os passageiros cruzassem a rua com ar de garotos e garotas de Liverpool.

Para finalizar o passeio europeu, passaríamos em Paris para cantar Moonlight Drive para o Jim Morrison e voltaríamos de viagem diretamente para o Planeta Terra. A essa altura, o clipe da viagem – toda devidamente documentada em vídeo – estaria prontinho para passar no telão enquanto o Pavement toca Roll with the Wind, a trilha sonora final da minha épica viagem.

A autora é a Joana Dambrós (com quem já entramos em contato, apesar do problema tecnico). Parabéns!

O segundo lugar ficou com o ônibus do tempo do Thiago Romaro. Infelizmente, o par de ingressos era só para o primeiro lugar, mas a história ficou tão legal (mesmo, a ponto de quase fazer os jurados brigarem na escolha do vencedor!) que resolvi publicar. [EXPAND Clique aqui para ler.]

Ônibus do tempo
“Se você vai construir uma máquina do tempo, que seja com estilo, construa-a usando um DeLorean”. Esse ensinamento do professor Brown no filme “De volta para o futuro” é fundamental. No meu caso, quero conforto. E se é pra ter uma maquina do tempo que ela tenha banheiro, uma cozinha e uma bela cama de casal. Afinal, vai saber se aquele hotel na esquina existia em 1950 ou se ainda existirá em 2040. Além do mais, o objetivo aqui é viajar pelo mundo e pelo tempo pra poder curtir alguns dos melhores shows de Rock da história.Ter um quarto na porta dos shows é um belo imã de garotas. O que seria do Rock and Roll sem as garotas? Por isso, pra mim, nada de Delorean, eu vou ter um ônibus do tempo. E o interior dele fará inveja a qualquer Rock star que viaja pelas estradas do mundo.

Tudo pronto. Mandemos chronos passear. Nada de seguir qualquer lógica. Aqui a regra é assistir o show que der na telha, quando der na telha. Pra começar vou vestir calças largas e rasgadas, botar minha camiseta de flanela e dar uma parada em Seattle. Estamos no final dos anos 80. Tá rolando um pequeno festival de verão com bandas locais. Pouco mais de 500 pessoas se aglomeram no um parque da cidade pra ouvir o que os garotos da região andavam aprontando em suas garagens. E o que ouvem é uma música esquisita e diferente, que parecia um punk rock mais sujo. No palco um tal de Eddie Vedder, atrás dele, já montando seu equipamento e esperando sua vez: Kurt Cobain. E, no meio da galera estou eu, feliz da vida, fingindo não conhecer nenhum daqueles caras. Umas cinco meninas histéricas em frente ao palco cantavam as músicas. Eram as primeiras groupies do Pearl Jam.

Próxima parada 30 de janeiro de 1969. Varanda de um prédio vizinho ao edifício da Apple Records. De cima do telhado os meninos de Liverpool mandando seus sucessos. Todo mundo tava curtindo, mas a polícia veio e acabou com a festa. O show durou 40 minutos. Valeu a pena!

Tá na hora de sujar o ônibus de lama. Woodstock. Ainda em 1969, agora em agosto. Serão os três dias mais psicodélicos da minha vida! Paz e música. Ou drogas e Rock and Roll! Entre a lama e o sexo livre encontro tempo para curtir os shows de Joan Baez, Creadence,Santana, The Who, Joe Cocker, Janis Joplin, Blood Sweat and tears e, o grande Jimi Hendrix! Vou ter que voltar mais vezes!

Numa sequência rápida assisto um show do Doors em Los Angeles, o Metallica na turnê do Black Album, e os Stones em Copacabana. Não Posso deixar de passar pelo Central Park pra assistir Simon and Garfunkel. Nesse, derramo lágrimas.

De volta a Europa e agora em 1971, vou até Ponpeii assistir o Pink Floyd gravar o vídeo mais maluco da carreira dos caras. Fiz até carinho no cachorro que canta junto com a gaita. Depois me sentei em um canto e fiquei vendo e ouvindo aquilo tudo meio sem acreditar.

Volto pro século XXI e vou até a chácara do Jockey ver o Radiohead aqui em São Paulo. Esse eu já tinha visto, mas sabia que valeria a pena rever. Revi também o show dos Los Hermanos na fundição Progresso. De volta ao ônibus viajei até a Europa na alta temporada e assisti Foals, Franz Ferdinand, Queens of the Stone age, (que estava em turnê por lá). Na França o Phoenix, seguido de Justice e depois uma banda local chamada B. Roy et sa Band. Que toca um som bem regional com sanfonas e banjos.

Agora a pergunta que não quer calar? O que será que pega em 2050? O Belchior já dizia que nossos ídolos serão sempre os mesmos e que dizemos que depois deles não apareceu nada de bom, mas não custa conferir. Chego lá e entro na internet pra ver o guia de shows. Até procurei uma banca de jornais antes mas elas já não existem mais. O mundo é sustentável e papel virou lenda. Vejo que haverá um show histórico: após 20 anos separados o Radiohead se reunirá para um único show na Inglaterra. Tocarão grandes clássicos como “Nude”, “Idioteque”, “Jigsaw falling into place” e “everything in its right Place”. Na fila do show vejo uns coroas barrigudos e felizes, alguns levando os filhos. “Hoje você vai ver o que é música de verdade” dizem eles. No Palco um Thom Yorke, grisalho. Mas genial, como sempre.

No dia seguinte saio atrás de um show da moda. O que será que ouvem os jovens agora? A banda chama Moscou, não existe mais palco; só luzes, e uma música vindo meio que do além. Todo mundo de óculos 3D. Percebi que só colocando os óculos conseguiria ver a banda. Eu não entendi nada, odiei. Mas a garotada estava se divertindo. Dançavam sem parar.

- Melhor voltar pra casa – penso comigo mesmo. Largo o ônibus do tempo na garagem e me preparo para ir ao Planeta terra de 2010. Isso se gostarem da minha história.[/EXPAND]

Agredecemos a todos que participaram e pedimos desculpas pela demora na divulgação do resultado.

Se você não conseguiu ingresso, ao menos o Terra transmitirá em HD todo o festival. Aqui no blog e lá no portal do Planeta Terra você também conferirá nossa cobertura.

por / 11 Nov

O que você faria para celebrar o aniversário de 600 anos de um relógio?

Em Praga, na República Checa, o grupo Macula criou uma verdadeira obra de arte digital utilizando recursos de Video Mapping, que, através de luzes e projeções, ilude os olhos humanos, gerando imagens incríveis.

A projeção aconteceu há um mês e o vídeo já tem mais 700 mil views, mas merece muito o post. O resultado ficou sensacional: a fachada da torre do Relógio Astronômico de Praga perdeu suas perspectivas e serviu de cenário para uma impressionante, inspiradora e belíssima homenagem.

Vale ver o vídeo todo em HD:

(mais…)

por / 10 Nov

Em 1950, Ben Carlin, decidiu dar uma volta ao mundo num jipe, só pelo brinks e levou uns 8 anos pra fazer isso. Robert Garside, também conhecido como The Runningman, entrou pro Guiness ao ser a primeira pessoa a literalmente correr ao redor do globo terrestre. Carlin e Garside são apenas dois exemplos do fascínio que temos por essas viagens e  histórias. A verdade é que todo mundo – se pudesse – gostaria de sair por aí sem ter nenhum tipo de preocupação conhecendo novos lugares e culturas ao redor do planeta, mas como a vida não é fácil pra ninguém, esses desejos são sempre deixados em segundo plano.

Mas e se eu te dissesse que você está prestes a desbravar o Planeta Terra inteiro? De norte a sul! Da montanha-russa até o Sonora Main Stage!

Oi?

Claro, eu estou falando do Festival Planeta Terra e não do bolota azul onde a gente vive (eu avisei que a vida não tava fácil pra ninguém). O festival está em sua 4ª edição e esse ano traz mais uma vez bandas que tem estourado recentemente como Phoenix, Yeasayer e Passion Pit junto a bandas que tem uma enorme legião de fãs como Smashing Pumpkins e Pavement. Os ingressos estão esgotados desde o começo de setembro, mas você ainda tem algumas chances de garantir seu ingresso.

A primeira é pegar carona no Busão Nokia N8 de algum conhecido seu e torcer pra ele ser o mais lotado. Além de ser um espaço privilegiado, esse ônibus pode estar equipado com vários gadgets à escolha do seu criador, que vão desde barman e quick massage até Guitar Hero e snacks.  Tá em cima da hora: você tem até amanhã, às 11h, para aderir a algum busão

Na segunda fase, você tem que fazer por merecer estar dentro do busão e ser um dos 15 mais votados pra ganhar um ingresso pra você e pro seu acompanhante. Agora, se sua popularidade não está lá essas coisas e você acha que vai ser difícil achar um lugar na janelinha, não entre em pânico, nós ainda temos uma alternativa… e das boas!

Pelo terceiro ano seguido, o OutrOs OlhOs é embaixador oficial do Planeta Terra. E a gente vai te levar pra lá: basta que você crie o roteiro de viagem mais maluco em busca de música ao redor do planeta e conte pra gente. Imagine que o Busão é seu e tem a capacidade de ir a qualquer lugar do planeta atrás de música. Aonda você iria?

O desafio é livre: você pode mostrar seu roteiro, escrever um conto, customizar uns cartões postais, compor uma música, fazer foto-montagens, desenhar um mapa… enfim qualquer coisa está valendo – desde que seja BEM criativo e bacana e tenha o espírito do Planeta Terra (que PRECISA constar no seu roteiro). O prêmio: um par de ingressos para o Planeta Terra 2010.

Se você quer uma idéia da minha rota, seria mais ou menos assim:

Dia 20 eu pego o busão Nokia N8 no Planeta Terra, vejo os shows do Mika e do Smashing Pumpkins e rumo para o Uruguai pra comer um churrasco, tomar um mate e caçar um show do El Cuarteto de Nós – que eu conheci recentemente e pirei, já que não conhecia nenhuma banda de rock bacana que cantasse em espanhol. Depois disso, dava um cavalo de pau e subia todas as Américas, chegava em Seattle, pra conhecer o berço da maioria das minhas bandas favoritas como Pearl Jam e Soundgarden, por fim sigo os conselhos do Google Maps, adapto o ônibus pra singrar pelo Oceano Pacífico e ir pulando de país em país até chegar na Ucrânia pra apertar a mão dos Los Colorados, grupo do qual eu não conheço absolutamente nada, mas que ganhou minha simpatia depois dessa versão de Hot ‘n’ Cold da Katy Perry.

Tá, não fui muito criativo… espero que você seja mais! :)

Vamos às regras

  • O concurso aqui do blog acontece até a quarta-feira. Você deve mandar seu material até as 16h do dia 17 18 de novembro para: participe@outrosolhos.com.br
  • Sua participação será considerada válida somente quando você receber um E-mail de um dos jurados – o que pode demorar até 12 horas (faça as contas para garantir a confirmação antes do prazo final). Fica a dica: deixa um comentário aqui assim que você enviar. Caso não receba o e-mail em até 12hs, também deixe um comentário.
  • A equipe do blog elegerá os melhores participantes, não cabendo contestação: Gustavo Jreige, Eric Franco e Breno Oliveira.
  • Os critérios: criatividade, qualidade do trabalho, pesquisa musical, adequação à proposta.
  • Os materiais recebidos posteriormente a data acima acordada (salvas eventuais prorrogações aqui comunicadas) não serão aceitos
  • Ao enviar material para o concurso, você permite a publicação de seu nome e do material enviado aqui no Blog ou em qualquer veículo online ou offline, comercial ou editorial, que o blog julgar conveniente
  • Serão eliminados aqueles participantes que não colocarem o Planeta Terra dentro da rota.
  • O vencedor será anunciado no dia 18 19, às 17h 14h.
  • O par de ingressos deverá ser retirado na cidade de São Paulo até o meio-dia do dia 20. Se você não tem como retirar, é melhor não participar – afinal, não queremos jogar ingresso fora, né?

Participe, mande suas histórias, pegue carona nos busões dos seus amigos. Afinal, o festival sempre é ótimo. Você não vai perder, né?

O concurso foi encerrado! Clique para ver o post com o resultado.

por / 5 Nov

Não tem jeito: dia sim e outro também nasce uma nova estrela na internet. “A internet e as redes sociais promoveram uma espécie de varejização da fama”, diz o jornalista e blogueiro Alexandre Inagaki, ele mesmo bastante conhecido na rede, com mais de vinte mil seguidores no Twitter. Nesse mercado, existem “produtos” de diversos tamanhos, valores e prazos de validade.

A lógica é simples: blogueiros do mundo todo precisam atualizar seus canais e manter sua audiência. Para isso, vão sempre atrás de novidades. Do outro lado, pessoas de cada canto do planeta estão na web, publicando as mais diversas informações – das geniais às absolutamente esdrúxulas. Um grande número de internautas vasculha a web em busca de conteúdo para se divertir, informar, comentar.

Unindo os três, temos as engrenagens para uma máquina de famosos instantâneos, que funciona com velocidade e grande volume de produtos. Quanto mais fenômenos de popularidade a internet gera instantaneamente, menor tempo e atenção esses eles terão – uma vez que, logo, outra pessoa aparecerá e despertará mais interesse.

Fama de 140 caracteres

“A web facilitou em muito esse processo de popularidade instantânea. É o miojão da fama na internet – bote um vídeo ridículo ou vexaminoso no YouTube, deixe ferver por 3 minutos no Twitter e blogs populares e pronto”, sentencia Inagaki. O pesquisador Alex Primo concorda: “Essa fugacidade da fama é característica desse tipo de celebridade. Estoura e depois desaparece”, explica.

Primo cita um vídeo que tornou-se muito conhecido na internet: o da nutricionista Ruth Lemos, em que ela gagueja durante uma entrevista ao vivo na TV, em 2005. “Ela ficou muito famosa. Seu vídeo foi muito espalhado, fizeram um rap pra ela, ela fechou campanhas, deu entrevista no Jô… Aí, achou que tinha tanta notoriedade que se candidatou a deputada, e não venceu.”, conta. “O vídeo continua no Youtube, mas não é explosivo como antes. As pessoas já não lembram dela. Quem tem interesse em saber como é a vida dela, hoje? No caso de uma celebridade, não, ela sabe se manter sempre em voga”, explica o pesquisador, que tem estudos sobre fama na internet.

Celebridades, para Primo, são elas próprias, mercadorias que se associam à industria de bens e também à industria cultural, tendo uma imagem arquitetada e construída. Por isso, certas marcas buscam associar seu nome a essa pessoa e, principalmente, à máscara que ela representa – mas há chance para diversos tipos de famosos. “A publicidade busca líderes de opinião, sejam massivos ou em pequenos grupos, em segmentos. A duração dessa fama não importa tanto para o marketing, já que ele trabalha com o presente. Só importa se ela for famosa e vender hoje”, conclui.

Fama entre mil amigos

“Nestes tempos de long tail, há a “fama” que dura 15 bytes. Ou as pessoas que são famosas para 15 pessoas, provocando efeitos bizarros como o fato de que, em determinados eventos como a Campus Party, pessoas me param para pedir autógrafos”, ironiza Inagaki. Ele, que tem um dos principais blogs do país, é muito conhecido por um público específico, tendo renome e popularidade nesse nicho, mas permanecendo anônimo para a maior parte das pessoas . São vários os líderes de opinião espalhados pela internet e muito populares em seus meios, falando para milhares de pessoas. “Mas, convenhamos, não dá para dizer que essas cibercelebridades de fato podem ser consideradas famosas. Por mais que a internet continue ganhando relevância, qualquer ator coadjuvante da novela das seis permanece sendo muito mais conhecido do que um usuário de Twitter com 100 mil followers que nunca apareceu na TV”, acredita.

“São ‘famas’ diferentes”, acredita Bruno Ferrari, jornalista da Época, que escreve o blog Bombou na web. “Não se pode dizer que a fama na web é menos legítima. Ela só é proporcionalmente menor. E a razão é simples: a TV está em mais de 90% dos domicílios brasileiros, enquanto a internet não chega a metade disso”. Para ele, é inegável o sucesso de gente como Felipe Neto e PC Siqueira na internet. “Mas se você perguntar para gente de uma faixa etária mais velha ou pessoas que não têm a internet como algo essencial em suas vidas, é provável que eles não saibam quem são eles.”

Celebridades de carne, osso e fãs

Felipe e PC fogem da característica de famosos-relâmpago e já ultrapassaram a fama segmentada: apesar da popularidade meteórica e de falarem inicialmente para grupos reduzidos, eles continuam, há meses, produzindo vídeos que são verdadeiros sucessos no Youtube, gerando comentários em toda a web – e fãs também fora da tela do computador.

“Hoje, eu estava atravessando uma avenida movimentada aqui no Rio e um cara desceu do táxi berrando meu nome, correndo atrás de mim e falando que queria tirar foto. Eu falei: ‘tá… mas eu estou no meio da rua, vou ser atropelado!’ E ele falou: ‘te sigo’”, conta o videologger Felipe Neto, 22 anos, o famoso virtual mais popular da internet brasileira no momento, respondendo a uma pergunta do público na entrevista coletiva virtual realizada pelo Repórter OO.

Felipe começou a gravar vídeos em seu quarto, tecendo críticas de maneira enfática e agressiva a temas da sociedade – como as bandas “coloridas”. Os vídeos fizeram tanto sucesso que Felipe ganhou uma legião de fãs, mas teve que aprender a lidar com um número grande de pessoas criticando seu trabalho e xingando a cada opinião dada. Também surgiram ameaças – “que nunca saíram do virtual, graças a Deus”, segundo ele. Em questão de dois meses, os vídeos de Felipe já registravam mais de um milhão de visualizações cada – e o sucesso vem se mantendo.

A popularidade não é um problema. “Aprendi a lidar com isso. Mas tem jornalista que pergunta se gosto da fama e quer que eu responda que não, que odeio, que não queria nada disso. O discurso da falsa humildade me irrita, mas, ok, a gente tem que abrir concessão. Se você quer trabalhar no meio, tem que jogar o jogo”, acredita o rapaz, que já passou por treinamentos para lidar com a imprensa.

PC Siqueira, outro videologger de sucesso, não se dá tão bem assim com a fama. Ele conta que teve que mudar sua rotina para conseguir lidar com o assédio, especialmente do público adolescente. “Eu não imaginava que faria tanto sucesso, nem queria isso. Não era o tipo de coisa que pensava para a minha vida”, diz ele. A personalidade interfere: “Não está difícil a ponto de eu sair na rua e as pessoas quererem arrancar meu cabelo, mas eu sou uma pessoa reservada. Agora, se fico parado em lugar público, já noto pessoas do meu lado olhando e comentando. Sempre dá a sensação de que tem gente em volta de você prestando muita atenção no que você tá fazendo”, explica ele que, apesar disso, tirou “férias” do trabalho como ilustrador “porque já estava perdendo dinheiro ao dedicar tempo a isso e não aos vídeos”.

Ricos e famosos?

A fama despertou interesse comercial. O poder de PC é tanto que até sua cachorrinha, Lola, ficou conhecida. Ela foi presente de uma agência de propaganda após um pedido de PC para que alguém o presenteasse com um cachorro. O objetivo da agência? Transformá-la em um ícone do canal, para depois comercializar produtos. Deu certo: uma linha de canecas e camisetas – algumas delas com desenhos da Lola – está prestes a ser lançada.

Felipe já tem projetos próprios engatilhados na grande mídia e vem lucrando com publicidade em seus vídeos e em seu perfil no Twitter – onde passa dos 800 mil seguidores. “A internet é extremamente rápida,: acontece, passa e acabou. Eu tenho consciência disso. A web foi e é uma janela. E eu abri. Agora quero explorar outros caminhos. Não penso em sair da internet, mas vou buscar outros lugares”, diz ele, que atualmente é agenciado pela mesma empresa que cuida da carreira de artistas como Bruno Mazzeo e Marcos Mion.

Jovens poderosos

O público teen é o motor das maiores celebridades da internet – o que explica o sucesso de artistas como Restart, no Brasil, e Justin Bieber, nos Estados Unidos, ambos “nascidos” na rede. “Criar ídolos virtuais é coisa de adolescente mesmo, porque eles estão ali direto no computador. São eles que movimentam, que unem, se reúnem…”, acredita Phelipe Cruz, editor do site da revista Capricho, uma das principais criadoras de famosos da internet.

Com o blog Colírios, que mostra fotos de meninos bonitos e comuns, o site da Capricho abriu uma porta para lançar estrelas adolescentes. “Achei que fosse mais legal a gente colocar meninos de internet, que estão por aí e não são famosos – mas que acabam se tornando meio que pequenas celebridades quando vão pro nosso blog”, explica Phelipe. “Alguns, muitos, deixaram de ser anônimos na internet e também fora dela. Eles são reconhecidos na rua, no shopping… No Brasil, hoje, eles são as principais celebridades teen”, completa.

Três meninos se destacaram tanto nesse blog, em termos de popularidade, que acabaram ganhando um outro só para eles, o “Vida de Garoto”, em que contam o que acontece em seus cotidianos. Os três tornaram-se grandes estrelas, a ponto de virarem capa da revista Capricho – que teve, com eles, a sua edição mais vendida de 2009. Era o que faltava para que explodissem: a Capricho lançou uma revista especial sobre eles, com três capas (uma para cada menino), que foi sucesso de vendas; uma marca produziu cadernos com os garotos na capa e a MTV, em parceria com a Capricho, produziu um reality show para escolher o quarto blogueiro do “Vida de Garoto”.

Os meninos foram pegos de surpresa com tamanho sucesso. A Capricho também, mas se estruturou para criar uma agência de talentos e aproveitar ainda mais a carreira de suas próprias celebridades, cuidando delas – afinal, o processo de se tornar famoso não é simples, especialmente para quem não tinha isso como objetivo. “Foi questão de dois meses pra minha vida mudar completamente. Estava acostumado a tirar satisfação quando tinha problema com alguém. Mas tive que aprender a não responder, porque não adiantava nada. É o pior de tudo, ter que saber, de uma hora pra outra, a engolir crítica, agüentar a galera te xingando e não poder fazer nada”, desabafa o colírio Caíque Nogueira, 16 anos, um dos integrantes do Vida de Garoto.

Fama multimídia

Se a Capricho conseguiu aproveitar a nova mídia para criar seus famosos, outra empresa de comunicação tradicional, também ligada ao público jovem, foi muito influenciada pela internet. A MTV brasileira tem em seus casting diversos nomes conhecidos na web, além de programas inspirados em blogs e vlogs consagrados (além do “Colírios”, eles possuem contrato de exibição dos vídeos do PC Siqueira – só para ficar nos já citados aqui na reportagem).

Já são mais de 10 VJs e repórteres do canal que vieram da internet. O principal nome dessa “invasão online” é Marimoon, fotologger que, com seu estilo marcante, tornou-se referência para adolescentes na internet. Em 2007, ela foi convidada pelo canal a apresentar um programa – lançado em janeiro de 2008 – e hoje é uma de suas principais estrelas. A fórmula deu certo na TV e vale como um trunfo da emissora na internet, aproveitando a popularidade dessas pessoas na web para angariar audiência – Marimoon, por exemplo, comandou a transmissão online do VMB 2010.

Outras emissoras estão atentas ao poder dos famosos virtuais – que, cada vez mais, despertam interesse dos veículos de massa. Na última edição do Big Brother Brasil, da Globo, dois famosos virtuais, a Twittess (Tessália, no programa) e o Mr. Orgastic (Serginho), foram convidados pela produção para participar do jogo – mas nenhum deles chegou perto do prêmio final. Felipe Neto, de quem falamos acima, já gravou pilotos e, em breve, estreará tanto na TV paga quanto na aberta – os contratos estão sendo assinados.

No Repórter Outros Olhos, leia mais:

Felipe Neto: “Pai, eu estou meio famoso!”
Top 5: Famosos graças ao YouTube
A não-fama de PC Siqueira
O Youtube, a fama e o Mistery Guitar Man
Virais: “sabe aquele vídeo…”
MTV: da web para a TV
Geisy Arruda: dos limões, limonada
Lucas, auto-celebridade
O caminho até a grande mídia
Música: eles viraram hit por causa da web
Estrelas da web, estrelas da música
Manu Gavassi, da web para as mãos de Rick Bonadio
Caíque Nogueira, um garoto com vida de famoso
Phelipe Cruz, o caçador de talentos da Capricho
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É hora de falar de… fama virtual

por / 25 Out

Adotar um estilo de vida sustentável é praticamente um ato de conversão. É exatamente por isso que a grande maioria resiste a essa mudança, enquanto uma pequena minoria consciente é chamada de ‘eco-chata’, ‘eco-xiita’, ‘bicho grilo’, ‘profetas do apocalipse’ e por aí vai. Para quem já aderiu à mudança de hábitos a prática se tornou exatamente isso, um hábito. A maior dificuldade, assim como quando se decide frequentar uma academia, é começar. Para saber como isso pode acontecer, contamos aqui parte da história de quatro pessoas que lutam pela tomada de consciência através de trabalhos e exemplos de vida sustentáveis.

A primeira delas é Washington Novaes. Jornalista de 76 anos, ele atualmente ministra a palestra “Limites da Sustentabilidade”, apresentando números em defesa do desenvolvimento sustentável que foram coletados durante toda sua vida profissional, dedicada ao tema e que teve início em 1977. Na época, ele integrava a equipe do programa de televisão Globo Repórter, na Rede Globo, que lhe rendeu o primeiro contato com povos indígenas, na tribo Maué, na região do Rio Andirá, no Amazonas.

Hoje, além de escrever artigos para o jornal O Estado de S. Paulo, ele também escreve para o jornal O Popular, de Goiânia, e é supervisor do programa Repórter Eco, da TV Cultura. É com trabalhos como estes que Washington Novaes busca impactar pessoas para causas sustentáveis, usando uma ferramenta primordial: a informação, que segundo ele, é o que de fato gera mudança de comportamento. “As pessoas precisam saber sobre tudo o que está acontecendo, que é de extrema gravidade. Elas precisam ter consciência que tudo o que fazem tem impacto sobre o meio físico e precisam saber, principalmente, o preço que esses impactos têm”.

Washington Novaes é insistente na hora de defender a tomada de consciência como principal meio de geração de mudanças. Ele exemplifica erros comuns, próprios de um discurso meramente taxativo: “Não adianta você falar, por exemplo, para a pessoa não jogar lixo no chão. Ela vai continuar fazendo porque para ela aquilo é normal. O todo tem que mudar. A visão de mundo tem que mudar. Só assim a mudança terá efeito”.

Para que a informação gere resultados reais, o jornalista acredita que é preciso trabalhá-las no âmbito da cidadania. Desse modo é possível gerar uma indignação na sociedade que não fique somente no discurso, mas renda também atitudes. “É preciso sair da passividade e para isso é preciso informar os jovens, que como parte da sociedade brasileira vivem o que eu costumo chamar de ‘retórica da indignação’. É preciso ajudá-los a se organizar para discutirem e formularem projetos políticos”, defende. “A sociedade tem que se assumir como sujeito nessa história e não como vítima”, completa.

Washington Novaes mora há 23 anos em um chácara de 22 000m² em Goiânia. Tudo o que tem por lá foi plantado ou construído por ele. Há pomar, hortas e galinheiro. O aquecimento da água é feito somente através da captação de energia solar. Todo o lixo é separado e depois encaminhado para locais de recolhimento adequados. Ele ainda conta que procura depender o mínimo possível de transporte e que o fato de hoje morar e trabalhar no mesmo local ajuda muito no cumprimento dessa missão.

“É evidente que em cidades muito grandes é sempre mais difícil conseguir fazer coisas que, por exemplo, eu faço aqui. Mas acredito que se a sociedade se organizar ela consegue conservar a praça, replantar e fazer mudanças importantes seja onde for. O que se precisa é da participação de cada pessoa tentando adequar a vida pessoal para que os benefícios sejam grandes, e isso é uma escolha”, conclui Novaes.

Marcelo Yuka também acredita que a mudança virá a partir de uma escolha nossa. Músico e compositor de 44 anos, Yuka foi um dos fundadores do grupo musical O Rappa. Hoje, comanda um projeto social chamado F.Ur.T.O (Frente Urbana de Trabalhos Organizados) e lidera a ONG B.O.C.A (Brigada Organizada de Cultura Ativista).

Sua ligação com sustentabilidade ficou mais evidente depois dos nove tiros que levou durante um assalto, em 2000, que o deixaram paraplégico. Marcelo Yuka teve que diminuir os trabalhos sociais que fazia nas favelas por conta da dificuldade de locomoção, e foi então que começou a se envolver em ONGs que atuavam em outras causas sociais. Hoje, ele trabalha com presidiários dentro de penitenciárias, e foi assim que começou a pensar na ação social como uma atividade sustentável.

Yuka defende a ideia de que todos devemos repensar a relação que temos uns com os outros. “Tudo depende das relações humanas que temos entre nós e entre o solo que pisamos. O que fazemos se reflete no outro e no meio onde a gente vive. Nós podemos ser a vacina ou o veneno”, afirma. Um dos exemplos de como isso pode acontecer na prática vem do consumo exagerado.

“É incrível como ainda não questionamos a forma de fabricação dos celulares, por exemplo. Enquanto a gente se preocupa em pagar menos nas ligações, pessoas trabalham em condições sub-humanas no Congo.” O país do oeste africano possui uma das únicas fontes de extração de minerais necessários para a fabricação dos aparelhos. “Quando mais pessoas começarem a se importar com isso, as grandes empresas vão ter que mudar”, completa Yuka.

Por meio de questionamentos como este, Yuka propõe uma mudança não somente na forma de fabricação de determinado produto, mas também nas relações humanas. “Em situações como estas, nas quais sabemos que a forma de fabricação de um produto está acabando com um país, temos que enxergar que isso não é legal”, explica.

Yuka acredita que é esse humanismo, desperto em cada um de nós, que irá melhorar as nossas relações com o mundo e, consequentemente, com nós mesmos. “Temos que refletir sobre o que é ser humano, e que o amor é a melhor forma de inteligência. Para isso, não existe faculdade, a gente aprende errando. O problema é que hoje, como humano, não dá mais para errar”, conclui.

Economista político de 70 anos, Ladislau Dowbor também é favorável à mudança de valores. Ele atua como professor titular de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) nas áreas de economia e administração. Também é presidente do Conselho do Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP, que aborda temas como educação, cultura, ética global, desenvolvimento sustentável e responsabilidade social. No começo dos anos 80, Ladislau Dowbor foi consultor da Organização das Nações Unidas – ONU , na área de Assuntos Políticos Especiais. Durante quase 50 anos de carreira, acompanhou a evolução econômico-social do país e aponta um paradoxo quando questões políticas são relacionadas a um desenvolvimento sustentável.

Segundo ele, há um erro conceitual quando se fala em crescimento do país. “O PIB cresce porque empresas madeireiras, siderúrgicas, energéticas e indústrias de celulose aumentam sua produtividade enquanto o meio ambiente é destruído por elas mesmas”, explica. Ladislau Dowbor defende que a “ética da ganância” dê espaço à “ética da contribuição” por meio de parcerias entre governos, empresas, instituições privadas e universidades. “Ninguém faz nada sozinho, é preciso unir forças. O essencial é que com isso consigamos sair de uma sociedade de competição para entrar em uma sociedade de colaboração”, explica.

Ladislau Dowbor defende que a sociedade se organize em torno de seus interesses comuns e que, para isso, é preciso construir uma noção social e ambiental desde cedo, integrando e aproximando a sociedade do ensino. “A ideia não é dar um diploma à pessoa para que ela tenha condições de se afastar de uma realidade ruim, e sim dar a ela instrumentos para que transforme sua realidade”.

Segundo ele, nossa maior missão é entender que o fator social, assim como o ambiental, são vetores de avanço e não obstáculos para conseguirmos evoluir. “É preciso que o Brasil repense a sua conta. Deixar de olhar um pouco o Produto Interno Bruto (PIB) e dar mais valor à felicidade interna bruta”, conclui.

Foi pensando em felicidade que Alice Lobo, jornalista de 32 anos, começou a se dedicar profissionalmente ao tema sustentabilidade. Em maio de 2009 ela lançou o blog Verdinho Básico, onde escreve sobre tendências de moda, design e gastronomia sustentáveis. A iniciativa de criar o blog veio no momento em que Alice estava repensando sua vida profissional após sofrer uma crise de estresse que fez com que fosse parar no hospital inconsciente, devido principalmente a uma séria enxaqueca.

Foi então que Alice, que já havia participado de uma edição especial da revista Veja sobre o meio ambiente, levantou a bandeira verde para o mercado jornalístico. “Comecei vendendo uma pauta para a revista Elle que mostrava como ser green é cool e deu supercerto. Desde então, decidi que ia trabalhar com aquilo que é vitrine do que eu penso, acredito e gosto”, conta. “Sustentabilidade com um approach jovem e de lifestyle para tentar quebrar o tabu que existe por aí”, completa Alice.

As práticas sustentáveis começaram a fazer parte da vida de Alice quando, aos 7 anos de idade, ela entrou para a Federação Bandeirante do Brasil – FBB -, uma organização civil de educação não-formal voltava para o público infanto-juvenil. Naquela época, Alice também participava de atividades optativas de assistência social que o Colégio Santa Cruz, onde estudava, oferecia. “O bandeirante recebe ensinamentos que são, acima de tudo, de cidadania. Eu também ia a orfanatos e dava aula em favelas. Eu cresci com tudo isso”.

A educação recebida durante a infância foi somada a experiências internacionais da fase adulta que fizeram com que Alice percebesse que questões primordiais como respeito ao meio ambiente e consumo moderado estão distantes da realidade de muitas pessoas no Brasil. Em 2006, Alice morou durante seis meses em Paris, na França, onde podia desfrutar de uma enorme oferta de produtos orgânicos disponíveis no supermercado. Ela viajou diversas vezes a Londres, na Inglaterra, em visitas a parte de sua família que mora lá. Além disso, foi para Copenhague, na Dinamarca, e para a Califórnia, nos Estados Unidos. “Me incomodava muito ver como lá fora os jovens e todas as pessoas já estão muito mais conscientes e aqui elas se limitam a achar que é coisa de bicho-grilo”.

O nome do blog, Verdinho Básico, foi escolhido na tentativa de quebrar estigmas. “Quando escolhi, pensei: ninguém vai achar que é uma coisa chata”. Alice confessa que teve medo que ativistas ou pessoas mais sérias achassem que ela estava brincando com o tema ou sendo superficial. “Mas é claro que não. Foi um approach, porque eu acredito que a moda é uma das maiores e mais poderosas mídias que a gente tem. É só ver o quanto a roupa de uma personagem da novela gera de comentários e o quanto os desfiles de moda geram de comportamento.”

E foi assim que Alice escolheu por começar a influenciar pessoas para causas sustentáveis. “Isso é muito fácil se você realmente acreditar e agir. Influenciar é algo que acontece naturalmente com o exemplo que você dá”. Ela conta como algumas amigas com as quais costuma sair adquiriram os mesmos hábitos que ela, sem que fosse necessário “pregar”, como ela mesma diz.

“Sempre que vem um canudo junto com o copo de bebida eu rejeito. Afinal, não faz sentido algum usar aquele canudo pensando que você vai se prevenir caso o copo tenha sido mal lavado! Hoje, minhas amigas também rejeitam o canudo sem eu que eu nunca tenha falado alguma coisa.” Alice defende a idéia de que quando alguém age de uma maneira que faz a outra pessoa parar para pensar esta passa a agir conscientemente.

Ela afirma que se preocupar com o planeta significa se preocupar com você mesmo e com as relações humanas. “É muito mais fácil fechar os olhos, mas fazer isso está cada vez mais difícil porque afinal ontem a enchente foi em Santa Catarina e amanhã pode ser na sua cidade”, conclui.

Foto Washington Novaes: Alexandre Battibugli.
Foto Marcelo Yuka: Agência Brasil.
Foto Ladislau Dowbor: Arquivo pessoal.
Foto Alice Lobo: Carola Montoro.

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por / 10 Set

Veja por onde andaram os nossos entrevistados:

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Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que em algum momento da vida tenha ido morar em outro país. Se ainda não conhece, irá conhecer. Isso porque o número de brasileiros residentes fora tem aumentado a cada ano. Segundo uma pesquisa do Ministério das Relações Exteriores (MRE) denominada “Brasileiros no Mundo – Estimativas”, esse número é impressionante. São 3.040.993 brasileiros espalhados por 117 países. Esse número é maior que toda a população do estado do Rio Grande do Norte.

O levantamento é baseado em informações locais junto às embaixadas, ou seja, refere-se apenas aos imigrantes legais. O próprio ministério admite que há limitações na pesquisa pelo fato de muitos brasileiros viverem em situação irregular e, consequentemente, não procurarem consulados ou embaixadas do Brasil temendo ser descobertos e repatriados. O número, então, é muito maior que esse. Mais de três milhões de pessoas saindo do país, mudando de cultura, de hábitos, de valores, entrando em um outro grupo social, na maioria das vezes desconhecido. Mas será que essas pessoas estão preparadas para tamanha mudança de vida?

“A pessoa possui uma série de fantasias quando está indo para outro país. Quando se depara com a realidade, a experiência pode acabar sendo bastante angustiante”, explica a psicóloga Laura Ueno. Durante sete anos, Laura integrou uma equipe da USP formada por profissionais da área de psicologia que ajudava pessoas a lidarem com o choque ao encontrar culturas diferentes. O Serviço de Atendimento Intercultural, como era chamado, auxiliava não só pessoas que saíam do Brasil, mas também as que voltavam de outros países, além de estrangeiros que aqui vinham morar. “Nos atendimentos a gente percebia que os maiores problemas estavam aqui e não quando se chegava no outro país. Muitas vezes a decisão é tão pouco pensada que a pessoa se deixa influenciar por experiências de amigos ou familiares, e quando se vê que as coisas não são como se havia imaginado o choque certamente é maior”, explica Laura.


Conheça algumas histórias. Clique no nome da pessoa para abrir o texto:

“Bateu uma crise de pânico. Eu falei: vou voltar e pronto. Tirei um peso gigante das minhas costas. Quatro dias depois, já estava de volta ao Brasil”

[EXPAND Geraldo Neto]

O editor de vídeo Geraldo Neto, 28 anos, morava em Riberão Preto, no interior de São Paulo, e assim como muitos tinha o sonho de conhecer a Europa. “Sempre fui apaixonado pela cultura, pela história de lá. Como queria aprender inglês, achei que seria uma grande experiência ir para a Inglaterra”, conta. Decidido, pediu demissão do trabalho e juntou vinte mil reais para passar um ano na capital inglesa. Passados sete meses da demissão – tempo que levou para conseguir resolver burocracias do seu visto -, era hora da viagem, mas agora só lhe restavam oito mil reais, pouco dinheiro, levando-se em consideração que a moeda local da Inglaterra é a libra e ele pretendia ficar um ano estudando sem trabalhar.

Em apenas uma semana em Londres o sonho desmoronou. O apartamento que alugou e as diferenças culturais o assustaram logo no segundo dia. “Conhecer o lugar onde eu ia morar foi meio desesperador. Eram oito brasileiros que moravam ali e meu quarto era a sala de estar, só que separado com uma divisória. Todo o chão era de carpete e eu tenho alergia. O banheiro parecia de filme de terror, com uma banheira velha e uma ducha higiênica grande no lugar do chuveiro”, relata Geraldo. “Lá era tudo muito estranho, o céu era escuro, a cidade não tinha cores. Era meio monocrómatico. Nos filmes é lindo, mas pessoalmente não foi nada agradável”, conta ele.

A psicóloga Laura Ueno explica que tal decepção é comum. “Muita gente sai do país por uma idealização. Então é importante que ela se conscientize sobre ‘para onde está indo’, ‘como é’, ‘quais expectativas tem’, para que haja um pouco mais de realismo”, explica Ueno. Segundo ela, o choque sempre irá existir e o importante é ser paciente, uma vez que a adaptação completa leva algum tempo. “A pessoa tem que saber que ela vai passar por um processo, e que é importante se abrir para uma nova cultura, com um novo jeito de fazer as coisas”, completa.

Ainda no terceiro dia em Londres e com apenas 600 libras restantes na carteira, o desespero começou a tomar conta de Geraldo com a impossibilidade de conseguir um emprego em sua área, já que todos exigiam inglês fluente. “Comecei a ter crises de pânico, que me afetavam fisicamente. Não conseguia dormir de tanto pensar nas coisas, inclusive em tarefas simples como comer e tomar banho, que me assustavam um pouco”. O brasileiro resolveu, então, remarcar a passagem para dali a três dias. “Tirei um peso gigante das minhas costas. Aí sim deu para aproveitar. Fiquei dois dias só passeando tranquilamente e gastando todo o dinheiro que me restava como turista.”

Depois de exatos oito dias no exterior – 356 a menos do que o previsto -, Geraldo aterrissou de volta no Brasil. “Era como se eu estivesse saindo de um filme, com roteiro intenso e louco. Minha cabeça não teve tempo de interpretar tudo o que aconteceu. Quando voltei senti o calor e olhei para cima, azul! Era tudo colorido, como se tivessem tirado um insufilme do céu”, conta.
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“Dizem que quem mora no exterior uma vez jamais volta a se adaptar no seu país de origem por completo. Comigo foi exatamente assim”

[EXPAND Marília Kugler.]

Há também casos em que a adaptação no novo país é mais fácil que o esperado e o difícil é a readaptação ao voltar ao país de origem. Marília Kugler, 22 anos, morou por um ano e seis meses no estado de New Jersey, nos Estados Unidos. Natural de São Caetano do Sul, no ABC paulista, Marília trancou o segundo ano da faculdade de Moda para fazer um intercâmbio de estudo e trabalho. “No meu caso, encontrei nos Estados Unidos aquilo que não encontro no Brasil. Me identifiquei com o modo de vida muito mais rápido do que esperava. Gosto do Brasil, mas se colocar na balança as coisas que me fazem bem a maioria delas está nos Estados Unidos”, conclui.

Ao contrário de Geraldo, por exemplo, que mal podia esperar para voltar ao país de origem, Marília, que voltou ao Brasil há 6 meses, ainda não conseguiu se readaptar. “Não dirijo mais, não aguento as baladas daqui e muito menos as pessoas. É tudo muito diferente, a educação é outra, a cabeça e os assuntos definitivamente não me agradam mais.” A psicóloga Laura Ueno esclarece: “Esse choque também é uma forma de a pessoa ampliar a visão de mundo que ela tem”.

Segundo a especialista, há até pouco tempo existia o consenso de que era mais difícil deixar o país de origem e ir morar em um país desconhecido do que retornar à terra natal. “De um tempo para cá esse retorno tem sido tão difícil quanto ou até mais complicado”, afirma a especialista. “Pela aculturação e mudança de vida, a volta passou a ser também uma migração”, explica. Há aspectos tanto individuais quanto sociais que influenciam na readaptação. De acordo com a psicóloga, os aspectos individuais são aqueles com os quais somente com o tempo a pessoa irá se acostumar novamente. Já os problemas sociais independem do indivíduo: “São problemas como a condição econômica do país, a segurança, etc”.
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“O que eu mais gosto de fazer é viajar, ter contato com as pessoas, conhecer diferentes culturas e ver vários lugares. Viajo o mundo e depois volto para casa, em Dubai. É perfeito”

[EXPAND Priscila Valavicius.]

A jovem Priscila Valavicius, 22 anos, se preocupa com seu retorno ao Brasil, que ainda não tem data prevista. “Não sei se eu vou conseguir voltar. Não vai ser a mesma coisa porque já tive muitas experiências diferentes.” Priscila escolheu viajar o mundo como comissária de bordo e, para tal, mudou para Dubai, nos Emirados Árabes, Oriente Médio. Desde junho deste ano, ela vive no país muçulmano, cuja cultura destoa completamente do ambiente onde foi criada.

Não é a primeira vez que Priscila muda drasticamente de país nem de cultura. Ela já havia feito intercâmbio na Holanda, mas voltou ao Brasil com vontade de continuar em contato com outras culturas. “A única maneira que encontrei foi ser comissária. Não é por amor à profissão, mas pela oportunidade de conhecer outros lugares”, explica.

O contrato com a companhia aérea Emirates dura três anos, mas ela diz que não sabe por quanto tempo irá permanecer. No caso de Priscila, a adaptação conta com alguns fatores favoráveis: Dubai é a cidade mais cosmopolita e tolerante dos Emirados Árabes Unidos. “81% da população do país é estrangeira, por isso é difícil ver alguém daqui na rua. Todo mundo fala inglês, é tranquilo”, conta.

Lidar com as diferenças culturais não é um problema para Priscila. “Prefiro morar num lugar com vários tipos de cultura, porque aprendo a conviver com todas”, diz ela.
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“Sou recém-chegada de Minas Gerais e me impressiono como cidadãos de regiões diferentes de um mesmo país podem ser tão diferentes!”

[EXPAND Raquel Delage.]

Sim, pode haver choque cultural dentro de um mesmo país. A mineira Raquel Delage, de 27 anos, cursa mestrado em uma faculdade particular de São Paulo e sente certa dificuldade de socialização. “Não sei se foi porque eu morei durante 5 anos em uma cidade universitária e longe dos meus pais, mas percebo valores muitos diferentes entre colegas de lá e daqui”, desabafa.

Antes de se mudar para a capital paulista, Raquel morava em uma república em Juiz de Fora, Minas Gerais, e antes disso com a família na pequena cidade de Governador Valadares, no interior do estado. A mudança de vida, segundo a psicóloga Laura Ueno, inclui, além das questões psicológicas, a adaptação a uma nova sociedade, diferente daquela a que estava acostumada. “Adaptar-se a outros modos, a um estilo de vida diferente, é necessário para conseguir socializar”.

Raquel citou alguns dos seus principais estranhamentos. Entre eles, sobre os idosos. “Não consigo conter a risada… Aqui eles são estressados!”, diverte-se, ao se referir ao quão pacato são, de um modo geral, os idosos que ela conhece em Minas Gerais. “Sem contar as milhares de pessoas com fone de ouvido. Não adianta nem pedir uma informação porque elas não vão te escutar e muito menos ‘jogar conversa fora’ com você”, completa, frustrada.
Há dois anos em São Paulo, Raquel ainda não consegue encarar a mudança de uma forma positiva. “Reconheço tudo o que São Paulo proporciona, só que para ter acesso a tudo isso é preciso pagar o preço e aceitar que Minas é Minas, pronto e acabou”, encerra. A psicóloga explica: “A forma positiva ou negativa com que se ‘recebe’ a mudança é crucial na adaptação”.
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“Todos os meus amigos em Sorocaba são ou brasileiros ou de outra nacionalidade. Eu não espanto norte-americanos, mas também não me esforço para procurá-los”

[EXPAND Bill Drix]

Há situações em que mesmo com expectativas pessimistas a mudança pode surpreender positivamente. Foi o que aconteceu com Bill Drix, norte-americano de 59 anos que mora há três anos em Sorocaba, no interior de São Paulo, onde trabalha como gerente de projetos em uma multinacional de engenharia. “Confesso que estava apreensivo de ser recebido como um gringo arrogante, que acha que sabe tudo”, conta Bill, que veio transferido da empresa dos Estados Unidos. “Mas a minha preocupação era infundada. Para um estranho que vem de uma terra estrangeira a recepção foi uma surpresa maravilhosa e um ótimo alívio”, revela.

Para a psicóloga Laura Ueno, uma vez que a pessoa já sabe que vai ter que passar por um processo de aceitação, ela tem que agir de modo a facilitá-lo. “É importante também se abrir para uma nova cultura e um novo jeito de fazer as coisas”. No caso de Bill, o esforço e a preocupação que ele teve em ser aceito colaborou positivamente para uma rápida adaptação. “Já me disseram que sou muito receptivo à cultura brasileira e eu não tenho nenhuma dúvida de que isso influencia positivamente na hora de fazer amizades”, orgulha-se.

A vontade de Bill em se adaptar logo no Brasil é também claramente percebida por sua fala. Ele tem um português tão bom que, se não fosse pelo sotaque, seria praticamente perfeito. Voltar para os Estados Unidos não é mais uma possibilidade para ele. “Se eu me lembro bem, foi bem antes de completar o primeiro ano aqui que eu percebi que já queria ficar no Brasil permanentemente”, conta orgulhoso.
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No Repórter OutrOs OlhOs,

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