Apr23

Mídia sob medida: Os jornais vão acabar?


Você sabe, o mercado de comunicação está sofrendo mudanças em altíssima velocidade e os hábitos de consumo de mídia estão em plena mutação, ganhando novos tons a cada dia. É sensível.

Essa mudança de panorama vem, em partes, da expansão da internet e, antes disso, da velocidade que a vida urbana tem atualmente. Afinal, agora, não dá mais para perder tempo: a mídia tem que ser rápida, estar disponível sob demanda e atender às buscas de seus consumidores.

Todo mundo alardeia que os jornais impressos estão em pleno declínio e dizem até que vão acabar. Não sei. Mas, de qualquer forma, é visível a crise que eles passam em todo o mundo, com redução de redações e mudanças no perfil de publicações, tendo que ampliar a presença online.

Olha como estão as coisas no mercado norte-americano:
- o número de jornalistas trabalhando em jornais impressos no último ano foi o menor em 25 anos, segundo a Associação Americana de Editores de Jornal;
- no ano passado, a publicidade em jornais caiu, em geral, 7,9%, com os anúncios impressos tendo queda de 9,4% e os online tendo aumento de 18,8%, pelos dados da Associação de Jornais da América;
- em 2006, 31% dos americanos tinham a internet como fonte regular de notícias, 11% a mais do que em 2000, enquanto a leitura de jornais caiu de 47% em 2000 para 40% seis anos mais tarde, como afirma um estudo do Pew Research Center.

No Brasil, que já tem internet em 24% de seus domicílios, com ela atingindo 22% da população (ou 24% de domicílios com computadores e menos 15% da população online, segundo outras fontes), ainda não chegamos aos níveis americanos, mas a história não é tão diferente assim.

Grupos de mídia, como Folha, Globo e Estadão, estão vendo seus portais ficarem cada vez mais importantes, com a audiência e o faturamentos crescendo. Em compensação, experimentam a redução na vendagem de suas publicações.

Por aqui, a web recebe apenas 2,7% dos investimentos em publicidade, segundo dados do projeto Inter-Meios, mas as previsões são que, a médio prazo, ultrapasse os investimentos em impressos.

Fim dos jornais? Ainda não. Mudança de perfil? Obviamente.

E por que disso tudo?

Simples: os consumidores de mídia não têm mais tempo para procurar as informações relevantes para si em meio a tantas que não lhe dizem respeito. Você tem?

Para mim, não faz sentido gastar para comprar um jornal inteiro e ler apenas o caderno de esportes – se esse for o objetivo. É muito mais fácil, prático e econômico comprar um jornal especializado ou acessar um portal de notícias, que, além de tudo, estará muito mais atualizado e ainda terá conteúdo multimídia.

Segmentação, interação e personalização são as palavras-chaves dessa era da comunicação em que o poder é cada vez mais do público, que, claro, não é mais passivo.

Jornal Gigante

A “culpa” dessa nova realidade, em partes, vem daqui mesmo, dos blogs. Além de haver nicho, em blogs a escrita é muito mais íntima e pessoal – afinal, o blogueiro realmente gosta do que escreve e atrai leitores que compartilham desse interesse. Junto a isso, o blog é constantemente alterado de acordo com os gostos da audiência, que pode interagir e participar efetivamente, deixando-o cada vez mais eficiente para o público que alcança. O poder do antigo leitor, agora usuário de informações – ou interagente -, aumenta, influenciando toda a produção de mídia.

É do jeito que o público quer ou o blog morre sozinho, isolado. Não é verdade?

Os jornais gratuitos, como o Metro e o Destak, estão em plena expansão. Eles atendem a nichos, escolhendo suas notícias de acordo com o público-alvo, determinado pelo local de distribuição. Assim como na internet, as informações são passadas de forma rápida e há espaços interativos, tentando envolver o leitor na produção do jornal.

Na TV a cabo, onde o conceito de segmentação também existe há muito tempo, aumenta a oferta de conteúdos digitais, como a interatividade. A Globo News tem até um portal em seu canal de TV com notícias em texto atualizadas e os destaques de sua programação. Bem prático.

Outra tendência da TV que já é realidade nos EUA e chega aos poucos no Brasil é a do Digital Recorder, como o TiVo. Com ele, dá para gravar a programação digitalmente, permitindo que ela seja vista sob demanda, na hora e quantas vezes o espectador quiser. Junta-se, assim, interação, segmentação e conteúdo sob demanda em uma só mídia.

Também em crescimento estão as revistas customizadas – como a MIT, da Mitsubishi -, que têm público-alvo bastante específico. Tudo é pensado para o perfil do leitor da publicação, das reportagens ao design e à linguagem, permitindo uma experiência mais efetiva com a informação, sem excesso de conteúdo desinteressante. São feitas sob medida, atendendo a um número menor de leitores, mas que saem muito mais satisfeitos. Alguém viu uma cauda longa por aí?

Os portais de internet cada vez mais possuem essas características de personalização. Redes sociais, comentários em notícias e áreas interativas dão o tom de participação do usuário. Aí o jornalismo se reinventa, com multimídia, conteúdo colaborativo, infográficos e até mesmo com news games, tentando gerar melhores experiências e atingir em cheio o público-alvo, também conhecido, através de análises da navegação. E ainda tem a busca, que permite chegar facilmente no que a gente quer.

Mas nada supera os elementos que dão a cara dos usuários aos portais, como a folksonomia, as palavras-chaves mais buscadas, as notícias mais lidas, mais comentadas, mais votadas… O público, mesmo sem se dar conta, passa a funcionar como uma espécie de editor, indicando – através de seus hábitos – o que é mais relevante em todo o conteúdo. É a beleza do gatewatching! Pra que perder tempo? :D

A única mídia que aparentemente segue sem segmentação e interação é justamente a mais popular delas: a TV aberta, que recebe 59,2% das verbas publicitárias em nosso país. A interação, sem um sistema digital de televisão que exista pra valer, ainda é pequena, mas mostra-se um trunfo para atrair atenção aos programas – como os matinais, que sorteiam prêmios (de “Bom dia e Cia” a “Hoje em Dia”), ou os reality shows. O público gosta de decidir os rumos que irá ao ar…

Como é um veículo para ser visto em família, a generalização de assuntos e conteúdos acaba caindo bem, porque agrada a um número maior de pessoas. Ou seja, continua atendendo ao interesse do público – apesar deste já apresentar mudanças, que exigem ajustes rápidos.

As perspectivas da comunicação, portanto, não estão em nenhuma mídia em especial, no papel, nos pixels ou no tipo de tela.

Sobreviverão todos os que conseguirem compreender seu público e modificar o que for necessário para proporcionar a ele a melhor experiência com o conteúdo oferecido. Para isso, tem que atender suas necessidades e se aproximando dele – ou, no caso, da gente.

O futuro da imprensa é ser vestida por cada um de seus consumidores. Qual é o seu número?

Apr9

Guilherme Fiúza, a imprensa e o caso Isabella


Guilherme Fiúza é jornalista, blogueiro, escritor - é dele o livro que resultou em “Meu Nome Não é Johhny”. Há dezoito anos, em seu apartamento, tropeçaram próximo da janela. Seu filho, de apenas um mês, estava nos braços e, com o tropeço, caiu do oitavo andar. Foi um acidente. Em menos de uma hora, dois guardas armados da polícia militar já estavam no local, impedindo a saída dele e de sua então mulher. Eram suspeitos “daquela tragédia que, por si só, era suficiente para” os “aniquilar”. Os vizinhos, “afoitos ou talvez interessados em fazer o bem, mas com certo açodamento”, passaram diversas informações equivocadas sobre brigas que teriam acontecido no apartamento. Um advogado foi chamado para ver como eles poderiam provar que eram inocentes diante da acusação. Um batalhão de jornalistas já estava na porta do prédio aguardando a saída do casal, que, depois, conseguiu esclarecer tudo e provar sua inocência.

Naquela dura situação, após perderem o filho de um mês, eles tiveram que lidar com a “tragédia sobre a tragédia”. Eles não eram culpados, mas pareciam ser, o que foi suficiente para haver um julgamento precoce pela opinião pública - e, ainda antes dela, pela imprensa.

Guilherme contou isso em seu blog e também ao jornalista Marcelo Parada, hoje, na rádio BandNews FM. Só trouxe sua experiência à tona por acreditar ser importante a opinião pública tomar conhecimento dela nesse momento em que algo tão parecido acontece no tratamento do caso Isabella. Transcrevi boa parte do depoimento, que é de extrema importância para todos que se envolvem com o jornalismo, seja produzindo ou consumindo notícias. Aqui está:

Quando aconteceu o caso com a Isabella, sem eu ter a menor idéia se havia ou não culpa do pai e da madrasta, fiquei mais uma vez chocado e impressionado com a pressa com que se criam versões sobre o que aconteceu de uma maneira absolutamente irresponsável e desumana, porque não se sabe as circunstâncias daquela família assim como não sabiam as minhas circunstâncias. (…) Eu não quero comparar a minha situação com a de ninguém. Só quero dizer que essa situação inicial em que há uma completa ignorância da opinião pública sobre a vida daquela família e as particularidades daquelas pessoas, existe um comportamento completamente irresponsável, inteiramente desumano, quando você conecta eventualmente um vizinho afoito com um delegado falastrão (…).

Nesse caso por exemplo, eu ouvi no rádio no dia seguinte já o delegado falando, como se falasse do Big Brother, do Rafinha ou da Gyselle, dizendo que achava que aquele pai estava metido em circunstâncias muito estranhas. Esse delegado é um irresponsável, ele não tem direito de fazer isso. Ele não tinha dados, ele não tinha informações, ele abusou da sua autoridade. No momento seguinte, eu assisti na televisão à mãe da menina chegando à Polícia pra prestar depoimento e sendo quase jogada no chão pelos jornalistas que queriam arrancar dela uma informação. Isso é fim da picada, é o fim do mundo, isso é pior do que o mensalão, é pior do que corrupção, é pior do que Renan Calheiros.

As pessoas têm que prestar atenção e entender que tem gente de verdade ali naquela situação e que, depois, passado algum tempo, depois que a opinião pública, aparentemente tão preocupada em fazer justiça, cansar desse assunto, ela passa para outro assunto, mas aquela família vai ficar lá, com aquela tragédia, com aquele flagelo, numa solidão absoluta. Então é o momento de reflexão: eu sou jornalista, defendo a liberdade de imprensa, pratico a liberdade de opinião, acho um bem valioso e essencial, mas acho que uma sociedade que se quer civilizada precisa prestar mais atenção no seu comportamento.

A grande semelhança entre o caso Isabella e o meu é a covardia da opinião pública. A opinião pública é covarde. Ela não tem rosto, não sente dor. (…) Você está numa situação limite, não sabe nem se conseguirá prosseguir na vida, e está sendo massacrando por um julgamento precoce. Aí eu pergunto: (…) quem é que vai pagar esse dano moral e emocional quando o assunto sair de pauta, quando a pauta for as Olimpíadas? Porque a opinião pública é assim, né, hoje é a Isabella e amanhã é o Tibet e vamos em frente, como se fosse um grande mosaico, uma grande feira de notícias. E não é assim, existe vida real ali.

(…) E não estou falando sobre culpa ou não culpa. Eu não sei, não sei. Mas a maior certeza que tenho é de que eu não sei o que aconteceu, e as pessoas deveriam ter essa humildade. A revista Época (…) teve um comportamento interessante em sua reportagem de capa, que foi procurar levantar informações sobre a família.

Eu acho que busca da verdade e da informação é sagrada, tem que continuar a acontecer, mas de forma responsável. (…) Então, ao investigar quem eram essas pessoas, seus hábitos, como viviam e etc, você está dando vazão à curiosidade da opinião pública, à parte sadia da curiosidade, à busca por justiça e etc. Você está ajudando a esclarecer, tentando mostrar quem são as pessoas, mas não está apontando o dedo para ninguém. (…)

Estava outro dia conversando com uma repórter da Folha e ela perguntou qual seria a saída, se um código de imprensa… Um código, nada! Isso é berço, isso é um valor que você, como repórter, e eu, como repórter, devemos ter. Você tem que se sentir muito mal se você quase joga no chão uma mãe que acaba de perder uma filha. Isso é um sentimento de cada um, não é código de imprensa, não é nada. Isso é civilização, do contrário a gente chama o Elias Maluco para ser nosso primeiro ministro e julgar as pessoas como ele julgou o Tim Lopes. Pega e joga no microondas. Pra que processo? Pra que essa burocracia chata? A gente acha que é culpado e joga no microondas, queima vivo.

Isso é muito perigoso, as pessoas realmente precisam parar um pouco para pensar sobre seus valores, suas convicções pessoais. Não adianta código de imprensa, não adianta o chefe de reportagem mandar tomar cuidado, não é nada disso. Isso é de cada um.

Feliz dia do jornalista, ainda que atrasado.

—-
Abaixo, você confere o áudio do depoimento, disponibilizado no site da BandNews FM. Como eles não contam com player para sites externos, coloquei o endereço do arquivo nesse player aqui do blog, mantendo, portanto, os hits no servidor deles, para que tenham controle de quantas pessoas ouviram. A idéia é apenas disseminar o conteúdo e não roubá-lo. O link para a nota é: http://www.bandnewsfm.com.br/conteudo.asp?ID=78136. Nele, há o link para ouvir o programa diretamente do site.

Quem me passou o áudio foi a Rosana Hermann, dizendo que eu tinha que ouvir. Tinha mesmo. Assim como ela, fiquei com nó na garganta. Como ela bem definiu, foi um tapa na cara. E doeu.

 
icon for podpress  Guilherme Fiúza na BandNews FM, em 08/04/08 [11:45m]: Play Now | Play in Popup
Apr2

Série “Freaks and Geeks” e o resultado da promoção


Não podia ser mais óbvio. Eu deixei tão fácil, mas tão fácil, que mandaram a resposta já dizendo “não pode ser… tá MUITO na cara”. Estava mesmo!

A série a que fiz referência no título de meu texto para a Pix - “Freaks e Geeks: a maluquice hi-tech das séries de TV” – é…


Freaks and Geeks”!

Pois é, estava na cara, gritando no título, e ainda assim muita gente errou ou não conseguiu lembrar. É que esse seriado, produzido entre 1999 e 2000, teve apenas 18 episódios e não teve lá muita audiência ou repercussão. Uma pena: ele realmente era ótimo!

Protagonizado por Linda Cardellini (que depois entrou em “ER”, como a enfermeira Samantha Taggart) e por John Francis Daley (que nunca mais fez nada de tão importante, mas que participou no ano passado de “Bones”), a série contava a vida de jovens colegiais nos anos 80, com seus conflitos e inadequações – assim como “Anos Incríveis” fazia e “Aliens in America” tenta fazer - de forma brilhante, misturando drama e comédia. Não era uma série teen sobre populares jovens plastificados interpretados por atores de 25 anos. Era sobre adolescentes de verdade, personagens realmente humanos que viviam em grupinhos marginalizados.

Os roteiros de “Freaks and Geeks” eram absurdamente inteligentes e reais, o que talvez justifique a falta de audiência - pode ter sido sofisticada demais para a TV aberta norte-americana), levando a seu cancelamento logo na primeira temporada – apesar da vitória no Emmy de 2000 como melhor elenco de comédia e outras duas indicações ao prêmio.

Com ótima direção, elenco de primeira e uma trilha sonora bem bacana (já ouvi até o tema de abertura, esse do vídeo que ilustra o post, “Bad Reputation”, tocando em balada!), a série está presente em todas as listas de melhores coisas produzidas pela TV ou de seriados cancelados prematuramente.

Não é a toa. Ali estavam diversos talentos que depois viriam a estourar, como o ator Seth Rogen – que esse ano apresentou uma categoria no Oscar - e Judd Apatow, produtor, diretor e roteirista. Foi a primeira parceria dos dois e deu tão certo que eles a repetiram em produções como “Ligeiramente Grávidos”, “Superbad – É hoje” (que traz temática parecida com a da série) e “O Virgem de 40 anos”, verdadeiros hits, que conquistaram platéias e crítica, focalizando, adivinha?!, pessoas freaks. “Freaks and Geeks” é a base dessas comédias que estão dominando o cinema nos anos 2000.

No time de coadjuvantes da série também estavam Jason Segel, o Marshal de “How I Met Your Mother” (e que participou de “Ligeiramente…”), Martin Starr, que também esteve em “Ligeiramente Grávidos”e “SuperBad”, além de um episódio de “How I Met Your Mother”. Tinha ainda Busy Philipps, a Audrey de “Dawson’s Creek” – e que também fez “HIMYM” e “ER” -, e James Franco, dos filmes “Homem Aranha” (1, 2 e 3) e “No Vale das Sombras”. Que tal?

Nos EUA, já foi lançado o DVD com a série completa – que hoje é reconhecida, aclamada e cult. Aqui no Brasil, claro, não tem nem previsão disso acontecer. Mas com sorte você consegue pegar alguma reprise de madrugada na Globo (juro que já vi passando nela, embora não tenha encontrado registro) ou no Multishow, que chegou a exibir diversas vezes com regularidade até bem pouco tempo. Ah, também dá para pedir para o Paul Torrent e pegar legendas em português!

É isso, fica meu tributo a essa série que gosto tanto e que você deveria conhecer…

***

O quê? Esqueci de alguma coisa? :P Aqui estão os vencedores da promoção, os cinco primeiros que acertaram o nome da série por E-mail:

Fabiana Neves, do Rocker Space
Vitor Hugo, do Prato Fundo
Leandro Alonso, do Leandrow.net
Hilário Júnior, do Sarcasmo Raro
Lucas dos Santos, do Séries é Aqui

Parabéns aos cinco! Repondam ao E-mail que enviarei com seus endereços completos que mandarei a revista Pix #17 para vocês, certo?

:D

Mar23

Revista Pix: o texto é meu, a revista é sua


Na edição de março da revista Pix, distribuída gratuitamente de diversos lugares, eu pago a minha língua. Não costumo participar de memes aqui no blog, mas lá eu participo. Na verdade, é uma coluna fixa em que um blogueiro indica o outro para escrever na edição seguinte e eu sou o segundo a participar, por indicação da Rosana Hermann.

Na coluna, chamada Rodízio de Idéias – Blogs, eu junto dois dos meus assuntos favoritos: tecnologia e séries de TV. Sabe quando algum personagem consegue sinal no celular no meio do deserto e você fica gritando mentalmente “NO WAY”? Pois é, é disso que eu falo por lá, das maluquices envolvendo tecnologia que acontecem nos seriados de televisão norte-americanos.

Revista Pix nº 17

A revista é bem bacana, falando, de forma divertida e totalmente informal, de cultura digital. A inspiração assumida vem da linguagem blogueira e eles – os colunistas e principalmente a editora, a já amiga Bia Granja - dão conta direitinho de transpor o universo daqui para as páginas da revista. Eu já gostava antes de escrever – e também babava pelos incríveis ensaios que toda edição traz.

A Pix é um blog bacana que nasceu em papel, mas também dá para ler tudinho online e colaborar bastante. Vale a pena ver a revista impressa, que tem o formato certo para ler em qualquer lugar, até na fila da balada.

É de graça e está disponível em vários lugares, mas ainda assim vou mandar essa edição para a casa dos primeiros cinco leitores que perceberem a qual série eu faço referência no título do meu texto. É bem óbvio mesmo – está gritante no título! -, mas a série não é muito famosa.

Se você souber, basta mandar o nome dela através do formulário de contato do blog. Se você for um dos cinco primeiros, eu mando a revista para a sua casa. Ah, não conte o nome nos comentários, senão perde a graça, né?!

Aguardo as respostas, espero que você gosto do meu texto e recomendo que você conheça a revista. É jeito gostoso de obter, mesmo offline, uma boa dose de diversão digital.

Mar20

TVs por assinatura X deputados X consumidores: Eu só queria ver TV em paz!


Campanha da ABTA prega Liberdade na TV. Mas quem disse que a tempos hoje em dia?O comercial de TV diz, na íntegra:

“Se eu pago uma televisão por assinatura é porque eu gosto da programação que ela oferece. Eu adoro a minha TV por assinatura, eu assisto tudo: filmes, documentários, seriados…

Nós, da ABTA, que reúne programadores e operadores, sabemos a sua opinião. Mas quem precisa saber são alguns deputados em Brasília, que querem acabar com isso. O Projeto de Lei 29.2007 que vem sendo proposto por esses políticos está para entrar em votação. Se aprovado, obriga que metade dos canais por assinatura sejam nacionais e impõe o regime de cota nacional na programação da TV. Ou seja, você assina, mas eles querem escolher o que você vai assistir.

A ABTA é a favor do conteúdo nacional e do seu fomento, mas é radicalmente contra a imposição de cotas e a restrição de informação, entretenimento e cultura que ocorrerá caso o projeto seja aprovado.

Faça como milhares de pessoas e defenda sua liberdade na TV. Manifeste seu repúdio a esse retrocesso e a arbitrariedade. Acesse o site.

Mobilize-se já. Faltam poucos dias para a votação.”

Pois bem. Estava eu assistindo ao American Idol ontem, no Sony, vendo um resumo da apresentação de cada candidato no final do programa, quando, sem que ele tivesse acabado, entra um comercial da Sky Empresas. Isso mesmo: no meio do programa. Quando o comercial acabou, o programa também - só cheguei a ver seu logotipo por um segundo ou dois.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu - são muitos os registros de casos parecidos, tanto na Sky, quanto na Net e nas demais (demais? As duas dominam sozinhas cerca de 81,5% das assinaturas de TV do país). A ABTA é a Associação Brasileira de TV por Asssinatura, que representa a Sky, a Net e muitas outras operadoras (mais de 60 só no estado de São Paulo), além das programadoras, como a Columbia Tristar Films of Brasil, responsável pelo Sony, pelo Animax e pelo AXN . Ela sabe a minha opinião e é radicalmente contra restrição de informação, entretenimento e cultura. Ela sabe que eu queria ver o American Idol, não sabe?

Se você ligar a TV às oito e meia da manhã no Universal Channel, sabe o que vai encontrar? O mesmo que no FX, no A&E, no Discovery Channel, no Discovery Home&Health, no The History Channel, no People+Arts, no E!, no MGM e até no Golf Channel: “Infomercial”, programas de tele-vendas com cerca de uma hora de duração - ou mais! Eles aparecem durante o dia em diversos canais e estão 24 horas por dia no GigaShopping (canal que ocupa o número que até pouco tempo pertencia a TV Cultura, agora escondida logo após os canais pornôs). Eu gosto da programação que a minha TV por assinatura oferece e os deputados malvados querem escolher o que eu vou assistir! Um absurdo!

Não vou entrar no mérito das cota para produções nacionais e da obrigatoriedade de 50% de canais brasileiros em cada operadora - até pretendo falar disso, mas em outro post. Só acho ridícula uma campanha igual a essa da ABTA - a mesma que briga para que os pontos adicionais não se tornem gratuitos -, posando de mocinhos, propondo liberdade na televisão e acusando os deputados de quererem fazer coisas que, na verdade, eles já fazem - e de maneira até pior. Será que a mulher do comercial assiste aos programas da Polishop? Gosta de quando eles entram nos intervalos comerciais ou ocupam faixas da programação que deveriam ter programas de verdade? Ela não assiste tudo e adora a TV por assinatura dela?

Eu só queria que a televisão que eu pago - e bem caro - me respeitasse e exibisse programas de verdade em toda sua programação - que, mais uma vez, já está sendo paga por mim. Eu pago para ter programas 24 horas por dia, eles vendem horários em sua grade para terceiros e fica tudo certo? Como pode? Isso não deveria ser regulamentado pelos políticos com a Anatel, administrado pela ABTA e vistoriado por todo e qualquer órgão de defesa do consumidor?

Eu só queria poder assistir aos programas que estão sendo transmitidos sem ter um comercial exibido durante a atração. Só queria ter, de verdade, um pouco de liberdade na TV! Será que algum dia poderei pagar a fatura satisfeito por ter conseguido sentar e assistir a algo que gosto sem soltar nenhum palavrão durante o período?

Espero que sim. Porque eu pago TV por assinatura por gostar da programação que ela promete oferecer.

Feb27

Letra e tradução da música “Falling Slowly”, de “Once”


“Falling Slowly”, tema do filme irlandês “Once”, venceu o Oscar 2008 de Melhor Canção Original. A seguir, você confere a letra e a tradução dessa romântica música, composta e interpretada por Markéta Irglová e Glen Hansard - que também protagonizam a película. A canção é marcante e mostra como é possível se apaixonar aos poucos, lentamente, sem nem se dar conta disso - combinando bastante com a história de “Once”. Para ouvir de coração aberto.

Letra

Música, Letra e Interpretação: Markéta Irglová e Glen Hansard

I don’t know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can’t react
And games that never amount
To more than they’re meant
Will play themselves out

Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You’ve made it now

Falling slowly, eyes that know me
And I can’t go back
Moods that take me and erase me
And I’m painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It’s time that you won

Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You’ve made it now
Falling slowly sing your melody
I’ll sing along

Tradução

Tradução livre: Claudia Fusco, Gabriela Brasileiro e Gustavo Jreige - www.outrosolhos.com.br

Eu não te conheço
Mas te quero
Ainda mais por causa disso
As palavras caem de mim
E sempre me enganam
E eu não consigo reagir
E jogos que não são
Mais do que parecem
Irão se desgastar sozinhos

Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você tem uma escolha
E você a fez agora

Se apaixonando aos poucos, olhos que me conhecem
E eu não posso voltar atrás
Humores que me tomam e me anulam
E eu estou deprimido
Você já sofreu o bastante
E brigou consigo mesma
É hora de você vencer

Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você teve uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando lentamente, cante sua melodia
Eu cantarei junto

Feb25

Filme: “Onde os Fracos Não Têm Vez”


Tinha como ser mais óbvio? Todo mundo cantou a pedra: “Onde os Fracos Não Têm Vez” é o melhor filme do ano. Não dava para ser mais esperado.

É o que eu disse nos prêmios anteriores: O filme não entrou na lista dos meus favoritos da vida, não é tão fácil assim de se gostar (eu gostei, mas muita gente acha chaaaato) e nem era meu preferido na disputa, mas é inegável sua qualidade. É realmente bom - mas eu prefiro de longe “Sangue Negro”.

A história é interessante - dizem que é muito fiel ao livro - e prende o espectador com eficiência, mas falta algo. A Academia não achou e fez uma soma esperada: Melhor ator coadjuvante + Roteiro adaptado + Diretor = Melhor Filme.

Desse modo, termina o Oscar 2008, sem NENHUMA surpresa. E aí, você gostou?

Concorriam
“Conduta de Risco”
“Sangue Negro”
“Desejo e Reparação”
“Juno”

Feb25

Diretor: Ethan e Joel Coen, por “Onde os Fracos Não Têm Vez”


Seguimos ser surpresas. Todo mundo esperava o Oscar para os irmãos Coen em Direção - o primeiro deles como dupla - e ele se confirmou.

Merece, a direção é o melhor do filme mesmo.

Concorriam:
Tony Gilroy (”Conduta de Risco”)
Jason Reitman (”Juno”)
Julian Schnabel (”O Escafandro e a Borboleta”)
Paul Thomas Anderson (”Sangue Negro”)
Ethan e Joel Coen (”Onde os Fracos Não Têm Vez)

Feb25

Ator: Daniel Day Lewis, por “Sangue Negro”


Se fosse diferente, seria uma das maiores injustiças da história do Oscar. “Sangue Negro” é um grande filme graças a monumental atuação de Daniel Day Lewis, que faz a gente ter todo tipo de sentimento por seu personagem.

Não tinha como não ser, apesar das outras boas atuações. A questão é: ELE faz o filme que, basta ver para perceber, já nasceu clássico.

Até agora, estou gostando dos resultados até agora. E vamos às principais categorias!

Concorriam:
George Clooney (”Conduta de Risco”)
Tommy Lee Jones (”No Vale das Sombras”)
Viggo Mortensen (”Senhores do Crime”)
Johnny Depp (”Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”)

Feb25

Roteiro original: “Juno”


O maior sucesso de bilheteria entre os indicados a Melhor Filme desse Oscar tem um ingrediente que faz toda a diferença: o roteiro genial. Essa é a melhor coisa do filme, que tem ainda uma ótima atuação da Ellen Page, uma trilha deliciosa, uma direção eficiente e um elenco invejável de coadjuvantes - quase todos vindos de séries de TV!

Repete o sucesso independente do ano passado, também da Fox Searchlight, e leva Roteiro Original, assim como “Pequena Miss Sunshine”. A trajetória é bem parecida.

Noto aqui a ausência do roteiro de “Garçonete”, filme que foi sucesso de público e crítica, mas acabou esquecido do Oscar.

Concorriam:
“Lars and the Real Girl”
“Conduta de Risco”
“Ratatouille”
“Família Savage”

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
SP - Brasil | Desde 03/02/2003





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