A diferença tecnológica da TV


É estranho acompanhar o noticiário sobre as telecomunicações brasileiras, de tão desproporcional que é. Enquanto discutimos a bobeira da classificação indicativa, que pasteurizaria nossa programação em faixas horárias e, mais uma vez, tira a responsabilidade da mão dos cidadãos, o governo ressuscitou o programa de censura horária, que obriga os aparelhos televisores a possuírem um recurso que filtra a classificação dos programas e os bloqueia de acordo com as preferências do usuário. Assim, sim. Isso funciona, a responsabilidade continua na mão do espectador, que simplesmente bloqueia o programa e impede assim que aquele televisor o sintonize no horário de exibição. Isso faz a audiência cair e pode ajudar a melhorar a qualidade da programação das emissoras, se for de interesse do público - o que eu duvido.

Isso, na TV paga, já existe há tempos. E funciona razoavelmente, precisa apenas de mais atenção das operadoras. Nada demais.
Agora, o que vem movimentando o setor é a entrada das empresas de telefonia no mercado. Se a escolha da TV digital não favoreceu as teles e as próprias TVs a cabo entraram com tudo no mercado de telefonia IP, agora são as telefônicas que contra-atacam. A Telefônica, aqui em SP, veio com sua Você TV e com a TVA, mas agora o buraco é mais embaixo: IPTV.

A tecnologia foca os consumidores sem TV paga e, além da programação televisiva digital, permite fazer telefonemas e usar internet banda larga. Dessa forma, competiria com as TVs a cabo que oferecem esse serviço, a diferença é que seria uma empresa telefônica que administraria, expandindo as chances inclusive de podermos baixar vídeos diretamente para o televisor. Que tal? Falta só regulamentação.

O mais interessante é que o dia em que pudermos - e a 1ª pessoa do plural vale para a população brasileira em geral, e não para o núcleo geek - visualizar conteúdos disponíveis na internet diretamente na televisão, tornando o conceito on demand realidade, toda a discussão sobre classificação indicativa cai por terra. O V-Chip pode sobreviver, com algumas modificações, mas… como iríamos classificar por faixa etária todos os vídeos da web? Caberia a quem determinar as regras para isso?

Pois é, no fim, é a opinião do pai e o cuidado que ele tem que determinarão o que os filhos devem ver na televisão. Sem faixa horária obrigatória, sem censura, com bom senso.

Compare Preços: Friends, Gilmore Girls, The OC, Smallville

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