Meninos de Hollywood: Oscar prefere clones?
A Folha de S.Paulo de hoje traz um ótimo artigo de Marcelo Coelho, intitulado Atores, clones e covers, sobre como a Academia vem premiando nos últimos atores apenas atores que representam papéis de pessoas reais.
Leia um trecho:
Em 2004, o Oscar foi para Jamie Foxx, que encarnou Ray Charles de modo impecável. No ano seguinte, Philip Seymour Hoffman ganhou por ter ficado igual a Truman Capote. Agora, a rainha Elizabeth e Idi Amin Dada, representados por Helen Mirren e Forest Whitaker, respectivamente, saíram de prêmio em punho da festa. (…)
A tendência das últimas cerimônias do Oscar tem sido consagrar atores que imitam com perfeição personagens históricos reais. Naturalmente, é preciso grande sensibilidade, sutileza e capacidade de observação para realizar imitações tão precisas dos modelos originais.
Mas será que com isso não prevalece um critério excessivamente mecânico e simplista para se avaliar a qualidade de um ator?
É verdade, com o sucesso dessas personagens históricas, a mágica da criação na sétima arte vai se perdendo. Cada vez mais vemos representações, ao invés de atuações.
Não que isso seja totalmente ruim, não é, mas a realidade prende e engessa ao ponto de perder o sentido da ficção. O trabalho do ator de captar a essência de uma personagem saída de um texto e dar personalidade a ela ou ainda construir uma nova e rica visão sobre uma pessoa existente, não pode ser ignorado pela Academia, que cede o mais importante prêmio do cinema, levando centenas de milhares de espectadores às salas de todo o mundo.
Por mais impressionantes que realmente sejam as atuações dos protagonistas “Ray”, “Capote” e “A Rainha”, o Oscar corre um caminho perigoso se buscar somente recriações absolutamente fiéis à realidade, incentivando assim uma geração de clones na nossa tela.
De qualquer forma, se for para vermos personagens reais, que sejam com trabalhos tão bons como os de Foxx, Seymour e Mirren. E que a edição de vídeos de Bill Gates transformadas em um personagem de filme fiquem apenas nos pesadelos do Marcelo Coelho.
Compare Preços: Friends, Gilmore Girls, The OC, Smallville

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