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Dependência ou morte: Isto É de Daniel Dantas

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ISTOÉ (In)DependenteA revista ISTOÉ sempre teve a palavra “Independente” como bandeira e até slogan. A visão do resto da imprensa nunca foi essa, basta checar a quantidade de polêmicas em que ela, a revista, esteve envolvida. Na Wikipédia mesmo há mais denúncia – que vão de matérias compradas a direcionamento editorial pró-Lula, o que é muito discutível, já que normalmente se diz o contrário – do que descrição.

Nos últimos tempos a segunda mais importante revista de informação semanal do país tem passado por uma crise gigantesca, com muitos profissionais e fornecedores ficando sem pagamento e com a equipe até fazendo greves. A situação era terrível, deixando o futuro da revista e da editora – que publica ainda a ISTOÉ Gente, ISTOÉ Dinheiro e Dinheiro Rural – bastante comprometido – assim como a dos profissionais que nela trabalham.

Para ser bem sincero, não sei muito sobre a história empresarial da ISTOÉ – além de que foi criada por Mino Carta e que foi mantida em seu princípio graças a empréstimos do Banespa durante a administração Quércia, político que tinha grande afinidade com Domingo Alzugaray, a quem a revista pertencia até hoje. Ou seja, do pouco que sei, já há muito argumento para acreditar que independência nunca foi efetivamente uma característica da publicação, agravado por casos como o Dossiê Vedoin, lembra?

Pois o risco imediato de deixar de existir foi afastado – pelo menos por razões financeiras. O banqueiro Daniel Dantas, aquele das CPI, dono do Opportunity, comprou 51% da Editora Três, que edita a revista.

Se a crise vai diminuir, eu não sei – torço para que sim -, mas a sociedade já saiu perdendo. Perde a confiança em um título com uma história importante que, apesar dos pesares, ainda não estava completamente manchada. Se o falimento não foi oficial, vem a ser moral e de independência editorial.

Por mais que possa existir uma suposta liberdade entre a administração da editora e a direção da revista, a credibilidade da ISTOÉ está mais comprometida do que nunca. Se a encruzilhada de Alzugaray era entre dependência ou morte, temo para que acabe dando no mesmo. Só que com menos dignidade.

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