De volta - e o esforço para ser um bom Jornalista
Vários dias sem postar, fruto de uma semana insana na faculdade com trabalhos complicadíssimos que, claro, acabaram ficando para a penúltima e última horas e conseguiram me fazer dormir cerca de 2 horas por dia, durante toda a semana, além de quase tornar a Cásper Líbero minha residência oficial.
Li muito, escrevi muito, pensei muito. É incrível o esforço que temos para nos tornarmos bons jornalistas. Tanto sacrifício, muito provavelmente, não valerá a pena, pragmaticamente falando. Mas como conteúdo para a vida e para formação cultural e profissional é importantíssimo.
Sempre falo que a melhor coisa de se estudar jornalismo é a multiplicidade de temas. Como nossa área de atuação é o mundo, é nele que o curso de baseia, diferentemente da maioria das demais carreiras. Assim, tratamos de diferentes coisas ao mesmo tempo, fazemos trabalhos divertidos e interessantes. Um dia analisando e fazendo reportagem sobre o budismo, outro dia sobre fobia social infantil e, logo depois, sobre a ditadura militar. O conhecimento geral que adquirimos é interessantíssimo mesmo para quem não deseja seguir na profissão.
Se é interessante para qualquer um, é imprescindível para quem quer ser um bom Jornalista (ah, sim: uso maiúscula para o sentido pleno, o tal “jornalismo nobre” que eu ainda tenho em minha cabeça, e minúscula para o sentido popular, corriqueiro e até vulgar). Quem lê o blog desde o começo, quando eu tinha 14 anos e já me achava um jornalista, sabe o quanto fui contra a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Mudei completamente de idéia - e me dei conta disso ao ler um post no Querido Leitor em um momento todo singular: Após 12 horas trancado na faculdade trabalhando e uma discussão com amigos sobre o esforço para sermos bons numa profissão que, ainda hoje, permanece sem muita identidade (quantas pessoas não respondem, se questionadas sobre qual o jornalista preferido delas, que adoram o Arnaldo Jabor? Ele é Jornalista? O Mainardi é? E para a linha de boazudas que diz na TV ser “modelo, atriz, apresentadora e jornalista”?). Fiquei chateado e um tanto atordoado com esse post e com o da Cora, que originou a “polêmica”, principalmente pelo respeito que tenho por ambas (a primeira já foi Jornalista, a segunda ainda é). Vale a pena ler os comentários dos dois posts e refletir. Discussões de ótimo nível.
Eu ainda acredito que ninguém vira “jornalista”, mas nasce assim. Entretanto, a faculdade me parece fundamental para que possamos fazer um Jornalismo melhor, mais consciente, com uma identidade realmente própria e uma qualidade superior. Não sei se vale a pena. Pelo sim, pelo não, estou tentando.
Enquanto isso, paciência. O resto da minha vida vai ter que esperar, mesmo sabendo que, para muita gente, qualquer pessoa que queira - mesmo os que nunca refletiram mais profundamente sobre o que é o Jornalismo e como fazê-lo bem - estarão no mesmo nível que eu.
De qualquer forma, os OutrOs OlhOs estarão sempre abertos e eu continuarei buscando ser um bom Jornalista
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Comentários de leitores
como me formar em jornalimo via internet
Gostei do que voce falou, eu conseguir passar no vestibular mas nao ganhei a bolsa mas vo fazer de novo,pois e igual voce falor ja nascemos com o poder da comunicacao.OBRIGADO,DEPOIS QUERIA TE PEDIR ALGUNS CONSELHOS DE SABIO………….




Entendo que o jornalismo já viveu épocas distintas. Hoje, como profissão, exige sim esse diploma. Evidentemente que isso é válido para faculdades que formam de modo efetivo seus alunos.
Jornalismo não é só contar história, narrar um fato. Há toda uma logística, técnica e religiosidade no ato de levar a informação.
Ao abrir o jornalismo para qualquer um que escreva bem ou saiba contar uma história, poderemos estar arruinando essa carreira primorosa. Quando uma participante de Casa dos Artistas se põe como jornalista, me pergunto até onde essa palhaçada irá.
E isso porque ainda nem sou jornalista. Pretendo ser um dia sim, mas depois de muito batalhar, ralar na faculdade (assim como o Gustavo), ficar diversas horas atrás de alguém que não quer falar.
Jornalista é (ou deveria ser) mais que uma pessoa culta. É alguém que tem que ter percepção além do normal. Os que têm esses requisitos já possuem meio caminho andado para obter um diploma de peso.
Pode parecer uma visão romântica, mas a meu ver a faculdade é essencial. Os caras que ministram as aulas não estão lá a toa. E não é em qualquer lugar que eles terão disponibilidade de ensinar alguém que não seja um verdadeiro aluno.
De mais, mesmo que o diploma fosse abolido, continuaria sendo uma exigência do mercado. Uma forma de diferenciar conhecimentos e formações.