por / 11 Abr

Quem é meu leitor ou me conhece um pouco que seja sabe o quão eu acredito e sou apaixonado por jornalismo colaborativo, interatividade e mídia participativa como um todo. Quem é minimamente antenado com o mundo da comunicação, sabe que o conceito “2.0″ ultrapassou há algum tempo a web e já possui diversos usos. Um dos mais evidentes é na publicidade, que caminha para ter o mesmo fim que a Anna Nicole Smith: a morte por overdose. Acidental, mas previsível.

Surgiu a Web 2.0, e a mídia disse que era seu futuro. A teoria do long tail ganhou atenção, e as agência de publicidade começaram a mudar de mentalidade. O Youtube estorou, e os empresários perceberam que, ó!, o público está disposto a “fazer” e participar. Ótimo não?

Não. O que seria um grande passo, se usado com sobriedade, está tomando conta de quase tudo. As campanhas publicitárias que pedem para o usuário enviarem vídeos, imagens ou coisas do tipo estão acontecendo em um número tão grande e em tão pouco tempo que podem cansar esse potencial produtor.

São vários os exemplos aqui no Brasil. Os que eu me lembro são o Funk Tube (concurso do CD de funk “[BP]Pancadão[/BP]”, assinado pelo Luciano Huck), TVZé (iniciativa do Multishow que exibe clipes feito por internautas, brincando com o programa “TVZ”), a promoção do canal Sony (você montava um comercial no site deles com material das séries e o melhor ia ao ar), a campanha de lançamento da revista Sou+eu (que é inteira “feita” por usuários, mas não deve orgulhar nenhum entusiasta da colaboratividade) e aquelas várias promoções de companhias de celular, em que o assinante manda fotos tiradas com seu aparelho. Com certeza tem mais, bem mais.

É lógico que, ao produzir algo para a marca, o envolvimento com ela é infinitamente maior e as possibilidades de converter isso em dinheiro aumentam. Não estou criticando a qualidade das peças, algumas são ótimas e muito bem pensadas. O problema é que o uso exacerbado desse conceito acaba banalizando algo que tem um potencial incrível. É a tal bolha 2.0, só que de uma maneira bem mais simplória e superficial do que aquela dos produtos de internet. Saturando o mercado de “faça-você-mesmo”, arriscam-se e catalisam um possível fracasso. Aí já viu: Se der errado uma vez na publicidade, os anunciantes passarão a temer qualquer coisa que siga essa linha. E nós, blogueiros e jornalistas cidadãos, pagaremos o pato.

Tenho muito medo de que essa overdose de “vanguardismo” aparente dos anunciantes se traduza em retrocesso. Mesmo para isso vale a máxima: use com moderação. E inteligência.

E pensar que, há alguns anos, o país vibrou e achou o máximo quando a Globo colocou fotos de telespectadores na abertura da novela “Mulheres Apaixonadas”. Tempos românticos aqueles…

  • Zulema

    Pior que a mediocridade e9 a mureqinhasia. “O orgulho, a arroge2ncia e a glf3ria enchem a imaginae7e3o de domednio”. Por muito pouco, ou nada, as pessoas dissimulam, subestimam a inteligeancia alheia e ainda repetem tais comportamentos ate9 virarem he1bitos, padrf5es e trae7os de personalidade. O bom das novas tecnologias e9 que as imposturas intelectuais e e9ticas se3o registradas com mais facilidade. Na rede e9 muito mais fe1cil aplicar “o nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, mas revelar a fonte continua sendo de bom tom. Fiz uma conexe3o mental enquanto ouvia o que Nepf4 dizia: o Darwinismo tambe9m existe na rede. Ainda bem! A teoria da evolue7e3o e o mecanismo de selee7e3o natural foram atualizados pela ciberne9tica e pela cieancia da computae7e3o. Na aparente terra de ningue9m eletrf4nica da Internet, as ide9ias fateis, originais, genuednas, boas, verdadeiras e nobres tere3o mais fore7a para emergir, permanecer e criar o novo do que as ide9ias dos que continuam tentando apenas enganar e “se dar bem” enquanto for possedvel e a qualquer pree7o.