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May30

As estranhas listas de séries mais vistas


Dizem que toda minoria é barulhenta. Deve ser verdade, levando em conta as listas com as séries mais vistas no Brasil e nos EUA, que trazem várias surpresas e ficam bem distantes das mais faladas.

A audiência norte-americana nem é tão curiosa assim, já que é possível acompanhá-la semanalmente pela internet. Já a divulgação da lista das séries mais vistas na TV paga brasileira causou muita estranheza, até porque o acesso a esses dados é tão restrito que a descoberta por parte do Daniel Castro virou capa da Folha Ilustrada de domingo, com direito a chamada na primeira página da Folha.

A série mais vista do Brasil em abril foi “Lost”, que há tempos deixou de ser uma das mais assistidas nos EUA. A segunda, “Heroes” está em sua primeira temporada e também tem ido bem em seu país de origem. Em terceiro veio “Criminal Minds”, que faz sucesso lá fora – desbancando “Lost” –, mas que permanecia meio obscura por aqui. Nunca ouvi falar nada sobre ela em nosso país, nem nenhum site dedicou grande atenção. Pelo visto o público descobriu sozinho e assistiu calado…

Na quarta posição vem a queridinha – faz sucesso também na TV aberta tupiniquim – “Smallville”, que por lá tem uma audiência satisfatória em sua emissora (uma espécie de Band americana). Na quinta vem “Grey’s Anatomy”, a série de maior sucesso nos EUA atualmente. Em seguida, a surpresa: E.R., após tantos anos, ainda entre as mais vistas.

E por aí vai. Os que mais me surpreendem são “Cold Case”, na 9ª colocação; “Monk” na 11ª (Eu gosto, mas… “Monk” ainda faz sucesso por aqui?!); e “Friends” em 20º lugar, além das reprises de “The OC”, “House” e “Lost”. E a ausência de “Gilmore Girls”, tão falada, com fãs tão fiéis – mas que não foi tão vista assim em abril (período em que exibiu reprises).

É engraçado ver como o buzz não garante a audiência. O Séries ETC. divulgou hoje as séries mais vistas lá nos EUA durante toda a temporada 2006/2007. Uma lista bem estranha e que traz mais surpresa: “Grey’s” não é a série mais vista, apesar de quase toda semana ser o primeiro seriado no ranking de audiência. O topo da lista é de “CSI” e o terceiro ficou com “House” (que vem crescendo na audiência e que, ano que vem, sucederá a maior audiência norte-americana: o Superbowl). Mais 5 séries policiais estão na lista: a franquia “Miami” de “CSI”, “Without a trace”, “NCIS”, “Cold Case” e “Criminal Minds”. Nada de “Desperate Housewives” ou “24 horas”, por exemplo. É bastante esquisito que a audiência da íntegra da temporada difira tão sensivelmente do acompanhamento semanal. Vai entender…

Ninguém muda de série preferida só porque ela é ou não uma das mais vistas, mas os índices são importantes para que nossos programas preferidos possam continuar a ser produzidos nos EUA (embora nem sempre seja garantia, caso de “Gilmore Girls”) e que recebam mais atenção do canal (em agilidade na legendagem dos episódios, na elaboração de promoções e comerciais…) aqui em nosso país – apesar dos números serem absurdamente pequenos (o mais visto, “Lost”, foi assistido por apenas 217.903 telespectadores).

Tomara que, agora, possamos ter acesso mensalmente aos dados das séries no país. Eu sempre reclamava disso com a Claudia Croitor, que, agora, também destacou os números no site. Já sabemos que é pouco, não há mais o que esconder.

E, fala sério, fã que é fã gosta de ver a sua série no topo, mesmo que isso não sirva para muita coisa, não?

Compare Preços: Lost, Smallville, Grey’s Anatomy, E.R., Monk, Friends, Gilmore Girls, The OC, Smallville

May24

Livro “Abusado”: O lado humano do tráfico de drogas


Compare preços do Livro Abusado e de outros escritos por Caco Barcellos

Abusado: bom livro-reportagem de Caco Barcellos“Traficante Marcinho VP é morto em presídio”, noticiou o jornal Folha de S.Paulo, em 29 de julho de 2003. O assassinato acontecera na tarde do dia anterior, no presídio de segurança máxima Bangu III, na zona oeste do Rio de Janeiro. Marcinho VP, um dos traficantes mais conhecidos do país, cumpria pena de 25 anos de prisão, mas foi morto por bandidos rivais, descontentes com suas declarações em um livro. Seu corpo foi encontrado por agentes penitenciários dentro de uma lixeira, coberto pelos livros que VP gostava de ler. Entre eles, estava “Abusado – O Dono do Morro Dona Marta”, romance-reportagem de Caco Barcellos, que teria ocasionado sua morte.

O morro Dona Marta, um dos lugares de maior concentração humana do mundo, e seu dono, Marcinho VP – chamado na obra de Juliano –, são os protagonistas do terceiro livro de Barcellos, jornalista consagrado principalmente por suas reportagens investigativas. É exatamente isso que ele faz em “Abusado” (Editora Record, 2003), vencedor do Prêmio Jabuti em 2004, onde convida o leitor a subir o morro carioca e entrar em contato com pessoas e situações que normalmente só a imprensa sensacionalista mostra. Entretanto, o principal mérito do livro é exatamente diferir da postura normalmente adotada pela mídia, não focando nas mortes e nos crimes, mas na sobrevivência do “lado certo da vida errada”. O resultado é extremamente interessante e é, certamente, um dos maiores registros históricos da vida na periferia da sociedade brasileira.

Fruto de mais de 4 anos de apuração - a obra resulta do árduo trabalho de ouvir centenas de depoimentos, coletar informações, cruzá-las e tentar checá-las nos órgãos oficiais -, “Abusado” conta, do ponto de vista dos moradores da favela, a vida e ascensão de Juliano VP ao cargo de maior poder no Morro Dona Marta, localizado a menos de 300 metros da prefeitura carioca. Acompanhamos sua vida desde a infância, onde já demonstrava vocação para o crime, passando pela adolescência, por sua entrada no tráfico de drogas, pelo amadurecimento e pelas primeiras ações como guerrilheiro até chegar na conquista do Morro, na ocupação do território pelo Comando Vermelho – do qual fazia parte -, por sua atuação como líder comunitário, pelo envolvimento com intelectuais brasileiros e por suas fugas cinematográficas, terminando na prisão em Bangu, onde VP acabou morrendo, apenas dois meses após a publicação do livro.

Mas “Abusado” não é apenas um registro da história do tráfico e da criminalidade. O livro fala, sobretudo, de pessoas, mergulhando fundo para se explicar como tudo aquilo se formou. Juliano / Marcinho é um personagem fascinante, com nuances e ideais, além de gosto por música clássica e por literatura e filosofia. É tão cativante e carismático que captura o leitor e o faz se surpreender ao perceber que, a certo ponto, está torcendo pelo bandido. Bem e mal se confundem e tangenciam, e a ação policial e o panorama traçado por Barcellos fazem com que nos questionemos se somos nós as vítimas daqueles atos criminosos – o que o livro em nenhum momento nega – ou se são eles, os moradores do morro, as vítimas de uma sociedade e de um governo omisso e desastrado. Afinal, quem são os heróis e os bandidos em uma situação tão confusa como aquela?

É consternador perceber, com a penetração do autor em uma camada mais profunda e menos óbvia daquele mundo “paralelo”, que várias daquelas pessoas estão no crime apenas para conseguir manter, um dia, uma vida honesta e chegar ao fim dela com dignidade – mesmo que este venha a acontecer rapidamente.

Dá a sensação de que o problema da violência e do narcotráfico nunca terá um fim, já que, quando um líder morre ou é preso, é rapidamente substituído, e, com alguns ajustes, tudo continua a funcionar normalmente. Os moradores da favela têm que conviver com aquela realidade, sobrevivendo como podem, abandonando tudo a qualquer momento. Nesse aspecto, “Abusado” traz a tona uma vida que sempre está insegura, de passagem, e, apesar de uma forte união aparente, é solitária. Quem lá vive não tem nenhum lugar no mundo, nem nos barracos, nem no asfalto. Vivem na clandestinidade – muitas vezes sem nem seus documentos reais – mesmo quando seguem adiante, para uma vida mais “digna” fora dali. É como se, apenas por nascerem na favela, mantivessem um elo eterno com a criminalidade.

“Abusado” é uma grandiosa reportagem que tenta se manter o mais imparcial possível. As ricas descrições, o estilo de narração e as tramas contadas tiram o ar e despertam comoção, raiva, solidariedade e vertigem. Sentimentos contraditórios – como a “vida errada” é -, que nos fazem compreender melhor todo aquele universo que, na maioria das vezes, acompanhamos distantes, fadigados por nosso senso comum, que costuma dar mais atenção às luzes da favela do às pessoas que lá sobrevivem.

O livro só seria melhor se, ao fecharmos, tivéssemos a certeza do fim daquela triste história de exclusão social e falta de oportunidade que, de forma alguma, terminou na lixeira junto ao fascinante Marcinho VP. A ficção cairia bem se fosse verdadeira. Não é, por isso a realidade (já no começo da obra, o leitor certamente se questionará sobre como toda aquela história foi reconstruída, o que o autor explica na última parte da obra) torna “Abusado” tão interessante.

Além da óbvia qualidade jornalística, com material riquíssimo sobre a história do tráfico e das facções criminosas – como o Comando Vermelho, de Juliano -, o que encanta no livro de Caco Barcellos é a sua sensibilidade de mostrar as tonalidades do relacionamento humano - como a grande amizade da Turma da Xuxa e, especialmente, com Luz e Kevin - e o que há por trás de mitos contemporâneos, mostrando que há bondade, inteligência, sensibilidade e fraqueza por traz daqueles que, pelas manchetes dos jornais, parecem monstros irracionais e inescrupulosos.

Desse modo, “Abusado” nos incita uma perturbadora reflexão diante de nossas opiniões e conceitos, utilizando aquele mundo aparentemente distante para falar do que há de mais íntimo: as nossas próprias verdades, que, com ele, serão estremecidas. Imperdível, até porque, parece, nunca deixará de estar atual. Você já viu o noticiário de hoje?

Sua visão sobre o tráfico e os traficantes com certeza mudará após ler esse livro. A minha, definitivamente, é outra.

Compare Preços: Livro Abusado, Livros de Caco Barcellos

May22

Nem toda nudez será castigada: “Baixio das Bestas” e “Educação Sentimental do Vampiro”


Nos tempos da chanchada, era quase impossível assistir a algum filme nacional sem ver algum corpo nu. Mesmo hoje em dia, com tanta bunda a mostra nos programas de entretenimento e com a estridente “luta” contra a baixaria na TV, as artes dramáticas mantém seu “direito” ao nu quase intacto – à exceção, é claro, daquelas gratuitas que visam aumentar a audiência. A nudez dramática, artística, é bem aceita pela sociedade. É como se, desse modo, ousássemos ignorar as regras que nós mesmos criamos, mostrando assim o que de mais humano existe: o próprio corpo e alma de cada um.

A tentativa de mostrar o que há por debaixo das cascas que expomos, o mais íntimo e secreto de nossa personalidade, é o mote para a nudez em “Educação Sentimental do Vampiro”, peça em cartaz no Teatro Popular do Sesi, na Av. Paulista. Inspirada em contos de Dalton Trevisan, o espetáculo – dirigido por Felipe Hirsch – é duro e pesado ao mostrar, incansavelmente, situações de frustração sexual e de relacionamentos, de ânsia e desejo, de nojo e pavor. É constrangedoramente humana, tentando retratar os vampiros de um povo quase incomunicável (cujo extremo é o próprio Dalton) como o da cidade de Curitiba, que se escondem da luz do dia, mas tomam a cabeça e o corpo durante cada minuto da noite.

Nesse aspecto, como perfil psicológico, a peça montada pela Sutil Companhia de Teatro acerta em cheio e as soluções teatrais encontradas pelo diretor – como na cena do cinema, que é aterrorizantemente envolvente - são louváveis. O nu constrange, dá dramaticidade, mas, por diversas vezes, parece excedente. Tudo, aliás, excede um pouco o esperado, seja pelo ritmo arrastado e lento, pelo grande número de contos interpretados (18 no total), pelo mosaico macabro de sentimentos mal resolvidos, ou pelo tom predominantemente desesperado e desesperante. Exatamente ao jeito de Dalton Trevisan, cujos personagens não poderiam ser melhor interpretados – os atores dão um show. É um bom espetáculo, embora pesado e cansativo. Não me agrada muito o humor mais aparente e óbvio ali presente, mas me fascina o drama que as risadas do auditório quase ocultam. Impressionante como o sexo pode alterar vidas, transformar em vampiros aqueles quem não conseguem se resolver.

Falta de rumo, ausência e sexualidade problemática também são o assunto de “Baixio das Bestas”, cuja nudez é absurdamente exposta e, por vezes, gratuita e desnecessária. Buscando mergulhar na miséria humana e revelar a condição da mulher no nordeste brasileiro, o diretor Claudio Assis trabalha a podridão do desejo sexual desenfreado e doentio, traçando os contornos dos caminhos da sobrevivência na Zona da Mata pernambucana: a exibição do maracatu, o trabalho na cana-de-açúcar ou a prostituição.

As três vertentes estão presentes e se entrecruzam, mas a prostituição é a tônica do filme, que até consegue questionar valores morais e éticos. A fotografia é belíssima e a condição da mulher no interior do agreste brasileiro representada pela obra é revoltante. O problema é que, ao final da chocante película, uma pergunta fica na cabeça: tudo isso era realmente necessário? De verdade, tive a sensação de que o filme não mostrou a que veio. É uma coleção de nus, cenas violentas e de sexo (e orgia, estupro, sodomia, masturbação…) que realmente causam desconforto e um certo pânico daquela triste realidade de subsistência e exploração, que, ainda assim, não se justificam dentro da história. Sobra muita coisa. A denúncia social acaba sendo escondida pela enchente de nudez e sexo, que, no fundo, move todos aqueles personagens em busca de sobrevivência: os que querem sexo, os que vendem sexo, os que são explorados pelo sexo, e os que morrem pela combinação dos outros três tipos.

Essas reconstruções, realistas ou não, da verdade humana do sul e do nordeste brasileiro, são um soco no estômago da sociedade e exigem bastante do espectador, que além de ter o estômago forte (o soco realmente dói, principalmente no filme) precisa estar preparado para repensar o que está por trás de suas ações. Um personagem de “Baixio” diz: “Tá sentindo um cheiro estranho? É a podridão do mundo”. É isso que o espectador sentirá ao assistir às obras: a beleza e a podridão da humanidade, que por um motivo ou outro, continua sem encontrar o equilíbrio de sua existência íntima e social.


Educação Sentimental do Vampiro
Local: Teatro Popular do SESI - Avenida Paulista, 1313 - Metrô Trianon-Masp
Temporada: de 11/04 a 18/11 de 2007 - de quarta a domingo, às 20 horas.
Duração: 150 minutos
Recomendação etária: espetáculo não recomendado para menores de 16 anos.
Capacidade: 456 lugares
Informações: (11) 3146-7405 / (11) 3146-7406
Entrada: R$ 3, às sextas-feiras e sábados; e franca, às quartas-feiras, quintas-feiras e domingos - A distribuição dos ingressos tem início a partir da abertura da bilheteria no mesmo dia do evento - Horário de funcionamento da bilheteria: quarta-feira, das 12 às 20 horas; quinta-feira, sexta-feira e sábado, das 12h às 20h30; domingo, das 11h às 19h30. São distribuídos dois ingressos por pessoa.

Compare Preços: Dalton Trevisan, Claudio Assis, MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras

May10

Qualidade sem selo: A hora dos independentes


Bandas alternativas vivem ótimo momento, ganhando espaço na mídia e aproveitando a internet para atingir o público mesmo sem o apoio das grandes gravadoras.

“Você pode comprar nosso CD por cinco reais. Mas se você não tiver dinheiro, pode piratear!”, dizia Fernando Anitelli, comandante da trupe “O Teatro Mágico”, durante show para 3500 pessoas, seu maior público, na Academia Brasileira de Circo, em São Paulo. Na saída, o pai do vocalista vendia os CDs em uma barraquinha. Em três anos de existência, o grupo já vendeu mais de 40 mil discos, todos dessa forma, e se tornou conhecido graças a divulgação dos fãs. Não são os únicos: isso vem acontecendo com cada vez com mais freqüência e já traz novas cores para a cena musical contemporânea.

Calypso, Snow Patrol, Cachorro Grande, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Gossip, Mombojó, MC Serginho. Sonoridades distintas, passados semelhantes. Nascidas pequenas, essas bandas fizeram sucesso e chamaram a atenção da mídia sem contar com a força de uma grande gravadora e de seus marqueteiros. O grupo do Pará se tornou fenômeno com seu tecnobrega graças aos CDs vendidos a preços populares em bancas de camelô. O pop rock do Cansei de Ser Sexy, que hoje faz sucesso mundo afora, ganhou destaque com o fotolog da vocalista e com músicas quase amadoras disponibilizadas no site Trama Virtual, celeiro artistas independentes na internet brasileira.

“A grande oferta de bandas é superpositiva, e o Trama Virtual é um passo sensacional nesse sentido”, acredita Tatá Aeroplano, músico dos grupos Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro. Suas bandas também utilizam a internet como meio de divulgação, possuindo, além de sites próprios e de uma página no Trama Virtual, perfis nos sites de relacionamento MySpace e Orkut. “Eu sou daquele tipo de pessoa que fica a noite inteira no SoulSeek [programa de compartilhamento de áudio] atrás de músicas, conversando com pessoas sobre isso. É meu esporte favorito”, brinca Francisco Ramos, programador de softwares e músico amador. Assim como ele, o jornalista Alexandre Inagaki utiliza as ferramentas virtuais para descobrir novas bandas. “Hoje em dia, com o surgimento de sites como Last.FM e Pandora que, teoricamente, ajudam você a encontrar novos sons que você possivelmente apreciará, de acordo com as músicas que você costuma ouvir por aí, a tarefa de garimpar bandas bacanas em meio ao dilúvio de informações é bastante facilitada, embora a grande ferramenta para a descoberta de bons músicos ainda seja o bom e velho boca-a-boca, devidamente modernizado através de bate-papos no Soulseek ou troca de scraps no Orkut”, diz ele, que mantém o blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. “Sempre convivi com bandas alternativas. Acompanho desde os anos 90, quando a internet nem existia e a divulgação era feita por fitas cassetes, trocas de zines, shows organizados por casas locais e coisas assim”, relembra Francisco.

“O povo cansou de ouvir sempre os mesmos artistas tocando sempre as mesmas coisas. Pode não ser um sucesso mundial, mas com certeza as novas propostas musicais terão seu espaço definido no mercado”, acredita Billy Umbella, mais conhecido como Maestro Billy, DJ do programa global “Caldeirão do Huck”. Produtor musical com mais de 15 anos de atuação e passagens por grandes veículos, ele não gosta do que ouve atualmente nas rádios. “Há exceção, mas, no geral, as músicas atuais estão todas iguais, sem nenhuma novidade que valha a pena ser ouvida”, reclama. Segundo ele, as mídias convencionais vão se abrindo, aos poucos, para o novo.

“Estamos passamos por uma fase muito rica na cena alternativa brasileira, com dezenas de bandas muito boas e um público novo, que está se formando através da exposição pelos meios de comunicação”, diz Tatá, que já apareceu em diversos programas de TV, como o “Fantástico”.

“Quase todas as bandas que eu gosto não passam nas rádios ou nas TVs, mas também não deixo de assistir ou ouvir. Já conheci coisas legais na MTV e nas rádios”, conta Francisco, que possui um podcast musical. “A internet certamente tem poder o suficiente para fazer com que bandas não dependam mais de mídia tradicional para conquistarem públicos consideráveis, vide exemplos tupiniquins como Fresno, Dance of Days ou Terminal Guadalupe. E isso pra não falar de exemplos no exterior como Arctic Monkeys, Ok Go e Lily Allen, que estouraram graças à força de sites como YouTube e MySpace”, explica Inagaki. “Com a internet, não adianta tentar impor um estilo ou uma banda, cabe ao ouvinte saber o que é legal”, julga Billy, que diz tocar tudo que considera bom em seus podcasts, com destaque para o que faz para a marca Heineken, onde somente sons alternativos são veiculados. Na TV, entretanto, a liberdade não é tão grande assim. “Eu toco no ‘Caldeirão’ o que é sucesso. Eu, o Luciano [Huck, apresentador], o My Boy [sonoplasta], o diretor e o produtor musical conversamos e escolhemos o que o povo gosta.”

Para eles, as gravadoras não são vilãs da cultura brasileira. “Acho que as grandes gravadoras, quando bem administradas, podem até ajudar a cultura pop. Isso aconteceu até o início dos noventa, depois elas não acompanharam as mudanças, perderam o fio da meada”, reflete Tatá, que teve seus CDs lançados por selos independentes. Billy concorda: “Não vejo as grandes como inimigas, mas sim como um braço da música que defende seus interesses e seus produtos.”

Esse mercado, entretanto, parece cada vez mais interessado em aumentar e diversificar seu número de produtos. Nos Estados Unidos, programas populares como o “Late Show”, apresentado por David Letterman, tem dado espaço a bandas iniciantes, que rapidamente se tornam sucesso. Panorama parecido é o das séries norte-americanas. O grupo britânico Snow Patrol estorou naquele país em 2006, quando tocou em diversos seriados, entre eles “Grey’s Anatomy”, uma das maiores audiências americanas. Mesmo na TV brasileira isso já vem acontecendo: o site Trama Virtual virou programa no canal pago “Multishow”; a MTV lançou o projeto “MTV apresenta”, exibindo e transformando em DVD shows de artistas alternativos e tem ainda em sua grade o programa “Banda Antes”, com grupos em começo de carreira.

O grande motor dessa nova “indústria” é o público. “Ser apresentado para uma banda nova e realmente boa é equivalente a receber um presente. Por isso gosto de indicar a amigos”, conta Francisco. “Se você encontra um som legal que ninguém mais conhece, você quer divulgar e, no boca-a-boca, a coisa toma proporções gigantescas”, explica Billy.

O diferente parece cada vez mais interessante ao público, consolidando a cultura indie. “Com certeza há um espaço imenso para uma música que não seja comercial, nós temos conquistado um espaço muito significativo com o nosso som”, comemora Tatá, que utiliza elementos inusitados e divertidos em suas músicas. Francisco diz freqüentar diversos shows de bandas alternativas e que todas eles possuem uma característica em comum: “a quase inexistência de diferença entre o artista e o espectador. É algo mais humano, sem o ‘endeusamento’ peculiar das estrelas.”

Sinal dos tempos. Hoje, até mesmo a música entrou na era colaborativa e o underground caiu de vez no gosto do mainstream.

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May10

Meu computador morreu


Pois é, o meu computador pessoal morreu há alguns dias. Nem liga mais.

Não tenho nem idéia do que possa ser - e nem o que vou fazer, já que meu técnico também não estava conseguindo detectar o problema.

Assim, sem um computador pra navegar a qualquer hora, fica mais complicado postar.
Contundo, leio diariamente os comentários aqui na faculdade e respondo quando é o caso.

Enquanto meu PC não volta, vou postar menos, mas conto com o seu comentário para manter o blog atualizado, certo?

Compare Preços: Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas

May7

Virada Cultural: O que a fumaça não pode encobrir


“PM e fãs dos Racionais se enfrentam na praça da Sé”, noticia a Folha de hoje, que traz uma grande foto de capa com policiais atirando. O Fantástico fez uma edição especial do “Profissão: Repórter”, já que Caco Barcellos estava na Praça da Sé no momento da confusão. O Estadão também destaca em sua capa: “Conflito na Virada Cultural fere 6″. O conflito foi o grande destaque dessa terceira edição da Virada na imprensa, mas nem a fumaça das bombas de gás lacrimogêneo e dos tiros de borracha da PM podem encobrir o que de bom houve no evento. E não foi pouco.

Cheguei no Anhangabaú por volta das 20h40 para assistir ao show d’O Teatro Mágico (que, como você já sabe, eu adoro). O metrô estava lotado, e todo mundo desceu na mesma estação que eu.

Mesmo longe da Av. São João, perto de onde o show acontecia (começou às 20h), o número de pessoas impressionava. De perto - e eu tentei chegar perto do palco - assustava: uma multidão ocupava uma grande parte da rua, era muita gente mesmo. E o melhor: boa parte das pessoas cantando junto com o Teatro. A Folha diz que foram 20 mil pessoas. Não sei, tinha muita gente - certamente foi o maior público da história do grupo -, mas… Bem, a Folha disse que começou às 20h30, sendo que começou às 20h… Não dá pra confiar nos números, tudo parece estar inflado, até porque é muito difícil contabilizar o público, que se movia entre os palcos.

Depois do show do Teatro, fui para a fila do Theatro Municipal para assistir ao show do João Bosco. Tudo bem, sem nenhum problema. O clima era bom, sem nenhum transtorno. Além disso, trupes vestidas como clowns brincavam de sombra e recitavam poemas (como um grupo com camiseta do Teatro Mágico, que eu fiz questão de seguir, que recitava “Pai, me ensina a ser palhaço”, como o Cordel do Fogo Encantado inicia a música “Palhaço do Circo Sem Futuro” nos shows e no DVD). João Bosco no Municipal foi ótimo, claro. Não tinha como não ser.

De lá voltei ao Boulevard São João para o show do Ed Motta, que também aconteceu sem maiores problemas, apesar do empurra-empurra. No meio do show, eu e meus amigos resolvemos comer em alguma lanchonete, mas não havia nada decente aberto. Andamos por todo o centro histórico, pelo Largo São Francisco, até perto da Praça da Sé.

Não tivemos coragem sequer de ir ao show do Nação Zumbi, que precederia o dos Racionais MC’s, porque tínhamos certeza de que a apresentação da banda de rap daria problemas. Mesmo estando muito perto da Praça da Sé, não quisemos passar por ela à procura de alguma lanchonete. O ambiente era terrível, cheio de pessoas estranhas (o preconceito só parece preconceito quando estamos longe da realidade), gente bêbada e mendigos.

De verdade, era totalmente previsível a confusão. Teoricamente, é fantástico haver apresentações de bandas com apelo nas camadas mais populares, contrapondo à programação do resto da Virada que, bem ou mal, agrada mais o público mais elitizado.
O problema é que, na prática, costuma dar confusão. Pode ser uma visão preconceituosa - eu não nego -, mas foi corroborada pelo acontecido.

Um colega meu que estava no show só viu a confusão, e duvidou que o público tivesse alguma culpa. Para ele, foi a polícia que quis se vingar das letras que a criticavam. Duvido muito, até pela relação publicada de lugares e bens destruídos. Às vezes nossa boa vontade faz com que não queiramos acreditar na realidade.

Pelo que me falaram, a tropa de choque não agiu apenas na Praça da Sé, como a mídia disse. Querendo evitar possíveis confusões nos outros palcos do centro, ela jogou bombas em todos os lugares, a fim de dispersar o público. Deu certo, e lá pelas 6h30 da manhã somente um show agitava o centro, com um cover dos Beatles. Os demais pararam por um tempo, mas nenhum incidente grave foi registrado.

A questão é que, apesar de toda atenção dedicada ao episódio da Sé, ele foi isolado. Embora eu até tenha ouvido boatos de arrastões e furtos, não presenciei nada. O clima, para mim, era de festividade e paz, me senti mais seguro do que quando ando por aquelas mesmas ruas durante o dia. Foi muito bom ver tanta gente na rua, curtindo atrações de ótima qualidade. Nunca tinha visto nada parecido.

O funcionamento ininterrupto do trem e do metrô foi essencial para o sucesso dessa Virada Cultural que, para mim, terminou na manhã de domingo, com um café no Frans da Paulista (pois é, não achamos nenhuma lanchonete decente lá na região) e, depois, a observação do nascer do sol entre as torres da avenida mais famosa do país.

Muito bom.

Compare Preços: Cordel do Fogo Encantado, João Bosco, Ed Motta, Nação Zumbi, Racionais MC’s, Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas

May3

O fim de “Gilmore Girls”: Vou me matar.


A culpa é do Warner Channel brasileiro, com a sua maldição de quinta-feira. Pensa bem, ano passado a série que passava depois de “GG” era “Everwood“, que foi cancelada. Esse ano, “The OC” sucedia as Garotas Gilmore: Cancelada. Claro, com tanta série afundando por perto, “Gilmore Girls” não agüentou e acabou também chegando ao fim.

Para falar a verdade, o cancelamento de GG não é nenhuma grande surpresa, mas a possibilidade de haver uma oitava temporada, com 13 episódios, parecia bem grande. A vitória no “Save a Show” também me animou. O problema da série não foi a audiência - essa continua sendo uma das maiores do canal The CW -, mas os atores, principalmente a Alexis “Rory” Bledel, que, após 7 temporadas, se cansaram de interpretar os mesmos papéis, sem ter tempo para o cinema, que está com as portas cada vez mais abertas para as estrelas da série (em especial para a ótima Lauren “Lorelai” Graham, uma grande atriz que está em cartaz aqui no Brasil com “Minha mãe quer que eu case” e já já estará nas telas em “A Volta do Todo Poderoso”). Assim, “Gilmore Girls“, com o universo fantástico de Stars Hollow e personagens incríveis, deixará de existir.

Eu, como extremo fã da série, lamento MUITO. Era a minha série favorita em exibição.
É muito estranha a relação dessas séries com a gente, parece que são pessoas da nossa família que estão morrendo. Não tem como não sentir falta da Rory (que tinha uma história de vida bem parecida com a minha de verdade - e não só pelo jornalismo), do mal humor do Luke, das bizarrices do Kirk, da estranheza da Lane, da loucura da Sookie, da arrogância rabugenta do Michel, da deliciosa maluquice da Paris, do jeito do Richard e, principalmente, de Emily e Lorelai Gilmore, as mães mais legais da história da TV (a primeira por sua personalidade arrogante e arrependida de dondoca que quer amor, o que garantia ótimos momentos ao drama; a segunda, bem, porque era a Lorelai - precisa de algo mais? Era ela que tornava GG tão boa!).

Será que, pelo menos, a série e/ou a Lauren ganharão um Emmy e/ou Globo de Ouro dessa vez? Além de merecer, pelo conjunto da obra, faria todo sentido (na lógica dessas premiações): essa temporada foi a que os fãs menos gostaram, logo, a que os jurados dos prêmios provavelmente gostarão mais! É a última chance de se fazer justiça.

Meus DVDs e o restante dos episódios na televisão não deixarão eu ficar tão saudoso, mas… Tem coisa que jamais deveria acabar - e eu, como você já percebeu, acho que “Gilmore Girls” é uma delas.

O episódio final vai ao ar no dia 15 de maio nos EUA e dia 7 de junho aqui no Brasil. Desde já, estou de luto. Lorelai Gilmore não nos fará mais sentir.

***

Veja, abaixo, as capas de grandes portais, com links para as notícias do cancelamento:

E! Online

Globo.com | UOL | MSN.com

TV.com

TV Guide

Zap2it

iMDB

Yahoo.com

Compare Preços: Everwood, The OC, Gilmore Girls, MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras

May3

PDA na gaveta, caderno e bloco de papel na mochila!


Eu cresci na era eletrônica e sempre gostei de informática. Enquanto todas as crianças brincavam de mini-game, eu me divertia com meu mini-Laptop; enquanto elas queriam um videogame, eu sonhava com um Magic Computer. Tive, e foi nesse tele-computador infantil (um teclado conectado à televisão, com games, calculadora e um editor tosco de texto) que dei meus primeiros passos na computação.

No ano seguinte, passei a fazer aulas de informática. Eu tinha 7 anos e, enquanto muitos ainda penavam para escrever, eu já mexia honrosamente no Word. Alguns anos depois, larguei o curso pela metade, porque eu já não precisava mais. A conseqüência é que nunca aprendi a mexer no maldito do Excel. Ainda não sei!

Tive meu próprio computador, só utilizado por mim, que foi substituído recentemente (há quase 2 anos) por um bem mais potente, que é o que uso até hoje. Ano passado troquei meu celular comum da Motorola por um PDA Phone, o ETEN M600.

Assim, nem cheguei a usar caderno na faculdade. Digitava as aulas em meu tecladinho bluetooth, direto pro Word Mobile, que era sincronizado com o computador. Até entrevistas eu gravava nele, inclusive as do podcast. Foi por ele também que fiz a cobertura, ao vivo, direto dos estúdios da Band e da Gazeta, durante os debates presidenciais do ano passado, postando num blog filho do OutrOs OlhOs, o Olhos do Brasil (que só durou a eleição mesmo).

Dessa forma, estando tão conectado o tempo todo desde cedo, foi como se eu tivesse incorporado meus aparelhos eletrônicos ao meu próprio corpo (Não, não citarei o McLuhan para falar disso)

Pois não é que, depois de vários probleminhas, o PDA parou de funcionar? Fiquei dias sem celular, até encontrar meu aparelho antigo, largado numa gaveta. E não é que gostei de ficar sem celular? Mesmo com esse, sem a minha agenda (bendito seja o Plaxo, que é uma mão na roda para gerenciar a vida) e sem nenhum recurso (nem MP3 tem!), estou indo muito bem.

Já o meu PC é praticamente uma pessoa. Tenho quase certeza de que, debaixo daquela torre aparentemente dura e fria, bate um coração sedento por vida. Quando estou bem, ele funciona que é uma beleza. Quando estou nervoso, ele fica lento e sobrecarregado. Quando tem feriado… ele dá folga a si mesmo. Isso já é quase uma constante: ele só dá problema em feriados.

Foi assim nesse primeiro de maio. O computador ligava e, quando começava a rodar os programas, desligava. Depois passou a desligar já na inicialização. Chamei meu técnico, que examinou aqui em casa, mas disse não ter nem idéia do que era, nem nunca ter visto acontecer isso, dessa forma. Levou, então, para sua loja, visando fazer mais testes e tentar consertar. Hoje me ligou: Ele não sabe como, mas o PC voltou a funcionar. Sozinho, sem ele ter feito nada. Pois é, meu computador sentiu ciúmes e resolveu também emendar o feriado. Agora está tudo normalizado, embora não saibamos o que aconteceu. Sim, vou benzê-lo.

É até engraçado, mas essa greve das máquinas contra mim fez com que eu reaprendesse a utilizar o papel. Agora tenho um caderno para a faculdade e, para realizar entrevistas, passei a usar meu bloco de papel, que antes só anotava detalhes das matérias.

A influência do computador é tremenda em mim: não ouço música se não for MP3 (há mais de 5 anos não compro CD para uso próprio!), baixo séries, faço trabalhos, navego, converso, blogo. Mesmo em papel a influência se manifesta: Eu não consigo, por nada nesse mundo, escrever direto à caneta. Preciso do lápis, para poder apagar e voltar. Uma espécie de CTRL+Z analógico.

Claro que não vivo sem internet e o PDA trazia (e continuará trazendo, já que vou mandar para o conserto) muitas comodidades para minha vida. Mas, quer saber, nem estou sentindo tanta falta assim! Estou sobrevivendo bem melhor do que eu podia imaginar.

Obviamente meu namoro com o papel e com meu “PDA a lenha”, como a Bia chama o meu bloquinho, não vai virar casamento. São só férias digitais. Não pretendo abandonar o computador ou, menos ainda, passar a usar aquelas boinas das caricaturas de jornalistas “mesozóicos” (viu, Gui?). Mas é bom saber que posso sobreviver sem baterias.

Você pode?

Compare Preços: PDA Phone, Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas

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O caminho da comunicação passa pelos blogs?

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
SP - Brasil | Desde 03/02/2003





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