PDA na gaveta, caderno e bloco de papel na mochila!


Eu cresci na era eletrônica e sempre gostei de informática. Enquanto todas as crianças brincavam de mini-game, eu me divertia com meu mini-Laptop; enquanto elas queriam um videogame, eu sonhava com um Magic Computer. Tive, e foi nesse tele-computador infantil (um teclado conectado à televisão, com games, calculadora e um editor tosco de texto) que dei meus primeiros passos na computação.

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No ano seguinte, passei a fazer aulas de informática. Eu tinha 7 anos e, enquanto muitos ainda penavam para escrever, eu já mexia honrosamente no Word. Alguns anos depois, larguei o curso pela metade, porque eu já não precisava mais. A conseqüência é que nunca aprendi a mexer no maldito do Excel. Ainda não sei!

Tive meu próprio computador, só utilizado por mim, que foi substituído recentemente (há quase 2 anos) por um bem mais potente, que é o que uso até hoje. Ano passado troquei meu celular comum da Motorola por um PDA Phone, o ETEN M600.

Assim, nem cheguei a usar caderno na faculdade. Digitava as aulas em meu tecladinho bluetooth, direto pro Word Mobile, que era sincronizado com o computador. Até entrevistas eu gravava nele, inclusive as do podcast. Foi por ele também que fiz a cobertura, ao vivo, direto dos estúdios da Band e da Gazeta, durante os debates presidenciais do ano passado, postando num blog filho do OutrOs OlhOs, o Olhos do Brasil (que só durou a eleição mesmo).

Dessa forma, estando tão conectado o tempo todo desde cedo, foi como se eu tivesse incorporado meus aparelhos eletrônicos ao meu próprio corpo (Não, não citarei o McLuhan para falar disso)

Pois não é que, depois de vários probleminhas, o PDA parou de funcionar? Fiquei dias sem celular, até encontrar meu aparelho antigo, largado numa gaveta. E não é que gostei de ficar sem celular? Mesmo com esse, sem a minha agenda (bendito seja o Plaxo, que é uma mão na roda para gerenciar a vida) e sem nenhum recurso (nem MP3 tem!), estou indo muito bem.

Já o meu PC é praticamente uma pessoa. Tenho quase certeza de que, debaixo daquela torre aparentemente dura e fria, bate um coração sedento por vida. Quando estou bem, ele funciona que é uma beleza. Quando estou nervoso, ele fica lento e sobrecarregado. Quando tem feriado… ele dá folga a si mesmo. Isso já é quase uma constante: ele só dá problema em feriados.

Foi assim nesse primeiro de maio. O computador ligava e, quando começava a rodar os programas, desligava. Depois passou a desligar já na inicialização. Chamei meu técnico, que examinou aqui em casa, mas disse não ter nem idéia do que era, nem nunca ter visto acontecer isso, dessa forma. Levou, então, para sua loja, visando fazer mais testes e tentar consertar. Hoje me ligou: Ele não sabe como, mas o PC voltou a funcionar. Sozinho, sem ele ter feito nada. Pois é, meu computador sentiu ciúmes e resolveu também emendar o feriado. Agora está tudo normalizado, embora não saibamos o que aconteceu. Sim, vou benzê-lo.

É até engraçado, mas essa greve das máquinas contra mim fez com que eu reaprendesse a utilizar o papel. Agora tenho um caderno para a faculdade e, para realizar entrevistas, passei a usar meu bloco de papel, que antes só anotava detalhes das matérias.

A influência do computador é tremenda em mim: não ouço música se não for MP3 (há mais de 5 anos não compro CD para uso próprio!), baixo séries, faço trabalhos, navego, converso, blogo. Mesmo em papel a influência se manifesta: Eu não consigo, por nada nesse mundo, escrever direto à caneta. Preciso do lápis, para poder apagar e voltar. Uma espécie de CTRL+Z analógico.

Claro que não vivo sem internet e o PDA trazia (e continuará trazendo, já que vou mandar para o conserto) muitas comodidades para minha vida. Mas, quer saber, nem estou sentindo tanta falta assim! Estou sobrevivendo bem melhor do que eu podia imaginar.

Obviamente meu namoro com o papel e com meu “PDA a lenha”, como a Bia chama o meu bloquinho, não vai virar casamento. São só férias digitais. Não pretendo abandonar o computador ou, menos ainda, passar a usar aquelas boinas das caricaturas de jornalistas “mesozóicos” (viu, Gui?). Mas é bom saber que posso sobreviver sem baterias.

Você pode?

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