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No Mínimo morre, e nós choramos
Há vários anos leio o No Mínimo, site jornalístico feito por jornalistas que realmente entendem o que é bom jornalismo. Passei toda a adolescência sonhando em um dia ter um texto meu publicado ali, entre alguns dos jornalistas que eu mais admirava. Aquilo me fazia querer ser jornalista.
É com esse pesar, de quem nunca terá o sonho realizado, que assisto à morte do site, 5 anos após seu lançamento com esse nome.
O motivo? A Brasil Telecom, dona do IG, BrTurbo e iBest, que viabilizava financeiramente o site, resolveu quebrar o contrato, dizendo não ter mais interesse no projeto. Daí para frente, os editores do site tentaram conseguir dinheiro para sustentá-lo, mas tudo que colheram foram elogios, que não se metamorfosearam em cifrão. E sem dinheiro, não tem como continuar.
Está lá: “Aqui jaz o NoMínimo”, com um triste e indignado texto, que lista o nome de quem por lá já passou. E o meu não consta.
Como pessoas físicas, nada podemos fazer, além de questionar: por que um site de tão bom conteúdo, que tem aceitação e credibilidade absurdas e audiência satisfatória não desperta o interesse de nenhuma empresa de mídia? O que acontece? O que há de errado?
Fico extremamente chateado ao ver isso acontecer. Onde lerei o Tutty daqui pra frente?
Como poderei indicar os textos geniais daqueles colunistas para meus amigos?
O No Mínimo não era acessado por mim todos os dias. Não o lia sempre, porque uma leitura tão saborosa demanda um tempo que, infelizmente, eu não tinha. Ainda assim, sempre que podia, me pegava no site. Era aquele livro que você deixa na sua cabeceira até ter a oportunidade perfeita de devorá-lo.
Minha vontade, como leitor impotente diante da situação, é de parar o Caio Túlio Costa, presidente de internet da Brasil Telecom, nos corredores da minha faculdade e perguntar de que forma um site desses deixa de ser interessante a uma empresa que busca um público mais qualificado, que não esteja atrás apenas de internet grátis.
Devia custar caro, muito caro. Mas vai custar mais para a gente, que ficará sem um dos melhores exemplos do que é fazer bom jornalismo, no mais amplo sentido dessa tão surrada palavra.
Resta esperar que o noticiado plano do Unibanco - que é de propriedade da família Moreira Salles (também dona da editora Companhia das Letras), de Walter e João (Este, publisher da também ótima revista Piauí, que sempre esteve ligada em minha mente ao tipo de jornalismo do No Mínimo e que, agora, aparece no único banner da página de despedida do site) junto ao Estadão de salvar o No Mínimo das trevas.
Cadê o UOL e o Terra, com todo seu poder e a promessa de bom conteúdo? Cadê a Globo.com com a sua tentativa de conquistar credibilidade e se firmar como portal de internet? Cadê o Grupo Abril, que ainda busca uma forma de fazer seu Abril.com decolar?
Por mais que os colunistas se mantenham em blogs independentes interligados, por mais que o site possa ressurgir das cinzas em um novo formado - como aconteceu quando virou o mínimo do No. -, ele está tão bom dessa forma… É lamentável morrer simplesmente por não poder pagar suas contas.
Maldito mundo capitalista, e burro.
***
Quase todos os colunistas do No Mínimo se despediram. Destaco os textos do Alfredo “Tutty Vasques” Ribeiro, do Ricardo Calil, do Xico Sá, do Ricardo Kotscho, do Sergio Bermudes, do Zuenir Ventura, do Daniel Galera, da Carla Rodrigues, do Guilherme Fiuza, a seção Fala Leitor e o Editorial esclarecendo o ocorrido.
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MediaOn - 1º Seminário Internacional de Jornalismo Online

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Publicidade e conteúdo para blogs: A relação entre empresas e blogueiros
Nos últimos meses participei de alguns encontros e palestras sobre blogs – o que me interessa profissionalmente. Hoje em dia, pouca gente acredita que o modelo atual de publicidade, baseado no Adsense e em sistemas de afiliados, como o do Buscapé, poderá garantir uma solidez financeira em longo prazo aos blogs e iniciativas de produção de conteúdo independentes, principalmente se pensarmos em estruturas cada vez mais complexas de jornalismo colaborativo. Até dá dinheiro, mas é arriscado demais para ser a única fonte de renda de um serviço que pretende se profissionalizar. Deveria ocupar um espaço secundário, agindo como muleta, como fonte extra de renda.
Por outro lado, as empresas, de comunicação ou não, estão atentas à influência das comunidades online e especialmente dos blogs sobre os leitores, que, claro, podem ser consumidores de produtos dessas marcas. Desse modo, nada melhor para os negócios do que manter um bom relacionamento com os blogueiros e, bom, dar um jeito deles falarem bem desses produtos.
Normalmente é por aí que a coisa vai: As empresas estabelecem uma relação com os blogueiros, em estratégias que parecem ser favoráveis a ambos, mas sem cifras envolvidas. Foi o que eu vi em uma encontro organizado pela agência BlogHunters para a Fox Filmes, que realizou o projeto do filme “Eragon”, em que os blogueiros puderam entrevistar o diretor do filme, divulgar uma ação de guerrilha e assistir à película antes da pré-estréia, em sessão fechada na sede da Fox. Eles possuem projetos assim, de parcerias para que os blogueiros possam ter acesso a materiais exclusivos dos filmes da companhia e escrever sobre eles – sem compromisso de falar bem.
Proposta parecida tem a Microsoft que, em uma reunião semana passada com os principais blogs de tecnologia do país, apresentou a solução multimídia do Windows Vista e disse querer manter uma reunião mensal com os blogueiros para estes conhecerem as novidades da marca e poderem utilizar produtos para testes, visando, é claro, gerar posts – também sem obrigações.
Mais ou menos como o ReviewMe funciona, só que sem receber para criticarmos determinado produto – e, conseqüentemente, sem maiores comprometimentos.
É indiscutível que esses projetos são interessantes para nossos blogs, mas, de certa forma, eles me incomodam: o que para os blogueiros é quase um favor, uma grande “consideração” da empresa, é rotina para os jornalistas. OK, estão começando a nos reconhecer como mídia, mas ainda é pouco. Não basta a criação de uma “assessoria de blogs”, mesmo que proporcionando a maioria dos recursos que os jornalistas têm acesso. Se já somos – e somos! – relevantes, porque não anunciar em nossos espaços? Os veículos de comunicação tradicionais têm há tempos acesso aos aparelhos e filmes para escrever sobre eles, e ainda assim recebem anúncios em seus blocos comerciais.
No nosso país são raros os anunciantes diretos em blogs, parece que as agências de publicidade não nos descobriram ou não confiam na gente. Com a tendência internacional do mercado publicitário de transferir verbas para a internet, está na hora de acreditarem em nossa força e na solidez dos projetos que vêm sendo desenvolvidos na nossa internet. A também tendência, dessa vez do lado de cá, de blogs se juntarem em redes com o intuito de atrair anunciantes, já demonstra a maturidade que nossos blogs possuem. Já está dando resultado, ainda que modesto perto de todo o potencial presente.
Que sejamos considerados imprensa – e de vez em quando somos: ano passado o Olhos do Brasil, blog-filho do OutrOs OlhOs, foi credenciado como imprensa nos debates eleitorais, realizando coberturas verdadeiramente jornalísticas, sem nenhum tratamento especial por ser um blog independente, sem uma assinatura famosa ou grande portal por trás -, mas que não pare por aí. Até porque nenhum veículo de mídia sobrevive só por seu conteúdo.
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Participe do novo Podcast:
Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:
O caminho da comunicação passa pelos blogs?
Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.
As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!

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