Publicidade e conteúdo para blogs: A relação entre empresas e blogueiros
Nos últimos meses participei de alguns encontros e palestras sobre blogs – o que me interessa profissionalmente. Hoje em dia, pouca gente acredita que o modelo atual de publicidade, baseado no Adsense e em sistemas de afiliados, como o do Buscapé, poderá garantir uma solidez financeira em longo prazo aos blogs e iniciativas de produção de conteúdo independentes, principalmente se pensarmos em estruturas cada vez mais complexas de jornalismo colaborativo. Até dá dinheiro, mas é arriscado demais para ser a única fonte de renda de um serviço que pretende se profissionalizar. Deveria ocupar um espaço secundário, agindo como muleta, como fonte extra de renda.
Por outro lado, as empresas, de comunicação ou não, estão atentas à influência das comunidades online e especialmente dos blogs sobre os leitores, que, claro, podem ser consumidores de produtos dessas marcas. Desse modo, nada melhor para os negócios do que manter um bom relacionamento com os blogueiros e, bom, dar um jeito deles falarem bem desses produtos.
Normalmente é por aí que a coisa vai: As empresas estabelecem uma relação com os blogueiros, em estratégias que parecem ser favoráveis a ambos, mas sem cifras envolvidas. Foi o que eu vi em uma encontro organizado pela agência BlogHunters para a Fox Filmes, que realizou o projeto do filme “Eragon”, em que os blogueiros puderam entrevistar o diretor do filme, divulgar uma ação de guerrilha e assistir à película antes da pré-estréia, em sessão fechada na sede da Fox. Eles possuem projetos assim, de parcerias para que os blogueiros possam ter acesso a materiais exclusivos dos filmes da companhia e escrever sobre eles – sem compromisso de falar bem.
Proposta parecida tem a Microsoft que, em uma reunião semana passada com os principais blogs de tecnologia do país, apresentou a solução multimídia do Windows Vista e disse querer manter uma reunião mensal com os blogueiros para estes conhecerem as novidades da marca e poderem utilizar produtos para testes, visando, é claro, gerar posts – também sem obrigações.
Mais ou menos como o ReviewMe funciona, só que sem receber para criticarmos determinado produto – e, conseqüentemente, sem maiores comprometimentos.
É indiscutível que esses projetos são interessantes para nossos blogs, mas, de certa forma, eles me incomodam: o que para os blogueiros é quase um favor, uma grande “consideração” da empresa, é rotina para os jornalistas. OK, estão começando a nos reconhecer como mídia, mas ainda é pouco. Não basta a criação de uma “assessoria de blogs”, mesmo que proporcionando a maioria dos recursos que os jornalistas têm acesso. Se já somos – e somos! – relevantes, porque não anunciar em nossos espaços? Os veículos de comunicação tradicionais têm há tempos acesso aos aparelhos e filmes para escrever sobre eles, e ainda assim recebem anúncios em seus blocos comerciais.
No nosso país são raros os anunciantes diretos em blogs, parece que as agências de publicidade não nos descobriram ou não confiam na gente. Com a tendência internacional do mercado publicitário de transferir verbas para a internet, está na hora de acreditarem em nossa força e na solidez dos projetos que vêm sendo desenvolvidos na nossa internet. A também tendência, dessa vez do lado de cá, de blogs se juntarem em redes com o intuito de atrair anunciantes, já demonstra a maturidade que nossos blogs possuem. Já está dando resultado, ainda que modesto perto de todo o potencial presente.
Que sejamos considerados imprensa – e de vez em quando somos: ano passado o Olhos do Brasil, blog-filho do OutrOs OlhOs, foi credenciado como imprensa nos debates eleitorais, realizando coberturas verdadeiramente jornalísticas, sem nenhum tratamento especial por ser um blog independente, sem uma assinatura famosa ou grande portal por trás -, mas que não pare por aí. Até porque nenhum veículo de mídia sobrevive só por seu conteúdo.
09/06/2007 - 17:53
O assunto é interessante e controverso. Eu, por exemplo, não sei até que ponto um blog pode ser considerado imprensa. Mídia, sim. Imprensa, não sei.