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Jul30

Blogs e jornalismo: Amigos ou rivais?


Sempre me vejo em meio à imbecil polêmica “blogs x jornalismo”. Como normalmente amo e acredito em ambos, fico achando que os únicos inadequados são os que entram na discussão.

Desde aquele fatídico texto do Digestivo Cultural (faz tempo, hein?), que o Cardoso, meticuloso, me recomendou, venho ficando mais atento a essa desconfiança toda entre ambos, que, ao meu ver, mostra-se infundada em todas as instâncias.

Alguns jornalistas vêem os blogueiros como amadores querendo brincar de fazer notícia, em um “show de calouros” (© Márion Strecker). Alguns blogueiros vêem a mídia como um demônio ultrapassado, desprezando-a ou rindo de seu comportamento e modus operandi, como se fossem superiores.

Não tenho certeza de que são minorias não, mas com certeza não é a totalidade que vê as coisas desses modos absurdamente equivocados. Acredito realmente que amadores não podem ser jornalistas, e os blogs nacionais ainda são fracos fornecedores de informação. Também acredito piamente que blogueiros sabem lidar muito melhor com a audiência do que os jornalistas, penando e aprendendo muito mais com seus leitores do que qualquer profissional do jornalismo aprende com um manual de redação ou ombudsman – além de possuírem uma liberdade de emitir opinião que qualquer homem de jornal sonharia ter.

Agora, não é porque o cidadão comum não pode fazer jornalismo (simples: ele não está habilitado tecnicamente para isso), que não pode ser repórter de seu cotidiano. Eis o primeiro híbrido de blogs e jornalismo: o que convenientemente chamamos de “citizen journalism” – ou quase isso. Também não é porque jornalistas estão mesmo acostumados com uma estrutura mais engessada, menos direta e participativa, que eles não podem se acostumar e ter interesse nesse novo tipo de mídia, feita por usuários. Uma coisa não impede a outra.

As mídias vêm se misturando, sem prejuízo para nenhuma delas. Pelo contrário. Qual blog não se alimenta de material produzido pela mídia de massa? A recíproca também é cada dia mais verdadeira, evidentemente. Cada veículo tem sua função dentro de um sistema que tende, sim, ao excesso de informação.

Esse artigo aqui começou a ser escrito ontem, mas a Folha de S.Paulo, mais uma vez, trouxe o assunto semelhante em sua edição de hoje. Em entrevista de capa do caderno Ilustrada, cuja manchete é “Ataque à blogosfera”, o historiador britânico Andrew Keen, que lançou recentemente nos EUA o livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture” (isso mesmo: “A cultura do amador: Como a internet de hoje está matando nossa cultura”), diz que a web 2.0 não está democratizando a mídia coisa nenhuma, mas “que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso.”

Polêmico e radical, não? Pois é, mas infelizmente eu tendo a concordar com parte disso: nos meios colaborativos atuais, o que mais importa é o próprio usuário e sua experiência, não a informação em si. O que, por si só, já é bem interessante.

Eu me interessei principalmente pela resposta da última pergunta, onde ele justifica o fato de ter um blog: “Meu livro não defende que as pessoas não tenham blogs, apenas que não finjam que são substitutos da mídia tradicional ou representantes de fontes de informação confiáveis sobre o mundo.”

Atenho-me somente ao “não finjam que são substitutos da mídia tradicional” e ignoro que ele acredite que não somos “fontes de informação confiáveis sobre o mundo” (e por acaso quem é? Desculpa, mas depois de Jayson Blair, eu não sei!).

Realmente não somos substitutos de nada. Nós complementamos o que já existe – e dessa forma, tudo vai ganhando novas funções e nada se perde.

Vejo os blogs e toda a perspectiva de jornalismo colaborativo (perspectiva porque ainda não o temos de fato, só vejo repercussão do jornalismo profissional por aí…) se aproximando muito, num primeiro momento, do antigo “new journalism”, em que o repórter basicamente relatava o que vivenciava. Ou quase isso.

É que lembro do repórter brasileiro David Nasser, da revista O Cruzeiro, que, em busca de uma boa história a ser contada (e, claro, de uma boa vendagem), inventava situações, aumentava os fatos e, reza a lenda (ou a história, contada no livro “Cobras Criadas”) chegou até mesmo a se vestir de mulher, fingindo ser outra pessoa, para ilustrar uma reportagem chocante. Como dizem, ele era o homem que inventava a notícia.

Ora essa, é ou não é o que muito blogueiro faz brigando por aí na blogosfera ou nos meios virtuais? É ou não é o mesmo que motiva um sujeito a mandar uma foto do acidente da TAM adulterada para um portal (aquele, do “show de calouros”)?

Fora que o estilo de narração é semelhante…

Os blogueiros podem reclamar dos jornalistas, mas se parecem com eles em diversos pontos. E os jornalistas estão descobrindo a melhor forma de lidar com esse novo produtor de informação e se adequar para as mudanças que estão nitidamente acontecendo. Onde reside o conflito?

A mistura dos dois é bem-vinda, desde que aconteça com inteligência, respeito e planejamento. Assim não haverá morte da cultura, da imprensa ou da espontaneidade de ser um cidadão, mas uma otimização das informações na rede e fora dela, confiando em um número maior de pessoas – até porque, naturalmente, os conteúdos vão mesmo ficando mais seguros.

Acho que está na hora de abrirmos a cabeça – e eu, como blogueiro e jornalista em formação, estou com ela em constante conflito – e perceber o que há de bom em cada um dos dois mundos (que, convenhamos, são irmãos).

Deixa disso, galera. O Estadão não está atacando os blogs por dizer que nem tudo na rede é confiável… Ele só quer dizer que ele mesmo está melhor – exatamente por adquirir características da blogosfera!

Rixa boba, que pode ser resolvida numa mesa de bar. Ou na BlogCamp.

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Jul23

Minha primeira reportagem em capa de portal


Certa vez li um texto das Garotas que Dizem Ní que retratava a emoção de uma delas ao ver sua primeira matéria assinada publicada, em um jornal da faculdade.

Eu não tive uma emoção tão grande assim quando vi minha primeira reportagem impressa, talvez por publicar na internet há anos e saber que os comentários dos leitores são bem mais recompensadores do que a minha assinatura.

Minha estréia como repórter de TV foi mais emocionante, embora também fosse em um programa universitário, exibido em uma emissora comercial para São Paulo inteira. Mas eu sabia que ela iria ao ar, não me pegou de surpresa. O que mais me deixou feliz foi ter recebido uma carta - é, pelo correio mesmo - de um telespectador que gostou do meu trabalho.

Tão surpreso quanto com a carta fiquei quando vi uma das minhas matérias sobre a etapa de gravação de vídeos do “Brazil’s Next Top Model”, em São Paulo, que fiz para o Séries Etc., na homepage da Globo.com.

Minha matéria, na capa da Globo.comA reportagem escolhida foi sobre uma descoberta minha: Duas meninas que trabalhavam na limpeza do lugar onde o evento foi realizado foram convidadas pela equipe do Sony para tentarem ser modelos e participar do programa.

Eu tinha visto um tratamento meio diferenciado com as duas, a começar pelo lugar da inscrição - de todas que vi, só as duas não tinham ido para o balcão de inscritos pela internet. Depois, tive a impressão de que os fotógrafos entraram apenas após a gravação dos vídeos delas, diferentemente do que tinha acontecido com as demais.

Mas foi só durante a entrevista que eu descobri que elas eram funcionárias da empresa de limpeza e que haviam sido convidadas a participar do concurso. Nessa hora já senti o cheiro de coisa interessante - até então, o Sony não havia falado em indicações e o convite às meninas parecia ser mais para preencher espaço -, mas fiquei com medo de cavar fundo e fazê-las falar mais do que deviam. Explorar pessoas humildes, que caíram de pára-quedas naquilo tudo, não era uma de minhas vontades. Perder a notícia também não. Tomei muito cuidado ao entrevistar e redigir a matéria, que foi editada e, na seqüência, publicada.

A assessoria do canal negou veementemente a existência de olheiros e, se mal contada, a história poderia comprometer a credibilidade do programa, que ainda nem estreou. Fui cuidadoso para não errar no texto, e a edição deixou ainda melhor.

Naturalmente, perdeu algumas características minhas e a istória foi contada de uma forma um pouco diferente. Nada grave, que prejudicasse a informação ou me fizesse querer mudar ou tirar minha assinatura.

E não é que, sem que eu esperasse - e acredito que nem a editora do site - a matéria foi parar na capa da Globo.com, com direito a uma foto que eu tirei, com crédito e tudo?

Bom, essa a minha primeira homepage de portal e, embora eu não tenha ficado emocionado como uma das Garotas que dizem Ní, gostei bastante da surpresa - ou do susto!

Tomara que venha mais, não? Aceito convites para mais freelas. ;-)

Se você quiser ler, a reportagem é essa. E tem ainda essa aqui, que também é bem honesta, viu? Ah, e não deixe de ver a galeria de fotos!

Compare Preços: DVDs de séries, Livros de Moda, Assinatura da Revista Cláudia, Livros de Jornalismo

Jul14

Cordel do Fogo Encantado na abertura do Pan + Anima Mundi 2007


Aconteceu ontem, no Rio, a abertura dos Jogos Pan-americanos do Brasil, em uma cerimônia belíssima e memorável - principalmente para Lula, amplamente vaiado e ainda limado do anúncio de abertura oficial do evento.

O Brasil deu show, com uma cerimônia bastante brasileira, lembrando o que de melhor há em nossa música e cultura. Foi tudo muito bom, mas o melhor, para mim, foi a parte chamada de “Energia do Homem”, em que os sonhos e pesadelos foram representados.

Primeiro pela apresentação de Adriana Calcanhotto, ou Adriana Partimpim, parecendo criança, em uma cadeira gigantesca - efeito esperto e muito eficiente. Além da bela e lenta canção de ninar, a luz e a coreografia dos bailarinos e bonecos foram perfeitas, brincando com sombras e movimentos, dando o clima perfeito de sonho, totalmente em azul.

Aí veio o inverso: o pesadelo, vermelho, agitado, com o ritmo infernal do Cordel do Fogo Encantado (aka “uma das minhas bandas preferidas”), tocando sua música “Foguete de Reis”.

Você, caro leitor, não tem idéia da minha reação: eu tomei um susto tão grande que, misturado com a felicidade de vê-los em um momento tão importante, quase me fez ter um troço. Meu coração acelerou e imediatamente não consegui ver mais nada da apresentação, só curtir.

Só agora, com o YouTube, eu pude ver com mais calma: foi realmente espetacular. Primeiro porque a música foi tocada na íntegra - e, pelo que percebi, eles foram os únicos artistas a tocarem uma canção própria. Segundo que a iluminação e as alegorias traduziram perfeitamente a essência da música e do grupo, a elaboração visual foi perfeita. Terceiro que os bailarinos e o movimento cênico foram perfeitos, e até os fogos de artifício - belíssimos por sinal - estavam coreografados com a música.

Para quem é fã que nem eu, foi um momento de êxtase. Para quem não conhecia – 99,8% dos que viram – foi um momento muito bonito e emocionante. Todos felizes (menos o Inagaki, que não gosta da banda! ;-)) , pois.

***

Feliz vai ficar Ivan Mola, um talentosíssimo animador brasileiro, que concorre com dois vídeos no Anima Mundi Web, se receber o seu voto. Uma das animações é justamente um clipe que ele fez para “Morte e Vida Stanley”, música do Cordel do Fogo Encantado. Seu outro vídeo concorrente é a animação que ele fez para a canção “Paquetá”, dos Los Hermanos. Ambas belíssimas.

Eu conheci o trabalho do Ivan quando vi uma animação para “O Amor é Filme”, também do Cordel, que é tema do filme “Lisbela e o Prisioneiro”. Ele tem ainda vídeo para “Cotidiano”, do Chico Buarque interpretada pelo Arnaldo Antunes, “Codinome Beija-Flor”, do Barão Vermelho, “Leia o Livro”, do Tim Maia, e “Dois Barcos” e “A Flor”, também dos Los Hermanos.

Vale a pena ver tudo, é muito bom! O site dele está aqui.

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E já está rolando a edição paulista do Anima Mundi, o 15º Festival Internacional de Animação do Brasil, no Memorial da América Latina. Dá uma olhada no site e vê se dá uma passada lá no evento. Termina amanhã. Eu vou hoje.

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Jul13

“Gaivota – Tema para um conto curto”: a encantadora releitura de um clássico primoroso


No último domingo assisti, no teatro do SESC Pinheiros, à peça “Gaivota – Tema para um conto curto”, uma releitura do clássico de Tchecov. Há cerca de uma hora terminei de ler a tragédia “A Gaivota”, que deu origem ao espetáculo.

Ia escrever sobre isso aqui ainda hoje – já que esse é o último final de semana em que a peça estará em cartaz -, mas ando preocupado em dar um foco ao blog, seguindo uma temática mais ou menos parecida, e teatro não faz totalmente parte dela.

Pois é, quem não escreve, lê. A Folha de S.Paulo foi mais rápida e traz na edição de hoje uma crítica de Sérgio Salvia Coelho sobre a montagem, por ele classificada como “síntese da trajetória da Companhia dos Atores”. “Gaivota”, como ele mesmo lembra, não é interpretada pelo grupo, mas tem suas bases nele. E é imperdível.

Enrique Diaz dirigiu de forma magistral essa adaptação, que abusa acertadamente da metalinguagem e do experimentalismo para mostrar, através do texto de Tchecov, o processo de criação de uma peça teatral. Por isso que o crítico da Folha compara com o grupo, dizendo que “mostra-se claramente como decorrência do método que Enrique Diaz pesquisa com seus atores há quase 20 anos”.

Não assisti a nenhuma outra peça do grupo – sequer tenho 20 anos de existência! -, mas sai absolutamente maravilhado com o que vi (e lamentando profundamente ter perdido as apresentações de “Melodrama” e “Ensaio.Hamlet” que eles fizeram recentemente). Atuações impecáveis, luz inteligentíssima e soluções cênicas brilhantes dão o tratamento perfeito a ótima adaptação do texto, que mistura perfeitamente humor e drama, desespero e conformismo.

Não é fácil compreender tudo o que acontece no palco. A montagem tem elementos cinematográficos - só que sem o recurso do rewind, que normalmente utilizamos quando não entendemos alguma parte - e se comunica muito bem com a platéia, como bem observou a jornalista Ana Carina Santos na crítica publicada no site Aguarrás, sobre a temporada da peça no Rio de Janeiro.

Falando do fracasso dos personagens – nas artes cênicas, na escrita, nos sonhos, nos amores, na vida - e utilizando a troca de atores para um mesmo personagem, a peça cria uma atmosfera providencialmente confusa, com momentos de graça (eu sou chato por natureza e quase nunca consigo dar risada no teatro, mas nessa eu ri por diversos momentos!), com um deboche inteligente e hilário sobre a relação da sociedade com o teatro e a literatura, e também de extrema perturbação – na cena em que as três atrizes interpretam simultaneamente “a mãe castradora”, que “é a atriz consagrada na podridão das velhas convenções” (como a Folha descreveu), eu fiquei com lágrimas nos olhos e coração acelerado. Muito envolvente, sincero, de verdade.

Talvez por eu ter visto essa montagem antes de ler o original de Tchecov (e também nunca ter assistido a uma versão “sem adaptação” da peça), tive a impressão de que a obra que vi no palco era muito mais interessante do que a lida no livro. Ambas são geniais, mas não esperava nada menos de Anton Tchekhov, um dos maiores dramaturgos da história mundial. Já Henrique Diaz me surpreendeu e fez com que eu me tornasse instantaneamente um admirador do trabalho de sua Companhia. Fantástico.

Recomendo – como você deve ter percebido - a todos que assistam. É maravilhoso.

“Gaivota – Tema para um conto curto”
Hoje e sábado, às 21h, e domingo, às 18h
Teatro do Sesc Pinheiros: Rua Paes Leme, 195

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Jul11

Como você organiza a sua vida online?


Às vezes nem eu acredito na minha capacidade de empurrar as coisas com a barriga… Vou deixando, vou deixando e, quando vejo, o que era “bobeira” se acumulou e virou um puta incomodo.

Não, não mudei o foco do blog e comecei a falar da minha vida pessoal não, esta introdução não diz respeito a sentimentos, mas a organização online. :-P

Eu sempre tive tudo muito bem organizado no computador e, depois, no meu PDA-Phone (onde eu guardava minhas anotações de aulas, entrevistas em áudio gravadas de surpresa, agenda de compromissos, lista de tarefas e a minha agenda telefônica – a coisa mais importante para qualquer jornalista -, que estava devidamente integrada ao Outlook e ao Plaxo [guarde essa dica, esse site é fenomenal]). O problema é que os dois ficaram de mal de mim e pararam de funcionar.

Fiquei algum tempo sem computador, você sabe, e continuo sem meu PDA-Phone. Consegui recuperar quase tudo, mas fora daquela organização a que eu estava habituado. E pior, eu só achava que organizava as coisas. Foi na restauração dos favoritos do browser e arquivos de mídia e do desktop que eu percebi o quanto aquilo tudo estava uma baderna, resultado da minha pressa, aliada a agenda cheia e ao tempo curto. Deu nisso: Uma completa zona, insustentável.

Toda vez que os eletrônicos deixam de funcionar e há um recomeço, eu encaro como uma nova chance de fazer tudo diferente. E assim tentei. Ainda não organizei os arquivos do computador – e ainda coloquei mais HD, o que me deu espaço de sobra para ir atochando coisas -, mas tenho novos hábitos de uso da web, entrando cada vez mais nos serviços 2.0 (blarg) e otimizando meu tempo, até mesmo para conseguir postar por aqui.

Favoritos e del.icio.us

A primeira coisa que fiz foi baixar a extensão “del.icio.us Bookmarks” em meu Firefox, visando deixar os links mais “fixos” no site e os de uso imediato nos favoritos do navegador. Foi aí que descobri: Eu não sei trabalhar com tags! Não funciona na minha mente o conceito, eu ainda as utilizo como se fossem pastas. Só agora estou começando a compreender e mudar meus hábitos, mas está difícil.

Quase tão complicado quanto isso foi dar um jeito nos mais de 400 links importados para o del.icio.us, que transformou em tags as trocentas pastas que eu utilizava. Com um pouco de esforço, descobri as maravilhas do serviço, como eliminar as dezenas de links duplicados que eu tinha! Ainda estou organizando as coisas por lá, mas o caos já se re-estabeleceu sobre meus favoritos do Firefox, que eu teimo em utilizar sem nenhuma ordem.

Ainda não me acostumei a usar o del.icio.us para links imediatos, organizando por tags – mesmo estando a um Ctrl+D de distância disso -, aí vou arrastando tudo para o menu dos favoritos que, claro, vai ficando confuso, com as coisas escondidas e misturadas. Como eu não acho nada, vou esquecendo e tenho que procurar tudo de novo toda vez. Se eu acho – adivinha? – vira favorito novamente. Aí já viu, é um círculo vicioso, além de imbecil.

RSS

A segunda mudança a qual estou me adaptando é o uso de RSS. Cara, como eu vivi sem isso? Se eu utilizasse o RSS dessa forma antes, com certeza teria mudado o blog para Wordpress muito antes.

Antes eu usava os favoritos dinâmicos do FF e extensões como o Sage e o Wizz. Além disso, cheguei a baixar alguns programas leitores, mas nada me convencia muito. Sempre achei prático o RSS, mas não era completamente adepto – tinha uma dúzia de assinaturas e só. Isso começou a mudar com o BlogLines, mas ainda não me agradava tanto, mas nem sei direito o porquê. Um agravante era que não conseguia integrá-lo com o software que eu utilizava no PDA, o que não é nada prático.

Agora utilizo o Google Reader, e estou feliz. Bem integrado com o Firefox, o serviço consegui suprir as minhas necessidades e já está quase bem organizado. Minha lista de feeds está cada dia maior e bem estruturada, o que já otimiza bastante o meu tempo e permite que eu leia bem mais blogs do que antes (sabe quando você é tão apaixonado por alguma coisa que você simplesmente já nem precisa mais dela? Era assim minha relação com os blogs até a pouco tempo. Eu tinha o OO, lia meus blogs de sempre e não tinha paciência para outros! Quanta diferença de agora…).

Ainda não sei como ficará quando eu estiver de novo com um PDA, mas acho que vai dar para usar a versão móvel do serviço. Só deveria ter mais opções de organização, como a escolha de quais feeds serão mostrados em dispositivos portáteis… Acho que não tem, né?

Também não tem – e faz muita falta! – uma busca entre os tópicos “starreds”. Claaaro que eu já deixei isso virar uma zona. Tenho mais de uma centena de links estrelados – o que, no meu caso, significa “para ler”. Haja disposição e tempo para organizar e ler tudo, não? Mas, sem pressa, eu consigo (lembra que eu falei da minha capacidade de empurrar as coisas com a barriga? Pois é!).

Tem alguma forma de mandar direto os links de lá para o del.icio.us? E tem como eu postar os tópicos compartilhados, automaticamente, no blog (como post, não em um clip externo)? Algum plugin?

Listas de Discussão

Outro problema que estou quase conseguindo resolver é o das listas de discussão. Não gosto de lê-las por RSS ou e-mails periódicos, sempre preferi receber e-mails individuais em uma conta quase que exclusiva para isso. Organizava tudo no Thunderbird (aliás, comecei a fazer isso há muitos anos, no Outlook Express), com filtros específicos para cada lista. Funciona bem, mas acaba virando uma zona quando você não tem tempo.

Aí já viu… Se a lista é bem funcional, você deixa os milhares de e-mails lá, guardados, para, quando precisar de alguma coisa, poder buscar com o Google Desktop (é o que faço com a lista Mundo Sem Fio). Se não é tão importante assim, eu deleto tudo periodicamente, sem nem ler. Claro, não é muito funcional, não é verdade?

O que estou experimentando agora, com sucesso, é o uso do Gmail para administrar minhas listas. Comecei a com a Cataplana – a única que, de verdade, eu me esforço para acompanhar -, criando uma label para ela. Então criei um filtro, redirecionando todas as mensagens que contivessem [cataplana] no assunto para essa label, sem passar pela caixa de entrada.

Como o Gmail agrupa as respostas de um mesmo tópico, fica tudo bem mais fácil e prático. Mesmo usando minha conta principal de e-mail não estou tendo nenhum problema, as coisas simplesmente não se misturam. Uma maravilha.

Podcasts

Também estou feliz de, finalmente, estar conseguindo usar o iTunes. Meu computador e ele não se entendiam, e o programa não rodava mais. Agora, nessa nova versão, voltou a funcionar. Minha lista de podcasts nunca mais foi a mesma.

Não dá para ficar baixando todos na unha – só o fazia com meus favoritos – e o Juice nunca conseguiu gerenciar as coisas como eu queria. O iTunes vem dando conta do recado – e estou readquirindo o hábito de ouvir podcasts (enquanto não tomo vergonha na cara de manter a freqüência do meu). Não é uma solução web, mas resolve que é uma beleza. Só falta agora eu conseguir organizar minha biblioteca de músicas (não tenho nem idéia de como fazer isso no iTunes!).

Alguma dica?

Organização é a palavra chave das minhas férias. Como você viu, estou tentando arrumar tudo, para dar conta do blog, do podcast e de tudo mais quando as aulas – e os trabalhos – recomeçaram. Peço sua ajuda para isso. Você já viu tudo o que eu fiz e estou fazendo para dar um jeito na minha vida na web. E você, como organiza a sua vida online? Nos comentários, espero as suas dicas e experiências pessoais. Me ajuda?

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Jul7

Live Earth e a necessidade de conscientização


Vivemos um momento de extremo buzz sobre o aquecimento global. Pudera, estamos há tempos em níveis críticos e não tem mais como esperar para mudar o modo como cuidamos do planeta. Como cantou Melissa Etheridge, “I need to wake up”!
Eu, o mundo.

E estamos acordando aos poucos, desde que Al Gore fez seu discurso ser ainda mais ouvido com o lançamento do documentárioUma Verdade Inconveniente”, vencedor do Oscar 2007 da categoria (além de “Melhor Canção”). Ele dá palestras pelo mundo e, além do filme, escreveu um livro homônimo (na verdade, foi o livro que originou o filme) tratando da crise climática e dos destratos com nosso planeta. Ele gritou tão alto que conseguiu estabelecer a busca global por uma era verde, e o mundo só tem a ganhar com isso.

Foi Al Gore o criador e maior entusiasta do Live Earth, evento que está acontecendo durante todo o dia de hoje em oitos países, nos sete continentes. Mais de 100 grandes nomes da música estão nessa maratona musical a favor do planeta, que durará 24 horas. Começou na Austrália e terminará aqui no Brasil – o único país do mundo em que o show será gratuito, e o que tem maior público esperado, 600 mil pessoas.

Entre os artistas pelo globo estão Jack Johnson (em Sydney), Linkin Park (em Tóquio), Shakira e Snoop Dogg (em Hamburgo), Red Hot Chili Peppers, Terra Naomi (famosa graças a web), Snow Patrol, Duran Duran, Keane, Metallica, Foo Fighters, Madonna e Black Eyed Pies (em Londres, que, como você pode perceber, tem o melhor time de todos), Kelly Clarkson, The Police, Alicia Keys, Kanye West, Roger Waters, Bon Jovi e Melissa Etheridge (em Nova York) e Vanessa da Matta, O Rappa, Jorge Ben Jor, Jota Quest, Marcelo D2, Xuxa (!!!), Macy Gray, Pharrell Williams e Lenny Kravitz (no Rio de Janeiro), além de atrações regionais nas demais cidades.

O modo como os shows estão sendo realizados é bem interessante, já que utilizam a mais moderna tecnologia em termos de eficiência energética e preservação da natureza. O objetivo do mega-evento é atingir, através dos meios de comunicação (e aqui entram todas as plataformas de mídia, como rádio, internet - com e sem fio - e televisão), cerca de dois bilhões de pessoas, conscientizando-as.

Podemos assistir via internet pelo MSN, ou aguardar o especial que a Rede Globo exibirá nesse domingo, após o “Sob Nova Direção”. No Brasil, a transmissão 24 horas ao vivo na TV está sendo realizada pelo canal pago Multishow e está indo bem – até porque só retransmite e traduz simultaneamente o que é gerado pelas emissoras dos demais países. Até agora tudo que veio daqui, entrevistas e entradas ao vivo dos repórteres, foram péssimas. Vamos ver daqui a pouco, quando estiverem gerando a transmissão direto da Praia de Ipanema…

O mais interessante da exibição televisiva é que, entre os shows pelo mundo, são exibidos trechos de curtas-metragens e vídeos ecologicamente corretos, alertando para os problemas e mostrando o panorama mundial. Um dos filmes é sobre o Brasil e alerta para a importância do nosso país na luta verde, falando da Amazônia e do desmatamento (ressaltando, entretanto, que milhares de pessoas dependem disso para viver e que morreriam de fome caso acabasse), mostrando imagens quase cinematográficas, que normalmente associaríamos a algum desses países que julgamos mais pobres que o nosso. Mas é daqui, da Amazônia.

A mesma que o cantor Will I.Am, vocalista do Black Eyed Pies, exaltou na apresentação do grupo na Inglaterra. Abraçado a uma bandeira de nosso país, ele disse que quando pensa em preservação da Terra, pensa no Brasil, de onde vem 20% do oxigênio mundial. A câmera londrina focalizou, então, brasileiros na platéia e completou o momento verde e amarelo.

O melhor de tudo do evento é que os artistas, embora até façam apelos e passem mensagens, não estão tentando educar ninguém. Mesmo na exibição da TV são poucos os depoimentos, os discursos. As informações estão sendo passadas de uma forma muito mais eficientes: através de mensagens no rodapé da tela e de curtas-metragens que, por si só, já dão uma aula divertida e emocionante.

Pena que o Multishow resolveu estragar. Agora, com a proximidade do início do show brasileiro, eles começam a cortar a transmissão internacional para exibir flashes com os repórteres do canal dando dicas e realizando entrevistas com celebridades brasileiras. Totalmente desnecessário e inoportuno. Chega a irritar.

Em um desses curtas, foram elencadas cinco maneiras de um cidadão comum fazer uso responsável da energia elétrica. Dicas básicas, como tirar os eletrônicos da tomada, usar lâmpadas fluorescentes e apagar a luz quando ela não for necessária, entre outras. É interessante que aqui no Brasil a gente meio que já segue isso.

Desde o apagão da energia, em 1999, o país adotou alguns desses hábitos para economizar e não ultrapassar os limites estabelecidos por nosso governo. Como ninguém quer gastar dinheiro, isso, felizmente, se mantém até hoje. Pois é, nesse caso, a irresponsabilidade dos governantes e a pobreza da população fizeram o país se adaptar a costumes que, agora, todos descobrem serem os corretos.

Lembro-me da música “Semente do Amanhã”, de 1996, cantada pela Angélica. Eu era criança, tinha lá meus 8 anos, mas já sabia da importância dos pequenos atos para mudar o todo. Não acho, sinceramente, que eu seja exceção. A ignorância, para os que tiveram as mesmas oportunidades que eu na vida, está mais ligada à preguiça do que à dificuldade de acesso.

Para minha geração – ou pelo menos para os de mesmo nível sócio-cultural que eu – todas essas informações sobre o meio ambiente são até velhas, já que estudamos tudo isso na escola e, de uma forma ou de outra, prevíamos que o planeta estaria em risco. Agora vemos a teoria virar realidade e nossas famílias tomarem conhecimento, assustadas, do triste panorama da crise climática. A minha geração deveria ser a primeira a mudar de atitude e partir para um recomeço, para a construção de um modelo de administração sustentável da vida e do planeta. Só precisamos de um empurrão.

Acredito que o Live Earth tem um papel importante nessa luta pela preservação da vida na Terra, já que leva a temática para as famílias e nos faz refletir, plantando sementes em nossa sociedade. Que 07/07/07 fique marcado como o dia em que o mundo mudou sua história.

“Um dia, 150 artistas, 9 cidades, 7 continentes, uma mensagem. Atenda ao chamado.”

SOS
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Jul7

Vídeo: “Mensagem Instantânea” - Usando MSN e Orkut para paquerar no mundo offline


“Mensagem Instantânea” é um curta-metragem bem legal transpondo para o mundo real o modo de expressar sentimentos e conhecer pessoas na rede. Bem divertido, vale seu play!

Direção, Roteiro e Edição: Amilcar Oliveira
Atores: Hermano Moreira, Fernanda Fazzie e Peterson Lopes
Realização: Cinéma Produções

Compare Preços: Filmadora Digital Sony DCR-DVD305, Monitor LG Flatron 17″, Webcam Microsoft NX-6000, TV LCD 32″ com HDTV

Jul5

Dublagem de séries na Fox: Jack Bauer, por favor, não fale português!


A televisão é um dos meios de comunicação mais quadrados que existe, porque é baseada em hábitos – e pouca gente gosta de mudá-los. Por isso projetos de vanguarda não costumam dar certo aqui em nosso país, embora façam sucesso de crítica.

Nesse caso, ir contra o interesse do espectador é justificado, já que há a busca por inovar, criar coisas novas. Em todos os outros, é burrice e tende a estimular a fuga de telespectadores para outros canais – o que acontece, por exemplo, com o SBT, que não mantém uma grade de programação fixa por muito tempo.

Por isso é raro ver qualquer coisa legendada na TV aberta – que, naturalmente, possui quase a totalidade de sua programação falada em português -, recurso normalmente reservado a filmes clássicos, que possuem um público mais qualificado. Ainda assim, é algo bem restrito e raro, até porque não tem uma grande audiência e não é muito bem aceito, já que não está de acordo com os costumes da grande massa de telespectadores.

Panorama inverso é o da TV paga, que é dominada por programação importada e tem um público de maior poder aquisitivo, cultural e educacional. Capitais simbólicos essenciais para a familiarização com línguas e costumes estrangeiros, permitindo que o telespectador – que, conseqüentemente, é bem mais alfabetizado – consiga assistir a programas legendados sem maiores problemas.

Assim acontece em todos os canais fechados de séries, quase na íntegra de sua programação. Mesmo no TNT, que exibe filmes dublados, as séries – as cultuadas “Veronica Mars”, “Battlestar Galactica” e “The Closer” - são legendadas. A exceção é “Six Feet Under” (ou “A sete palmos”) no Warner Channel, mas, aí, a decisão é bem mais contratual do que estratégica: a série é originalmente exibida, legendada, na HBO, que, por não fazer parte dos pacotes básicos das operadoras de TV por assinatura, permitiu a veiculação da série, dublada, na Warner, que não é um canal “extra”.

Só que os canais de filmes dublados, como o próprio TNT e o Telecine Pipoca, costumam dar bastante audiência. Aí, naturalmente, outras emissoras, como a Fox, querem tentar aumentar seu público exibindo filmes em nosso idioma, em faixas dedicadas à família. Nada de errado, certo? Filmes em português em meio a toda a programação em inglês, legendada.

O problema é quando querem misturar as coisas, como a Fox está fazendo agora, dublando suas principais séries. PELO AMOR DE DEUS! Quem quer ver série dublada vai assistir na TV aberta! Por mais que a qualidade das legendas muitas vezes deixe a desejar, a dublagem descaracteriza a série! Eu não consigo assistir à “Gilmore Girls” – uma de minhas séries favoritas - dublada, a versão “Tal Mãe, Tal Filha” fica terrivelmente ruim.

Mas a Fox fez o pior: por anos, exibiu seus seriados legendados e, agora, resolveu dublar – no meio da temporada! A quebra da rotina do telespectador não poderia ter repercutido mais negativamente do que está acontecendo, com todos os portais – mesmo os não-especializados – destacando reclamações, com espectadores organizando abaixo-assinado e manifestações de todos os lados

Sobrou até para o intérprete do maior herói do canal, Jack Bauer, o ator Kiefer Sutherland, que está aqui no Brasil para gravar um comercial. Um fã se hospedou no Copacabana Palace, onde o astro de “24 Horas” está, e deixou uma mensagem na recepção fazendo um apelo para que ele intercedesse junto a Fox! Será que ele poderá deter esses executivos malucos que planejam acabar com o costume dos telespectadores?

O canal, por sua vez, dizia que a medida era experimental e que levaria em conta todos esses manifestos. Agora, a Fox já está com 80% de sua programação dublada, diz que a mudança é definitiva e afirma que está estudando, junto às operadoras, formas de disponibilizar ambos os formatos simultaneamente – como acontece com filmes em pay per view.

Com isso acontecendo, óbvio, ninguém vai reclamar de ter a opção de ver dublado. Mas, enquanto não há essa possibilidade, nada deveria mudar. Com seriados não se mexe: os telespectadores – que, mais uma vez, são mais informados e conseguem amplificar melhor sua voz pela imprensa - acompanham e se envolvem com aquilo de tal forma que fazem esse barulho todo por uma mudança estratégica do canal. Mais do que com as novelas, qualquer mudança nessas ficções semanais causa impacto, já que não tem a enrolação da teledramaturgia diária. Nem a ignorância de achar que o espectador apenas recebe calado a programação da televisão. O telespectador de séries é o que mais gosta de repetição, criando rotinas.

Por essa lógica, claro, também é válido o inverso: o público vai, com o tempo, acabar se acostumando com as dublagens. Só que até isso acontecer, ele pode já ter desenvolvido a prática de pedir o seriado ao Paul Torrent. Aí será muito mais difícil de fazer o telespectador voltar – uma vez que, quem acompanha pela internet tem acesso aos episódios americanos bem antes deles chegarem à televisão brasileira. E é tão fácil adquirir o hábito de ver as coisas antes dos outros…

Se eles querem experimentar, por que não criam um horário alternativo? Passa num horário dublado e em outro legendado. Agrada a todos – ou quase. O que não pode é acabar com o hábito de anos do telespectador que, obviamente, gosta das coisas iguais, em série. Eu é que não quero ouvir um “”Largue a arma, UCT, droga!“.

Exijo respeito! Damn it.

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Jul4

Fiz TV: conheça o canal de TV interativa do Grupo Abril


Fiz.TV: Canal colaborativo estréia em 30 de julhoVocê deve ter lido em algum outro blog que, na sexta-feira, dia 29 de junho, aconteceu em São Paulo o pré-lançamento do Fiz.TV, o novo canal televisivo do Grupo Abril. O evento tinha o objetivo de apresentar a emissora aos blogueiros e permitir que tirássemos nossas dúvidas a respeito dessa nova proposta, ainda um tanto mal compreendida por muitos, que insistem em rotulá-la de Youtube-killer ou bobeira do tipo. Não é o caso, nem de longe. Eu estive nesse encontro – que, aliás, me pareceu por diversas vezes uma mistura de coletiva de imprensa com a sociabilidade da Barcamp -, fiz perguntas ao Marcelo Botta, gerente de conteúdo do Fiz, e prestei bastante atenção em tudo que foi dito. Abaixo você poderá compreender melhor como será esse canal, que estreará no próximo dia 30, e ver as minhas impressões a respeito dessa proposta potencialmente inovadora.

TV + Internet

Essa é a premissa básica do canal: veicular apenas conteúdos produzidos por cidadãos comuns, havendo diálogo entre internet e televisão. O Fiz.TV será um portal de vídeos na web, do tipo Youtube, só que com um propósito: ser o meio para o usuário enviar seu material que, após votação popular, pode ser exibido na televisão.

Além disso, há o blog - lançado durante o encontro -, que mostrará destaques entre os vídeos do sistema, sempre com bom humor. O blogueiro, o estudante de jornalismo Fábio, é o apresentador do canal na internet e aparece em vídeos engraçados no próprio site. Na TV não haverá nenhum apresentador ou VJ, apenas uma narradora. Pode ser que a voz da TV e o apresentador virtual venham a interagir – o que, acredito, pode ser bem divertido se seguir na linha adotada pelas legendas do “[adult swim]“, bloco adulto do Cartoon Network.

Os melhores vídeos, segundo os votos dos internautas, vão para a TV, em blocos temáticos. Na internet eles ficarão disponíveis, sob demanda, como estamos acostumados. O legal é que, conforme a pessoa vai produzindo vídeos que fazem sucesso, ela vai aumentando seu nível de poder – começa como telespectador e vai até Chuck Norris – e pode até chegar a ter um programa próprio no canal.

Essa é outra característica da Fiz.TV: ela é totalmente aberta e nem a equipe sabe o que vem pela frente. Não tem uma forma certa, um projeto a ser seguido à risca. Ela será lançada e, com o tempo, irá mudando. Isso é, em partes, proposital, já que eles querem possuir uma programação totalmente flexível, agradando às vontades dos espectadores-internautas.

Convite para o encontro de blogueiros na Fiz.TV

Público alvo e conteúdo on demand

Está tudo tão aberto que eles não sabem nem em que operadora de TV por assinatura eles estarão. Vão começar na TVA – companhia que pertence ao grupo Abril e à Telefônica e que tem cerca de 300 mil de assinantes -, mas esperam entrar no line-up de outras operadoras em breve. O público-alvo fica evidente com o tipo de visual adotado pelo canal, com arte e vinhetas bem jovens. É nessa parcela dos telespectadores que eles pretendem investir, já que, pelo menos teoricamente, é o público mais aberto a novidades e o que consome e produz esse tipo de conteúdo na internet. Dessa forma, considerando o target e a taxa de alcance familiar de cada aparelho televisor, eles pretendem atingir cerca de 200 mil espectadores no começo do canal.

O problema, ao meu ver, é que as linguagens dos veículos são bem diferentes. O grande atrativo da web é poder ver e indicar qualquer coisa, na hora que você quer. Na TV isso não existe e, por mais flexível que o canal pretenda ser, ele ficará preso à grade de programação - o que, no caso da Fiz.TV, é até um fator até positivo. Explico: eles esperam que o internauta veja o vídeo no site, goste, vote e vá ver na televisão, avisando os amigos. Para isso acontecer, é preciso ter uma grade muito bem elaborada, além de sistemas que avisem ao internauta a que horas determinado conteúdo será exibido na TV. Mais ou menos como MTV Brasil tinha há algum tempo em seu site, em que o usuário se cadastrava e selecionava clipes específicos, podendo receber, por e-mail ou – se não me engano – através de um sofware, avisos de seus horários de exibição no canal. Dessa forma, acredito, pode até funcionar – afinal, seria legal ver um vídeo que você gosta ou que foi produzido por um amigo passando na televisão! – mas é importante que haja o aviso para cada vídeo individual, e não apenas para as faixas temáticas.

Blocos Temáticos

Fiz.Clipe: Música independente na TVOs vídeos serão divididos por temas ou gêneros, criando blocos, que serão os “programas” dessa emissora. É o caso do “Fiz.Anima”, de animações, o “Fiz.Caca”, só com vídeos trash, o “Fiz.Humor”, de vídeos de comédia, o “Fiz.curta”, com curtas-metragens, e o “Fiz.Doc”, com documentários, que podem vir, inclusive, do meio acadêmico. Isso mesmo: Totalmente colaborativa, a Fiz.TV não receberá apenas vídeos de internautas, mas já está realizando parcerias com universidades do país todo, além de festivais. Acho que daqui pode vir coisa bem interessante, dando espaço a produtos legais, mas que eram engavetados assim que o professor desse a nota ou a estatueta fosse para a prateleira. Só não sei se o público do canal – jovens, que consomem vídeos da web e gostam de inovação – apreciará um gênero mais sério como esse. Torço para que sim, pois é uma divulgação tamanha para a produção universitária nacional (que já vinha ganhando espaço com programas como o “Campus”, da TV Cultura).

Divulgação, essa é a palavra-chave para novas bandas, certo? Pois é, aproveitando o fenômeno das bandas divulgadas online, eles também vão exibir a faixa “Fiz.Clipe”, só com produções musicais amadoras, de bandas independentes – eles já buscam, inclusive, parcerias na área. Boa! Isso é o que acontece na web 2.0 (ah, vai, até que eu sobrevivi a muito texto sem usar a expressão mais mala dos últimos tempos) e também acontecerá na TV 2.0 (não, não terá overdose. Foi a última expressão “2.0” desse post!), o usuário poderá escolher seus clipes e bandas favoritas e depois curtir. Não duvido nem um pouco do poder viral da música e do potencial de indicação que a faixa musical possui, podendo atrair audiência e - por que não? -, amplificar a fama e traçar novos caminhos para os ídolos surgidos na web.

Telejornalismo Colaborativo

O jornalismo, claro, também está presente , com o “Fiz.Notícia” que, obviamente, receberá notícias dos internautas. Isso não foi dito na apresentação, mas o Marcelo me explicou como funcionará esse que pode ser o primeiro telejornal colaborativo da história da TV: O usuário manda o vídeo para o site e os editores do canal (sim, eles também selecionarão os vídeos por conta própria) podem utilizá-lo, caso quente e factual, mesmo sem passar pelos procedimentos básicos (como o processo de votação e o ranking, onde só um Chuck Norris colocaria um vídeo com tanta facilidade na televisão). Ou seja, o vídeo vai para a TV mesmo sem ninguém ter votado nele, para que não perca seu valor-notícia. Compromisso com a informação? Mais ou menos, e é isso que me deixa preocupado.

Tal pressa para veiculação é mais ânsia e euforia pelo conceito de notícia ágil e fresquinha do que comprometimento com o jornalismo e suas premissas básicas, como a checagem. Como não passará necessariamente por processo de votação, a notícia precisaria de um jornalista (um profissional do jornalismo) para checá-la. Não terá. Segundo Marcelo, os vídeos serão veiculados e, caso algo muito errado vá ao ar, eles podem “desmentir no dia seguinte, ou até mesmo no dia!”. É pouco, muito pouco. Imagina só a quantidade de besteira que pode