Live Earth e a necessidade de conscientização
Vivemos um momento de extremo buzz sobre o aquecimento global. Pudera, estamos há tempos em níveis críticos e não tem mais como esperar para mudar o modo como cuidamos do planeta. Como cantou Melissa Etheridge, “I need to wake up”!
Eu, o mundo.
E estamos acordando aos poucos, desde que Al Gore fez seu discurso ser ainda mais ouvido com o lançamento do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, vencedor do Oscar 2007 da categoria (além de “Melhor Canção”). Ele dá palestras pelo mundo e, além do filme, escreveu um livro homônimo (na verdade, foi o livro que originou o filme) tratando da crise climática e dos destratos com nosso planeta. Ele gritou tão alto que conseguiu estabelecer a busca global por uma era verde, e o mundo só tem a ganhar com isso.
Foi Al Gore o criador e maior entusiasta do Live Earth, evento que está acontecendo durante todo o dia de hoje em oitos países, nos sete continentes. Mais de 100 grandes nomes da música estão nessa maratona musical a favor do planeta, que durará 24 horas. Começou na Austrália e terminará aqui no Brasil – o único país do mundo em que o show será gratuito, e o que tem maior público esperado, 600 mil pessoas.
Entre os artistas pelo globo estão Jack Johnson (em Sydney), Linkin Park (em Tóquio), Shakira e Snoop Dogg (em Hamburgo), Red Hot Chili Peppers, Terra Naomi (famosa graças a web), Snow Patrol, Duran Duran, Keane, Metallica, Foo Fighters, Madonna e Black Eyed Pies (em Londres, que, como você pode perceber, tem o melhor time de todos), Kelly Clarkson, The Police, Alicia Keys, Kanye West, Roger Waters, Bon Jovi e Melissa Etheridge (em Nova York) e Vanessa da Matta, O Rappa, Jorge Ben Jor, Jota Quest, Marcelo D2, Xuxa (!!!), Macy Gray, Pharrell Williams e Lenny Kravitz (no Rio de Janeiro), além de atrações regionais nas demais cidades.
O modo como os shows estão sendo realizados é bem interessante, já que utilizam a mais moderna tecnologia em termos de eficiência energética e preservação da natureza. O objetivo do mega-evento é atingir, através dos meios de comunicação (e aqui entram todas as plataformas de mídia, como rádio, internet - com e sem fio - e televisão), cerca de dois bilhões de pessoas, conscientizando-as.
Podemos assistir via internet pelo MSN, ou aguardar o especial que a Rede Globo exibirá nesse domingo, após o “Sob Nova Direção”. No Brasil, a transmissão 24 horas ao vivo na TV está sendo realizada pelo canal pago Multishow e está indo bem – até porque só retransmite e traduz simultaneamente o que é gerado pelas emissoras dos demais países. Até agora tudo que veio daqui, entrevistas e entradas ao vivo dos repórteres, foram péssimas. Vamos ver daqui a pouco, quando estiverem gerando a transmissão direto da Praia de Ipanema…
O mais interessante da exibição televisiva é que, entre os shows pelo mundo, são exibidos trechos de curtas-metragens e vídeos ecologicamente corretos, alertando para os problemas e mostrando o panorama mundial. Um dos filmes é sobre o Brasil e alerta para a importância do nosso país na luta verde, falando da Amazônia e do desmatamento (ressaltando, entretanto, que milhares de pessoas dependem disso para viver e que morreriam de fome caso acabasse), mostrando imagens quase cinematográficas, que normalmente associaríamos a algum desses países que julgamos mais pobres que o nosso. Mas é daqui, da Amazônia.
A mesma que o cantor Will I.Am, vocalista do Black Eyed Pies, exaltou na apresentação do grupo na Inglaterra. Abraçado a uma bandeira de nosso país, ele disse que quando pensa em preservação da Terra, pensa no Brasil, de onde vem 20% do oxigênio mundial. A câmera londrina focalizou, então, brasileiros na platéia e completou o momento verde e amarelo.
O melhor de tudo do evento é que os artistas, embora até façam apelos e passem mensagens, não estão tentando educar ninguém. Mesmo na exibição da TV são poucos os depoimentos, os discursos. As informações estão sendo passadas de uma forma muito mais eficientes: através de mensagens no rodapé da tela e de curtas-metragens que, por si só, já dão uma aula divertida e emocionante.
Pena que o Multishow resolveu estragar. Agora, com a proximidade do início do show brasileiro, eles começam a cortar a transmissão internacional para exibir flashes com os repórteres do canal dando dicas e realizando entrevistas com celebridades brasileiras. Totalmente desnecessário e inoportuno. Chega a irritar.
Em um desses curtas, foram elencadas cinco maneiras de um cidadão comum fazer uso responsável da energia elétrica. Dicas básicas, como tirar os eletrônicos da tomada, usar lâmpadas fluorescentes e apagar a luz quando ela não for necessária, entre outras. É interessante que aqui no Brasil a gente meio que já segue isso.
Desde o apagão da energia, em 1999, o país adotou alguns desses hábitos para economizar e não ultrapassar os limites estabelecidos por nosso governo. Como ninguém quer gastar dinheiro, isso, felizmente, se mantém até hoje. Pois é, nesse caso, a irresponsabilidade dos governantes e a pobreza da população fizeram o país se adaptar a costumes que, agora, todos descobrem serem os corretos.
Lembro-me da música “Semente do Amanhã”, de 1996, cantada pela Angélica. Eu era criança, tinha lá meus 8 anos, mas já sabia da importância dos pequenos atos para mudar o todo. Não acho, sinceramente, que eu seja exceção. A ignorância, para os que tiveram as mesmas oportunidades que eu na vida, está mais ligada à preguiça do que à dificuldade de acesso.
Para minha geração – ou pelo menos para os de mesmo nível sócio-cultural que eu – todas essas informações sobre o meio ambiente são até velhas, já que estudamos tudo isso na escola e, de uma forma ou de outra, prevíamos que o planeta estaria em risco. Agora vemos a teoria virar realidade e nossas famílias tomarem conhecimento, assustadas, do triste panorama da crise climática. A minha geração deveria ser a primeira a mudar de atitude e partir para um recomeço, para a construção de um modelo de administração sustentável da vida e do planeta. Só precisamos de um empurrão.
Acredito que o Live Earth tem um papel importante nessa luta pela preservação da vida na Terra, já que leva a temática para as famílias e nos faz refletir, plantando sementes em nossa sociedade. Que 07/07/07 fique marcado como o dia em que o mundo mudou sua história.
“Um dia, 150 artistas, 9 cidades, 7 continentes, uma mensagem. Atenda ao chamado.”
Compare Preços: Jack Johnson, Linkin Park, Shakira, Snoop Dogg, Red Hot Chili Peppers, Snow Patrol, Duran Duran, Keane, Metallica, Foo Fighters, Madonna, Black Eyed Pies, Kelly Clarkson, The Police, Alicia Keys, Kanye West, Roger Waters, Bon Jovi, Melissa Etheridge, Vanessa da Matta, O Rappa, Jorge Ben Jor, Jota Quest, Marcelo D2, Xuxa, Macy Gray, Pharrell Williams, Lenny Kravitz, Livro “Uma Verdade Inconveniente”, DVD “Uma Verdade Inconveniente”
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A reportagem escolhida foi sobre uma descoberta minha: Duas meninas que trabalhavam na limpeza do lugar onde o evento foi realizado foram convidadas pela equipe do Sony para tentarem ser modelos e participar do programa.
Você deve ter lido em algum outro blog que, na sexta-feira, dia 29 de junho, aconteceu em São Paulo o pré-lançamento do Fiz.TV, o novo canal televisivo do Grupo Abril. O evento tinha o objetivo de apresentar a emissora aos blogueiros e permitir que tirássemos nossas dúvidas a respeito dessa nova proposta, ainda um tanto mal compreendida por muitos, que insistem em rotulá-la de Youtube-killer ou bobeira do tipo. Não é o caso, nem de longe. Eu estive nesse encontro – que, aliás, me pareceu por diversas vezes uma mistura de coletiva de imprensa com a sociabilidade da Barcamp -, fiz perguntas ao Marcelo Botta, gerente de conteúdo do Fiz, e prestei bastante atenção em tudo que foi dito. Abaixo você poderá compreender melhor como será esse canal, que estreará no próximo dia 30, e ver as minhas impressões a respeito dessa proposta potencialmente inovadora.
Os vídeos serão divididos por temas ou gêneros, criando blocos, que serão os “programas” dessa emissora. É o caso do “Fiz.Anima”, de animações, o “Fiz.Caca”, só com vídeos trash, o “Fiz.Humor”, de vídeos de comédia, o “Fiz.curta”, com curtas-metragens, e o “Fiz.Doc”, com documentários, que podem vir, inclusive, do meio acadêmico. Isso mesmo: Totalmente colaborativa, a Fiz.TV não receberá apenas vídeos de internautas, mas já está realizando parcerias com universidades do país todo, além de festivais. Acho que daqui pode vir coisa bem interessante, dando espaço a produtos legais, mas que eram engavetados assim que o professor desse a nota ou a estatueta fosse para a prateleira. Só não sei se o público do canal – jovens, que consomem vídeos da web e gostam de inovação – apreciará um gênero mais sério como esse. Torço para que sim, pois é uma divulgação tamanha para a produção universitária nacional (que já vinha ganhando espaço com programas como o “Campus”, da TV Cultura).