“Gaivota – Tema para um conto curto”: a encantadora releitura de um clássico primoroso
No último domingo assisti, no teatro do SESC Pinheiros, à peça “Gaivota – Tema para um conto curto”, uma releitura do clássico de Tchecov. Há cerca de uma hora terminei de ler a tragédia “A Gaivota”, que deu origem ao espetáculo.
Ia escrever sobre isso aqui ainda hoje – já que esse é o último final de semana em que a peça estará em cartaz -, mas ando preocupado em dar um foco ao blog, seguindo uma temática mais ou menos parecida, e teatro não faz totalmente parte dela.
Pois é, quem não escreve, lê. A Folha de S.Paulo foi mais rápida e traz na edição de hoje uma crítica de Sérgio Salvia Coelho sobre a montagem, por ele classificada como “síntese da trajetória da Companhia dos Atores”. “Gaivota”, como ele mesmo lembra, não é interpretada pelo grupo, mas tem suas bases nele. E é imperdível.
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Enrique Diaz dirigiu de forma magistral essa adaptação, que abusa acertadamente da metalinguagem e do experimentalismo para mostrar, através do texto de Tchecov, o processo de criação de uma peça teatral. Por isso que o crítico da Folha compara com o grupo, dizendo que “mostra-se claramente como decorrência do método que Enrique Diaz pesquisa com seus atores há quase 20 anos”.
Não assisti a nenhuma outra peça do grupo – sequer tenho 20 anos de existência! -, mas sai absolutamente maravilhado com o que vi (e lamentando profundamente ter perdido as apresentações de “Melodrama” e “Ensaio.Hamlet” que eles fizeram recentemente). Atuações impecáveis, luz inteligentíssima e soluções cênicas brilhantes dão o tratamento perfeito a ótima adaptação do texto, que mistura perfeitamente humor e drama, desespero e conformismo.
Não é fácil compreender tudo o que acontece no palco. A montagem tem elementos cinematográficos - só que sem o recurso do rewind, que normalmente utilizamos quando não entendemos alguma parte - e se comunica muito bem com a platéia, como bem observou a jornalista Ana Carina Santos na crítica publicada no site Aguarrás, sobre a temporada da peça no Rio de Janeiro.
Falando do fracasso dos personagens – nas artes cênicas, na escrita, nos sonhos, nos amores, na vida - e utilizando a troca de atores para um mesmo personagem, a peça cria uma atmosfera providencialmente confusa, com momentos de graça (eu sou chato por natureza e quase nunca consigo dar risada no teatro, mas nessa eu ri por diversos momentos!), com um deboche inteligente e hilário sobre a relação da sociedade com o teatro e a literatura, e também de extrema perturbação – na cena em que as três atrizes interpretam simultaneamente “a mãe castradora”, que “é a atriz consagrada na podridão das velhas convenções” (como a Folha descreveu), eu fiquei com lágrimas nos olhos e coração acelerado. Muito envolvente, sincero, de verdade.
Talvez por eu ter visto essa montagem antes de ler o original de Tchecov (e também nunca ter assistido a uma versão “sem adaptação” da peça), tive a impressão de que a obra que vi no palco era muito mais interessante do que a lida no livro. Ambas são geniais, mas não esperava nada menos de Anton Tchekhov, um dos maiores dramaturgos da história mundial. Já Henrique Diaz me surpreendeu e fez com que eu me tornasse instantaneamente um admirador do trabalho de sua Companhia. Fantástico.
Recomendo – como você deve ter percebido - a todos que assistam. É maravilhoso.
“Gaivota – Tema para um conto curto”
Hoje e sábado, às 21h, e domingo, às 18h
Teatro do Sesc Pinheiros: Rua Paes Leme, 195
Compare Preços: A Gaivota, DVD, LCD, Plasma, HDTV, Home Theater
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Comentários de leitores
Tá, e cadê o Tchecov nisso tudo?
Sérgio, prazer te ter aqui no blog. Lerei o seu e, claro, sempre que tiver algo interessante, eu indico e linko por aqui!
Raphael, desculpa, mas realmente não entendi sua pergunta (e, infelizmente, não estou conseguindo acessar nenhum blog do Blogspot. Logo, não consegui te fazer uma visita).




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