Segmentação ou limitação: Sobre o que eu posso postar?
Você deve ter notado que eu quase não consigo mais postar aqui no blog. Não é falta de tempo, nem de vontade. É de inspiração mesmo.
Pudera, tenho 800 temas em mente e sempre paro de escrever na primeira linha, desanimado pelo fato de não saber se cabe no OutrOs OlhOs. É a maravilhosa e maldita segmentação.
Antigamente, na época do Blogger.br, quando eu levava o blog a sério, mas não trabalhava tanto nele quanto agora, a Bia Kunze vivia brigando comigo, dizendo que eu deveria ter um foco.
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Se não me engano, no evento da Fiz, conversei com o André Marmota e com o Fugita sobre isso – para você ver como realmente me preocupa. O conselho do meu blogueiro de tecnologia favorito foi: tenha um blog geral e outro com um tema específico. Mas, juro, não quero ter mais de um blog – quero lançar diversas coisas por aqui, mas só aqui.
Eu sei que esse blog já tem quase cinco anos (pois é, mas você descobriu há pouco tempo, não é mesmo?) e que essa crise de identidade deveria ter passado e o foco do blog deveria ter sido encontrado. E até foi.
O Thássius Veloso, dia desses, falou que precisava encontrar uma temática fixa para seu blog. Que queria ter uma linha certa, como o OutrOs OlhOs tinha: “jornalismo e séries, na maioria”. Se ele notou tão claramente, provavelmente essa temática também está forte na cabeça dos demais leitores.
É lógico que as pessoas que entram aqui ou que me conhecem pelo blog ou pelo podcast associam o OutrOs OlhOs e até eu mesmo com jornalismo. É natural.
Pode ser que, agora, os leitores também associem com textos e materiais sobre internet, blogs e jornalismo digital e colaborativo, temas que também estou infinitamente submerso.
Mas não foi sempre assim. Antigamente, quem acessava o blog procurava coisas sobre televisão aberta e comentários de notícias! Os posts eram basicamente nessas duas linhas, não passavam de dois parágrafos curtos e não tinham lá muito critério. A Bia mesmo certa vez disse que o OO estava com a label “Rádio e TV” em seu del.icio.us, e não com a de blogs.
Mas não tem como eu manter uma só linha editorial. Simples: eu comecei o blog com 14 anos, falando da minha vida e com posts sobre o noticiário. Passei por comentários políticos, culturais e me firmei a falar de comunicação. Enquanto isso, entrei na faculdade, comecei a ver tudo com outros “outros olhos” e os temas foram novamente sendo alterados.
Nem pelo lado mercadológico eu tenho uma decisão fácil: Meus posts sobre televisão são os que mais rendem visitas de paraquedistas e, conseqüentemente, maior lucro com o Adsense; mas os sobre blogs e jornalismo sempre repercutem mais, trazendo leitores qualificados, que geram comentários interessantes, que fazem o blog crescer. É óbvio, prefiro a segunda opção.
Agora, danou-se. O OutrOs OlhOs é um blog sobre jornalismo e vida online, mas eu também quero falar de outras coisas… E eu não sei se posso.
Fiz 19 anos nesse fim de semana e não postei nada a respeito, embora quisesse. Também não falei sobre os shows que eu fui, nem sobre as bandas novas que descobri. Eram coisas que certamente seriam interessantes ao leitor, mas eu deixei passar.
Quem lê blog não procura informação pura e limpa, mas sim personalidade. Ninguém acompanha um blog só pelo seu conteúdo, sem ter a mínima simpatia com o autor. Por outro lado, também ninguém lê um assunto que não se identifica.
Acho que o jornalismo passou por isso há muito tempo, e a solução foi estabelecer editorias – os pais dessa segmentação que está em constante expansão. Vou fazer o mesmo.
Estou trabalhando para otimizar as categorias do blog e o uso de tags. Em breve, o OutrOs OlhOs terá algumas páginas de entrada, separadas por editorias-chaves, com feeds próprios, que segmentarão o blog. A homepage e esse feed atual continuarão do jeito que estão, misturando tudo e mostrando tudo o que meus olhos vêem.
Aguarde novidades. São muitas, eu garanto.
Enquanto isso, me conta, o que você gosta de ver por aqui?
Compare Preços: Friends, Gilmore Girls, The OC, Smallville
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Comentários de leitores
Gabriel, Marmota? Quem ser? hehe
Pois é, nem estou bem nessa fase não. O pensamento é de otimização, buscando soluções para o que pode vir a ser um problema.
Abraço!
Gustavo, eu concordo com o Thássius, jornalismo e séries são temas que saltam à vista no seu blog. Assim, para o bem ou para o mal, ele é um blog temático. Entretanto eu acho que isto não o impede de, eventualmente, colocar algum post off-topic, ou de moldar este post de modo a respeitar o tema, como eventialmente a própria Bia faz.
A idéia de “editorias” é interessante, mas tome cuidado com o excesso de feeds, para não ficar algo muito confuso de administrar. Para você e para seus leitores.
Caro Gustavo, eu concordo com o Enio Luiz, que concorda comigo mesmo. Não vá fazer o seu blog perder a característica mais marcante dele: ser um blog.
Não é porque você “tá virando” jornalista, que precisa transformar tudo isso em um jornaleco qualquer ou portal de notícias.
Por enquanto eu fico com a temática variada. O Memórias Fracas é quase um “Superpop” (tomadas as devidas proporções intelectuais), devido à variedade de assuntos que pode ser explorada.
Fica aquele abraço!




Oi, Gabriel! Acho conveniente pensar num foco quando você tem disposição e tempo para mergulhar num assunto específico - é o caso da Bia Kunze, por exemplo. Mas em linas gerais, acho besteira fixar um tema só. Considero um blog como a extensão dos pensamentos do seu autor. Assim, quando me perguntam “qual é meu foco”, digo: “meus pensamentos, sejam eles quais forem”.
De qualquer forma, tenho certeza de que você vai se livrar dessa fase “céus, onde estou e para onde eu vou” logo logo.
Abração!