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Informação sob demanda na rede: Quem lê tanta notícia?
Alguns de meus blogs favoritos sobre jornalismo entraram de férias, sem novas postagens. E eu dei graças a Deus! Eles são ótimos, tão bons que eu começo a acumular estrelas do Google Reader em seus posts, que acabam lá, empoeirados.
Tal qual aqueles artigos de revista que você pensa em ler depois, mas acaba esquecendo e deixando de lado, os posts estrelados vão se acumulando em uma pilha virtual que só serve para te lembrar que você não dá conta de tanta notícia e textos bons. Eu não dou!
O número de blogs que eu assino nem é tão grande assim, mas raramente consigo ler tudo que me interessa. Principalmente esses de jornalismo, que costumam trazer links para análises interessantíssimas, notícias em inglês, pesquisas, discussões de alto nível… Coisas que realmente são importantes para mim, mas que ficam lá, na pilha maldita, aguardando um momento ocioso.
Aí, já era: quando finalmente consigo tempo para lê-los, já tem várias outras coisas interessantes, num ciclo vicioso.
O mesmo acontece com as listas de discussão. Quantas vezes eu já apaguei tudo para tentar começar a acompanhar, sem sucesso? A Radinho já passa de 400 tópicos diferentes não lidos, cada um com várias mensagens… Quem dá conta?
Em um seminário de filosofia do ano passado, onde falei sobre blogs e comunicação online, levantei a questão para debate: Todo mundo quer falar, alguém consegue ouvir?
Esse é o grande problema que os apocalípticos da web apontam: o excesso de informação, nem sempre de qualidade, tira a atenção que deveríamos dar ao que realmente importa.
Não tem solução, esse é um problema necessário e cabe uma solução pessoal. Prefiro poder escolher a TER que consumir algo específico. Basta tomar cuidado para tantas vozes falando alto ao mesmo tempo não acabarem impossibilitando o diálogo da comunicação.
É esse sentimento de excesso, que não é nada positivo, que pode estimular a contra-mão do tal do anarquismo digital, em que escolhemos e consumimos apenas o que queremos.
Acho que essa é a base de projetos como o WeShow e a Fiz.TV: Está tudo organizado, de uma forma que facilita a eliminação do que não for de fato interessante, levando o consumidor uma informação já selecionada. É exatamente isso que pode fazer essas propostas vingarem.
Quem diria que tanta disponibilidade sob demanda faria com que eu sentisse falta da seleção de editores (sendo eles internautas ou não) e até mesmo da grade horária dos canais de TV…
É óbvio que eu acho maravilhoso ter toda essa personalização que temos hoje, mas, de fez em quando, até isso precisa de férias. É mesmo apenas preguiça e falta de habilidade para administrar tanto conteúdo, mas se acontece comigo, que estou habituado com muita informação simultaneamente, imagina para aquele cidadão-padrão que só consegue ter dois temas agendados ao mesmo tempo?
Eis o desafio da era online: organizar as informações e encontrar a melhor forma do usuário se relacionar com ela.
De qualquer forma, quem sabe as férias desses blogueiros já não sejam o suficiente para eu colocar a leitura em dia e poder voltar a gostar de ter tanto conteúdo a disposição… Resolveria o meu caso, não é mesmo?
