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Versão brasileira: “High School Musical” e as adaptações tupiniquins
As inscrições para a seleção da versão nacional do mega-sucesso “High School Musical” estão abertas (clique aqui e vá para o site de “Disney High School Musical - A Seleção”). O telefilme será feito com jovens atores brasileiros, que também vão cantar e dançar músicas que viraram hits mundo afora.
Certamente tudo será traduzido, mas se será ou não adaptado para nossa realidade é uma outra história. E é aí que mora o perigo: será que um “Musical Colegial” viraria moda ou seria um desastre?
Se tomarmos como base as últimas adaptações de dramaturgia internacional (em outros tipos de atração, as versões brasileiras vão geralmente bem), não teremos boas perspectivas – exceção importante a “Floribella”.
As novelas mexicanas adaptadas para o Brasil pelo SBT, como “Amigas e Rivais”, que está no ar, não conseguem dar audiência. Quando se trata de SBT, há dezenas de itens que podem ser responsáveis pelo fracasso, mas um se mostra comum em todas essas produções: Ela não fala diretamente com o público brasileiro.
É o mesmo de “Donas de Casa Desesperadas”, da Rede TV!, a versão nacional de uma das séries de maior sucesso atualmente no mundo, a americana “Desperate Housewives”. Esse programa foi produzido com um grande capricho, a emissora gastou mais por episódio do que a média brasileira e a parceria com a Disney garantiu cenários de altíssima qualidade (em uma cidade cenográfica montada na Argentina, utilizada por diversos países da América Latina). A direção é eficiente, o visual é belíssimo, o texto é praticamente o mesmo do que o original, mas a falta de algo grita: ali não tem o Brasil.
Não dá para uma série dessas, que sofreu pouquíssimas adaptações, parecer brasileira, já que a realidade norte-americana é bem diferente da daqui (por exemplo: as nossas “Donas de Casa” moram em Alphaville, mas, tal qual as americanas, não possuem empregadas domésticas. Isso é normal lá, mas não para a classe-média brasileira). A vinheta, que foi toda recriada e ganhou um sambinha, é uma das coisas mais legais da série, exatamente por ser original do Brasil. O resto parece reencenação e, convenhamos, isso não tem muito propósito. Ter características próprias e legítimas é fundamental.
Será que no “High School Musical” brasileiro, o protagonista será o capitão do time de futebol da escola ou o time continuará sendo de basquete, que não é tão popular em nosso país quanto lá? Qual seria o equivalente brasileiro do nome Troy? Algo como… Toím, apelido de Antônio? Faz sentido um musical em escola brasileira (lembrando que, no original, os protagonistas não são ricos)? Daria, em nosso país, para ter todo o show na quadra de basquete, com cheerleaders, de forma natural?
São muitas coisas que não colam por aqui, porque não fazem parte do modo de vida brasileiro. Não é por isso, entretanto, que o filme está destinado ao fracasso ou a ser ruim. Basta ele ganhar vida própria, como “Floribella” teve.
A novela da Band foi um sucesso memorável, tendo duas temporadas e conquistando uma audiência satisfatória. O maior feito, porém, veio daquilo que é o trunfo de “HSM”: a parte musical, pop o suficiente para conquistar adolescentes, romântica o bastante para arrebatar pré-adolescentes sonhadoras e inocente e fantasiosa na medida certa para agradar também a crianças. Misturado com efeitos visuais de primeira qualidade e um elenco carismático, a novela acabou se fortalecendo e vendendo produtos que nem água – de CDs e DVDs a ringtones e álbuns de figurinhas, passando por bonecas e tênis. Com seu roteiro quase que completamente nacional (partindo apenas da premissa do original argentino), “Floribella” decolou, dando prestígio a seus atores e roteiristas. Estes, não por acaso, assumiram a nova temporada de “Malhação”, na Globo, que está em crise de audiência, e já implementaram uma coisa que deu certo em “Floribella” e no “HSM”: Os atores são mais jovens, interpretado personagens com idades próximas às deles.
Se o nosso “High School Musical” tiver esse mesmo cuidado com as músicas e coreografias e conseguir fugir da cafonice e dramaticidade que tendemos a depositar em temas como primeiro amor e sentimentos da adolescência, tende a fazer sucesso. Tem muito dinheiro envolvido nisso e, como a produção certamente é da Globo, há chances maiores de ter boa qualidade técnica e artística.
O desafio é tornar o filme condizente com nosso país. Os nossos adolescentes (ou pré-adolescentes) não são tão diferentes dos de lá (me parece que os dilemas desse período da vida são universais) e até os gostos são parecidos (musicais e tramas de amor inocente caem fácil no gosto popular de ambos os países), mas a regra da televisão não pode ser quebrada: o telespectador quer se ver na tela e projetar aquela história à sua vida. Se o Troy e a Gabriella daqui conseguirem representar com tons nacionais a idealização do começo da adolescência tão bem quanto os de lá fazem, teremos que nos preparar para não ouvir falar em outra coisa por um bom tempo.
Agora, se fizerem algo do nível que apresentaram no Criança Esperança desse ano (como você vê no constrangedor vídeo acima), colocando figuras do naipe de Felipe Dylon e Perlla como o casal principal, a aversão será tanto que acho melhor se preparar é para mudar logo de país.
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G1 confunde filmes e coloca críticas a “Resident Evil” como se fossem a “Waitress”
Faz tempo que eu não falo isso por aqui, mas eu sou completamente apaixonado pela Keri Russell, protagonista da extinta série “Felicity”.

Ela protagoniza agora a “dramédia” independente “Waitress”, ou “Garçonete”, que foi a sensação do Festival de Sundance nesse ano. O filme foi muito elogiado mesmo e, dizem, trilha o mesmo caminho de “Little Miss Sunshine”. Está fazendo um sucesso absurdo. Até o “Manhattan Connection” falou - e bem - dele.
O The New York Times disse, em crítica traduzida pelo G1:
Em parte uma fábula feminista, em parte um conto de fadas romântico, [o filme] alterna azedo e doce, gracioso e duro, bem semelhante à sua heroína e à Keri Russell, a atriz corajosa, linda e esperta (talvez ainda mais conhecida como Felicity, do respeitado melodrama de televisão de mesmo nome) que a interpreta.
(…)
O romance entre os dois [protagonistas] é um exemplo raro de adultério em filmes (ele também é casado) sem castigos ou desculpas, e funciona porque ambos os atores são extremamente adoráveis.
Assim como tudo mais no filme, desde as tortas e os uniformes das garçonetes até o ritmo rápido e musical da edição.
“Ritmo rápido e musical da edição”, você leu? Pois é. Por isso estranhei quando o G1 trouxe, na página dos lançamentos da semana, a crítica da Variety: “Não atinge a velocidade que deveria”.
Ei, dá para os críticos se decidirem?
Não, não dá. Porque foi o G1 que errou.
As críticas que eles destacam são:
O que já se falou:
G1 “O tempero fica por conta de pitadas de humor”
Wall Street Journal “Próximo da perfeição”
Variety “Não atinge a velocidade que deveria”
Hollywood Reporter “A heroína continua tendo impacto”
Clique nos dois últimos links. Você irá para críticas de… “Resident Evil”!
E não é só link trocado não! O texto da Variety sobre “Resident Evil” diz que “Unfortunately, the new pic never really achieves maximum velocity as a full-throttle action-adventure opus (…)”, algo que, resumido, seria parecido com o “Não atinge a velocidade que deveria”.
Já a crítica do Hollywood Reporter, também sobre o filme de ação, diz: “The actress (…) remains a striking action heroine”. Algo que também pode ser resumido como “A heroína continua tendo impacto”.
É mole???
As críticas da Variety e do Hollyood Reporter a “Waitress” são bem diferentes dessas destacadas. Eles realmente erraram os filmes, devem ter usado como modelo e deixado lá!
Pior que isso, só o fato da película estrear hoje apenas no Rio, onde já foi exibido no Festival. Estou há meses fazendo campanha e querendo assistir a “Waitress”, mas não vou poder ver, já que em nenhum lugar fala de exibição em São Paulo. Não queria baixar. Queria ver na tela grande.
Amigos da Fox, qual é? Tragam “Garçonete” para Sampa, vai? Eu garanto pelo menos umas 15 pessoas, que eu já convenci que o filme é imperdível! Cine Bombril, Reserva Cultural, Bristol, Gemini, HSBC Belas Artes, Unibanco Arteplex… Vão esperar o filme ser indicado ao Oscar - e são grandes as possibilidades! - para passá-lo?
Realmente não entendo. Só sei que quero tanto, tanto ver. Hunf.
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Porque sou blogueiro E jornalista!
“Blogueiro e jornalista, apanhando dos dois lados”
Sempre digo que essa frase é o meu slogan, o que me define melhor. E a culpa é toda minha: gosto tanto de blogs e jornalismo, que acabo fazendo por merecer apanhar de ambos os grupos.
É que, de um lado, vejo blogueiros que se acham superiores a jornalistas e riem da mídia tradicional como se ela fosse coisa do passado. De outro, vejo jornalistas que se acham superiores aos blogueiros e riem dos blogs como se eles fossem um nível rebaixado de se fazer comunicação.
Claro, ambos estão errados - e, pior, apesar de não enxergarem, compartilham a mesma canoa furada. São duas formas de informar que, juntas, se fortalecem.
Eu adoro andar com camisetas que tenham a palavra “blog” pela minha faculdade, mas meu blog é quase que exclusivamente sobre jornalismo.
Quando estou com blogueiros e falamos de jornalismo, eu me irrito e defendo o jornalismo. Quando estou com jornalistas e estudantes de jornalismo falando de blogs, fico igualmente irritado e - adivinha? - defendo os blogs.
Pode ser que o problema seja eu, que gosto mesmo de ser do contra, mas algo me diz que a coisa vai além. A divisão e oposição me parecem absolutamente burras.
Na última quinta-feira, no debate “Internet e Blogs: A Maior Conversação da História”, com três jornalistas/blogueiros - Marcelo Tas, Alexandre Inagaki e Pedro Dória - isso ficou bem claro.
O Tas e o Inagaki, que têm o “título” de blogueiro antes do de jornalista (no caso do Tas, eles se misturam ainda mais), não costumam cair na besteira da dualidade. Eles conhecem ambas as esferas e compreendem suas ligações.
Já o Dória, que é JORNALISTA e tem um blog - perceba a diferença disso para “blogueiro” -, parece confundir tudo e não ter uma visão muito clara dos mecanismos colaborativos da internet.
Em outros eventos, saí com uma péssima impressão dele - e sei que não fui o único. Não vejo propriedade alguma para ele discursar sobre blogs, e tenho dúvidas até se ele tem essa autoridade para falar de jornalismo (não tenho elementos o suficiente para esboçar qualquer certeza).
Obviamente, não é porque ele trabalha no Estadão. Nem porque ele vem da mídia impressa, que eu ainda gosto muito. E muito menos por inveja ou qualquer bobeira do tipo.
É simplesmente porque o discurso dele normalmente é raso e um tanto quanto retrógrado, sem atentar ao que verdadeiramente acontece. E não dou credibilidade ao que diz um jornalista que não enxerga a realidade, o que já é fato.
Mas vejo no Dória um problema que eu também enfrento: essa tal crise existencial entre as novas mídias colarativas e as antigas, feitas por jornalistas de terno e gravata. O meio em que a pessoa vive acaba interferindo em suas opiniões – a minha mudou muito desde que entrei na faculdade e, por sua vez, é bem distinta da dos meus colegas que nunca tiveram blogs.
O Dória, nesse último evento, que foi muito mais intimista, estava muito mais blogueiro do que nos outros, em que ele era o Pedro Dória do Estadão. E o discurso também estava muito melhor, sem o gesso e as amarras daquele que defende o jornalismo tradicional que, para não morrer, briga com o futuro, ao invés de se adaptar a ele. Imagina, ele afirmou: “Leio no jornal o que li ontem nos blogs”. Deu até gosto.
Eu amo o jornalismo e acredito absurdamente nele, mas entendo uma evolução natural das coisas.
Não é oposição ou substituição – seja de jornal por blogs ou de profissionais por amadores – é combinação e re-alocação. Vemos a notícia em sua forma instantânea nos blogs mais próximos a ela, comparamos diversas fontes e visões a respeito do assunto e, no dia seguinte ou depois, num site noticioso, temos a informação mais apurada, aprofundada e lapidada.
Os blogs podem sim fazer jornalismo de qualidade, se sujarem o sapato, se olharem para o lugar onde vivem, se passarem a apurar. Isso foi falado lá no evento, exatamente como eu penso e repito há muito tempo.
Sendo blogueiro e jornalista pode-se combinar o melhor dos dois mundos: habilidade para lidar com as informações vindas dos leitores, a pessoalidade da narrativa e o uso eficiente de técnicas para apurar e chegar mais perto da verdade.
Já dá para fazer isso, tanto em blogs quanto em outras mídias – e eu to tentando. Mas é preciso ter boa vontade e uma paciência absurdamente grande, porque ainda há resistência e preconceito com relação ao que ainda parece ser uma novidade (novidades sempre amedrontam…).
Está diminuindo e tende a mudar, mas, enquanto isso - fazer o quê?! - vamos apanhando dos dois lados.
Depois, acredito e espero (até porque apanhar é bem ruim e irrita bastante, além de dar um trabalho danado), valerá a pena.
É assim que o jornalismo se renovará e ficará ainda melhor. Não adianta querer parar o que já é realidade.
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Blogueiros e jornalistas discutem hoje, em São Paulo
Ignore a manchete sensacionalista. Acrescente as palavras internet, blog e debate. Junte Pedro Dória, Marcelo Tas e Alexandre Inagaki. Depois, coloque Digestivo Cultural e uma pitada de “A Maior Conversação da História”.
Pode servir.
O debate “Internet e Blogs: A Maior Conversação da História” acontece hoje, em São Paulo, às 20h, na Casa Mário de Andrade, no Pacaembu.
Promovido pelo ótimo Digestivo Cultural e mediado por seu editor, Julio Daio Borges, essa discussão é a primeira da série A Palavra na Tela: Jornalismo, Literatura e Crítica Depois da Internet, que ainda terá outros debates nas próximas semanas com nomes que eu gosto muito, como o Alexandre Matias e a querida Ana Brambilla.
No de hoje, estarão o Pedro Dória, jornalista e blogueiro que não entende muito dessa coisa de interatividade e conversação - que refere-se a blogueiros como “eles” e que, aliás, disse, no MediaOn, algo como “o raio do leitor fica respondendo a toda hora e às vezes é mal-educado” (Sim, ELE vai falar de conversação!) -, mas que tem grife e sempre é convidado para esses eventos; o Marcelo Tas, que eu gosto e muitos torcem o nariz, mas que também é uma puta grife e, bem ou mal, é um dos principais nomes da blogosfera e do jornalismo online; e o Alexandre Inagaki, que não precisa de comentários (ou alguém duvida da autoridade dele para discutir blogs?).
Eu estarei lá, com outros blogueiros amigos. Tá afim de ir?
Pois bem: Hoje, na Casa Mario de Andrade (Rua Lopes Chaves, nº 546 – Pacaembu, SP) a partir das 20h. São apenas 25 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 3666-5803 ou pelo e-mail do lugar.
Espero que seja bom!
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Free Burma!
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Participe do novo Podcast:
Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:
O caminho da comunicação passa pelos blogs?
Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.
As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!


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