Porque sou blogueiro E jornalista!


“Blogueiro e jornalista, apanhando dos dois lados”

Sempre digo que essa frase é o meu slogan, o que me define melhor. E a culpa é toda minha: gosto tanto de blogs e jornalismo, que acabo fazendo por merecer apanhar de ambos os grupos.

É que, de um lado, vejo blogueiros que se acham superiores a jornalistas e riem da mídia tradicional como se ela fosse coisa do passado. De outro, vejo jornalistas que se acham superiores aos blogueiros e riem dos blogs como se eles fossem um nível rebaixado de se fazer comunicação.

Claro, ambos estão errados - e, pior, apesar de não enxergarem, compartilham a mesma canoa furada. São duas formas de informar que, juntas, se fortalecem.

Eu adoro andar com camisetas que tenham a palavra “blog” pela minha faculdade, mas meu blog é quase que exclusivamente sobre jornalismo.

Quando estou com blogueiros e falamos de jornalismo, eu me irrito e defendo o jornalismo. Quando estou com jornalistas e estudantes de jornalismo falando de blogs, fico igualmente irritado e - adivinha? - defendo os blogs.

Pode ser que o problema seja eu, que gosto mesmo de ser do contra, mas algo me diz que a coisa vai além. A divisão e oposição me parecem absolutamente burras.

Na última quinta-feira, no debate “Internet e Blogs: A Maior Conversação da História”, com três jornalistas/blogueiros - Marcelo Tas, Alexandre Inagaki e Pedro Dória - isso ficou bem claro.

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O Tas e o Inagaki, que têm o “título” de blogueiro antes do de jornalista (no caso do Tas, eles se misturam ainda mais), não costumam cair na besteira da dualidade. Eles conhecem ambas as esferas e compreendem suas ligações.

Já o Dória, que é JORNALISTA e tem um blog - perceba a diferença disso para “blogueiro” -, parece confundir tudo e não ter uma visão muito clara dos mecanismos colaborativos da internet.

Em outros eventos, saí com uma péssima impressão dele - e sei que não fui o único. Não vejo propriedade alguma para ele discursar sobre blogs, e tenho dúvidas até se ele tem essa autoridade para falar de jornalismo (não tenho elementos o suficiente para esboçar qualquer certeza).

Obviamente, não é porque ele trabalha no Estadão. Nem porque ele vem da mídia impressa, que eu ainda gosto muito. E muito menos por inveja ou qualquer bobeira do tipo.

É simplesmente porque o discurso dele normalmente é raso e um tanto quanto retrógrado, sem atentar ao que verdadeiramente acontece. E não dou credibilidade ao que diz um jornalista que não enxerga a realidade, o que já é fato.

Mas vejo no Dória um problema que eu também enfrento: essa tal crise existencial entre as novas mídias colarativas e as antigas, feitas por jornalistas de terno e gravata. O meio em que a pessoa vive acaba interferindo em suas opiniões – a minha mudou muito desde que entrei na faculdade e, por sua vez, é bem distinta da dos meus colegas que nunca tiveram blogs.

O Dória, nesse último evento, que foi muito mais intimista, estava muito mais blogueiro do que nos outros, em que ele era o Pedro Dória do Estadão. E o discurso também estava muito melhor, sem o gesso e as amarras daquele que defende o jornalismo tradicional que, para não morrer, briga com o futuro, ao invés de se adaptar a ele. Imagina, ele afirmou: “Leio no jornal o que li ontem nos blogs”. Deu até gosto.

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Eu amo o jornalismo e acredito absurdamente nele, mas entendo uma evolução natural das coisas.

Não é oposição ou substituição – seja de jornal por blogs ou de profissionais por amadores – é combinação e re-alocação. Vemos a notícia em sua forma instantânea nos blogs mais próximos a ela, comparamos diversas fontes e visões a respeito do assunto e, no dia seguinte ou depois, num site noticioso, temos a informação mais apurada, aprofundada e lapidada.

Os blogs podem sim fazer jornalismo de qualidade, se sujarem o sapato, se olharem para o lugar onde vivem, se passarem a apurar. Isso foi falado lá no evento, exatamente como eu penso e repito há muito tempo.

Sendo blogueiro e jornalista pode-se combinar o melhor dos dois mundos: habilidade para lidar com as informações vindas dos leitores, a pessoalidade da narrativa e o uso eficiente de técnicas para apurar e chegar mais perto da verdade.

Já dá para fazer isso, tanto em blogs quanto em outras mídias – e eu to tentando. Mas é preciso ter boa vontade e uma paciência absurdamente grande, porque ainda há resistência e preconceito com relação ao que ainda parece ser uma novidade (novidades sempre amedrontam…).

Está diminuindo e tende a mudar, mas, enquanto isso - fazer o quê?! - vamos apanhando dos dois lados.

Depois, acredito e espero (até porque apanhar é bem ruim e irrita bastante, além de dar um trabalho danado), valerá a pena.

É assim que o jornalismo se renovará e ficará ainda melhor. Não adianta querer parar o que já é realidade.

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Comentários de leitores

na verdade esse termo blogueiro se vc for pensar bem é bem imbecil. uso mais e-mail do q blog e ninguém me chama de e-mailzeira por isso!! *rss

Como lhe disse outro dia, acho que você tem o potencial para aproveitar o melhor dos dos mundos. E também acrewdito que as duas mídias podem, sim, colaborar entre si. E todos ganhariam.
A propósito, veja este link, sobre o futuro dos jornais. Tem a ver com o que conversávamos, e com este seu post.

Flávia, o Tiago Dória falou indiretamente sobre isso em um post.

Diz ele:

“Diferente do “ser jornalista”, que, atualmente, vem sendo definido muito mais por uma prática - coletar, pesquisar e apresentar informações - do que por possuir um diploma ou pelo uso de uma determinada ferramenta, o “ser blogueiro” ainda tem sido determinado muito mais pelo uso específico de uma ferramenta de publicação de conteúdo.”

Sendo assim, você está certa.

Mas eu, quando me refiro a blogueiro, não penso apenas naquele que utiliza a ferramenta (tentei mostrar isso no post: “O Dória, que é JORNALISTA e tem um blog - perceba a diferença disso para ‘blogueiro’”), mas na prática desse modo diferente de se fazer comunicação, que não é necessariamente jornalismo.

Beijos.

Enio, obrigado pela força! Tomara que não demore muito para os dois meios começarem a convergir.
E vou ler texto do link, valeu pela dica!

Ah, post sério, concordável e tal. Tá, interessante, ok.

Só porque eu já estava pronta pra escrever “um jóinha para as camisetas de blog, e não de Borat”.

Nem brinco mais.

Oi gustavo, muito legal suas constatações sobre o evento. Também não conheço Dória, mas percebo que ele tem sim uma certa razão naquilo que ele defende - apesar de considerá-lo extremista no fato dele deixar claro que encara o blog como MAIS uma ferramenta de informação para jornalista - mas há uma vertente interessante na loucura dele: a força da blogosfera está na turma de blogs que escrevem e poderão ler sobre os mesmos interesses. O interesse dele é esse - talvez por isso soa tão extremista. Mas quem é jornalista e vê o mundo além do jornalismo e já faz blog nem sempre é leitor de blogs que tem o mesmo interesse…quando isso acontecer, acho que muda muito toda esta percepção…

Não sou jornalista, mas nem por isso não posso ter um blog.
Aproveito e convido os leitores a conhece-lo:

[Endereço removido pelo blogueiro]