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Amor concreto – uma pausa para falar de sentimentos e desejar um feliz fim de ano
Nunca tive um grande amor. Até hoje, só amei – de forma grandiosa, é claro - minha família, meus amigos e as coisas que tive. Apesar disso, sou romântico, daquele tipo que torce para que casais que passam na rua sejam felizes para sempre; que vê filmes e séries de mulherzinha e fica totalmente envolvido; que quer muito encontrar uma mulher perfeita, que faça mandar todo esse papo de amor líquido, sólido ou gasoso para os ares. Amor, naturalmente, é para ser sentido, não teorizado ou até mesmo oficializado. E é por isso que eu acho o casamento tão importante.
Recentemente fui padrinho de casamento pela primeira vez. Traje de gala, entrada coreografada na igreja, presente caro e tudo mais. Até então, eu encarava esse tipo de cerimônia como tradição – a tal instituição imposta pela Igreja Católica que já estava quase falida -, mas foi no altar que tudo passou a fazer sentido.
O casamento é, de fato, a maior celebração do amor que existe – sendo numa igreja ou na praia, de forma tradicional ou não. É o cruzamento perfeito entre todos nossos amores, quando familiares e amigos são reunidos e acabam emocionados simplesmente pelo sentimento de duas pessoas que, naquele momento, se mostra mais forte do que tudo. E é de verdade: os olhos não mentem.
Você já viu os olhos apaixonados dos noivos no altar? É a troca de olhar entre o casal que perpetua as coisas. Se ele for mantido e relembrado todos os dias, é impossível a união não dar certo. Não sei descrever, mas não deve existir algo mais puro do que aquilo, mais sublime do que o sentimento que o originou.
Na nossa vida tudo é tão rápido, tão moderno, que essas coisas tradicionais ficam de lado. Se tem algo que cada dia mais eu me convenço é de que, por mais que queiramos revolucionar tudo, as coisas podem ser como são porque funcionam, e não apenas por inércia de mudar. Nós amamos, e isso é tão bom…
Eu, que não me surpreendo com quase nada nesse mundão, me peguei fascinado por algo tão básico como o amor. E olha que nem estou amando, mas a perspectiva de sermos – nós, os humanos - capazes de sentir algo e não tentarmos esconder, de termos um bom sentimento incontrolável que nos faz mudar os rumos de nossas vidas e de nos orgulharmos de algo completamente passional, me parece reconfortante e esperançosa.
Amor, de qualquer tipo, tamanho ou textura. É o que eu desejo nesse fim de ano a você, a mim e a todos que gosto. Que concentremos nossas energias nesse sentimento e que, com ele, consigamos ter, juntos, toda a felicidade que merecemos.
Ian e Marina, sejam ainda mais felizes juntos após essa mágica troca de olhares e sentimentos!
PS: Sim, esse post não se parece com nada que eu posto aqui. Mas estamos entre o Natal e o Ano Novo e achei que mudar de assunto cairia bem. Caiu?
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Blogs são como amizades
Na Blogcamp Paraná, que aconteceu em Curitiba no último sábado, e, principalmente, no Café.com Blogs, que foi realizado na terça-feira passada em São Paulo, pude ver como pessoas com formações diferentes enxergam os blogs, podcasts e mídias colaborativas em geral de maneiras completamente diferentes. E é surpreendente como o que é claro para mim, ou para você, parece complicado para essas pessoas – e isso não é demérito, é falta de familiaridade mesmo - o que ficou bastante claro no Café.com Blogs que tem mesmo o nobre objetivo de misturar blogueiros com quem não é desse mundo (mas do mundo dos negócios!) e consegue cumprir bem seu papel, gerando um debate de idéias que leva ao esclarecimento. O funcionamento dos blogs é um desses assuntos que ainda despertam muitas dúvidas e que carecem de maior definição. Vou tentar dar a minha.
A Rosana Hermann já disse que blogs são como padarias (precisam sempre de pão/post fresquinho), praças (áreas públicas de convivência, que precisam de manutenção do zelador/autor para que funcionem corretamente) e pergaminhos (que se desenrolam de cima para baixo). Concordo plenamente, mas, para mim, acima de tudo, blogs são como amizades.
É que a dinâmica dos dois é bastante parecida. Em determinado momento, o blog cruza a vida do internauta e, nessa hora, pode acontecer ou não a empatia. Se sim, ele vira leitor e possivelmente assina o RSS ou favorita. Se não, ele continua navegando e, eventualmente , pode voltar a te visitar – e desse modo, pode vir a gostar cada vez mais do blog. Assim como os amigos.
Criada uma relação – ainda que superficial - entre o internauta e o blog, a manutenção não é simples. São muitos os blogs que cruzam nosso caminho e que, aparentemente, nos identificamos. Mas, com o tempo, vamos vendo se são ou não como a gente, se nos agradam de verdade ou se foi apenas uma equivocada primeira impressão. Ninguém confia em alguém assim que conhece, é preciso tempo e desenvolvimento de histórias para que uma pessoa se identifique com outra e construa uma amizade. Com blogs, também é assim que se adquire credibilidade: a cada post vamos sabendo se gostamos ou não dos assuntos tratados, das formas como o blogueiro se posiciona com relação às coisas, se o que ele escreve é lógico e condiz com nossos pensamentos. Se tudo isso acontece de maneira positiva, após certo tempo, passamos a confiar e a gostar cada vez mais.
Por trás dos blogs estão pessoas e todo leitor se relaciona com elas, mesmo que indiretamente. Se essa “amizade” é conquistada, ela tem que continuar a ser cultivada. Mas como dar atenção a todos os blogs que continuam a cruzar nossos caminhos? Bom, é impossível ser amigo de todo mundo e também não dá para estar com todos os amigos o tempo todo, mas a gente sempre consegue ligar, mandar um e-mail ou um cartão de Natal que seja – e nem por isso a amizade é abalada. Não dá mesmo para ler tudo, nem precisamos; às vezes, uma visitinha rápida é suficiente para pôr os assuntos em dia, um simples comentário de um post lido aleatoriamente pode gerar uma conversa bastante proveitosa sem tomar tanto tempo. A gente sempre arranja tempo para os verdadeiros amigos, não importa como ou com que freqüência, mas sempre damos um jeito. Ou não?
Do lado dos blogueiros, a amizade também é verdadeira – ainda que com uma mística entidade chamada “meus leitores”, que, claro, pode eventualmente se personificar. O consultor Marcos Aranha atentou para um importante aspecto durante sua palestra no Café.com Blog. Para ele, a profissionalização dos blogs é um paradoxo, já que esse formato de site pessoal surgiu exatamente para ser um local livre, fugindo das obrigações profissionais e, de certo modo, também das pessoais: o bom dos blogs é que seu dono entende e gosta muito de um assunto e sente prazer em escrever a respeito dele . Concordo: Fazer blog apenas por obrigação não é lá muito possível, nem ser amigo. Fica notavelmente falso e, após certo tempo, deixa de fazer qualquer sentido, para todas as partes. Aí, claro, fim de blog e de amizade.
Até mesmo com a publicidade a lógica da amizade funciona. Quando falamos de qualquer produto no blog, nossos leitores encaram como um conselho. Desse modo, o impacto que um post patrocinado tem nesse público é bem grande, afinal, você dá muito mais ouvidos ao que seus amigos dizem do que àquilo que um comercial diz, não é verdade? Agora, se seu amigo está vendendo o produto comentado – o que seria o caso – é natural ficar com um certo pé atrás, mas dá para resolver esse problema: Você sabe quando aquela sua colega de trabalho que é revendedora da Avon está querendo te passar um produto e quando ela está sendo sincera, já que, no primeiro caso, ela viria te oferecer e, no segundo, ela te apresentaria algo que ela usa, comentando sinceramente. A qualquer momento, você pode questionar o que ela está dizendo. Com blogs também: Para não trair a amizade, é só ser honesto, dizer realmente o que pensa, responder sinceramente aos comentários e, importantíssimo, contar que está sendo pago para escrever daquilo. Assim, ninguém é enganado e, ainda que haja um desconforto inicial, logo passa e tudo volta ao normal. Afinal, amigo é amigo.
A relação entre o blog e seu leitor é valiosíssima e uma das melhores formas de se conhecer um novo amigo é através de outro. A indicação dos usuários a seus amigos é fundamental para o desenvolvimento de todo esse sistema, já que, na rede, todo leitor também pode ser emissor – possivelmente com um blog mesmo. Com diálogo entre blogs distintos e também entre um blog e sua audiência, o círculo social vai se expandindo e ganhando proporções cada vez maiores.
Assim, os blogs vão ficando melhores e acabam agregando mais e mais amigos leitores ao decorrer do tempo, tal qual acontece com toda mídia – só que de forma humana.
Pelo que vejo, os blogs de maior sucesso são exatamente aqueles feitos por pessoas que escrevem do ponto de vista humano, não tentando copiar nenhum outro tipo de discurso. Nada mais justo: o melhor de toda amizade é a conversa descontraída, sem grandes artifícios, em que há uma grande identificação, não é? E pode perguntar a qualquer um que tenha blog há um bom tempo que a resposta será sempre a mesma: o que de melhor esses blogs trouxeram foram nos novos amigos. No sentido real.
Aí está o mais legal da Blogcamp, blogueiros, leitores e pessoas com interesses parecidos se juntam e discutem temas que verdadeiramente gostam. Com a proliferação desse tipo de evento, a amizade vai deixando de ser metáfora e vira realidade: nessa em Curitiba, além do alto nível dos debates, as pessoas estavam muito mais unidas, conversando e se divertindo como amigos.
Blogs são vivos e feitos por pessoas, que, no fundo, sempre buscam amizades.
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- Categorias: Mundo Blog, Mídia
Participe do novo Podcast:
Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:
O caminho da comunicação passa pelos blogs?
Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.
As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!

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