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Jan30

Mercado Blogueiro: Ian Black deixa a Riot


O blogueiro Ian Black, do Enloucrescendo, está se despedindo da agência de marketing viral e estratégias em redes sociais Riot, onde trabalhava desde abril de 2007. Como gerente de conteúdo, Ian foi um dos maiores responsáveis pelo desenvolvimento comercial da blogosfera no ano passado – um trabalho iniciado, dentro da Riot, por Alexandre Inagaki e continuado por ele.

Depois do carnaval, Ian passa a representar a agência Live Ad – dona da Blog Hunters, de projetos como o BloggersCut -, que ganha força na capital paulista. “Serei responsável pela parte de relacionamento em mídias sociais e participarei ativamente do processo de criação, ajudando a moldar as campanhas publicitárias para que funcionem nesses meios”, conta.

Ele explica o motivo da saída: “A Riot já é a maior referência em mídias sociais no Brasil. Pergunte a qualquer blogueiro algo sobre publicidade e todos lembrarão da agência em primeiro lugar. A Live é um novo desafio, não só para fazê-la crescer, mas para explorar novas formas de trabalho. Ela tem um perfil mais experimental na elaboração das campanhas e no relacionamento com os blogueiros, e isso vai ao encontro do que busco profissionalmente.”

Segundo ele, não há um substituto definido para seu cargo. “É natural que seja o Luiz [Jerônimo, do Tarja Preta], que me auxiliou todo esse tempo, e ainda há a Mirian [Bottan, do Substantivolátil] e o Rodrigo [Cunha, do Geração Internet, recém-contratado pela agência] para juntos fazerem a área mais forte e referência no relacionamento com blogueiros”.

Dizem que o ano só começa depois do carnaval. Em 2008, isso não se confirma. A mudança de emprego do Ian é o primeiro movimento do mercado blogueiro nesse ano. São vários os projetos em execução visando a profissionalização dos blogs e das mídias sociais. 2008 é o ano do amadurecimento comercial e editorial da blogosfera e pessoas como o Ian têm um papel crucial na definição dos caminhos que tomaremos.

Sou amigo do Ian – bem como de todos os blogueiros citados por ele – e estou bem contente com sua mudança, que é a prova do reconhecimento do mercado por sua importância – já manifestada, há algum tempo, pelos convites para palestras sobre o uso corporativo de blogs e pela reportagem de hoje do caderno “Empresas & Negócios” do jornal Gazeta Mercantil sobre blogs de empresas.

O Luiz, a Mirian e o Rodrigo têm um potencial imenso para fazer a Riot alçar vôos ainda mais altos e o papel deles lá dentro certamente será ainda mais importante daqui para frente. Além disso, é ótimo ter outra agência se desenvolvendo. O Ian é bastante competente e, com certeza, fará a Live crescer bastante. Melhor para nós, blogueiros.

Até porque, veja só, ele tem um objetivo claro: “Fazer os blogueiros ganharem dinheiro para me pagarem jantar no Figueira Rubayat”.

Tomara que dê certo.

Boa sorte no novo desafio, Ian! Faça muito sucesso na Riot, Rodrigo! Continuem assim, Luiz e Mirian, e detonem nesse 2008 que está apenas começando!

***

Mercado Blogueiro. Essa é uma das novas colunas do OutrOs OlhOs, com o que acontece de relevante na blogosfera brasileira, em primeira mão. No ar sempre que houver o que publicar! :P

Tem alguma novidade? Me conta: blog[arroba]outrosolhos.com.br

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Jan27

Leidiane Santos, a funkeira nua do Orkut, e a falta que a Lindsay Lohan faz


A notícia mais lida da Globo.com nesse momento é “Jovem que ficou nua em baile diz que ‘Orkut bombou’”. A segunda, “Jovem diz que ficou nua em baile funk por dívida”.

A história pouco importa – a moça, chamada Leidiane Santos, estava em um baile funk em Vitória, bebeu demais, recebeu (segundo ela) a proposta do MC para que tirasse a roupa no palco em troca de R$600,00, acabou fazendo e, nos dias seguintes, viu fotos suas espalhadas por jornais regionais e um vídeo da cena no Youtube, além de não receber um centavo sequer e ser indiciada por ato obsceno -, mas o destaque que o caso está ganhando é emblemático.

Leidiane é completamente anônima, dançou pelada em Vitória, no Espírito Santo, num baile funk que aconteceu no dia 12 de janeiro – e ainda hoje vira notícia, que acaba sendo a mais lida de um dos maiores portais do país. Natural?

Acho que sim. Não tenho conhecimento suficiente para falar do interesse humano pelo bizarro, pelo trash, mas é impossível não saber ou perceber que essas coisas vendem.

Por alguma razão, nós gostamos desse tipo nada edificante de notícia e, claro, a mídia – seja ela qual for, incluindo blogs – alimenta a demanda por conteúdos popularescos. A coisa funciona assim há muito tempo e, obviamente, não é só no Brasil.

Britney Spears, Paris Hilton e Lindsay Lohan são vítimas e produtos, em escala global, desse interesse. Todo o mundo se interessa pelas mancadas das problemáticas garotas de Hollywood e, como numa novela bizarra, torce contra ou a favor de suas recuperações –movimentando muito dinheiro em uma indústria alimentada apenas por seus vexames.

Custava os famosos brasileiros fazerem mais besteiras?No Brasil, não temos celebridades tão problemáticas assim. Uma ou outra gostosa aparece sem calcinha de vez em quando; algum ex-big brother que ninguém mais se lembra se envolve em alguma confusão; uma ligação entre algum famoso e um traficante de drogas aparece. Mas só, tudo muito modorrento. Não temos ninguém para esperar a próxima m*rda, para comentarmos que vimos a última mancada no TV Fama, para inspirar debates no Superpop ou em algum programa popular da Band.

Falta gente famosa problemática para manter essa indústria funcionando no país – e o interesse popular continua o mesmo, bem grande. Assim, os passos em falso de gente que não interessa a ninguém – e que sequer fizeram algo para se tornarem “pessoas públicas” – acabam ganhando destaque. E o Orkut da moça bomba.

De verdade, os americanos (e os britânicos, que têm a Amy Winehouse) é que são felizes. Eles podem comprar tablóides e ver as celebridades decadentes em situações cada vez mais constrangedoras. Nós, temos que engolir as mornas aventuras de anônimos bêbados. Que falta a Lindsay Lohan faz.

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Jan16

Jornalismo online: É assim que se faz


Hoje em dia, jornalismo é entretenimento. Natural que seja assim: por que apenas se informar se a gente pode ter informação, diversão e experiência ao mesmo tempo?
Isso já é realidade em todas as mídias – mesmo que alguns veículos errem feio o caminho e esqueçam que, na verdade, são jornalísticos e não de entretenimento puro -, mas em nenhuma pode ser tão explorada quanto na internet.

Por que raios temos que continuar consumindo conteúdo jornalístico primordialmente em texto na web? Essa não é uma mídia imprensa, apesar da maioria dos profissionais terem vindo dela! São muitas as possibilidades, mas poucos os portais de notícia que saem do texto e trazem conteúdo multimídia. Quando o fazem, é de maneira previsível e pouco inventiva – além de raramente agregarem algum valor ao que está escrito.

O que mais me anima no jornalismo online é exatamente a possibilidade de criar, de elaborar coisas novas. É tão bom quando a reportagem perde sua forma quadradinha e fica totalmente maleável, podendo proporcionar experiências muito mais agradáveis ao internauta.

São muitos os caminhos: Criar news games, experimentar coberturas em redes sociais, fazer mashups, usar colaboratividade ou mesmo utilizar, de forma inteligente, ferramentas já mais consolidadas, como blogs e podcasts. Isso tudo pode gerar modos mais eficientes de se informar, com uma intensidade que não existe nos meios em que o receptor ainda é passivo. Ao invés de haver leitor ou espectador, teremos usuários da notícia. Bem melhor, não?

Só que isso exige investimento e mão de obra qualificada, e é complicado encontrar ou formar profissionais qualificados em algo tão novo. Os veículos internacionais já acordaram para isso e correm atrás, mas os nacionais ainda roncam. São raros os casos em que o modo de informar ultrapassa o óbvio e aproveita os potenciais da rede.

Mas eles existem. O G1 é um dos que melhor trabalha as possibilidades, misturando texto, links, ilustrações, vídeos e galerias de fotos com jogos e infográficos animados, de ótima qualidade – além de permitir comentários do público em algumas notícias.

A maioria dos infográficos ainda é baseada em texto e imagem, mas já há integração com vídeos, por exemplo, e bom uso da interatividade. São soluções eficientes e criativas de informar e entreter, com um visual belíssimo.

Um bom trabalho, mas que ainda fica muito atrás do praticado nos infográficos do The New York Times, por exemplo, que, claro, são geniais: gostosos de assistir e de interagir, animando tabelas, vídeos, fotos e gráficos. Ou seja, um tipo de entretenimento que gera esclarecimento.

Esclarecido também ficará quem mergulhar no infográfico que o Último Segundo produziu sobre as eleições norte-americanas. Eu nunca vi nada parecido feito no Brasil. Exagero? Clique aqui, desabilite o bloqueador de pop-ups e veja. Tem um rico material informativo, utilizando diversas ferramentas para explicar detalhadamente cada aspecto das eleições, informando intensamente sem, por isso, ser chato ou cansativo. Seria impossível aprofundar tanto o assunto apenas com texto, já que matérias de vinte páginas não combinam com a internet.

O esforço da equipe de dez profissionais em pesquisar e produzir vídeos (com legenda em português), áudios (que eles erroneamente chamam de podcast) e animações, além de editar especialmente textos e fotos, merece certamente um desses prêmios de jornalismo online. O usuário, sem dúvida, já ganhou em informação.

Sai mais caro do que apenas relatar, demora para ficar pronto e são poucos os que sabem fazer, mas, como você viu, vale a pena. Cada vez mais gente produz conteúdo na internet e materiais assim, de qualidade, podem fazer a diferença para o veículo se destacar.

Para a nova geração, como a minha, essa é uma boa área a ser investida. A tendência é que as coberturas sejam cada vez mais multimídias e que um único profissional de jornalismo faça aquilo que, antes, era função para várias pessoas. Por isso, não basta ter um bom texto, embora isso seja fundamental, mas é importante saber produzir e editar fotos, áudios e vídeos, além de, eventualmente, conseguir planejar conteúdos como esses que mostrei no post, para serem desenvolvidos pelas equipes de arte.

Sim, está cada vez mais difícil fazer jornalismo, mas nunca tivemos nada de tão boa qualidade e, convenhamos, tão divertido! Temos uma mídia toda nova para construir, basta expandirmos nossos horizontes.

***

Eu sei, esse post não foi ilustrado, nem teve infográfico, nem áudio, nem vídeo. É complicado produzir tudo isso sem uma equipe – e por isso falo apenas de veículos grandes na análise – mas esse é um desafio que nós, blogueiros, também podemos encarar, ainda que de maneira mais simplória. Nos últimos posts, procurei usar mais fotos e vídeos encontrados na rede, coisa que eu dificilmente fazia. É pouco, mas tudo começa por algum lugar.

Pelos meus planos, o blog ficará cada vez mais multimídia e o utilizarei para experimentar tudo que eu puder. Afinal, não existe um grande e funcional manual de redação da internet. Aqui, a gente aprende na prática. E todos juntos, não é mesmo?

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Jan12

Greve de roteiristas e internet: a roda continua girando


Você já deve ter percebido que sou viciado em séries de televisão. Pois é, acompanho muitas até mesmo por questões profissionais e é bem complicado arranjar tempo para ver tudo – mesmo as séries que passam na televisão acabo tendo que ver no computador, porque não consigo conciliar meus horários com as grades de programação. Essa paixão toda começou há pouco tempo, uns três anos, e percebi que gostava muito desse assunto quando, em um site sobre seriados, vi uma listagem com a maioria das séries já produzidas e pensei: um dia ainda vou assistir a todas elas.

Talvez eu não chegue lá – nem quero mais, afinal, eu gosto da minha vida -, mas essa greve de roteiristas está sendo ótima para eu colocar minha lista de “para assistir” em dia – sem que, enquanto isso, uma outra lista se forme com os novos episódios. Para que eu consiga ver tudo que quero, a greve teria que durar mais uns cinco meses – o que, entretanto, certamente causaria danos terríveis a outras séries que adoro, como a nova Pushing Daisies, que ainda não garantiu uma segunda temporada e nem sabe se completará a primeira – que, antes da greve, havia sido confirmada.

A causa da paralisação dos roteiristas norte-americanos é justa: eles buscam uma maior participação nos lucros com as vendas de DVD e exibições na internet. Só que os custos que essa greve está tendo para os próprios manifestantes já superaram a diferença que eles exigem receber em um ano. É aquela coisa: perdem agora para recuperarem a longo prazo.

Hollywood está parada e calada e um número gigantesco de profissionais ligados à indústria do entretenimento televisivo e cinematográfico passa por uma grave crise financeira, graças à falta de atividades e a demissões temporárias, que podem atingir milhares de pessoas.

Apesar de todo o efeito negativo da greve nesses setores, os vilões continuavam sendo os produtores. Mas aí os atores, em solidariedade aos roteiristas, anunciaram boicote ao Globo de Ouro. A cerimônia, que já não teria roteiristas sindicalizados, acabou sem as estrelas e, por isso, não havia mais motivo para ser televisionada. O resultado foi o cancelamento, e os vencedores serão anunciados amanhã, em uma entrevista coletiva à imprensa transmitida por diversos canais – já que a exibição por uma só emissora, que lucraria financeiramente com isso, como estava previsto, irritou os roteiristas, que ameaçaram piquetes em frente ao local do evento.

A produção do Golden Globe e todo o mercado que o envolve, inclusive aqui no Brasil, acabaram sofrendo. Afinal, não haverá material de cobertura para milhares de veículos que já estavam preparados para isso, um prejuízo gigantesco, que só deve ser menor ao gerado por um eventual cancelamento do Oscar, cerimônia que, na verdade, está mais próxima do que os organizadores gostariam.

Intransigência, de ambos os lados, parece ser a tônica dessa greve. É isso que, associado à inabilidade de negociação, faz tudo ficar parado. São poucos os avanços até agora e as perspectivas, infelizmente, não são nada boas – apesar de um acordo para a realização do Oscar ser muito provável.

De qualquer forma, as séries que já haviam sido gravadas e que estrearam agora nos Estados Unidos, em meio a um monte de reprises, não estão fazendo sucesso, ao contrário do que se esperava. Os reality shows e os programas jornalísticos, que também aguardavam um aumento de audiência, não registraram tanta diferença assim.

Não duvido que nesse meio tempo as pessoas, assim como estou fazendo, acabem, cada vez mais, baixando da internet séries antigas ou que ainda não tinham visto, mantendo a roda girando, mas deixando de proporcionar dinheiro tanto aos “gananciosos produtores” quanto aos “injustiçados roteiristas”.

Na internet ninguém espera pelo oficial: Se alguém tiver como disponibilizar, o fará, e o mundo inteiro consumirá esse conteúdo, independentemente do resultado de qualquer greve, seja ela de roteiristas, de diretores ou de atores – e olha que estas duas últimas podem realmente acontecer em breve.

Isso não é bom para ninguém – nem mesmo para os viciados em séries e filmes que, apesar de poderem ver o material de arquivo, deixarão de ter coisas novas ou, pior, poderão ter que assistir a um final melancólico para o que gostam. E eu gosto demais de Scrubs para aceitar que isso aconteça.

Acaba logo, greve!

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Jan10

A fonte está cada vez mais próxima do jornalista. E agora?


Em uma reportagem, descobri que duas moças que faziam parte da equipe de limpeza do lugar onde acontecia uma etapa de seleção para um reality show da TV paga, haviam sido convidadas, pela produção, a participar do concurso, tentando assim maquiar a falta de reais candidatas. A matéria foi publicada e acabou ganhando destaque na homepage da Globo.com.

“gustavo tudo bem? p nao perder o costume só dei bastante risada quando minha irmã ligou dizendo que eu estava na primeira pagina do site da globo vc é fogo heim!!achei bacana pelo menos nao acrescentaram nada e foi super verdadeira bjssssssss”

Este foi o comentário de uma das meninas da matéria, aqui no blog. No meu Orkut, também tinha scrap dela, além do pedido para ser minha amiga. Ainda bem que ela gostou da matéria - e, sem nem perceber, confirmou as informações de uma maneira que, eu, como repórter, jamais poderia fazer: ela mesma falou com os leitores (ainda que aqui não fosse o melhor lugar para isso).

Lidar com interação dos leitores daqui blog nunca foi um problema, muito pelo contrário. Blogs são tão legais porque são baseados em conversação e, além de tudo, é muito bom para quem produz conteúdo saber o que seus consumidores acham. No jornalismo, embora eu conheça vários profissionais que não se deram conta disso ainda, a participação do leitor/espectador/ouvinte também tem um papel importante, ajudando a manter o jornalista mais próximo da realidade, ampliando o alcance de sua visão.

Interação e colaboração são palavras-chave para a comunicação em tempos de internet, onde, querendo ou não, nada mais somos do que nomes na tela, ao alcance de qualquer um. A tendência é que os comunicadores, as fontes e os consumidores de informação fiquem cada vez mais próximos.

Qualquer um pode procurar meu nome no Google, no Blogblogs, na Technorati ou no Flickr e descobrir por onde andei, com quem me relaciono e o que eu acho das coisas, além de encontrar o meu E-mail ou algum formulário de contato - e isso é importante para mim como blogueiro, afinal, nenhum blog funciona sem que haja relação entre as duas partes. É fácil para o leitor do blog, é fácil para a fonte jornalística. E é aí que a coisa complica.

A fonte é aquela pessoa que passa a informação trabalhada pelo jornalista. É quem dá a entrevista, quem viveu o que será relatado, quem faz parte de verdade daquilo que será transformado em história. Na faculdade, ouvimos muito sobre o relacionamento do jornalista com a fonte que, sempre, deve ser distanciado. Pois é, só que a fonte é viva e se comunica. Além de, eventualmente, utilizar a internet.

Não dá mais para jornalista fingir ser apenas um instrumento da informação. Não somos, e o envolvimento voluntário ou não com o público e, principalmente, com a fonte não nos deixa ser. A questão é descobrir como devemos nos portar sem que haja prejuízo à notícia. Pelo contrário, é o momento certo para lucrar: na web, toda fonte vira usuário e todo usuário vira fonte.

Já que está tudo tão próximo e que as fontes estão mais ativas do que nunca, por que não aproveitar? Essa interação faz com que o jornalista tome mais cuidado com o que publica e, além disso, permite que a informação seja conferida e revidada por seus personagens. É mais ou menos o mesmo raciocínio do sistema de comentários do Google News, só que feito de forma humana - e, por isso menos, mais confiável.

Em sua dissertação de mestrado, a jornalista (e amiga) Ana Brambilla destaca um conceito de Peter Burke, no livro História Social do Conhecimento: a informação é como a água: quanto mais próxima da fonte, mais pura será.

Estamos no momento certo para, utilizando o potencial social da web, produzirmos informações cada vez mais precisas e verdadeiras - o que seria potencializado caso os grandes veículos perdessem o medo e abrissem espaço para os comentários. Todo mundo se comunica: o leitor conversa com o jornalista que conversa com a fonte que, agora, também conversa com o leitor. Novas visões para o leitor, mais credibilidade e utilidade para a mídia.

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Jan4

Série “How I Met Your Mother”: Como conheci sua mãe e me apaixonei


Crianças, esta é uma história de amor, que poucas vezes acontece. Era o dia das mães de 2007. O almoço em família havia chegado ao fim e, sozinho em minha casa, liguei a televisão. Parei em um canal um tanto quanto obscuro, que me prendeu por seis horas seguidas. Foi assim que conheci sua mãe.

How I Met Your Mother

Conheci “How I Met Your Mother” numa maratona do Fox Life e, sem nunca ter ouvido falar da série, acabei vendo seis horas seguidas (só não vi mais porque parou de passar). Gostei e me identifiquei tanto com a história e com o protagonista, Ted Mosby (Josh Radnor), que a série ganhou um lugar de destaque no hall das minhas queridinhas. Mas, apesar dos meus esforços, nunca mais consegui assisti-la na televisão. O dia e o horário são péssimos e o canal é quase um desconhecido dos fãs de seriados, além de não estar disponível para a maioria dos assinantes da TV paga.

Claro, pedi para o Paul Torrent trazê-la, na íntegra. Já assisti a tudo e jamais consegui ver apenas um episódio por vez. “How I Met Your Mother” é legen - espere por isso – dária!

A trama gira em torno do arquiteto Ted Mosby, um cara bacana e romântico que batalha para encontrar um grande amor e se casar, e de seus melhores amigos – Barney (Neil Patrick Harris), um solteirão safado e egocêntrico que adora badalar e conquistar belas mulheres; Robin (Cobie Smulders), uma bela jornalista de TV um tanto quanto masculinizada, que desperta o interesse (ou muito mais do que isso) de Ted e se apaixona por ele, mas que tem medo de relacionamentos sérios; Lily (Alyson Hannigan), uma professora do jardim da infância apaixonada por artes e por seu marido, Marshall (Jason Segel), o melhor amigo de Ted, um advogado recém-formado que sonha em advogar a favor do meio-ambiente, mas que vive o dilema de ter que trabalhar para uma organização poluidora para conseguir um bom dinheiro e manter uma vida melhor.

A história é narrada em flashback. Ted, o pai, conta para os filhos, em 2030, como foi que conheceu a mãe deles. Já estamos no terceiro ano da série e o mais próximo que chegamos da mãe foi ver seu guarda-chuvas voar. Enquanto não sabemos quem ela é, vamos vendo os relacionamentos do pai e de seus amigos, o encantador namoro com a “tia” Robin, como nem sempre tudo dá certo… Ou seja, o dia-a-dia de cinco amigos em Nova York.

Sim, parece “Friends” – e são muitos os que comparam. Mas são várias as diferenças, e a principal delas é a estrutura narrativa. “HIMYM” é contada por quem já a viveu. A maior parte do episódio se passa nos dias atuais, mas a base é em 2030, com a narração do Ted velho falando para os filhos (que aparecem, já adolescentes, em vários episódios). Tal artifício engessa um pouco – e bem pouco – o roteiro, já que sabemos por exemplo, que o carismático casal formado pelo pai e pela Robin não pode dar certo – afinal, sabemos que ela não é a mãe (o que é uma pena e até desanima!). Por outro lado, traz uma complexidade sem precedentes (pelo menos nunca vi nada parecido) em sitcoms, misturando vários tempos – além de 2030 e do ano de exibição da série (que é onde as histórias de desenvolvem), já aconteceram flashbacks dentro de flashbacks e até mesmo idas ao futuro-passado de 2020.

Como a série é contada através da memória, subjetiva, do protagonista, diversas vezes vemos coisas que não são reais, mas frutos da imaginação e do sentimento dele. Isso deixa tudo ainda mais engraçado.

Além disso, os roteiristas não têm medo de brincar com a televisão, introduzindo elementos pouco usuais – na terceira temporada, o personagem de Barney desenha na tela!

O conteúdo não fica atrás da forma: apesar de ser uma comédia leve, ela fala assuntos sérios com muito bom humor. Tem um episódio na terceira temporada, ainda inédito no Brasil, em que eles fazem referência ao uso de maconha por eles na juventude tomando todo o cuidado que um pai tem para falar com o filho sobre isso – e eu chorei de dar risada vendo. Ah, sim, se você gosta de referências pop – algo que eu adoro - a série também tem bastante, como quando Barney inventa uma história de sua primeira vez misturando vários filmes.

How I Met Your Mother

“How I Met Your Mother” tem algo em comum com todas as grandes comédias do passado, como “Friends” (de novo!) e “Seinfeld”: Ela consegue criar elementos que podem ser incorporados pela sociedade – Como o “How you doin?” do Joey, o Barney tem seu “Legen - wait for it – dary!” e o “Have you met Ted?”; assim como o Festivus do pai do George Constanza, Marshall criou seu Slapgiving (Dia da “Estapeação” de Graças). Fora os ótimos “crazy eyes” e “the lemon law” e a sábia frase “Quando passa da 2 da manhã, apenas vá dormir”.

A série tem um dos melhores personagens das comédias contemporâneas: a alma do show, Barney, interpretado com maestria pelo Neil Patrick Harris – o que lhe rendeu uma indicação ao Emmy de 2007. Mesmo se todo o resto fosse ruim, valeria a pena só pelo humor ardido desse personagem - que, wait for it, é blogueiro!

Poucas vezes gostei tanto de uma série. Poucas vezes achei um personagem que eu me identificasse tanto (quando eu for mais velho, tenho certeza que serei igualzinho ao Ted!). Poucas vezes torci tanto por um casal (Ted e Robin). Poucas vezes fui tão influenciado por algo da TV (mudei um tanto da minha atitude com as mulheres e até mesmo me lembrei do Barney para comprar roupa social – “Suit Up!”). E, claro, muitas vezes recomendo que você assista a “How I Met Your Mother”!

Aproveite, o Fox Life começou a exibir nessa semana a terceira temporada da série, que começa meio estranha, mas logo volta a ficar hilária – quase tão boa quanto a primeira temporada, que, para mim, é a melhor de todas! Aqui, tem um vídeo mostrando tudo que aconteceu nas duas primeiras temporadas da série em 3 minutos, mas eu indico que você procure ver tudo por Torrrent (ou aqui) ou conheça mais no canal oficial de “HIMYM” no Youtube. Vale muito a pena ver a série inteira, eu garanto.

Pena que, por enquanto, não tem mais episódios inéditos. A terceira temporada foi até o 11º episódio e aí foi interrompida pela maldita greve de roteiristas.

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Jan1

Como vai ser 2008


Feliz ano novo, queridos leitores. Escrevo do Rio de Janeiro, após ver os fogos em Copacabana e ter desprezado todos os rituais que envolvem reveillon na praia - ou até mesmo fora dela. Na virada para 2007, não pulei ondinhas, nem comi lentilha, mas deu tudo muito muito certo. Estou numa fase da vida em que um ano sempre acaba sendo melhor do que o anterior, o que é ótimo. 2007 foi, até hoje (ou ontem…), o melhor ano da minha vida, mas acho que 2008 vai ultrapassá-lo de longe.

Duvida? Olha só o que eu planejo para esse ano que acaba de começar:

- Blogar>
Pois é, mês que vem o OutrOs OlhOs completa 5 anos e, eu decidi, vou me dedicar mais a ele. É absurdo o retorno que ele me dá - a maioria dos freelas que eu faço e dos convites profissionais que recebo, felizmente, em uma boa quantidade é por causa do blog -, que até me envergonho da pouca atenção que dei a ele nesses dois últimos anos. Ele e você, leitor, merecem. Pode esperar um número bem maior de posts e de novidades, como alguns projetos bem legais que pintarão em breve por aqui, além de um novo blog que escreverei sobre um assunto que adoro…

- Me dedicar menos à faculdade
Sim, isso mesmo. Adoro a faculdade de jornalismo e isso é exatamente o que quero fazer da vida, definitivamente. O problema é que, mesmo sem nenhum trabalho fixo, acabo me ocupando várias horas por dia com coisas da faculdade. A ordem agora é otimizar: gastar menos tempo, não deixar mais para última hora e avaliar a real importância de cada passo que dou para a minha formação. Nem tudo vale a pena e, espero, dessa vez vou conseguir deixar meu lado CDF um pouco mais quieto.

- Curtir mais a vida
O ano começou bem, passei o primeiro dia na praia, desencanado. Desde muito novo, fui muito preocupado com carreira e coisas do tipo. Ainda sou, e muito. Mas agora to vendo como a vida é boa e quero aproveitar. Equilíbrio das “vidas” profissional, pessoal e acadêmica é essencial. Preciso aprender como fazê-lo.

- Trabalhar MUITO
Além de esperar me envolver em vários projetos e fazer freelas cada vez mais, já tenho algo certo: 2008 é o ano de me dedicar a minha própria empresa, em sociedade com a Bia Kunze e o Gui Leite. Com ela, vou trabalhar com comunicação e novas mídias, dois de meus assuntos preferidos - e, felizmente, do que mais entendo. Tem coisa melhor do que isso? Fazer o que você gosta, com quem você gosta e ainda ter boas perspectivas?! Já já você vai ver o que a gente está aprontando… ;-)

Tem várias outras coisas, é lógico, mas isso é pessoal demais para cá. Além disso, to no Rio e ficar em frente a um computador já vai contra a lógica de equilibrar as coisas…

Esteja preparado para viver o melhor ano de sua vida você também. Algo me diz que 2008 será ótimo e que, de uma forma ou de outra, a sociedade dará importantes passos, principalmente com relação ao meio-ambiente.

E o seu 2008, como vai ser?

**
Este post foi feito a convite do Manoel Netto numa tag. Detesto memes e coisas do tipo, nunca participei de nenhum que convidaram, mas esse me pareceu simpático e deu vontade de fazer… Tá feito (apesar de não ter revisão, porque não deu tempo!).

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OutrOs OlhOs Podcast Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:

O caminho da comunicação passa pelos blogs?

Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.

As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
SP - Brasil | Desde 03/02/2003





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