A fonte está cada vez mais próxima do jornalista. E agora?
Em uma reportagem, descobri que duas moças que faziam parte da equipe de limpeza do lugar onde acontecia uma etapa de seleção para um reality show da TV paga, haviam sido convidadas, pela produção, a participar do concurso, tentando assim maquiar a falta de reais candidatas. A matéria foi publicada e acabou ganhando destaque na homepage da Globo.com.
“gustavo tudo bem? p nao perder o costume só dei bastante risada quando minha irmã ligou dizendo que eu estava na primeira pagina do site da globo vc é fogo heim!!achei bacana pelo menos nao acrescentaram nada e foi super verdadeira bjssssssss”
Este foi o comentário de uma das meninas da matéria, aqui no blog. No meu Orkut, também tinha scrap dela, além do pedido para ser minha amiga. Ainda bem que ela gostou da matéria - e, sem nem perceber, confirmou as informações de uma maneira que, eu, como repórter, jamais poderia fazer: ela mesma falou com os leitores (ainda que aqui não fosse o melhor lugar para isso).
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Lidar com interação dos leitores daqui blog nunca foi um problema, muito pelo contrário. Blogs são tão legais porque são baseados em conversação e, além de tudo, é muito bom para quem produz conteúdo saber o que seus consumidores acham. No jornalismo, embora eu conheça vários profissionais que não se deram conta disso ainda, a participação do leitor/espectador/ouvinte também tem um papel importante, ajudando a manter o jornalista mais próximo da realidade, ampliando o alcance de sua visão.
Interação e colaboração são palavras-chave para a comunicação em tempos de internet, onde, querendo ou não, nada mais somos do que nomes na tela, ao alcance de qualquer um. A tendência é que os comunicadores, as fontes e os consumidores de informação fiquem cada vez mais próximos.
Qualquer um pode procurar meu nome no Google, no Blogblogs, na Technorati ou no Flickr e descobrir por onde andei, com quem me relaciono e o que eu acho das coisas, além de encontrar o meu E-mail ou algum formulário de contato - e isso é importante para mim como blogueiro, afinal, nenhum blog funciona sem que haja relação entre as duas partes. É fácil para o leitor do blog, é fácil para a fonte jornalística. E é aí que a coisa complica.
A fonte é aquela pessoa que passa a informação trabalhada pelo jornalista. É quem dá a entrevista, quem viveu o que será relatado, quem faz parte de verdade daquilo que será transformado em história. Na faculdade, ouvimos muito sobre o relacionamento do jornalista com a fonte que, sempre, deve ser distanciado. Pois é, só que a fonte é viva e se comunica. Além de, eventualmente, utilizar a internet.
Não dá mais para jornalista fingir ser apenas um instrumento da informação. Não somos, e o envolvimento voluntário ou não com o público e, principalmente, com a fonte não nos deixa ser. A questão é descobrir como devemos nos portar sem que haja prejuízo à notícia. Pelo contrário, é o momento certo para lucrar: na web, toda fonte vira usuário e todo usuário vira fonte.
Já que está tudo tão próximo e que as fontes estão mais ativas do que nunca, por que não aproveitar? Essa interação faz com que o jornalista tome mais cuidado com o que publica e, além disso, permite que a informação seja conferida e revidada por seus personagens. É mais ou menos o mesmo raciocínio do sistema de comentários do Google News, só que feito de forma humana - e, por isso menos, mais confiável.
Em sua dissertação de mestrado, a jornalista (e amiga) Ana Brambilla destaca um conceito de Peter Burke, no livro História Social do Conhecimento: a informação é como a água: quanto mais próxima da fonte, mais pura será.
Estamos no momento certo para, utilizando o potencial social da web, produzirmos informações cada vez mais precisas e verdadeiras - o que seria potencializado caso os grandes veículos perdessem o medo e abrissem espaço para os comentários. Todo mundo se comunica: o leitor conversa com o jornalista que conversa com a fonte que, agora, também conversa com o leitor. Novas visões para o leitor, mais credibilidade e utilidade para a mídia.
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Esta novela e altamnete mas e nerva muito podem voces crerem