Jornalismo online: É assim que se faz
Hoje em dia, jornalismo é entretenimento. Natural que seja assim: por que apenas se informar se a gente pode ter informação, diversão e experiência ao mesmo tempo?
Isso já é realidade em todas as mídias – mesmo que alguns veículos errem feio o caminho e esqueçam que, na verdade, são jornalísticos e não de entretenimento puro -, mas em nenhuma pode ser tão explorada quanto na internet.
Por que raios temos que continuar consumindo conteúdo jornalístico primordialmente em texto na web? Essa não é uma mídia imprensa, apesar da maioria dos profissionais terem vindo dela! São muitas as possibilidades, mas poucos os portais de notícia que saem do texto e trazem conteúdo multimídia. Quando o fazem, é de maneira previsível e pouco inventiva – além de raramente agregarem algum valor ao que está escrito.
O que mais me anima no jornalismo online é exatamente a possibilidade de criar, de elaborar coisas novas. É tão bom quando a reportagem perde sua forma quadradinha e fica totalmente maleável, podendo proporcionar experiências muito mais agradáveis ao internauta.
São muitos os caminhos: Criar news games, experimentar coberturas em redes sociais, fazer mashups, usar colaboratividade ou mesmo utilizar, de forma inteligente, ferramentas já mais consolidadas, como blogs e podcasts. Isso tudo pode gerar modos mais eficientes de se informar, com uma intensidade que não existe nos meios em que o receptor ainda é passivo. Ao invés de haver leitor ou espectador, teremos usuários da notícia. Bem melhor, não?
Só que isso exige investimento e mão de obra qualificada, e é complicado encontrar ou formar profissionais qualificados em algo tão novo. Os veículos internacionais já acordaram para isso e correm atrás, mas os nacionais ainda roncam. São raros os casos em que o modo de informar ultrapassa o óbvio e aproveita os potenciais da rede.
Mas eles existem. O G1 é um dos que melhor trabalha as possibilidades, misturando texto, links, ilustrações, vídeos e galerias de fotos com jogos e infográficos animados, de ótima qualidade – além de permitir comentários do público em algumas notícias.
A maioria dos infográficos ainda é baseada em texto e imagem, mas já há integração com vídeos, por exemplo, e bom uso da interatividade. São soluções eficientes e criativas de informar e entreter, com um visual belíssimo.
Um bom trabalho, mas que ainda fica muito atrás do praticado nos infográficos do The New York Times, por exemplo, que, claro, são geniais: gostosos de assistir e de interagir, animando tabelas, vídeos, fotos e gráficos. Ou seja, um tipo de entretenimento que gera esclarecimento.
Esclarecido também ficará quem mergulhar no infográfico que o Último Segundo produziu sobre as eleições norte-americanas. Eu nunca vi nada parecido feito no Brasil. Exagero? Clique aqui, desabilite o bloqueador de pop-ups e veja. Tem um rico material informativo, utilizando diversas ferramentas para explicar detalhadamente cada aspecto das eleições, informando intensamente sem, por isso, ser chato ou cansativo. Seria impossível aprofundar tanto o assunto apenas com texto, já que matérias de vinte páginas não combinam com a internet.
O esforço da equipe de dez profissionais em pesquisar e produzir vídeos (com legenda em português), áudios (que eles erroneamente chamam de podcast) e animações, além de editar especialmente textos e fotos, merece certamente um desses prêmios de jornalismo online. O usuário, sem dúvida, já ganhou em informação.
Sai mais caro do que apenas relatar, demora para ficar pronto e são poucos os que sabem fazer, mas, como você viu, vale a pena. Cada vez mais gente produz conteúdo na internet e materiais assim, de qualidade, podem fazer a diferença para o veículo se destacar.
Para a nova geração, como a minha, essa é uma boa área a ser investida. A tendência é que as coberturas sejam cada vez mais multimídias e que um único profissional de jornalismo faça aquilo que, antes, era função para várias pessoas. Por isso, não basta ter um bom texto, embora isso seja fundamental, mas é importante saber produzir e editar fotos, áudios e vídeos, além de, eventualmente, conseguir planejar conteúdos como esses que mostrei no post, para serem desenvolvidos pelas equipes de arte.
Sim, está cada vez mais difícil fazer jornalismo, mas nunca tivemos nada de tão boa qualidade e, convenhamos, tão divertido! Temos uma mídia toda nova para construir, basta expandirmos nossos horizontes.
***
Eu sei, esse post não foi ilustrado, nem teve infográfico, nem áudio, nem vídeo. É complicado produzir tudo isso sem uma equipe – e por isso falo apenas de veículos grandes na análise – mas esse é um desafio que nós, blogueiros, também podemos encarar, ainda que de maneira mais simplória. Nos últimos posts, procurei usar mais fotos e vídeos encontrados na rede, coisa que eu dificilmente fazia. É pouco, mas tudo começa por algum lugar.
Pelos meus planos, o blog ficará cada vez mais multimídia e o utilizarei para experimentar tudo que eu puder. Afinal, não existe um grande e funcional manual de redação da internet. Aqui, a gente aprende na prática. E todos juntos, não é mesmo?
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Buenas, Gustavo, post pretensioso esse, hein? A começar pelo título
“Ao invés de haver leitor ou espectador, teremos usuários da notícia. Bem melhor, não?”
Não. Se tu chamares o público de USUÁRIO, isso significa que ele USA o conteúdo como usa um shampoo, um lápis. Esse termo, apesar de muito “usado”, traz em si todo o mecanicismo que queremos abolir do público, toda a passividade da qual queremos tirá-lo. Prefiro “interagente”. Ou pelo menos “internauta”. Que achas?
De mais a mais, bacana teu clipping. É sempre bom ter exemplos na manga diante das críticas.
Agora, concordo contigo… criticar jornalismo online somente-texto através de… somente-texto é esquisito! Mas entendo que o blog esteja crescendo e que outros formatos serão mais usados. Também tenho batalhado por isso. Mas como tu mesmo dizes, é difícil fazer jornalismo online… mas é uma delícia!!
Beijo!
Discordo totalmente quanto ao “usuário”, Ana.
Usuário faz uso, utiliza. Utilizar algo não é mecânico. É adequar às necessidades e aos interesses próprios.
Aliás, não consigo imaginar um “uso” passivo. Quem usa, utiliza, sempre é ativo.
“Internauta” não diz nada, a não ser que a pessoa “usa” a internet - nesse ponto, ela é ativa, mas não necessariamente no contato com as informações dos sites.
“Interagente”, aqui no blog, convenhamos, é forçar a barra. Embora eu concorde com o conceito, jamais utilizaria a palavra em um ambiente não-acadêmico.
Acho que é o mesmo caso de “participativo / colaborativo” e “colaboração / colaboratividade”, em que a percepção sobre as palavras “participativo” e “colaboração” determinou nossas relações com elas, lembra?
Desse modo, mantenho o usuário da informação. Num sentido nada mecânico.
O título soa pretensioso, mas foi exatamente o que veio a minha cabeça quando vi o infográfico do Último Segundo: CARAMBA, é assim que se faz jornalismo online. Para mim, é assim que se faz.
Sobre só ter texto, pois é. Com blogs a dinâmica é completamente diferente. É impossível produzir conteúdo como o que os grandes portais potencialmente podem fazer, e nem é esse o objetivo dos blogs. Concordo com você, estamos em crescimento.
Então a gente faz o possível, batalhando para que ele vá ficando cada vez melhor.
Vamos, então, já que podemos, experimentar! É o que pretendo fazer…
Assim, aprendemos todos, juntos!
E, sim, é uma delícia.
Beijos
Bom, apesar de parecer, essa compreensão que faço do termo “usuário” não é gratuita. Ao contrário. Ela tem uma puta fundamentação que serviu como um dos pilares para vários estudos de comportamento humano na web.
Aliás, fica de sugestão de leitura. Tenho certeza que esse texto vai te inquietar:
http://www.pucrs.br/famecos/pos/revfamecos/12/alex_primo.pdf
Viva os celulares! Conhece o http://www.kyte.tv? Dá uma zoiada.
“Interagente”, aprendi + uma..
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Falou e disse. Realmente ainda estamos muito atrás do que é feito lá fora. Ainda encontro websites informativos SEM RSS! É, isso ainda existe. Ótimo texto.
abs.
Oi Gustavo, tudo bom?
Indiquei teu blog no novo Meme que tá rolando na net.
Beijos
Si
[...] o tom de participação do usuário. Aí o jornalismo se reinventa, com multimídia, conteúdo colaborativo, infográficos e até mesmo com news…, tentando gerar melhores experiências e atingir em cheio o público-alvo, também [...]




[...] OutrOs OlhOs wrote an interesting post today on Jornalismo online: Ã assim que se fazHere’s a quick excerpt Hoje em dia, jornalismo é entretenimento. Natural que seja assim: por que apenas se informar se a gente pode ter informação, diversão e experiência ao mesmo tempo? Isso já é realidade em todas as mídias – mesmo que alguns veículos errem feio o caminho e esqueçam que, na verdade, são jornalísticos e não de entretenimento puro -, mas em nenhuma pode ser tão explorada quanto na internet. Por que raios temos que continuar consumindo conteúdo jornalístico primordialmente em texto na web? Essa não [...]