TVs por assinatura X deputados X consumidores: Eu só queria ver TV em paz!


Campanha da ABTA prega Liberdade na TV. Mas quem disse que a tempos hoje em dia?O comercial de TV diz, na íntegra:

“Se eu pago uma televisão por assinatura é porque eu gosto da programação que ela oferece. Eu adoro a minha TV por assinatura, eu assisto tudo: filmes, documentários, seriados…

Nós, da ABTA, que reúne programadores e operadores, sabemos a sua opinião. Mas quem precisa saber são alguns deputados em Brasília, que querem acabar com isso. O Projeto de Lei 29.2007 que vem sendo proposto por esses políticos está para entrar em votação. Se aprovado, obriga que metade dos canais por assinatura sejam nacionais e impõe o regime de cota nacional na programação da TV. Ou seja, você assina, mas eles querem escolher o que você vai assistir.

A ABTA é a favor do conteúdo nacional e do seu fomento, mas é radicalmente contra a imposição de cotas e a restrição de informação, entretenimento e cultura que ocorrerá caso o projeto seja aprovado.

Faça como milhares de pessoas e defenda sua liberdade na TV. Manifeste seu repúdio a esse retrocesso e a arbitrariedade. Acesse o site.

Mobilize-se já. Faltam poucos dias para a votação.”

Pois bem. Estava eu assistindo ao American Idol ontem, no Sony, vendo um resumo da apresentação de cada candidato no final do programa, quando, sem que ele tivesse acabado, entra um comercial da Sky Empresas. Isso mesmo: no meio do programa. Quando o comercial acabou, o programa também - só cheguei a ver seu logotipo por um segundo ou dois.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu - são muitos os registros de casos parecidos, tanto na Sky, quanto na Net e nas demais (demais? As duas dominam sozinhas cerca de 81,5% das assinaturas de TV do país). A ABTA é a Associação Brasileira de TV por Asssinatura, que representa a Sky, a Net e muitas outras operadoras (mais de 60 só no estado de São Paulo), além das programadoras, como a Columbia Tristar Films of Brasil, responsável pelo Sony, pelo Animax e pelo AXN . Ela sabe a minha opinião e é radicalmente contra restrição de informação, entretenimento e cultura. Ela sabe que eu queria ver o American Idol, não sabe?

Se você ligar a TV às oito e meia da manhã no Universal Channel, sabe o que vai encontrar? O mesmo que no FX, no A&E, no Discovery Channel, no Discovery Home&Health, no The History Channel, no People+Arts, no E!, no MGM e até no Golf Channel: “Infomercial”, programas de tele-vendas com cerca de uma hora de duração - ou mais! Eles aparecem durante o dia em diversos canais e estão 24 horas por dia no GigaShopping (canal que ocupa o número que até pouco tempo pertencia a TV Cultura, agora escondida logo após os canais pornôs). Eu gosto da programação que a minha TV por assinatura oferece e os deputados malvados querem escolher o que eu vou assistir! Um absurdo!

Não vou entrar no mérito das cota para produções nacionais e da obrigatoriedade de 50% de canais brasileiros em cada operadora - até pretendo falar disso, mas em outro post. Só acho ridícula uma campanha igual a essa da ABTA - a mesma que briga para que os pontos adicionais não se tornem gratuitos -, posando de mocinhos, propondo liberdade na televisão e acusando os deputados de quererem fazer coisas que, na verdade, eles já fazem - e de maneira até pior. Será que a mulher do comercial assiste aos programas da Polishop? Gosta de quando eles entram nos intervalos comerciais ou ocupam faixas da programação que deveriam ter programas de verdade? Ela não assiste tudo e adora a TV por assinatura dela?

Eu só queria que a televisão que eu pago - e bem caro - me respeitasse e exibisse programas de verdade em toda sua programação - que, mais uma vez, já está sendo paga por mim. Eu pago para ter programas 24 horas por dia, eles vendem horários em sua grade para terceiros e fica tudo certo? Como pode? Isso não deveria ser regulamentado pelos políticos com a Anatel, administrado pela ABTA e vistoriado por todo e qualquer órgão de defesa do consumidor?

Eu só queria poder assistir aos programas que estão sendo transmitidos sem ter um comercial exibido durante a atração. Só queria ter, de verdade, um pouco de liberdade na TV! Será que algum dia poderei pagar a fatura satisfeito por ter conseguido sentar e assistir a algo que gosto sem soltar nenhum palavrão durante o período?

Espero que sim. Porque eu pago TV por assinatura por gostar da programação que ela promete oferecer.

Compare Preços: Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas

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Comentários de leitores

Gustavo, ótimo artigo. Gostaria muito de replicá-lo no Poltrona.TV, com o devido crédito. Você pode me autorizar (ou não) por e-mail? Obrigado!

Eu não concordo com reserva de mercado. Mas lendo o anteriormente um texto sobre este mesmo assunto, percebi algumas forçações de barra que não dá para ficar quieto.
O projeto de lei fala de empacotamento. Grifei a palavra empacotamento porque ela muda completamente o sentido do projeto, e torna todo o restante da propaganda uma falácia. Por empacotamento eu entendo não a grade de programação de um único canal, mas o conjunto de canais oferecido em um pacote de assinatura. Oras, isto muda totalmente o sentido do projeto de lei. Eu prefiro assistir qualquer canal de produção nacional a ser obrigado a levar em um pacote coisas como MTV latino, RAI Deutsche Welle e TV Espanhola. Com certeza, estes canais têm público muito mais restrito, e só são incluídos na programação porque fazem número e custam barato.
A ABTA diz que o projeto significa que eu não posso mais escolher o que vai passar na TV. E pior, que vou pagar mais por menos. E quando foi que eu pude escolher o que vai passar na minha TV?
O artigo que esta propaganda questiona não fala da grade de programação dos canais. Aqui percebo uma clara tentativa de confundir as informações. Aparentemente, apostaram nesta confusão para dar força à propaganda.
A partir do momento em que sou obrigado a comprar pacotes com canais que jamais vou assistir, a minha livre escolha de canais já se encontra reduzida.
Pegaram pesado, partindo para o tipo de discurso que o Brasil da ditadura militar importou dos Estados Unidos durante a vigência do Macarthismo (acho que é assim que se escreve), extrapolando uma situação para causar pânico e terror. Vale lembrar que mesmo países com controle de liberdade como a China não conseguem bloquear totalmente o acesso à internet, e que o monitoramento de conversas telefônicas é corriqueiro nos EUA, exaltados como “a pátria da liberdade”.
O trechpo abaixo está no texto que eu li, e merece ser citado:
CONTEÚDO NACIONAL: Ao se posicionar de forma contrária ao projeto, o setor de TV por assinatura não está combatendo a produção de conteúdo nacional. Pelo contrário! A ABTA sempre apoiou e sempre prestigiará a exibição de conteúdo nacional. O que o país precisa é de uma política eficaz e efetiva de incentivo à produção do conteúdo brasileiro. Algo que o regime de cotas imposto não é capaz de concretizar. Quem possui TV por assinatura já percebeu que este é o caminho, basta recordar as atrações de qualidade internacional veiculadas nos últimos anos. Entre elas estão Mandrake (HBO), Superbonita e Mothern (GNT), Brazil´s Next Top Model (Sony), Wild On Latino (E!), Fashion Week Rio ou SP (GNT), Pixcodelics (Cartoon Network), Projeto 48 (TNT), Tempo Final (FOX), Ilha Rá-Tim-Bum (TV Rá-Tim-Bum), Filhos do Carnaval (HBO), Perfis Nacionais como Paulo Coelho (A&E), Teca na TV e Afinando a Língua (Futura), TNT + Filme (TNT), Doutores da Alegria (Discovery Channel), Dando uma Geral (Nick), Retrato Celular e Prêmio Multishow de Música Brasileira (Multishow) e muitos outros. Incluindo, claro, canais totalmente dedicados à produção brasileira como o Canal Brasil, o SporTV, a GloboNews, Band News, Band Sports, FizTV e Ideal.
Ou seja, o projeto, levando em conta o artigo que a propaganda debate, não vai afetar em nada o que já está aí. Exceto pelo lucro das operadoras, que diminuiria se eles insistirem em forçar, na grade de programação, aqueles canais baratos que ninguém assiste, que citei acima.
Concordo totalmente com o debate. Mas abomino o terrorismo que estão fazendo. A minha pergunta continua a mesma: se a ABTA realmente defende a liberdade de escolha dos seus clientes, por que razão eu não posso escolher pacotes apenas com os canais que me interessam? Esta seria, realmente, uma liberdade de escolha.

Enio, ainda não li os projetos de lei, mas o farei em breve, quando retomar o assunto por aqui.

Você tem o link do texto que você citou? Queria ler, parece ser interessante.

Você acrescenta pontos importantíssimos de serem discutidos e pensados. O que a maioria de nós sabe a respeito do projeto é o que a ABTA veicula. Desse jeito, fica fácil para ela formatar a verdade de modo que atenda a seus interesses, não?

Concordo com tudo que você escreveu e agradeço pela qualidade do comentário. São coisas como essa que me fazem gostar tanto da interatividade dos blogs. Isso é colaboração de verdade, do melhor tipo.

Obrigado!

Se a tv paga fosse realmente sem comerciais, o custo da assinatura seria muito maior.

No entanto, isso não justifica esses “infomerciais” a todo momento.

Thas, sem comercial não daria, até pq os programas já são feitos com espaço para intervalos. O problema é algo agressivo como um infomercial tornando os intervalos mais longos do que eles deveriam ser e, pior, ocupando espaço de programas na grade.

Pois é, gustavo. A nós, consumidores, resta reclamar - ou talvez correr para Pirate’s Bay e outros redutos, onde a gente se livra dos comerciais e infringe leis.
Eu realmente não me importo de pagar pela TV. como você disse: eu assinei a programação - uma determinada programação. E tenho direito a recebê-la sem “mexidas”. De quem quer que seja…
Eu também concordo com o Enio: quando foi que eu pude escolher o que passa na minha TV?
Acho que a gente vai ter que fazer campanha pelo desbloqueio da TV Paga :D

Uma coisa que tem me irritado muito ultimamente é o hábito de alguns canais - notadamente os que passam séries - de, quando acaba um programa, inserir a vinheta do programa seguinte e logo ir para os comerciais.

A Fox é craque nisso. Acho um desrespeito. Se o programa está começando, pois que comece! E o intervalo que venha mais tarde.

Caros,
Há muita manipulação de informações por trás da campanha contra o Projeto de Lei que tramita no Congresso Brasileiro. A campanha é orquestrada pela Sky (News Co, Fox, Murdoch) e pela ABPTA (programadores internacionais). Ao que parece, tem apoio da Globo, que detém o quase monopólio do conteúdo brasileiro para 82% dos assinantes brasileiros (informações da própria Net Brasil em http://netbrasil.globo.com/ ; clique em “Quem somos”). Fiz um blog para discutir o tema.
http://www.cotastvpaga.blogspot.com
Há um post exclusivo sobre a campanha:
http://cotastvpaga.blogspot.com/2008/03/liberdade-na-tv-uma-campanha-enganadora.html
Há ainda notícias sobre os andamentos recentes do projeto, que parece ter recuado bastante na questão das cotas.
abs, João

[...] um texto interessante sobre o assunto no Blog Outros Olhos, de Gustavo [...]

EU ENTENDO QUE O PROJEITO LEI DEVERIA SE PREOCUPAR EM CANCELAR OS COMERCIAIS DA TV POR ASSINATURA ,POIS NÓS PAGAMOS PARA NÃO ASSISTIR COMERCIAIS E BOBAGENS DA TV ABERTA .EU CONCORDO TAMBÉM QUE DEVERIAM LUTAR PARA TER PONTOS ADICIONAIS PARA OS ASSINANTES GRATUÍTO,PORÉM NÃO ACEITO OBRIGAREM OS ASSINANTES A ASSITIR PROGAMAÇÃO BRASILEIRA COM 50%,PORQUE NÓS PAGAMOS BEM CARO PARA ASSISTIR A PROGRAMAÇÃO QUE ACHAMOS MELHOR .E PORQUE NÃO PROCURAM FAZER UMA TV ABERTA COM QUALIDADE E COLOCAR PROGRAMA DO GOVERNO NA TV ABERTA ?

[...] disse Gustavo Jreige em seu blog OutrOs OlhOs, eu só queria ver TV em [...]

É um absurdo, de fato, afinal, temos liberdade para assinar uma TV paga, assim como devemos ter liberdade para assistir o que a gente quiser, sem ninguém “ditando” a programação!

Eu quero ter direito de assistir a filmes europeus, que adoro, a clássicos norte-americanos, europeus, asiáticos e inclusive brasileiros. Pelo que li, querem acabar com isso, e transformar a TV paga no lixo que é a TV aberta. Assim, não teremos mais opção. Só me digam uma coisa: onde eu voto? PRocurei no site todo (Liberdade na TV) e não achei. O que será que acontece?
Grato pela atenção!

Caros,
Construi um Blog que trata do mercado de tv paga no Brasil. Fiz isso por conta daquilo que considero uma enganação total: a campanha da ABTA. Tem muito neguinho servindo de massa de manobra e entrando num jogo de interesses de peixe grande (Globo + programadores estrangeiros + operadores estrangeiros, leia-se Sky).
Tenho colocado no Blog notícias quase diárias sobre o andamento do novo projeto de lei para a TV por assinatura.
Na segunda última, 7/4/08, foi protocolado um novo texto na Câmara. As cotas, ao que parece são mínimas.
Há também alguma análise e tentativas de explicar a proposta. Entrem lá. Vamos discutir.
O endereço é: http://www.cotastvpaga.blogspot.com
abs, João

Parabens pelo post Gustavo, eu de tanto ver esta propaganda da ABTA fiquei curioso e vim pesquisar na net. Bom logo imaginei que esta ABTA seria a mesma coisa que uma ANATEL, uma agencia que deveria regulamentar e defender os direitos dos consumidores brasileiros, mas na realidade defendem o interesse dos investidores. Eu também acho absurdo a tv paga exibir tantas propagandas durante os programas, além de estarmos pagando muito caro por uma assinatura somos obrigados a aguentar propagandas ridiculas como a da juicer, rotomatic, etc… .