2008 se foi há algumas horas, deixando, como todo bom ano faz, um belo legado para seu substituto. Foi, sem dúvidas, o melhor ano da minha vida e também aquele em que mais aprendi sobre o mundo e sobre como me relaciono com ele e seus habitantes. Eis, a seguir, uma retrospectiva reflexiva das lições de mais um ano de vida – um post bem pessoal, mas com alguma mensagem, espero eu.

Foi assim: no primeiro dia, escrevi como seria 2008 e, no segundo, vi que não seria nada daquilo. Falei que ia blogar mais e escrever muito para cá, mas jamais bloguei tão pouco. Prometi a mim mesmo me dedicar menos à faculdade, o que até fiz, mas muito mais por falta de tempo do que por vontade própria – como deveria ser. Curti muito a vida, aprendi a ter amigos, a ter colegas de trabalho, a ter uma rotina, a ter momentos certos para as coisas. E, bom, queria trabalhar muito – e nesse quesito, me superei. Oh yeah!

Imagina a cena: você quer ser jornalista e, para tal, participa de um processo seletivo para ser estagiário de um grande jornal. Acaba virando repórter freelancer dele e, logo em sua primeira incursão naquelas páginas, assina a capa do caderno – algo que aparentava ser bem complicado de se conseguir. O trabalho rende e gera proposta de novas matérias. Há o convite para ser contratado. Qual a resposta?

Em todos os meus sonhos e planos, um óbvio e gigantesco SIM. Na realidade, recusei. Na mesma semana que me convidaram para trabalhar lá, estava lançando a Blog Content, minha própria empresa, em um universo que não era exatamente jornalístico. Uma aposta que ia contra até o meu projeto de vida e que me fez tremer na hora de dar o derradeiro “não, obrigado”. E foi isso que 2008 me ensinou: não sabemos porcaria nenhuma de nossas vidas, nem mesmo o que é bom ou ruim. O que é ótimo.

Digo isso porque, se eu tivesse sido contratado como estagiário desse jornal (ou em qualquer outro trabalho), dificilmente teria sido convidado para a BlogContent e, assim, não seria sócio da Polvora!, a empresa que me fez repensar o que eu queria da vida. Assim, perder o prazo daquela prova online do estágio que todos apontavam como “feito para mim” não parece ser tão ruim, né?

A imagem que eu tinha da minha carreira mudou – pudera, passei a trabalhar efetivamente com blogs, em uma atividade que contempla várias áreas da comunicação social, do jornalismo à publicidade, passando por RP. Experimentei o gosto de entrevistar e de ser entrevistado, uma experiência curiosa.

É peculiar para o jornalista ser fonte, e em 2008 me vi por diversas vezes nessa posição. Eu, que sempre gostei de perguntar, tive que responder – falando com marca de corte, já pensando no que teria mais valor-notícia e nas frases que você aproveitaria no final caso fosse o repórter.

Em janeiro, foi ao ar mais uma reportagem que gravei para o programa da faculdade na televisão, entrevistando pessoas que, mais tarde, viriam a ser minhas amigas, como a Flávia Durante e o Maestro Billy. Depois, só fui fonte: fizeram uma entrevista comigo no “Urbano”, do Multishow, sobre como nossas vidas se tornam públicas na web; me levaram para passar um dia sem tecnologia no “Olhar Digital”, da Rede TV!; contaram um pouco da minha vida (com fotos de infância!) até chegar aos dias de hoje no “SBT Realidade”, do SBT; e dei meus palpites sobre blogs e profissionalização no “Jornal da Globo”, da Globo. Também estive por aí em alguns sites e jornais – e não foi como repórter. Uma das mudanças curiosas que 2008 me reservou.

Nunca tinha trabalhado regularmente na vida – só havia feito frilas. Comecei a trabalhar e gostei da coisa, do espírito de equipe, do empenho incrível de todo mundo para fazer a empresa dar certo. Encontrei malucos que sonhavam exatamente com a mesma coisa que eu, ainda que não fosse exatamente ser um bom repórter. O bom dos sonhos é que, de tão livres, aparentam ter uma forma, quando na verdade não passam de essência. O que a gente busca sempre é um sentimento, não uma posição, situação ou objeto.

E procurando entender os sentimentos, descobri amigos de verdade, que amo como se fossem minha família. Aprendi a dividir esses sentimentos – algo que, acredite, eu nunca havia feito de verdade antes -, o que mudou um tanto meu modo de encarar a vida. Poucas vezes me senti sozinho, mesmo ainda não tendo encontrado a mulher certa – e esbarrado por aí com umas bem erradas, mas ainda assim incríveis. Vai saber o que é certo, né?!

Me esforcei bastante para conseguir ir ao show do Maroon 5, a banda que me acompanhou durante a adolescência (pois é!). No palco, descobri que nem gostava mais deles. Bom sinal.

As coisas mudaram, muito, de várias formas. Minha vida virou de ponta-cabeça e ficou de uma forma que eu não imaginava, mas que hoje amo como se não houvesse outro jeito de viver.

Amanhã amarei outras coisas, terei novos planos, sonharei com momentos ainda mais malucos. Afinal, viver é isso: mudar, descobrir. Intensamente, apaixonadamente.

Obrigado, 2008, por ter me ensinado essa lição, por mais complicada que tenha sido.

E nada de fazer um “Como será 2009″, com previsões imprecisas daquilo que eu vejo como futuro – por mais que sejamos míopes para tal. Fica o desejo profético: 2009 será o melhor ano de nossas vidas. De um jeito ou de outro.