por Gustavo Jreige / 20 Nov
Esse post deveria ter saído a tarde, mas não consegui postar por problema técnico. O Planeta Terra começa em pouco mais de 12 horas e acho que, a essa altura, todo mundo já está bem curioso (e desesperado) para saber quem fez a mais criativa rota musical e vai curtir Phoenix, Mika, Pavement, Passion Pit e Smashing Pumpkins e várias outras atrações amanhã no Planeta Terra.
Pois bem, é chegada a hora. Eis a história vencedora:
Com a chave o Nokia N8 – o busão do Planeta Terra – em mãos, eu me armaria de uma câmera de vídeo e começaria minha viagem lá em Santa Catarina. Lotaria o busão com pessoas que marcaram minha vida musicalmente, como o primo que me criou ouvindo The Doors, os amigos que me apresentaram Ramones e Sex Pistols, as amigas que fizeram meus ouvidos sangrar com muito Jota Quest e levaria todos eles na viagem musical dos meus sonhos: conhecer alguns dos lugares mais importantes para o rock.
Magicamente – o busão tem poderes sobrenaturais – transportaria todo mundo para os EUA, precisamente San Francisco, no Fillmore Auditorium, onde lá por meados dos anos 60 começou a cena hippie e o rock psicodélico – dos meus favoritos! Depois, partiria para a Big Apple. Lá, conheceríamos o berço do punk e do new wave: o lendário clube CBGB & OMFUG. Óbvio que faríamos performance ramonística, comigo nos vocais a la Debbie Harry, mistureba das boas!
De NY, partiríamos para o encontro das rodovias 61 e 49, em Clarksdale, Mississipi. Por que raios pararíamos no cruzamento de duas rodovias? Porque ali, diz a lenda, Robert Johnson vendeu a alma ao Diabo a troco de se tornar um dos melhores guitarrista de blues do universo. Parece que deu certo porque ele é considerado influência por nomes como Eric Clapton. Ali, além de tocar um blues nervoso, negociaríamos mais umas 40 almas com o Demo.
A próxima parada seria Memphis, Tennessee, para acertar 2 alvos com 1 tiro: visitar Graceland, lugar onde Elvis, viveu e morreu, e o Sun Records, considerado um dos berços do rock’n roll, de onde saíram os primeiros discos do Elvis, do Jerry Lee Lewis e do Johnny Cash. É muito rock pra uma cidade só.
Depois de rodar os EUA, o busão mágico pararia na Europa, em Liverpool. Destino: Cavern Club, onde os Beatles começaram a carreira e conheceram o empresário que os levaria ao estrelato. Uma cerveja e uma Rock and Roll Music depois, seria hora de pular para Londres, na Abbey Road, para que todos os passageiros cruzassem a rua com ar de garotos e garotas de Liverpool.
Para finalizar o passeio europeu, passaríamos em Paris para cantar Moonlight Drive para o Jim Morrison e voltaríamos de viagem diretamente para o Planeta Terra. A essa altura, o clipe da viagem – toda devidamente documentada em vídeo – estaria prontinho para passar no telão enquanto o Pavement toca Roll with the Wind, a trilha sonora final da minha épica viagem.
A autora é a Joana Dambrós (com quem já entramos em contato, apesar do problema tecnico). Parabéns!
O segundo lugar ficou com o ônibus do tempo do Thiago Romaro. Infelizmente, o par de ingressos era só para o primeiro lugar, mas a história ficou tão legal (mesmo, a ponto de quase fazer os jurados brigarem na escolha do vencedor!) que resolvi publicar.
Ônibus do tempo
“Se você vai construir uma máquina do tempo, que seja com estilo, construa-a usando um DeLorean”. Esse ensinamento do professor Brown no filme “De volta para o futuro” é fundamental. No meu caso, quero conforto. E se é pra ter uma maquina do tempo que ela tenha banheiro, uma cozinha e uma bela cama de casal. Afinal, vai saber se aquele hotel na esquina existia em 1950 ou se ainda existirá em 2040. Além do mais, o objetivo aqui é viajar pelo mundo e pelo tempo pra poder curtir alguns dos melhores shows de Rock da história.Ter um quarto na porta dos shows é um belo imã de garotas. O que seria do Rock and Roll sem as garotas? Por isso, pra mim, nada de Delorean, eu vou ter um ônibus do tempo. E o interior dele fará inveja a qualquer Rock star que viaja pelas estradas do mundo.
Tudo pronto. Mandemos chronos passear. Nada de seguir qualquer lógica. Aqui a regra é assistir o show que der na telha, quando der na telha. Pra começar vou vestir calças largas e rasgadas, botar minha camiseta de flanela e dar uma parada em Seattle. Estamos no final dos anos 80. Tá rolando um pequeno festival de verão com bandas locais. Pouco mais de 500 pessoas se aglomeram no um parque da cidade pra ouvir o que os garotos da região andavam aprontando em suas garagens. E o que ouvem é uma música esquisita e diferente, que parecia um punk rock mais sujo. No palco um tal de Eddie Vedder, atrás dele, já montando seu equipamento e esperando sua vez: Kurt Cobain. E, no meio da galera estou eu, feliz da vida, fingindo não conhecer nenhum daqueles caras. Umas cinco meninas histéricas em frente ao palco cantavam as músicas. Eram as primeiras groupies do Pearl Jam.
Próxima parada 30 de janeiro de 1969. Varanda de um prédio vizinho ao edifício da Apple Records. De cima do telhado os meninos de Liverpool mandando seus sucessos. Todo mundo tava curtindo, mas a polícia veio e acabou com a festa. O show durou 40 minutos. Valeu a pena!
Tá na hora de sujar o ônibus de lama. Woodstock. Ainda em 1969, agora em agosto. Serão os três dias mais psicodélicos da minha vida! Paz e música. Ou drogas e Rock and Roll! Entre a lama e o sexo livre encontro tempo para curtir os shows de Joan Baez, Creadence,Santana, The Who, Joe Cocker, Janis Joplin, Blood Sweat and tears e, o grande Jimi Hendrix! Vou ter que voltar mais vezes!
Numa sequência rápida assisto um show do Doors em Los Angeles, o Metallica na turnê do Black Album, e os Stones em Copacabana. Não Posso deixar de passar pelo Central Park pra assistir Simon and Garfunkel. Nesse, derramo lágrimas.
De volta a Europa e agora em 1971, vou até Ponpeii assistir o Pink Floyd gravar o vídeo mais maluco da carreira dos caras. Fiz até carinho no cachorro que canta junto com a gaita. Depois me sentei em um canto e fiquei vendo e ouvindo aquilo tudo meio sem acreditar.
Volto pro século XXI e vou até a chácara do Jockey ver o Radiohead aqui em São Paulo. Esse eu já tinha visto, mas sabia que valeria a pena rever. Revi também o show dos Los Hermanos na fundição Progresso. De volta ao ônibus viajei até a Europa na alta temporada e assisti Foals, Franz Ferdinand, Queens of the Stone age, (que estava em turnê por lá). Na França o Phoenix, seguido de Justice e depois uma banda local chamada B. Roy et sa Band. Que toca um som bem regional com sanfonas e banjos.
Agora a pergunta que não quer calar? O que será que pega em 2050? O Belchior já dizia que nossos ídolos serão sempre os mesmos e que dizemos que depois deles não apareceu nada de bom, mas não custa conferir. Chego lá e entro na internet pra ver o guia de shows. Até procurei uma banca de jornais antes mas elas já não existem mais. O mundo é sustentável e papel virou lenda. Vejo que haverá um show histórico: após 20 anos separados o Radiohead se reunirá para um único show na Inglaterra. Tocarão grandes clássicos como “Nude”, “Idioteque”, “Jigsaw falling into place” e “everything in its right Place”. Na fila do show vejo uns coroas barrigudos e felizes, alguns levando os filhos. “Hoje você vai ver o que é música de verdade” dizem eles. No Palco um Thom Yorke, grisalho. Mas genial, como sempre.
No dia seguinte saio atrás de um show da moda. O que será que ouvem os jovens agora? A banda chama Moscou, não existe mais palco; só luzes, e uma música vindo meio que do além. Todo mundo de óculos 3D. Percebi que só colocando os óculos conseguiria ver a banda. Eu não entendi nada, odiei. Mas a garotada estava se divertindo. Dançavam sem parar.
- Melhor voltar pra casa – penso comigo mesmo. Largo o ônibus do tempo na garagem e me preparo para ir ao Planeta terra de 2010. Isso se gostarem da minha história.
Agredecemos a todos que participaram e pedimos desculpas pela demora na divulgação do resultado.
Se você não conseguiu ingresso, ao menos o Terra transmitirá em HD todo o festival. Aqui no blog e lá no portal do Planeta Terra você também conferirá nossa cobertura.