Especial “O Teatro Mágico”: O show do “Segundo Ato” e o download das músicas
Veja a primeira parte desse especial clicando aqui.
O Teatro Mágico é um espetáculo, um junção de música, poesia, teatro, circo… Com o objetivo de ser um “sarau amplificado”, ele une suas canções e textos a figurinos, cenários, coreografias, acrobacias, palhaçadas. Quando junta tudo numa coisa só, ganha força e mostra porque consegue atrair tanta gente: é no palco que esse teatro mágico de fato acontece.
Já vi vários shows da trupe, peguei várias filas intermináveis e já até fiquei de fora, após mais de 6 horas aguardando por um ingresso (pois é, mas isso quando ainda não tinha visto nenhum show e queria ver mais do que tudo na vida). Fui nas duas Viradas Culturais, ano passado e nesse, ficando no meio das multidões de 40 e 30 mil pessoas, respectivamente, que saíram com o pé detonado após tanto pular e receber pisões.
Fui a tantos shows do “Entrada para Raros” que, em certo momento, ninguém mais queria me acompanhar. De tanto repetir as mesmas músicas e piadas, o TM foi cansando a platéia menos fanática. Consciente disso, tomou uma importante – e acertada - decisão: nesse novo “Segundo ato”, não cantaria nenhum de seus maiores hits, do disco anterior.

A convite do grupo, assisti à estréia da turnê, no Memorial da América Latina, em São Paulo, há cerca de dois meses. De fato, não tinha as canções mais famosas do “Entrada para Raros” – o grupo chegou a brincar, tocando a introdução de algumas delas -, mas elas não fizeram tanta falta assim (na verdade, só me lembro de tocar uma nova versão de “Uma parte que não tinha“, do primeiro álbum).
Quase todas músicas desse novo álbum já eram tocadas na turnê antiga, o que gerou uma transição menos doída, sem tanto estranhamento. Essas canções – como “Pena”, “O Mérito e o Monstro” e “Cidadão de Papelão” -, ganharam novos arranjos e toda uma composição de palco - viraram “números musicais”, como diria algum apresentador brega da TV.
E foi um show de palco - totalmente registrado pelos fãs e disponível no Youtube. A platéia delirou com as representações ainda mais teatrais das músicas – que também ganharam um toque mais rock’n’roll, que empolgou. A energia e o romantismo que fizeram o grupo se destacar nos últimos anos continuavam novamente ali, revigorados.
Novas acrobacias e coreografias ajudaram a renovar o espetáculo visual. Os figurinos estavam muito, muito mais luxuosos e belos, um grande e necessário avanço a essa trupe cada vez menos mambembe.
Ao contrário do CD, no show tudo funciona. A presença de palco do grupo garante isso quando a música não o faz – e são poucas vezes.
Naturalmente, as canções novas ainda não animaram tanto assim, nem tinham força, em sua primeira apresentação “oficial” (com a versão que foram gravadas no disco), para substituir “Realejo”, “Ana e o Mar”, “O anjo mais velho”, “A pedra mais alta”, “Zaluzejo” e companhia, mas também não deixaram o público se desanimar.
Nos próximos shows, certamente já serão grandes hits – especialmente “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” (que no show ganha uma hilária introdução), “Reticências” e “Abaçaiado” .
O show continua imperdível e há grandes chances de levar novamente o prêmio do Guia da Folha de melhor show do ano – feito conquistado no ano passado. Eu votaria.
Além disso, a lojinha do TM continua lá (com novas camisetas!), ainda tem uma música em que todos sentam e, é claro, a trupe continua descendo para conversar com o público após o show.
Se interessou? Em São Paulo, o próximo show do Teatro Mágico será nos dias 04 e 05 de outubro, no mesmo Memorial da América Latina – boa locação, com palco vazado e espaço para todo mundo sentar e também dançar, sem aperto. Estarei lá!

O Teatro Mágico - Download de Músicas
Sempre admirei o grupo pela forma inteligente que utiliza a internet e consegue mobilizar os fãs. É um dos primeiros e maiores sucessos musicais provenientes da web no Brasil. Duvida?
O CD “Segundo Ato” foi disponibilizado integralmente no Trama Virtual. E adivinha? 60% de todas as músicas baixadas nos meses de junho e julho no site eram da trupe.
Até agora, mais de 550 mil downloads foram feitos no site, um recorde. Para efeito de comparação, no ano passado o mês que mais teve downloads no Trama Virtual, agosto, contou com “apenas” 170 mil downloads no total.
Visitei várias vezes o TOP 100 do site, e por muito tempo, todas as músicas do Teatro Mágico (37 no total, com as canções do primeiro e do novo disco) estavam entre as 40 mais ouvidas – todas do TOP 20 eram deles. Todas continuam entre as 65 mais ouvidas e 11 músicas do TOP 20 são deles.
O que é curioso é que algumas das músicas mais acessadas da trupe no site Letras, um dos mais populares de seu gênero, não costumam tocar nos shows, não estão em nenhum CD – e, conseqüentemente, também não no Trama Virtual. É o caso de “Cuida de Mim”, que ocupa o terceiro lugar, “Eu não sei na verdade quem eu sou”, na quinta posição, “Sobra tanta falta” (8ª) e “Perto de Você” (9ª). Sinal de que continua havendo um grande número de downloads das músicas em outros sites – tem até uma comunidade só para isso no Orkut, com mais de 8 mil membros.
Essas músicas não são necessariamente do Teatro Mágico como um grupo, mas gravações de Fernando Anitelli e de outros membros da trupe, a maioria apenas com voz e violão. Você pode encontrar essas e outras músicas clicando aqui.
****
No próximo domingo, na última parte do Especial “O Teatro Mágico”, você confere uma super galeria de fotos desse show e também um vídeo exclusivo e em primeira mão do novo DVD do grupo!
****
Claro, não posso deixar de falar das dezenas de comentários no post anterior, criticando minha crítica e até me ofendendo. A todos que usaram argumentos e que foram racionais, agradeço. Aos que xingaram apenas por eu não ter falado 100% bem do CD, peço reflexão: uma das propostas do Teatro Mágico é ser crítico com tudo, inclusive com ele mesmo. É não aceitar por aceitar, ou, como diz a música “não acomodar com o que incomoda”. Ser alienado com o próprio trabalho d’O Teatro Mágico é negar, contradizer e desperdiçar tudo que o Fernando e a trupe pregam. Esse tipo de fanatismo me parece exatamente incompreensão. Pensem nisso.
****
Tem sugestão de banda para o Estúdio OutrOs OlhOs? Mande para blog[arroba]outrosolhos.com.br. ![]()
Compare Preços: MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras
- 4 comentários | Comentar
- Categorias: Especiais, Estúdio OutrOs OlhOs, Geral
Fiz TV: conheça o canal de TV interativa do Grupo Abril
Você deve ter lido em algum outro blog que, na sexta-feira, dia 29 de junho, aconteceu em São Paulo o pré-lançamento do Fiz.TV, o novo canal televisivo do Grupo Abril. O evento tinha o objetivo de apresentar a emissora aos blogueiros e permitir que tirássemos nossas dúvidas a respeito dessa nova proposta, ainda um tanto mal compreendida por muitos, que insistem em rotulá-la de Youtube-killer ou bobeira do tipo. Não é o caso, nem de longe. Eu estive nesse encontro – que, aliás, me pareceu por diversas vezes uma mistura de coletiva de imprensa com a sociabilidade da Barcamp -, fiz perguntas ao Marcelo Botta, gerente de conteúdo do Fiz, e prestei bastante atenção em tudo que foi dito. Abaixo você poderá compreender melhor como será esse canal, que estreará no próximo dia 30, e ver as minhas impressões a respeito dessa proposta potencialmente inovadora.
TV + Internet
Essa é a premissa básica do canal: veicular apenas conteúdos produzidos por cidadãos comuns, havendo diálogo entre internet e televisão. O Fiz.TV será um portal de vídeos na web, do tipo Youtube, só que com um propósito: ser o meio para o usuário enviar seu material que, após votação popular, pode ser exibido na televisão.
Além disso, há o blog - lançado durante o encontro -, que mostrará destaques entre os vídeos do sistema, sempre com bom humor. O blogueiro, o estudante de jornalismo Fábio, é o apresentador do canal na internet e aparece em vídeos engraçados no próprio site. Na TV não haverá nenhum apresentador ou VJ, apenas uma narradora. Pode ser que a voz da TV e o apresentador virtual venham a interagir – o que, acredito, pode ser bem divertido se seguir na linha adotada pelas legendas do “[adult swim]“, bloco adulto do Cartoon Network.
Os melhores vídeos, segundo os votos dos internautas, vão para a TV, em blocos temáticos. Na internet eles ficarão disponíveis, sob demanda, como estamos acostumados. O legal é que, conforme a pessoa vai produzindo vídeos que fazem sucesso, ela vai aumentando seu nível de poder – começa como telespectador e vai até Chuck Norris – e pode até chegar a ter um programa próprio no canal.
Essa é outra característica da Fiz.TV: ela é totalmente aberta e nem a equipe sabe o que vem pela frente. Não tem uma forma certa, um projeto a ser seguido à risca. Ela será lançada e, com o tempo, irá mudando. Isso é, em partes, proposital, já que eles querem possuir uma programação totalmente flexível, agradando às vontades dos espectadores-internautas.

Público alvo e conteúdo on demand
Está tudo tão aberto que eles não sabem nem em que operadora de TV por assinatura eles estarão. Vão começar na TVA – companhia que pertence ao grupo Abril e à Telefônica e que tem cerca de 300 mil de assinantes -, mas esperam entrar no line-up de outras operadoras em breve. O público-alvo fica evidente com o tipo de visual adotado pelo canal, com arte e vinhetas bem jovens. É nessa parcela dos telespectadores que eles pretendem investir, já que, pelo menos teoricamente, é o público mais aberto a novidades e o que consome e produz esse tipo de conteúdo na internet. Dessa forma, considerando o target e a taxa de alcance familiar de cada aparelho televisor, eles pretendem atingir cerca de 200 mil espectadores no começo do canal.
O problema, ao meu ver, é que as linguagens dos veículos são bem diferentes. O grande atrativo da web é poder ver e indicar qualquer coisa, na hora que você quer. Na TV isso não existe e, por mais flexível que o canal pretenda ser, ele ficará preso à grade de programação - o que, no caso da Fiz.TV, é até um fator até positivo. Explico: eles esperam que o internauta veja o vídeo no site, goste, vote e vá ver na televisão, avisando os amigos. Para isso acontecer, é preciso ter uma grade muito bem elaborada, além de sistemas que avisem ao internauta a que horas determinado conteúdo será exibido na TV. Mais ou menos como MTV Brasil tinha há algum tempo em seu site, em que o usuário se cadastrava e selecionava clipes específicos, podendo receber, por e-mail ou – se não me engano – através de um sofware, avisos de seus horários de exibição no canal. Dessa forma, acredito, pode até funcionar – afinal, seria legal ver um vídeo que você gosta ou que foi produzido por um amigo passando na televisão! – mas é importante que haja o aviso para cada vídeo individual, e não apenas para as faixas temáticas.
Blocos Temáticos
Os vídeos serão divididos por temas ou gêneros, criando blocos, que serão os “programas” dessa emissora. É o caso do “Fiz.Anima”, de animações, o “Fiz.Caca”, só com vídeos trash, o “Fiz.Humor”, de vídeos de comédia, o “Fiz.curta”, com curtas-metragens, e o “Fiz.Doc”, com documentários, que podem vir, inclusive, do meio acadêmico. Isso mesmo: Totalmente colaborativa, a Fiz.TV não receberá apenas vídeos de internautas, mas já está realizando parcerias com universidades do país todo, além de festivais. Acho que daqui pode vir coisa bem interessante, dando espaço a produtos legais, mas que eram engavetados assim que o professor desse a nota ou a estatueta fosse para a prateleira. Só não sei se o público do canal – jovens, que consomem vídeos da web e gostam de inovação – apreciará um gênero mais sério como esse. Torço para que sim, pois é uma divulgação tamanha para a produção universitária nacional (que já vinha ganhando espaço com programas como o “Campus”, da TV Cultura).
Divulgação, essa é a palavra-chave para novas bandas, certo? Pois é, aproveitando o fenômeno das bandas divulgadas online, eles também vão exibir a faixa “Fiz.Clipe”, só com produções musicais amadoras, de bandas independentes – eles já buscam, inclusive, parcerias na área. Boa! Isso é o que acontece na web 2.0 (ah, vai, até que eu sobrevivi a muito texto sem usar a expressão mais mala dos últimos tempos) e também acontecerá na TV 2.0 (não, não terá overdose. Foi a última expressão “2.0” desse post!), o usuário poderá escolher seus clipes e bandas favoritas e depois curtir. Não duvido nem um pouco do poder viral da música e do potencial de indicação que a faixa musical possui, podendo atrair audiência e - por que não? -, amplificar a fama e traçar novos caminhos para os ídolos surgidos na web.
Telejornalismo Colaborativo
O jornalismo, claro, também está presente , com o “Fiz.Notícia” que, obviamente, receberá notícias dos internautas. Isso não foi dito na apresentação, mas o Marcelo me explicou como funcionará esse que pode ser o primeiro telejornal colaborativo da história da TV: O usuário manda o vídeo para o site e os editores do canal (sim, eles também selecionarão os vídeos por conta própria) podem utilizá-lo, caso quente e factual, mesmo sem passar pelos procedimentos básicos (como o processo de votação e o ranking, onde só um Chuck Norris colocaria um vídeo com tanta facilidade na televisão). Ou seja, o vídeo vai para a TV mesmo sem ninguém ter votado nele, para que não perca seu valor-notícia. Compromisso com a informação? Mais ou menos, e é isso que me deixa preocupado.
Tal pressa para veiculação é mais ânsia e euforia pelo conceito de notícia ágil e fresquinha do que comprometimento com o jornalismo e suas premissas básicas, como a checagem. Como não passará necessariamente por processo de votação, a notícia precisaria de um jornalista (um profissional do jornalismo) para checá-la. Não terá. Segundo Marcelo, os vídeos serão veiculados e, caso algo muito errado vá ao ar, eles podem “desmentir no dia seguinte, ou até mesmo no dia!”. É pouco, muito pouco. Imagina só a quantidade de besteira que pode ir ao ar? Temo que seja um desserviço ao jornalismo colaborativo, que caminha a duros passos para conquistar credibilidade no Brasil.
Equipe da Fiz.TV, cuidado com isso, por favor! Não se esqueçam que vocês pertencem ao mesmo grupo que edita a revista semanal de informação mais importante de nosso país (só não se inspirem na credibilidade e imparcialidade de lá, por motivos óbvios) e que, por mais que a inovação seja interessante, tem coisas que são fundamentais, e a verdade é a principal delas.
Integração e Cross Media
As revistas da Editora Abril são parceiras potenciais da Fiz.TV. Já estão sendo elaboradas formas de interação, incentivando, por exemplo, os leitores da revista Superinteressante a gravarem vídeos sobre o tema da edição e mandarem para o site da emissora. Por enquanto não há nenhum plano de lançamento de uma revista Fiz, até porque o grupo já possui uma publicação colaborativa, a Sou+Eu, empreitada jornalística-popular de baixa renda.
A Sou+Eu, aliás, que seria uma parceira natural da Fiz.TV, por compatibilidade de conceitos e de origem, não está nos planos do canal por enquanto. O perfil do periódico é totalmente diferente do da Fiz.TV, já que é voltado a mulheres de classe C e D com uma certa idade – quase o oposto do público jovem, com acesso à internet e à TV paga que a emissora busca. Isso, entretanto e felizmente, tende a mudar, já que, segundo ele, a Sou+Eu será reformulada e se aproximará mais de seu projeto inicial: conteúdo colaborativo para um público mais jovem e com maior poder aquisitivo. Aí, sim, pode acontecer uma junção dos dois produtos mais colaborativos do grupo Abril.
Publicidade
Colaboratividade é, certamente, a palavra mais usada nesse texto – e também na elaboração da Fiz.TV. Tanto que eles pretendem, se possível, exibir apenas comerciais feitos por usuários. Sim, publicidade 2.0 (pois é, não tenho palavra e usei novamente esse termo mala. Desculpe.), em que as marcas pagariam os usuários para produzirem vídeos com seus produtos. Sei não, uma vez é legal, duas vezes dá certo, mas só isso pode ser cansativo e dar errado. Embora entenda a intenção de gerar uma programação unificada – o que tornaria o comercial tão interessante quanto uma atração do “Fiz.Humor”, por exemplo -, temo que não termine bem. Publicidade participativa é bem complexa e, como eu já escrevi aqui no blog, há uma tendência para sua execução nesse nosso contexto de realidade (não, não vou falar 2.0!) horizontal e comunicação bi-direcional, mas quem vai como muita sede ao pote…
Remuneração e aspectos técnicos
O usuário, claro, não produzirá conteúdo de graça, ele será pago caso seu vídeo passe na televisão. Nenhum grande cachê – segundo Marcelo, ninguém vai conseguir viver disso! -, mas uma justa recompensa pelo bom trabalho. O departamento jurídico terá a árdua tarefa de deixar tudo legalizado, sem infringir copyrigh ou permitir apologia a qualquer coisa (como seria enquadrado o Tapa na Pantera, com drogas, por exemplo). A equipe técnica terá que ajustar o áudio e a imagem de cada vídeo para que tudo fique bom na tela grande – e, pelo que foi mostrado para gente, pareceu estar funcionando, já que não ficou com imagem quadriculada ou coisa do tipo. O GC, gerador de caracteres, aquele letreiro que aparece na tela, informará o nome do vídeo, os autores e a localidade dele (imagina o trabalho que vai dar organizar e separar tudo isso para montar os blocos?).
Não será nada fácil fazer esse canal funcionar, mas a equipe é jovem e está determinada a tornar a Fiz.TV um sucesso, indo muito além das 4 horas diárias de exibição dessa fase inicial. O clima intimista e informal do nosso encontro, realizado no “quintal” do casarão que abrigará o canal, foi intencionalmente criado para mostrar o espírito do projeto: um grupo de amigos trabalhando naquilo que gosta e criando coisas novas.
Espera aí, essa não é exatamente a história do início de grandes serviços da internet?
Logomarca da Fiz.TV encontrada no Techbits, do meu novo amigo Alexandre Fugita
Compare Preços: Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas
- 11 comentários | Comentar
- Categorias: Especiais, Jornalismo, Mídia, Tecnologia, Televisão
MediaOn - 1º Seminário Internacional de Jornalismo Online

Estou participando e publicando coisas lá no nosso podcast. Clique aqui para ouvir.
O evento está sendo transmitido ao vivo pelo Terra.
Compare Preços: Motorola V3, iPod Vídeo, Sony Cybershot
- Comentar este post
- Categorias: Especiais, Jornalismo, Mundo Blog
Qualidade sem selo: A hora dos independentes
Bandas alternativas vivem ótimo momento, ganhando espaço na mídia e aproveitando a internet para atingir o público mesmo sem o apoio das grandes gravadoras.
“Você pode comprar nosso CD por cinco reais. Mas se você não tiver dinheiro, pode piratear!”, dizia Fernando Anitelli, comandante da trupe “O Teatro Mágico”, durante show para 3500 pessoas, seu maior público, na Academia Brasileira de Circo, em São Paulo. Na saída, o pai do vocalista vendia os CDs em uma barraquinha. Em três anos de existência, o grupo já vendeu mais de 40 mil discos, todos dessa forma, e se tornou conhecido graças a divulgação dos fãs. Não são os únicos: isso vem acontecendo com cada vez com mais freqüência e já traz novas cores para a cena musical contemporânea.
Calypso, Snow Patrol, Cachorro Grande, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Gossip, Mombojó, MC Serginho. Sonoridades distintas, passados semelhantes. Nascidas pequenas, essas bandas fizeram sucesso e chamaram a atenção da mídia sem contar com a força de uma grande gravadora e de seus marqueteiros. O grupo do Pará se tornou fenômeno com seu tecnobrega graças aos CDs vendidos a preços populares em bancas de camelô. O pop rock do Cansei de Ser Sexy, que hoje faz sucesso mundo afora, ganhou destaque com o fotolog da vocalista e com músicas quase amadoras disponibilizadas no site Trama Virtual, celeiro artistas independentes na internet brasileira.
“A grande oferta de bandas é superpositiva, e o Trama Virtual é um passo sensacional nesse sentido”, acredita Tatá Aeroplano, músico dos grupos Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro. Suas bandas também utilizam a internet como meio de divulgação, possuindo, além de sites próprios e de uma página no Trama Virtual, perfis nos sites de relacionamento MySpace e Orkut. “Eu sou daquele tipo de pessoa que fica a noite inteira no SoulSeek [programa de compartilhamento de áudio] atrás de músicas, conversando com pessoas sobre isso. É meu esporte favorito”, brinca Francisco Ramos, programador de softwares e músico amador. Assim como ele, o jornalista Alexandre Inagaki utiliza as ferramentas virtuais para descobrir novas bandas. “Hoje em dia, com o surgimento de sites como Last.FM e Pandora que, teoricamente, ajudam você a encontrar novos sons que você possivelmente apreciará, de acordo com as músicas que você costuma ouvir por aí, a tarefa de garimpar bandas bacanas em meio ao dilúvio de informações é bastante facilitada, embora a grande ferramenta para a descoberta de bons músicos ainda seja o bom e velho boca-a-boca, devidamente modernizado através de bate-papos no Soulseek ou troca de scraps no Orkut”, diz ele, que mantém o blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. “Sempre convivi com bandas alternativas. Acompanho desde os anos 90, quando a internet nem existia e a divulgação era feita por fitas cassetes, trocas de zines, shows organizados por casas locais e coisas assim”, relembra Francisco.
“O povo cansou de ouvir sempre os mesmos artistas tocando sempre as mesmas coisas. Pode não ser um sucesso mundial, mas com certeza as novas propostas musicais terão seu espaço definido no mercado”, acredita Billy Umbella, mais conhecido como Maestro Billy, DJ do programa global “Caldeirão do Huck”. Produtor musical com mais de 15 anos de atuação e passagens por grandes veículos, ele não gosta do que ouve atualmente nas rádios. “Há exceção, mas, no geral, as músicas atuais estão todas iguais, sem nenhuma novidade que valha a pena ser ouvida”, reclama. Segundo ele, as mídias convencionais vão se abrindo, aos poucos, para o novo.
“Estamos passamos por uma fase muito rica na cena alternativa brasileira, com dezenas de bandas muito boas e um público novo, que está se formando através da exposição pelos meios de comunicação”, diz Tatá, que já apareceu em diversos programas de TV, como o “Fantástico”.
“Quase todas as bandas que eu gosto não passam nas rádios ou nas TVs, mas também não deixo de assistir ou ouvir. Já conheci coisas legais na MTV e nas rádios”, conta Francisco, que possui um podcast musical. “A internet certamente tem poder o suficiente para fazer com que bandas não dependam mais de mídia tradicional para conquistarem públicos consideráveis, vide exemplos tupiniquins como Fresno, Dance of Days ou Terminal Guadalupe. E isso pra não falar de exemplos no exterior como Arctic Monkeys, Ok Go e Lily Allen, que estouraram graças à força de sites como YouTube e MySpace”, explica Inagaki. “Com a internet, não adianta tentar impor um estilo ou uma banda, cabe ao ouvinte saber o que é legal”, julga Billy, que diz tocar tudo que considera bom em seus podcasts, com destaque para o que faz para a marca Heineken, onde somente sons alternativos são veiculados. Na TV, entretanto, a liberdade não é tão grande assim. “Eu toco no ‘Caldeirão’ o que é sucesso. Eu, o Luciano [Huck, apresentador], o My Boy [sonoplasta], o diretor e o produtor musical conversamos e escolhemos o que o povo gosta.”
Para eles, as gravadoras não são vilãs da cultura brasileira. “Acho que as grandes gravadoras, quando bem administradas, podem até ajudar a cultura pop. Isso aconteceu até o início dos noventa, depois elas não acompanharam as mudanças, perderam o fio da meada”, reflete Tatá, que teve seus CDs lançados por selos independentes. Billy concorda: “Não vejo as grandes como inimigas, mas sim como um braço da música que defende seus interesses e seus produtos.”
Esse mercado, entretanto, parece cada vez mais interessado em aumentar e diversificar seu número de produtos. Nos Estados Unidos, programas populares como o “Late Show”, apresentado por David Letterman, tem dado espaço a bandas iniciantes, que rapidamente se tornam sucesso. Panorama parecido é o das séries norte-americanas. O grupo britânico Snow Patrol estorou naquele país em 2006, quando tocou em diversos seriados, entre eles “Grey’s Anatomy”, uma das maiores audiências americanas. Mesmo na TV brasileira isso já vem acontecendo: o site Trama Virtual virou programa no canal pago “Multishow”; a MTV lançou o projeto “MTV apresenta”, exibindo e transformando em DVD shows de artistas alternativos e tem ainda em sua grade o programa “Banda Antes”, com grupos em começo de carreira.
O grande motor dessa nova “indústria” é o público. “Ser apresentado para uma banda nova e realmente boa é equivalente a receber um presente. Por isso gosto de indicar a amigos”, conta Francisco. “Se você encontra um som legal que ninguém mais conhece, você quer divulgar e, no boca-a-boca, a coisa toma proporções gigantescas”, explica Billy.
O diferente parece cada vez mais interessante ao público, consolidando a cultura indie. “Com certeza há um espaço imenso para uma música que não seja comercial, nós temos conquistado um espaço muito significativo com o nosso som”, comemora Tatá, que utiliza elementos inusitados e divertidos em suas músicas. Francisco diz freqüentar diversos shows de bandas alternativas e que todas eles possuem uma característica em comum: “a quase inexistência de diferença entre o artista e o espectador. É algo mais humano, sem o ‘endeusamento’ peculiar das estrelas.”
Sinal dos tempos. Hoje, até mesmo a música entrou na era colaborativa e o underground caiu de vez no gosto do mainstream.
Compare Preços: Calypso, Snow Patrol, Cachorro Grande, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Gossip, Mombojó, MC Serginho, MP3 Players
- 3 comentários | Comentar
- Categorias: Cultura, Especiais, Música, Tecnologia
Ditadura inacabada: Golpe completa 43 anos, mas crimes do período continuam arquivados
Família vítima de tortura processa militar e luta para que sociedade e parentes de desaparecidos políticos tenham “direito à memória” e à verdade

“Embora tenha acontecido há mais de 30 anos, você vive e revive a tortura. Ela nunca acaba”. O desabafo é de Janaína Teles, que aos 5 anos, viu os pais machucados e extremamente debilitados. “Eles estavam meio verdes, não pareciam meus pais! Nem a voz era mais a deles”, relata. Janaína estava acompanhada de seu irmão, Édson, de 4 anos, e eles não puderam receber o carinho dos pais, pois estes não possuíam força física para beijar ou abraçar os filhos. Viviam a ditadura militar e estavam no DOI-CODI, comandado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Os pais sobreviveram, tal qual os irmãos, e desde setembro de 2006 movem junto com a tia uma ação declaratória contra Ustra, acusando-o de seqüestro e tortura em 1972 e 1973. O processo não implica pena ou indenização financeira. Tem aspectos éticos e políticos e pede a declaração da ocorrência de danos morais e à integridade física.
Os pais de Janína, César e Maria Amélia, eram responsáveis pela gráfica do então clandestino Partido Comunista do Brasil e foram presos em dezembro de 1972 junto com um dirigente do partido. No dia seguinte, Criméia de Almeida, irmã de Amélia, e os sobrinhos também foram presos e levados ao DOI-CODI. Lá, César, Amélia e Criméia – grávida de 7 meses - foram torturados. Segundo eles, Ustra participava ativamente da tortura, indicando em quem os soldados deveriam bater. O coronel nega e diz que “jamais permitiria semelhante ato em um local que comandasse”.
Pertencente a uma família engajada politicamente, Janaína, quando criança, não sabia o nome real dos pais e dos parentes mais próximos. Nascida na clandestinidade, aos 6 anos entrou precocemente na puberdade e aos 28 na menopausa. Édson passou anos sem conversar com ninguém. Com os pais presos, os irmãos foram levados a uma casa gigantesca. Segundo ela, grande demais para pertencer a uma simples policial, como alega o coronel. Como se sabe, os militares utilizavam locais clandestinos para a repressão, como a conhecida “Casa da Morte”, em Petrópolis. Possivelmente foi em um desses lugares que os irmãos viveram por um tempo – daí a acusação de seqüestro. Ustra não admite, diz que atendeu um pedido dos pais da menina. A família nega.
Gritos trocados, nada se ouve. Contra memórias, palavras. Contra palavras, lembranças. Quase tudo que ocorreu no período militar permanece obscuro, já que os arquivos da ditadura jamais foram abertos. O regime, que teve fim em 1985, tem um saldo assustadoramente negativo: em 21 anos de duração, houve 25 mil presos políticos, 10 mil exilados e mais de 300 mortos ou desaparecidos.
Segundo Janaína, que hoje é historiadora e integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, o processo contra Ustra - e não contra o Exército ou a União - ocorreu porque “as pessoas que morreram na ditadura tinham nomes, sentimentos e história e os que mataram também”. Tais histórias ainda não foram reveladas e, como diz no documentário “15 filhos”, de 1996, Janaína quer “vingar, punir e reparar a dor” que a ela impuseram. Para ela, a condenação do torturador é um problema político, público, que deve ser discutido, até mesmo porque vários deles continuam na ativa e com posturas ainda conservadoras. No filme, diz sentir que a sociedade lhe devia algo, já que havia permitido o golpe – que no último dia 31 de março completou 43 anos.
O processo e todo o trabalho de Janaína, que é também organizadora do livro “Mortos e Desaparecidos: Reparação ou Impunidade?” (Humanitas / FFCH / USP, 2000), visam exigir o funcionamento da justiça e da democracia e permitir que a sociedade testemunhe essas páginas infelizes de nossa história. “O direito à investigação e à memória não nos foi dado”, alega. Para que essas passagens não fiquem desbotadas em nossas novas gerações; contra tanta mentira, tanta força bruta, é importante que haja a abertura dos arquivos militares, que revelariam os crimes, os criminosos e os locais onde os corpos foram enterrados. “Para mim não tem ponto final, porque não tem corpo nem nada.”

Janaína diz que o passado não deve ser escondido e, sim, combatido e cutuca o presidente Lula, na época líder dos metalúrgicos, que nada fez para que os documentos viessem às claras: “O Lula apoiou a campanha pela Anistia com bastante resistência, já que queria separar os sindicalistas da esquerda. Mas depois, na hora de fundar o PT, passou a gostar desse pessoal. A posição dele é contraditória”, afirma.
A Anistia prevê a acessibilidade dos papéis militares, mas a lei nº 11.111, de 2005, diz que o acesso aos documentos públicos classificados “no mais alto grau de sigilo”, como os da ditadura, pode ser restringido por tempo indeterminado ou até mesmo ficar em eterno segredo, visando a defesa da soberania nacional. “Sei que em paz não ficarei nunca, mas o direito de saber e o direito da justiça podem diminuir meu sofrimento.”
Ainda choram Marias, Clarices e centenas de pessoas que permanecem sem saber o paradeiro de seus parentes, que sumiram nos anos de chumbo, vítimas daqueles que aprendiam a morrer e matar pela pátria e a viver sem razão. “Nós não vamos aceitar a banalização da dor, nem esquecer nenhuma morte”, afirma Janaína.
Compare Preços: Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas
- 4 comentários | Comentar
- Categorias: Especiais, Jornalismo
Participe do novo Podcast:
Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:
O caminho da comunicação passa pelos blogs?
Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.
As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!


(4.75 out of 5)
(4.17 out of 5)




