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Feb15

Campus Party: Vamos conversar?


Blogueiros são bem mais legais ao vivo do que nos blogs. Isso é um fato, mas, naturalmente, não é regra - apesar do número de blogueiros bacanas pessoalmente ser animador. O melhor da Campus Party, claro, são as conversações - assim como nos blogs.

Eu tenho conversado absurdamente por lá. Quase só faço isso. Batendo papo sobre coisas sérias, sobre bobeiras, sobre tudo, com todos. Além de encontrar novamente os amigos, lá é um excepcional balcão de negócios travestidos de conversas informais. A feira? Bom, ela também está bacana.

De verdade, o ambiente completamente geek não faz nenhuma diferença para mim. Vejo os outros blogueiros animados com as novidades tecnológicas, fotografando e postando tudo, mas não me deu a menor vontade de fazer isso. É algo meio “Ok, bacana! Vamos para o próximo stand?”

Estou com um grave problema: eu não tenho a porcaria da programação (e sim, eu sei que tem no site). Não tomei vergonha na cara de ver as coisas direito e, com isso, perdi várias palestras e desconferências que eu queria ver. Me enrolei e acabei perdendo até o lançamento da Blog Content, uma consultoria para blogs corporativos tocada pelo Edney Souza, pelo Ian Black, pelo Alexandre Inagaki e por mim.

As discussões que eu vi foram dentro do mundinho que já freqüento, o dos blogs e do jornalismo. Depois de ir em tantos eventos do tipo, acho que acabei cansando de ouvir e discutir coisas que eu adoro e sempre posto no blog, mas que nunca saem do mesmo quando debatidas nessas ocasiões.

Para variar, não entendi muito bem as polêmicas jornalismo x blog - tirando a da Folha Online, com um problema jornalístico que, coincidentemente, aconteceu com blogueiros - e ouvi gente dos dois lados (se é que isso existe) falando que o outro não mudava nunca de opinião. Não mudam mesmo, e cansa.

Não tomo partido, falo “pois é” e dou um sorriso para jornalistas e blogueiros. Eu concordo e discordo dos dois! O que fazer, não é mesmo? Passei já da fase de ficar fazendo lutinhas internas: Meus lados blogueiro e jornalista estão cada mais misturados e quando vêem o Pedro Dória já dão uma risadinha e tentam adivinhar o que ele vai falar (sério mesmo, já fui em tantas palestras com ele que não duvido decorar suas palavras).

É válido que se discuta, principalmente se tiver algo novo - e sempre tem -, mas o processo de aceitação é lento e só de dá na prática: quando um tem contato com o outro e vê como tudo é legal e pode funcionar em harmonia, mudando algumas peças estratégicas no tabuleiro. Sonho com o dia em que os blogueiros e jornalistas se reunirão para pensar no que podem fazer juntos.

A propósito, achei boba boba a idéia do protesto do dinossauro no aquário da imprensa (o que também é bem bobo, aliás) - embora eu não tenha visto ao vivo e até tenha acompanhado parte da preparação -, mas também achei divertidinha. Nem tudo tem que fazer tanto sentido assim, ou tem? Os jornalistas curtiram, os blogueiros também. Rir faz bem.

Mesmo sem cobrir o evento como tinha pensado fazer, voltarei com alguns posts bem interessantes para breve. É que meu tipo de nerdice (fiz 25 pontos e aqui você faz o teste) é definitivamente outro: sou aquele cara que vai no stand da TV por assinatura assistir a “Friends” e sai de lá constrangido e meio bravo porque mais ninguém fica dando risadas (sim, eu realmente fiz isso. Que povo chato! Não rir de “Friends”? Como assim?).

Mas hoje vou pra lá querendo descobrir tudo. Como funciona, o que tem de bacana em outros setores, o que os robôs fazem, quanto os caras do modding gastam para fazer aquelas maluquices (no melhor sentido possível) com seus computadores, como se anda em um segway…

Prometo que vou conversar menos e ser um pouco mais blogueiro e jornalista. Sem, para isso, me afogar em nenhum aquário.

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Jan16

Jornalismo online: É assim que se faz


Hoje em dia, jornalismo é entretenimento. Natural que seja assim: por que apenas se informar se a gente pode ter informação, diversão e experiência ao mesmo tempo?
Isso já é realidade em todas as mídias – mesmo que alguns veículos errem feio o caminho e esqueçam que, na verdade, são jornalísticos e não de entretenimento puro -, mas em nenhuma pode ser tão explorada quanto na internet.

Por que raios temos que continuar consumindo conteúdo jornalístico primordialmente em texto na web? Essa não é uma mídia imprensa, apesar da maioria dos profissionais terem vindo dela! São muitas as possibilidades, mas poucos os portais de notícia que saem do texto e trazem conteúdo multimídia. Quando o fazem, é de maneira previsível e pouco inventiva – além de raramente agregarem algum valor ao que está escrito.

O que mais me anima no jornalismo online é exatamente a possibilidade de criar, de elaborar coisas novas. É tão bom quando a reportagem perde sua forma quadradinha e fica totalmente maleável, podendo proporcionar experiências muito mais agradáveis ao internauta.

São muitos os caminhos: Criar news games, experimentar coberturas em redes sociais, fazer mashups, usar colaboratividade ou mesmo utilizar, de forma inteligente, ferramentas já mais consolidadas, como blogs e podcasts. Isso tudo pode gerar modos mais eficientes de se informar, com uma intensidade que não existe nos meios em que o receptor ainda é passivo. Ao invés de haver leitor ou espectador, teremos usuários da notícia. Bem melhor, não?

Só que isso exige investimento e mão de obra qualificada, e é complicado encontrar ou formar profissionais qualificados em algo tão novo. Os veículos internacionais já acordaram para isso e correm atrás, mas os nacionais ainda roncam. São raros os casos em que o modo de informar ultrapassa o óbvio e aproveita os potenciais da rede.

Mas eles existem. O G1 é um dos que melhor trabalha as possibilidades, misturando texto, links, ilustrações, vídeos e galerias de fotos com jogos e infográficos animados, de ótima qualidade – além de permitir comentários do público em algumas notícias.

A maioria dos infográficos ainda é baseada em texto e imagem, mas já há integração com vídeos, por exemplo, e bom uso da interatividade. São soluções eficientes e criativas de informar e entreter, com um visual belíssimo.

Um bom trabalho, mas que ainda fica muito atrás do praticado nos infográficos do The New York Times, por exemplo, que, claro, são geniais: gostosos de assistir e de interagir, animando tabelas, vídeos, fotos e gráficos. Ou seja, um tipo de entretenimento que gera esclarecimento.

Esclarecido também ficará quem mergulhar no infográfico que o Último Segundo produziu sobre as eleições norte-americanas. Eu nunca vi nada parecido feito no Brasil. Exagero? Clique aqui, desabilite o bloqueador de pop-ups e veja. Tem um rico material informativo, utilizando diversas ferramentas para explicar detalhadamente cada aspecto das eleições, informando intensamente sem, por isso, ser chato ou cansativo. Seria impossível aprofundar tanto o assunto apenas com texto, já que matérias de vinte páginas não combinam com a internet.

O esforço da equipe de dez profissionais em pesquisar e produzir vídeos (com legenda em português), áudios (que eles erroneamente chamam de podcast) e animações, além de editar especialmente textos e fotos, merece certamente um desses prêmios de jornalismo online. O usuário, sem dúvida, já ganhou em informação.

Sai mais caro do que apenas relatar, demora para ficar pronto e são poucos os que sabem fazer, mas, como você viu, vale a pena. Cada vez mais gente produz conteúdo na internet e materiais assim, de qualidade, podem fazer a diferença para o veículo se destacar.

Para a nova geração, como a minha, essa é uma boa área a ser investida. A tendência é que as coberturas sejam cada vez mais multimídias e que um único profissional de jornalismo faça aquilo que, antes, era função para várias pessoas. Por isso, não basta ter um bom texto, embora isso seja fundamental, mas é importante saber produzir e editar fotos, áudios e vídeos, além de, eventualmente, conseguir planejar conteúdos como esses que mostrei no post, para serem desenvolvidos pelas equipes de arte.

Sim, está cada vez mais difícil fazer jornalismo, mas nunca tivemos nada de tão boa qualidade e, convenhamos, tão divertido! Temos uma mídia toda nova para construir, basta expandirmos nossos horizontes.

***

Eu sei, esse post não foi ilustrado, nem teve infográfico, nem áudio, nem vídeo. É complicado produzir tudo isso sem uma equipe – e por isso falo apenas de veículos grandes na análise – mas esse é um desafio que nós, blogueiros, também podemos encarar, ainda que de maneira mais simplória. Nos últimos posts, procurei usar mais fotos e vídeos encontrados na rede, coisa que eu dificilmente fazia. É pouco, mas tudo começa por algum lugar.

Pelos meus planos, o blog ficará cada vez mais multimídia e o utilizarei para experimentar tudo que eu puder. Afinal, não existe um grande e funcional manual de redação da internet. Aqui, a gente aprende na prática. E todos juntos, não é mesmo?

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Jan12

Greve de roteiristas e internet: a roda continua girando


Você já deve ter percebido que sou viciado em séries de televisão. Pois é, acompanho muitas até mesmo por questões profissionais e é bem complicado arranjar tempo para ver tudo – mesmo as séries que passam na televisão acabo tendo que ver no computador, porque não consigo conciliar meus horários com as grades de programação. Essa paixão toda começou há pouco tempo, uns três anos, e percebi que gostava muito desse assunto quando, em um site sobre seriados, vi uma listagem com a maioria das séries já produzidas e pensei: um dia ainda vou assistir a todas elas.

Talvez eu não chegue lá – nem quero mais, afinal, eu gosto da minha vida -, mas essa greve de roteiristas está sendo ótima para eu colocar minha lista de “para assistir” em dia – sem que, enquanto isso, uma outra lista se forme com os novos episódios. Para que eu consiga ver tudo que quero, a greve teria que durar mais uns cinco meses – o que, entretanto, certamente causaria danos terríveis a outras séries que adoro, como a nova Pushing Daisies, que ainda não garantiu uma segunda temporada e nem sabe se completará a primeira – que, antes da greve, havia sido confirmada.

A causa da paralisação dos roteiristas norte-americanos é justa: eles buscam uma maior participação nos lucros com as vendas de DVD e exibições na internet. Só que os custos que essa greve está tendo para os próprios manifestantes já superaram a diferença que eles exigem receber em um ano. É aquela coisa: perdem agora para recuperarem a longo prazo.

Hollywood está parada e calada e um número gigantesco de profissionais ligados à indústria do entretenimento televisivo e cinematográfico passa por uma grave crise financeira, graças à falta de atividades e a demissões temporárias, que podem atingir milhares de pessoas.

Apesar de todo o efeito negativo da greve nesses setores, os vilões continuavam sendo os produtores. Mas aí os atores, em solidariedade aos roteiristas, anunciaram boicote ao Globo de Ouro. A cerimônia, que já não teria roteiristas sindicalizados, acabou sem as estrelas e, por isso, não havia mais motivo para ser televisionada. O resultado foi o cancelamento, e os vencedores serão anunciados amanhã, em uma entrevista coletiva à imprensa transmitida por diversos canais – já que a exibição por uma só emissora, que lucraria financeiramente com isso, como estava previsto, irritou os roteiristas, que ameaçaram piquetes em frente ao local do evento.

A produção do Golden Globe e todo o mercado que o envolve, inclusive aqui no Brasil, acabaram sofrendo. Afinal, não haverá material de cobertura para milhares de veículos que já estavam preparados para isso, um prejuízo gigantesco, que só deve ser menor ao gerado por um eventual cancelamento do Oscar, cerimônia que, na verdade, está mais próxima do que os organizadores gostariam.

Intransigência, de ambos os lados, parece ser a tônica dessa greve. É isso que, associado à inabilidade de negociação, faz tudo ficar parado. São poucos os avanços até agora e as perspectivas, infelizmente, não são nada boas – apesar de um acordo para a realização do Oscar ser muito provável.

De qualquer forma, as séries que já haviam sido gravadas e que estrearam agora nos Estados Unidos, em meio a um monte de reprises, não estão fazendo sucesso, ao contrário do que se esperava. Os reality shows e os programas jornalísticos, que também aguardavam um aumento de audiência, não registraram tanta diferença assim.

Não duvido que nesse meio tempo as pessoas, assim como estou fazendo, acabem, cada vez mais, baixando da internet séries antigas ou que ainda não tinham visto, mantendo a roda girando, mas deixando de proporcionar dinheiro tanto aos “gananciosos produtores” quanto aos “injustiçados roteiristas”.

Na internet ninguém espera pelo oficial: Se alguém tiver como disponibilizar, o fará, e o mundo inteiro consumirá esse conteúdo, independentemente do resultado de qualquer greve, seja ela de roteiristas, de diretores ou de atores – e olha que estas duas últimas podem realmente acontecer em breve.

Isso não é bom para ninguém – nem mesmo para os viciados em séries e filmes que, apesar de poderem ver o material de arquivo, deixarão de ter coisas novas ou, pior, poderão ter que assistir a um final melancólico para o que gostam. E eu gosto demais de Scrubs para aceitar que isso aconteça.

Acaba logo, greve!

Compare Preços: DVDs de Scrubs

Jan10

A fonte está cada vez mais próxima do jornalista. E agora?


Em uma reportagem, descobri que duas moças que faziam parte da equipe de limpeza do lugar onde acontecia uma etapa de seleção para um reality show da TV paga, haviam sido convidadas, pela produção, a participar do concurso, tentando assim maquiar a falta de reais candidatas. A matéria foi publicada e acabou ganhando destaque na homepage da Globo.com.

“gustavo tudo bem? p nao perder o costume só dei bastante risada quando minha irmã ligou dizendo que eu estava na primeira pagina do site da globo vc é fogo heim!!achei bacana pelo menos nao acrescentaram nada e foi super verdadeira bjssssssss”

Este foi o comentário de uma das meninas da matéria, aqui no blog. No meu Orkut, também tinha scrap dela, além do pedido para ser minha amiga. Ainda bem que ela gostou da matéria - e, sem nem perceber, confirmou as informações de uma maneira que, eu, como repórter, jamais poderia fazer: ela mesma falou com os leitores (ainda que aqui não fosse o melhor lugar para isso).

Lidar com interação dos leitores daqui blog nunca foi um problema, muito pelo contrário. Blogs são tão legais porque são baseados em conversação e, além de tudo, é muito bom para quem produz conteúdo saber o que seus consumidores acham. No jornalismo, embora eu conheça vários profissionais que não se deram conta disso ainda, a participação do leitor/espectador/ouvinte também tem um papel importante, ajudando a manter o jornalista mais próximo da realidade, ampliando o alcance de sua visão.

Interação e colaboração são palavras-chave para a comunicação em tempos de internet, onde, querendo ou não, nada mais somos do que nomes na tela, ao alcance de qualquer um. A tendência é que os comunicadores, as fontes e os consumidores de informação fiquem cada vez mais próximos.

Qualquer um pode procurar meu nome no Google, no Blogblogs, na Technorati ou no Flickr e descobrir por onde andei, com quem me relaciono e o que eu acho das coisas, além de encontrar o meu E-mail ou algum formulário de contato - e isso é importante para mim como blogueiro, afinal, nenhum blog funciona sem que haja relação entre as duas partes. É fácil para o leitor do blog, é fácil para a fonte jornalística. E é aí que a coisa complica.

A fonte é aquela pessoa que passa a informação trabalhada pelo jornalista. É quem dá a entrevista, quem viveu o que será relatado, quem faz parte de verdade daquilo que será transformado em história. Na faculdade, ouvimos muito sobre o relacionamento do jornalista com a fonte que, sempre, deve ser distanciado. Pois é, só que a fonte é viva e se comunica. Além de, eventualmente, utilizar a internet.

Não dá mais para jornalista fingir ser apenas um instrumento da informação. Não somos, e o envolvimento voluntário ou não com o público e, principalmente, com a fonte não nos deixa ser. A questão é descobrir como devemos nos portar sem que haja prejuízo à notícia. Pelo contrário, é o momento certo para lucrar: na web, toda fonte vira usuário e todo usuário vira fonte.

Já que está tudo tão próximo e que as fontes estão mais ativas do que nunca, por que não aproveitar? Essa interação faz com que o jornalista tome mais cuidado com o que publica e, além disso, permite que a informação seja conferida e revidada por seus personagens. É mais ou menos o mesmo raciocínio do sistema de comentários do Google News, só que feito de forma humana - e, por isso menos, mais confiável.

Em sua dissertação de mestrado, a jornalista (e amiga) Ana Brambilla destaca um conceito de Peter Burke, no livro História Social do Conhecimento: a informação é como a água: quanto mais próxima da fonte, mais pura será.

Estamos no momento certo para, utilizando o potencial social da web, produzirmos informações cada vez mais precisas e verdadeiras - o que seria potencializado caso os grandes veículos perdessem o medo e abrissem espaço para os comentários. Todo mundo se comunica: o leitor conversa com o jornalista que conversa com a fonte que, agora, também conversa com o leitor. Novas visões para o leitor, mais credibilidade e utilidade para a mídia.

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Nov27

O sucesso na era da internet


Retomando o blog, pergunto: o que é sucesso nos dias de hoje?

A tal cauda longa veio confundir vários conceitos a que estávamos habituados, e isso é ótimo. O sucesso sempre foi relativo, mas agora é uma coisa de doido: em todas as áreas do consumo de informação - seja ela qual for - o meio vem alterando a percepção da consagração.

Na música, pequenas demandas por vários artistas constituem um novo panorama. Desse modo, vai havendo a extinção dos poucos vendedores de milhões de discos e a ascensão de vários vendedores na faixa dos milhares. É como me disse, em entrevista, a Flávia Durante (que tem grande experiência na área e, entre outras 1500 atividades, é assessora de imprensa do Michael Jackson ou uma Britney Spears, mas vários Arcade Fires ou Strokes. Será uma coisa mais segmentada, mas sempre se movimentando”. O movimento, aqui, significa um grande número de artistas fazendo sucesso segmentado, agradando a nichos. Fora que, através da rede, várias bandas estão conseguindo trilhar um caminho bacana, conquistando público pelas próprias pernas - e fotos, e blogs, e vídeos, e músicas. O sucesso, portanto, muda: atinge menos pessoas, mas é mais humano e, possivelmente, intenso. O Mombojó, o Terminal Guadalupe, o Jumbo Elektro e o Suburban Kids with Biblical Names são muito bem-sucedidos, ainda que minha mãe não tenha idéia de quem eles sejam.

Com séries, a definição de sucesso também é complicada. “Gilmore Girls” foi sempre elogiada pela crítica, mas nunca foi indicada às principais categorias do Emmy. “30 Rock”, vencedora do Emmy 2007 de Melhor Comédia, entretanto, ainda sofre com a baixa audiência. “Jericho”, que também apresenta índices aquém dos esperados, foi salva do cancelamento devido à barulhenta manifestação dos fãs. Séries consideradas transgressoras e aclamadas pela crítica, como “Arrested Development” porém, chegaram ao fim sem chamar muita atenção do público. “Lost” possui um público gigantesco, mas não tão grande quanto antigamente. Já “Gossip Girl” não figura entre as mais vistas da TV norte-americana (pelo contrário), mas é a série mais baixada do iTunes. Viu o tamanho da zona?

O colaborador de TV e cinema da Folha de S. Paulo, Cássio Starling Carlos, autor do livro “Em Tempo Real”, sobre séries, me respondeu como se pode medir o sucesso de uma produção hoje em dia: “Trata-se de uma lógica industrial que tem que considerar custos de produção, apelo comercial (publicidade ou assinaturas, no caso de TV a cabo) e, atualmente, mecanismos de oferta “on demand”. A audiência é medida, prioritariamente, pelo índice Nielsen, mas existem outras, como fãs e suas comunidades virtuais, que não são ignoradas. Tanto a crítica como as premiações são fator de prestígio, mas sua influência não é considerada prioritária, salvo para efeitos midiáticos. O que de fato mede o sucesso de uma série hoje, além dos índices de audiência, é o barulho que elas fazem e a isso os produtores estão bem atentos.”

Ou seja, o sucesso tradicional é o mais considerado pelos veículos tradicionais - ainda que incorporando novos meios. Mas para os fãs, aposto, uma série de sucesso é aquela que os agrada. E ponto.

Com blogs, me parece, o sucesso segue essa tendência de pessoalidade, de forma mais extremada, por que vinte mil leitores indiferentes deveriam ser mais importantes do que vinte satisfeitos e fiéis?

Volto à pergunta: o que é sucesso nos dias de hoje? Não sei a resposta, nem mesmo se ela realmente existe. A percepção de sucesso, para mim, é pessoal e intransferível, embora muitas vezes tenhamos que engolir definições alheias.

Sucesso é tudo aquilo que me faz feliz, e só.

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Oct12

G1 confunde filmes e coloca críticas a “Resident Evil” como se fossem a “Waitress”


Faz tempo que eu não falo isso por aqui, mas eu sou completamente apaixonado pela Keri Russell, protagonista da extinta série “Felicity”.

Waitress / Garçonete, com Keri Russell

Ela protagoniza agora a “dramédia” independente “Waitress”, ou “Garçonete”, que foi a sensação do Festival de Sundance nesse ano. O filme foi muito elogiado mesmo e, dizem, trilha o mesmo caminho de “Little Miss Sunshine”. Está fazendo um sucesso absurdo. Até o “Manhattan Connection” falou - e bem - dele.

O The New York Times disse, em crítica traduzida pelo G1:

Em parte uma fábula feminista, em parte um conto de fadas romântico, [o filme] alterna azedo e doce, gracioso e duro, bem semelhante à sua heroína e à Keri Russell, a atriz corajosa, linda e esperta (talvez ainda mais conhecida como Felicity, do respeitado melodrama de televisão de mesmo nome) que a interpreta.

(…)

O romance entre os dois [protagonistas] é um exemplo raro de adultério em filmes (ele também é casado) sem castigos ou desculpas, e funciona porque ambos os atores são extremamente adoráveis.

Assim como tudo mais no filme, desde as tortas e os uniformes das garçonetes até o ritmo rápido e musical da edição.

“Ritmo rápido e musical da edição”, você leu? Pois é. Por isso estranhei quando o G1 trouxe, na página dos lançamentos da semana, a crítica da Variety: “Não atinge a velocidade que deveria”.

Ei, dá para os críticos se decidirem?

Não, não dá. Porque foi o G1 que errou.

As críticas que eles destacam são:

O que já se falou:
G1 “O tempero fica por conta de pitadas de humor”
Wall Street Journal “Próximo da perfeição”
Variety “Não atinge a velocidade que deveria”
Hollywood Reporter “A heroína continua tendo impacto”

Clique nos dois últimos links. Você irá para críticas de… “Resident Evil”!

E não é só link trocado não! O texto da Variety sobre “Resident Evil” diz que “Unfortunately, the new pic never really achieves maximum velocity as a full-throttle action-adventure opus (…)”, algo que, resumido, seria parecido com o “Não atinge a velocidade que deveria”.

Já a crítica do Hollywood Reporter, também sobre o filme de ação, diz: “The actress (…) remains a striking action heroine”. Algo que também pode ser resumido como “A heroína continua tendo impacto”.

É mole???

As críticas da Variety e do Hollyood Reporter a “Waitress” são bem diferentes dessas destacadas. Eles realmente erraram os filmes, devem ter usado como modelo e deixado lá!

Pior que isso, só o fato da película estrear hoje apenas no Rio, onde já foi exibido no Festival. Estou há meses fazendo campanha e querendo assistir a “Waitress”, mas não vou poder ver, já que em nenhum lugar fala de exibição em São Paulo. Não queria baixar. Queria ver na tela grande.

Amigos da Fox, qual é? Tragam “Garçonete” para Sampa, vai? Eu garanto pelo menos umas 15 pessoas, que eu já convenci que o filme é imperdível! Cine Bombril, Reserva Cultural, Bristol, Gemini, HSBC Belas Artes, Unibanco Arteplex… Vão esperar o filme ser indicado ao Oscar - e são grandes as possibilidades! - para passá-lo?

Realmente não entendo. Só sei que quero tanto, tanto ver. Hunf.

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Sep6

Uso de “bichês” e enquetes inúteis: O que a Folha Online pode melhorar


Todos nós nos identificamos com algumas marcas e passamos a nos relacionar com elas de maneira diferenciada, mais próxima e até mais passional. Com produtos jornalísticos a relação é ainda mais complexa, já que envolve a percepção e aceitação da credibilidade pelo consumidor e um contato mais longo entre marca e cliente, acontecendo, possivelmente, em diversos momentos do dia, todos os dias.

A minha marca preferida de jornal na rede é a Folha, em disparado. Leio na web, todos os dias, a versão, errr, impressa do jornal; sou assinante do UOL; acompanho a Folha Online e costumo utilizar bastante o seu “comunicar erros” – sendo sempre atendido com gentileza e rapidez.

É claro que, como jornalista essencialmente de web, também quero trabalhar lá, ou estagiar, ou coisa do tipo. Eu realmente gosto da Folha, bem mais do que de outros jornais (embora O Globo também faça um ótimo trabalho na rede). Simples assim.

E é exatamente por isso que me incomoda tanto as besteiras que a Folha Online faz.

Já devo ter reclamado por aqui dos “Destaques GLS”, escritos pelo Sérgio Ripardo, que também é editor-chefe da Ilustrada Online. Na época, eu dizia que aquilo deveria ser um blog e não ser veiculado como análise, dentro da editoria Ilustrada. Depois de um tempo, felizmente, transformaram em uma coluna.

O problema é que ela continua inapropriada. A linguagem é a tal “bichês”, que é um divertido diferencial de blogs gays, como o finado Papel Pobre, mas fica patética num site jornalístico voltado a todos os públicos. Não é preconceito, homofobia ou puritanismo, mas não entendo qual a necessidade de usar palavras como “necas” e expressões afetadas como “bofe-escândalo” para fazer uma coluna GLS.

Quando um humorístico faz uso de palavras e expressões clichês, os grupos GLS se ofendem. Oras, uma coluna na Folha Online que não pode ter a linguagem padrão do resto do site não acaba reforçando o tão combatido estereótipo?

Claro que não sou target, por isso nem posso opinar sobre os temas escolhidos, mas a abordagem – aspecto jornalístico – também é equivocada para um site noticioso (embora na última coluna, o Sérgio tenha acertado o tom). Óbvio que o site não precisa ser engessado e sem graça, mas existem formas e formas de se fazer humor, algumas bem informativas. Não é o caso.

Precisa, por acaso, dar 10 dicas “para evitar o vexame de ser pego com a boca na botija” fazendo “banheirão”? Notem o começo da coluna, mais jornalística, sendo interessante a qualquer tipo de público.

O tal do “banheirão” veio à tona por causa do senador americano, então é mesmo pauta. Informações sobre casos brasileiros e o que os shoppings estão fazendo para evitar a prática também são interessantes. Assim como a análise do Sérgio.

Pena que isso tudo fica resumido a dois parágrafos. Depois, vem dicas para não ser pego praticando. Qual é? Cadê o enfoque jornalístico? Esse tipo de conteúdo caberia em um site segmentado, com público restrito a interessados pelo assunto.

Claro que ninguém é obrigado a ler – eu mesmo não costumo -, mas isso não é desculpa. Por mais que a coluna seja GLS, ela não pode ser feita apenas para gays e, mais uma vez, deveria ter um interesse informativo ou opinativo antes de tudo, que complementasse o aspecto noticioso do site.

Esse é um dos principais pontos em que a Folha Online me irrita, esquecer o que ela realmente é: um site de notícias.

Tal esquecimento passa pela seção de interação da Ilustrada, com enquetes tão relevantes como “Qual a melhor substituta de Glória Maria?” (com o enunciado: “A apresentadora Glória Maria está em férias no “Fantástico”. Nesse período, ela será substituída por Patrícia Poeta e Renata Ceribelli, que vão se revezar na função. Qual das duas você prefere?”) e “Qual a melhor de Amy?” (cujo o enunciado diz: “Amy Winehouse protagonizou, neste mês de agosto, notícias sobre internação por conta de overdose. Qual sua música preferida da cantora inglesa?”).

Nessa enquete aqui, é para responder qual o personagem mais legal de “Desperate Housewives”. Então por que o enunciado é “A Rede TV! estreou, neste mês de agosto, uma versão brasileira do seriado norte-americano “Desperate Housewives“. Qual a personagem feminina mais interessante da série?”? Afinal, é o personagem mais legal de “Desperate ou de “Donas de Casa Desesperadas”? Se for da brasileira, por que os nomes são os dos personagens norte-americanos?

Dá para ficar ainda pior! Olha a enquete que foi a publicada hoje:

Pérolas
Qual a pior frase das últimas semanas no mundo das celebridades?

( ) A indústria da fofoca esqueceu de mim” - Daniella Cicarelli, ex-ronaldinha, no programa de Jô Soares (Globo)
( ) “Oh, my God” - Gisele Bündchen, top model brasileira entediada, durante o lançamento de um xampu em São Paulo
( ) “Ééééé” - Irislene Stefanelli, apresentadora do “TV Fama” (RedeTV!), e sua introdução a qualquer frase
( ) “Xuxa pecou” - Mara Maravilha, ex-apresentadora de programas infantis e ex-capa da “Playboy”, sobre a participação da colega loira no filme proibido “Amor Estranho Amor”
( ) “Um ‘Zé Mané’ teria levado o túmulo dos Matarazzo” - Ronaldo Ésper, estilista, após ser inocentado da acusação de furtar vasos de um cemitério paulistano

Qual é a utilidade? Pra quê isso?

As de outras editorias são realmente bem pensadas e contém debates relevantes, questionando a população sobre temas polêmicos do noticiário, como “Na sua opinião, o senador Renan Calheiros vai conseguir ser absolvido no processo por quebra de decoro parlamentar no plenário do Senado?” e “Depois da norte-americana Mattel, foi a vez da fabricante brasileira Gulliver anunciar um recall de brinquedos fabricados na China. Depois disso, você passou a se preocupar com os itens fabricados no país asiático?

Custava pensar um pouco mais ao elaborar as enquetes da Ilustrada? Só porque é de cultura (opa, você lembra? CULTURA! Não entretenimento, fofoca ou futilidade!) não pode falar sério?

Pode e deve. Acho que aqui há confusão de conceitos. Interatividade por si só é vazia e sem utilidade. Ela precisa de propósito, de dedicação, de atenção, de um porquê.

Ter só para ter é besteira. Interatividade e colaboratividade não são apenas marcas de modernidade. São recursos absolutamente ricos, que podem agregar muito valor ao conteúdo produzido pelos jornalistas e colunistas.

Como consumidor, que gosta muito da Folha, eu lamento esses erros bobos – e, por isso mesmo, tão fáceis de arrumar. Humildade, sem dúvida nenhuma, o Ricardo Feltrin tem para assumir um erro e melhorar. Basta tais erros saltarem aos seus olhos.

E você, concorda comigo? Tem alguma coisa que te irrita?
E os leitores gays, o que acham da coluna “Destaques GLS”?

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Aug31

Nova Globo.com: ficou feia, mas o vídeo é ótimo


Foi lançado ontem o novo projeto gráfico da Globo.com, alterando, inclusive, a logomarca do portal.

Não gostei nem um pouco. Certamente tem algum problema comigo, pois não consigo gostar da quantidade de espaço em branco que as novas versões dos portais brasileiros estão trazendo. É estranho, porque a tendência não se confirma nos portais internacionais, que usam o “vazio” com muito mais sabedoria, deixando bonito e funcional.

Na Globo.com, o aumento do espaço em branco não é sinônimo de organização, não. Para mim, até ficou mais confuso, não tendo muita identificação visual com seus sub-portais (G1, GloboEsporte.com, Entretenimento e vídeos). Parece inacabado, coisa de amador. Eu, hein?!

Mas nem tudo ficou ruim. O portal tenta entrar na era 2.0 dando destaque cativo para seus blogs (seguindo a bem-sucedida divisão entre Notícias, Esportes e Entretenimento), além de destacar as palavras mais buscadas, as notícias mais lidas e os downloads mais realizados.

Há também maior integração com outros veículos do grupo, com áreas para programas da TV e jornais e revistas. A grade de programação da Globo agora tem espaço fixo na lateral da homepage do portal, que traz também as últimas notícias, com ícone para o feed RSS.

Um conceito interessante do novo portal, que poderia ser melhor explorado, é o da acessibilidade através do “/título” após o “globo.com”. Quer ouvir rádios? Globo.com/radios. Quer ler sobre notícias? Globo.com/notícias. Esporte? Globo.com/esporte. Séries? Globo.com/series.

Note que nos exemplos acima, os endereços para as rádios online e para o site de séries não têm acento, e que para o de notícias, sim. Essa mistura pode causar confusão. Até consigo acessar o G1 digitando Globo.com/noticias, sem acento, mas não consigo acessar o Séries Etc. digitando Globo.com/séries, acentuado.

Mas a coisa que eu mais gostei em toda essa mudança foi o vídeo de lançamento, com toda a equipe da Globo.com. Ficou muito bom! Uma forma legal de apresentar as novidades, de modo descontraído e por quem, de fato, faz o portal. Mas, bem, não é exatamente uma novidade a Globo produzir vídeos de qualidade, não é mesmo?

Acho, realmente, que a Globo.com está no caminho certo para se consolidar como portal, investindo em bom sites de conteúdo (G1, GloboEsporte.com, Séries Etc. e Ego), repensando o uso dos blogs (com a volta de atualização do Blogger Brasil, a manutenção do Globolog, a chegada do BlogLog, a hospedagem de blogs consagrados, como o Kibeloco [e vários outros que eles estão tentando levar para lá!] e, agora, com os destaques para os blogs de colunistas), aproveitando o conteúdo dos outros veículos do grupo, dando espaço para sites regionais (com as afiliadas da Globo), possuindo o melhor acervo brasileiro de vídeos (tirando o Youtube, é claro) e melhorando seus sites de serviço (como o Baixa Tudo, o Globo Video Chat, o Globo Vox e o 8P Fotolog).

Só podiam ter pensado melhor na hora de mudar a página de entrada para tanta coisa, melhorando a organização sem nos privar de um belo design.

Compare Preços: Motorola V3, iPod Vídeo, Sony Cybershot

Aug20

Folha Online estréia novo visual


A Folha Online estreou hoje seu novo design, mais arejado e destacando melhor seus colunistas, em uma página que privilegia o vertical.

Nova Folha OnlineEu não gostei muito, não. O layout não ficou tão bonito, nem tão clean - aquele tanto de publicidade em flash impede qualquer coisa de ficar limpa - e nem mais organizado ou informativo (a disposição dos textos à esquerda, nas páginas internas, me incomoda bastante). Menos ainda trouxe a implementação de um canal de jornalismo colaborativo, pelo que a Folha Online timidamente começou a demonstrar interesse há algum tempo, com a adição de uma página para o usuário enviar notícias - mas que até hoje não teve nenhuma utilidade.

A única coisa realmente boa é que, agora, o portal está dando mais atenção ao multimídia, com fotos, vídeos e podcasts, além do conteúdo normal em texto.

Vamos ver se vem mais novidade por aí e se vamos ou não nos acostumar com esse novo design.

Você gostou?

Compare Preços: Motorola V3, iPod Vídeo, Sony Cybershot

Aug20

Ops! Insira seu título aqui, na Folha Ilustrada


Folha de S.Paulo, 20/08/2007

Tirei esse print screen agora. Fui ler a Folha Ilustrada, na versão online, e todos os links estavam quebrados, além de ter essas linhas para inserção de títulos.

A edição de hoje do jornal ainda não está na rede. Eu devo ter flagrado o momento da troca de conteúdo…

Nada demais, só uma curiosidade.

Compare Preços: Friends, Gilmore Girls, The OC, Smallville

Participe do novo Podcast:

OutrOs OlhOs Podcast Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:

O caminho da comunicação passa pelos blogs?

Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.

As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
SP - Brasil | Desde 03/02/2003





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