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Jan27

Leidiane Santos, a funkeira nua do Orkut, e a falta que a Lindsay Lohan faz


A notícia mais lida da Globo.com nesse momento é “Jovem que ficou nua em baile diz que ‘Orkut bombou’”. A segunda, “Jovem diz que ficou nua em baile funk por dívida”.

A história pouco importa – a moça, chamada Leidiane Santos, estava em um baile funk em Vitória, bebeu demais, recebeu (segundo ela) a proposta do MC para que tirasse a roupa no palco em troca de R$600,00, acabou fazendo e, nos dias seguintes, viu fotos suas espalhadas por jornais regionais e um vídeo da cena no Youtube, além de não receber um centavo sequer e ser indiciada por ato obsceno -, mas o destaque que o caso está ganhando é emblemático.

Leidiane é completamente anônima, dançou pelada em Vitória, no Espírito Santo, num baile funk que aconteceu no dia 12 de janeiro – e ainda hoje vira notícia, que acaba sendo a mais lida de um dos maiores portais do país. Natural?

Acho que sim. Não tenho conhecimento suficiente para falar do interesse humano pelo bizarro, pelo trash, mas é impossível não saber ou perceber que essas coisas vendem.

Por alguma razão, nós gostamos desse tipo nada edificante de notícia e, claro, a mídia – seja ela qual for, incluindo blogs – alimenta a demanda por conteúdos popularescos. A coisa funciona assim há muito tempo e, obviamente, não é só no Brasil.

Britney Spears, Paris Hilton e Lindsay Lohan são vítimas e produtos, em escala global, desse interesse. Todo o mundo se interessa pelas mancadas das problemáticas garotas de Hollywood e, como numa novela bizarra, torce contra ou a favor de suas recuperações –movimentando muito dinheiro em uma indústria alimentada apenas por seus vexames.

Custava os famosos brasileiros fazerem mais besteiras?No Brasil, não temos celebridades tão problemáticas assim. Uma ou outra gostosa aparece sem calcinha de vez em quando; algum ex-big brother que ninguém mais se lembra se envolve em alguma confusão; uma ligação entre algum famoso e um traficante de drogas aparece. Mas só, tudo muito modorrento. Não temos ninguém para esperar a próxima m*rda, para comentarmos que vimos a última mancada no TV Fama, para inspirar debates no Superpop ou em algum programa popular da Band.

Falta gente famosa problemática para manter essa indústria funcionando no país – e o interesse popular continua o mesmo, bem grande. Assim, os passos em falso de gente que não interessa a ninguém – e que sequer fizeram algo para se tornarem “pessoas públicas” – acabam ganhando destaque. E o Orkut da moça bomba.

De verdade, os americanos (e os britânicos, que têm a Amy Winehouse) é que são felizes. Eles podem comprar tablóides e ver as celebridades decadentes em situações cada vez mais constrangedoras. Nós, temos que engolir as mornas aventuras de anônimos bêbados. Que falta a Lindsay Lohan faz.

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Dec3

Blogs são como amizades


Na Blogcamp Paraná, que aconteceu em Curitiba no último sábado, e, principalmente, no Café.com Blogs, que foi realizado na terça-feira passada em São Paulo, pude ver como pessoas com formações diferentes enxergam os blogs, podcasts e mídias colaborativas em geral de maneiras completamente diferentes. E é surpreendente como o que é claro para mim, ou para você, parece complicado para essas pessoas – e isso não é demérito, é falta de familiaridade mesmo - o que ficou bastante claro no Café.com Blogs que tem mesmo o nobre objetivo de misturar blogueiros com quem não é desse mundo (mas do mundo dos negócios!) e consegue cumprir bem seu papel, gerando um debate de idéias que leva ao esclarecimento. O funcionamento dos blogs é um desses assuntos que ainda despertam muitas dúvidas e que carecem de maior definição. Vou tentar dar a minha.

A Rosana Hermann já disse que blogs são como padarias (precisam sempre de pão/post fresquinho), praças (áreas públicas de convivência, que precisam de manutenção do zelador/autor para que funcionem corretamente) e pergaminhos (que se desenrolam de cima para baixo). Concordo plenamente, mas, para mim, acima de tudo, blogs são como amizades.

É que a dinâmica dos dois é bastante parecida. Em determinado momento, o blog cruza a vida do internauta e, nessa hora, pode acontecer ou não a empatia. Se sim, ele vira leitor e possivelmente assina o RSS ou favorita. Se não, ele continua navegando e, eventualmente , pode voltar a te visitar – e desse modo, pode vir a gostar cada vez mais do blog. Assim como os amigos.

Criada uma relação – ainda que superficial - entre o internauta e o blog, a manutenção não é simples. São muitos os blogs que cruzam nosso caminho e que, aparentemente, nos identificamos. Mas, com o tempo, vamos vendo se são ou não como a gente, se nos agradam de verdade ou se foi apenas uma equivocada primeira impressão. Ninguém confia em alguém assim que conhece, é preciso tempo e desenvolvimento de histórias para que uma pessoa se identifique com outra e construa uma amizade. Com blogs, também é assim que se adquire credibilidade: a cada post vamos sabendo se gostamos ou não dos assuntos tratados, das formas como o blogueiro se posiciona com relação às coisas, se o que ele escreve é lógico e condiz com nossos pensamentos. Se tudo isso acontece de maneira positiva, após certo tempo, passamos a confiar e a gostar cada vez mais.

Por trás dos blogs estão pessoas e todo leitor se relaciona com elas, mesmo que indiretamente. Se essa “amizade” é conquistada, ela tem que continuar a ser cultivada. Mas como dar atenção a todos os blogs que continuam a cruzar nossos caminhos? Bom, é impossível ser amigo de todo mundo e também não dá para estar com todos os amigos o tempo todo, mas a gente sempre consegue ligar, mandar um e-mail ou um cartão de Natal que seja – e nem por isso a amizade é abalada. Não dá mesmo para ler tudo, nem precisamos; às vezes, uma visitinha rápida é suficiente para pôr os assuntos em dia, um simples comentário de um post lido aleatoriamente pode gerar uma conversa bastante proveitosa sem tomar tanto tempo. A gente sempre arranja tempo para os verdadeiros amigos, não importa como ou com que freqüência, mas sempre damos um jeito. Ou não?

Do lado dos blogueiros, a amizade também é verdadeira – ainda que com uma mística entidade chamada “meus leitores”, que, claro, pode eventualmente se personificar. O consultor Marcos Aranha atentou para um importante aspecto durante sua palestra no Café.com Blog. Para ele, a profissionalização dos blogs é um paradoxo, já que esse formato de site pessoal surgiu exatamente para ser um local livre, fugindo das obrigações profissionais e, de certo modo, também das pessoais: o bom dos blogs é que seu dono entende e gosta muito de um assunto e sente prazer em escrever a respeito dele . Concordo: Fazer blog apenas por obrigação não é lá muito possível, nem ser amigo. Fica notavelmente falso e, após certo tempo, deixa de fazer qualquer sentido, para todas as partes. Aí, claro, fim de blog e de amizade.

Até mesmo com a publicidade a lógica da amizade funciona. Quando falamos de qualquer produto no blog, nossos leitores encaram como um conselho. Desse modo, o impacto que um post patrocinado tem nesse público é bem grande, afinal, você dá muito mais ouvidos ao que seus amigos dizem do que àquilo que um comercial diz, não é verdade? Agora, se seu amigo está vendendo o produto comentado – o que seria o caso – é natural ficar com um certo pé atrás, mas dá para resolver esse problema: Você sabe quando aquela sua colega de trabalho que é revendedora da Avon está querendo te passar um produto e quando ela está sendo sincera, já que, no primeiro caso, ela viria te oferecer e, no segundo, ela te apresentaria algo que ela usa, comentando sinceramente. A qualquer momento, você pode questionar o que ela está dizendo. Com blogs também: Para não trair a amizade, é só ser honesto, dizer realmente o que pensa, responder sinceramente aos comentários e, importantíssimo, contar que está sendo pago para escrever daquilo. Assim, ninguém é enganado e, ainda que haja um desconforto inicial, logo passa e tudo volta ao normal. Afinal, amigo é amigo.

A relação entre o blog e seu leitor é valiosíssima e uma das melhores formas de se conhecer um novo amigo é através de outro. A indicação dos usuários a seus amigos é fundamental para o desenvolvimento de todo esse sistema, já que, na rede, todo leitor também pode ser emissor – possivelmente com um blog mesmo. Com diálogo entre blogs distintos e também entre um blog e sua audiência, o círculo social vai se expandindo e ganhando proporções cada vez maiores.

Assim, os blogs vão ficando melhores e acabam agregando mais e mais amigos leitores ao decorrer do tempo, tal qual acontece com toda mídia – só que de forma humana.
Pelo que vejo, os blogs de maior sucesso são exatamente aqueles feitos por pessoas que escrevem do ponto de vista humano, não tentando copiar nenhum outro tipo de discurso. Nada mais justo: o melhor de toda amizade é a conversa descontraída, sem grandes artifícios, em que há uma grande identificação, não é? E pode perguntar a qualquer um que tenha blog há um bom tempo que a resposta será sempre a mesma: o que de melhor esses blogs trouxeram foram nos novos amigos. No sentido real.

Aí está o mais legal da Blogcamp, blogueiros, leitores e pessoas com interesses parecidos se juntam e discutem temas que verdadeiramente gostam. Com a proliferação desse tipo de evento, a amizade vai deixando de ser metáfora e vira realidade: nessa em Curitiba, além do alto nível dos debates, as pessoas estavam muito mais unidas, conversando e se divertindo como amigos.

Blogs são vivos e feitos por pessoas, que, no fundo, sempre buscam amizades.

Compare Preços: Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas

Nov27

O sucesso na era da internet


Retomando o blog, pergunto: o que é sucesso nos dias de hoje?

A tal cauda longa veio confundir vários conceitos a que estávamos habituados, e isso é ótimo. O sucesso sempre foi relativo, mas agora é uma coisa de doido: em todas as áreas do consumo de informação - seja ela qual for - o meio vem alterando a percepção da consagração.

Na música, pequenas demandas por vários artistas constituem um novo panorama. Desse modo, vai havendo a extinção dos poucos vendedores de milhões de discos e a ascensão de vários vendedores na faixa dos milhares. É como me disse, em entrevista, a Flávia Durante (que tem grande experiência na área e, entre outras 1500 atividades, é assessora de imprensa do Michael Jackson ou uma Britney Spears, mas vários Arcade Fires ou Strokes. Será uma coisa mais segmentada, mas sempre se movimentando”. O movimento, aqui, significa um grande número de artistas fazendo sucesso segmentado, agradando a nichos. Fora que, através da rede, várias bandas estão conseguindo trilhar um caminho bacana, conquistando público pelas próprias pernas - e fotos, e blogs, e vídeos, e músicas. O sucesso, portanto, muda: atinge menos pessoas, mas é mais humano e, possivelmente, intenso. O Mombojó, o Terminal Guadalupe, o Jumbo Elektro e o Suburban Kids with Biblical Names são muito bem-sucedidos, ainda que minha mãe não tenha idéia de quem eles sejam.

Com séries, a definição de sucesso também é complicada. “Gilmore Girls” foi sempre elogiada pela crítica, mas nunca foi indicada às principais categorias do Emmy. “30 Rock”, vencedora do Emmy 2007 de Melhor Comédia, entretanto, ainda sofre com a baixa audiência. “Jericho”, que também apresenta índices aquém dos esperados, foi salva do cancelamento devido à barulhenta manifestação dos fãs. Séries consideradas transgressoras e aclamadas pela crítica, como “Arrested Development” porém, chegaram ao fim sem chamar muita atenção do público. “Lost” possui um público gigantesco, mas não tão grande quanto antigamente. Já “Gossip Girl” não figura entre as mais vistas da TV norte-americana (pelo contrário), mas é a série mais baixada do iTunes. Viu o tamanho da zona?

O colaborador de TV e cinema da Folha de S. Paulo, Cássio Starling Carlos, autor do livro “Em Tempo Real”, sobre séries, me respondeu como se pode medir o sucesso de uma produção hoje em dia: “Trata-se de uma lógica industrial que tem que considerar custos de produção, apelo comercial (publicidade ou assinaturas, no caso de TV a cabo) e, atualmente, mecanismos de oferta “on demand”. A audiência é medida, prioritariamente, pelo índice Nielsen, mas existem outras, como fãs e suas comunidades virtuais, que não são ignoradas. Tanto a crítica como as premiações são fator de prestígio, mas sua influência não é considerada prioritária, salvo para efeitos midiáticos. O que de fato mede o sucesso de uma série hoje, além dos índices de audiência, é o barulho que elas fazem e a isso os produtores estão bem atentos.”

Ou seja, o sucesso tradicional é o mais considerado pelos veículos tradicionais - ainda que incorporando novos meios. Mas para os fãs, aposto, uma série de sucesso é aquela que os agrada. E ponto.

Com blogs, me parece, o sucesso segue essa tendência de pessoalidade, de forma mais extremada, por que vinte mil leitores indiferentes deveriam ser mais importantes do que vinte satisfeitos e fiéis?

Volto à pergunta: o que é sucesso nos dias de hoje? Não sei a resposta, nem mesmo se ela realmente existe. A percepção de sucesso, para mim, é pessoal e intransferível, embora muitas vezes tenhamos que engolir definições alheias.

Sucesso é tudo aquilo que me faz feliz, e só.

Compare Preços: DVDs de Lost, DVDs de Gilmore Girls, CDs de Britney Spears, CDs de Arcade Fire

Jul30

Blogs e jornalismo: Amigos ou rivais?


Sempre me vejo em meio à imbecil polêmica “blogs x jornalismo”. Como normalmente amo e acredito em ambos, fico achando que os únicos inadequados são os que entram na discussão.

Desde aquele fatídico texto do Digestivo Cultural (faz tempo, hein?), que o Cardoso, meticuloso, me recomendou, venho ficando mais atento a essa desconfiança toda entre ambos, que, ao meu ver, mostra-se infundada em todas as instâncias.

Alguns jornalistas vêem os blogueiros como amadores querendo brincar de fazer notícia, em um “show de calouros” (© Márion Strecker). Alguns blogueiros vêem a mídia como um demônio ultrapassado, desprezando-a ou rindo de seu comportamento e modus operandi, como se fossem superiores.

Não tenho certeza de que são minorias não, mas com certeza não é a totalidade que vê as coisas desses modos absurdamente equivocados. Acredito realmente que amadores não podem ser jornalistas, e os blogs nacionais ainda são fracos fornecedores de informação. Também acredito piamente que blogueiros sabem lidar muito melhor com a audiência do que os jornalistas, penando e aprendendo muito mais com seus leitores do que qualquer profissional do jornalismo aprende com um manual de redação ou ombudsman – além de possuírem uma liberdade de emitir opinião que qualquer homem de jornal sonharia ter.

Agora, não é porque o cidadão comum não pode fazer jornalismo (simples: ele não está habilitado tecnicamente para isso), que não pode ser repórter de seu cotidiano. Eis o primeiro híbrido de blogs e jornalismo: o que convenientemente chamamos de “citizen journalism” – ou quase isso. Também não é porque jornalistas estão mesmo acostumados com uma estrutura mais engessada, menos direta e participativa, que eles não podem se acostumar e ter interesse nesse novo tipo de mídia, feita por usuários. Uma coisa não impede a outra.

As mídias vêm se misturando, sem prejuízo para nenhuma delas. Pelo contrário. Qual blog não se alimenta de material produzido pela mídia de massa? A recíproca também é cada dia mais verdadeira, evidentemente. Cada veículo tem sua função dentro de um sistema que tende, sim, ao excesso de informação.

Esse artigo aqui começou a ser escrito ontem, mas a Folha de S.Paulo, mais uma vez, trouxe o assunto semelhante em sua edição de hoje. Em entrevista de capa do caderno Ilustrada, cuja manchete é “Ataque à blogosfera”, o historiador britânico Andrew Keen, que lançou recentemente nos EUA o livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture” (isso mesmo: “A cultura do amador: Como a internet de hoje está matando nossa cultura”), diz que a web 2.0 não está democratizando a mídia coisa nenhuma, mas “que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso.”

Polêmico e radical, não? Pois é, mas infelizmente eu tendo a concordar com parte disso: nos meios colaborativos atuais, o que mais importa é o próprio usuário e sua experiência, não a informação em si. O que, por si só, já é bem interessante.

Eu me interessei principalmente pela resposta da última pergunta, onde ele justifica o fato de ter um blog: “Meu livro não defende que as pessoas não tenham blogs, apenas que não finjam que são substitutos da mídia tradicional ou representantes de fontes de informação confiáveis sobre o mundo.”

Atenho-me somente ao “não finjam que são substitutos da mídia tradicional” e ignoro que ele acredite que não somos “fontes de informação confiáveis sobre o mundo” (e por acaso quem é? Desculpa, mas depois de Jayson Blair, eu não sei!).

Realmente não somos substitutos de nada. Nós complementamos o que já existe – e dessa forma, tudo vai ganhando novas funções e nada se perde.

Vejo os blogs e toda a perspectiva de jornalismo colaborativo (perspectiva porque ainda não o temos de fato, só vejo repercussão do jornalismo profissional por aí…) se aproximando muito, num primeiro momento, do antigo “new journalism”, em que o repórter basicamente relatava o que vivenciava. Ou quase isso.

É que lembro do repórter brasileiro David Nasser, da revista O Cruzeiro, que, em busca de uma boa história a ser contada (e, claro, de uma boa vendagem), inventava situações, aumentava os fatos e, reza a lenda (ou a história, contada no livro “Cobras Criadas”) chegou até mesmo a se vestir de mulher, fingindo ser outra pessoa, para ilustrar uma reportagem chocante. Como dizem, ele era o homem que inventava a notícia.

Ora essa, é ou não é o que muito blogueiro faz brigando por aí na blogosfera ou nos meios virtuais? É ou não é o mesmo que motiva um sujeito a mandar uma foto do acidente da TAM adulterada para um portal (aquele, do “show de calouros”)?

Fora que o estilo de narração é semelhante…

Os blogueiros podem reclamar dos jornalistas, mas se parecem com eles em diversos pontos. E os jornalistas estão descobrindo a melhor forma de lidar com esse novo produtor de informação e se adequar para as mudanças que estão nitidamente acontecendo. Onde reside o conflito?

A mistura dos dois é bem-vinda, desde que aconteça com inteligência, respeito e planejamento. Assim não haverá morte da cultura, da imprensa ou da espontaneidade de ser um cidadão, mas uma otimização das informações na rede e fora dela, confiando em um número maior de pessoas – até porque, naturalmente, os conteúdos vão mesmo ficando mais seguros.

Acho que está na hora de abrirmos a cabeça – e eu, como blogueiro e jornalista em formação, estou com ela em constante conflito – e perceber o que há de bom em cada um dos dois mundos (que, convenhamos, são irmãos).

Deixa disso, galera. O Estadão não está atacando os blogs por dizer que nem tudo na rede é confiável… Ele só quer dizer que ele mesmo está melhor – exatamente por adquirir características da blogosfera!

Rixa boba, que pode ser resolvida numa mesa de bar. Ou na BlogCamp.

Compare Preços: livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture”, livro “Cobras Criadas”, Motorola V3, iPod Vídeo, Sony Cybershot

Jul5

Dublagem de séries na Fox: Jack Bauer, por favor, não fale português!


A televisão é um dos meios de comunicação mais quadrados que existe, porque é baseada em hábitos – e pouca gente gosta de mudá-los. Por isso projetos de vanguarda não costumam dar certo aqui em nosso país, embora façam sucesso de crítica.

Nesse caso, ir contra o interesse do espectador é justificado, já que há a busca por inovar, criar coisas novas. Em todos os outros, é burrice e tende a estimular a fuga de telespectadores para outros canais – o que acontece, por exemplo, com o SBT, que não mantém uma grade de programação fixa por muito tempo.

Por isso é raro ver qualquer coisa legendada na TV aberta – que, naturalmente, possui quase a totalidade de sua programação falada em português -, recurso normalmente reservado a filmes clássicos, que possuem um público mais qualificado. Ainda assim, é algo bem restrito e raro, até porque não tem uma grande audiência e não é muito bem aceito, já que não está de acordo com os costumes da grande massa de telespectadores.

Panorama inverso é o da TV paga, que é dominada por programação importada e tem um público de maior poder aquisitivo, cultural e educacional. Capitais simbólicos essenciais para a familiarização com línguas e costumes estrangeiros, permitindo que o telespectador – que, conseqüentemente, é bem mais alfabetizado – consiga assistir a programas legendados sem maiores problemas.

Assim acontece em todos os canais fechados de séries, quase na íntegra de sua programação. Mesmo no TNT, que exibe filmes dublados, as séries – as cultuadas “Veronica Mars”, “Battlestar Galactica” e “The Closer” - são legendadas. A exceção é “Six Feet Under” (ou “A sete palmos”) no Warner Channel, mas, aí, a decisão é bem mais contratual do que estratégica: a série é originalmente exibida, legendada, na HBO, que, por não fazer parte dos pacotes básicos das operadoras de TV por assinatura, permitiu a veiculação da série, dublada, na Warner, que não é um canal “extra”.

Só que os canais de filmes dublados, como o próprio TNT e o Telecine Pipoca, costumam dar bastante audiência. Aí, naturalmente, outras emissoras, como a Fox, querem tentar aumentar seu público exibindo filmes em nosso idioma, em faixas dedicadas à família. Nada de errado, certo? Filmes em português em meio a toda a programação em inglês, legendada.

O problema é quando querem misturar as coisas, como a Fox está fazendo agora, dublando suas principais séries. PELO AMOR DE DEUS! Quem quer ver série dublada vai assistir na TV aberta! Por mais que a qualidade das legendas muitas vezes deixe a desejar, a dublagem descaracteriza a série! Eu não consigo assistir à “Gilmore Girls” – uma de minhas séries favoritas - dublada, a versão “Tal Mãe, Tal Filha” fica terrivelmente ruim.

Mas a Fox fez o pior: por anos, exibiu seus seriados legendados e, agora, resolveu dublar – no meio da temporada! A quebra da rotina do telespectador não poderia ter repercutido mais negativamente do que está acontecendo, com todos os portais – mesmo os não-especializados – destacando reclamações, com espectadores organizando abaixo-assinado e manifestações de todos os lados

Sobrou até para o intérprete do maior herói do canal, Jack Bauer, o ator Kiefer Sutherland, que está aqui no Brasil para gravar um comercial. Um fã se hospedou no Copacabana Palace, onde o astro de “24 Horas” está, e deixou uma mensagem na recepção fazendo um apelo para que ele intercedesse junto a Fox! Será que ele poderá deter esses executivos malucos que planejam acabar com o costume dos telespectadores?

O canal, por sua vez, dizia que a medida era experimental e que levaria em conta todos esses manifestos. Agora, a Fox já está com 80% de sua programação dublada, diz que a mudança é definitiva e afirma que está estudando, junto às operadoras, formas de disponibilizar ambos os formatos simultaneamente – como acontece com filmes em pay per view.

Com isso acontecendo, óbvio, ninguém vai reclamar de ter a opção de ver dublado. Mas, enquanto não há essa possibilidade, nada deveria mudar. Com seriados não se mexe: os telespectadores – que, mais uma vez, são mais informados e conseguem amplificar melhor sua voz pela imprensa - acompanham e se envolvem com aquilo de tal forma que fazem esse barulho todo por uma mudança estratégica do canal. Mais do que com as novelas, qualquer mudança nessas ficções semanais causa impacto, já que não tem a enrolação da teledramaturgia diária. Nem a ignorância de achar que o espectador apenas recebe calado a programação da televisão. O telespectador de séries é o que mais gosta de repetição, criando rotinas.

Por essa lógica, claro, também é válido o inverso: o público vai, com o tempo, acabar se acostumando com as dublagens. Só que até isso acontecer, ele pode já ter desenvolvido a prática de pedir o seriado ao Paul Torrent. Aí será muito mais difícil de fazer o telespectador voltar – uma vez que, quem acompanha pela internet tem acesso aos episódios americanos bem antes deles chegarem à televisão brasileira. E é tão fácil adquirir o hábito de ver as coisas antes dos outros…

Se eles querem experimentar, por que não criam um horário alternativo? Passa num horário dublado e em outro legendado. Agrada a todos – ou quase. O que não pode é acabar com o hábito de anos do telespectador que, obviamente, gosta das coisas iguais, em série. Eu é que não quero ouvir um “”Largue a arma, UCT, droga!“.

Exijo respeito! Damn it.

Compare Preços: TV por assinatura, DVDs Battlestar Galactica, DVDs A Sete Palmos, DVDs Gilmore Girls, DVDs 24 Horas

Jul4

Fiz TV: conheça o canal de TV interativa do Grupo Abril


Fiz.TV: Canal colaborativo estréia em 30 de julhoVocê deve ter lido em algum outro blog que, na sexta-feira, dia 29 de junho, aconteceu em São Paulo o pré-lançamento do Fiz.TV, o novo canal televisivo do Grupo Abril. O evento tinha o objetivo de apresentar a emissora aos blogueiros e permitir que tirássemos nossas dúvidas a respeito dessa nova proposta, ainda um tanto mal compreendida por muitos, que insistem em rotulá-la de Youtube-killer ou bobeira do tipo. Não é o caso, nem de longe. Eu estive nesse encontro – que, aliás, me pareceu por diversas vezes uma mistura de coletiva de imprensa com a sociabilidade da Barcamp -, fiz perguntas ao Marcelo Botta, gerente de conteúdo do Fiz, e prestei bastante atenção em tudo que foi dito. Abaixo você poderá compreender melhor como será esse canal, que estreará no próximo dia 30, e ver as minhas impressões a respeito dessa proposta potencialmente inovadora.

TV + Internet

Essa é a premissa básica do canal: veicular apenas conteúdos produzidos por cidadãos comuns, havendo diálogo entre internet e televisão. O Fiz.TV será um portal de vídeos na web, do tipo Youtube, só que com um propósito: ser o meio para o usuário enviar seu material que, após votação popular, pode ser exibido na televisão.

Além disso, há o blog - lançado durante o encontro -, que mostrará destaques entre os vídeos do sistema, sempre com bom humor. O blogueiro, o estudante de jornalismo Fábio, é o apresentador do canal na internet e aparece em vídeos engraçados no próprio site. Na TV não haverá nenhum apresentador ou VJ, apenas uma narradora. Pode ser que a voz da TV e o apresentador virtual venham a interagir – o que, acredito, pode ser bem divertido se seguir na linha adotada pelas legendas do “[adult swim]“, bloco adulto do Cartoon Network.

Os melhores vídeos, segundo os votos dos internautas, vão para a TV, em blocos temáticos. Na internet eles ficarão disponíveis, sob demanda, como estamos acostumados. O legal é que, conforme a pessoa vai produzindo vídeos que fazem sucesso, ela vai aumentando seu nível de poder – começa como telespectador e vai até Chuck Norris – e pode até chegar a ter um programa próprio no canal.

Essa é outra característica da Fiz.TV: ela é totalmente aberta e nem a equipe sabe o que vem pela frente. Não tem uma forma certa, um projeto a ser seguido à risca. Ela será lançada e, com o tempo, irá mudando. Isso é, em partes, proposital, já que eles querem possuir uma programação totalmente flexível, agradando às vontades dos espectadores-internautas.

Convite para o encontro de blogueiros na Fiz.TV

Público alvo e conteúdo on demand

Está tudo tão aberto que eles não sabem nem em que operadora de TV por assinatura eles estarão. Vão começar na TVA – companhia que pertence ao grupo Abril e à Telefônica e que tem cerca de 300 mil de assinantes -, mas esperam entrar no line-up de outras operadoras em breve. O público-alvo fica evidente com o tipo de visual adotado pelo canal, com arte e vinhetas bem jovens. É nessa parcela dos telespectadores que eles pretendem investir, já que, pelo menos teoricamente, é o público mais aberto a novidades e o que consome e produz esse tipo de conteúdo na internet. Dessa forma, considerando o target e a taxa de alcance familiar de cada aparelho televisor, eles pretendem atingir cerca de 200 mil espectadores no começo do canal.

O problema, ao meu ver, é que as linguagens dos veículos são bem diferentes. O grande atrativo da web é poder ver e indicar qualquer coisa, na hora que você quer. Na TV isso não existe e, por mais flexível que o canal pretenda ser, ele ficará preso à grade de programação - o que, no caso da Fiz.TV, é até um fator até positivo. Explico: eles esperam que o internauta veja o vídeo no site, goste, vote e vá ver na televisão, avisando os amigos. Para isso acontecer, é preciso ter uma grade muito bem elaborada, além de sistemas que avisem ao internauta a que horas determinado conteúdo será exibido na TV. Mais ou menos como MTV Brasil tinha há algum tempo em seu site, em que o usuário se cadastrava e selecionava clipes específicos, podendo receber, por e-mail ou – se não me engano – através de um sofware, avisos de seus horários de exibição no canal. Dessa forma, acredito, pode até funcionar – afinal, seria legal ver um vídeo que você gosta ou que foi produzido por um amigo passando na televisão! – mas é importante que haja o aviso para cada vídeo individual, e não apenas para as faixas temáticas.

Blocos Temáticos

Fiz.Clipe: Música independente na TVOs vídeos serão divididos por temas ou gêneros, criando blocos, que serão os “programas” dessa emissora. É o caso do “Fiz.Anima”, de animações, o “Fiz.Caca”, só com vídeos trash, o “Fiz.Humor”, de vídeos de comédia, o “Fiz.curta”, com curtas-metragens, e o “Fiz.Doc”, com documentários, que podem vir, inclusive, do meio acadêmico. Isso mesmo: Totalmente colaborativa, a Fiz.TV não receberá apenas vídeos de internautas, mas já está realizando parcerias com universidades do país todo, além de festivais. Acho que daqui pode vir coisa bem interessante, dando espaço a produtos legais, mas que eram engavetados assim que o professor desse a nota ou a estatueta fosse para a prateleira. Só não sei se o público do canal – jovens, que consomem vídeos da web e gostam de inovação – apreciará um gênero mais sério como esse. Torço para que sim, pois é uma divulgação tamanha para a produção universitária nacional (que já vinha ganhando espaço com programas como o “Campus”, da TV Cultura).

Divulgação, essa é a palavra-chave para novas bandas, certo? Pois é, aproveitando o fenômeno das bandas divulgadas online, eles também vão exibir a faixa “Fiz.Clipe”, só com produções musicais amadoras, de bandas independentes – eles já buscam, inclusive, parcerias na área. Boa! Isso é o que acontece na web 2.0 (ah, vai, até que eu sobrevivi a muito texto sem usar a expressão mais mala dos últimos tempos) e também acontecerá na TV 2.0 (não, não terá overdose. Foi a última expressão “2.0” desse post!), o usuário poderá escolher seus clipes e bandas favoritas e depois curtir. Não duvido nem um pouco do poder viral da música e do potencial de indicação que a faixa musical possui, podendo atrair audiência e - por que não? -, amplificar a fama e traçar novos caminhos para os ídolos surgidos na web.

Telejornalismo Colaborativo

O jornalismo, claro, também está presente , com o “Fiz.Notícia” que, obviamente, receberá notícias dos internautas. Isso não foi dito na apresentação, mas o Marcelo me explicou como funcionará esse que pode ser o primeiro telejornal colaborativo da história da TV: O usuário manda o vídeo para o site e os editores do canal (sim, eles também selecionarão os vídeos por conta própria) podem utilizá-lo, caso quente e factual, mesmo sem passar pelos procedimentos básicos (como o processo de votação e o ranking, onde só um Chuck Norris colocaria um vídeo com tanta facilidade na televisão). Ou seja, o vídeo vai para a TV mesmo sem ninguém ter votado nele, para que não perca seu valor-notícia. Compromisso com a informação? Mais ou menos, e é isso que me deixa preocupado.

Tal pressa para veiculação é mais ânsia e euforia pelo conceito de notícia ágil e fresquinha do que comprometimento com o jornalismo e suas premissas básicas, como a checagem. Como não passará necessariamente por processo de votação, a notícia precisaria de um jornalista (um profissional do jornalismo) para checá-la. Não terá. Segundo Marcelo, os vídeos serão veiculados e, caso algo muito errado vá ao ar, eles podem “desmentir no dia seguinte, ou até mesmo no dia!”. É pouco, muito pouco. Imagina só a quantidade de besteira que pode ir ao ar? Temo que seja um desserviço ao jornalismo colaborativo, que caminha a duros passos para conquistar credibilidade no Brasil.

Equipe da Fiz.TV, cuidado com isso, por favor! Não se esqueçam que vocês pertencem ao mesmo grupo que edita a revista semanal de informação mais importante de nosso país (só não se inspirem na credibilidade e imparcialidade de lá, por motivos óbvios) e que, por mais que a inovação seja interessante, tem coisas que são fundamentais, e a verdade é a principal delas.

Integração e Cross Media

Fiz.AnimaAs revistas da Editora Abril são parceiras potenciais da Fiz.TV. Já estão sendo elaboradas formas de interação, incentivando, por exemplo, os leitores da revista Superinteressante a gravarem vídeos sobre o tema da edição e mandarem para o site da emissora. Por enquanto não há nenhum plano de lançamento de uma revista Fiz, até porque o grupo já possui uma publicação colaborativa, a Sou+Eu, empreitada jornalística-popular de baixa renda.
A Sou+Eu, aliás, que seria uma parceira natural da Fiz.TV, por compatibilidade de conceitos e de origem, não está nos planos do canal por enquanto. O perfil do periódico é totalmente diferente do da Fiz.TV, já que é voltado a mulheres de classe C e D com uma certa idade – quase o oposto do público jovem, com acesso à internet e à TV paga que a emissora busca. Isso, entretanto e felizmente, tende a mudar, já que, segundo ele, a Sou+Eu será reformulada e se aproximará mais de seu projeto inicial: conteúdo colaborativo para um público mais jovem e com maior poder aquisitivo. Aí, sim, pode acontecer uma junção dos dois produtos mais colaborativos do grupo Abril.

Publicidade

Colaboratividade é, certamente, a palavra mais usada nesse texto – e também na elaboração da Fiz.TV. Tanto que eles pretendem, se possível, exibir apenas comerciais feitos por usuários. Sim, publicidade 2.0 (pois é, não tenho palavra e usei novamente esse termo mala. Desculpe.), em que as marcas pagariam os usuários para produzirem vídeos com seus produtos. Sei não, uma vez é legal, duas vezes dá certo, mas só isso pode ser cansativo e dar errado. Embora entenda a intenção de gerar uma programação unificada – o que tornaria o comercial tão interessante quanto uma atração do “Fiz.Humor”, por exemplo -, temo que não termine bem. Publicidade participativa é bem complexa e, como eu já escrevi aqui no blog, há uma tendência para sua execução nesse nosso contexto de realidade (não, não vou falar 2.0!) horizontal e comunicação bi-direcional, mas quem vai como muita sede ao pote…

Remuneração e aspectos técnicos

O usuário, claro, não produzirá conteúdo de graça, ele será pago caso seu vídeo passe na televisão. Nenhum grande cachê – segundo Marcelo, ninguém vai conseguir viver disso! -, mas uma justa recompensa pelo bom trabalho. O departamento jurídico terá a árdua tarefa de deixar tudo legalizado, sem infringir copyrigh ou permitir apologia a qualquer coisa (como seria enquadrado o Tapa na Pantera, com drogas, por exemplo). A equipe técnica terá que ajustar o áudio e a imagem de cada vídeo para que tudo fique bom na tela grande – e, pelo que foi mostrado para gente, pareceu estar funcionando, já que não ficou com imagem quadriculada ou coisa do tipo. O GC, gerador de caracteres, aquele letreiro que aparece na tela, informará o nome do vídeo, os autores e a localidade dele (imagina o trabalho que vai dar organizar e separar tudo isso para montar os blocos?).

Não será nada fácil fazer esse canal funcionar, mas a equipe é jovem e está determinada a tornar a Fiz.TV um sucesso, indo muito além das 4 horas diárias de exibição dessa fase inicial. O clima intimista e informal do nosso encontro, realizado no “quintal” do casarão que abrigará o canal, foi intencionalmente criado para mostrar o espírito do projeto: um grupo de amigos trabalhando naquilo que gosta e criando coisas novas.

Espera aí, essa não é exatamente a história do início de grandes serviços da internet?

Logomarca da Fiz.TV encontrada no Techbits, do meu novo amigo Alexandre Fugita

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Jul4

Ziraldo: “A internet é o antro do débil mental, só tem idiota na internet”



“A internet é o antro do débil mental, só tem idiota na internet! É uma coisa… O usuário da internet é um babaca.”

Ziraldo

Via Bluebus

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Apr11

Overdose 2.0


Quem é meu leitor ou me conhece um pouco que seja sabe o quão eu acredito e sou apaixonado por jornalismo colaborativo, interatividade e mídia participativa como um todo. Quem é minimamente antenado com o mundo da comunicação, sabe que o conceito “2.0″ ultrapassou há algum tempo a web e já possui diversos usos. Um dos mais evidentes é na publicidade, que caminha para ter o mesmo fim que a Anna Nicole Smith: a morte por overdose. Acidental, mas previsível.

Surgiu a Web 2.0, e a mídia disse que era seu futuro. A teoria do long tail ganhou atenção, e as agência de publicidade começaram a mudar de mentalidade. O Youtube estorou, e os empresários perceberam que, ó!, o público está disposto a “fazer” e participar. Ótimo não?

Não. O que seria um grande passo, se usado com sobriedade, está tomando conta de quase tudo. As campanhas publicitárias que pedem para o usuário enviarem vídeos, imagens ou coisas do tipo estão acontecendo em um número tão grande e em tão pouco tempo que podem cansar esse potencial produtor.

São vários os exemplos aqui no Brasil. Os que eu me lembro são o Funk Tube (concurso do CD de funk “Pancadão”, assinado pelo Luciano Huck), TVZé (iniciativa do Multishow que exibe clipes feito por internautas, brincando com o programa “TVZ”), a promoção do canal Sony (você montava um comercial no site deles com material das séries e o melhor ia ao ar), a campanha de lançamento da revista Sou+eu (que é inteira “feita” por usuários, mas não deve orgulhar nenhum entusiasta da colaboratividade) e aquelas várias promoções de companhias de celular, em que o assinante manda fotos tiradas com seu aparelho. Com certeza tem mais, bem mais.

É lógico que, ao produzir algo para a marca, o envolvimento com ela é infinitamente maior e as possibilidades de converter isso em dinheiro aumentam. Não estou criticando a qualidade das peças, algumas são ótimas e muito bem pensadas. O problema é que o uso exacerbado desse conceito acaba banalizando algo que tem um potencial incrível. É a tal bolha 2.0, só que de uma maneira bem mais simplória e superficial do que aquela dos produtos de internet. Saturando o mercado de “faça-você-mesmo”, arriscam-se e catalisam um possível fracasso. Aí já viu: Se der errado uma vez na publicidade, os anunciantes passarão a temer qualquer coisa que siga essa linha. E nós, blogueiros e jornalistas cidadãos, pagaremos o pato.

Tenho muito medo de que essa overdose de “vanguardismo” aparente dos anunciantes se traduza em retrocesso. Mesmo para isso vale a máxima: use com moderação. E inteligência.

E pensar que, há alguns anos, o país vibrou e achou o máximo quando a Globo colocou fotos de telespectadores na abertura da novela “Mulheres Apaixonadas”. Tempos românticos aqueles…

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Apr1

Alterações de comportamento: clínica a vista


Engraçado ver que, quando algum membro da nossa elite, principalmente famoso, que não está naquelas categorias esperadas (como os políticos) é pego roubando alguma coisa, logo a “alteração de comportamento” é atribuída a algum medicamento, uma crise pessoal é revelada e o indivíduo é internado para tratamento.

Foi assim com o Ronaldo Ésper, está sendo com o rabino Henry Sobel . A diferença é que no segundo a sociedade brasileira acredita e se lamenta por ele (obviamente, fez por merecer), já pelo primeiro…

Nos EUA, em situações semelhantes a essa, mas por causas distintas, os famosos também se internam. Isaiah Washington, o Burke de Grey’s Anatomy, se internou em uma clínica de apoio psicológico para lutar contra seu preconceito contra gays. Várias teen idols (com destaque evidente para Britney) têm se internado nas chamadas rehabs para se recuperarem.

Só não sei qual recuperação todos eles buscam: se é mesmo a do estado normal ou a da boa imagem perante ao público.

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OutrOs OlhOs Podcast Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:

O caminho da comunicação passa pelos blogs?

Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.

As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
SP - Brasil | Desde 03/02/2003





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