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Jul1

Mercado Blogueiro: O lançamento da Polvora! e as novidades da Blog Content :) e do portal IsFree


Fazia muito tempo que não publicava um Mercado Blogueiro, mas essa edição da coluna vem para compensar, com várias notas exclusivas, em primeiríssima mão.

Inventamos a Polvora!

A principal delas é o lançamento da Polvora!, consultoria em mídias sociais que é fruto da parceria entre a BlogContente o Grupo RMA, consagrado graças a seu trabalho com assessoria de imprensa. Dessa notícia eu também faço parte – então não espere imparcialidade, certo?

Foi assim que tudo começou: Durante a Campus Party, o Alexandre Inagaki, o Edney Souza, o Ian Black e eu lançamos a Blog Content, uma consultoria pequenininha especializada em blogs e mídias sociais, somando as competências e experiências dos quatro. Esperávamos que fosse dar certo, mas não tínhamos idéia de quanto.

A Blog Content cresceu muito e a demanda pelos nossos serviços estava, felizmente, quase maior do que podíamos suportar – afinal, éramos apenas nós quatro trabalhando. Paralelamente a isso, a RMA expandia seus serviços em Social Media, área que vinha crescendo no grupo, mas que precisava de um empurrão para efetivamente decolar.

O empurrão veio da parceria entre as duas empresas. A estrutura e a competente equipe de Social Media da RMA se juntou ao grupo e ao know-how da Blog Content. Nasceu a Polvora!

Já são 13 pessoas na equipe, entre funcionários e sócios-diretores – número que aumentará em breve. Também já temos uma sede física própria – ainda sendo reformada -, em um prédio em Pinheiros, São Paulo, e toda a estrutura para atender a esse mercado em rápido crescimento.

A estrutura e o nome mudaram, mas a missão não: ajudar agências de publicidade, assessorias de imprensa e marcas a fazer comunicação em mídias sociais com muito mais eficiência e, ao mesmo tempo, ajudar a profissionalizar esse novo tipo de mídia.

A Polvora!, assim como a Blog Content, é uma empresa de comunicação social nativa da web, criada por pessoas que conseguiram destaque nesse mercado. Ou vai dizer que você nunca ouviu falar no Interney ou no Pensar Enlouquece?

Do lado da RMA, veio pessoal nativo do mundo corporativo, o que nos permite, agora, oferecer serviços B2B (Business to Business), além de B2C (Business to Consumer). Mas não se engane, o Jair e o Mario vieram desse mundo, mas também blogam há algum tempo…

Na equipe que veio da RMA ou foi contratada já para Polvora! estão pessoas queridas e bastante competentes, como o Fugita, o Tiago, o Tuca, o Graveheart, o Fernando, o Tesore e as “menininhas” do grupo, Claudia e Talita.

A empresa será lançada oficialmente em breve – nem o site oficial está pronto ainda! -, mas não pude deixar de contar aqui em primeira mão. Até agora, apenas tínhamos contado sobre a Polvora! a alguns amigos blogueiros – e uma ou outra informação já tinha vazado na web. A festa de lançamento acontecerá no final de julho em São Paulo.

Ian Black deixa a Blog Content; empresa passa a focar em conteúdo

Não, o início da Polvora! não significa o fim da BlogContent. E aqui vem a segunda nota, da qual também faço parte: a Blog Content mudou.

Agora, nela, cuidamos apenas de produtos editoriais. Portais de blogs, blogs, redes… Tudo que se referir a conteúdo editorial. Com isso, expandimos nossos horizontes e damos uma atenção especial ao que consagrou boa parte da equipe, com o Interney Blogs e outros projetos.

O meu querido Ian Black não faz mais parte de nosso time. Mas, não, não houve briga, nem nada do tipo. Pelo contrário.

Assim como eu, o Inagaki e o Edney, ele também foi pego de surpresa pelo tamanho que a “brincadeira” de ter uma consultoria tomou. Todos nós tivemos que mudar muito nossas vidas – para você ter idéia, deixei a carreira jornalística em segundo plano e recusei até convite para trabalhar em um grande jornal -, mas a dele estava definida demais para que houvesse tamanha mudança.

Há pouco tempo, enquanto a Blog Content ainda era apenas um desejo entre a gente, ele começou a trabalhar na agência Live Ad. E o rapaz adora aquela empresa como se fosse a casa dele - o que é completamente compreensível: já fui lá algumas vezes e conheço as pessoas que lá trabalham. Dá realmente vontade de não sair de lá, de tão legal que é.

Ele ama o trabalho, adora as pessoas da equipe e ainda está desenvolvendo um projeto muito, muito bacana com blogs – que em breve você certamente saberá. Como deixar isso de lado?

Ele levou os dois trabalhos – Live e Blog Content – em paralelo enquanto deu, mas, acredite, é trabalho demais. Então ele teve que escolher entre os filhos e ficou com o que está prestes a nascer, na Live.

A outra filha, a Blog Content, virou afilhada e ele vai visitar sempre que pode. Nós, óbvio, recebemos de braços abertos e sorriso no rosto!

Live e Blog Content continuam se dando muito bem. Também, fala sério, com equipes e mentalidades tão legais, como não se dariam?! :P

Uma nova IsFree

O portal IsFree, comandado pelo Felipe Neto, voltará ao ar às 00h de hoje, com belas novidades. Depois de enfrentar problemas com o domínio, o que deixou o site indisponível por mais de dois meses, ele vem renovado e com novo nome e endereço: a IsFree agora é IsFree Pop (www.isfreepop.com). O logotipo é esse acima, que você vê em primeira mão.

E tem mais: em breve, além das séries, o portal também trará conteúdo sobre cinema. Alguém tem dúvida de que fará ainda mais sucesso? Eu não tenho, e desejo toda sorte para o Felipe e para a jovem equipe do site. Vocês sabem, a gente sempre levanta mais forte depois dos tombos. Será o caso! ;)

Mercado em movimento:

- A Dani Koetz mudou para São Paulo, teve uma rápida passagem pela agência Cubo e acaba de chegar na Garage IM, onde trabalhará no planejamento.
- O Guilherme Valadares foi outro que mudou para Sampa e está firme e forte na Cubo.
- A Dudinka, braço social media da One Digital, está com força total, sob o comando da Marina Santa Helena. Junto a ela, estão a Carol Mancini e a Gabriela Bianco.
- A equipe de conteúdo da Riot ganhou um reforço. Gabriel Tonobohn agora faz parte do time gerenciado pelo Wagner Fontoura.
- A Babi Franzin, no atendimento, e o Luiz Yassuda – ex-Fischer America -, no planejamento, agora também fazem parte da agência Riot.
- Já a Bruna Calheiros, a Baunilha, saiu da Riot e foi para a agência Bullet, onde também trabalha o Octávio Maron.


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Feb15

Campus Party: Vamos conversar?


Blogueiros são bem mais legais ao vivo do que nos blogs. Isso é um fato, mas, naturalmente, não é regra - apesar do número de blogueiros bacanas pessoalmente ser animador. O melhor da Campus Party, claro, são as conversações - assim como nos blogs.

Eu tenho conversado absurdamente por lá. Quase só faço isso. Batendo papo sobre coisas sérias, sobre bobeiras, sobre tudo, com todos. Além de encontrar novamente os amigos, lá é um excepcional balcão de negócios travestidos de conversas informais. A feira? Bom, ela também está bacana.

De verdade, o ambiente completamente geek não faz nenhuma diferença para mim. Vejo os outros blogueiros animados com as novidades tecnológicas, fotografando e postando tudo, mas não me deu a menor vontade de fazer isso. É algo meio “Ok, bacana! Vamos para o próximo stand?”

Estou com um grave problema: eu não tenho a porcaria da programação (e sim, eu sei que tem no site). Não tomei vergonha na cara de ver as coisas direito e, com isso, perdi várias palestras e desconferências que eu queria ver. Me enrolei e acabei perdendo até o lançamento da Blog Content, uma consultoria para blogs corporativos tocada pelo Edney Souza, pelo Ian Black, pelo Alexandre Inagaki e por mim.

As discussões que eu vi foram dentro do mundinho que já freqüento, o dos blogs e do jornalismo. Depois de ir em tantos eventos do tipo, acho que acabei cansando de ouvir e discutir coisas que eu adoro e sempre posto no blog, mas que nunca saem do mesmo quando debatidas nessas ocasiões.

Para variar, não entendi muito bem as polêmicas jornalismo x blog - tirando a da Folha Online, com um problema jornalístico que, coincidentemente, aconteceu com blogueiros - e ouvi gente dos dois lados (se é que isso existe) falando que o outro não mudava nunca de opinião. Não mudam mesmo, e cansa.

Não tomo partido, falo “pois é” e dou um sorriso para jornalistas e blogueiros. Eu concordo e discordo dos dois! O que fazer, não é mesmo? Passei já da fase de ficar fazendo lutinhas internas: Meus lados blogueiro e jornalista estão cada mais misturados e quando vêem o Pedro Dória já dão uma risadinha e tentam adivinhar o que ele vai falar (sério mesmo, já fui em tantas palestras com ele que não duvido decorar suas palavras).

É válido que se discuta, principalmente se tiver algo novo - e sempre tem -, mas o processo de aceitação é lento e só de dá na prática: quando um tem contato com o outro e vê como tudo é legal e pode funcionar em harmonia, mudando algumas peças estratégicas no tabuleiro. Sonho com o dia em que os blogueiros e jornalistas se reunirão para pensar no que podem fazer juntos.

A propósito, achei boba boba a idéia do protesto do dinossauro no aquário da imprensa (o que também é bem bobo, aliás) - embora eu não tenha visto ao vivo e até tenha acompanhado parte da preparação -, mas também achei divertidinha. Nem tudo tem que fazer tanto sentido assim, ou tem? Os jornalistas curtiram, os blogueiros também. Rir faz bem.

Mesmo sem cobrir o evento como tinha pensado fazer, voltarei com alguns posts bem interessantes para breve. É que meu tipo de nerdice (fiz 25 pontos e aqui você faz o teste) é definitivamente outro: sou aquele cara que vai no stand da TV por assinatura assistir a “Friends” e sai de lá constrangido e meio bravo porque mais ninguém fica dando risadas (sim, eu realmente fiz isso. Que povo chato! Não rir de “Friends”? Como assim?).

Mas hoje vou pra lá querendo descobrir tudo. Como funciona, o que tem de bacana em outros setores, o que os robôs fazem, quanto os caras do modding gastam para fazer aquelas maluquices (no melhor sentido possível) com seus computadores, como se anda em um segway…

Prometo que vou conversar menos e ser um pouco mais blogueiro e jornalista. Sem, para isso, me afogar em nenhum aquário.

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Jan30

Mercado Blogueiro: Ian Black deixa a Riot


O blogueiro Ian Black, do Enloucrescendo, está se despedindo da agência de marketing viral e estratégias em redes sociais Riot, onde trabalhava desde abril de 2007. Como gerente de conteúdo, Ian foi um dos maiores responsáveis pelo desenvolvimento comercial da blogosfera no ano passado – um trabalho iniciado, dentro da Riot, por Alexandre Inagaki e continuado por ele.

Depois do carnaval, Ian passa a representar a agência Live Ad – dona da Blog Hunters, de projetos como o BloggersCut -, que ganha força na capital paulista. “Serei responsável pela parte de relacionamento em mídias sociais e participarei ativamente do processo de criação, ajudando a moldar as campanhas publicitárias para que funcionem nesses meios”, conta.

Ele explica o motivo da saída: “A Riot já é a maior referência em mídias sociais no Brasil. Pergunte a qualquer blogueiro algo sobre publicidade e todos lembrarão da agência em primeiro lugar. A Live é um novo desafio, não só para fazê-la crescer, mas para explorar novas formas de trabalho. Ela tem um perfil mais experimental na elaboração das campanhas e no relacionamento com os blogueiros, e isso vai ao encontro do que busco profissionalmente.”

Segundo ele, não há um substituto definido para seu cargo. “É natural que seja o Luiz [Jerônimo, do Tarja Preta], que me auxiliou todo esse tempo, e ainda há a Mirian [Bottan, do Substantivolátil] e o Rodrigo [Cunha, do Geração Internet, recém-contratado pela agência] para juntos fazerem a área mais forte e referência no relacionamento com blogueiros”.

Dizem que o ano só começa depois do carnaval. Em 2008, isso não se confirma. A mudança de emprego do Ian é o primeiro movimento do mercado blogueiro nesse ano. São vários os projetos em execução visando a profissionalização dos blogs e das mídias sociais. 2008 é o ano do amadurecimento comercial e editorial da blogosfera e pessoas como o Ian têm um papel crucial na definição dos caminhos que tomaremos.

Sou amigo do Ian – bem como de todos os blogueiros citados por ele – e estou bem contente com sua mudança, que é a prova do reconhecimento do mercado por sua importância – já manifestada, há algum tempo, pelos convites para palestras sobre o uso corporativo de blogs e pela reportagem de hoje do caderno “Empresas & Negócios” do jornal Gazeta Mercantil sobre blogs de empresas.

O Luiz, a Mirian e o Rodrigo têm um potencial imenso para fazer a Riot alçar vôos ainda mais altos e o papel deles lá dentro certamente será ainda mais importante daqui para frente. Além disso, é ótimo ter outra agência se desenvolvendo. O Ian é bastante competente e, com certeza, fará a Live crescer bastante. Melhor para nós, blogueiros.

Até porque, veja só, ele tem um objetivo claro: “Fazer os blogueiros ganharem dinheiro para me pagarem jantar no Figueira Rubayat”.

Tomara que dê certo.

Boa sorte no novo desafio, Ian! Faça muito sucesso na Riot, Rodrigo! Continuem assim, Luiz e Mirian, e detonem nesse 2008 que está apenas começando!

***

Mercado Blogueiro. Essa é uma das novas colunas do OutrOs OlhOs, com o que acontece de relevante na blogosfera brasileira, em primeira mão. No ar sempre que houver o que publicar! :P

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Dec3

Blogs são como amizades


Na Blogcamp Paraná, que aconteceu em Curitiba no último sábado, e, principalmente, no Café.com Blogs, que foi realizado na terça-feira passada em São Paulo, pude ver como pessoas com formações diferentes enxergam os blogs, podcasts e mídias colaborativas em geral de maneiras completamente diferentes. E é surpreendente como o que é claro para mim, ou para você, parece complicado para essas pessoas – e isso não é demérito, é falta de familiaridade mesmo - o que ficou bastante claro no Café.com Blogs que tem mesmo o nobre objetivo de misturar blogueiros com quem não é desse mundo (mas do mundo dos negócios!) e consegue cumprir bem seu papel, gerando um debate de idéias que leva ao esclarecimento. O funcionamento dos blogs é um desses assuntos que ainda despertam muitas dúvidas e que carecem de maior definição. Vou tentar dar a minha.

A Rosana Hermann já disse que blogs são como padarias (precisam sempre de pão/post fresquinho), praças (áreas públicas de convivência, que precisam de manutenção do zelador/autor para que funcionem corretamente) e pergaminhos (que se desenrolam de cima para baixo). Concordo plenamente, mas, para mim, acima de tudo, blogs são como amizades.

É que a dinâmica dos dois é bastante parecida. Em determinado momento, o blog cruza a vida do internauta e, nessa hora, pode acontecer ou não a empatia. Se sim, ele vira leitor e possivelmente assina o RSS ou favorita. Se não, ele continua navegando e, eventualmente , pode voltar a te visitar – e desse modo, pode vir a gostar cada vez mais do blog. Assim como os amigos.

Criada uma relação – ainda que superficial - entre o internauta e o blog, a manutenção não é simples. São muitos os blogs que cruzam nosso caminho e que, aparentemente, nos identificamos. Mas, com o tempo, vamos vendo se são ou não como a gente, se nos agradam de verdade ou se foi apenas uma equivocada primeira impressão. Ninguém confia em alguém assim que conhece, é preciso tempo e desenvolvimento de histórias para que uma pessoa se identifique com outra e construa uma amizade. Com blogs, também é assim que se adquire credibilidade: a cada post vamos sabendo se gostamos ou não dos assuntos tratados, das formas como o blogueiro se posiciona com relação às coisas, se o que ele escreve é lógico e condiz com nossos pensamentos. Se tudo isso acontece de maneira positiva, após certo tempo, passamos a confiar e a gostar cada vez mais.

Por trás dos blogs estão pessoas e todo leitor se relaciona com elas, mesmo que indiretamente. Se essa “amizade” é conquistada, ela tem que continuar a ser cultivada. Mas como dar atenção a todos os blogs que continuam a cruzar nossos caminhos? Bom, é impossível ser amigo de todo mundo e também não dá para estar com todos os amigos o tempo todo, mas a gente sempre consegue ligar, mandar um e-mail ou um cartão de Natal que seja – e nem por isso a amizade é abalada. Não dá mesmo para ler tudo, nem precisamos; às vezes, uma visitinha rápida é suficiente para pôr os assuntos em dia, um simples comentário de um post lido aleatoriamente pode gerar uma conversa bastante proveitosa sem tomar tanto tempo. A gente sempre arranja tempo para os verdadeiros amigos, não importa como ou com que freqüência, mas sempre damos um jeito. Ou não?

Do lado dos blogueiros, a amizade também é verdadeira – ainda que com uma mística entidade chamada “meus leitores”, que, claro, pode eventualmente se personificar. O consultor Marcos Aranha atentou para um importante aspecto durante sua palestra no Café.com Blog. Para ele, a profissionalização dos blogs é um paradoxo, já que esse formato de site pessoal surgiu exatamente para ser um local livre, fugindo das obrigações profissionais e, de certo modo, também das pessoais: o bom dos blogs é que seu dono entende e gosta muito de um assunto e sente prazer em escrever a respeito dele . Concordo: Fazer blog apenas por obrigação não é lá muito possível, nem ser amigo. Fica notavelmente falso e, após certo tempo, deixa de fazer qualquer sentido, para todas as partes. Aí, claro, fim de blog e de amizade.

Até mesmo com a publicidade a lógica da amizade funciona. Quando falamos de qualquer produto no blog, nossos leitores encaram como um conselho. Desse modo, o impacto que um post patrocinado tem nesse público é bem grande, afinal, você dá muito mais ouvidos ao que seus amigos dizem do que àquilo que um comercial diz, não é verdade? Agora, se seu amigo está vendendo o produto comentado – o que seria o caso – é natural ficar com um certo pé atrás, mas dá para resolver esse problema: Você sabe quando aquela sua colega de trabalho que é revendedora da Avon está querendo te passar um produto e quando ela está sendo sincera, já que, no primeiro caso, ela viria te oferecer e, no segundo, ela te apresentaria algo que ela usa, comentando sinceramente. A qualquer momento, você pode questionar o que ela está dizendo. Com blogs também: Para não trair a amizade, é só ser honesto, dizer realmente o que pensa, responder sinceramente aos comentários e, importantíssimo, contar que está sendo pago para escrever daquilo. Assim, ninguém é enganado e, ainda que haja um desconforto inicial, logo passa e tudo volta ao normal. Afinal, amigo é amigo.

A relação entre o blog e seu leitor é valiosíssima e uma das melhores formas de se conhecer um novo amigo é através de outro. A indicação dos usuários a seus amigos é fundamental para o desenvolvimento de todo esse sistema, já que, na rede, todo leitor também pode ser emissor – possivelmente com um blog mesmo. Com diálogo entre blogs distintos e também entre um blog e sua audiência, o círculo social vai se expandindo e ganhando proporções cada vez maiores.

Assim, os blogs vão ficando melhores e acabam agregando mais e mais amigos leitores ao decorrer do tempo, tal qual acontece com toda mídia – só que de forma humana.
Pelo que vejo, os blogs de maior sucesso são exatamente aqueles feitos por pessoas que escrevem do ponto de vista humano, não tentando copiar nenhum outro tipo de discurso. Nada mais justo: o melhor de toda amizade é a conversa descontraída, sem grandes artifícios, em que há uma grande identificação, não é? E pode perguntar a qualquer um que tenha blog há um bom tempo que a resposta será sempre a mesma: o que de melhor esses blogs trouxeram foram nos novos amigos. No sentido real.

Aí está o mais legal da Blogcamp, blogueiros, leitores e pessoas com interesses parecidos se juntam e discutem temas que verdadeiramente gostam. Com a proliferação desse tipo de evento, a amizade vai deixando de ser metáfora e vira realidade: nessa em Curitiba, além do alto nível dos debates, as pessoas estavam muito mais unidas, conversando e se divertindo como amigos.

Blogs são vivos e feitos por pessoas, que, no fundo, sempre buscam amizades.

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Oct9

Porque sou blogueiro E jornalista!


“Blogueiro e jornalista, apanhando dos dois lados”

Sempre digo que essa frase é o meu slogan, o que me define melhor. E a culpa é toda minha: gosto tanto de blogs e jornalismo, que acabo fazendo por merecer apanhar de ambos os grupos.

É que, de um lado, vejo blogueiros que se acham superiores a jornalistas e riem da mídia tradicional como se ela fosse coisa do passado. De outro, vejo jornalistas que se acham superiores aos blogueiros e riem dos blogs como se eles fossem um nível rebaixado de se fazer comunicação.

Claro, ambos estão errados - e, pior, apesar de não enxergarem, compartilham a mesma canoa furada. São duas formas de informar que, juntas, se fortalecem.

Eu adoro andar com camisetas que tenham a palavra “blog” pela minha faculdade, mas meu blog é quase que exclusivamente sobre jornalismo.

Quando estou com blogueiros e falamos de jornalismo, eu me irrito e defendo o jornalismo. Quando estou com jornalistas e estudantes de jornalismo falando de blogs, fico igualmente irritado e - adivinha? - defendo os blogs.

Pode ser que o problema seja eu, que gosto mesmo de ser do contra, mas algo me diz que a coisa vai além. A divisão e oposição me parecem absolutamente burras.

Na última quinta-feira, no debate “Internet e Blogs: A Maior Conversação da História”, com três jornalistas/blogueiros - Marcelo Tas, Alexandre Inagaki e Pedro Dória - isso ficou bem claro.

O Tas e o Inagaki, que têm o “título” de blogueiro antes do de jornalista (no caso do Tas, eles se misturam ainda mais), não costumam cair na besteira da dualidade. Eles conhecem ambas as esferas e compreendem suas ligações.

Já o Dória, que é JORNALISTA e tem um blog - perceba a diferença disso para “blogueiro” -, parece confundir tudo e não ter uma visão muito clara dos mecanismos colaborativos da internet.

Em outros eventos, saí com uma péssima impressão dele - e sei que não fui o único. Não vejo propriedade alguma para ele discursar sobre blogs, e tenho dúvidas até se ele tem essa autoridade para falar de jornalismo (não tenho elementos o suficiente para esboçar qualquer certeza).

Obviamente, não é porque ele trabalha no Estadão. Nem porque ele vem da mídia impressa, que eu ainda gosto muito. E muito menos por inveja ou qualquer bobeira do tipo.

É simplesmente porque o discurso dele normalmente é raso e um tanto quanto retrógrado, sem atentar ao que verdadeiramente acontece. E não dou credibilidade ao que diz um jornalista que não enxerga a realidade, o que já é fato.

Mas vejo no Dória um problema que eu também enfrento: essa tal crise existencial entre as novas mídias colarativas e as antigas, feitas por jornalistas de terno e gravata. O meio em que a pessoa vive acaba interferindo em suas opiniões – a minha mudou muito desde que entrei na faculdade e, por sua vez, é bem distinta da dos meus colegas que nunca tiveram blogs.

O Dória, nesse último evento, que foi muito mais intimista, estava muito mais blogueiro do que nos outros, em que ele era o Pedro Dória do Estadão. E o discurso também estava muito melhor, sem o gesso e as amarras daquele que defende o jornalismo tradicional que, para não morrer, briga com o futuro, ao invés de se adaptar a ele. Imagina, ele afirmou: “Leio no jornal o que li ontem nos blogs”. Deu até gosto.

Eu amo o jornalismo e acredito absurdamente nele, mas entendo uma evolução natural das coisas.

Não é oposição ou substituição – seja de jornal por blogs ou de profissionais por amadores – é combinação e re-alocação. Vemos a notícia em sua forma instantânea nos blogs mais próximos a ela, comparamos diversas fontes e visões a respeito do assunto e, no dia seguinte ou depois, num site noticioso, temos a informação mais apurada, aprofundada e lapidada.

Os blogs podem sim fazer jornalismo de qualidade, se sujarem o sapato, se olharem para o lugar onde vivem, se passarem a apurar. Isso foi falado lá no evento, exatamente como eu penso e repito há muito tempo.

Sendo blogueiro e jornalista pode-se combinar o melhor dos dois mundos: habilidade para lidar com as informações vindas dos leitores, a pessoalidade da narrativa e o uso eficiente de técnicas para apurar e chegar mais perto da verdade.

Já dá para fazer isso, tanto em blogs quanto em outras mídias – e eu to tentando. Mas é preciso ter boa vontade e uma paciência absurdamente grande, porque ainda há resistência e preconceito com relação ao que ainda parece ser uma novidade (novidades sempre amedrontam…).

Está diminuindo e tende a mudar, mas, enquanto isso - fazer o quê?! - vamos apanhando dos dois lados.

Depois, acredito e espero (até porque apanhar é bem ruim e irrita bastante, além de dar um trabalho danado), valerá a pena.

É assim que o jornalismo se renovará e ficará ainda melhor. Não adianta querer parar o que já é realidade.

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Oct4

Blogueiros e jornalistas discutem hoje, em São Paulo


Ignore a manchete sensacionalista. Acrescente as palavras internet, blog e debate. Junte Pedro Dória, Marcelo Tas e Alexandre Inagaki. Depois, coloque Digestivo Cultural e uma pitada de “A Maior Conversação da História”.

Pode servir.

O debate “Internet e Blogs: A Maior Conversação da História” acontece hoje, em São Paulo, às 20h, na Casa Mário de Andrade, no Pacaembu.

Promovido pelo ótimo Digestivo Cultural e mediado por seu editor, Julio Daio Borges, essa discussão é a primeira da série A Palavra na Tela: Jornalismo, Literatura e Crítica Depois da Internet, que ainda terá outros debates nas próximas semanas com nomes que eu gosto muito, como o Alexandre Matias e a querida Ana Brambilla.

No de hoje, estarão o Pedro Dória, jornalista e blogueiro que não entende muito dessa coisa de interatividade e conversação - que refere-se a blogueiros como “eles” e que, aliás, disse, no MediaOn, algo como “o raio do leitor fica respondendo a toda hora e às vezes é mal-educado” (Sim, ELE vai falar de conversação!) -, mas que tem grife e sempre é convidado para esses eventos; o Marcelo Tas, que eu gosto e muitos torcem o nariz, mas que também é uma puta grife e, bem ou mal, é um dos principais nomes da blogosfera e do jornalismo online; e o Alexandre Inagaki, que não precisa de comentários (ou alguém duvida da autoridade dele para discutir blogs?).

Eu estarei lá, com outros blogueiros amigos. Tá afim de ir?
Pois bem: Hoje, na Casa Mario de Andrade (Rua Lopes Chaves, nº 546 – Pacaembu, SP) a partir das 20h. São apenas 25 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 3666-5803 ou pelo e-mail do lugar.

Espero que seja bom!

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Aug24

Participe: Podcast sobre blogs


Na próxima segunda-feira, aproveitando o clima pós-BlogCamp (que acontece nesse final de semana), gravo em estúdio o terceiro episódio do OutrOs OlhOs Podcast, sobre blogs - como estava previsto.

Os convidados da edição ainda não foram fechados, mas eu queria fazer um convite a você.

O podcast sempre traz depoimentos dos ouvintes e dos leitores do blog. Por isso, queria a sua participação, respondendo, em áudio, a pergunta: O caminho da comunicação (jornalismo, publicidade…) passa pelos blogs?

Grave a sua resposta em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br até domingo segunda quinta (pois é, as gravações atrasaram!).

Eu disse no podcast anterior que haveria enquete, mas agora ficou em cima da hora. Ainda assim, participe indicando seus blogs favoritos e que tipo de blog você lê. Você pode mandar, em texto, para aquele e-mail ou aqui mesmo nos comentários.

A publicação do Podcast será ainda na semana que vem, assim que eu conseguir editar e aprontar tudo!

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Aug14

Segmentação ou limitação: Sobre o que eu posso postar?


Você deve ter notado que eu quase não consigo mais postar aqui no blog. Não é falta de tempo, nem de vontade. É de inspiração mesmo.

Pudera, tenho 800 temas em mente e sempre paro de escrever na primeira linha, desanimado pelo fato de não saber se cabe no OutrOs OlhOs. É a maravilhosa e maldita segmentação.

Antigamente, na época do Blogger.br, quando eu levava o blog a sério, mas não trabalhava tanto nele quanto agora, a Bia Kunze vivia brigando comigo, dizendo que eu deveria ter um foco.

Se não me engano, no evento da Fiz, conversei com o André Marmota e com o Fugita sobre isso – para você ver como realmente me preocupa. O conselho do meu blogueiro de tecnologia favorito foi: tenha um blog geral e outro com um tema específico. Mas, juro, não quero ter mais de um blog – quero lançar diversas coisas por aqui, mas só aqui.

Eu sei que esse blog já tem quase cinco anos (pois é, mas você descobriu há pouco tempo, não é mesmo?) e que essa crise de identidade deveria ter passado e o foco do blog deveria ter sido encontrado. E até foi.

O Thássius Veloso, dia desses, falou que precisava encontrar uma temática fixa para seu blog. Que queria ter uma linha certa, como o OutrOs OlhOs tinha: “jornalismo e séries, na maioria”. Se ele notou tão claramente, provavelmente essa temática também está forte na cabeça dos demais leitores.

É lógico que as pessoas que entram aqui ou que me conhecem pelo blog ou pelo podcast associam o OutrOs OlhOs e até eu mesmo com jornalismo. É natural.

Pode ser que, agora, os leitores também associem com textos e materiais sobre internet, blogs e jornalismo digital e colaborativo, temas que também estou infinitamente submerso.

Mas não foi sempre assim. Antigamente, quem acessava o blog procurava coisas sobre televisão aberta e comentários de notícias! Os posts eram basicamente nessas duas linhas, não passavam de dois parágrafos curtos e não tinham lá muito critério. A Bia mesmo certa vez disse que o OO estava com a label “Rádio e TV” em seu del.icio.us, e não com a de blogs.

Mas não tem como eu manter uma só linha editorial. Simples: eu comecei o blog com 14 anos, falando da minha vida e com posts sobre o noticiário. Passei por comentários políticos, culturais e me firmei a falar de comunicação. Enquanto isso, entrei na faculdade, comecei a ver tudo com outros “outros olhos” e os temas foram novamente sendo alterados.

Nem pelo lado mercadológico eu tenho uma decisão fácil: Meus posts sobre televisão são os que mais rendem visitas de paraquedistas e, conseqüentemente, maior lucro com o Adsense; mas os sobre blogs e jornalismo sempre repercutem mais, trazendo leitores qualificados, que geram comentários interessantes, que fazem o blog crescer. É óbvio, prefiro a segunda opção.

Agora, danou-se. O OutrOs OlhOs é um blog sobre jornalismo e vida online, mas eu também quero falar de outras coisas… E eu não sei se posso.

Fiz 19 anos nesse fim de semana e não postei nada a respeito, embora quisesse. Também não falei sobre os shows que eu fui, nem sobre as bandas novas que descobri. Eram coisas que certamente seriam interessantes ao leitor, mas eu deixei passar.

Quem lê blog não procura informação pura e limpa, mas sim personalidade. Ninguém acompanha um blog só pelo seu conteúdo, sem ter a mínima simpatia com o autor. Por outro lado, também ninguém lê um assunto que não se identifica.

Acho que o jornalismo passou por isso há muito tempo, e a solução foi estabelecer editorias – os pais dessa segmentação que está em constante expansão. Vou fazer o mesmo.

Estou trabalhando para otimizar as categorias do blog e o uso de tags. Em breve, o OutrOs OlhOs terá algumas páginas de entrada, separadas por editorias-chaves, com feeds próprios, que segmentarão o blog. A homepage e esse feed atual continuarão do jeito que estão, misturando tudo e mostrando tudo o que meus olhos vêem.

Aguarde novidades. São muitas, eu garanto.

Enquanto isso, me conta, o que você gosta de ver por aqui?

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Aug1

Informação sob demanda na rede: Quem lê tanta notícia?


Alguns de meus blogs favoritos sobre jornalismo entraram de férias, sem novas postagens. E eu dei graças a Deus! Eles são ótimos, tão bons que eu começo a acumular estrelas do Google Reader em seus posts, que acabam lá, empoeirados.

Tal qual aqueles artigos de revista que você pensa em ler depois, mas acaba esquecendo e deixando de lado, os posts estrelados vão se acumulando em uma pilha virtual que só serve para te lembrar que você não dá conta de tanta notícia e textos bons. Eu não dou!

O número de blogs que eu assino nem é tão grande assim, mas raramente consigo ler tudo que me interessa. Principalmente esses de jornalismo, que costumam trazer links para análises interessantíssimas, notícias em inglês, pesquisas, discussões de alto nível… Coisas que realmente são importantes para mim, mas que ficam lá, na pilha maldita, aguardando um momento ocioso.

Aí, já era: quando finalmente consigo tempo para lê-los, já tem várias outras coisas interessantes, num ciclo vicioso.

O mesmo acontece com as listas de discussão. Quantas vezes eu já apaguei tudo para tentar começar a acompanhar, sem sucesso? A Radinho já passa de 400 tópicos diferentes não lidos, cada um com várias mensagens… Quem dá conta?

Em um seminário de filosofia do ano passado, onde falei sobre blogs e comunicação online, levantei a questão para debate: Todo mundo quer falar, alguém consegue ouvir?

Esse é o grande problema que os apocalípticos da web apontam: o excesso de informação, nem sempre de qualidade, tira a atenção que deveríamos dar ao que realmente importa.

Não tem solução, esse é um problema necessário e cabe uma solução pessoal. Prefiro poder escolher a TER que consumir algo específico. Basta tomar cuidado para tantas vozes falando alto ao mesmo tempo não acabarem impossibilitando o diálogo da comunicação.

É esse sentimento de excesso, que não é nada positivo, que pode estimular a contra-mão do tal do anarquismo digital, em que escolhemos e consumimos apenas o que queremos.

Acho que essa é a base de projetos como o WeShow e a Fiz.TV: Está tudo organizado, de uma forma que facilita a eliminação do que não for de fato interessante, levando o consumidor uma informação já selecionada. É exatamente isso que pode fazer essas propostas vingarem.

Quem diria que tanta disponibilidade sob demanda faria com que eu sentisse falta da seleção de editores (sendo eles internautas ou não) e até mesmo da grade horária dos canais de TV…

É óbvio que eu acho maravilhoso ter toda essa personalização que temos hoje, mas, de fez em quando, até isso precisa de férias. É mesmo apenas preguiça e falta de habilidade para administrar tanto conteúdo, mas se acontece comigo, que estou habituado com muita informação simultaneamente, imagina para aquele cidadão-padrão que só consegue ter dois temas agendados ao mesmo tempo?

Eis o desafio da era online: organizar as informações e encontrar a melhor forma do usuário se relacionar com ela.

De qualquer forma, quem sabe as férias desses blogueiros já não sejam o suficiente para eu colocar a leitura em dia e poder voltar a gostar de ter tanto conteúdo a disposição… Resolveria o meu caso, não é mesmo?

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Jul30

Blogs e jornalismo: Amigos ou rivais?


Sempre me vejo em meio à imbecil polêmica “blogs x jornalismo”. Como normalmente amo e acredito em ambos, fico achando que os únicos inadequados são os que entram na discussão.

Desde aquele fatídico texto do Digestivo Cultural (faz tempo, hein?), que o Cardoso, meticuloso, me recomendou, venho ficando mais atento a essa desconfiança toda entre ambos, que, ao meu ver, mostra-se infundada em todas as instâncias.

Alguns jornalistas vêem os blogueiros como amadores querendo brincar de fazer notícia, em um “show de calouros” (© Márion Strecker). Alguns blogueiros vêem a mídia como um demônio ultrapassado, desprezando-a ou rindo de seu comportamento e modus operandi, como se fossem superiores.

Não tenho certeza de que são minorias não, mas com certeza não é a totalidade que vê as coisas desses modos absurdamente equivocados. Acredito realmente que amadores não podem ser jornalistas, e os blogs nacionais ainda são fracos fornecedores de informação. Também acredito piamente que blogueiros sabem lidar muito melhor com a audiência do que os jornalistas, penando e aprendendo muito mais com seus leitores do que qualquer profissional do jornalismo aprende com um manual de redação ou ombudsman – além de possuírem uma liberdade de emitir opinião que qualquer homem de jornal sonharia ter.

Agora, não é porque o cidadão comum não pode fazer jornalismo (simples: ele não está habilitado tecnicamente para isso), que não pode ser repórter de seu cotidiano. Eis o primeiro híbrido de blogs e jornalismo: o que convenientemente chamamos de “citizen journalism” – ou quase isso. Também não é porque jornalistas estão mesmo acostumados com uma estrutura mais engessada, menos direta e participativa, que eles não podem se acostumar e ter interesse nesse novo tipo de mídia, feita por usuários. Uma coisa não impede a outra.

As mídias vêm se misturando, sem prejuízo para nenhuma delas. Pelo contrário. Qual blog não se alimenta de material produzido pela mídia de massa? A recíproca também é cada dia mais verdadeira, evidentemente. Cada veículo tem sua função dentro de um sistema que tende, sim, ao excesso de informação.

Esse artigo aqui começou a ser escrito ontem, mas a Folha de S.Paulo, mais uma vez, trouxe o assunto semelhante em sua edição de hoje. Em entrevista de capa do caderno Ilustrada, cuja manchete é “Ataque à blogosfera”, o historiador britânico Andrew Keen, que lançou recentemente nos EUA o livro “The Cult of the Amateur: How Today’s Internet Is Killing Our Culture” (isso mesmo: “A cultura do amador: Como a internet de hoje está matando nossa cultura”), diz que a web 2.0 não está democratizando a mídia coisa nenhuma, mas “que acontece o oposto: a mídia tradicional fornece informação de qualidade acessível às massas e não acho que a segunda geração da web esteja reproduzindo isso.”

Polêmico e radical, não? Pois é, mas infelizmente eu tendo a concordar com parte disso: nos meios colaborativos atuais, o que mais importa é o próprio usuário e sua experiência, não a informação em si. O que, por si só, já é bem interessante.

Eu me interessei principalmente pela resposta da última pergunta, onde ele justifica o fato de ter um blog: “Meu livro não defende que as pessoas não tenham blogs, apenas que não finjam que são substitutos da mídia tradicional ou representantes de fontes de informação confiáveis sobre o mundo.”

Atenho-me somente ao “não finjam que são substitutos da mídia tradicional” e ignoro que ele acredite que não somos “fontes de informação confiáveis sobre o mundo” (e por acaso quem é? Desculpa, mas depois de Jayson Blair, eu não sei!).

Realmente não somos substitutos de nada. Nós complementamos o que já existe – e dessa forma, tudo vai ganhando novas funções e nada se perde.

Vejo os blogs e toda a perspectiva de jornalismo colaborativo (perspectiva porque ainda não o temos de fato, só vejo repercussão do jornalismo profissional por aí…) se aproximando muito, num primeiro momento, do antigo “new journalism”, em que o repórter basicamente relatava o que vivenciava. Ou quase isso.

É que lembro do repórter brasileiro David Nasser, da revista O Cruzeiro, que, em busca de uma boa história a ser contada (e, claro, de uma boa vendagem), inventava situações, aumentava os fatos e, reza a lenda (ou a história, contada no livro “Cobras Criadas”) chegou até mesmo a se vestir de mulher, fingindo ser outra pessoa, para ilustrar uma reportagem chocante. Como dizem, ele era o homem que inventava a notícia.

Ora essa, é ou não é o que muito blogueiro faz brigando por aí na blogosfera ou nos meios virtuais? É ou não é o mesmo que motiva um sujeito a mandar uma foto do acidente da TAM adulterada para um portal (aquele, do “show de calouros”)?

Fora que o estilo de narração é semelhante…

Os blogueiros podem reclamar dos jornalistas, mas se parecem com eles em diversos pontos. E os jornalistas estão descobrindo a melhor forma de lidar com esse novo produtor de informação e se adequar para as mudanças que estão nitidamente acontecendo. Onde reside o conflito?

A mistura dos dois é bem-vinda, desde que aconteça com inteligência, respeito e planejamento. Assim não haverá morte da cultura, da imprensa ou da espontaneidade de ser um cidadão, mas uma otimização das informações na rede e fora dela, confiando em um número maior de pessoas – até porque, naturalmente, os conteúdos vão mesmo ficando mais seguros.

Acho que está na hora de abrirmos a cabeça – e eu, como blogueiro e jornalista em formação, estou com ela em constante conflito – e perceber o que há de bom em cada um dos dois mundos (que, convenhamos, são irmãos).

Deixa disso, galera. O Estadão não está atacando os blogs por dizer que nem tudo na rede é confiável… Ele só quer dizer que ele mesmo está melhor – exatamente por adquirir características da blogosfera!

Rixa boba, que pode ser resolvida numa mesa de bar. Ou na BlogCamp.

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OutrOs OlhOs Podcast Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:

O caminho da comunicação passa pelos blogs?

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
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