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Apr2

Série “Freaks and Geeks” e o resultado da promoção


Não podia ser mais óbvio. Eu deixei tão fácil, mas tão fácil, que mandaram a resposta já dizendo “não pode ser… tá MUITO na cara”. Estava mesmo!

A série a que fiz referência no título de meu texto para a Pix - “Freaks e Geeks: a maluquice hi-tech das séries de TV” – é…


Freaks and Geeks”!

Pois é, estava na cara, gritando no título, e ainda assim muita gente errou ou não conseguiu lembrar. É que esse seriado, produzido entre 1999 e 2000, teve apenas 18 episódios e não teve lá muita audiência ou repercussão. Uma pena: ele realmente era ótimo!

Protagonizado por Linda Cardellini (que depois entrou em “ER”, como a enfermeira Samantha Taggart) e por John Francis Daley (que nunca mais fez nada de tão importante, mas que participou no ano passado de “Bones”), a série contava a vida de jovens colegiais nos anos 80, com seus conflitos e inadequações – assim como “Anos Incríveis” fazia e “Aliens in America” tenta fazer - de forma brilhante, misturando drama e comédia. Não era uma série teen sobre populares jovens plastificados interpretados por atores de 25 anos. Era sobre adolescentes de verdade, personagens realmente humanos que viviam em grupinhos marginalizados.

Os roteiros de “Freaks and Geeks” eram absurdamente inteligentes e reais, o que talvez justifique a falta de audiência - pode ter sido sofisticada demais para a TV aberta norte-americana), levando a seu cancelamento logo na primeira temporada – apesar da vitória no Emmy de 2000 como melhor elenco de comédia e outras duas indicações ao prêmio.

Com ótima direção, elenco de primeira e uma trilha sonora bem bacana (já ouvi até o tema de abertura, esse do vídeo que ilustra o post, “Bad Reputation”, tocando em balada!), a série está presente em todas as listas de melhores coisas produzidas pela TV ou de seriados cancelados prematuramente.

Não é a toa. Ali estavam diversos talentos que depois viriam a estourar, como o ator Seth Rogen – que esse ano apresentou uma categoria no Oscar - e Judd Apatow, produtor, diretor e roteirista. Foi a primeira parceria dos dois e deu tão certo que eles a repetiram em produções como “Ligeiramente Grávidos”, “Superbad – É hoje” (que traz temática parecida com a da série) e “O Virgem de 40 anos”, verdadeiros hits, que conquistaram platéias e crítica, focalizando, adivinha?!, pessoas freaks. “Freaks and Geeks” é a base dessas comédias que estão dominando o cinema nos anos 2000.

No time de coadjuvantes da série também estavam Jason Segel, o Marshal de “How I Met Your Mother” (e que participou de “Ligeiramente…”), Martin Starr, que também esteve em “Ligeiramente Grávidos”e “SuperBad”, além de um episódio de “How I Met Your Mother”. Tinha ainda Busy Philipps, a Audrey de “Dawson’s Creek” – e que também fez “HIMYM” e “ER” -, e James Franco, dos filmes “Homem Aranha” (1, 2 e 3) e “No Vale das Sombras”. Que tal?

Nos EUA, já foi lançado o DVD com a série completa – que hoje é reconhecida, aclamada e cult. Aqui no Brasil, claro, não tem nem previsão disso acontecer. Mas com sorte você consegue pegar alguma reprise de madrugada na Globo (juro que já vi passando nela, embora não tenha encontrado registro) ou no Multishow, que chegou a exibir diversas vezes com regularidade até bem pouco tempo. Ah, também dá para pedir para o Paul Torrent e pegar legendas em português!

É isso, fica meu tributo a essa série que gosto tanto e que você deveria conhecer…

***

O quê? Esqueci de alguma coisa? :P Aqui estão os vencedores da promoção, os cinco primeiros que acertaram o nome da série por E-mail:

Fabiana Neves, do Rocker Space
Vitor Hugo, do Prato Fundo
Leandro Alonso, do Leandrow.net
Hilário Júnior, do Sarcasmo Raro
Lucas dos Santos, do Séries é Aqui

Parabéns aos cinco! Repondam ao E-mail que enviarei com seus endereços completos que mandarei a revista Pix #17 para vocês, certo?

:D

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Mar23

Revista Pix: o texto é meu, a revista é sua


Na edição de março da revista Pix, distribuída gratuitamente de diversos lugares, eu pago a minha língua. Não costumo participar de memes aqui no blog, mas lá eu participo. Na verdade, é uma coluna fixa em que um blogueiro indica o outro para escrever na edição seguinte e eu sou o segundo a participar, por indicação da Rosana Hermann.

Na coluna, chamada Rodízio de Idéias – Blogs, eu junto dois dos meus assuntos favoritos: tecnologia e séries de TV. Sabe quando algum personagem consegue sinal no celular no meio do deserto e você fica gritando mentalmente “NO WAY”? Pois é, é disso que eu falo por lá, das maluquices envolvendo tecnologia que acontecem nos seriados de televisão norte-americanos.

Revista Pix nº 17

A revista é bem bacana, falando, de forma divertida e totalmente informal, de cultura digital. A inspiração assumida vem da linguagem blogueira e eles – os colunistas e principalmente a editora, a já amiga Bia Granja - dão conta direitinho de transpor o universo daqui para as páginas da revista. Eu já gostava antes de escrever – e também babava pelos incríveis ensaios que toda edição traz.

A Pix é um blog bacana que nasceu em papel, mas também dá para ler tudinho online e colaborar bastante. Vale a pena ver a revista impressa, que tem o formato certo para ler em qualquer lugar, até na fila da balada.

É de graça e está disponível em vários lugares, mas ainda assim vou mandar essa edição para a casa dos primeiros cinco leitores que perceberem a qual série eu faço referência no título do meu texto. É bem óbvio mesmo – está gritante no título! -, mas a série não é muito famosa.

Se você souber, basta mandar o nome dela através do formulário de contato do blog. Se você for um dos cinco primeiros, eu mando a revista para a sua casa. Ah, não conte o nome nos comentários, senão perde a graça, né?!

Aguardo as respostas, espero que você gosto do meu texto e recomendo que você conheça a revista. É jeito gostoso de obter, mesmo offline, uma boa dose de diversão digital.

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Mar20

TVs por assinatura X deputados X consumidores: Eu só queria ver TV em paz!


Campanha da ABTA prega Liberdade na TV. Mas quem disse que a tempos hoje em dia?O comercial de TV diz, na íntegra:

“Se eu pago uma televisão por assinatura é porque eu gosto da programação que ela oferece. Eu adoro a minha TV por assinatura, eu assisto tudo: filmes, documentários, seriados…

Nós, da ABTA, que reúne programadores e operadores, sabemos a sua opinião. Mas quem precisa saber são alguns deputados em Brasília, que querem acabar com isso. O Projeto de Lei 29.2007 que vem sendo proposto por esses políticos está para entrar em votação. Se aprovado, obriga que metade dos canais por assinatura sejam nacionais e impõe o regime de cota nacional na programação da TV. Ou seja, você assina, mas eles querem escolher o que você vai assistir.

A ABTA é a favor do conteúdo nacional e do seu fomento, mas é radicalmente contra a imposição de cotas e a restrição de informação, entretenimento e cultura que ocorrerá caso o projeto seja aprovado.

Faça como milhares de pessoas e defenda sua liberdade na TV. Manifeste seu repúdio a esse retrocesso e a arbitrariedade. Acesse o site.

Mobilize-se já. Faltam poucos dias para a votação.”

Pois bem. Estava eu assistindo ao American Idol ontem, no Sony, vendo um resumo da apresentação de cada candidato no final do programa, quando, sem que ele tivesse acabado, entra um comercial da Sky Empresas. Isso mesmo: no meio do programa. Quando o comercial acabou, o programa também - só cheguei a ver seu logotipo por um segundo ou dois.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu - são muitos os registros de casos parecidos, tanto na Sky, quanto na Net e nas demais (demais? As duas dominam sozinhas cerca de 81,5% das assinaturas de TV do país). A ABTA é a Associação Brasileira de TV por Asssinatura, que representa a Sky, a Net e muitas outras operadoras (mais de 60 só no estado de São Paulo), além das programadoras, como a Columbia Tristar Films of Brasil, responsável pelo Sony, pelo Animax e pelo AXN . Ela sabe a minha opinião e é radicalmente contra restrição de informação, entretenimento e cultura. Ela sabe que eu queria ver o American Idol, não sabe?

Se você ligar a TV às oito e meia da manhã no Universal Channel, sabe o que vai encontrar? O mesmo que no FX, no A&E, no Discovery Channel, no Discovery Home&Health, no The History Channel, no People+Arts, no E!, no MGM e até no Golf Channel: “Infomercial”, programas de tele-vendas com cerca de uma hora de duração - ou mais! Eles aparecem durante o dia em diversos canais e estão 24 horas por dia no GigaShopping (canal que ocupa o número que até pouco tempo pertencia a TV Cultura, agora escondida logo após os canais pornôs). Eu gosto da programação que a minha TV por assinatura oferece e os deputados malvados querem escolher o que eu vou assistir! Um absurdo!

Não vou entrar no mérito das cota para produções nacionais e da obrigatoriedade de 50% de canais brasileiros em cada operadora - até pretendo falar disso, mas em outro post. Só acho ridícula uma campanha igual a essa da ABTA - a mesma que briga para que os pontos adicionais não se tornem gratuitos -, posando de mocinhos, propondo liberdade na televisão e acusando os deputados de quererem fazer coisas que, na verdade, eles já fazem - e de maneira até pior. Será que a mulher do comercial assiste aos programas da Polishop? Gosta de quando eles entram nos intervalos comerciais ou ocupam faixas da programação que deveriam ter programas de verdade? Ela não assiste tudo e adora a TV por assinatura dela?

Eu só queria que a televisão que eu pago - e bem caro - me respeitasse e exibisse programas de verdade em toda sua programação - que, mais uma vez, já está sendo paga por mim. Eu pago para ter programas 24 horas por dia, eles vendem horários em sua grade para terceiros e fica tudo certo? Como pode? Isso não deveria ser regulamentado pelos políticos com a Anatel, administrado pela ABTA e vistoriado por todo e qualquer órgão de defesa do consumidor?

Eu só queria poder assistir aos programas que estão sendo transmitidos sem ter um comercial exibido durante a atração. Só queria ter, de verdade, um pouco de liberdade na TV! Será que algum dia poderei pagar a fatura satisfeito por ter conseguido sentar e assistir a algo que gosto sem soltar nenhum palavrão durante o período?

Espero que sim. Porque eu pago TV por assinatura por gostar da programação que ela promete oferecer.

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Jan12

Greve de roteiristas e internet: a roda continua girando


Você já deve ter percebido que sou viciado em séries de televisão. Pois é, acompanho muitas até mesmo por questões profissionais e é bem complicado arranjar tempo para ver tudo – mesmo as séries que passam na televisão acabo tendo que ver no computador, porque não consigo conciliar meus horários com as grades de programação. Essa paixão toda começou há pouco tempo, uns três anos, e percebi que gostava muito desse assunto quando, em um site sobre seriados, vi uma listagem com a maioria das séries já produzidas e pensei: um dia ainda vou assistir a todas elas.

Talvez eu não chegue lá – nem quero mais, afinal, eu gosto da minha vida -, mas essa greve de roteiristas está sendo ótima para eu colocar minha lista de “para assistir” em dia – sem que, enquanto isso, uma outra lista se forme com os novos episódios. Para que eu consiga ver tudo que quero, a greve teria que durar mais uns cinco meses – o que, entretanto, certamente causaria danos terríveis a outras séries que adoro, como a nova Pushing Daisies, que ainda não garantiu uma segunda temporada e nem sabe se completará a primeira – que, antes da greve, havia sido confirmada.

A causa da paralisação dos roteiristas norte-americanos é justa: eles buscam uma maior participação nos lucros com as vendas de DVD e exibições na internet. Só que os custos que essa greve está tendo para os próprios manifestantes já superaram a diferença que eles exigem receber em um ano. É aquela coisa: perdem agora para recuperarem a longo prazo.

Hollywood está parada e calada e um número gigantesco de profissionais ligados à indústria do entretenimento televisivo e cinematográfico passa por uma grave crise financeira, graças à falta de atividades e a demissões temporárias, que podem atingir milhares de pessoas.

Apesar de todo o efeito negativo da greve nesses setores, os vilões continuavam sendo os produtores. Mas aí os atores, em solidariedade aos roteiristas, anunciaram boicote ao Globo de Ouro. A cerimônia, que já não teria roteiristas sindicalizados, acabou sem as estrelas e, por isso, não havia mais motivo para ser televisionada. O resultado foi o cancelamento, e os vencedores serão anunciados amanhã, em uma entrevista coletiva à imprensa transmitida por diversos canais – já que a exibição por uma só emissora, que lucraria financeiramente com isso, como estava previsto, irritou os roteiristas, que ameaçaram piquetes em frente ao local do evento.

A produção do Golden Globe e todo o mercado que o envolve, inclusive aqui no Brasil, acabaram sofrendo. Afinal, não haverá material de cobertura para milhares de veículos que já estavam preparados para isso, um prejuízo gigantesco, que só deve ser menor ao gerado por um eventual cancelamento do Oscar, cerimônia que, na verdade, está mais próxima do que os organizadores gostariam.

Intransigência, de ambos os lados, parece ser a tônica dessa greve. É isso que, associado à inabilidade de negociação, faz tudo ficar parado. São poucos os avanços até agora e as perspectivas, infelizmente, não são nada boas – apesar de um acordo para a realização do Oscar ser muito provável.

De qualquer forma, as séries que já haviam sido gravadas e que estrearam agora nos Estados Unidos, em meio a um monte de reprises, não estão fazendo sucesso, ao contrário do que se esperava. Os reality shows e os programas jornalísticos, que também aguardavam um aumento de audiência, não registraram tanta diferença assim.

Não duvido que nesse meio tempo as pessoas, assim como estou fazendo, acabem, cada vez mais, baixando da internet séries antigas ou que ainda não tinham visto, mantendo a roda girando, mas deixando de proporcionar dinheiro tanto aos “gananciosos produtores” quanto aos “injustiçados roteiristas”.

Na internet ninguém espera pelo oficial: Se alguém tiver como disponibilizar, o fará, e o mundo inteiro consumirá esse conteúdo, independentemente do resultado de qualquer greve, seja ela de roteiristas, de diretores ou de atores – e olha que estas duas últimas podem realmente acontecer em breve.

Isso não é bom para ninguém – nem mesmo para os viciados em séries e filmes que, apesar de poderem ver o material de arquivo, deixarão de ter coisas novas ou, pior, poderão ter que assistir a um final melancólico para o que gostam. E eu gosto demais de Scrubs para aceitar que isso aconteça.

Acaba logo, greve!

Compare Preços: DVDs de Scrubs

Jan12

Greve de roteiristas e internet: a roda continua girando


Você já deve ter percebido que sou viciado em séries de televisão. Pois é, acompanho muitas até mesmo por questões profissionais e é bem complicado arranjar tempo para ver tudo – mesmo as séries que passam na televisão acabo tendo que ver no computador, porque não consigo conciliar meus horários com as grades de programação. Essa paixão toda começou há pouco tempo, uns três anos, e percebi que gostava muito desse assunto quando, em um site sobre seriados, vi uma listagem com a maioria das séries já produzidas e pensei: um dia ainda vou assistir a todas elas.

Talvez eu não chegue lá – nem quero mais, afinal, eu gosto da minha vida -, mas essa greve de roteiristas está sendo ótima para eu colocar minha lista de “para assistir” em dia – sem que, enquanto isso, uma outra lista se forme com os novos episódios. Para que eu consiga ver tudo que quero, a greve teria que durar mais uns cinco meses – o que, entretanto, certamente causaria danos terríveis a outras séries que adoro, como a nova Pushing Daisies, que ainda não garantiu uma segunda temporada e nem sabe se completará a primeira – que, antes da greve, havia sido confirmada.

A causa da paralisação dos roteiristas norte-americanos é justa: eles buscam uma maior participação nos lucros com as vendas de DVD e exibições na internet. Só que os custos que essa greve está tendo para os próprios manifestantes já superaram a diferença que eles exigem receber em um ano. É aquela coisa: perdem agora para recuperarem a longo prazo.

Hollywood está parada e calada e um número gigantesco de profissionais ligados à indústria do entretenimento televisivo e cinematográfico passa por uma grave crise financeira, graças à falta de atividades e a demissões temporárias, que podem atingir milhares de pessoas.

Apesar de todo o efeito negativo da greve nesses setores, os vilões continuavam sendo os produtores. Mas aí os atores, em solidariedade aos roteiristas, anunciaram boicote ao Globo de Ouro. A cerimônia, que já não teria roteiristas sindicalizados, acabou sem as estrelas e, por isso, não havia mais motivo para ser televisionada. O resultado foi o cancelamento, e os vencedores serão anunciados amanhã, em uma entrevista coletiva à imprensa transmitida por diversos canais – já que a exibição por uma só emissora, que lucraria financeiramente com isso, como estava previsto, irritou os roteiristas, que ameaçaram piquetes em frente ao local do evento.

A produção do Golden Globe e todo o mercado que o envolve, inclusive aqui no Brasil, acabaram sofrendo. Afinal, não haverá material de cobertura para milhares de veículos que já estavam preparados para isso, um prejuízo gigantesco, que só deve ser menor ao gerado por um eventual cancelamento do Oscar, cerimônia que, na verdade, está mais próxima do que os organizadores gostariam.

Intransigência, de ambos os lados, parece ser a tônica dessa greve. É isso que, associado à inabilidade de negociação, faz tudo ficar parado. São poucos os avanços até agora e as perspectivas, infelizmente, não são nada boas – apesar de um acordo para a realização do Oscar ser muito provável.

De qualquer forma, as séries que já haviam sido gravadas e que estrearam agora nos Estados Unidos, em meio a um monte de reprises, não estão fazendo sucesso, ao contrário do que se esperava. Os reality shows e os programas jornalísticos, que também aguardavam um aumento de audiência, não registraram tanta diferença assim.

Não duvido que nesse meio tempo as pessoas, assim como estou fazendo, acabem, cada vez mais, baixando da internet séries antigas ou que ainda não tinham visto, mantendo a roda girando, mas deixando de proporcionar dinheiro tanto aos “gananciosos produtores” quanto aos “injustiçados roteiristas”.

Na internet ninguém espera pelo oficial: Se alguém tiver como disponibilizar, o fará, e o mundo inteiro consumirá esse conteúdo, independentemente do resultado de qualquer greve, seja ela de roteiristas, de diretores ou de atores – e olha que estas duas últimas podem realmente acontecer em breve.

Isso não é bom para ninguém – nem mesmo para os viciados em séries e filmes que, apesar de poderem ver o material de arquivo, deixarão de ter coisas novas ou, pior, poderão ter que assistir a um final melancólico para o que gostam. E eu gosto demais de Scrubs para aceitar que isso aconteça.

Acaba logo, greve!

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Jan4

Série “How I Met Your Mother”: Como conheci sua mãe e me apaixonei


Crianças, esta é uma história de amor, que poucas vezes acontece. Era o dia das mães de 2007. O almoço em família havia chegado ao fim e, sozinho em minha casa, liguei a televisão. Parei em um canal um tanto quanto obscuro, que me prendeu por seis horas seguidas. Foi assim que conheci sua mãe.

How I Met Your Mother

Conheci “How I Met Your Mother” numa maratona do Fox Life e, sem nunca ter ouvido falar da série, acabei vendo seis horas seguidas (só não vi mais porque parou de passar). Gostei e me identifiquei tanto com a história e com o protagonista, Ted Mosby (Josh Radnor), que a série ganhou um lugar de destaque no hall das minhas queridinhas. Mas, apesar dos meus esforços, nunca mais consegui assisti-la na televisão. O dia e o horário são péssimos e o canal é quase um desconhecido dos fãs de seriados, além de não estar disponível para a maioria dos assinantes da TV paga.

Claro, pedi para o Paul Torrent trazê-la, na íntegra. Já assisti a tudo e jamais consegui ver apenas um episódio por vez. “How I Met Your Mother” é legen - espere por isso – dária!

A trama gira em torno do arquiteto Ted Mosby, um cara bacana e romântico que batalha para encontrar um grande amor e se casar, e de seus melhores amigos – Barney (Neil Patrick Harris), um solteirão safado e egocêntrico que adora badalar e conquistar belas mulheres; Robin (Cobie Smulders), uma bela jornalista de TV um tanto quanto masculinizada, que desperta o interesse (ou muito mais do que isso) de Ted e se apaixona por ele, mas que tem medo de relacionamentos sérios; Lily (Alyson Hannigan), uma professora do jardim da infância apaixonada por artes e por seu marido, Marshall (Jason Segel), o melhor amigo de Ted, um advogado recém-formado que sonha em advogar a favor do meio-ambiente, mas que vive o dilema de ter que trabalhar para uma organização poluidora para conseguir um bom dinheiro e manter uma vida melhor.

A história é narrada em flashback. Ted, o pai, conta para os filhos, em 2030, como foi que conheceu a mãe deles. Já estamos no terceiro ano da série e o mais próximo que chegamos da mãe foi ver seu guarda-chuvas voar. Enquanto não sabemos quem ela é, vamos vendo os relacionamentos do pai e de seus amigos, o encantador namoro com a “tia” Robin, como nem sempre tudo dá certo… Ou seja, o dia-a-dia de cinco amigos em Nova York.

Sim, parece “Friends” – e são muitos os que comparam. Mas são várias as diferenças, e a principal delas é a estrutura narrativa. “HIMYM” é contada por quem já a viveu. A maior parte do episódio se passa nos dias atuais, mas a base é em 2030, com a narração do Ted velho falando para os filhos (que aparecem, já adolescentes, em vários episódios). Tal artifício engessa um pouco – e bem pouco – o roteiro, já que sabemos por exemplo, que o carismático casal formado pelo pai e pela Robin não pode dar certo – afinal, sabemos que ela não é a mãe (o que é uma pena e até desanima!). Por outro lado, traz uma complexidade sem precedentes (pelo menos nunca vi nada parecido) em sitcoms, misturando vários tempos – além de 2030 e do ano de exibição da série (que é onde as histórias de desenvolvem), já aconteceram flashbacks dentro de flashbacks e até mesmo idas ao futuro-passado de 2020.

Como a série é contada através da memória, subjetiva, do protagonista, diversas vezes vemos coisas que não são reais, mas frutos da imaginação e do sentimento dele. Isso deixa tudo ainda mais engraçado.

Além disso, os roteiristas não têm medo de brincar com a televisão, introduzindo elementos pouco usuais – na terceira temporada, o personagem de Barney desenha na tela!

O conteúdo não fica atrás da forma: apesar de ser uma comédia leve, ela fala assuntos sérios com muito bom humor. Tem um episódio na terceira temporada, ainda inédito no Brasil, em que eles fazem referência ao uso de maconha por eles na juventude tomando todo o cuidado que um pai tem para falar com o filho sobre isso – e eu chorei de dar risada vendo. Ah, sim, se você gosta de referências pop – algo que eu adoro - a série também tem bastante, como quando Barney inventa uma história de sua primeira vez misturando vários filmes.

How I Met Your Mother

“How I Met Your Mother” tem algo em comum com todas as grandes comédias do passado, como “Friends” (de novo!) e “Seinfeld”: Ela consegue criar elementos que podem ser incorporados pela sociedade – Como o “How you doin?” do Joey, o Barney tem seu “Legen - wait for it – dary!” e o “Have you met Ted?”; assim como o Festivus do pai do George Constanza, Marshall criou seu Slapgiving (Dia da “Estapeação” de Graças). Fora os ótimos “crazy eyes” e “the lemon law” e a sábia frase “Quando passa da 2 da manhã, apenas vá dormir”.

A série tem um dos melhores personagens das comédias contemporâneas: a alma do show, Barney, interpretado com maestria pelo Neil Patrick Harris – o que lhe rendeu uma indicação ao Emmy de 2007. Mesmo se todo o resto fosse ruim, valeria a pena só pelo humor ardido desse personagem - que, wait for it, é blogueiro!

Poucas vezes gostei tanto de uma série. Poucas vezes achei um personagem que eu me identificasse tanto (quando eu for mais velho, tenho certeza que serei igualzinho ao Ted!). Poucas vezes torci tanto por um casal (Ted e Robin). Poucas vezes fui tão influenciado por algo da TV (mudei um tanto da minha atitude com as mulheres e até mesmo me lembrei do Barney para comprar roupa social – “Suit Up!”). E, claro, muitas vezes recomendo que você assista a “How I Met Your Mother”!

Aproveite, o Fox Life começou a exibir nessa semana a terceira temporada da série, que começa meio estranha, mas logo volta a ficar hilária – quase tão boa quanto a primeira temporada, que, para mim, é a melhor de todas! Aqui, tem um vídeo mostrando tudo que aconteceu nas duas primeiras temporadas da série em 3 minutos, mas eu indico que você procure ver tudo por Torrrent (ou aqui) ou conheça mais no canal oficial de “HIMYM” no Youtube. Vale muito a pena ver a série inteira, eu garanto.

Pena que, por enquanto, não tem mais episódios inéditos. A terceira temporada foi até o 11º episódio e aí foi interrompida pela maldita greve de roteiristas.

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Oct20

Versão brasileira: “High School Musical” e as adaptações tupiniquins


As inscrições para a seleção da versão nacional do mega-sucesso “High School Musicalestão abertas (clique aqui e vá para o site de “Disney High School Musical - A Seleção”). O telefilme será feito com jovens atores brasileiros, que também vão cantar e dançar músicas que viraram hits mundo afora.

Certamente tudo será traduzido, mas se será ou não adaptado para nossa realidade é uma outra história. E é aí que mora o perigo: será que um “Musical Colegial” viraria moda ou seria um desastre?

Se tomarmos como base as últimas adaptações de dramaturgia internacional (em outros tipos de atração, as versões brasileiras vão geralmente bem), não teremos boas perspectivas – exceção importante a “Floribella”.

As novelas mexicanas adaptadas para o Brasil pelo SBT, como “Amigas e Rivais”, que está no ar, não conseguem dar audiência. Quando se trata de SBT, há dezenas de itens que podem ser responsáveis pelo fracasso, mas um se mostra comum em todas essas produções: Ela não fala diretamente com o público brasileiro.

É o mesmo de “Donas de Casa Desesperadas”, da Rede TV!, a versão nacional de uma das séries de maior sucesso atualmente no mundo, a americana “Desperate Housewives”. Esse programa foi produzido com um grande capricho, a emissora gastou mais por episódio do que a média brasileira e a parceria com a Disney garantiu cenários de altíssima qualidade (em uma cidade cenográfica montada na Argentina, utilizada por diversos países da América Latina). A direção é eficiente, o visual é belíssimo, o texto é praticamente o mesmo do que o original, mas a falta de algo grita: ali não tem o Brasil.

Não dá para uma série dessas, que sofreu pouquíssimas adaptações, parecer brasileira, já que a realidade norte-americana é bem diferente da daqui (por exemplo: as nossas “Donas de Casa” moram em Alphaville, mas, tal qual as americanas, não possuem empregadas domésticas. Isso é normal lá, mas não para a classe-média brasileira). A vinheta, que foi toda recriada e ganhou um sambinha, é uma das coisas mais legais da série, exatamente por ser original do Brasil. O resto parece reencenação e, convenhamos, isso não tem muito propósito. Ter características próprias e legítimas é fundamental.

Será que no “High School Musical” brasileiro, o protagonista será o capitão do time de futebol da escola ou o time continuará sendo de basquete, que não é tão popular em nosso país quanto lá? Qual seria o equivalente brasileiro do nome Troy? Algo como… Toím, apelido de Antônio? Faz sentido um musical em escola brasileira (lembrando que, no original, os protagonistas não são ricos)? Daria, em nosso país, para ter todo o show na quadra de basquete, com cheerleaders, de forma natural?


São muitas coisas que não colam por aqui, porque não fazem parte do modo de vida brasileiro. Não é por isso, entretanto, que o filme está destinado ao fracasso ou a ser ruim. Basta ele ganhar vida própria, como “Floribella” teve.

A novela da Band foi um sucesso memorável, tendo duas temporadas e conquistando uma audiência satisfatória. O maior feito, porém, veio daquilo que é o trunfo de “HSM”: a parte musical, pop o suficiente para conquistar adolescentes, romântica o bastante para arrebatar pré-adolescentes sonhadoras e inocente e fantasiosa na medida certa para agradar também a crianças. Misturado com efeitos visuais de primeira qualidade e um elenco carismático, a novela acabou se fortalecendo e vendendo produtos que nem água – de CDs e DVDs a ringtones e álbuns de figurinhas, passando por bonecas e tênis. Com seu roteiro quase que completamente nacional (partindo apenas da premissa do original argentino), “Floribella” decolou, dando prestígio a seus atores e roteiristas. Estes, não por acaso, assumiram a nova temporada de “Malhação”, na Globo, que está em crise de audiência, e já implementaram uma coisa que deu certo em “Floribella” e no “HSM”: Os atores são mais jovens, interpretado personagens com idades próximas às deles.

Se o nosso “High School Musical” tiver esse mesmo cuidado com as músicas e coreografias e conseguir fugir da cafonice e dramaticidade que tendemos a depositar em temas como primeiro amor e sentimentos da adolescência, tende a fazer sucesso. Tem muito dinheiro envolvido nisso e, como a produção certamente é da Globo, há chances maiores de ter boa qualidade técnica e artística.

O desafio é tornar o filme condizente com nosso país. Os nossos adolescentes (ou pré-adolescentes) não são tão diferentes dos de lá (me parece que os dilemas desse período da vida são universais) e até os gostos são parecidos (musicais e tramas de amor inocente caem fácil no gosto popular de ambos os países), mas a regra da televisão não pode ser quebrada: o telespectador quer se ver na tela e projetar aquela história à sua vida. Se o Troy e a Gabriella daqui conseguirem representar com tons nacionais a idealização do começo da adolescência tão bem quanto os de lá fazem, teremos que nos preparar para não ouvir falar em outra coisa por um bom tempo.

Agora, se fizerem algo do nível que apresentaram no Criança Esperança desse ano (como você vê no constrangedor vídeo acima), colocando figuras do naipe de Felipe Dylon e Perlla como o casal principal, a aversão será tanto que acho melhor se preparar é para mudar logo de país.

Compare Preços: DVD High School Musical, CDs de High School Musical, CDs de Floribella, CDs de Felipe Dylon, CDs de Perlla

Aug7

ManagemenTV: Um canal para assistir sem terno e gravata


Compare Preços: HSM Management, DVD The Office, TV por assinatura, Livro O Monge e o Executivo

Um canal feito para executivos certamente seria chato para qualquer outro tipo de telespectador, certo? Errado, bem errado.

Lançado no último dia 2, o canal ManagemenTV, tem como foco esse público, mas a programação passa longe do papo chato e formal. Primeiro canal do mundo totalmente especializado nessa temática, ele investe em atrações que têm, claro, as bases no mundo empresarial e de management, mas sem ser pedante ou entediante. Pelo contrário, é até bem interessante para qualquer um que seja um pouquinho empreendedor ou, ao menos, goste de saber a história por trás de marcas de sucesso.

De todos que estrearam agora na Sky (entre eles FashionTV, Sci-fi e Speed Channel), foi justamente o ManagemenTV que mais me interessou. Nesses quatro dias em que o canal está no ar, já me peguei diversas vezes assistindo-o, coisa que não fiz com nenhum outro lançamento da operadora.

É até natural que isso aconteça, já que caminho adotado por eles foi muito inteligente: tratar a complicada temática com bom humor e leveza, misturando informação e entretenimento (fórmula complicada, mas que traz ótimos resultados quando bem aplicada) e mantendo a linguagem simples.


Managementv, Colocado por acessweb

A segmentação da televisão é uma tendência mundial e se mostra cada vez mais presente em nosso país. Cada canal agrada seu nicho, e acabamos com uma vasta gama de opções para atingir todas as demandas. O mérito da ManagemenTV é justamente conseguir ultrapassar seu target, podendo ser assistida sem maiores adaptações por parte do telespectador comum de TV paga.

É claro que nem tudo é simples. Ele veicula programas de entrevista, como “CEO Exchange”, e alguns mais técnicos, que podem ser mais enfadonhos a leigos. Mas contra-balanceia com documentários e programas interessantes até mesmo para aquele público que tem em “O Aprendiz” a máxima aproximação com o mundo empresarial.

Um documentário que assisti e adorei foi o “Inside Saatchi & Saatchi: A Spirited Case Study“, sobre a construção da campanha publicitária para o lançamento da cachaça brasileira Sagatiba na Inglaterra. Mostrando os bastidores da agência e todo o processo de concepção, criação e produção dos anúncios, o programa, exibido originalmente com sucesso pela BBC2 na Grã Bretanha, certamente enche os olhos daqueles que torcem nas provas comandadas por Roberto Justus – ou, para manter melhor a proporção, por Donald Trump – além, é claro, de agradar qualquer brasileiro, que aprecia o esforço para representar o seu país em um mercado potencial.

Ainda não consegui ver, mas estou atento às reprises de “Coca x Pepsi” e “Google Por Dentro”. Nesses casos, somos atraídos até mesmo como consumidores, conhecendo melhor o funcionamento das corporações que fazem parte do nosso dia-a-dia. Parece chato para você?

Pode ser. Então é melhor optar pelos programas ainda mais leves e menos especializados – tanto que já passaram em outros canais. É o caso da versão britânica –e original - do seriado “The Office”, que é ótima e já foi exibida aqui no Brasil pelo Eurochannel e pelo People&Arts. Ou do reality show “The Restaurant”, que mostra a batalha do famoso chef Rocco DiSpirito para conseguir abrir e manter um requintado restaurante italiano em Manhattan, e foi veiculada em 2005 pelo canal Sony.

Produções nacionais ainda não foram lançadas, mas são prometidas para breve. De qualquer forma, o canal é interessante e gostoso de se ver, com identidade visual e vinhetas sóbrias e modernas.

O slogan deles, entretanto, é péssimo: “A gente tem o canal”. Gosto muito mais da frase dita no vídeo que ilustra o post: “Um canal para entender por que o mundo segue em frente”. Eles poderiam trabalhar em cima dela para criar um conceito melhor, não? Se eles assistissem ao “Ad Persuasion” (que exibem às 20h), com certeza ficariam mais inspirados… ;-)

A ManagemenTV é exclusiva da Sky e está disponível gratuitamente por tempo limitado a todos os assinantes – o tal período de degustação. A partir de 20 de agosto, será vendido separadamente, como extra, pela bagatela de R$39,90. Sim, quase quarenta mangos apenas por um canal.

Historicamente, canais vendidos a esse preço não duram muito tempo. Acreditando que o público-alvo tivesse alto poder aquisitivo, a Sky também enfiou a faca na venda à la carte do The Golf Channel. Por mais dinheiro que os potenciais consumidores pudessem ter, acho que eles não se dispuseram a pagar um absurdo desses. Deu nisso: o canal agora faz parte do plano mais básico, aberto a todos os assinantes. Se não der certo nem assim, ele certamente deve deixar o line-up.

A ManagemenTV, pelo menos, conta com experiências anteriores, devido à HSM - empresa conceituada no setor de capacitação de executivos e com uma grande carteira de clientes, que pagam bem caro por seus produtos - que está por trás do canal. Cada exemplar da revista bimestral HSM Management, por exemplo, custa R$36,50, para quem faz a assinatura anual. Desse modo, não é de se admirar que cobrem tão caro por sua verão televisiva, não é mesmo?

Só que, em breve, o Grupo Abril também lançará seu canal voltado ao mundo empresarial, o Ideal. O panorama pode mudar caso o Ideal consiga entrar no line-up da Sky – a maior operadora por satélite do país -, e aí a ManagemenTV poderá ter problemas, tendo que repensar toda sua estratégia.

Teremos então uma situação curiosa: Como será que empresas especializadas no competitivo mundo dos negócios lidarão com a concorrência? Essa briga eu quero ver.
Ou assistir.

***

Quem não tem Sky e se interessa pela temática, recomendo que assista ao programa “Mundo S/A”, da GloboNews. Também é ótimo, e dá para assistir online.

Compare Preços: HSM Management, DVD The Office, TV por assinatura, Livro O Monge e o Executivo

Jul5

Dublagem de séries na Fox: Jack Bauer, por favor, não fale português!


A televisão é um dos meios de comunicação mais quadrados que existe, porque é baseada em hábitos – e pouca gente gosta de mudá-los. Por isso projetos de vanguarda não costumam dar certo aqui em nosso país, embora façam sucesso de crítica.

Nesse caso, ir contra o interesse do espectador é justificado, já que há a busca por inovar, criar coisas novas. Em todos os outros, é burrice e tende a estimular a fuga de telespectadores para outros canais – o que acontece, por exemplo, com o SBT, que não mantém uma grade de programação fixa por muito tempo.

Por isso é raro ver qualquer coisa legendada na TV aberta – que, naturalmente, possui quase a totalidade de sua programação falada em português -, recurso normalmente reservado a filmes clássicos, que possuem um público mais qualificado. Ainda assim, é algo bem restrito e raro, até porque não tem uma grande audiência e não é muito bem aceito, já que não está de acordo com os costumes da grande massa de telespectadores.

Panorama inverso é o da TV paga, que é dominada por programação importada e tem um público de maior poder aquisitivo, cultural e educacional. Capitais simbólicos essenciais para a familiarização com línguas e costumes estrangeiros, permitindo que o telespectador – que, conseqüentemente, é bem mais alfabetizado – consiga assistir a programas legendados sem maiores problemas.

Assim acontece em todos os canais fechados de séries, quase na íntegra de sua programação. Mesmo no TNT, que exibe filmes dublados, as séries – as cultuadas “Veronica Mars”, “Battlestar Galactica” e “The Closer” - são legendadas. A exceção é “Six Feet Under” (ou “A sete palmos”) no Warner Channel, mas, aí, a decisão é bem mais contratual do que estratégica: a série é originalmente exibida, legendada, na HBO, que, por não fazer parte dos pacotes básicos das operadoras de TV por assinatura, permitiu a veiculação da série, dublada, na Warner, que não é um canal “extra”.

Só que os canais de filmes dublados, como o próprio TNT e o Telecine Pipoca, costumam dar bastante audiência. Aí, naturalmente, outras emissoras, como a Fox, querem tentar aumentar seu público exibindo filmes em nosso idioma, em faixas dedicadas à família. Nada de errado, certo? Filmes em português em meio a toda a programação em inglês, legendada.

O problema é quando querem misturar as coisas, como a Fox está fazendo agora, dublando suas principais séries. PELO AMOR DE DEUS! Quem quer ver série dublada vai assistir na TV aberta! Por mais que a qualidade das legendas muitas vezes deixe a desejar, a dublagem descaracteriza a série! Eu não consigo assistir à “Gilmore Girls” – uma de minhas séries favoritas - dublada, a versão “Tal Mãe, Tal Filha” fica terrivelmente ruim.

Mas a Fox fez o pior: por anos, exibiu seus seriados legendados e, agora, resolveu dublar – no meio da temporada! A quebra da rotina do telespectador não poderia ter repercutido mais negativamente do que está acontecendo, com todos os portais – mesmo os não-especializados – destacando reclamações, com espectadores organizando abaixo-assinado e manifestações de todos os lados

Sobrou até para o intérprete do maior herói do canal, Jack Bauer, o ator Kiefer Sutherland, que está aqui no Brasil para gravar um comercial. Um fã se hospedou no Copacabana Palace, onde o astro de “24 Horas” está, e deixou uma mensagem na recepção fazendo um apelo para que ele intercedesse junto a Fox! Será que ele poderá deter esses executivos malucos que planejam acabar com o costume dos telespectadores?

O canal, por sua vez, dizia que a medida era experimental e que levaria em conta todos esses manifestos. Agora, a Fox já está com 80% de sua programação dublada, diz que a mudança é definitiva e afirma que está estudando, junto às operadoras, formas de disponibilizar ambos os formatos simultaneamente – como acontece com filmes em pay per view.

Com isso acontecendo, óbvio, ninguém vai reclamar de ter a opção de ver dublado. Mas, enquanto não há essa possibilidade, nada deveria mudar. Com seriados não se mexe: os telespectadores – que, mais uma vez, são mais informados e conseguem amplificar melhor sua voz pela imprensa - acompanham e se envolvem com aquilo de tal forma que fazem esse barulho todo por uma mudança estratégica do canal. Mais do que com as novelas, qualquer mudança nessas ficções semanais causa impacto, já que não tem a enrolação da teledramaturgia diária. Nem a ignorância de achar que o espectador apenas recebe calado a programação da televisão. O telespectador de séries é o que mais gosta de repetição, criando rotinas.

Por essa lógica, claro, também é válido o inverso: o público vai, com o tempo, acabar se acostumando com as dublagens. Só que até isso acontecer, ele pode já ter desenvolvido a prática de pedir o seriado ao Paul Torrent. Aí será muito mais difícil de fazer o telespectador voltar – uma vez que, quem acompanha pela internet tem acesso aos episódios americanos bem antes deles chegarem à televisão brasileira. E é tão fácil adquirir o hábito de ver as coisas antes dos outros…

Se eles querem experimentar, por que não criam um horário alternativo? Passa num horário dublado e em outro legendado. Agrada a todos – ou quase. O que não pode é acabar com o hábito de anos do telespectador que, obviamente, gosta das coisas iguais, em série. Eu é que não quero ouvir um “”Largue a arma, UCT, droga!“.

Exijo respeito! Damn it.

Compare Preços: TV por assinatura, DVDs Battlestar Galactica, DVDs A Sete Palmos, DVDs Gilmore Girls, DVDs 24 Horas

Jul5

Dublagem de séries na Fox: Jack Bauer, por favor, não fale português!


A televisão é um dos meios de comunicação mais quadrados que existe, porque é baseada em hábitos – e pouca gente gosta de mudá-los. Por isso projetos de vanguarda não costumam dar certo aqui em nosso país, embora façam sucesso de crítica.

Nesse caso, ir contra o interesse do espectador é justificado, já que há a busca por inovar, criar coisas novas. Em todos os outros, é burrice e tende a estimular a fuga de telespectadores para outros canais – o que acontece, por exemplo, com o SBT, que não mantém uma grade de programação fixa por muito tempo.

Por isso é raro ver qualquer coisa legendada na TV aberta – que, naturalmente, possui quase a totalidade de sua programação falada em português -, recurso normalmente reservado a filmes clássicos, que possuem um público mais qualificado. Ainda assim, é algo bem restrito e raro, até porque não tem uma grande audiência e não é muito bem aceito, já que não está de acordo com os costumes da grande massa de telespectadores.

Panorama inverso é o da TV paga, que é dominada por programação importada e tem um público de maior poder aquisitivo, cultural e educacional. Capitais simbólicos essenciais para a familiarização com línguas e costumes estrangeiros, permitindo que o telespectador – que, conseqüentemente, é bem mais alfabetizado – consiga assistir a programas legendados sem maiores problemas.

Assim acontece em todos os canais fechados de séries, quase na íntegra de sua programação. Mesmo no TNT, que exibe filmes dublados, as séries – as cultuadas “Veronica Mars”, “Battlestar Galactica” e “The Closer” - são legendadas. A exceção é “Six Feet Under” (ou “A sete palmos”) no Warner Channel, mas, aí, a decisão é bem mais contratual do que estratégica: a série é originalmente exibida, legendada, na HBO, que, por não fazer parte dos pacotes básicos das operadoras de TV por assinatura, permitiu a veiculação da série, dublada, na Warner, que não é um canal “extra”.

Só que os canais de filmes dublados, como o próprio TNT e o Telecine Pipoca, costumam dar bastante audiência. Aí, naturalmente, outras emissoras, como a Fox, querem tentar aumentar seu público exibindo filmes em nosso idioma, em faixas dedicadas à família. Nada de errado, certo? Filmes em português em meio a toda a programação em inglês, legendada.

O problema é quando querem misturar as coisas, como a Fox está fazendo agora, dublando suas principais séries. PELO AMOR DE DEUS! Quem quer ver série dublada vai assistir na TV aberta! Por mais que a qualidade das legendas muitas vezes deixe a desejar, a dublagem descaracteriza a série! Eu não consigo assistir à “Gilmore Girls” – uma de minhas séries favoritas - dublada, a versão “Tal Mãe, Tal Filha” fica terrivelmente ruim.

Mas a Fox fez o pior: por anos, exibiu seus seriados legendados e, agora, resolveu dublar – no meio da temporada! A quebra da rotina do telespectador não poderia ter repercutido mais negativamente do que está acontecendo, com todos os portais – mesmo os não-especializados – destacando reclamações, com espectadores organizando abaixo-assinado e manifestações de todos os lados

Sobrou até para o intérprete do maior herói do canal, Jack Bauer, o ator Kiefer Sutherland, que está aqui no Brasil para gravar um comercial. Um fã se hospedou no Copacabana Palace, onde o astro de “24 Horas” está, e deixou uma mensagem na recepção fazendo um apelo para que ele intercedesse junto a Fox! Será que ele poderá deter esses executivos malucos que planejam acabar com o costume dos telespectadores?

O canal, por sua vez, dizia que a medida era experimental e que levaria em conta todos esses manifestos. Agora, a Fox já está com 80% de sua programação dublada, diz que a mudança é definitiva e afirma que está estudando, junto às operadoras, formas de disponibilizar ambos os formatos simultaneamente – como acontece com filmes em pay per view.

Com isso acontecendo, óbvio, ninguém vai reclamar de ter a opção de ver dublado. Mas, enquanto não há essa possibilidade, nada deveria mudar. Com seriados não se mexe: os telespectadores – que, mais uma vez, são mais informados e conseguem amplificar melhor sua voz pela imprensa - acompanham e se envolvem com aquilo de tal forma que fazem esse barulho todo por uma mudança estratégica do canal. Mais do que com as novelas, qualquer mudança nessas ficções semanais causa impacto, já que não tem a enrolação da teledramaturgia diária. Nem a ignorância de achar que o espectador apenas recebe calado a programação da televisão. O telespectador de séries é o que mais gosta de repetição, criando rotinas.

Por essa lógica, claro, também é válido o inverso: o público vai, com o tempo, acabar se acostumando com as dublagens. Só que até isso acontecer, ele pode já ter desenvolvido a prática de pedir o seriado ao Paul Torrent. Aí será muito mais difícil de fazer o telespectador voltar – uma vez que, quem acompanha pela internet tem acesso aos episódios americanos bem antes deles chegarem à televisão brasileira. E é tão fácil adquirir o hábito de ver as coisas antes dos outros…

Se eles querem experimentar, por que não criam um horário alternativo? Passa num horário dublado e em outro legendado. Agrada a todos – ou quase. O que não pode é acabar com o hábito de anos do telespectador que, obviamente, gosta das coisas iguais, em série. Eu é que não quero ouvir um “”Largue a arma, UCT, droga!“.

Exijo respeito! Damn it.

Compare Preços: TV por assinatura, DVDs Battlestar Galactica, DVDs A Sete Palmos, DVDs Gilmore Girls, DVDs 24 Horas

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
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