Outros Olhos

Oscar 2010


Oscar 2010 – Cobertura Ao Vivo

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Chegou o dia mais esperado pelos cinéfilos: hoje acontece o Oscar. E um dos grandes: são 10 filmes competindo pelo prêmio principal pela primeira vez, temos a maior bilheteria de todos os tempos, a segunda animação indicada a melhor filme da história, uma grande chance de ter a primeira diretora mulher premiada, a possibilidade de ver também pela primeira vez uma atriz ganhar o Oscar e o Framboesa de Ouro no mesmo ano…

A busca pela audiência na televisão promete uma cerimônia mais dinâmica e divertida. Nem as canções indicadas vão se apresentar, em uma decisão que dividiu opiniões. O Red Carpet já está rolando e, já já, o OutrOs OlhOs inicia sua cobertura ao vivo cheia de convidados comentando a cerimônia.

Participam:

Alexandre Inagaki, do Pensar Enlouquece
Chico Fireman, do Filmes do Chico
Diego Maia, do This Blog is a Movie
Eric Franco, do Cegos, Surdos e Loucos e colaborador do OutrOs OlhOs
Felipe Rezende, do Walking Contradiction
Vinícius Silva, do Sob a Minha Lente

Fique ligado :

Cinema, Séries


Globo de Ouro – Ao Vivo!

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Convidei alguns amigos blogueiros, que escrevem sobre séries e filmes, para participar de um Live Chat aqui no blog durante o Globo de Ouro. O TNT começa a transmitir às 23h, mas estaremos por aqui a partir das 22h30, com o red carpet, que já está rolando no E!. Foram dezenas de pessoas lendo, centenas de cliques no Twitter e uma cobertura de quatro horas com comentários de quem entende muito do assunto.

Esse é o retorno do OutrOs OlhOs, que no começo de fevereiro completará 7 anos de existência.

Comentando o Golden Globe estiveram:

Ale Rocha, do Poltrona.tv
Bruno Carvalho, do Ligado em Série
Diego Maia, do This Blog is a Movie
Eric Franco, do Cegos, Surdos e Loucos e colaborador do OutrOs OlhOs
Felipe Rezende, do Wlking Contradiction
Gustavo Miller, do Daqui pra Lá!
Rob Gordon, do Championship Vinyl
Vinícius Silva, do Sob a Minha Lente

A lista de vencedores você vê aqui. Abaixo, você confere como foi nossa cobertura ao vivo:

Obrigado a todos. No Oscar tem mais!

Atualizado às 2h15

Cinema, Colaboradores


Filme “Watchmen” chega ao DVD. Vale alugar?

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O filme “Watchmen”, adaptação das HQs escritas por Alan Moore e desenhadas por Dave Gibbons, finalmente chegou em DVD ao Brasil essa semana. A superprodução, que foi lançada nos cinemas brasileiros em março desse ano, não conseguiu alavancar grandes bilheterias (para seu porte, é claro) nos EUA e a venda do DVD, com uma versão extendida do filme, é uma das esperanças dos estúdios para conseguir lucros ainda mais expressivos com os super-heróis. Os fãs, claro, aguardavam ansiosamente para ter em mãos os discos com a história completa.

No Brasil, porém, só é possível, por enquanto, alugar o DVD simples do filme (sem muitos extras) ou comprar o Blue Ray duplo (aí sim com extras para deixar os fãs satisfeitos). A venda, em DVD duplo, está prevista para novembro.

Sinceramente, esse não é o tipo de filme que eu gosto, mas convidei dois amigos que viram “Watchmen” no cinema para darem seus pitacos sobre a produção. Um deles, o Eric, nunca tinha lido a obra de Moore. Já o outro, o Tiago, viciado em quadrinhos, já era fã das HQs. As opiniões, naturalmente, são diferentes e podem te ajudar a decidir se vale ou não ir até a locadora mais próxima ou comprar os discos azuis.

Quem só viu o filme…

Um grande filme. Para quem não conhece a HQ.

Curto e grosso: se você nunca leu Watchmen mas tem um leve conhecimento sobre esse mundo pitoresco de seres poderosos e com um péssimo gosto para roupas, alugar o filme vale 100%.

Todo mundo sabe que adaptar uma obra para outra mídia é trabalho hercúleo e ingrato, os fãs sempre irão reclamar se você colocar coisas de menos da obra original dizendo que você descaracterizou ou, então, farão o contrário, dizendo que o autor coloca coisas demais, deixando o filme longo e arrastado e que devia ter coisas de menos. Isso nunca vai mudar.

Talvez por isso, quem vive nessa espécie de limbo entre o desconhecimento e a familiaridade com as HQ’s seja o tipo de espectador que vai sair mais entusiasmado ao assistir a “Watchmen”.

As razões vão desde o roteiro que consegue ser fiel a obra original e ao mesmo tempo bastante dinâmico para explicar o desenrolar do trama em bem menos tempo do que na HQ, até a trilha sonora sensacional que conta com grandes nomes como Bob Dylan, Jimi Hendrix, Janis Joplin e Leonard Cohen, escolhidos a dedo e que casam perfeitamente com as situações em que são retratadas. De certo modo, elas conseguem te transportar praquela década de 80 desesperançosa com os rumos caóticos que a Guerra Fria trazia.

Mas o que realmente salta aos olhos é o espetáculo visual que o diretor Zack Snyder proporciona com seu cuidado excessivo em reproduzir fielmente diversas cenas da graphic novel – o que por si só já é fantástico – mas que fica ainda mais bonito na tela do cinema. Como nem tudo são flores, a escolha de atores até certo ponto desconhecidos e relativamente inexperientes em filmes desse porte se mostra uma aposta arriscada, já que ao mesmo tempo em que se conseguem atuações contumazes como o Roscharch de Jackie Earle Haley, outros parecem claramente não incorporar o personagem, como Malin Aikerman pouco a vontade no papel de Silk Spectre, assim como o Ozzymandias de Matthew Goode.

Pode ser citada ainda mais uma ou outra perfumaria de Snyder, como o excesso de cenas em câmera lenta e lutas posadas demais pra quem já está acostumado com a porradaria de Hollywood, mas nada que chegue a estragar o fato de que ele faz um trabalho grandioso aqui.

Antes de tentar ser uma grande adaptação do quadrinho escrito por Alan Moore, creio que a intenção foi fazer um grande filme. E nesse sentido é possível dizer que os objetivos foram completados com louvor.

Eric Franco nunca leu Watchmen e espera não apanhar dos fãs xiitas que acham que o filme devia durar 8 horas pra contar a história inteira. Blogueiro do Cegos, Surdos e Loucos, desse texto em diante passa a escrever também por aqui.

Quem é fã da HQ…

Watchmen – O Filme: só beleza não basta

Para escrever sobre Watchmen – O Filme, após a primeira vez, comecei a pensar mais sobre seus erros e suas falhas. E seus acertos. Para um fã da história criada por Alan Moore e Dave Gibbons é difícil conceber que exista algo de novo para se dizer sobre a obra máxima dos comics – termo usado para identificar quadrinhos de super-heróis no clássico estilo norte-americano – e nesse sentido é incrível que Snyder consiga acrescentar boas novidades como a maravilhosa seqüência de abertura. O problema é que o prólogo dura apenas alguns segundos e o filme tem mais de duas horas.

Em todo esse tempo, Zack Snyder consegue obter um grande resultado estético. A fidelidade visual é algo de impressionante, fruto do bom gosto do diretor e de uma tecnologia cada vez mais apurada que vai transformando a boa e velha película em algo distante e antiquado. O problema é que só a estética não basta, seja no cinema ou nos quadrinhos.

E sem isso, Watchmen não passa mesmo de um filme pela metade. Uma primeira hora justa e bem feita por retratar de forma eficiente a obra original e uma segunda metade em que se afasta do que Moore escreveu. Ao contrário do que alguns temiam, é justamente a falta de mais do roteiro emblemático de Moore que vai tornando a história rasa e comum. A impressão que dá é que Snyder dirigiu a parte inicial e Michael Bay (Transformers) a seguinte. É o ideal Massa, Véio suprimindo o que consolidou os quadrinhos adultos e seu potencial cinematográfico.

Mesmo que fosse um filme totalmente original, isso não apagaria erros 100% cinematográficos. Malin Akerman pode ser uma atriz à altura do papel de Silk Spectre algum dia. Hoje, é muito verde com uma interpretação quase caricata. Já Matthew Goode faz um Ozymandias óbvio e afetado demais. Aliás, vale a pergunta (que contém SPOILERS): por que os dois últimos vilões de Snyder (Ozymandias e Xerxes, de 300) são retratados como gays se os personagens na obra em que foram baseados não eram? Ou parece uma mudança comum em uma transposição para outra mídia?

Existe o mito de se dizer que adaptações de quadrinhos caem mais no gosto de quem não leu o original (mesmo que existam fãs da HQ que gostaram do que viram). Será difícil para quem não conhecer a história em quadrinhos entender toda trama. Para quem leu, é mais difícil ainda entender o porquê das mudanças. Watchmen – O Filme não chega a ser um filme óbvio, mas passa longe de ser um filme totalmente compreensível. Se fosse você, ia ler os quadrinhos antes de alugar para entender do que estou falando.

Tiago Cordeiro é jornalista e escreve para os blogs Melhores do Mundo, Quinze Minutos e Rubens Diz.

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E aí, vai alugar ou não?

Geral, Música, Oscar 2009


Letra, tradução e clipe de “Jai Ho”, de “Quem Quer Ser um Milionário?”

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Todas as previsões se confirmaram e o grande vencedor do Oscar 2009 foi o filme “Quem Quer Ser um Milionário?” (“Slumdog Millionaire”), produção inglesa sobre a história verídica de um menino indiano que participa de uma versão do “Show do Milhão” e começa a acertar todas as respostas, apesar de ser analfabeto. Ele está próximo de levar o grande prêmio e deixa todos desconfiados de que trapaceou no jogo – o que o leva à prisão, onde é torturado. Lá, ele conta sua incrível história de vida e de amor.

O filme, que levou oito estatuetas na premiação, marca a aproximação de Hollywood com Bollywood – a indústria cinematográfica indiana – e, como na maioria das produções de lá, conta com um número musical. A música que embala a coreografia dos protagonistas é “Jai Ho”, expressão equivalente a “Vitória!”, que ganhou o Oscar de Melhor Canção Original.

A música, que é cantada em hindi com trechos em espanhol, ganhou uma versão em inglês cantada pelas Pussycat Dolls. Nem precisava: a canção é tão pop que pegaria no mundo todo. Há tempos espero a música estourar e, desde a primeira vez que ouvi, aguardo para dançar uma versão remixada na balada.

Pois bem, o filme liderou a bilheteria brasileira pela segunda semana e a canção deve virar hit logo logo. Tocou até no Faustão no último domingo!

Abaixo, você vê o clipe do filme, a letra original de A. R. Rahman e uma tentativa de tradução (baseada em traduções do hindi para o inglês) que meu amigo Maurício fez especialmente para o blog.

“Jai Ho”
De A. R. Rahman

Jai Ho!

Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Jai Ho!

Ratti ratti sachchi maine jaan gawayi hai
Nach Nach koylon pe raat bitaayi hai
Ankhiyon ki neend maine phoonkon se udaa di
Gin gin taarey maine ungli jalayi hai

Eh Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Baila! Baila!
Ahora conmigo, tu baila para hoy
Por nuestro dia de movidas,
los problemas los que sean
Salud!
Baila! Baila!

Jai Ho!

Chakh le, haan chakh le, yeh raat shehed hai
Chakh le, haan rakh le,
Dil hai, dil aakhri hadd hai
Kaala kaala kaajal tera
Koi kaala jaadu hai na?

Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Jai Ho!

Kab se haan kab se jo lab pe ruki hai
Keh de, keh de, haan keh de
Ab aankh jhuki hai
Aisi aisi roshan aankhein
Roshan dono heerey hain kya?

Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Jai Ho!

Vitória!
Tradução livre: Maurício Guimarães (http://www.outrosolhos.com.br)

Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes

Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes

Viva! Viva!

Pouco a pouco, deixei minha vida passar
Passei noites dançando na brasa
Eu assoprei o sono que estava em meus olhos
Eu contei estrelas até meus dedos queimarem

Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado

Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!

Dance, dance
Agora comigo, você dança agora
Por nosso dia de movimento
E que venham os problemas
Viva!
Dance, dance

Viva, viva, viva, viva
Viva, viva, viva, viva

Desde quando isto está em seus lábios?
Diga, agora diga. Diga.
Está em seus olhos fechados?
Diga.

Seus olhos estão talhados com luz
Eles me disseram tudo isso

Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado

Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!

Música, Oscar 2009


Letra, tradução e clipe de “Down to Earth”, de “Wall-E”

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Em “Wall-E”, um robô deixado na Terra e se apaixona por uma robô recém-chegada. Essa canção, uma declaração de amor ao planeta, aparece já nos créditos do filme, mas ainda assim conquistou uma indicação ao Oscar de Melhor Canção e, melhor ainda, levou o Grammy 2008 de canção cinematográfica.

Não gosto tanto assim dessa música (prefiro as de “Quem quer ser um Milionário”, “O…Saya” e “Jai Ho” – com uma leve predileção pela segunda), mas há grandes chances da estatueta dourada ir para ela.

Confira a seguir a letra, o clipe e uma tradução que fiz da música.

“Down to Earth”
De Peter Gabriel e Thomas Newman

Did you think that your feet had been bound
By what gravity brings to the ground?
Did you feel you were tricked
By the future you picked?
Well, come on down

All those rules don’t apply
When you’re high in the sky
So, come on down
Come on down

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

Did you think you’d escaped from routine
By changing the script and the scene?
Despite all you made of it
You’re always afraid
Of the change

You’ve got a lot on your chest
Well, you can come as my guest
So come on down
Come on down

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

Like the fish in the ocean
We felt at home in the sea
We learned to live off the good land
Learned to climb up a tree
Then we got up on two legs
But we wanted to fly
When we messed up our homeland
We set sail for the sky

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

We’re coming down
Coming down to Earth
Like babies at birth
Coming down to Earth
We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities

Descendo para a Terra
Tradução livre: Gustavo Jreige (http://www.outrosolhos.com.br)

Você acha que seu pé foi balançado
Pelo que a gravidade traz ao chão?
Você se sentiu enganado
Pelo futuro que você escolheu?
Bem, venha para baixo

Nenhuma dessas regras se aplica
Quando você está no céu
Então, venha para baixo
Venha para baixo

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Você achou que escaparia da rotina
Mundando o roteiro e a cena?

Apesar de tudo que você fez a respeito
Você está sempre com medo
Da mudança

Você tem muito em seu baú
Bem, você pode vir como meu convidado
Então venha para baixo
Venha para baixo

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Como os peixes no oceano
Nos sentimos em casa no mar
Nós aprendemos a viver bem sem a terra
Aprendemos a escalar uma árvore
Então levantamos nas duas pernas
Mas nós queremos voar
Quando nós perdemos nossa terra natal
Nós navegamos ao céu

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Nós estamos indo para baixo
Descendo para a Terra
Como bebês no nascimento
Descendo para a Terra

Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores

E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades

Cultura, Tecnologia, televisão


Anos 90: como foi a minha infância

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“Raios e trovões!”. “Por Merlin, bate!”. “Cruj, Cruj, Cruj, tchau”. “Senta, que lá vem história”. “Vamos todos juntos, na turma do Pateta”. “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando…”. “Hakuna matata, isso é viver!”. “Parem, parem tudo. Estão ouvindo esse som? Ele quer dizer que está na hora do…” “Tio Ted, Tio Ted!”. “Onde tudo pode acontecer…”. “Mexe, mexe, mexe com as mãos”. “Não é a mamãe!”, “Pokébola, vai!”. “Um beijo para minha mãe, para meu pai e outro para você”. “É hora de morfar!”. “Patty, você é minha maionese”. “Meteoro de Pégasus!”. “Tá na mesa pessoal!”

Se você cresceu nos anos 90, certamente várias dessas frases marcaram a sua infância – é o meu caso. São bordões que toda criança repetiu e que deram um toque especial aos momentos em frente à televisão – e que, aposto, ainda animam toda a vez que são ditos.

Afinal, uma das coisas mais divertidas depois de uma certa idade (na verdade, desde quando você passa a ter recordações) é relembrar a infância – e suas “transformações” da realidade, que fazem as coisas mais toscas parecerem fantásticas.

Deve ser por isso que quase pirei quando vi o Almanaque dos Anos 90 a venda, na FNAC. Estava lá para matar o tempo enquanto aguardava para ir a um evento. Acabei chegando atrasado, porque não conseguia largar o livro escrito por Silvio Essinger.

Nunca havia entendido direito a euforia em torno dos anos 80 até relar nesse livro que retrata a década em que cresci. Fiquei tão animado com as lembranças que ele me trouxe, que pedi uma cópia à Ediouro, que gentilmente me enviou. O livro é ótimo e te surpreenderá com coisas que você já amou, mas que nem lembrava que existia.

É o caso de alguns dos programas que relatarei abaixo. O autor do livro esqueceu de alguns deles ou não se estendeu muito a respeito. Mas, fala sério, nada como quem foi criança nos anos 90 para relembrar, não é mesmo?

Clássicos contemporâneos, os programas infantis da década passada misturaram entretenimento com educação, conquistando diversos prêmios e o coração da molecada – mesmo quando já nem parecem mais tão moleques assim.

Personagens carismáticos de desenhos animados ganharam ainda mais vida com a popularização da TV a cabo e a boa safra de programas infantis.

Foram hits dos anos 90 personagens como Doug Funnie (“Doug”); Timão e Pumba (“Timão e Pumba”); Pateta e Max (“A Turma do Pateta”); Marsupilami (“Marsupilami”); Bob (“O Fantástico Mundo de Bob”); Babar (“As Avanturas de Babar”); Ash e Pikachu (“Pokémon”); Seiya (“Os Cavaleiros do Zodíaco”); Sailor (“Sailor Moon”); Goku e Gohan (“Dragon Ball“); Inspetor Bugiganga (“Inspetor Bugiganga”); Tommy (“Rugrats – Os anjinhos”); Pernalonga, Piu-piu e cia (“Looney Tunes”); Pinky e Cérebro (“Animaniacs”, “Pinky e o Cérebro”); Pica-pau (“Pica-Pau”); Tom e Jerry (“Tom & Jerry”); Valente e Ternura (“Os Ursinhos Carinhosos”); Meena (“Meena”); Tintin (“As Aventuras de Tintin”); Dexter, Jonny Bravo e cia (“O Laboratório do Dexter”). Doug, Pateta, Bob, Babar, Pikachu, Inspetor Bugiganga, Tommy e Tom e Jerry eram meus favoritos.

Na apresentação dos programas e dos desenhos, personalidades que até hoje estrelam em nossa televisão. Xuxa decolava com seu “Xou da Xuxa” no começo da década. Em 1994, a “rainha dos baixinhos” estreou seu “Xuxa Park”, que permaneceu no ar com sucesso até 2001, quando o estúdio do programa sofreu um incêndio. Em 1997, Xuxa apresentou, pela primeira vez, um programa para os que já haviam crescido: o bem-sucedido “Planeta Xuxa”, derivado de um quadro do “Park”.

A Xuxa marcou época, mas nunca me convenceu. Afinal, minha loura preferida era a outra: Angélica, que surgiu e conquistou a posição de estrela nos anos 90. Na TV Manchete, apresentou o seu primeiro programa, o infantil “Milk Shake”. Em 93, foi para o SBT comandar a “Casa da Angélica”, que a consagrou com ídolo das crianças. Por lá, ela ainda apresentou o “Passa ou Repassa” e a “TV Animal”. Mas foi na TV Globo que a loirinha representou um dos personagens mais queridos da infância dos que nasceram nos anos 90 – disparado minha atração favorita da TV -, a Fada Bela, protagonista da novelinha “Caça Talentos”, transmitida dentro do programa “Angel Mix”, que estreou em 1996. É da Fada Bela os bordões “Por Merlin!” e “Bate”, além de canções que grudavam na cabeça, como “Fada Bela” e “Dança da Fadinha”. Angélica também fez sucesso com seus CDs e filmes – que eu comprava e assistia em pré-estréia, sem exceção. :P

Outra loirinha que também servia de babá-eletrônica – na definição de Silvio Essinger, no “Almanaque dos Anos 90” -, foi a Eliana, que comandou no SBT a “Sessão Desenho” e o “Bom Dia & Cia”, entre outros. Neste último, ela se consagrou como ídolo infantil ao conquistar audiência com desenhos populares e personagens, que interagiam com ela no palco, como Flitz e Melocoton – que, por si só, também fizeram muito sucesso. A música “Os Dedinhos” foi um de seus hits – e todo mundo cantava, lembra? Na Record, emissora em que ainda é apresentadora, apresentou os infantis “Eliana e Alegria” – que se tornou sucesso graças ao desenho “Pokémon” (que me fez gastar uma grana em revistas e Guaraná Antarctica Caçulinha, que vinha com a pokebola!) – e “Eliana no Parque”, que eu já era velho demais para gostar.

Mas o período foi especialmente fértil para as séries infantis. Além de “Caça Talentos”, da Globo, diversos programas que ainda hoje são referência surgiram na época – seguindo na esteira de atrações de boa qualidade dos anos 80, como o “Rá-tim-bum”, que ficou no ar até 1990 e fez sucesso por toda a década (e faz até hoje na Cultura e no Canal Rá-Tim-Bum).

Glub Glub”, da TV Cultura, apareceu em 1991, mostrando dois peixinhos aprontando aventuras no fundo do mar e contando como era a vida marítima para as crianças.

Também neste ano, em parceria com a TV Globo, a Cultura lançava a série “Mundo da Lua”, protagonizada pelo sonhador menino Lucas Silva e Silva e com elenco de peso. A série fez muito sucesso com públicos de diversas idades e conseguiu misturar educação, situação familiar e diversão em um só programa. Como eu queria ter aquele gravador!

Já na “TV Colosso”, da Globo, eram os cachorros que dominavam. Na série, de 1993, a sheep dog Priscila era a produtora de um canal de TV voltado para os cachorros, mostrando o dia-a-dia da emissora, seus programas e funcionários. Um grande sucesso, que possui um saudoso fã-clube ainda hoje. Em 2008, o programa “Mais Você”, da Globo, trouxe de volta os personagens em um especial de dia das crianças, aumentando os boatos de que a emissora pretende voltar com o show, que saiu do ar em 1996 – o que já foi desmentido pela emissora. Até tive um LP deles (sim, éle pê!), mas nunca gostei taaanto assim.

A série de maior sucesso da década, entretanto, era comandada por uma família de bruxos! O “Castelo Rá-Tim-Bum” estreou em 1994 na TV Cultura e se tornou um dos maiores fenômenos de audiência do canal e um dos programas infantis mais premiados do Brasil. Misturando diversão, magia e conteúdo cultural e educacional, o “Castelo” contava a história do menino Nino, um jovem bruxo de “apenas” 300 anos de idade, e seus amigos humanos, Zequinha, Pedro e Biba. Havia ainda o feiticeiro Dr. Victor e a bruxa Morgana – interpretados por Sérgio Mamberti e Rosi Campos-, os cientistas gêmeos Tíbio e Perônio, as fadinhas do lustre Lana e Lara e o “tira-dúvidas” Telekid (vivido por Marcelo Tas), além do vilão Dr. Abobrinha e dos amigos que sempre visitavam o castelo: Penélope – uma jornalista -, Bongô – um entregador de pizza -, Etevaldo – um ET atrapalhado e a Caipora – a figura folclórica. Com relógios, gatos, ratos, pássaros e cobras falantes, monstros que habitavam o encanamento e um universo mágico, a série conseguiu atrair audiência e sucesso ao decorrer da década, figurando ainda hoje como um dos programas mais vistos da TV Cultura. Eu ainda paro para ver na TV e fico todo bobo com o episódio da Rádio Ra-tim-bum, que me fazia sonhar em ter uma rádio amadora só minha (sim, sempre tive paixão por comunicação! haha).

Em 1996, a Cultura estreou outra série de sucesso: “Cocoricó”, com bonecos de manipulação, que conta a vida de Júlio, um menino que vai morar no sítio dos avós e cria amizade com os divertidos e falantes animais do local – como as galinhas Lola, Zazá e Lilica, a vaca Mimosa, os papagaios Kiko e Caco e o cavalo Alípio. Ainda é um dos produtos mais rentáveis da emissora e, confesso, me dá um certo orgulho presentear meus priminhos com DVDs da série.

No SBT, além das novelas mexicanas, uma brasileira se destacou, alcançando expressivos índices no Ibope: a adaptação da Argentina “Chiquititas”, que estreou em 1997 misturando música e atuação para contar a história de um orfanato infantil e de seus habitantes, entrando no universo jovem e lançando diversos atores que hoje fazem sucesso na TV, como Fernanda Souza, que interpretava a protagonista, Mili. Musical, a novela lançou vários CDs, que vendiam como água. Eu comprava, assumo.

Programas como o “X-Tudo” (TV Cultura, 1992), o “Agente G” (Record, 1996), a “Vila Esperança” (TV Record, 1998), todos comandados pelo simpático Gérson de Abreu também prenderam as crianças em frente ao televisor. Assistia a todos!

Já o “Hugo Game”, da CNT, apostava na interatividade. Lançado em 1996, era um videogame comandado pelo telefone, em que um telespectador comandava o duende Hugo na busca por salvar sua esposa e filhos de uma terrível bruxa. O legal é que o personagem era tão carismático que, mesmo sendo um jogo, parecia até desenho animado! Tentei diversas vezes ligar para lá, mas nunca consegui… foi quase um trauma! :P

De fora do país, vieram atrações como a “Família Dinossauro” (Globo, 1992), as “Bananas de Pijamas” (SBT, 1992), os “Power Rangers” (Globo, 1993) e “Teletubbies” (Globo, 1999). E, fala sério, quem nunca brincou de morfar, gritou “querida cheguei” e quis ter o boneco da Ranger rosa, que tinha tanto a cabeça da Kimberly quanto o capacete de Ranger? Eu tinha um grandão e era apaixonado por ela.

E a melhor de todas: “Punky, a Levada da Breca“. A história da menina órfã, seu cachorro e seu pai adotivo foi sucesso nos EUA nos anos 80, mas ainda assim encantou crianças brasileiras no SBT ao decorrer da década de 90. A série virou desenho e tudo, se tornando um dos clássicos da TV mundial. Eu adorava e queria muito ter uma casa na árvore, exatamente como a dela na série! Você não? A Band comprou os direitos da série e deve exibi-la em 2009, com nova dublagem.*

Claro, tinha ainda as séries eternas como o “Chaves” e o “Chapolim“, as reprises do “Sítio“, os já não tão mais engraçados “Os Trapalhões” e apresentadores como Mariane, Mara Maravilha e o ídolo Sérgio Mallandro – além dos mini-dançarinos, como os do grupo Mulekada, que tocavam no Raul Gil.

Aposto que você ficou com o coração apertado de relembrar, né? E tem todos os motivos: foi uma década para pai nenhum botar defeito, não é mesmo?

PS: Fala a verdade, você preferia a Xuxa, a Angélica ou a Eliana? (eu amava a Angélica, gostava da Eliana e odiava a Xuxa!)

PS²: Você percebe que já está ficando velho quando tem um livro contando como foi a década da sua infância, não? :P

Este post foi atualizado (com edição de texto e acréscimo de imagens) em 27/12/2008 e em 03/12/2009 (com edição de texto e acréscimo dos vídeos).
* Informação acrescentada em 03/12

Música


Planeta Terra: Músicas e experiências

por

Poucas coisas são capazes de mexer tanto com um ser humano quanto a música. Afinal, músicas sempre vêm acompanhadas de um batalhão de emoções e lembranças, imediatamente reacendidas ao primeiro acorde. Com canções, revivemos várias experiências e geramos outras, novas. Damos trilha sonora à vida.

As músicas são como títulos dos capítulos que vivemos em uma espécie de sumário sonoro de nossas vidas. São a epígrafe de nossas experiências.
Com a sociedade, acontece o mesmo. Músicas inspiraram e embalaram experiências marcantes por todo o planeta:

  • “Grândola, Vila Morena”, do cantor português Zeca Afonso, foi o símbolo de uma nova era de liberdade em Portugal na Revolução dos Cravos;
  • “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, não ganhou o Festival da Canção de 1968, mas inspirou milhares de brasileiros na luta por liberdade e por mudanças durante a ditadura militar;
  • “Do They Know It’s Christmas?”, da Band Aid (resultante da união de músicos britânicos e irlandeses), foi o hino anti-fome que reverberou por todo o mundo no histórico concerto Live Aid, em 1984;
  • “We are the world”, do USA for África (grupo de quarenta e cinco artistas norte-americanos) se tornou, no ano seguinte, 85, o grande o hit contra fome, juntando vozes e levantando fundos para a África;
  • “Inútil”, do Ultraje a Rigor, deu o tom para a multidão que pedia direito ao voto, em 1984, cantando “a gente não sabemos escolher presidente / a gente não sabemos tomar conta da gente / (…) inútil! / a gente somos inútil!” e consagrando o rock jovem, de protesto, que marcaria a década;
  • “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento, acompanhou a comoção nacional causada pela agonia e morte do presidente Tancredo Neves – o primeiro presidente civil eleito em mais de 20 anos -, em 1985;
  • I Need to Wake Up, de Melissa Etheridge, ganhou o Oscar de Melhor Canção em 2007, por “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre o aquecimento global. O filme e a música ajudaram a abrir os olhos do planeta para um de seus maiores problemas na atualidade.

Pois é, música sempre está ligada a experiência, seja pessoal, seja global. É muito mais do que a junção de letra e melodia: é união de estados de espírito. Ouvir música é capaz de nos fazer mudar, de nos fazer buscarmos algo melhor. Afinal, só de buscarmos música já fazemos algo de bom para nós mesmos, não?

Por isso, estou indo agora – a convite dos organizadores – para o Planeta Terra Festival, do qual sou embaixador. O tema dessa edição é exatamente esse: “Um festival. Várias experiências”.

Ele, ainda que não represente nenhuma mudança do mundo, é o festival brasileiro mais antenado com uma grande mudança global: os novos caminhos da música – tanto que, no ano passado, dei um duro danado para cobrir o evento para uma matéria com esse tema, e não consegui. Pelos seus palcos passarão artistas como Kaiser Chiefs, Bloc Party, Vanguart e Mallu Magalhães, que encontraram na web uma forma de potencializarem seus sucessos.

Offspring, Jesus and Mary Chain, Spoon, Foals, Brothers of Brazil, The Breeders, DJ Mau Mau, Sébastien Léger, Mylo e Felix da Housecat, Animal Collective e Curumin completam o line-up deste que promete  ser o melhor festival do ano.

Será? Eu vou lá descobrir, mas, se você não tiver ingresso, não se preocupe: o Planeta Terra terá uma transmissão online bem bacana, ao vivo e com apresentação de Sabrina Parlatore, Bárbara Thomaz, Kid Vinil e Daniel Daibem. Começa às 16h e termina lá para as 3h.

Está pronto para essa experiência?

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Especial “O Teatro Mágico”: O show do “Segundo Ato” e o download das músicas

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Estúdio OutrOs OlhOs - Lugar de música independenteVeja a primeira parte desse especial clicando aqui.

O Teatro Mágico é um espetáculo, um junção de música, poesia, teatro, circo… Com o objetivo de ser um “sarau amplificado”, ele une suas canções e textos a figurinos, cenários, coreografias, acrobacias, palhaçadas. Quando junta tudo numa coisa só, ganha força e mostra porque consegue atrair tanta gente: é no palco que esse teatro mágico de fato acontece.

Já vi vários shows da trupe, peguei várias filas intermináveis e já até fiquei de fora, após mais de 6 horas aguardando por um ingresso (pois é, mas isso quando ainda não tinha visto nenhum show e queria ver mais do que tudo na vida). Fui nas duas Viradas Culturais, ano passado e nesse, ficando no meio das multidões de 40 e 30 mil pessoas, respectivamente, que saíram com o pé detonado após tanto pular e receber pisões.

Fui a tantos shows do “Entrada para Raros” que, em certo momento, ninguém mais queria me acompanhar. De tanto repetir as mesmas músicas e piadas, o TM foi cansando a platéia menos fanática. Consciente disso, tomou uma importante – e acertada – decisão: nesse novo “Segundo ato”, não cantaria nenhum de seus maiores hits, do disco anterior.

A convite do grupo, assisti à estréia da turnê, no Memorial da América Latina, em São Paulo, há cerca de dois meses. De fato, não tinha as canções mais famosas do “Entrada para Raros” – o grupo chegou a brincar, tocando a introdução de algumas delas -, mas elas não fizeram tanta falta assim (na verdade, só me lembro de tocar uma nova versão de “Uma parte que não tinha“, do primeiro álbum).

Quase todas músicas desse novo álbum já eram tocadas na turnê antiga, o que gerou uma transição menos doída, sem tanto estranhamento. Essas canções – como “Pena”, “O Mérito e o Monstro” e “Cidadão de Papelão” -, ganharam novos arranjos e toda uma composição de palco – viraram “números musicais”, como diria algum apresentador brega da TV.

E foi um show de palco – totalmente registrado pelos fãs e disponível no Youtube. A platéia delirou com as representações ainda mais teatrais das músicas – que também ganharam um toque mais rock’n’roll, que empolgou. A energia e o romantismo que fizeram o grupo se destacar nos últimos anos continuavam novamente ali, revigorados.

Novas acrobacias e coreografias ajudaram a renovar o espetáculo visual. Os figurinos estavam muito, muito mais luxuosos e belos, um grande e necessário avanço a essa trupe cada vez menos mambembe.

Ao contrário do CD, no show tudo funciona. A presença de palco do grupo garante isso quando a música não o faz – e são poucas vezes.

Naturalmente, as canções novas ainda não animaram tanto assim, nem tinham força, em sua primeira apresentação “oficial” (com a versão que foram gravadas no disco), para substituir “Realejo”, “Ana e o Mar”, “O anjo mais velho”, “A pedra mais alta”, “Zaluzejo” e companhia, mas também não deixaram o público se desanimar.

Nos próximos shows, certamente já serão grandes hits – especialmente “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” (que no show ganha uma hilária introdução), “Reticências” e “Abaçaiado” .

O show continua imperdível e há grandes chances de levar novamente o prêmio do Guia da Folha de melhor show do ano – feito conquistado no ano passado. Eu votaria.

Além disso, a lojinha do TM continua lá (com novas camisetas!), ainda tem uma música em que todos sentam e, é claro, a trupe continua descendo para conversar com o público após o show.

Se interessou? Em São Paulo, o próximo show do Teatro Mágico será nos dias 04 e 05 de outubro, no mesmo Memorial da América Latina – boa locação, com palco vazado e espaço para todo mundo sentar e também dançar, sem aperto. Estarei lá!

O Teatro Mágico – Download de Músicas

Sempre admirei o grupo pela forma inteligente que utiliza a internet e consegue mobilizar os fãs. É um dos primeiros e maiores sucessos musicais provenientes da web no Brasil. Duvida?

O CD “Segundo Ato” foi disponibilizado integralmente no Trama Virtual. E adivinha? 60% de todas as músicas baixadas nos meses de junho e julho no site eram da trupe.

Até agora, mais de 550 mil downloads foram feitos no site, um recorde. Para efeito de comparação, no ano passado o mês que mais teve downloads no Trama Virtual, agosto, contou com “apenas” 170 mil downloads no total.

Visitei várias vezes o TOP 100 do site, e por muito tempo, todas as músicas do Teatro Mágico (37 no total, com as canções do primeiro e do novo disco) estavam entre as 40 mais ouvidas – todas do TOP 20 eram deles. Todas continuam entre as 65 mais ouvidas e 11 músicas do TOP 20 são deles.

O que é curioso é que algumas das músicas mais acessadas da trupe no site Letras, um dos mais populares de seu gênero, não costumam tocar nos shows, não estão em nenhum CD – e, conseqüentemente, também não no Trama Virtual. É o caso de “Cuida de Mim”, que ocupa o terceiro lugar, “Eu não sei na verdade quem eu sou”, na quinta posição, “Sobra tanta falta” (8ª) e “Perto de Você” (9ª). Sinal de que continua havendo um grande número de downloads das músicas em outros sites – tem até uma comunidade só para isso no Orkut, com mais de 8 mil membros.

Essas músicas não são necessariamente do Teatro Mágico como um grupo, mas gravações de Fernando Anitelli e de outros membros da trupe, a maioria apenas com voz e violão. Você pode encontrar essas e outras músicas clicando aqui.

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No próximo domingo, na última parte do Especial “O Teatro Mágico”, você confere uma super galeria de fotos desse show e também um vídeo exclusivo e em primeira mão do novo DVD do grupo!

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Claro, não posso deixar de falar das dezenas de comentários no post anterior, criticando minha crítica e até me ofendendo. A todos que usaram argumentos e que foram racionais, agradeço. Aos que xingaram apenas por eu não ter falado 100% bem do CD, peço reflexão: uma das propostas do Teatro Mágico é ser crítico com tudo, inclusive com ele mesmo. É não aceitar por aceitar, ou, como diz a música “não acomodar com o que incomoda”. Ser alienado com o próprio trabalho d’O Teatro Mágico é negar, contradizer e desperdiçar tudo que o Fernando e a trupe pregam. Esse tipo de fanatismo me parece exatamente incompreensão. Pensem nisso. ;)

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Tem sugestão de banda para o Estúdio OutrOs OlhOs? Mande para blog[arroba]outrosolhos.com.br. :)

Estúdio OutrOs OlhOs, Música


Especial “O Teatro Mágico”: As músicas do CD “Segundo Ato” e os novos caminhos da trupe

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Estúdio OutrOs OlhOs - Lugar de música independenteO Teatro Mágico mudou. Em seu “Segundo Ato”, como bem disse um integrante do grupo, há menos bolas de sabão – que, segundo ele, já ardiam os olhos. A idéia era fazer um CD mais politizado, menos colorido, saindo do “Mundo Mágico de Oz… Osasco” (a piada fraca e batida, repetida em todos os shows, que brinca com a cidade de origem do grupo) e chegando a São Paulo, onde agora fica o escritório da trupe. Pois bem, a convite d’O Teatro Mágico, fui à estréia do novo show, recebi prévia do CD e depois o CD pronto, além de um preview do DVD. Vi e ouvi tudo e posso afirmar: o grupo é outro – e isso não é necessariamente bom.

Vamos por partes – e são várias. Se você é fã do Teatro Mágico, como eu sou há um bom tempo, vai adorar essa série especial de posts sobre o grupo, que será publicada agora e nos próximos dois domingos.

Nessa primeira parte, você verá a crítica do novo CD “Segundo Ato”. No segundo post do especial, no ar no próximo domingo, trarei dados surpreendentes sobre o grupo, minhas impressões sobre o novo show e fotos da apresentação e dos bastidores. No terceiro e último post, dia 24, você verá um vídeo exclusivo com a prévia do DVD, em primeira mão! Vamos começar? Estréia, então, o Estúdio OutrOs OlhOs!


CD – O TEATRO MÁGICO: SEGUNDO ATO

O Teatro Magico - CD Segundo Ato

Para ouvir Teatro Mágico, tem que entrar no jogo, acreditar na fantasia que o grupo cria. É música para ouvir com boa vontade, sem compromisso, sem analisar com ouvidos duros, comuns aos críticos. Não é para se levar a sério: são palhaços cantando! O problema é que o grupo e os fãs as vezes se levam e acabam realmente pretensiosos – ou, como dizem, remelentos.

As maiores críticas ao primeiro álbum, “Entrada para Raros”, eram nesse sentido: a pretensão do grupo de ser diferente e mudar tudo era maior do que a qualidade de suas letras e músicas.

Em contrapartida, os sons “coloridos” e um tanto quanto apaixonados da banda, resgatando um universo inocente, em que o amor prevalece e o mundo é perfeito, conquistavam milhares de “raros” (como os fãs da trupe são chamados), especialmente universitários, encantados com aqueles palhaços felizes em pedras mais altas, com papéis de realejo trazendo sorte, com camaradas d’água vivendo à sua maneira, com lembranças do anjo mais velho que duravam até a ultima respiração, com opostos se distraindo e dispostos se atraindo.

Agora, o teatro está menos mágico, os tons coloridos foram substituídos por cinza, os trocadilhos infelizes continuam e as críticas sociais são rasas e ainda mais pretensiosas. O disco não é ruim, mas também não empolga. Como há uma dose bem menor de romantismo, que tanto apetece a platéia da trupe, pode decepcionar. Mas, por esse mesmo motivo, pode trazer novos ouvintes.

“Amadurecência”, uma poesia dispensável que marca a passagem entre as fases do grupo, abre o álbum. Não poderia deixar de registrar que a frase “com outros olhos” é repetida várias vezes. Agradeço o merchan.

Na seqüência, músicas já conhecidas pelo público, em novas versões. Detestei quase todas da primeira vez que ouvi, por ter lembrança delas sendo tocadas ao vivo ou em MP3 acústicas que rolaram na web, mas agora gosto bem mais.

Na ordem: “O Mérito e o Monstro” – mais rock’n’roll, um belo acerto -, “Cidadão de Papelão” – música pensada para esse álbum e uma das minhas favoritas, que já tocava nos últimos shows da primeira turnê – e “Pena” – música já batida, em versão pouco inspirada, com efeitos desnecessários, não conseguindo trazer nem um pouco da força que a canção tem ao vivo.

Também conhecidas do público, “Sonho de uma flauta” – já disponibilizada pelos fãs em acústico, agora com arranjos melhores, mais emocionante e com uma alteração boba na letra, quando diz “sei que toda mãe é santa, sei que a incerteza traz inspiração”, ao invés de “(…) toda mãe é santa, mas a incerteza (…)”, mas que poderia ficar melhor se conseguisse dar a sensação de um sonho, lúdico, coisa que não chega nem perto – e “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” – samba gostoso, com boa letra, divertida e bem-humorada, talvez a melhor canção do álbum.

Das novas, gosto muito de “Xanéu Nº5” – crítica à televisão, com participação de Zeca Baleiro (sim, o encontro perfeito, dirão tanto os que odeiam quanto os que adoram!) -, de “Abaçaiado” – música bem gostosa, que tem traços de “Camarada d’Água” e de “Zaluzejo” e traz um tom nordestino ao disco, com a participação do Silvério Pessoa – e “Reticências…” – que traz mais elementos circenses à música e tem uma surpresa escondida ao seu final.

Fiquei indiferente às outras músicas, como “Sina Nossa” e “Criado Mudo”, bem dispensáveis ao meu ver.

Não gosto tanto das vinhetas desse álbum quanto gostei das do anterior. As que se destacam são “#@$!@” e “Alguma Coisa”, especialmente a primeira – que consegue, no álbum, ter a energia que tem no palco.

A produção do disco está infinitamente melhor. O CD, independente, é vendido em duas versões: só o CD, sem arte, por R$5,00, e com encarte, por R$10. A capa do disco e o encarte são bem bonitos – assim como o novo figurino e cenário, possuem elementos de Sandman, quadrinhos de Neil Gaiman, e das obras de Salvador Dalí -, como você pode ver acima. Também dá para baixar tudo de graça, na Trama Virtual – onde o primeiro CD também está disponível. Boa, TM!

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Com esse post e com os outros dois da série, quebro uma promessa pessoal. A antiga assessoria de imprensa do grupo cometeu tantos deslizes comigo quando tentei fazer uma matéria com eles para um programa de TV que prometi nunca dar espaço algum ao Teatro Mágico. Felizmente, até isso mudou e dei uma segunda chance. Não me arrependi nem um pouco.

E, como você já notou, essa é a estréia do “Estúdio OutrOs OlhOs”, coluna que sempre dará espaço para artistas independentes que eu gostar. Já dava esse espaço no Podcast, mas como costumo demorar séculos entre um podcast e outro, agora vira coluna no blog também. Espero que você goste das minhas indicações musicais e que também sugira nomes, no blog(arroba)outrosolhos.com.br.

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Veja a segunda parte desse especial clicando aqui.

Cinema


“Era Uma Vez…”: no filme que estréia hoje, o amor sobe o morro

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Estréia hoje, em todo o país, o filme “Era uma Vez…”, nova produção do diretor Breno Silveira, de Dois Filhos de Francisco. Eu já assisti, e gostei.

Postei sobre o filme há algum tempo, disse que não entendia qual o objetivo de se criar uma nova versão de Romeu e Julieta e fiquei receoso com relação a sua qualidade – apesar de botar fé no trabalho do diretor, que encarava esse filme como a produção de sua vida.

Pois bem. Assisti ao filme duas vezes já, em cabines. E afirmo: Breno mostra o que sabe fazer de melhor, trabalhar sentimentos sem cair na pieguice – não espere um filme sobre violência, pois não é. Naturalmente, a violência dos morros cariocas está presente e é determinante para a trama, mas não é seu foco. Esse papel fica para o amor dos protagonistas, um acerto, que também leva ao maior erro do filme: O pior de “Era uma Vez” vem logo de sua inspiração: ao atualizar a trama de Romeu e Julieta, o filme acabou engessado à história que lhe deu origem.

As atuações são boas (Thiago Martins – nascido no Vidigal e ainda morador de lá – e Vitória Frate estão muito bem, assim como Rocco Pitanga), a trilha sonora – assinada por Carlinhos Brown e Marisa Monte – foi bem escolhida, a fotografia também agrada e a direção de Breno Silveira imprime um bom ritmo ao filme. Já o roteiro…

A história do vendedor de quiosque Dé (Thiago), morador do morro do Cantagalo, que se apaixona pela patricinha Nina (Vitória) e encontra a questão social no meio do caminho entre Ipanema e a favela, é contada através de uma coleção de clichês. Talvez menos do que eu esperasse (ok, eu esperava que o filme fosse ter coisas bem patéticas), mas em grande quantidade. O bom é que eles funcionam e a história engrena. Você se envolve, torce pelos protagonistas, quer que eles fiquem juntos, acredita que aquele amor pode dar certo, fica aflito pelo que pode acontecer… Até que chega a meia hora final e o roteiro perde qualidade na velocidade da luz.

Sério, gostei muito filme, até chegar no fim e todos os personagens agirem feito idiotas, tomando as decisões mais burras e improváveis, apenas para que se chegue ao final apoteótico de Romeu e Julieta. Isso acontece, mas da pior forma possível. Eu só pensava: o filme estava bom, por que esse final tão forçado, por quê??

Eu participei da equipe de divulgação do filme, então pude ver reação bem diferentes, dependendo do público. Em uma das sessões, para “formadores de opinião”, a risada foi coletiva nas cenas finais. Por outro lado, nos comentários aqui do blog, pessoas que já assistiram ao filme falam dele com toda paixão do mundo.

Entendo ambos. Dá realmente para se apaixonar por “Era uma vez…”, que é um belo filme – e, para mim, é um tanto surpreendente em seu desenvolvimento (até você lembrar de Romeu e Julieta e falar: “putz, será esse o final” e acertar). Mas também dá para rir do desfecho inverossímil e de como os meios surgem apenas para que o fim seja possível, com os personagens deixando de agir naturalmente.

Tem quem ame, tem quem odeie “Era uma Vez…”. Eu gostei, apesar dos pesares. No mínimo, vale o ingresso.