Outros Olhos

Oscar 2010


Oscar 2010 – Cobertura Ao Vivo

por

Chegou o dia mais esperado pelos cinéfilos: hoje acontece o Oscar. E um dos grandes: são 10 filmes competindo pelo prêmio principal pela primeira vez, temos a maior bilheteria de todos os tempos, a segunda animação indicada a melhor filme da história, uma grande chance de ter a primeira diretora mulher premiada, a possibilidade de ver também pela primeira vez uma atriz ganhar o Oscar e o Framboesa de Ouro no mesmo ano…

A busca pela audiência na televisão promete uma cerimônia mais dinâmica e divertida. Nem as canções indicadas vão se apresentar, em uma decisão que dividiu opiniões. O Red Carpet já está rolando e, já já, o OutrOs OlhOs inicia sua cobertura ao vivo cheia de convidados comentando a cerimônia.

Participam:

Alexandre Inagaki, do Pensar Enlouquece
Chico Fireman, do Filmes do Chico
Diego Maia, do This Blog is a Movie
Eric Franco, do Cegos, Surdos e Loucos e colaborador do OutrOs OlhOs
Felipe Rezende, do Walking Contradiction
Vinícius Silva, do Sob a Minha Lente

Fique ligado :

Cinema, Séries


Globo de Ouro – Ao Vivo!

por

Convidei alguns amigos blogueiros, que escrevem sobre séries e filmes, para participar de um Live Chat aqui no blog durante o Globo de Ouro. O TNT começa a transmitir às 23h, mas estaremos por aqui a partir das 22h30, com o red carpet, que já está rolando no E!. Foram dezenas de pessoas lendo, centenas de cliques no Twitter e uma cobertura de quatro horas com comentários de quem entende muito do assunto.

Esse é o retorno do OutrOs OlhOs, que no começo de fevereiro completará 7 anos de existência.

Comentando o Golden Globe estiveram:

Ale Rocha, do Poltrona.tv
Bruno Carvalho, do Ligado em Série
Diego Maia, do This Blog is a Movie
Eric Franco, do Cegos, Surdos e Loucos e colaborador do OutrOs OlhOs
Felipe Rezende, do Wlking Contradiction
Gustavo Miller, do Daqui pra Lá!
Rob Gordon, do Championship Vinyl
Vinícius Silva, do Sob a Minha Lente

A lista de vencedores você vê aqui. Abaixo, você confere como foi nossa cobertura ao vivo:

Obrigado a todos. No Oscar tem mais!

Atualizado às 2h15

Cinema, Colaboradores


Filme “Watchmen” chega ao DVD. Vale alugar?

por

O filme “Watchmen”, adaptação das HQs escritas por Alan Moore e desenhadas por Dave Gibbons, finalmente chegou em DVD ao Brasil essa semana. A superprodução, que foi lançada nos cinemas brasileiros em março desse ano, não conseguiu alavancar grandes bilheterias (para seu porte, é claro) nos EUA e a venda do DVD, com uma versão extendida do filme, é uma das esperanças dos estúdios para conseguir lucros ainda mais expressivos com os super-heróis. Os fãs, claro, aguardavam ansiosamente para ter em mãos os discos com a história completa.

No Brasil, porém, só é possível, por enquanto, alugar o DVD simples do filme (sem muitos extras) ou comprar o Blue Ray duplo (aí sim com extras para deixar os fãs satisfeitos). A venda, em DVD duplo, está prevista para novembro.

Sinceramente, esse não é o tipo de filme que eu gosto, mas convidei dois amigos que viram “Watchmen” no cinema para darem seus pitacos sobre a produção. Um deles, o Eric, nunca tinha lido a obra de Moore. Já o outro, o Tiago, viciado em quadrinhos, já era fã das HQs. As opiniões, naturalmente, são diferentes e podem te ajudar a decidir se vale ou não ir até a locadora mais próxima ou comprar os discos azuis.

Quem só viu o filme…

Um grande filme. Para quem não conhece a HQ.

Curto e grosso: se você nunca leu Watchmen mas tem um leve conhecimento sobre esse mundo pitoresco de seres poderosos e com um péssimo gosto para roupas, alugar o filme vale 100%.

Todo mundo sabe que adaptar uma obra para outra mídia é trabalho hercúleo e ingrato, os fãs sempre irão reclamar se você colocar coisas de menos da obra original dizendo que você descaracterizou ou, então, farão o contrário, dizendo que o autor coloca coisas demais, deixando o filme longo e arrastado e que devia ter coisas de menos. Isso nunca vai mudar.

Talvez por isso, quem vive nessa espécie de limbo entre o desconhecimento e a familiaridade com as HQ’s seja o tipo de espectador que vai sair mais entusiasmado ao assistir a “Watchmen”.

As razões vão desde o roteiro que consegue ser fiel a obra original e ao mesmo tempo bastante dinâmico para explicar o desenrolar do trama em bem menos tempo do que na HQ, até a trilha sonora sensacional que conta com grandes nomes como Bob Dylan, Jimi Hendrix, Janis Joplin e Leonard Cohen, escolhidos a dedo e que casam perfeitamente com as situações em que são retratadas. De certo modo, elas conseguem te transportar praquela década de 80 desesperançosa com os rumos caóticos que a Guerra Fria trazia.

Mas o que realmente salta aos olhos é o espetáculo visual que o diretor Zack Snyder proporciona com seu cuidado excessivo em reproduzir fielmente diversas cenas da graphic novel – o que por si só já é fantástico – mas que fica ainda mais bonito na tela do cinema. Como nem tudo são flores, a escolha de atores até certo ponto desconhecidos e relativamente inexperientes em filmes desse porte se mostra uma aposta arriscada, já que ao mesmo tempo em que se conseguem atuações contumazes como o Roscharch de Jackie Earle Haley, outros parecem claramente não incorporar o personagem, como Malin Aikerman pouco a vontade no papel de Silk Spectre, assim como o Ozzymandias de Matthew Goode.

Pode ser citada ainda mais uma ou outra perfumaria de Snyder, como o excesso de cenas em câmera lenta e lutas posadas demais pra quem já está acostumado com a porradaria de Hollywood, mas nada que chegue a estragar o fato de que ele faz um trabalho grandioso aqui.

Antes de tentar ser uma grande adaptação do quadrinho escrito por Alan Moore, creio que a intenção foi fazer um grande filme. E nesse sentido é possível dizer que os objetivos foram completados com louvor.

Eric Franco nunca leu Watchmen e espera não apanhar dos fãs xiitas que acham que o filme devia durar 8 horas pra contar a história inteira. Blogueiro do Cegos, Surdos e Loucos, desse texto em diante passa a escrever também por aqui.

Quem é fã da HQ…

Watchmen – O Filme: só beleza não basta

Para escrever sobre Watchmen – O Filme, após a primeira vez, comecei a pensar mais sobre seus erros e suas falhas. E seus acertos. Para um fã da história criada por Alan Moore e Dave Gibbons é difícil conceber que exista algo de novo para se dizer sobre a obra máxima dos comics – termo usado para identificar quadrinhos de super-heróis no clássico estilo norte-americano – e nesse sentido é incrível que Snyder consiga acrescentar boas novidades como a maravilhosa seqüência de abertura. O problema é que o prólogo dura apenas alguns segundos e o filme tem mais de duas horas.

Em todo esse tempo, Zack Snyder consegue obter um grande resultado estético. A fidelidade visual é algo de impressionante, fruto do bom gosto do diretor e de uma tecnologia cada vez mais apurada que vai transformando a boa e velha película em algo distante e antiquado. O problema é que só a estética não basta, seja no cinema ou nos quadrinhos.

E sem isso, Watchmen não passa mesmo de um filme pela metade. Uma primeira hora justa e bem feita por retratar de forma eficiente a obra original e uma segunda metade em que se afasta do que Moore escreveu. Ao contrário do que alguns temiam, é justamente a falta de mais do roteiro emblemático de Moore que vai tornando a história rasa e comum. A impressão que dá é que Snyder dirigiu a parte inicial e Michael Bay (Transformers) a seguinte. É o ideal Massa, Véio suprimindo o que consolidou os quadrinhos adultos e seu potencial cinematográfico.

Mesmo que fosse um filme totalmente original, isso não apagaria erros 100% cinematográficos. Malin Akerman pode ser uma atriz à altura do papel de Silk Spectre algum dia. Hoje, é muito verde com uma interpretação quase caricata. Já Matthew Goode faz um Ozymandias óbvio e afetado demais. Aliás, vale a pergunta (que contém SPOILERS): por que os dois últimos vilões de Snyder (Ozymandias e Xerxes, de 300) são retratados como gays se os personagens na obra em que foram baseados não eram? Ou parece uma mudança comum em uma transposição para outra mídia?

Existe o mito de se dizer que adaptações de quadrinhos caem mais no gosto de quem não leu o original (mesmo que existam fãs da HQ que gostaram do que viram). Será difícil para quem não conhecer a história em quadrinhos entender toda trama. Para quem leu, é mais difícil ainda entender o porquê das mudanças. Watchmen – O Filme não chega a ser um filme óbvio, mas passa longe de ser um filme totalmente compreensível. Se fosse você, ia ler os quadrinhos antes de alugar para entender do que estou falando.

Tiago Cordeiro é jornalista e escreve para os blogs Melhores do Mundo, Quinze Minutos e Rubens Diz.

********
E aí, vai alugar ou não?

Geral, Música, Oscar 2009


Letra, tradução e clipe de “Jai Ho”, de “Quem Quer Ser um Milionário?”

por

Todas as previsões se confirmaram e o grande vencedor do Oscar 2009 foi o filme “Quem Quer Ser um Milionário?” (“Slumdog Millionaire”), produção inglesa sobre a história verídica de um menino indiano que participa de uma versão do “Show do Milhão” e começa a acertar todas as respostas, apesar de ser analfabeto. Ele está próximo de levar o grande prêmio e deixa todos desconfiados de que trapaceou no jogo – o que o leva à prisão, onde é torturado. Lá, ele conta sua incrível história de vida e de amor.

O filme, que levou oito estatuetas na premiação, marca a aproximação de Hollywood com Bollywood – a indústria cinematográfica indiana – e, como na maioria das produções de lá, conta com um número musical. A música que embala a coreografia dos protagonistas é “Jai Ho”, expressão equivalente a “Vitória!”, que ganhou o Oscar de Melhor Canção Original.

A música, que é cantada em hindi com trechos em espanhol, ganhou uma versão em inglês cantada pelas Pussycat Dolls. Nem precisava: a canção é tão pop que pegaria no mundo todo. Há tempos espero a música estourar e, desde a primeira vez que ouvi, aguardo para dançar uma versão remixada na balada.

Pois bem, o filme liderou a bilheteria brasileira pela segunda semana e a canção deve virar hit logo logo. Tocou até no Faustão no último domingo!

Abaixo, você vê o clipe do filme, a letra original de A. R. Rahman e uma tentativa de tradução (baseada em traduções do hindi para o inglês) que meu amigo Maurício fez especialmente para o blog.

“Jai Ho”
De A. R. Rahman

Jai Ho!

Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Jai Ho!

Ratti ratti sachchi maine jaan gawayi hai
Nach Nach koylon pe raat bitaayi hai
Ankhiyon ki neend maine phoonkon se udaa di
Gin gin taarey maine ungli jalayi hai

Eh Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Baila! Baila!
Ahora conmigo, tu baila para hoy
Por nuestro dia de movidas,
los problemas los que sean
Salud!
Baila! Baila!

Jai Ho!

Chakh le, haan chakh le, yeh raat shehed hai
Chakh le, haan rakh le,
Dil hai, dil aakhri hadd hai
Kaala kaala kaajal tera
Koi kaala jaadu hai na?

Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Jai Ho!

Kab se haan kab se jo lab pe ruki hai
Keh de, keh de, haan keh de
Ab aankh jhuki hai
Aisi aisi roshan aankhein
Roshan dono heerey hain kya?

Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley

Jai Ho!

Vitória!
Tradução livre: Maurício Guimarães (http://www.outrosolhos.com.br)

Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes

Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes

Viva! Viva!

Pouco a pouco, deixei minha vida passar
Passei noites dançando na brasa
Eu assoprei o sono que estava em meus olhos
Eu contei estrelas até meus dedos queimarem

Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado

Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!

Dance, dance
Agora comigo, você dança agora
Por nosso dia de movimento
E que venham os problemas
Viva!
Dance, dance

Viva, viva, viva, viva
Viva, viva, viva, viva

Desde quando isto está em seus lábios?
Diga, agora diga. Diga.
Está em seus olhos fechados?
Diga.

Seus olhos estão talhados com luz
Eles me disseram tudo isso

Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado

Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!

Música, Oscar 2009


Letra, tradução e clipe de “Down to Earth”, de “Wall-E”

por

Em “Wall-E”, um robô deixado na Terra e se apaixona por uma robô recém-chegada. Essa canção, uma declaração de amor ao planeta, aparece já nos créditos do filme, mas ainda assim conquistou uma indicação ao Oscar de Melhor Canção e, melhor ainda, levou o Grammy 2008 de canção cinematográfica.

Não gosto tanto assim dessa música (prefiro as de “Quem quer ser um Milionário”, “O…Saya” e “Jai Ho” – com uma leve predileção pela segunda), mas há grandes chances da estatueta dourada ir para ela.

Confira a seguir a letra, o clipe e uma tradução que fiz da música.

“Down to Earth”
De Peter Gabriel e Thomas Newman

Did you think that your feet had been bound
By what gravity brings to the ground?
Did you feel you were tricked
By the future you picked?
Well, come on down

All those rules don’t apply
When you’re high in the sky
So, come on down
Come on down

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

Did you think you’d escaped from routine
By changing the script and the scene?
Despite all you made of it
You’re always afraid
Of the change

You’ve got a lot on your chest
Well, you can come as my guest
So come on down
Come on down

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

Like the fish in the ocean
We felt at home in the sea
We learned to live off the good land
Learned to climb up a tree
Then we got up on two legs
But we wanted to fly
When we messed up our homeland
We set sail for the sky

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

We’re coming down
Coming down to Earth
Like babies at birth
Coming down to Earth
We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below

We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze

We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities

Descendo para a Terra
Tradução livre: Gustavo Jreige (http://www.outrosolhos.com.br)

Você acha que seu pé foi balançado
Pelo que a gravidade traz ao chão?
Você se sentiu enganado
Pelo futuro que você escolheu?
Bem, venha para baixo

Nenhuma dessas regras se aplica
Quando você está no céu
Então, venha para baixo
Venha para baixo

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Você achou que escaparia da rotina
Mundando o roteiro e a cena?

Apesar de tudo que você fez a respeito
Você está sempre com medo
Da mudança

Você tem muito em seu baú
Bem, você pode vir como meu convidado
Então venha para baixo
Venha para baixo

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Como os peixes no oceano
Nos sentimos em casa no mar
Nós aprendemos a viver bem sem a terra
Aprendemos a escalar uma árvore
Então levantamos nas duas pernas
Mas nós queremos voar
Quando nós perdemos nossa terra natal
Nós navegamos ao céu

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Nós estamos indo para baixo
Descendo para a Terra
Como bebês no nascimento
Descendo para a Terra

Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo

Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa

Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores

E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades

Cinema


“Era Uma Vez…”: no filme que estréia hoje, o amor sobe o morro

por

Estréia hoje, em todo o país, o filme “Era uma Vez…”, nova produção do diretor Breno Silveira, de Dois Filhos de Francisco. Eu já assisti, e gostei.

Postei sobre o filme há algum tempo, disse que não entendia qual o objetivo de se criar uma nova versão de Romeu e Julieta e fiquei receoso com relação a sua qualidade – apesar de botar fé no trabalho do diretor, que encarava esse filme como a produção de sua vida.

Pois bem. Assisti ao filme duas vezes já, em cabines. E afirmo: Breno mostra o que sabe fazer de melhor, trabalhar sentimentos sem cair na pieguice – não espere um filme sobre violência, pois não é. Naturalmente, a violência dos morros cariocas está presente e é determinante para a trama, mas não é seu foco. Esse papel fica para o amor dos protagonistas, um acerto, que também leva ao maior erro do filme: O pior de “Era uma Vez” vem logo de sua inspiração: ao atualizar a trama de Romeu e Julieta, o filme acabou engessado à história que lhe deu origem.

As atuações são boas (Thiago Martins – nascido no Vidigal e ainda morador de lá – e Vitória Frate estão muito bem, assim como Rocco Pitanga), a trilha sonora – assinada por Carlinhos Brown e Marisa Monte – foi bem escolhida, a fotografia também agrada e a direção de Breno Silveira imprime um bom ritmo ao filme. Já o roteiro…

A história do vendedor de quiosque Dé (Thiago), morador do morro do Cantagalo, que se apaixona pela patricinha Nina (Vitória) e encontra a questão social no meio do caminho entre Ipanema e a favela, é contada através de uma coleção de clichês. Talvez menos do que eu esperasse (ok, eu esperava que o filme fosse ter coisas bem patéticas), mas em grande quantidade. O bom é que eles funcionam e a história engrena. Você se envolve, torce pelos protagonistas, quer que eles fiquem juntos, acredita que aquele amor pode dar certo, fica aflito pelo que pode acontecer… Até que chega a meia hora final e o roteiro perde qualidade na velocidade da luz.

Sério, gostei muito filme, até chegar no fim e todos os personagens agirem feito idiotas, tomando as decisões mais burras e improváveis, apenas para que se chegue ao final apoteótico de Romeu e Julieta. Isso acontece, mas da pior forma possível. Eu só pensava: o filme estava bom, por que esse final tão forçado, por quê??

Eu participei da equipe de divulgação do filme, então pude ver reação bem diferentes, dependendo do público. Em uma das sessões, para “formadores de opinião”, a risada foi coletiva nas cenas finais. Por outro lado, nos comentários aqui do blog, pessoas que já assistiram ao filme falam dele com toda paixão do mundo.

Entendo ambos. Dá realmente para se apaixonar por “Era uma vez…”, que é um belo filme – e, para mim, é um tanto surpreendente em seu desenvolvimento (até você lembrar de Romeu e Julieta e falar: “putz, será esse o final” e acertar). Mas também dá para rir do desfecho inverossímil e de como os meios surgem apenas para que o fim seja possível, com os personagens deixando de agir naturalmente.

Tem quem ame, tem quem odeie “Era uma Vez…”. Eu gostei, apesar dos pesares. No mínimo, vale o ingresso.

Cinema


Filme “Era uma Vez” – Romeu e Julieta, morro e asfalto

por

Uma história pode ser contada e recontada milhões de vezes sem nunca cansar. A base da dramaturgia, principalmente televisiva, é essa: repetir o que o público já está acostumado e implementar uma ou outra novidade no meio do caminho. Ou você acha que alguém gosta de algo que gere completo estranhamento?

Pensa bem, quantas vezes você já viu, ouviu e leu versões de Romeu e Julieta, adaptadas aos mais diversos contextos? Novelas, séries e filmes já beberam muito nessa fonte – sem, entretanto, fazer com que as pessoas parassem de suspirar pelo amor que parece impossível, mas é batalhado até as últimas conseqüências.

É na mais famosa obra de Shakespeare que o novo filme de Breno Silveira, diretor do mega-sucesso “2 Filhos de Francisco” é baseado. A “inovação” já é velha: ao invés de famílias que se odeiam, a condição social é o abismo que separa o casal apaixonado. Em “Era uma vez…“, um rapaz pobre, do morro, cai de amores por uma moça rica, do asfalto – trama parecida com a que serve de mote para “Amor e Intrigas”, novela da Rede Record, e com tantas outras produções. Então qual o objetivo de fazer um filme sobre isso?

Não sei, de verdade. Mas ainda assim não consigo deixar de me interessar. Assim como a rivalidade entre Palmeiras e Corinthians pôde ser um interessante para a comédia em uma das adaptações, acredito que a diferença entre morro e asfalto é um terreno fértil para um drama contemporâneo, intenso e realista.

Parece que essa é mesmo a intenção do diretor. Esse é o filme da vida dele, o que ele sempre sonhou. Breno queria comprar os direitos para fazer “Cidade de Deus“, mas chegou tarde demais. Convidou Paulo Lins, autor do livro “Cidade de Deus” para escrever o roteiro de “Era uma Vez…”, mas parou tudo, graças ao furacão “2 Filhos de Francisco”. Virando segundo filme, após o grande sucesso – inclusive de crítica – que conquistou ao mostrar pessoas comuns (ou quase isso) com suas forças, fraquezas, amores e ódios, Breno não quis mais falar de violência e correr o risco de ficar na sombra de “Cidade”. Focou a história, então, no romance do casal – para tal, convidou Patrícia Andrade, de “2 Filhos”, para reescrever o roteiro.

Foram 500 latas de filme gravado (o trabalho com os atores, pelo que contam, foi intenso), algumas favelas cariocas usadas como locação e um esforço tremendo para conseguir verba para finalizar a produção, toda feita em película. O resultado estréia nos cinemas em 25 de julho, como a materialização do sonho de Breno Silveira – que, naturalmente, já desperta curiosidade: Será que ele conseguirá ter algum sucesso próximo ao de “2 filhos de Francisco?”

Não sei, mas acredito que no elenco há mais um elemento forte, que traz mais verdade a adaptação: o protagonista Thiago Martins. O jovem ator veio do morro do Vidigal, através do projeto Nós do Morro, do qual ainda faz parte. Já fez novelas na Globo com relativo sucesso, tem seu espaço como um promissor ator. Agora, faz a um papel que lembra sua origem real. Oportunidades como essa, se bem aproveitadas, costumam dar muito certo. Espero que seja o caso.

Pode ser que seja tudo um grande clichê, mais um filme da estética da pobreza e da violência. Pode ser que o roteiro caia na vala comum e torne o filme apenas mais uma história de Romeu e Julieta atualizada e empobrecida. Mas também pode ser um retrato vivo de uma sociedade cada vez mais gritante, surpreendendo positivamente. Pode ser que Breno Silveira consiga transformar seu sonho em algo realmente bom, provando que as histórias humanas se repetem, mesmo que mudem de cenários e de personagens, e que, ainda assim, podem ser bem contadas a cada nova vez. Tendo ou não final feliz, começando ou não com “era uma vez…

Update: Clique aqui e leia a minha crítica do filme.

Música, Oscar 2008


Letra e tradução da música “Falling Slowly”, de “Once”

por

“Falling Slowly”, tema do filme irlandês “Once”, venceu o Oscar 2008 de Melhor Canção Original. A seguir, você confere a letra e a tradução dessa romântica música, composta e interpretada por Markéta Irglová e Glen Hansard – que também protagonizam a película. A canção é marcante e mostra como é possível se apaixonar aos poucos, lentamente, sem nem se dar conta disso – combinando bastante com a história de “Once”. Para ouvir de coração aberto.

Letra

Música, Letra e Interpretação: Markéta Irglová e Glen Hansard

I don’t know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can’t react
And games that never amount
To more than they’re meant
Will play themselves out

Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You’ve made it now

Falling slowly, eyes that know me
And I can’t go back
Moods that take me and erase me
And I’m painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It’s time that you won

Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You’ve made it now
Falling slowly sing your melody
I’ll sing along

Tradução

Tradução livre: Claudia Fusco, Gabriela Brasileiro e Gustavo Jreige – www.outrosolhos.com.br

Eu não te conheço
Mas te quero
Ainda mais por causa disso
As palavras caem de mim
E sempre me enganam
E eu não consigo reagir
E jogos que não são
Mais do que parecem
Irão se desgastar sozinhos

Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você tem uma escolha
E você a fez agora

Se apaixonando aos poucos, olhos que me conhecem
E eu não posso voltar atrás
Humores que me tomam e me anulam
E eu estou deprimido
Você já sofreu o bastante
E brigou consigo mesma
É hora de você vencer

Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você teve uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando lentamente, cante sua melodia
Eu cantarei junto

Oscar 2008


Filme: “Onde os Fracos Não Têm Vez”

por

Tinha como ser mais óbvio? Todo mundo cantou a pedra: “Onde os Fracos Não Têm Vez” é o melhor filme do ano. Não dava para ser mais esperado.

É o que eu disse nos prêmios anteriores: O filme não entrou na lista dos meus favoritos da vida, não é tão fácil assim de se gostar (eu gostei, mas muita gente acha chaaaato) e nem era meu preferido na disputa, mas é inegável sua qualidade. É realmente bom – mas eu prefiro de longe “Sangue Negro”.

A história é interessante – dizem que é muito fiel ao livro – e prende o espectador com eficiência, mas falta algo. A Academia não achou e fez uma soma esperada: Melhor ator coadjuvante + Roteiro adaptado + Diretor = Melhor Filme.

Desse modo, termina o Oscar 2008, sem NENHUMA surpresa. E aí, você gostou?

Concorriam
“Conduta de Risco”
“Sangue Negro”
“Desejo e Reparação”
“Juno”

Oscar 2008


Diretor: Ethan e Joel Coen, por “Onde os Fracos Não Têm Vez”

por

Seguimos ser surpresas. Todo mundo esperava o Oscar para os irmãos Coen em Direção – o primeiro deles como dupla – e ele se confirmou.

Merece, a direção é o melhor do filme mesmo.

Concorriam:
Tony Gilroy (“Conduta de Risco”)
Jason Reitman (“Juno”)
Julian Schnabel (“O Escafandro e a Borboleta”)
Paul Thomas Anderson (“Sangue Negro”)
Ethan e Joel Coen (“Onde os Fracos Não Têm Vez)