Oscar 2007

O clipe de “I Need to Wake Up”, de Melissa Etheridge, e a luta contra o aquecimento global

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Devido ao grande interesse na canção vencedora do Oscar 2007, posto aqui o vídeo com o clipe legendado em português desse que está se tornando o hino contra o aquecimento global. A canção foi composta e interpretada por Melissa Etheridge para o filme “Uma Verdade Inconveniente” (veja o site brasileiro), vencedor do Oscar 2007 de Melhor Documentário.

Para complementar, uma entrevista do Repórter Eco, da TV Cultura, com o Al Gore (o “protagonista” do filme e importante ator na popularização do tema) quando ele esteve no Brasil ano passado para o Prêmio ECO, falando sobre esse tema que está na cabeça de todos os seres realmente pensantes e que vem propositadamente dominando a mídia atualmente.

Eu, sinceramente, gostaria de saber onde começou essa avalanche de interesse pelo aquecimento global, se foi pelo filme, pelo relatório da ONU ou pelo quê. Para mim, que desde muito novo estudei isso na escola e sempre tive interesse pelo assunto, é curiosíssima essa mistura de buzz com preocupação, de cauda longa com instinto de sobrevivência.

Que não seja apenas o assunto do momento. Que todos nós façamos nossa parte e mudemos de vez essa inconveniente realidade. Comece por aqui, vendo vídeos a respeito no Youtube e aprendendo um pouco.

Ou por aqui, pesquisando preços do livroUma Verdade Inconveniente” (Pesquise preços), escrito pelo vice-presidente Al Gore. O DVD será lançado em maio no Brasil, mas já está em pré-venda (Clique aqui e compare preços).

Meninos de Hollywood: Oscar prefere clones?

A Folha de S.Paulo de hoje traz um ótimo artigo de Marcelo Coelho, intitulado Atores, clones e covers, sobre como a Academia vem premiando nos últimos atores apenas atores que representam papéis de pessoas reais.
Leia um trecho:

Em 2004, o Oscar foi para Jamie Foxx, que encarnou Ray Charles de modo impecável. No ano seguinte, Philip Seymour Hoffman ganhou por ter ficado igual a Truman Capote. Agora, a rainha Elizabeth e Idi Amin Dada, representados por Helen Mirren e Forest Whitaker, respectivamente, saíram de prêmio em punho da festa. (…)
A tendência das últimas cerimônias do Oscar tem sido consagrar atores que imitam com perfeição personagens históricos reais. Naturalmente, é preciso grande sensibilidade, sutileza e capacidade de observação para realizar imitações tão precisas dos modelos originais.
Mas será que com isso não prevalece um critério excessivamente mecânico e simplista para se avaliar a qualidade de um ator?

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É verdade, com o sucesso dessas personagens históricas, a mágica da criação na sétima arte vai se perdendo. Cada vez mais vemos representações, ao invés de atuações.
Não que isso seja totalmente ruim, não é, mas a realidade prende e engessa ao ponto de perder o sentido da ficção. O trabalho do ator de captar a essência de uma personagem saída de um texto e dar personalidade a ela ou ainda construir uma nova e rica visão sobre uma pessoa existente, não pode ser ignorado pela Academia, que cede o mais importante prêmio do cinema, levando centenas de milhares de espectadores às salas de todo o mundo.
Por mais impressionantes que realmente sejam as atuações dos protagonistas “Ray”, “Capote” e “A Rainha”, o Oscar corre um caminho perigoso se buscar somente recriações absolutamente fiéis à realidade, incentivando assim uma geração de clones na nossa tela.
De qualquer forma, se for para vermos personagens reais, que sejam com trabalhos tão bons como os de Foxx, Seymour e Mirren. E que a edição de vídeos de Bill Gates transformadas em um personagem de filme fiquem apenas nos pesadelos do Marcelo Coelho.

Balanço Geral do 79º Oscar

Sem surpresas, a cerimônia de 2007 foi uma das mais longas de todos os tempos. Nada saiu do script: Hellen DeGeneres foi simpática e deu um tom leve e divertido ao prêmio, sem piadas que causassem constrangimento.
Constragimento causou a apresentação das estrelas de “Dreamgirls”, que mais gritaram do que cantaram e pareciam estar em um ensaio, apresentando um nível musical bem inferior ao que ouvimos no filme. Talvez o erro tenha sido misturar os atores/cantores entre as músicas, não deixando cada um cantar a sua própria, como acontece no musical. Ou isso, ou o problema foi ter sido ao vivo, sem edição e tratamento. Eu fico com o MP3.

As transmissões também não sairam do esperado, pelo menos no TNT, onde eu assisti. Na Globo, sinceramente, não tive saco para ver. Agora fico com o E! e as entrevistas coletivas.

No final, “Os Infiltrados” com 3 Oscars, o mesmo que “O Labirinto do Fauno”, seguido por “Pequena Miss Sunshine”, “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” e “Uma Verdade Inconveniente”.

Num resumo das principais premiações, o melhor da indústria cinematográfica em 2006: O ano foi de Martin Scorsese, Helen Mirren, Forest Whitaker, Jennifer Hudson, “Os Infiltrados”, “O Labirinto do Fauno”, “Pequena Miss Sunshine” e os filmes de baixo orçamento, a globalização e as línguas que não sejam o Inglês.

Dos meus favoritos, 6 acertos e 4 erros. Errei: Filme, Ator Coadjuvante, Edição e Canção . Acertei: Diretor, Ator, Atriz, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original e Roteiro Adaptado.

Veja agora todos os premiados no Oscar ordenados por categoria e, embaixo, por filme.
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Filme: “Os Infiltrados”

Justiça seja feita, mereceu. Scorsese consagrado, por um filme de gângster muito bem feito. Refilmagem de “Hong Kong”, o filme conta com todos os elementos para ser considerado o melhor de 2006: excelentes atuações, história interessante, roteiro bem construído, ótima direção, sucesso de bilheteria.
Eu torcia por “Pequena Miss Sunshine”, por ser mais alternativo, ter baixo orçamento e ser uma comédia – gênero ignorado pela Academia. Mas, indiscutivelmente, ou era ele ou “Os Infiltrados”;

Dessa vez, nada de surpresas, os principais prêmios foram para os favoritos. E Scorsese lavou a alma.

Concorriam:
“Babel”
“Cartas de Iwo Jima”
“Pequena Miss Sunshine”
“A Rainha”

Diretor: Martin Scorsese, por “Os Infiltrados”

E a injustiça é desfeita: Scorsese ganha seu primeiro Oscar. Merece, o filme é muito bem dirigido e a carreira desse diretor não poderia ser deixada para um Oscar honorário no futuro.

Pelo visto nas categorias principais não deu nenhuma zebra. O Melhor Filme fica então entre “Pequena Miss Sunshine” e “Os Infiltrados” – ou “Babel”, logo atrás. Quem leva?

Concorriam:
“Babel” (Alejandro González Iñárritu)
“Cartas de Iwo Jima” (Clint Eastwood)
“A Rainha” (Stephen Frears)
“Vôo 93″ (Paul Greengrass)

Ator: Forest Whitaker (“O Último Rei da Escócia”)

O segundo Oscar mais garantido e prometido, ganhou. O personagem de Forest, que dá título ao filme, é quase um coadjuvante. Mas é ele que dá movimento ao filme, que é bem bom.
Sua atuação é incrível, o presidente popular de Uganda, que se revela um ditador. Mesclando momentos insanos com de tristeza, de autoritarismo com de amizade, de oponência com de infância e inocência, construindo um retrato profundo. Muito bom.

O Último Rei da Escócia

Concorriam:
Leonardo DiCaprio (“Diamante de Sangue”)
Ryan Gosling (“Half Nelson”)
Peter O’Toole (“Venus”)
Will Smith (“À Procura da Felicidade”)

Atriz: Helen Mirren (“A Rainha”)

O Oscar mais esperado e garantido de todos, graças a uma atuação absolutamente incrível de Helen Mirren, como Elizabeth II em “A Rainha”.
O filme é bom, mas é ela que faz o ingresso valer a pena. Se ela, que também recebeu diversos prêmios pela personagem Elizabeth I em um telefilme, nasceu para ser rainha, recebeu nessa noite sua principal coroa como atriz.

A Rainha

E, com esse prêmio, todos os filmes que concorrem à categoria principal passam a já ter 1 Oscar. Quem será que leva?

Tá chegando a hora…

Concorriam:
Penélope Cruz (“Volver”)
Judi Dench (“Notas sobre um Escândalo”)
Meryl Streep (“O Diabo Veste Prada”)
Kate Winslet (“Pecados Íntimos”)

Edição: “Os Infiltrados” (Thelma Schoonmaker)

Pois é, mais um para Os Infiltrados, agora pela editora de confiança de Scorsese, Thelma Schoonmaker. Sinceramente? Não sei avaliar montagem quando tantos fatores estão em jogo, como nesse filme. A edição dele é realmente boa, consegue manter o ritmo de adrenalina que o filme pede.
Mas isso nem se compara a “Vôo United 93″, filme que não deixa o espectador respirar justamente devido a sua edição, primorosa. Não tem uma história linear, não tem personagens com grandes falas ou atuações e você sequer sabe o nome da maioria deles. Mas você entende tudo e sente exatamente o que eles estão sentido, porque a montagem te leva a isso. Enfim, não ganhou.

Que pena.

Concorriam:
“Babel” (Stephen Mirrione e Douglas Crise)
“Diamante de Sangue” (Steven Rosenblum)
“Filhos da Esperança” (Alex Rodríguez e Alfonso Cuarón)
“Vôo United 93″ (Clare Douglas, Christopher Rouse e Richard Pearson)

Melhor Canção: “I Need to Wake Up”, de “Uma Verdade Inconveniente”

Depois de uma apresentação constrangedora das estrelas de Dreamgirls, um dos Oscars que eu mais aguardava, o de melhor canção.
Minha favorita era “Listen”, do musical Dreamgirls, mas venceu minha 2º preferida: “I Need to Wake Up”, de Melissa Etheridge (letra, música e interpretação), do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, que leve sua segunda estatueta.

Surpresa total, já que é raro um documentário vencer nessa categoria, principalmente em cima de 3 canções de um mesmo musical.

“Listen” é bem mais emocionante e bem integrado com a cena, uma das mais emocionantes, e diz muito sobre o filme. Apesar disso, “I Need to Wake Up” é uma bela canção e bem mais definitiva do que as demais. Tem potencial para virar hino contra o Aquecimento Global.

Ela sintetiza perfeitamente o filme, mas só aparece quando os créditos já estão na tela junto com mensagens de conscientização – o que, a bem da verdade, foi a coisa que mais gostei em todo o documentário (tirando o telão do Al Gore que eu, definitivamente, quero).

Não fico completamente feliz, mas foi a segunda melhor coisa que podia acontecer.

Veja a letra e a tradução dessa canção
Veja o clipe e uma entrevista com Al Gore

Concorriam:
Listen“, de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” (música de Henry Krieger e Scott Cutler, letra de Anne Preven)
Love You I Do“, de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” (música de Henry Krieger, letra de Siedah Garrett)
Our Town“, de “Carros” (Randy Newman)
Patience“, de “Dreamgirls – Em Busca de um Sonho” (música de Henry Krieger, letra de Willie Reale)

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Canção 5: “Patience” , de Dreamgirls – Em Busca de um Sonho

Música: Henry Krieger; Letra: Willie Reale; Interpretação: Eddie Murphy, Keith Robinson, Anika Noni Rose

I know you have questions
same ones as me
How long has it been?
How long will it be?
When will come the morning
to drive the night away?
Tell me when will come the morning
of a brighter day?

Patience, Little Sister
Patience, Little Brother
Patience, Patience
Take each other by the hand
Patience, Little Sisters
Patience, Little Brothers
Let us walk together
to the Promised Land

There’s a river to cross
And a mountain to climb
Patience, Patience
It’s gonna take some time
We must walk in Peace
We got to walk in Peace
It’s the only, only way
If we want to see that morning
Of a Brighter Day
Of a Brighter Day

Patience, Little Sister
Patience, Little Brother
Patience, Patience
We’re gonna find a way
Patience, Little Sisters
Patience, Little Brothers
Until that morning of a Brighter Day
Patience, Patience
‘Til that Brighter Day
Patience, Patience
‘Til that Brighter Day

Tradução

Tradução livre: Gustavo Jreige (www.outrosolhos.com.br)

Eu sei que você tem dúvidas
Alguns como eu
Quanto tempo tem sido?
Quanto tempo será?
Quando a manhã virá
Para mandar a noite pra lá?
Diga-me quando virá a manhã
De um dia mais claro?

Paciência, irmãzinha
Paciência, irmãozinho
Paciência, paciência
Peguem nas mãos uns dos outros
Paciência, irmãzinhas
Paciência, irmãozinhos
Vamos andar juntos
Para a Terra Prometida

Tem um rio para atravessar
E uma montanha para escalar
Paciência, paciência
Isso tomará algum tempo
Nós precisamos caminhas em paz
Nós vamos caminhar em paz
Esse é o único, único jeito
Se desejamos ver a manhã
De um Dia Brilhante
De um Dia Brilhante

Paciência, irmãzinha
Paciência, irmãozinho
Paciência, paciência
Nós vamos encontrar um jeito
Paciência, irmãzinhas
Paciência, irmãozinhos
Até aquela manhã de um dia brilhante
Paciência, paciência
Até aquela manhã de um dia brilhante