O filme “Borat – O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América” é daqueles que fazem rir ao explorar, transgredir e até desafiar as fraquezas institucionais e pessoais. Com ótima atuação de Sacha Baron Cohen, o repórter do Cazaquistão que vai filmar um documentário nos Estados Unidos, a comédia brinca com o bizarro e com as diferenças culturais, satirizando o etnocentrismo de nossa sociedade e, principalmente, do “American way of life”. O resultado disso é muito divertido sobretudo àqueles que nasceram na era do politicamente correto e que enfrentaram algum tipo de repressão por se oporem aos princípios do aceitável, seja lá por quem. Não é o meu caso ou de pessoas com idades parecidas com a minha, em que chegar ao limite da agressão verbal com relação aos judeus não faz diferença tão grande do que com qualquer outro grupo étnico ou religioso. Ainda assim, a cultura do repórter gera cenas e situações hilárias, como quando ele afirma que os judeus mataram os dinossauros ou quando morre de medo de baratas, acreditando serem mutações dos seguidores do Judaísmo.
Não espere um humor sutil ou extremamente inteligente, pois não há. Tampouco ache que isso é algum experimento antropológico ou algo do tipo, não chega nem perto disso – nem é essa a intenção mesmo. A graça está no grotesco, na caricatura e, de certo modo, na inocência com que ele lida com os EUA (ou EU e A, como ele diz) e no constrangido jeito com os americanos o encaram.
Tanta ousadia, claro, gera controvérsia – e é aí que está o melhor de toda essa história. O ator encarnava o personagem mesmo fora das telas, trazendo para o mundo real aquilo que desafiava na ficção. Idiotice dos que reagiram, dando mais mídia e suporte para que o filme se transformasse em um sucesso de crítica e bilheteria.
Dessa forma, muito mais interessante do que o filme é o personagem, que faz do aparentemente tosco uma comédia engraçada com um roteiro bem traçado e que, obviamente, não deve ser levado a sério.
Mesmo assim, acho que não leva o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, não é um grande filme.
Nota: 7,5