Música
Letra, tradução e clipe de “Jai Ho”, de “Quem Quer Ser um Milionário?”
Apr 20th
Todas as previsões se confirmaram e o grande vencedor do Oscar 2009 foi o filme “Quem Quer Ser um Milionário?” (“Slumdog Millionaire”), produção inglesa sobre a história verídica de um menino indiano que participa de uma versão do “Show do Milhão” e começa a acertar todas as respostas, apesar de ser analfabeto. Ele está próximo de levar o grande prêmio e deixa todos desconfiados de que trapaceou no jogo – o que o leva à prisão, onde é torturado. Lá, ele conta sua incrível história de vida e de amor.
O filme, que levou oito estatuetas na premiação, marca a aproximação de Hollywood com Bollywood – a indústria cinematográfica indiana – e, como na maioria das produções de lá, conta com um número musical. A música que embala a coreografia dos protagonistas é “Jai Ho”, expressão equivalente a “Vitória!”, que ganhou o Oscar de Melhor Canção Original.
A música, que é cantada em hindi com trechos em espanhol, ganhou uma versão em inglês cantada pelas Pussycat Dolls. Nem precisava: a canção é tão pop que pegaria no mundo todo. Há tempos espero a música estourar e, desde a primeira vez que ouvi, aguardo para dançar uma versão remixada na balada.
Pois bem, o filme liderou a bilheteria brasileira pela segunda semana e a canção deve virar hit logo logo. Tocou até no Faustão no último domingo!
Abaixo, você vê o clipe do filme, a letra original de A. R. Rahman e uma tentativa de tradução (baseada em traduções do hindi para o inglês) que meu amigo Maurício fez especialmente para o blog.
“Jai Ho”
De A. R. Rahman
Jai Ho!
Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Jai Ho!
Ratti ratti sachchi maine jaan gawayi hai
Nach Nach koylon pe raat bitaayi hai
Ankhiyon ki neend maine phoonkon se udaa di
Gin gin taarey maine ungli jalayi hai
Eh Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Baila! Baila!
Ahora conmigo, tu baila para hoy
Por nuestro dia de movidas,
los problemas los que sean
Salud!
Baila! Baila!
Jai Ho!
Chakh le, haan chakh le, yeh raat shehed hai
Chakh le, haan rakh le,
Dil hai, dil aakhri hadd hai
Kaala kaala kaajal tera
Koi kaala jaadu hai na?
Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Jai Ho!
Kab se haan kab se jo lab pe ruki hai
Keh de, keh de, haan keh de
Ab aankh jhuki hai
Aisi aisi roshan aankhein
Roshan dono heerey hain kya?
Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Jai Ho!
Vitória!
Tradução livre: Maurício Guimarães (http://www.outrosolhos.com.br)
Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes
Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes
Viva! Viva!
Pouco a pouco, deixei minha vida passar
Passei noites dançando na brasa
Eu assoprei o sono que estava em meus olhos
Eu contei estrelas até meus dedos queimarem
Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Dance, dance
Agora comigo, você dança agora
Por nosso dia de movimento
E que venham os problemas
Viva!
Dance, dance
Viva, viva, viva, viva
Viva, viva, viva, viva
Desde quando isto está em seus lábios?
Diga, agora diga. Diga.
Está em seus olhos fechados?
Diga.
Seus olhos estão talhados com luz
Eles me disseram tudo isso
Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Letra, tradução e clipe de “Down to Earth”, de “Wall-E”
Feb 21st
Em “Wall-E”, um robô deixado na Terra e se apaixona por uma robô recém-chegada. Essa canção, uma declaração de amor ao planeta, aparece já nos créditos do filme, mas ainda assim conquistou uma indicação ao Oscar de Melhor Canção e, melhor ainda, levou o Grammy 2008 de canção cinematográfica.
Não gosto tanto assim dessa música (prefiro as de “Quem quer ser um Milionário”, “O…Saya” e “Jai Ho” – com uma leve predileção pela segunda), mas há grandes chances da estatueta dourada ir para ela.
Confira a seguir a letra, o clipe e uma tradução que fiz da música.
“Down to Earth”
De Peter Gabriel e Thomas Newman
Did you think that your feet had been bound
By what gravity brings to the ground?
Did you feel you were tricked
By the future you picked?
Well, come on down
All those rules don’t apply
When you’re high in the sky
So, come on down
Come on down
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
Did you think you’d escaped from routine
By changing the script and the scene?
Despite all you made of it
You’re always afraid
Of the change
You’ve got a lot on your chest
Well, you can come as my guest
So come on down
Come on down
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
Like the fish in the ocean
We felt at home in the sea
We learned to live off the good land
Learned to climb up a tree
Then we got up on two legs
But we wanted to fly
When we messed up our homeland
We set sail for the sky
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
We’re coming down
Coming down to Earth
Like babies at birth
Coming down to Earth
We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities
Descendo para a Terra
Tradução livre: Gustavo Jreige (http://www.outrosolhos.com.br)
Você acha que seu pé foi balançado
Pelo que a gravidade traz ao chão?
Você se sentiu enganado
Pelo futuro que você escolheu?
Bem, venha para baixo
Nenhuma dessas regras se aplica
Quando você está no céu
Então, venha para baixo
Venha para baixo
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Você achou que escaparia da rotina
Mundando o roteiro e a cena?
Apesar de tudo que você fez a respeito
Você está sempre com medo
Da mudança
Você tem muito em seu baú
Bem, você pode vir como meu convidado
Então venha para baixo
Venha para baixo
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Como os peixes no oceano
Nos sentimos em casa no mar
Nós aprendemos a viver bem sem a terra
Aprendemos a escalar uma árvore
Então levantamos nas duas pernas
Mas nós queremos voar
Quando nós perdemos nossa terra natal
Nós navegamos ao céu
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós estamos indo para baixo
Descendo para a Terra
Como bebês no nascimento
Descendo para a Terra
Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades
Planeta Terra: Músicas e experiências
Nov 8th
Poucas coisas são capazes de mexer tanto com um ser humano quanto a música. Afinal, músicas sempre vêm acompanhadas de um batalhão de emoções e lembranças, imediatamente reacendidas ao primeiro acorde. Com canções, revivemos várias experiências e geramos outras, novas. Damos trilha sonora à vida.
As músicas são como títulos dos capítulos que vivemos em uma espécie de sumário sonoro de nossas vidas. São a epígrafe de nossas experiências.
Com a sociedade, acontece o mesmo. Músicas inspiraram e embalaram experiências marcantes por todo o planeta:
- “Grândola, Vila Morena”, do cantor português Zeca Afonso, foi o símbolo de uma nova era de liberdade em Portugal na Revolução dos Cravos;
- “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, não ganhou o Festival da Canção de 1968, mas inspirou milhares de brasileiros na luta por liberdade e por mudanças durante a ditadura militar;
- “Do They Know It’s Christmas?”, da Band Aid (resultante da união de músicos britânicos e irlandeses), foi o hino anti-fome que reverberou por todo o mundo no histórico concerto Live Aid, em 1984;
- “We are the world”, do USA for África (grupo de quarenta e cinco artistas norte-americanos) se tornou, no ano seguinte, 85, o grande o hit contra fome, juntando vozes e levantando fundos para a África;
- “Inútil”, do Ultraje a Rigor, deu o tom para a multidão que pedia direito ao voto, em 1984, cantando “a gente não sabemos escolher presidente / a gente não sabemos tomar conta da gente / (…) inútil! / a gente somos inútil!” e consagrando o rock jovem, de protesto, que marcaria a década;
- “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento, acompanhou a comoção nacional causada pela agonia e morte do presidente Tancredo Neves – o primeiro presidente civil eleito em mais de 20 anos -, em 1985;
- “I Need to Wake Up”, de Melissa Etheridge, ganhou o Oscar de Melhor Canção em 2007, por “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre o aquecimento global. O filme e a música ajudaram a abrir os olhos do planeta para um de seus maiores problemas na atualidade.
Pois é, música sempre está ligada a experiência, seja pessoal, seja global. É muito mais do que a junção de letra e melodia: é união de estados de espírito. Ouvir música é capaz de nos fazer mudar, de nos fazer buscarmos algo melhor. Afinal, só de buscarmos música já fazemos algo de bom para nós mesmos, não?
Por isso, estou indo agora – a convite dos organizadores – para o Planeta Terra Festival, do qual sou embaixador. O tema dessa edição é exatamente esse: “Um festival. Várias experiências”.
Ele, ainda que não represente nenhuma mudança do mundo, é o festival brasileiro mais antenado com uma grande mudança global: os novos caminhos da música – tanto que, no ano passado, dei um duro danado para cobrir o evento para uma matéria com esse tema, e não consegui. Pelos seus palcos passarão artistas como Kaiser Chiefs, Bloc Party, Vanguart e Mallu Magalhães, que encontraram na web uma forma de potencializarem seus sucessos.
Offspring, Jesus and Mary Chain, Spoon, Foals, Brothers of Brazil, The Breeders, DJ Mau Mau, Sébastien Léger, Mylo e Felix da Housecat, Animal Collective e Curumin completam o line-up deste que promete ser o melhor festival do ano.
Será? Eu vou lá descobrir, mas, se você não tiver ingresso, não se preocupe: o Planeta Terra terá uma transmissão online bem bacana, ao vivo e com apresentação de Sabrina Parlatore, Bárbara Thomaz, Kid Vinil e Daniel Daibem. Começa às 16h e termina lá para as 3h.
Está pronto para essa experiência?
Especial “O Teatro Mágico”: O show do “Segundo Ato” e o download das músicas
Aug 25th
Veja a primeira parte desse especial clicando aqui.
O Teatro Mágico é um espetáculo, um junção de música, poesia, teatro, circo… Com o objetivo de ser um “sarau amplificado”, ele une suas canções e textos a figurinos, cenários, coreografias, acrobacias, palhaçadas. Quando junta tudo numa coisa só, ganha força e mostra porque consegue atrair tanta gente: é no palco que esse teatro mágico de fato acontece.
Já vi vários shows da trupe, peguei várias filas intermináveis e já até fiquei de fora, após mais de 6 horas aguardando por um ingresso (pois é, mas isso quando ainda não tinha visto nenhum show e queria ver mais do que tudo na vida). Fui nas duas Viradas Culturais, ano passado e nesse, ficando no meio das multidões de 40 e 30 mil pessoas, respectivamente, que saíram com o pé detonado após tanto pular e receber pisões.
Fui a tantos shows do “Entrada para Raros” que, em certo momento, ninguém mais queria me acompanhar. De tanto repetir as mesmas músicas e piadas, o TM foi cansando a platéia menos fanática. Consciente disso, tomou uma importante – e acertada – decisão: nesse novo “Segundo ato”, não cantaria nenhum de seus maiores hits, do disco anterior.

A convite do grupo, assisti à estréia da turnê, no Memorial da América Latina, em São Paulo, há cerca de dois meses. De fato, não tinha as canções mais famosas do “Entrada para Raros” – o grupo chegou a brincar, tocando a introdução de algumas delas -, mas elas não fizeram tanta falta assim (na verdade, só me lembro de tocar uma nova versão de “Uma parte que não tinha“, do primeiro álbum).
Quase todas músicas desse novo álbum já eram tocadas na turnê antiga, o que gerou uma transição menos doída, sem tanto estranhamento. Essas canções – como “Pena”, “O Mérito e o Monstro” e “Cidadão de Papelão” -, ganharam novos arranjos e toda uma composição de palco – viraram “números musicais”, como diria algum apresentador brega da TV.
E foi um show de palco – totalmente registrado pelos fãs e disponível no Youtube. A platéia delirou com as representações ainda mais teatrais das músicas – que também ganharam um toque mais rock’n’roll, que empolgou. A energia e o romantismo que fizeram o grupo se destacar nos últimos anos continuavam novamente ali, revigorados.
Novas acrobacias e coreografias ajudaram a renovar o espetáculo visual. Os figurinos estavam muito, muito mais luxuosos e belos, um grande e necessário avanço a essa trupe cada vez menos mambembe.
Ao contrário do CD, no show tudo funciona. A presença de palco do grupo garante isso quando a música não o faz – e são poucas vezes.
Naturalmente, as canções novas ainda não animaram tanto assim, nem tinham força, em sua primeira apresentação “oficial” (com a versão que foram gravadas no disco), para substituir “Realejo”, “Ana e o Mar”, “O anjo mais velho”, “A pedra mais alta”, “Zaluzejo” e companhia, mas também não deixaram o público se desanimar.
Nos próximos shows, certamente já serão grandes hits – especialmente “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” (que no show ganha uma hilária introdução), “Reticências” e “Abaçaiado” .
O show continua imperdível e há grandes chances de levar novamente o prêmio do Guia da Folha de melhor show do ano – feito conquistado no ano passado. Eu votaria.
Além disso, a lojinha do TM continua lá (com novas camisetas!), ainda tem uma música em que todos sentam e, é claro, a trupe continua descendo para conversar com o público após o show.
Se interessou? Em São Paulo, o próximo show do Teatro Mágico será nos dias 04 e 05 de outubro, no mesmo Memorial da América Latina – boa locação, com palco vazado e espaço para todo mundo sentar e também dançar, sem aperto. Estarei lá!

O Teatro Mágico – Download de Músicas
Sempre admirei o grupo pela forma inteligente que utiliza a internet e consegue mobilizar os fãs. É um dos primeiros e maiores sucessos musicais provenientes da web no Brasil. Duvida?
O CD “Segundo Ato” foi disponibilizado integralmente no Trama Virtual. E adivinha? 60% de todas as músicas baixadas nos meses de junho e julho no site eram da trupe.
Até agora, mais de 550 mil downloads foram feitos no site, um recorde. Para efeito de comparação, no ano passado o mês que mais teve downloads no Trama Virtual, agosto, contou com “apenas” 170 mil downloads no total.
Visitei várias vezes o TOP 100 do site, e por muito tempo, todas as músicas do Teatro Mágico (37 no total, com as canções do primeiro e do novo disco) estavam entre as 40 mais ouvidas – todas do TOP 20 eram deles. Todas continuam entre as 65 mais ouvidas e 11 músicas do TOP 20 são deles.
O que é curioso é que algumas das músicas mais acessadas da trupe no site Letras, um dos mais populares de seu gênero, não costumam tocar nos shows, não estão em nenhum CD – e, conseqüentemente, também não no Trama Virtual. É o caso de “Cuida de Mim”, que ocupa o terceiro lugar, “Eu não sei na verdade quem eu sou”, na quinta posição, “Sobra tanta falta” (8ª) e “Perto de Você” (9ª). Sinal de que continua havendo um grande número de downloads das músicas em outros sites – tem até uma comunidade só para isso no Orkut, com mais de 8 mil membros.
Essas músicas não são necessariamente do Teatro Mágico como um grupo, mas gravações de Fernando Anitelli e de outros membros da trupe, a maioria apenas com voz e violão. Você pode encontrar essas e outras músicas clicando aqui.
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No próximo domingo, na última parte do Especial “O Teatro Mágico”, você confere uma super galeria de fotos desse show e também um vídeo exclusivo e em primeira mão do novo DVD do grupo!
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Claro, não posso deixar de falar das dezenas de comentários no post anterior, criticando minha crítica e até me ofendendo. A todos que usaram argumentos e que foram racionais, agradeço. Aos que xingaram apenas por eu não ter falado 100% bem do CD, peço reflexão: uma das propostas do Teatro Mágico é ser crítico com tudo, inclusive com ele mesmo. É não aceitar por aceitar, ou, como diz a música “não acomodar com o que incomoda”. Ser alienado com o próprio trabalho d’O Teatro Mágico é negar, contradizer e desperdiçar tudo que o Fernando e a trupe pregam. Esse tipo de fanatismo me parece exatamente incompreensão. Pensem nisso.
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Tem sugestão de banda para o Estúdio OutrOs OlhOs? Mande para blog[arroba]outrosolhos.com.br.
Especial “O Teatro Mágico”: As músicas do CD “Segundo Ato” e os novos caminhos da trupe
Aug 10th
O Teatro Mágico mudou. Em seu “Segundo Ato”, como bem disse um integrante do grupo, há menos bolas de sabão – que, segundo ele, já ardiam os olhos. A idéia era fazer um CD mais politizado, menos colorido, saindo do “Mundo Mágico de Oz… Osasco” (a piada fraca e batida, repetida em todos os shows, que brinca com a cidade de origem do grupo) e chegando a São Paulo, onde agora fica o escritório da trupe. Pois bem, a convite d’O Teatro Mágico, fui à estréia do novo show, recebi prévia do CD e depois o CD pronto, além de um preview do DVD. Vi e ouvi tudo e posso afirmar: o grupo é outro – e isso não é necessariamente bom.
Vamos por partes – e são várias. Se você é fã do Teatro Mágico, como eu sou há um bom tempo, vai adorar essa série especial de posts sobre o grupo, que será publicada agora e nos próximos dois domingos.
Nessa primeira parte, você verá a crítica do novo CD “Segundo Ato”. No segundo post do especial, no ar no próximo domingo, trarei dados surpreendentes sobre o grupo, minhas impressões sobre o novo show e fotos da apresentação e dos bastidores. No terceiro e último post, dia 24, você verá um vídeo exclusivo com a prévia do DVD, em primeira mão! Vamos começar? Estréia, então, o Estúdio OutrOs OlhOs!
CD – O TEATRO MÁGICO: SEGUNDO ATO
As maiores críticas ao primeiro álbum, “Entrada para Raros”, eram nesse sentido: a pretensão do grupo de ser diferente e mudar tudo era maior do que a qualidade de suas letras e músicas.
Em contrapartida, os sons “coloridos” e um tanto quanto apaixonados da banda, resgatando um universo inocente, em que o amor prevalece e o mundo é perfeito, conquistavam milhares de “raros” (como os fãs da trupe são chamados), especialmente universitários, encantados com aqueles palhaços felizes em pedras mais altas, com papéis de realejo trazendo sorte, com camaradas d’água vivendo à sua maneira, com lembranças do anjo mais velho que duravam até a ultima respiração, com opostos se distraindo e dispostos se atraindo.
Agora, o teatro está menos mágico, os tons coloridos foram substituídos por cinza, os trocadilhos infelizes continuam e as críticas sociais são rasas e ainda mais pretensiosas. O disco não é ruim, mas também não empolga. Como há uma dose bem menor de romantismo, que tanto apetece a platéia da trupe, pode decepcionar. Mas, por esse mesmo motivo, pode trazer novos ouvintes.
“Amadurecência”, uma poesia dispensável que marca a passagem entre as fases do grupo, abre o álbum. Não poderia deixar de registrar que a frase “com outros olhos” é repetida várias vezes. Agradeço o merchan.
Na seqüência, músicas já conhecidas pelo público, em novas versões. Detestei quase todas da primeira vez que ouvi, por ter lembrança delas sendo tocadas ao vivo ou em MP3 acústicas que rolaram na web, mas agora gosto bem mais.
Na ordem: “O Mérito e o Monstro” – mais rock’n’roll, um belo acerto -, “Cidadão de Papelão” – música pensada para esse álbum e uma das minhas favoritas, que já tocava nos últimos shows da primeira turnê – e “Pena” – música já batida, em versão pouco inspirada, com efeitos desnecessários, não conseguindo trazer nem um pouco da força que a canção tem ao vivo.
Também conhecidas do público, “Sonho de uma flauta” – já disponibilizada pelos fãs em acústico, agora com arranjos melhores, mais emocionante e com uma alteração boba na letra, quando diz “sei que toda mãe é santa, sei que a incerteza traz inspiração”, ao invés de “(…) toda mãe é santa, mas a incerteza (…)”, mas que poderia ficar melhor se conseguisse dar a sensação de um sonho, lúdico, coisa que não chega nem perto – e “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” – samba gostoso, com boa letra, divertida e bem-humorada, talvez a melhor canção do álbum.
Das novas, gosto muito de “Xanéu Nº5” – crítica à televisão, com participação de Zeca Baleiro (sim, o encontro perfeito, dirão tanto os que odeiam quanto os que adoram!) -, de “Abaçaiado” – música bem gostosa, que tem traços de “Camarada d’Água” e de “Zaluzejo” e traz um tom nordestino ao disco, com a participação do Silvério Pessoa – e “Reticências…” – que traz mais elementos circenses à música e tem uma surpresa escondida ao seu final.
Fiquei indiferente às outras músicas, como “Sina Nossa” e “Criado Mudo”, bem dispensáveis ao meu ver.
Não gosto tanto das vinhetas desse álbum quanto gostei das do anterior. As que se destacam são “#@$!@” e “Alguma Coisa”, especialmente a primeira – que consegue, no álbum, ter a energia que tem no palco.
A produção do disco está infinitamente melhor. O CD, independente, é vendido em duas versões: só o CD, sem arte, por R$5,00, e com encarte, por R$10. A capa do disco e o encarte são bem bonitos – assim como o novo figurino e cenário, possuem elementos de Sandman, quadrinhos de Neil Gaiman, e das obras de Salvador Dalí -, como você pode ver acima. Também dá para baixar tudo de graça, na Trama Virtual – onde o primeiro CD também está disponível. Boa, TM!
***
Com esse post e com os outros dois da série, quebro uma promessa pessoal. A antiga assessoria de imprensa do grupo cometeu tantos deslizes comigo quando tentei fazer uma matéria com eles para um programa de TV que prometi nunca dar espaço algum ao Teatro Mágico. Felizmente, até isso mudou e dei uma segunda chance. Não me arrependi nem um pouco.
E, como você já notou, essa é a estréia do “Estúdio OutrOs OlhOs”, coluna que sempre dará espaço para artistas independentes que eu gostar. Já dava esse espaço no Podcast, mas como costumo demorar séculos entre um podcast e outro, agora vira coluna no blog também. Espero que você goste das minhas indicações musicais e que também sugira nomes, no blog(arroba)outrosolhos.com.br.
***
Letra e tradução da música “Falling Slowly”, de “Once”
Feb 27th
“Falling Slowly”, tema do filme irlandês “Once”, venceu o Oscar 2008 de Melhor Canção Original. A seguir, você confere a letra e a tradução dessa romântica música, composta e interpretada por Markéta Irglová e Glen Hansard – que também protagonizam a película. A canção é marcante e mostra como é possível se apaixonar aos poucos, lentamente, sem nem se dar conta disso – combinando bastante com a história de “Once”. Para ouvir de coração aberto.
Letra
Música, Letra e Interpretação: Markéta Irglová e Glen Hansard
I don’t know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can’t react
And games that never amount
To more than they’re meant
Will play themselves out
Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You’ve made it now
Falling slowly, eyes that know me
And I can’t go back
Moods that take me and erase me
And I’m painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It’s time that you won
Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You’ve made it now
Falling slowly sing your melody
I’ll sing along
Tradução
Tradução livre: Claudia Fusco, Gabriela Brasileiro e Gustavo Jreige – www.outrosolhos.com.br
Eu não te conheço
Mas te quero
Ainda mais por causa disso
As palavras caem de mim
E sempre me enganam
E eu não consigo reagir
E jogos que não são
Mais do que parecem
Irão se desgastar sozinhos
Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você tem uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando aos poucos, olhos que me conhecem
E eu não posso voltar atrás
Humores que me tomam e me anulam
E eu estou deprimido
Você já sofreu o bastante
E brigou consigo mesma
É hora de você vencer
Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você teve uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando lentamente, cante sua melodia
Eu cantarei junto
Cordel do Fogo Encantado na abertura do Pan + Anima Mundi 2007
Jul 14th
Aconteceu ontem, no Rio, a abertura dos Jogos Pan-americanos do Brasil, em uma cerimônia belíssima e memorável – principalmente para Lula, amplamente vaiado e ainda limado do anúncio de abertura oficial do evento.
O Brasil deu show, com uma cerimônia bastante brasileira, lembrando o que de melhor há em nossa música e cultura. Foi tudo muito bom, mas o melhor, para mim, foi a parte chamada de “Energia do Homem”, em que os sonhos e pesadelos foram representados.
Primeiro pela apresentação de Adriana Calcanhotto, ou Adriana Partimpim, parecendo criança, em uma cadeira gigantesca – efeito esperto e muito eficiente. Além da bela e lenta canção de ninar, a luz e a coreografia dos bailarinos e bonecos foram perfeitas, brincando com sombras e movimentos, dando o clima perfeito de sonho, totalmente em azul.
Aí veio o inverso: o pesadelo, vermelho, agitado, com o ritmo infernal do Cordel do Fogo Encantado (aka “uma das minhas bandas preferidas”), tocando sua música “Foguete de Reis”.
Você, caro leitor, não tem idéia da minha reação: eu tomei um susto tão grande que, misturado com a felicidade de vê-los em um momento tão importante, quase me fez ter um troço. Meu coração acelerou e imediatamente não consegui ver mais nada da apresentação, só curtir.
Só agora, com o YouTube, eu pude ver com mais calma: foi realmente espetacular. Primeiro porque a música foi tocada na íntegra – e, pelo que percebi, eles foram os únicos artistas a tocarem uma canção própria. Segundo que a iluminação e as alegorias traduziram perfeitamente a essência da música e do grupo, a elaboração visual foi perfeita. Terceiro que os bailarinos e o movimento cênico foram perfeitos, e até os fogos de artifício – belíssimos por sinal – estavam coreografados com a música.
Para quem é fã que nem eu, foi um momento de êxtase. Para quem não conhecia – 99,8% dos que viram – foi um momento muito bonito e emocionante. Todos felizes (menos o Inagaki, que não gosta da banda!
) , pois.
***
Feliz vai ficar Ivan Mola, um talentosíssimo animador brasileiro, que concorre com dois vídeos no Anima Mundi Web, se receber o seu voto. Uma das animações é justamente um clipe que ele fez para “Morte e Vida Stanley”, música do Cordel do Fogo Encantado. Seu outro vídeo concorrente é a animação que ele fez para a canção “Paquetá”, dos Los Hermanos. Ambas belíssimas.
Eu conheci o trabalho do Ivan quando vi uma animação para “O Amor é Filme”, também do Cordel, que é tema do filme “Lisbela e o Prisioneiro”. Ele tem ainda vídeo para “Cotidiano”, do [bp]Chico Buarque[/bp] interpretada pelo Arnaldo Antunes, “Codinome Beija-Flor”, do [bp]Barão Vermelho[/bp], “Leia o Livro”, do [bp]Tim Maia[/bp], e “Dois Barcos” e “A Flor”, também dos Los Hermanos.
Vale a pena ver tudo, é muito bom! O site dele está aqui.
****
E já está rolando a edição paulista do Anima Mundi, o 15º Festival Internacional de Animação do Brasil, no Memorial da América Latina. Dá uma olhada no site e vê se dá uma passada lá no evento. Termina amanhã. Eu vou hoje.
[bl]DVD MTV Apresenta Cordel do Fogo Encantado, CDs do Cordel do Fogo Encantado, CDs da Adriana Calcanhoto, DVDs da Adriana Calcanhoto, Adriana Partimpim[/bl]
Live Earth e a necessidade de conscientização
Jul 7th
Vivemos um momento de extremo buzz sobre o aquecimento global. Pudera, estamos há tempos em níveis críticos e não tem mais como esperar para mudar o modo como cuidamos do planeta. Como cantou Melissa Etheridge, “I need to wake up”!
Eu, o mundo.
E estamos acordando aos poucos, desde que Al Gore fez seu discurso ser ainda mais ouvido com o lançamento do documentário “Uma Verdade Inconveniente”, vencedor do Oscar 2007 da categoria (além de “Melhor Canção”). Ele dá palestras pelo mundo e, além do filme, escreveu um livro homônimo (na verdade, foi o livro que originou o filme) tratando da crise climática e dos destratos com nosso planeta. Ele gritou tão alto que conseguiu estabelecer a busca global por uma era verde, e o mundo só tem a ganhar com isso.
Foi Al Gore o criador e maior entusiasta do Live Earth, evento que está acontecendo durante todo o dia de hoje em oitos países, nos sete continentes. Mais de 100 grandes nomes da música estão nessa maratona musical a favor do planeta, que durará 24 horas. Começou na Austrália e terminará aqui no Brasil – o único país do mundo em que o show será gratuito, e o que tem maior público esperado, 600 mil pessoas.
Entre os artistas pelo globo estão [BP]Jack Johnson[/bp] (em Sydney), [bp]Linkin Park[/bp] (em Tóquio), [bp]Shakira[/bp] e [bp]Snoop Dogg[/bp] (em Hamburgo), [bp]Red Hot Chili Peppers[/bp], Terra Naomi (famosa graças a web), [bp]Snow Patrol[/bp], [bp]Duran Duran[/bp], [bp]Keane[/bp], [bp]Metallica[/bp], [bp]Foo Fighters[/bp], [bp]Madonna[/bp] e [bp]Black Eyed Pies[/bp] (em Londres, que, como você pode perceber, tem o melhor time de todos), [bp]Kelly Clarkson[/bp], [bp]The Police[/bp], [bp]Alicia Keys[/bp], [bp]Kanye West[/bp], [bp]Roger Waters[/bp], [bp]Bon Jovi[/bp] e [bp]Melissa Etheridge[/bp] (em Nova York) e [bp]Vanessa da Matta[/bp], [bp]O Rappa[/bp], [bp]Jorge Ben Jor[/bp], [bp]Jota Quest[/bp], [bp]Marcelo D2[/bp], [bp]Xuxa[/bp] (!!!), [bp]Macy Gray[/bp], [bp]Pharrell Williams[/bp] e [bp]Lenny Kravitz[/bp] (no Rio de Janeiro), além de atrações regionais nas demais cidades.
O modo como os shows estão sendo realizados é bem interessante, já que utilizam a mais moderna tecnologia em termos de eficiência energética e preservação da natureza. O objetivo do mega-evento é atingir, através dos meios de comunicação (e aqui entram todas as plataformas de mídia, como rádio, internet – com e sem fio – e televisão), cerca de dois bilhões de pessoas, conscientizando-as.
Podemos assistir via internet pelo MSN, ou aguardar o especial que a Rede Globo exibirá nesse domingo, após o “Sob Nova Direção”. No Brasil, a transmissão 24 horas ao vivo na TV está sendo realizada pelo canal pago Multishow e está indo bem – até porque só retransmite e traduz simultaneamente o que é gerado pelas emissoras dos demais países. Até agora tudo que veio daqui, entrevistas e entradas ao vivo dos repórteres, foram péssimas. Vamos ver daqui a pouco, quando estiverem gerando a transmissão direto da Praia de Ipanema…
O mais interessante da exibição televisiva é que, entre os shows pelo mundo, são exibidos trechos de curtas-metragens e vídeos ecologicamente corretos, alertando para os problemas e mostrando o panorama mundial. Um dos filmes é sobre o Brasil e alerta para a importância do nosso país na luta verde, falando da Amazônia e do desmatamento (ressaltando, entretanto, que milhares de pessoas dependem disso para viver e que morreriam de fome caso acabasse), mostrando imagens quase cinematográficas, que normalmente associaríamos a algum desses países que julgamos mais pobres que o nosso. Mas é daqui, da Amazônia.
A mesma que o cantor Will I.Am, vocalista do Black Eyed Pies, exaltou na apresentação do grupo na Inglaterra. Abraçado a uma bandeira de nosso país, ele disse que quando pensa em preservação da Terra, pensa no Brasil, de onde vem 20% do oxigênio mundial. A câmera londrina focalizou, então, brasileiros na platéia e completou o momento verde e amarelo.
O melhor de tudo do evento é que os artistas, embora até façam apelos e passem mensagens, não estão tentando educar ninguém. Mesmo na exibição da TV são poucos os depoimentos, os discursos. As informações estão sendo passadas de uma forma muito mais eficientes: através de mensagens no rodapé da tela e de curtas-metragens que, por si só, já dão uma aula divertida e emocionante.
Pena que o Multishow resolveu estragar. Agora, com a proximidade do início do show brasileiro, eles começam a cortar a transmissão internacional para exibir flashes com os repórteres do canal dando dicas e realizando entrevistas com celebridades brasileiras. Totalmente desnecessário e inoportuno. Chega a irritar.
Em um desses curtas, foram elencadas cinco maneiras de um cidadão comum fazer uso responsável da energia elétrica. Dicas básicas, como tirar os eletrônicos da tomada, usar lâmpadas fluorescentes e apagar a luz quando ela não for necessária, entre outras. É interessante que aqui no Brasil a gente meio que já segue isso.
Desde o apagão da energia, em 1999, o país adotou alguns desses hábitos para economizar e não ultrapassar os limites estabelecidos por nosso governo. Como ninguém quer gastar dinheiro, isso, felizmente, se mantém até hoje. Pois é, nesse caso, a irresponsabilidade dos governantes e a pobreza da população fizeram o país se adaptar a costumes que, agora, todos descobrem serem os corretos.
Lembro-me da música “Semente do Amanhã”, de 1996, cantada pela Angélica. Eu era criança, tinha lá meus 8 anos, mas já sabia da importância dos pequenos atos para mudar o todo. Não acho, sinceramente, que eu seja exceção. A ignorância, para os que tiveram as mesmas oportunidades que eu na vida, está mais ligada à preguiça do que à dificuldade de acesso.
Para minha geração – ou pelo menos para os de mesmo nível sócio-cultural que eu – todas essas informações sobre o meio ambiente são até velhas, já que estudamos tudo isso na escola e, de uma forma ou de outra, prevíamos que o planeta estaria em risco. Agora vemos a teoria virar realidade e nossas famílias tomarem conhecimento, assustadas, do triste panorama da crise climática. A minha geração deveria ser a primeira a mudar de atitude e partir para um recomeço, para a construção de um modelo de administração sustentável da vida e do planeta. Só precisamos de um empurrão.
Acredito que o Live Earth tem um papel importante nessa luta pela preservação da vida na Terra, já que leva a temática para as famílias e nos faz refletir, plantando sementes em nossa sociedade. Que 07/07/07 fique marcado como o dia em que o mundo mudou sua história.
“Um dia, 150 artistas, 9 cidades, 7 continentes, uma mensagem. Atenda ao chamado.”
SOS
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[BL]Livro “Uma Verdade Inconveniente”, DVD “Uma Verdade Inconveniente”[/bl]
Qualidade sem selo: A hora dos independentes
May 10th
Bandas alternativas vivem ótimo momento, ganhando espaço na mídia e aproveitando a internet para atingir o público mesmo sem o apoio das grandes gravadoras.
“Você pode comprar nosso CD por cinco reais. Mas se você não tiver dinheiro, pode piratear!”, dizia Fernando Anitelli, comandante da trupe “O Teatro Mágico”, durante show para 3500 pessoas, seu maior público, na Academia Brasileira de Circo, em São Paulo. Na saída, o pai do vocalista vendia os CDs em uma barraquinha. Em três anos de existência, o grupo já vendeu mais de 40 mil discos, todos dessa forma, e se tornou conhecido graças a divulgação dos fãs. Não são os únicos: isso vem acontecendo com cada vez com mais freqüência e já traz novas cores para a cena musical contemporânea.
[BP]Calypso[/bp], [bp]Snow Patrol[/bp], [bp]Cachorro Grande[/bp], [bp]Cordel do Fogo Encantado[/bp], [bp]Cansei de Ser Sexy[/bp], [bp]Gossip[/bp], [bp]Mombojó[/bp], [bp]MC Serginho[/bp]. Sonoridades distintas, passados semelhantes. Nascidas pequenas, essas bandas fizeram sucesso e chamaram a atenção da mídia sem contar com a força de uma grande gravadora e de seus marqueteiros. O grupo do Pará se tornou fenômeno com seu tecnobrega graças aos CDs vendidos a preços populares em bancas de camelô. O pop rock do Cansei de Ser Sexy, que hoje faz sucesso mundo afora, ganhou destaque com o fotolog da vocalista e com músicas quase amadoras disponibilizadas no site Trama Virtual, celeiro artistas independentes na internet brasileira.
“A grande oferta de bandas é superpositiva, e o Trama Virtual é um passo sensacional nesse sentido”, acredita Tatá Aeroplano, músico dos grupos Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro. Suas bandas também utilizam a internet como meio de divulgação, possuindo, além de sites próprios e de uma página no Trama Virtual, perfis nos sites de relacionamento MySpace e Orkut. “Eu sou daquele tipo de pessoa que fica a noite inteira no SoulSeek [programa de compartilhamento de áudio] atrás de músicas, conversando com pessoas sobre isso. É meu esporte favorito”, brinca Francisco Ramos, programador de softwares e músico amador. Assim como ele, o jornalista Alexandre Inagaki utiliza as ferramentas virtuais para descobrir novas bandas. “Hoje em dia, com o surgimento de sites como Last.FM e Pandora que, teoricamente, ajudam você a encontrar novos sons que você possivelmente apreciará, de acordo com as músicas que você costuma ouvir por aí, a tarefa de garimpar bandas bacanas em meio ao dilúvio de informações é bastante facilitada, embora a grande ferramenta para a descoberta de bons músicos ainda seja o bom e velho boca-a-boca, devidamente modernizado através de bate-papos no Soulseek ou troca de scraps no Orkut”, diz ele, que mantém o blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. “Sempre convivi com bandas alternativas. Acompanho desde os anos 90, quando a internet nem existia e a divulgação era feita por fitas cassetes, trocas de zines, shows organizados por casas locais e coisas assim”, relembra Francisco.
“O povo cansou de ouvir sempre os mesmos artistas tocando sempre as mesmas coisas. Pode não ser um sucesso mundial, mas com certeza as novas propostas musicais terão seu espaço definido no mercado”, acredita Billy Umbella, mais conhecido como Maestro Billy, DJ do programa global “Caldeirão do Huck”. Produtor musical com mais de 15 anos de atuação e passagens por grandes veículos, ele não gosta do que ouve atualmente nas rádios. “Há exceção, mas, no geral, as músicas atuais estão todas iguais, sem nenhuma novidade que valha a pena ser ouvida”, reclama. Segundo ele, as mídias convencionais vão se abrindo, aos poucos, para o novo.
“Estamos passamos por uma fase muito rica na cena alternativa brasileira, com dezenas de bandas muito boas e um público novo, que está se formando através da exposição pelos meios de comunicação”, diz Tatá, que já apareceu em diversos programas de TV, como o “Fantástico”.
“Quase todas as bandas que eu gosto não passam nas rádios ou nas TVs, mas também não deixo de assistir ou ouvir. Já conheci coisas legais na MTV e nas rádios”, conta Francisco, que possui um podcast musical. “A internet certamente tem poder o suficiente para fazer com que bandas não dependam mais de mídia tradicional para conquistarem públicos consideráveis, vide exemplos tupiniquins como Fresno, Dance of Days ou Terminal Guadalupe. E isso pra não falar de exemplos no exterior como Arctic Monkeys, Ok Go e Lily Allen, que estouraram graças à força de sites como YouTube e MySpace”, explica Inagaki. “Com a internet, não adianta tentar impor um estilo ou uma banda, cabe ao ouvinte saber o que é legal”, julga Billy, que diz tocar tudo que considera bom em seus podcasts, com destaque para o que faz para a marca Heineken, onde somente sons alternativos são veiculados. Na TV, entretanto, a liberdade não é tão grande assim. “Eu toco no ‘Caldeirão’ o que é sucesso. Eu, o Luciano [Huck, apresentador], o My Boy [sonoplasta], o diretor e o produtor musical conversamos e escolhemos o que o povo gosta.”
Para eles, as gravadoras não são vilãs da cultura brasileira. “Acho que as grandes gravadoras, quando bem administradas, podem até ajudar a cultura pop. Isso aconteceu até o início dos noventa, depois elas não acompanharam as mudanças, perderam o fio da meada”, reflete Tatá, que teve seus CDs lançados por selos independentes. Billy concorda: “Não vejo as grandes como inimigas, mas sim como um braço da música que defende seus interesses e seus produtos.”
Esse mercado, entretanto, parece cada vez mais interessado em aumentar e diversificar seu número de produtos. Nos Estados Unidos, programas populares como o “Late Show”, apresentado por David Letterman, tem dado espaço a bandas iniciantes, que rapidamente se tornam sucesso. Panorama parecido é o das séries norte-americanas. O grupo britânico Snow Patrol estorou naquele país em 2006, quando tocou em diversos seriados, entre eles “Grey’s Anatomy”, uma das maiores audiências americanas. Mesmo na TV brasileira isso já vem acontecendo: o site Trama Virtual virou programa no canal pago “Multishow”; a MTV lançou o projeto “MTV apresenta”, exibindo e transformando em DVD shows de artistas alternativos e tem ainda em sua grade o programa “Banda Antes”, com grupos em começo de carreira.
O grande motor dessa nova “indústria” é o público. “Ser apresentado para uma banda nova e realmente boa é equivalente a receber um presente. Por isso gosto de indicar a amigos”, conta Francisco. “Se você encontra um som legal que ninguém mais conhece, você quer divulgar e, no boca-a-boca, a coisa toma proporções gigantescas”, explica Billy.
O diferente parece cada vez mais interessante ao público, consolidando a cultura indie. “Com certeza há um espaço imenso para uma música que não seja comercial, nós temos conquistado um espaço muito significativo com o nosso som”, comemora Tatá, que utiliza elementos inusitados e divertidos em suas músicas. Francisco diz freqüentar diversos shows de bandas alternativas e que todas eles possuem uma característica em comum: “a quase inexistência de diferença entre o artista e o espectador. É algo mais humano, sem o ‘endeusamento’ peculiar das estrelas.”
Sinal dos tempos. Hoje, até mesmo a música entrou na era colaborativa e o underground caiu de vez no gosto do mainstream.
[BL]MP3 Players[/BL]
Virada Cultural: O que a fumaça não pode encobrir
May 7th
“PM e fãs dos Racionais se enfrentam na praça da Sé”, noticia a Folha de hoje, que traz uma grande foto de capa com policiais atirando. O Fantástico fez uma edição especial do “Profissão: Repórter”, já que Caco Barcellos estava na Praça da Sé no momento da confusão. O Estadão também destaca em sua capa: “Conflito na Virada Cultural fere 6″. O conflito foi o grande destaque dessa terceira edição da Virada na imprensa, mas nem a fumaça das bombas de gás lacrimogêneo e dos tiros de borracha da PM podem encobrir o que de bom houve no evento. E não foi pouco.
Cheguei no Anhangabaú por volta das 20h40 para assistir ao show d’O Teatro Mágico (que, como você já sabe, eu adoro). O metrô estava lotado, e todo mundo desceu na mesma estação que eu.
Mesmo longe da Av. São João, perto de onde o show acontecia (começou às 20h), o número de pessoas impressionava. De perto – e eu tentei chegar perto do palco – assustava: uma multidão ocupava uma grande parte da rua, era muita gente mesmo. E o melhor: boa parte das pessoas cantando junto com o Teatro. A Folha diz que foram 20 mil pessoas. Não sei, tinha muita gente – certamente foi o maior público da história do grupo -, mas… Bem, a Folha disse que começou às 20h30, sendo que começou às 20h… Não dá pra confiar nos números, tudo parece estar inflado, até porque é muito difícil contabilizar o público, que se movia entre os palcos.
Depois do show do Teatro, fui para a fila do Theatro Municipal para assistir ao show do João Bosco. Tudo bem, sem nenhum problema. O clima era bom, sem nenhum transtorno. Além disso, trupes vestidas como clowns brincavam de sombra e recitavam poemas (como um grupo com camiseta do Teatro Mágico, que eu fiz questão de seguir, que recitava “Pai, me ensina a ser palhaço”, como o [BP]Cordel do Fogo Encantado[/BP] inicia a música “Palhaço do Circo Sem Futuro” nos shows e no DVD). [BP]João Bosco[/BP] no Municipal foi ótimo, claro. Não tinha como não ser.
De lá voltei ao Boulevard São João para o show do [BP]Ed Motta[/BP], que também aconteceu sem maiores problemas, apesar do empurra-empurra. No meio do show, eu e meus amigos resolvemos comer em alguma lanchonete, mas não havia nada decente aberto. Andamos por todo o centro histórico, pelo Largo São Francisco, até perto da Praça da Sé.
Não tivemos coragem sequer de ir ao show do [BP]Nação Zumbi[/BP], que precederia o dos [BP]Racionais MC’s[/BP], porque tínhamos certeza de que a apresentação da banda de rap daria problemas. Mesmo estando muito perto da Praça da Sé, não quisemos passar por ela à procura de alguma lanchonete. O ambiente era terrível, cheio de pessoas estranhas (o preconceito só parece preconceito quando estamos longe da realidade), gente bêbada e mendigos.
De verdade, era totalmente previsível a confusão. Teoricamente, é fantástico haver apresentações de bandas com apelo nas camadas mais populares, contrapondo à programação do resto da Virada que, bem ou mal, agrada mais o público mais elitizado.
O problema é que, na prática, costuma dar confusão. Pode ser uma visão preconceituosa – eu não nego -, mas foi corroborada pelo acontecido.
Um colega meu que estava no show só viu a confusão, e duvidou que o público tivesse alguma culpa. Para ele, foi a polícia que quis se vingar das letras que a criticavam. Duvido muito, até pela relação publicada de lugares e bens destruídos. Às vezes nossa boa vontade faz com que não queiramos acreditar na realidade.
Pelo que me falaram, a tropa de choque não agiu apenas na Praça da Sé, como a mídia disse. Querendo evitar possíveis confusões nos outros palcos do centro, ela jogou bombas em todos os lugares, a fim de dispersar o público. Deu certo, e lá pelas 6h30 da manhã somente um show agitava o centro, com um cover dos Beatles. Os demais pararam por um tempo, mas nenhum incidente grave foi registrado.
A questão é que, apesar de toda atenção dedicada ao episódio da Sé, ele foi isolado. Embora eu até tenha ouvido boatos de arrastões e furtos, não presenciei nada. O clima, para mim, era de festividade e paz, me senti mais seguro do que quando ando por aquelas mesmas ruas durante o dia. Foi muito bom ver tanta gente na rua, curtindo atrações de ótima qualidade. Nunca tinha visto nada parecido.
O funcionamento ininterrupto do trem e do metrô foi essencial para o sucesso dessa Virada Cultural que, para mim, terminou na manhã de domingo, com um café no Frans da Paulista (pois é, não achamos nenhuma lanchonete decente lá na região) e, depois, a observação do nascer do sol entre as torres da avenida mais famosa do país.
Muito bom.
