Jornalismo
Globo News Especial: Como os jornais convivem com as novas mídias?
Sep 28th
A prática do jornalismo muda com as novas mídias. São tantos recursos novos que a profissão está tendo que ser repensada. O programa “Globo News Especial”, do canal Globo News (obviamente), resolveu entrar nessa famigerada discussão – que você já leu neste blog diversas vezes.
Mas nada de “impresso x online”, “jornalistas x blogueiro”, “não há credibilidade na internet x os jornais vão acabar”. O programa comandado pelo experiente repórter Tonico Ferreira recebeu diretores dos três principais jornais do país para falar sobre a revolução das novas mídias e o resultado foi um debate sóbrio e bastante interessante sobre o exercício do jornalismo.
Eleonora de Lucena, diretora-executiva da Folha de S.Paulo; Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado; e Rodolfo Fernandes, diretor de redação de O Globo, foram os convidados da atração, que foi exibida esta semana e que você vê abaixo, na íntegra.
Eles falam de jornalismo colaborativo, blogs, credibilidade, interação, conteúdo multimídia, convergência, integração de redações, profissionais polivalentes, formação dos jornalistas, consumo da informação, necessidade do editor, chegada do e-papper… Vale a pena assistir, especialmente se você estudar ou trabalhar com jornalismo e comunicação.
Como você pôde ver, não são tão “dinossauros” quanto é possível imaginar. Pelo contrário, esses depoimentos até me animaram. Concordo bastante com tudo que foi dito.
E você, também concorda com eles?
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A propósito, O Globo está investindo pesado no seu online como um parceiro do impresso. O conceito é bem bacana: “O GLOBO pretende ser identificado cada vez mais como uma marca que é sinônimo de informação confiável, independentemente do meio onde for veiculada”. O mais interessante é que esse novo posicionamento acontece em um momento em que a circulação dos jornais impressos aumentou no país, bem como as verbas publicitárias destinadas a esse meio.
Assim, “O Globo Online” voltou a ser apenas “O Globo” e o slogan do jornal mudou, agora é bem sugestivo: “Muito além do papel de um jornal”. E ainda prometem incentivar, numa segunda etapa que começa em outubro, a participação do internauta na produção de conteúdos.
O vídeo de divulgação é excelente, conceitua muito bem todo o projeto e o papel dos veículos jornalísticos nessa nova era: “Tem que estar online, on time, full time”. Agora, é torcer para que isso vire realidade.
Mídia sob medida: Os jornais vão acabar?
Apr 23rd
Você sabe, o mercado de comunicação está sofrendo mudanças em altíssima velocidade e os hábitos de consumo de mídia estão em plena mutação, ganhando novos tons a cada dia. É sensível.
Essa mudança de panorama vem, em partes, da expansão da internet e, antes disso, da velocidade que a vida urbana tem atualmente. Afinal, agora, não dá mais para perder tempo: a mídia tem que ser rápida, estar disponível sob demanda e atender às buscas de seus consumidores.
Todo mundo alardeia que os jornais impressos estão em pleno declínio e dizem até que vão acabar. Não sei. Mas, de qualquer forma, é visível a crise que eles passam em todo o mundo, com redução de redações e mudanças no perfil de publicações, tendo que ampliar a presença online.
Olha como estão as coisas no mercado norte-americano:
- o número de jornalistas trabalhando em jornais impressos no último ano foi o menor em 25 anos, segundo a Associação Americana de Editores de Jornal;
- no ano passado, a publicidade em jornais caiu, em geral, 7,9%, com os anúncios impressos tendo queda de 9,4% e os online tendo aumento de 18,8%, pelos dados da Associação de Jornais da América;
- em 2006, 31% dos americanos tinham a internet como fonte regular de notícias, 11% a mais do que em 2000, enquanto a leitura de jornais caiu de 47% em 2000 para 40% seis anos mais tarde, como afirma um estudo do Pew Research Center.
No Brasil, que já tem internet em 24% de seus domicílios, com ela atingindo 22% da população (ou 24% de domicílios com computadores e menos 15% da população online, segundo outras fontes), ainda não chegamos aos níveis americanos, mas a história não é tão diferente assim.
Grupos de mídia, como Folha, Globo e Estadão, estão vendo seus portais ficarem cada vez mais importantes, com a audiência e o faturamentos crescendo. Em compensação, experimentam a redução na vendagem de suas publicações.
Por aqui, a web recebe apenas 2,7% dos investimentos em publicidade, segundo dados do projeto Inter-Meios, mas as previsões são que, a médio prazo, ultrapasse os investimentos em impressos.
Fim dos jornais? Ainda não. Mudança de perfil? Obviamente.
E por que disso tudo?
Simples: os consumidores de mídia não têm mais tempo para procurar as informações relevantes para si em meio a tantas que não lhe dizem respeito. Você tem?
Para mim, não faz sentido gastar para comprar um jornal inteiro e ler apenas o caderno de esportes – se esse for o objetivo. É muito mais fácil, prático e econômico comprar um jornal especializado ou acessar um portal de notícias, que, além de tudo, estará muito mais atualizado e ainda terá conteúdo multimídia.
Segmentação, interação e personalização são as palavras-chaves dessa era da comunicação em que o poder é cada vez mais do público, que, claro, não é mais passivo.

A “culpa” dessa nova realidade, em partes, vem daqui mesmo, dos blogs. Além de haver nicho, em blogs a escrita é muito mais íntima e pessoal – afinal, o blogueiro realmente gosta do que escreve e atrai leitores que compartilham desse interesse. Junto a isso, o blog é constantemente alterado de acordo com os gostos da audiência, que pode interagir e participar efetivamente, deixando-o cada vez mais eficiente para o público que alcança. O poder do antigo leitor, agora usuário de informações – ou interagente -, aumenta, influenciando toda a produção de mídia.
É do jeito que o público quer ou o blog morre sozinho, isolado. Não é verdade?
Os jornais gratuitos, como o Metro e o Destak, estão em plena expansão. Eles atendem a nichos, escolhendo suas notícias de acordo com o público-alvo, determinado pelo local de distribuição. Assim como na internet, as informações são passadas de forma rápida e há espaços interativos, tentando envolver o leitor na produção do jornal.
Na TV a cabo, onde o conceito de segmentação também existe há muito tempo, aumenta a oferta de conteúdos digitais, como a interatividade. A Globo News tem até um portal em seu canal de TV com notícias em texto atualizadas e os destaques de sua programação. Bem prático.
Outra tendência da TV que já é realidade nos EUA e chega aos poucos no Brasil é a do Digital Recorder, como o TiVo. Com ele, dá para gravar a programação digitalmente, permitindo que ela seja vista sob demanda, na hora e quantas vezes o espectador quiser. Junta-se, assim, interação, segmentação e conteúdo sob demanda em uma só mídia.
Também em crescimento estão as revistas customizadas – como a MIT, da Mitsubishi -, que têm público-alvo bastante específico. Tudo é pensado para o perfil do leitor da publicação, das reportagens ao design e à linguagem, permitindo uma experiência mais efetiva com a informação, sem excesso de conteúdo desinteressante. São feitas sob medida, atendendo a um número menor de leitores, mas que saem muito mais satisfeitos. Alguém viu uma cauda longa por aí?
Os portais de internet cada vez mais possuem essas características de personalização. Redes sociais, comentários em notícias e áreas interativas dão o tom de participação do usuário. Aí o jornalismo se reinventa, com multimídia, conteúdo colaborativo, infográficos e até mesmo com news games, tentando gerar melhores experiências e atingir em cheio o público-alvo, também conhecido, através de análises da navegação. E ainda tem a busca, que permite chegar facilmente no que a gente quer.
Mas nada supera os elementos que dão a cara dos usuários aos portais, como a folksonomia, as palavras-chaves mais buscadas, as notícias mais lidas, mais comentadas, mais votadas… O público, mesmo sem se dar conta, passa a funcionar como uma espécie de editor, indicando – através de seus hábitos – o que é mais relevante em todo o conteúdo. É a beleza do gatewatching! Pra que perder tempo?
A única mídia que aparentemente segue sem segmentação e interação é justamente a mais popular delas: a TV aberta, que recebe 59,2% das verbas publicitárias em nosso país. A interação, sem um sistema digital de televisão que exista pra valer, ainda é pequena, mas mostra-se um trunfo para atrair atenção aos programas – como os matinais, que sorteiam prêmios (de “Bom dia e Cia” a “Hoje em Dia”), ou os reality shows. O público gosta de decidir os rumos que irá ao ar…
Como é um veículo para ser visto em família, a generalização de assuntos e conteúdos acaba caindo bem, porque agrada a um número maior de pessoas. Ou seja, continua atendendo ao interesse do público – apesar deste já apresentar mudanças, que exigem ajustes rápidos.
As perspectivas da comunicação, portanto, não estão em nenhuma mídia em especial, no papel, nos pixels ou no tipo de tela.
Sobreviverão todos os que conseguirem compreender seu público e modificar o que for necessário para proporcionar a ele a melhor experiência com o conteúdo oferecido. Para isso, tem que atender suas necessidades e se aproximando dele – ou, no caso, da gente.
O futuro da imprensa é ser vestida por cada um de seus consumidores. Qual é o seu número?
Guilherme Fiúza, a imprensa e o caso Isabella
Apr 9th
Guilherme Fiúza é jornalista, blogueiro, escritor – é dele o livro que resultou em “Meu Nome Não é Johhny”. Há dezoito anos, em seu apartamento, tropeçaram próximo da janela. Seu filho, de apenas um mês, estava nos braços e, com o tropeço, caiu do oitavo andar. Foi um acidente. Em menos de uma hora, dois guardas armados da polícia militar já estavam no local, impedindo a saída dele e de sua então mulher. Eram suspeitos “daquela tragédia que, por si só, era suficiente para” os “aniquilar”. Os vizinhos, “afoitos ou talvez interessados em fazer o bem, mas com certo açodamento”, passaram diversas informações equivocadas sobre brigas que teriam acontecido no apartamento. Um advogado foi chamado para ver como eles poderiam provar que eram inocentes diante da acusação. Um batalhão de jornalistas já estava na porta do prédio aguardando a saída do casal, que, depois, conseguiu esclarecer tudo e provar sua inocência.
Naquela dura situação, após perderem o filho de um mês, eles tiveram que lidar com a “tragédia sobre a tragédia”. Eles não eram culpados, mas pareciam ser, o que foi suficiente para haver um julgamento precoce pela opinião pública – e, ainda antes dela, pela imprensa.
Guilherme contou isso em seu blog e também ao jornalista Marcelo Parada, hoje, na rádio BandNews FM. Só trouxe sua experiência à tona por acreditar ser importante a opinião pública tomar conhecimento dela nesse momento em que algo tão parecido acontece no tratamento do caso Isabella. Transcrevi boa parte do depoimento, que é de extrema importância para todos que se envolvem com o jornalismo, seja produzindo ou consumindo notícias. Aqui está:
Quando aconteceu o caso com a Isabella, sem eu ter a menor idéia se havia ou não culpa do pai e da madrasta, fiquei mais uma vez chocado e impressionado com a pressa com que se criam versões sobre o que aconteceu de uma maneira absolutamente irresponsável e desumana, porque não se sabe as circunstâncias daquela família assim como não sabiam as minhas circunstâncias. (…) Eu não quero comparar a minha situação com a de ninguém. Só quero dizer que essa situação inicial em que há uma completa ignorância da opinião pública sobre a vida daquela família e as particularidades daquelas pessoas, existe um comportamento completamente irresponsável, inteiramente desumano, quando você conecta eventualmente um vizinho afoito com um delegado falastrão (…).
Nesse caso por exemplo, eu ouvi no rádio no dia seguinte já o delegado falando, como se falasse do Big Brother, do Rafinha ou da Gyselle, dizendo que achava que aquele pai estava metido em circunstâncias muito estranhas. Esse delegado é um irresponsável, ele não tem direito de fazer isso. Ele não tinha dados, ele não tinha informações, ele abusou da sua autoridade. No momento seguinte, eu assisti na televisão à mãe da menina chegando à Polícia pra prestar depoimento e sendo quase jogada no chão pelos jornalistas que queriam arrancar dela uma informação. Isso é fim da picada, é o fim do mundo, isso é pior do que o mensalão, é pior do que corrupção, é pior do que Renan Calheiros.
As pessoas têm que prestar atenção e entender que tem gente de verdade ali naquela situação e que, depois, passado algum tempo, depois que a opinião pública, aparentemente tão preocupada em fazer justiça, cansar desse assunto, ela passa para outro assunto, mas aquela família vai ficar lá, com aquela tragédia, com aquele flagelo, numa solidão absoluta. Então é o momento de reflexão: eu sou jornalista, defendo a liberdade de imprensa, pratico a liberdade de opinião, acho um bem valioso e essencial, mas acho que uma sociedade que se quer civilizada precisa prestar mais atenção no seu comportamento.
A grande semelhança entre o caso Isabella e o meu é a covardia da opinião pública. A opinião pública é covarde. Ela não tem rosto, não sente dor. (…) Você está numa situação limite, não sabe nem se conseguirá prosseguir na vida, e está sendo massacrando por um julgamento precoce. Aí eu pergunto: (…) quem é que vai pagar esse dano moral e emocional quando o assunto sair de pauta, quando a pauta for as Olimpíadas? Porque a opinião pública é assim, né, hoje é a Isabella e amanhã é o Tibet e vamos em frente, como se fosse um grande mosaico, uma grande feira de notícias. E não é assim, existe vida real ali.
(…) E não estou falando sobre culpa ou não culpa. Eu não sei, não sei. Mas a maior certeza que tenho é de que eu não sei o que aconteceu, e as pessoas deveriam ter essa humildade. A revista Época (…) teve um comportamento interessante em sua reportagem de capa, que foi procurar levantar informações sobre a família.
Eu acho que busca da verdade e da informação é sagrada, tem que continuar a acontecer, mas de forma responsável. (…) Então, ao investigar quem eram essas pessoas, seus hábitos, como viviam e etc, você está dando vazão à curiosidade da opinião pública, à parte sadia da curiosidade, à busca por justiça e etc. Você está ajudando a esclarecer, tentando mostrar quem são as pessoas, mas não está apontando o dedo para ninguém. (…)
Estava outro dia conversando com uma repórter da Folha e ela perguntou qual seria a saída, se um código de imprensa… Um código, nada! Isso é berço, isso é um valor que você, como repórter, e eu, como repórter, devemos ter. Você tem que se sentir muito mal se você quase joga no chão uma mãe que acaba de perder uma filha. Isso é um sentimento de cada um, não é código de imprensa, não é nada. Isso é civilização, do contrário a gente chama o Elias Maluco para ser nosso primeiro ministro e julgar as pessoas como ele julgou o Tim Lopes. Pega e joga no microondas. Pra que processo? Pra que essa burocracia chata? A gente acha que é culpado e joga no microondas, queima vivo.
Isso é muito perigoso, as pessoas realmente precisam parar um pouco para pensar sobre seus valores, suas convicções pessoais. Não adianta código de imprensa, não adianta o chefe de reportagem mandar tomar cuidado, não é nada disso. Isso é de cada um.
Feliz dia do jornalista, ainda que atrasado.
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Abaixo, você confere o áudio do depoimento, disponibilizado no site da BandNews FM. Como eles não contam com player para sites externos, coloquei o endereço do arquivo nesse player aqui do blog, mantendo, portanto, os hits no servidor deles, para que tenham controle de quantas pessoas ouviram. A idéia é apenas disseminar o conteúdo e não roubá-lo. O link para a nota é: http://www.bandnewsfm.com.br/conteudo.asp?ID=78136. Nele, há o link para ouvir o programa diretamente do site.
Quem me passou o áudio foi a Rosana Hermann, dizendo que eu tinha que ouvir. Tinha mesmo. Assim como ela, fiquei com nó na garganta. Como ela bem definiu, foi um tapa na cara. E doeu.
Guilherme Fiúza na BandNews FM, em 08/04/08 [11:45m]: Play Now | Play in Popup | Download
Revista Pix: o texto é meu, a revista é sua
Mar 23rd
Na edição de março da revista Pix, distribuída gratuitamente de diversos lugares, eu pago a minha língua. Não costumo participar de memes aqui no blog, mas lá eu participo. Na verdade, é uma coluna fixa em que um blogueiro indica o outro para escrever na edição seguinte e eu sou o segundo a participar, por indicação da Rosana Hermann.
Na coluna, chamada Rodízio de Idéias – Blogs, eu junto dois dos meus assuntos favoritos: tecnologia e séries de TV. Sabe quando algum personagem consegue sinal no celular no meio do deserto e você fica gritando mentalmente “NO WAY”? Pois é, é disso que eu falo por lá, das maluquices envolvendo tecnologia que acontecem nos seriados de televisão norte-americanos.

A revista é bem bacana, falando, de forma divertida e totalmente informal, de cultura digital. A inspiração assumida vem da linguagem blogueira e eles – os colunistas e principalmente a editora, a já amiga Bia Granja – dão conta direitinho de transpor o universo daqui para as páginas da revista. Eu já gostava antes de escrever – e também babava pelos incríveis ensaios que toda edição traz.
A Pix é um blog bacana que nasceu em papel, mas também dá para ler tudinho online e colaborar bastante. Vale a pena ver a revista impressa, que tem o formato certo para ler em qualquer lugar, até na fila da balada.
É de graça e está disponível em vários lugares, mas ainda assim vou mandar essa edição para a casa dos primeiros cinco leitores que perceberem a qual série eu faço referência no título do meu texto. É bem óbvio mesmo – está gritante no título! -, mas a série não é muito famosa.
Se você souber, basta mandar o nome dela através do formulário de contato do blog. Se você for um dos cinco primeiros, eu mando a revista para a sua casa. Ah, não conte o nome nos comentários, senão perde a graça, né?!
Aguardo as respostas, espero que você gosto do meu texto e recomendo que você conheça a revista. É jeito gostoso de obter, mesmo offline, uma boa dose de diversão digital.
Campus Party: Vamos conversar?
Feb 15th
Blogueiros são bem mais legais ao vivo do que nos blogs. Isso é um fato, mas, naturalmente, não é regra – apesar do número de blogueiros bacanas pessoalmente ser animador. O melhor da Campus Party, claro, são as conversações – assim como nos blogs.
Eu tenho conversado absurdamente por lá. Quase só faço isso. Batendo papo sobre coisas sérias, sobre bobeiras, sobre tudo, com todos. Além de encontrar novamente os amigos, lá é um excepcional balcão de negócios travestidos de conversas informais. A feira? Bom, ela também está bacana.
De verdade, o ambiente completamente geek não faz nenhuma diferença para mim. Vejo os outros blogueiros animados com as novidades tecnológicas, fotografando e postando tudo, mas não me deu a menor vontade de fazer isso. É algo meio “Ok, bacana! Vamos para o próximo stand?”
Estou com um grave problema: eu não tenho a porcaria da programação (e sim, eu sei que tem no site). Não tomei vergonha na cara de ver as coisas direito e, com isso, perdi várias palestras e desconferências que eu queria ver. Me enrolei e acabei perdendo até o lançamento da Blog Content, uma consultoria para blogs corporativos tocada pelo Edney Souza, pelo Ian Black, pelo Alexandre Inagaki e por mim.
As discussões que eu vi foram dentro do mundinho que já freqüento, o dos blogs e do jornalismo. Depois de ir em tantos eventos do tipo, acho que acabei cansando de ouvir e discutir coisas que eu adoro e sempre posto no blog, mas que nunca saem do mesmo quando debatidas nessas ocasiões.
Para variar, não entendi muito bem as polêmicas jornalismo x blog – tirando a da Folha Online, com um problema jornalístico que, coincidentemente, aconteceu com blogueiros – e ouvi gente dos dois lados (se é que isso existe) falando que o outro não mudava nunca de opinião. Não mudam mesmo, e cansa.
Não tomo partido, falo “pois é” e dou um sorriso para jornalistas e blogueiros. Eu concordo e discordo dos dois! O que fazer, não é mesmo? Passei já da fase de ficar fazendo lutinhas internas: Meus lados blogueiro e jornalista estão cada mais misturados e quando vêem o Pedro Dória já dão uma risadinha e tentam adivinhar o que ele vai falar (sério mesmo, já fui em tantas palestras com ele que não duvido decorar suas palavras).
É válido que se discuta, principalmente se tiver algo novo – e sempre tem -, mas o processo de aceitação é lento e só de dá na prática: quando um tem contato com o outro e vê como tudo é legal e pode funcionar em harmonia, mudando algumas peças estratégicas no tabuleiro. Sonho com o dia em que os blogueiros e jornalistas se reunirão para pensar no que podem fazer juntos.
A propósito, achei boba boba a idéia do protesto do dinossauro no aquário da imprensa (o que também é bem bobo, aliás) – embora eu não tenha visto ao vivo e até tenha acompanhado parte da preparação -, mas também achei divertidinha. Nem tudo tem que fazer tanto sentido assim, ou tem? Os jornalistas curtiram, os blogueiros também. Rir faz bem.
Mesmo sem cobrir o evento como tinha pensado fazer, voltarei com alguns posts bem interessantes para breve. É que meu tipo de nerdice (fiz 25 pontos e aqui você faz o teste) é definitivamente outro: sou aquele cara que vai no stand da TV por assinatura assistir a “[bp]Friends[/bp]” e sai de lá constrangido e meio bravo porque mais ninguém fica dando risadas (sim, eu realmente fiz isso. Que povo chato! Não rir de “Friends”? Como assim?).
Mas hoje vou pra lá querendo descobrir tudo. Como funciona, o que tem de bacana em outros setores, o que os robôs fazem, quanto os caras do modding gastam para fazer aquelas maluquices (no melhor sentido possível) com seus computadores, como se anda em um segway…
Prometo que vou conversar menos e ser um pouco mais blogueiro e jornalista. Sem, para isso, me afogar em nenhum aquário.
Jornalismo online: É assim que se faz
Jan 16th
Hoje em dia, jornalismo é entretenimento. Natural que seja assim: por que apenas se informar se a gente pode ter informação, diversão e experiência ao mesmo tempo?
Isso já é realidade em todas as mídias – mesmo que alguns veículos errem feio o caminho e esqueçam que, na verdade, são jornalísticos e não de entretenimento puro -, mas em nenhuma pode ser tão explorada quanto na internet.
Por que raios temos que continuar consumindo conteúdo jornalístico primordialmente em texto na web? Essa não é uma mídia imprensa, apesar da maioria dos profissionais terem vindo dela! São muitas as possibilidades, mas poucos os portais de notícia que saem do texto e trazem conteúdo multimídia. Quando o fazem, é de maneira previsível e pouco inventiva – além de raramente agregarem algum valor ao que está escrito.
O que mais me anima no jornalismo online é exatamente a possibilidade de criar, de elaborar coisas novas. É tão bom quando a reportagem perde sua forma quadradinha e fica totalmente maleável, podendo proporcionar experiências muito mais agradáveis ao internauta.
São muitos os caminhos: Criar news games, experimentar coberturas em redes sociais, fazer mashups, usar colaboratividade ou mesmo utilizar, de forma inteligente, ferramentas já mais consolidadas, como blogs e podcasts. Isso tudo pode gerar modos mais eficientes de se informar, com uma intensidade que não existe nos meios em que o receptor ainda é passivo. Ao invés de haver leitor ou espectador, teremos usuários da notícia. Bem melhor, não?
Só que isso exige investimento e mão de obra qualificada, e é complicado encontrar ou formar profissionais qualificados em algo tão novo. Os veículos internacionais já acordaram para isso e correm atrás, mas os nacionais ainda roncam. São raros os casos em que o modo de informar ultrapassa o óbvio e aproveita os potenciais da rede.
Mas eles existem. O G1 é um dos que melhor trabalha as possibilidades, misturando texto, links, ilustrações, vídeos e galerias de fotos com jogos e infográficos animados, de ótima qualidade – além de permitir comentários do público em algumas notícias.
A maioria dos infográficos ainda é baseada em texto e imagem, mas já há integração com vídeos, por exemplo, e bom uso da interatividade. São soluções eficientes e criativas de informar e entreter, com um visual belíssimo.
Um bom trabalho, mas que ainda fica muito atrás do praticado nos infográficos do The New York Times, por exemplo, que, claro, são geniais: gostosos de assistir e de interagir, animando tabelas, vídeos, fotos e gráficos. Ou seja, um tipo de entretenimento que gera esclarecimento.
Esclarecido também ficará quem mergulhar no infográfico que o Último Segundo produziu sobre as eleições norte-americanas. Eu nunca vi nada parecido feito no Brasil. Exagero? Clique aqui, desabilite o bloqueador de pop-ups e veja. Tem um rico material informativo, utilizando diversas ferramentas para explicar detalhadamente cada aspecto das eleições, informando intensamente sem, por isso, ser chato ou cansativo. Seria impossível aprofundar tanto o assunto apenas com texto, já que matérias de vinte páginas não combinam com a internet.
O esforço da equipe de dez profissionais em pesquisar e produzir vídeos (com legenda em português), áudios (que eles erroneamente chamam de podcast) e animações, além de editar especialmente textos e fotos, merece certamente um desses prêmios de jornalismo online. O usuário, sem dúvida, já ganhou em informação.
Sai mais caro do que apenas relatar, demora para ficar pronto e são poucos os que sabem fazer, mas, como você viu, vale a pena. Cada vez mais gente produz conteúdo na internet e materiais assim, de qualidade, podem fazer a diferença para o veículo se destacar.
Para a nova geração, como a minha, essa é uma boa área a ser investida. A tendência é que as coberturas sejam cada vez mais multimídias e que um único profissional de jornalismo faça aquilo que, antes, era função para várias pessoas. Por isso, não basta ter um bom texto, embora isso seja fundamental, mas é importante saber produzir e editar fotos, áudios e vídeos, além de, eventualmente, conseguir planejar conteúdos como esses que mostrei no post, para serem desenvolvidos pelas equipes de arte.
Sim, está cada vez mais difícil fazer jornalismo, mas nunca tivemos nada de tão boa qualidade e, convenhamos, tão divertido! Temos uma mídia toda nova para construir, basta expandirmos nossos horizontes.
***
Eu sei, esse post não foi ilustrado, nem teve infográfico, nem áudio, nem vídeo. É complicado produzir tudo isso sem uma equipe – e por isso falo apenas de veículos grandes na análise – mas esse é um desafio que nós, blogueiros, também podemos encarar, ainda que de maneira mais simplória. Nos últimos posts, procurei usar mais fotos e vídeos encontrados na rede, coisa que eu dificilmente fazia. É pouco, mas tudo começa por algum lugar.
Pelos meus planos, o blog ficará cada vez mais multimídia e o utilizarei para experimentar tudo que eu puder. Afinal, não existe um grande e funcional manual de redação da internet. Aqui, a gente aprende na prática. E todos juntos, não é mesmo?
A fonte está cada vez mais próxima do jornalista. E agora?
Jan 10th
Em uma reportagem, descobri que duas moças que faziam parte da equipe de limpeza do lugar onde acontecia uma etapa de seleção para um reality show da TV paga, haviam sido convidadas, pela produção, a participar do concurso, tentando assim maquiar a falta de reais candidatas. A matéria foi publicada e acabou ganhando destaque na homepage da Globo.com.
“gustavo tudo bem? p nao perder o costume só dei bastante risada quando minha irmã ligou dizendo que eu estava na primeira pagina do site da globo vc é fogo heim!!achei bacana pelo menos nao acrescentaram nada e foi super verdadeira bjssssssss”
Este foi o comentário de uma das meninas da matéria, aqui no blog. No meu Orkut, também tinha scrap dela, além do pedido para ser minha amiga. Ainda bem que ela gostou da matéria – e, sem nem perceber, confirmou as informações de uma maneira que, eu, como repórter, jamais poderia fazer: ela mesma falou com os leitores (ainda que aqui não fosse o melhor lugar para isso).
Lidar com interação dos leitores daqui blog nunca foi um problema, muito pelo contrário. Blogs são tão legais porque são baseados em conversação e, além de tudo, é muito bom para quem produz conteúdo saber o que seus consumidores acham. No jornalismo, embora eu conheça vários profissionais que não se deram conta disso ainda, a participação do leitor/espectador/ouvinte também tem um papel importante, ajudando a manter o jornalista mais próximo da realidade, ampliando o alcance de sua visão.
Interação e colaboração são palavras-chave para a comunicação em tempos de internet, onde, querendo ou não, nada mais somos do que nomes na tela, ao alcance de qualquer um. A tendência é que os comunicadores, as fontes e os consumidores de informação fiquem cada vez mais próximos.
Qualquer um pode procurar meu nome no Google, no Blogblogs, na Technorati ou no Flickr e descobrir por onde andei, com quem me relaciono e o que eu acho das coisas, além de encontrar o meu E-mail ou algum formulário de contato – e isso é importante para mim como blogueiro, afinal, nenhum blog funciona sem que haja relação entre as duas partes. É fácil para o leitor do blog, é fácil para a fonte jornalística. E é aí que a coisa complica.
A fonte é aquela pessoa que passa a informação trabalhada pelo jornalista. É quem dá a entrevista, quem viveu o que será relatado, quem faz parte de verdade daquilo que será transformado em história. Na faculdade, ouvimos muito sobre o relacionamento do jornalista com a fonte que, sempre, deve ser distanciado. Pois é, só que a fonte é viva e se comunica. Além de, eventualmente, utilizar a internet.
Não dá mais para jornalista fingir ser apenas um instrumento da informação. Não somos, e o envolvimento voluntário ou não com o público e, principalmente, com a fonte não nos deixa ser. A questão é descobrir como devemos nos portar sem que haja prejuízo à notícia. Pelo contrário, é o momento certo para lucrar: na web, toda fonte vira usuário e todo usuário vira fonte.
Já que está tudo tão próximo e que as fontes estão mais ativas do que nunca, por que não aproveitar? Essa interação faz com que o jornalista tome mais cuidado com o que publica e, além disso, permite que a informação seja conferida e revidada por seus personagens. É mais ou menos o mesmo raciocínio do sistema de comentários do Google News, só que feito de forma humana – e, por isso menos, mais confiável.
Em sua dissertação de mestrado, a jornalista (e amiga) Ana Brambilla destaca um conceito de Peter Burke, no livro [bp]História Social do Conhecimento[/bp]: a informação é como a água: quanto mais próxima da fonte, mais pura será.
Estamos no momento certo para, utilizando o potencial social da web, produzirmos informações cada vez mais precisas e verdadeiras – o que seria potencializado caso os grandes veículos perdessem o medo e abrissem espaço para os comentários. Todo mundo se comunica: o leitor conversa com o jornalista que conversa com a fonte que, agora, também conversa com o leitor. Novas visões para o leitor, mais credibilidade e utilidade para a mídia.
Porque sou blogueiro E jornalista!
Oct 9th
“Blogueiro e jornalista, apanhando dos dois lados”
Sempre digo que essa frase é o meu slogan, o que me define melhor. E a culpa é toda minha: gosto tanto de blogs e jornalismo, que acabo fazendo por merecer apanhar de ambos os grupos.
É que, de um lado, vejo blogueiros que se acham superiores a jornalistas e riem da mídia tradicional como se ela fosse coisa do passado. De outro, vejo jornalistas que se acham superiores aos blogueiros e riem dos blogs como se eles fossem um nível rebaixado de se fazer comunicação.
Claro, ambos estão errados – e, pior, apesar de não enxergarem, compartilham a mesma canoa furada. São duas formas de informar que, juntas, se fortalecem.
Eu adoro andar com camisetas que tenham a palavra “blog” pela minha faculdade, mas meu blog é quase que exclusivamente sobre jornalismo.
Quando estou com blogueiros e falamos de jornalismo, eu me irrito e defendo o jornalismo. Quando estou com jornalistas e estudantes de jornalismo falando de blogs, fico igualmente irritado e – adivinha? – defendo os blogs.
Pode ser que o problema seja eu, que gosto mesmo de ser do contra, mas algo me diz que a coisa vai além. A divisão e oposição me parecem absolutamente burras.
Na última quinta-feira, no debate “Internet e Blogs: A Maior Conversação da História”, com três jornalistas/blogueiros – Marcelo Tas, Alexandre Inagaki e Pedro Dória – isso ficou bem claro.
O Tas e o Inagaki, que têm o “título” de blogueiro antes do de jornalista (no caso do Tas, eles se misturam ainda mais), não costumam cair na besteira da dualidade. Eles conhecem ambas as esferas e compreendem suas ligações.
Já o Dória, que é JORNALISTA e tem um blog – perceba a diferença disso para “blogueiro” -, parece confundir tudo e não ter uma visão muito clara dos mecanismos colaborativos da internet.
Em outros eventos, saí com uma péssima impressão dele – e sei que não fui o único. Não vejo propriedade alguma para ele discursar sobre blogs, e tenho dúvidas até se ele tem essa autoridade para falar de jornalismo (não tenho elementos o suficiente para esboçar qualquer certeza).
Obviamente, não é porque ele trabalha no Estadão. Nem porque ele vem da mídia impressa, que eu ainda gosto muito. E muito menos por inveja ou qualquer bobeira do tipo.
É simplesmente porque o discurso dele normalmente é raso e um tanto quanto retrógrado, sem atentar ao que verdadeiramente acontece. E não dou credibilidade ao que diz um jornalista que não enxerga a realidade, o que já é fato.
Mas vejo no Dória um problema que eu também enfrento: essa tal crise existencial entre as novas mídias colarativas e as antigas, feitas por jornalistas de terno e gravata. O meio em que a pessoa vive acaba interferindo em suas opiniões – a minha mudou muito desde que entrei na faculdade e, por sua vez, é bem distinta da dos meus colegas que nunca tiveram blogs.
O Dória, nesse último evento, que foi muito mais intimista, estava muito mais blogueiro do que nos outros, em que ele era o Pedro Dória do Estadão. E o discurso também estava muito melhor, sem o gesso e as amarras daquele que defende o jornalismo tradicional que, para não morrer, briga com o futuro, ao invés de se adaptar a ele. Imagina, ele afirmou: “Leio no jornal o que li ontem nos blogs”. Deu até gosto.
Eu amo o jornalismo e acredito absurdamente nele, mas entendo uma evolução natural das coisas.
Não é oposição ou substituição – seja de jornal por blogs ou de profissionais por amadores – é combinação e re-alocação. Vemos a notícia em sua forma instantânea nos blogs mais próximos a ela, comparamos diversas fontes e visões a respeito do assunto e, no dia seguinte ou depois, num site noticioso, temos a informação mais apurada, aprofundada e lapidada.
Os blogs podem sim fazer jornalismo de qualidade, se sujarem o sapato, se olharem para o lugar onde vivem, se passarem a apurar. Isso foi falado lá no evento, exatamente como eu penso e repito há muito tempo.
Sendo blogueiro e jornalista pode-se combinar o melhor dos dois mundos: habilidade para lidar com as informações vindas dos leitores, a pessoalidade da narrativa e o uso eficiente de técnicas para apurar e chegar mais perto da verdade.
Já dá para fazer isso, tanto em blogs quanto em outras mídias – e eu to tentando. Mas é preciso ter boa vontade e uma paciência absurdamente grande, porque ainda há resistência e preconceito com relação ao que ainda parece ser uma novidade (novidades sempre amedrontam…).
Está diminuindo e tende a mudar, mas, enquanto isso – fazer o quê?! – vamos apanhando dos dois lados.
Depois, acredito e espero (até porque apanhar é bem ruim e irrita bastante, além de dar um trabalho danado), valerá a pena.
É assim que o jornalismo se renovará e ficará ainda melhor. Não adianta querer parar o que já é realidade.
Uso de “bichês” e enquetes inúteis: O que a Folha Online pode melhorar
Sep 6th
Todos nós nos identificamos com algumas marcas e passamos a nos relacionar com elas de maneira diferenciada, mais próxima e até mais passional. Com produtos jornalísticos a relação é ainda mais complexa, já que envolve a percepção e aceitação da credibilidade pelo consumidor e um contato mais longo entre marca e cliente, acontecendo, possivelmente, em diversos momentos do dia, todos os dias.
A minha marca preferida de jornal na rede é a Folha, em disparado. Leio na web, todos os dias, a versão, errr, impressa do jornal; sou assinante do UOL; acompanho a Folha Online e costumo utilizar bastante o seu “comunicar erros” – sendo sempre atendido com gentileza e rapidez.
É claro que, como jornalista essencialmente de web, também quero trabalhar lá, ou estagiar, ou coisa do tipo. Eu realmente gosto da Folha, bem mais do que de outros jornais (embora O Globo também faça um ótimo trabalho na rede). Simples assim.
E é exatamente por isso que me incomoda tanto as besteiras que a Folha Online faz.
Já devo ter reclamado por aqui dos “Destaques GLS”, escritos pelo Sérgio Ripardo, que também é editor-chefe da Ilustrada Online. Na época, eu dizia que aquilo deveria ser um blog e não ser veiculado como análise, dentro da editoria Ilustrada. Depois de um tempo, felizmente, transformaram em uma coluna.
O problema é que ela continua inapropriada. A linguagem é a tal “bichês”, que é um divertido diferencial de blogs gays, como o finado Papel Pobre, mas fica patética num site jornalístico voltado a todos os públicos. Não é preconceito, homofobia ou puritanismo, mas não entendo qual a necessidade de usar palavras como “necas” e expressões afetadas como “bofe-escândalo” para fazer uma coluna GLS.
Quando um humorístico faz uso de palavras e expressões clichês, os grupos GLS se ofendem. Oras, uma coluna na Folha Online que não pode ter a linguagem padrão do resto do site não acaba reforçando o tão combatido estereótipo?
Claro que não sou target, por isso nem posso opinar sobre os temas escolhidos, mas a abordagem – aspecto jornalístico – também é equivocada para um site noticioso (embora na última coluna, o Sérgio tenha acertado o tom). Óbvio que o site não precisa ser engessado e sem graça, mas existem formas e formas de se fazer humor, algumas bem informativas. Não é o caso.
Precisa, por acaso, dar 10 dicas “para evitar o vexame de ser pego com a boca na botija” fazendo “banheirão”? Notem o começo da coluna, mais jornalística, sendo interessante a qualquer tipo de público.
O tal do “banheirão” veio à tona por causa do senador americano, então é mesmo pauta. Informações sobre casos brasileiros e o que os shoppings estão fazendo para evitar a prática também são interessantes. Assim como a análise do Sérgio.
Pena que isso tudo fica resumido a dois parágrafos. Depois, vem dicas para não ser pego praticando. Qual é? Cadê o enfoque jornalístico? Esse tipo de conteúdo caberia em um site segmentado, com público restrito a interessados pelo assunto.
Claro que ninguém é obrigado a ler – eu mesmo não costumo -, mas isso não é desculpa. Por mais que a coluna seja GLS, ela não pode ser feita apenas para gays e, mais uma vez, deveria ter um interesse informativo ou opinativo antes de tudo, que complementasse o aspecto noticioso do site.
Esse é um dos principais pontos em que a Folha Online me irrita, esquecer o que ela realmente é: um site de notícias.
Tal esquecimento passa pela seção de interação da Ilustrada, com enquetes tão relevantes como “Qual a melhor substituta de Glória Maria?” (com o enunciado: “A apresentadora Glória Maria está em férias no “Fantástico”. Nesse período, ela será substituída por Patrícia Poeta e Renata Ceribelli, que vão se revezar na função. Qual das duas você prefere?”) e “Qual a melhor de Amy?” (cujo o enunciado diz: “Amy Winehouse protagonizou, neste mês de agosto, notícias sobre internação por conta de overdose. Qual sua música preferida da cantora inglesa?”).
Nessa enquete aqui, é para responder qual o personagem mais legal de “Desperate Housewives”. Então por que o enunciado é “A Rede TV! estreou, neste mês de agosto, uma versão brasileira do seriado norte-americano “[BP]Desperate Housewives[/bp]“. Qual a personagem feminina mais interessante da série?”? Afinal, é o personagem mais legal de “Desperate ou de “Donas de Casa Desesperadas”? Se for da brasileira, por que os nomes são os dos personagens norte-americanos?
Dá para ficar ainda pior! Olha a enquete que foi a publicada hoje:
Pérolas
Qual a pior frase das últimas semanas no mundo das celebridades?( ) A indústria da fofoca esqueceu de mim” – Daniella Cicarelli, ex-ronaldinha, no programa de Jô Soares (Globo)
( ) “Oh, my God” – Gisele Bündchen, top model brasileira entediada, durante o lançamento de um xampu em São Paulo
( ) “Ééééé” – Irislene Stefanelli, apresentadora do “TV Fama” (RedeTV!), e sua introdução a qualquer frase
( ) “Xuxa pecou” – Mara Maravilha, ex-apresentadora de programas infantis e ex-capa da “Playboy”, sobre a participação da colega loira no filme proibido “Amor Estranho Amor”
( ) “Um ‘Zé Mané’ teria levado o túmulo dos Matarazzo” – Ronaldo Ésper, estilista, após ser inocentado da acusação de furtar vasos de um cemitério paulistano
Qual é a utilidade? Pra quê isso?
As de outras editorias são realmente bem pensadas e contém debates relevantes, questionando a população sobre temas polêmicos do noticiário, como “Na sua opinião, o senador Renan Calheiros vai conseguir ser absolvido no processo por quebra de decoro parlamentar no plenário do Senado?” e “Depois da norte-americana Mattel, foi a vez da fabricante brasileira Gulliver anunciar um recall de brinquedos fabricados na China. Depois disso, você passou a se preocupar com os itens fabricados no país asiático?”
Custava pensar um pouco mais ao elaborar as enquetes da Ilustrada? Só porque é de cultura (opa, você lembra? CULTURA! Não entretenimento, fofoca ou futilidade!) não pode falar sério?
Pode e deve. Acho que aqui há confusão de conceitos. Interatividade por si só é vazia e sem utilidade. Ela precisa de propósito, de dedicação, de atenção, de um porquê.
Ter só para ter é besteira. Interatividade e colaboratividade não são apenas marcas de modernidade. São recursos absolutamente ricos, que podem agregar muito valor ao conteúdo produzido pelos jornalistas e colunistas.
Como consumidor, que gosta muito da Folha, eu lamento esses erros bobos – e, por isso mesmo, tão fáceis de arrumar. Humildade, sem dúvida nenhuma, o Ricardo Feltrin tem para assumir um erro e melhorar. Basta tais erros saltarem aos seus olhos.
E você, concorda comigo? Tem alguma coisa que te irrita?
E os leitores gays, o que acham da coluna “Destaques GLS”?
Sobre blogs e arrogância
Aug 29th
Andei lendo algumas coisas na blogosfera, por causa dessa infantilóide polêmica com o Estadão e também por sua cobertura da BlogCamp, que me assustaram bastante. É absurda a arrogância e falta de noção de alguns blogueiros. Amigos, não, não vão querer ensinar o Estadão a fazer jornalismo, nem mesmo na web. Vocês sequer são jornalistas e o fato de serem blogueiros não os torna especialistas em jornalismo online.
Os comentários no site do Estadão com um tom superior, querendo apenas dizer que “nós sim entendemos de internet”, me causaram vergonha alheia. São tão arrogantes quanto o Estadão insinuar que só seu conteúdo é confiável. A diferença é que o jornal contratou uma agência para criar aquilo e sua arrogância pode ser dividida – ou compartilhada – em diversas camadas dentro da polêmica. Agora blog, como bem definiu o Inagaki, é uma “mídia de massa” de um homem só. A arrogância só pode ser do próprio blogueiro, e desse tipo eu passo bem longe.
Ninguém é dono da verdade, não! Nem jornalistas, nem blogueiros. Nem eu. Vamos colocar o pé no chão e relaxar um pouco, dando opiniões e compartilhando conhecimentos. Só assim a gente chegará em algum lugar que valha a pena.
Por favor, dispensem as faixas!
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Não, não vou fazer nenhum post exclusivamente sobre a BlogCamp, até porque não tem nada a ser dito. Ao contrário de eventos em que os participantes são convidados – logo, têm mais ou menos o mesmo estilo ou perfil -, na BlogCamp tinha gente deslumbrada e dona da verdade demais, enquanto foram pouquíssimas as discussões interessantes. Encontrar os amigos e conhecer quem você lê é sempre bom, mas… Bem, para isso basta o bar. Se a desconferência é dispensável, algo não deu certo. Concordo plenamente com o Luiz: Foi insosso.