Pensamentos

Eu e os seis anos dos OutrOs OlhOs

No filme “Marley e eu”, o protagonista John (vivido por Owen Wilson) é um jornalista que relata em sua coluna diária acontecimentos cotidianos, como as dificuldades do começo da vida de casado e a relação com o “pior cachorro do mundo”, o filhote Marley. Anos depois, o filho de John pega os recortes dessas colunas de jornal e lê, conhecendo assim o começo de sua família, as estripulias de seu agora idoso cachorro, as dificuldades que o pai enfrentava. O pai, claro, se emociona ao ver o filho ter contato com seu trabalho e, principalmente, com seu passado.

Não por acaso, essa foi a cena que mais me emocionou no filme. Como jornalista, tenho paixão por contar histórias para perpetuá-las. A perspectiva de ter sua história registrada junto aos acontecimentos relatados e que ela seja lida no futuro pelos filhos é algo que considero de uma beleza única.

E o que é um blog senão o registro de nossas vidas?

Quando você cria um blog, você nunca sabe aonde ele te levará. Como toda cria, ele amadurece. Vai se transformando com o tempo, ganhando novos contornos, novos endereços, novos amigos e visitantes. Mas você sempre está nele.

Nesses 6 anos que o OutrOs OlhOs me acompanha, vivi a maioria dos melhores e piores momentos da minha vida. Por aqui, compartilhei angústias, alegrias, novidades, opiniões, desabafos, ausências.

E tive você aqui, acompanhando, dando força, me ajudando a crescer.

Nos últimos tempos, encontrei com diversos leitores antigos daqui do blog, o que me fez ter essa dimensão de como registramos nossas vidas. Vários deles falando “nossa, e pensar que eu acompanhava seus sonhos para entrar na faculdade e ser jornalista…” .

Tem coisa melhor do que você ser acompanhado ao decorrer dos anos por pessoas que torcem por você? Que realmente acompanham essa novela real que é blogar e passam a fazer parte dela?

A você, antigo leitor, meu muito obrigado, por todo o carinho, por toda a paciência, por ter virado amigo. A você, que não está por aqui há muito tempo, também agradeço e convido a acompanhar o que tenho vivido e o que meus OutrOs OlhOs têm visto.

Esse ano, a relação com o blog ficará ainda mais estreita, já que meu TCC da faculdade de jornalismo se desenvolverá nesse espaço. Mais do que nunca, nos vemos aqui, para darmos, juntos, novos passos. Combinado?

Feliz aniversário, OutrOs OlhOs, e obrigado por tudo.

O que 2008 me ensinou e o que eu quero de 2009

2008 se foi há algumas horas, deixando, como todo bom ano faz, um belo legado para seu substituto. Foi, sem dúvidas, o melhor ano da minha vida e também aquele em que mais aprendi sobre o mundo e sobre como me relaciono com ele e seus habitantes. Eis, a seguir, uma retrospectiva reflexiva das lições de mais um ano de vida – um post bem pessoal, mas com alguma mensagem, espero eu.

Foi assim: no primeiro dia, escrevi como seria 2008 e, no segundo, vi que não seria nada daquilo. Falei que ia blogar mais e escrever muito para cá, mas jamais bloguei tão pouco. Prometi a mim mesmo me dedicar menos à faculdade, o que até fiz, mas muito mais por falta de tempo do que por vontade própria – como deveria ser. Curti muito a vida, aprendi a ter amigos, a ter colegas de trabalho, a ter uma rotina, a ter momentos certos para as coisas. E, bom, queria trabalhar muito – e nesse quesito, me superei. Oh yeah!

Imagina a cena: você quer ser jornalista e, para tal, participa de um processo seletivo para ser estagiário de um grande jornal. Acaba virando repórter freelancer dele e, logo em sua primeira incursão naquelas páginas, assina a capa do caderno – algo que aparentava ser bem complicado de se conseguir. O trabalho rende e gera proposta de novas matérias. Há o convite para ser contratado. Qual a resposta?

Em todos os meus sonhos e planos, um óbvio e gigantesco SIM. Na realidade, recusei. Na mesma semana que me convidaram para trabalhar lá, estava lançando a Blog Content, minha própria empresa, em um universo que não era exatamente jornalístico. Uma aposta que ia contra até o meu projeto de vida e que me fez tremer na hora de dar o derradeiro “não, obrigado”. E foi isso que 2008 me ensinou: não sabemos porcaria nenhuma de nossas vidas, nem mesmo o que é bom ou ruim. O que é ótimo.

Digo isso porque, se eu tivesse sido contratado como estagiário desse jornal (ou em qualquer outro trabalho), dificilmente teria sido convidado para a BlogContent e, assim, não seria sócio da Polvora!, a empresa que me fez repensar o que eu queria da vida. Assim, perder o prazo daquela prova online do estágio que todos apontavam como “feito para mim” não parece ser tão ruim, né?

A imagem que eu tinha da minha carreira mudou – pudera, passei a trabalhar efetivamente com blogs, em uma atividade que contempla várias áreas da comunicação social, do jornalismo à publicidade, passando por RP. Experimentei o gosto de entrevistar e de ser entrevistado, uma experiência curiosa.

É peculiar para o jornalista ser fonte, e em 2008 me vi por diversas vezes nessa posição. Eu, que sempre gostei de perguntar, tive que responder – falando com marca de corte, já pensando no que teria mais valor-notícia e nas frases que você aproveitaria no final caso fosse o repórter.

Em janeiro, foi ao ar mais uma reportagem que gravei para o programa da faculdade na televisão, entrevistando pessoas que, mais tarde, viriam a ser minhas amigas, como a Flávia Durante e o Maestro Billy. Depois, só fui fonte: fizeram uma entrevista comigo no “Urbano”, do Multishow, sobre como nossas vidas se tornam públicas na web; me levaram para passar um dia sem tecnologia no “Olhar Digital”, da Rede TV!; contaram um pouco da minha vida (com fotos de infância!) até chegar aos dias de hoje no “SBT Realidade”, do SBT; e dei meus palpites sobre blogs e profissionalização no “Jornal da Globo”, da Globo. Também estive por aí em alguns sites e jornais – e não foi como repórter. Uma das mudanças curiosas que 2008 me reservou.

Nunca tinha trabalhado regularmente na vida – só havia feito frilas. Comecei a trabalhar e gostei da coisa, do espírito de equipe, do empenho incrível de todo mundo para fazer a empresa dar certo. Encontrei malucos que sonhavam exatamente com a mesma coisa que eu, ainda que não fosse exatamente ser um bom repórter. O bom dos sonhos é que, de tão livres, aparentam ter uma forma, quando na verdade não passam de essência. O que a gente busca sempre é um sentimento, não uma posição, situação ou objeto.

E procurando entender os sentimentos, descobri amigos de verdade, que amo como se fossem minha família. Aprendi a dividir esses sentimentos – algo que, acredite, eu nunca havia feito de verdade antes -, o que mudou um tanto meu modo de encarar a vida. Poucas vezes me senti sozinho, mesmo ainda não tendo encontrado a mulher certa – e esbarrado por aí com umas bem erradas, mas ainda assim incríveis. Vai saber o que é certo, né?!

Me esforcei bastante para conseguir ir ao show do Maroon 5, a banda que me acompanhou durante a adolescência (pois é!). No palco, descobri que nem gostava mais deles. Bom sinal.

As coisas mudaram, muito, de várias formas. Minha vida virou de ponta-cabeça e ficou de uma forma que eu não imaginava, mas que hoje amo como se não houvesse outro jeito de viver.

Amanhã amarei outras coisas, terei novos planos, sonharei com momentos ainda mais malucos. Afinal, viver é isso: mudar, descobrir. Intensamente, apaixonadamente.

Obrigado, 2008, por ter me ensinado essa lição, por mais complicada que tenha sido.

E nada de fazer um “Como será 2009″, com previsões imprecisas daquilo que eu vejo como futuro – por mais que sejamos míopes para tal. Fica o desejo profético: 2009 será o melhor ano de nossas vidas. De um jeito ou de outro.

Estes meus outros olhos…

Faz algum tempo que eu não posto aqui – nem é tanto assim, já fiquei bem mais de duas semanas sem publicar nada. O hiato entre posts é cada vez mais freqüente, mas este não é um pedido de desculpas, tampouco uma promessa de mudanças. É apenas um post, sobre minha relação com este blog.

Você deve saber: hoje, de certo modo, são os blogs que me sustentam. Não virei “blogueiro profissional”, mas os blogs mudaram – ainda que não definitivamente – minha profissão. Profissão lembra obrigação, palavra esta que, sozinha, já causa repulsa. De tanto trabalhar com blogs e falar a respeito, me afastei do meu próprio espaço. Levei a brincadeira a sério demais.

Não costumo ser saudosista, nem seria hipócrita de dizer “blogs não deveriam ser tratados como negócio”. Mas cansei de me preocupar com a data do próximo post, com a queda de audiência que haverá se eu não postar, com qual palavra colocarei no título para os mecanismos de busca me encontrarem, com quando farei aquele post que me comprometi comercial ou editorialmente, sobre como farei o meu texto ficar incrível e demonstrar todas as minhas qualidades, de como trarei um novo ponto de vista, uma informação exclusiva, algo que torne especial aquele simples texto que eu já tinha em minha mente. E na mente ele acaba ficando.

Sabe, de tanto me preocupar com “detalhes” e em fazer algo efetivamente bom, parei de fazer qualquer coisa. Perdi o prazer em brincar. Boa parte dos últimos textos que publiquei foram até penosos, feitos meio por obrigação (comigo mesmo, claro, e com você, leitor, que não tem “nada” a ver com isso – este briga aqui é interna, porque eu adoro que você venha aqui ler!). Eu vendo que blogs precisam ser atualizados, como não vou atualizar o meu?

Não faz sentido algum ter que postar por obrigação. Também não faz sentido se sentir intimidado quando escreve, perder a naturalidade, o gosto da coisa. O escritor não pode ter a sensação de estar distante de sua pena, de seu papel. Eles costumavam ser seus melhores amigos – e amizade não sobrevive apenas com a cobrança de que ela exista.

Vivem reclamando que eu não posto, que não mantenho nada regular. Fizeram post contabilizando minha média de posts / mês e me contaram até que questionaram eu não ter utilizado o tempo que gastei brincando com o OutrOs ÓleOs – a coisa mais pessoal e voluntária que fiz na web em um bom tempo – para atualizar aqui.

Virei pessoa jurídica e assim tem sido por um bom tempo. Ainda que, de fato, eu esteja mais cansado e atarefado do que eu gostaria, o que me faz não escrever é ter a impressão de não ser mais livre para fazer o que eu quiser.

É uma preocupação até tola, sei disso. Um drama danado para nada. Mas só quem escolheu viver de escrever – entre outras coisas, todas ligadas ao texto – sabe como é isso. Ou não, mas… quem se importa?

Este post não teve pé nem cabeça, corrobora a umbigosfera, afastará os leitores acadêmicos que eu supostamente tenho, não educará mercado algum, não será apontado em nenhuma seleção, não me trará anunciantes, não me ajudará a definir meu nicho, não acrescentará porcaria nenhuma para ninguém, não trará pára-quedistas, não fará com que os meus números impressionem mais do que minhas letras, sequer que minhas letras impressionem quem quer que seja. Não me consagrará um grande blogueiro, mas me fará novamente sentir que sou um cara que gosta muito de seu próprio blog. Que nele, pode falar o que quiser – e ser lido, e conversar. Me fará lembrar – ou até mesmo ter certeza, sei lá – de que estes outros olhos continuam sendo meus.

E seus.

Leidiane Santos, a funkeira nua do Orkut, e a falta que a Lindsay Lohan faz

A notícia mais lida da Globo.com nesse momento é “Jovem que ficou nua em baile diz que ‘Orkut bombou’”. A segunda, “Jovem diz que ficou nua em baile funk por dívida”.

A história pouco importa – a moça, chamada Leidiane Santos, estava em um baile funk em Vitória, bebeu demais, recebeu (segundo ela) a proposta do MC para que tirasse a roupa no palco em troca de R$600,00, acabou fazendo e, nos dias seguintes, viu fotos suas espalhadas por jornais regionais e um vídeo da cena no Youtube, além de não receber um centavo sequer e ser indiciada por ato obsceno -, mas o destaque que o caso está ganhando é emblemático.

Leidiane é completamente anônima, dançou pelada em Vitória, no Espírito Santo, num baile funk que aconteceu no dia 12 de janeiro – e ainda hoje vira notícia, que acaba sendo a mais lida de um dos maiores portais do país. Natural?

Acho que sim. Não tenho conhecimento suficiente para falar do interesse humano pelo bizarro, pelo trash, mas é impossível não saber ou perceber que essas coisas vendem.

Por alguma razão, nós gostamos desse tipo nada edificante de notícia e, claro, a mídia – seja ela qual for, incluindo blogs – alimenta a demanda por conteúdos popularescos. A coisa funciona assim há muito tempo e, obviamente, não é só no Brasil.

Britney Spears, Paris Hilton e Lindsay Lohan são vítimas e produtos, em escala global, desse interesse. Todo o mundo se interessa pelas mancadas das problemáticas garotas de Hollywood e, como numa novela bizarra, torce contra ou a favor de suas recuperações –movimentando muito dinheiro em uma indústria alimentada apenas por seus vexames.

Custava os famosos brasileiros fazerem mais besteiras?No Brasil, não temos celebridades tão problemáticas assim. Uma ou outra gostosa aparece sem calcinha de vez em quando; algum ex-big brother que ninguém mais se lembra se envolve em alguma confusão; uma ligação entre algum famoso e um traficante de drogas aparece. Mas só, tudo muito modorrento. Não temos ninguém para esperar a próxima m*rda, para comentarmos que vimos a última mancada no TV Fama, para inspirar debates no Superpop ou em algum programa popular da Band.

Falta gente famosa problemática para manter essa indústria funcionando no país – e o interesse popular continua o mesmo, bem grande. Assim, os passos em falso de gente que não interessa a ninguém – e que sequer fizeram algo para se tornarem “pessoas públicas” – acabam ganhando destaque. E o Orkut da moça bomba.

De verdade, os americanos (e os britânicos, que têm a Amy Winehouse) é que são felizes. Eles podem comprar tablóides e ver as celebridades decadentes em situações cada vez mais constrangedoras. Nós, temos que engolir as mornas aventuras de anônimos bêbados. Que falta a Lindsay Lohan faz.

Como vai ser 2008

Feliz ano novo, queridos leitores. Escrevo do Rio de Janeiro, após ver os fogos em Copacabana e ter desprezado todos os rituais que envolvem reveillon na praia – ou até mesmo fora dela. Na virada para 2007, não pulei ondinhas, nem comi lentilha, mas deu tudo muito muito certo. Estou numa fase da vida em que um ano sempre acaba sendo melhor do que o anterior, o que é ótimo. 2007 foi, até hoje (ou ontem…), o melhor ano da minha vida, mas acho que 2008 vai ultrapassá-lo de longe.

Duvida? Olha só o que eu planejo para esse ano que acaba de começar:

- Blogar>
Pois é, mês que vem o OutrOs OlhOs completa 5 anos e, eu decidi, vou me dedicar mais a ele. É absurdo o retorno que ele me dá – a maioria dos freelas que eu faço e dos convites profissionais que recebo, felizmente, em uma boa quantidade é por causa do blog -, que até me envergonho da pouca atenção que dei a ele nesses dois últimos anos. Ele e você, leitor, merecem. Pode esperar um número bem maior de posts e de novidades, como alguns projetos bem legais que pintarão em breve por aqui, além de um novo blog que escreverei sobre um assunto que adoro…

- Me dedicar menos à faculdade
Sim, isso mesmo. Adoro a faculdade de jornalismo e isso é exatamente o que quero fazer da vida, definitivamente. O problema é que, mesmo sem nenhum trabalho fixo, acabo me ocupando várias horas por dia com coisas da faculdade. A ordem agora é otimizar: gastar menos tempo, não deixar mais para última hora e avaliar a real importância de cada passo que dou para a minha formação. Nem tudo vale a pena e, espero, dessa vez vou conseguir deixar meu lado CDF um pouco mais quieto.

- Curtir mais a vida
O ano começou bem, passei o primeiro dia na praia, desencanado. Desde muito novo, fui muito preocupado com carreira e coisas do tipo. Ainda sou, e muito. Mas agora to vendo como a vida é boa e quero aproveitar. Equilíbrio das “vidas” profissional, pessoal e acadêmica é essencial. Preciso aprender como fazê-lo.

- Trabalhar MUITO
Além de esperar me envolver em vários projetos e fazer freelas cada vez mais, já tenho algo certo: 2008 é o ano de me dedicar a minha própria empresa, em sociedade com a Bia Kunze e o Gui Leite. Com ela, vou trabalhar com comunicação e novas mídias, dois de meus assuntos preferidos – e, felizmente, do que mais entendo. Tem coisa melhor do que isso? Fazer o que você gosta, com quem você gosta e ainda ter boas perspectivas?! Já já você vai ver o que a gente está aprontando… ;-)

Tem várias outras coisas, é lógico, mas isso é pessoal demais para cá. Além disso, to no Rio e ficar em frente a um computador já vai contra a lógica de equilibrar as coisas…

Esteja preparado para viver o melhor ano de sua vida você também. Algo me diz que 2008 será ótimo e que, de uma forma ou de outra, a sociedade dará importantes passos, principalmente com relação ao meio-ambiente.

E o seu 2008, como vai ser?

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Este post foi feito a convite do Manoel Netto numa tag. Detesto memes e coisas do tipo, nunca participei de nenhum que convidaram, mas esse me pareceu simpático e deu vontade de fazer… Tá feito (apesar de não ter revisão, porque não deu tempo!).

Amor concreto – uma pausa para falar de sentimentos e desejar um feliz fim de ano

Nunca tive um grande amor. Até hoje, só amei – de forma grandiosa, é claro – minha família, meus amigos e as coisas que tive. Apesar disso, sou romântico, daquele tipo que torce para que casais que passam na rua sejam felizes para sempre; que vê filmes e séries de mulherzinha e fica totalmente envolvido; que quer muito encontrar uma mulher perfeita, que faça mandar todo esse papo de amor líquido, sólido ou gasoso para os ares. Amor, naturalmente, é para ser sentido, não teorizado ou até mesmo oficializado. E é por isso que eu acho o casamento tão importante.

Recentemente fui padrinho de casamento pela primeira vez. Traje de gala, entrada coreografada na igreja, presente caro e tudo mais. Até então, eu encarava esse tipo de cerimônia como tradição – a tal instituição imposta pela Igreja Católica que já estava quase falida -, mas foi no altar que tudo passou a fazer sentido.

O casamento é, de fato, a maior celebração do amor que existe – sendo numa igreja ou na praia, de forma tradicional ou não. É o cruzamento perfeito entre todos nossos amores, quando familiares e amigos são reunidos e acabam emocionados simplesmente pelo sentimento de duas pessoas que, naquele momento, se mostra mais forte do que tudo. E é de verdade: os olhos não mentem.

Você já viu os olhos apaixonados dos noivos no altar? É a troca de olhar entre o casal que perpetua as coisas. Se ele for mantido e relembrado todos os dias, é impossível a união não dar certo. Não sei descrever, mas não deve existir algo mais puro do que aquilo, mais sublime do que o sentimento que o originou.

Na nossa vida tudo é tão rápido, tão moderno, que essas coisas tradicionais ficam de lado. Se tem algo que cada dia mais eu me convenço é de que, por mais que queiramos revolucionar tudo, as coisas podem ser como são porque funcionam, e não apenas por inércia de mudar. Nós amamos, e isso é tão bom…

Eu, que não me surpreendo com quase nada nesse mundão, me peguei fascinado por algo tão básico como o amor. E olha que nem estou amando, mas a perspectiva de sermos – nós, os humanos – capazes de sentir algo e não tentarmos esconder, de termos um bom sentimento incontrolável que nos faz mudar os rumos de nossas vidas e de nos orgulharmos de algo completamente passional, me parece reconfortante e esperançosa.

Amor, de qualquer tipo, tamanho ou textura. É o que eu desejo nesse fim de ano a você, a mim e a todos que gosto. Que concentremos nossas energias nesse sentimento e que, com ele, consigamos ter, juntos, toda a felicidade que merecemos.

Ian e Marina, sejam ainda mais felizes juntos após essa mágica troca de olhares e sentimentos!

PS: Sim, esse post não se parece com nada que eu posto aqui. Mas estamos entre o Natal e o Ano Novo e achei que mudar de assunto cairia bem. Caiu?

Segmentação ou limitação: Sobre o que eu posso postar?

Você deve ter notado que eu quase não consigo mais postar aqui no blog. Não é falta de tempo, nem de vontade. É de inspiração mesmo.

Pudera, tenho 800 temas em mente e sempre paro de escrever na primeira linha, desanimado pelo fato de não saber se cabe no OutrOs OlhOs. É a maravilhosa e maldita segmentação.

Antigamente, na época do Blogger.br, quando eu levava o blog a sério, mas não trabalhava tanto nele quanto agora, a Bia Kunze vivia brigando comigo, dizendo que eu deveria ter um foco.

Se não me engano, no evento da Fiz, conversei com o André Marmota e com o Fugita sobre isso – para você ver como realmente me preocupa. O conselho do meu blogueiro de tecnologia favorito foi: tenha um blog geral e outro com um tema específico. Mas, juro, não quero ter mais de um blog – quero lançar diversas coisas por aqui, mas só aqui.

Eu sei que esse blog já tem quase cinco anos (pois é, mas você descobriu há pouco tempo, não é mesmo?) e que essa crise de identidade deveria ter passado e o foco do blog deveria ter sido encontrado. E até foi.

O Thássius Veloso, dia desses, falou que precisava encontrar uma temática fixa para seu blog. Que queria ter uma linha certa, como o OutrOs OlhOs tinha: “jornalismo e séries, na maioria”. Se ele notou tão claramente, provavelmente essa temática também está forte na cabeça dos demais leitores.

É lógico que as pessoas que entram aqui ou que me conhecem pelo blog ou pelo podcast associam o OutrOs OlhOs e até eu mesmo com jornalismo. É natural.

Pode ser que, agora, os leitores também associem com textos e materiais sobre internet, blogs e jornalismo digital e colaborativo, temas que também estou infinitamente submerso.

Mas não foi sempre assim. Antigamente, quem acessava o blog procurava coisas sobre televisão aberta e comentários de notícias! Os posts eram basicamente nessas duas linhas, não passavam de dois parágrafos curtos e não tinham lá muito critério. A Bia mesmo certa vez disse que o OO estava com a label “Rádio e TV” em seu del.icio.us, e não com a de blogs.

Mas não tem como eu manter uma só linha editorial. Simples: eu comecei o blog com 14 anos, falando da minha vida e com posts sobre o noticiário. Passei por comentários políticos, culturais e me firmei a falar de comunicação. Enquanto isso, entrei na faculdade, comecei a ver tudo com outros “outros olhos” e os temas foram novamente sendo alterados.

Nem pelo lado mercadológico eu tenho uma decisão fácil: Meus posts sobre televisão são os que mais rendem visitas de paraquedistas e, conseqüentemente, maior lucro com o Adsense; mas os sobre blogs e jornalismo sempre repercutem mais, trazendo leitores qualificados, que geram comentários interessantes, que fazem o blog crescer. É óbvio, prefiro a segunda opção.

Agora, danou-se. O OutrOs OlhOs é um blog sobre jornalismo e vida online, mas eu também quero falar de outras coisas… E eu não sei se posso.

Fiz 19 anos nesse fim de semana e não postei nada a respeito, embora quisesse. Também não falei sobre os shows que eu fui, nem sobre as bandas novas que descobri. Eram coisas que certamente seriam interessantes ao leitor, mas eu deixei passar.

Quem lê blog não procura informação pura e limpa, mas sim personalidade. Ninguém acompanha um blog só pelo seu conteúdo, sem ter a mínima simpatia com o autor. Por outro lado, também ninguém lê um assunto que não se identifica.

Acho que o jornalismo passou por isso há muito tempo, e a solução foi estabelecer editorias – os pais dessa segmentação que está em constante expansão. Vou fazer o mesmo.

Estou trabalhando para otimizar as categorias do blog e o uso de tags. Em breve, o OutrOs OlhOs terá algumas páginas de entrada, separadas por editorias-chaves, com feeds próprios, que segmentarão o blog. A homepage e esse feed atual continuarão do jeito que estão, misturando tudo e mostrando tudo o que meus olhos vêem.

Aguarde novidades. São muitas, eu garanto.

Enquanto isso, me conta, o que você gosta de ver por aqui?

De volta – e o esforço para ser um bom Jornalista

Vários dias sem postar, fruto de uma semana insana na faculdade com trabalhos complicadíssimos que, claro, acabaram ficando para a penúltima e última horas e conseguiram me fazer dormir cerca de 2 horas por dia, durante toda a semana, além de quase tornar a Cásper Líbero minha residência oficial.

Li muito, escrevi muito, pensei muito. É incrível o esforço que temos para nos tornarmos bons jornalistas. Tanto sacrifício, muito provavelmente, não valerá a pena, pragmaticamente falando. Mas como conteúdo para a vida e para formação cultural e profissional é importantíssimo.

Sempre falo que a melhor coisa de se estudar jornalismo é a multiplicidade de temas. Como nossa área de atuação é o mundo, é nele que o curso de baseia, diferentemente da maioria das demais carreiras. Assim, tratamos de diferentes coisas ao mesmo tempo, fazemos trabalhos divertidos e interessantes. Um dia analisando e fazendo reportagem sobre o budismo, outro dia sobre fobia social infantil e, logo depois, sobre a ditadura militar. O conhecimento geral que adquirimos é interessantíssimo mesmo para quem não deseja seguir na profissão.

Se é interessante para qualquer um, é imprescindível para quem quer ser um bom Jornalista (ah, sim: uso maiúscula para o sentido pleno, o tal “jornalismo nobre” que eu ainda tenho em minha cabeça, e minúscula para o sentido popular, corriqueiro e até vulgar). Quem lê o blog desde o começo, quando eu tinha 14 anos e já me achava um jornalista, sabe o quanto fui contra a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão. Mudei completamente de idéia – e me dei conta disso ao ler um post no Querido Leitor em um momento todo singular: Após 12 horas trancado na faculdade trabalhando e uma discussão com amigos sobre o esforço para sermos bons numa profissão que, ainda hoje, permanece sem muita identidade (quantas pessoas não respondem, se questionadas sobre qual o jornalista preferido delas, que adoram o Arnaldo Jabor? Ele é Jornalista? O Mainardi é? E para a linha de boazudas que diz na TV ser “modelo, atriz, apresentadora e jornalista”?). Fiquei chateado e um tanto atordoado com esse post e com o da Cora, que originou a “polêmica”, principalmente pelo respeito que tenho por ambas (a primeira já foi Jornalista, a segunda ainda é). Vale a pena ler os comentários dos dois posts e refletir. Discussões de ótimo nível.

Eu ainda acredito que ninguém vira “jornalista”, mas nasce assim. Entretanto, a faculdade me parece fundamental para que possamos fazer um Jornalismo melhor, mais consciente, com uma identidade realmente própria e uma qualidade superior. Não sei se vale a pena. Pelo sim, pelo não, estou tentando.

Enquanto isso, paciência. O resto da minha vida vai ter que esperar, mesmo sabendo que, para muita gente, qualquer pessoa que queira – mesmo os que nunca refletiram mais profundamente sobre o que é o Jornalismo e como fazê-lo bem – estarão no mesmo nível que eu.

De qualquer forma, os OutrOs OlhOs estarão sempre abertos e eu continuarei buscando ser um bom Jornalista

Além de Sign Out: Vida e morte na web

Há muito penso nisso. Se eu morresse amanhã, como meus amigos de blog e Internet saberiam?
Meu celular exige senha a cada meia hora, não tenho agenda de papel e minha família não sabe mexer no computador – que também é protegido por senha. As pessoas saberiam? Eu simplesmente sumiria?
Isso me aterroriza de certo modo e incomoda pra caramba. Por mais que você construa toda uma vida online, ela pode ser simplesmente pausada com a sua morte, sem nem direito a um final.

Ou então ela continua, eternizada até expirar, como um mosaico de vida em meio a lágrimas da morte. Não há coisa mais triste e ao mesmo tempo reconfortante do que encontrar momentos de vida plena de pessoas que já morreram, seja em fotos ou, principalmente, em textos – essas janelas para a alma que tanto lustramos.

Assim, com esse medo e uma sensação que não sei bem descrever, que lamento a morte do Aldemir, blogueiro que algumas vezes li e que teve o apoio de nossa blogosfera na luta contra essa doença que, ainda assim, não pôde superar.

O Alexandre Inagaki, em um belo texto resgatado pelo Rodrigo Ghedin no Blog Ajuda, disse que, ao passar pelos rastros de pessoas mortas na internet, é “inevitável a comparação com as caminhadas silenciosas que faço ao ver os túmulos de um cemitério em dia de Finados”. Pouquíssimas vezes fui a um cemitério (mesmo em velório só fui uma vez, e nela descobri que prefiro não ver o corpo de pessoas que amo), mas é exatamente isso que sinto ao caminhar pelos blogs, como nos que o Alex Castro mostra em artigo de 2004, também recuperado pelo Rodrigo.

Acho que não tenho medo da morte, mas da perda. Tanto da que eu sentiria caso alguém querido falecesse, quanto da que eu supostamente causaria com minha morte. Mesmo em blogs ou perfis de pessoas que eu não conheço, é a perda de todos aqueles que ali se manifestam que dói mais em mim.

Nessa nova relação entre vida e morte na internet, como os outros blogueiros disseram tão melhor do eu poderia sequer pensar, os “velórios virtuais” transformam-se em homenagens tão bonitas que só podem trazer vida e luz para aqueles que se foram e para todos os que ficaram e carregam no coração a lembrança que transcende ao nome na tela.

PS¹: A primeira experiência que tive de morte na internet, foi com a internauta Renatasp (vítima de um acidente de carro), na allTV. Um artigo de algum site disse que foi a primeira vez que uma televisão chorou (a emissora exibiu uma vinheta, com texto de Rosana Hermann, ao som de “Canção das Américas). Não foi só a TV. Nós, no chat, chorávamos virtualmente e de verdade a cada vez que víamos a homenagem. Triste e profundo, como se fosse algum grande amigo, apesar de ser alguém que eu tinha apenas trocado algumas poucas mensagens em uma sala de bate-papo. Isso foi há uns 3/4 anos, mas lembro como se fosse ontem.

PS²: Enquanto escrevia esse post, meu media player começou a tocar “Brilha onde estiver”, d’O Teatro Mágico, que diz “Brilha onde estiver / Faz da lágrima o sangue que nos deixa de pé”.