televisão
TVs por assinatura X deputados X consumidores: Eu só queria ver TV em paz!
Mar 20th
O comercial de TV diz, na íntegra:
“Se eu pago uma televisão por assinatura é porque eu gosto da programação que ela oferece. Eu adoro a minha TV por assinatura, eu assisto tudo: filmes, documentários, seriados…
Nós, da ABTA, que reúne programadores e operadores, sabemos a sua opinião. Mas quem precisa saber são alguns deputados em Brasília, que querem acabar com isso. O Projeto de Lei 29.2007 que vem sendo proposto por esses políticos está para entrar em votação. Se aprovado, obriga que metade dos canais por assinatura sejam nacionais e impõe o regime de cota nacional na programação da TV. Ou seja, você assina, mas eles querem escolher o que você vai assistir.
A ABTA é a favor do conteúdo nacional e do seu fomento, mas é radicalmente contra a imposição de cotas e a restrição de informação, entretenimento e cultura que ocorrerá caso o projeto seja aprovado.
Faça como milhares de pessoas e defenda sua liberdade na TV. Manifeste seu repúdio a esse retrocesso e a arbitrariedade. Acesse o site.
Mobilize-se já. Faltam poucos dias para a votação.”
Pois bem. Estava eu assistindo ao American Idol ontem, no Sony, vendo um resumo da apresentação de cada candidato no final do programa, quando, sem que ele tivesse acabado, entra um comercial da Sky Empresas. Isso mesmo: no meio do programa. Quando o comercial acabou, o programa também – só cheguei a ver seu logotipo por um segundo ou dois.
Não foi a primeira vez que isso aconteceu – são muitos os registros de casos parecidos, tanto na Sky, quanto na Net e nas demais (demais? As duas dominam sozinhas cerca de 81,5% das assinaturas de TV do país). A ABTA é a Associação Brasileira de TV por Asssinatura, que representa a Sky, a Net e muitas outras operadoras (mais de 60 só no estado de São Paulo), além das programadoras, como a Columbia Tristar Films of Brasil, responsável pelo Sony, pelo Animax e pelo AXN . Ela sabe a minha opinião e é radicalmente contra restrição de informação, entretenimento e cultura. Ela sabe que eu queria ver o American Idol, não sabe?
Se você ligar a TV às oito e meia da manhã no Universal Channel, sabe o que vai encontrar? O mesmo que no FX, no A&E, no Discovery Channel, no Discovery Home&Health, no The History Channel, no People+Arts, no E!, no MGM e até no Golf Channel: “Infomercial”, programas de tele-vendas com cerca de uma hora de duração – ou mais! Eles aparecem durante o dia em diversos canais e estão 24 horas por dia no GigaShopping (canal que ocupa o número que até pouco tempo pertencia a TV Cultura, agora escondida logo após os canais pornôs). Eu gosto da programação que a minha TV por assinatura oferece e os deputados malvados querem escolher o que eu vou assistir! Um absurdo!
Não vou entrar no mérito das cota para produções nacionais e da obrigatoriedade de 50% de canais brasileiros em cada operadora – até pretendo falar disso, mas em outro post. Só acho ridícula uma campanha igual a essa da ABTA – a mesma que briga para que os pontos adicionais não se tornem gratuitos -, posando de mocinhos, propondo liberdade na televisão e acusando os deputados de quererem fazer coisas que, na verdade, eles já fazem – e de maneira até pior. Será que a mulher do comercial assiste aos programas da Polishop? Gosta de quando eles entram nos intervalos comerciais ou ocupam faixas da programação que deveriam ter programas de verdade? Ela não assiste tudo e adora a TV por assinatura dela?
Eu só queria que a televisão que eu pago – e bem caro – me respeitasse e exibisse programas de verdade em toda sua programação – que, mais uma vez, já está sendo paga por mim. Eu pago para ter programas 24 horas por dia, eles vendem horários em sua grade para terceiros e fica tudo certo? Como pode? Isso não deveria ser regulamentado pelos políticos com a Anatel, administrado pela ABTA e vistoriado por todo e qualquer órgão de defesa do consumidor?
Eu só queria poder assistir aos programas que estão sendo transmitidos sem ter um comercial exibido durante a atração. Só queria ter, de verdade, um pouco de liberdade na TV! Será que algum dia poderei pagar a fatura satisfeito por ter conseguido sentar e assistir a algo que gosto sem soltar nenhum palavrão durante o período?
Espero que sim. Porque eu pago TV por assinatura por gostar da programação que ela promete oferecer.
Greve de roteiristas e internet: a roda continua girando
Jan 12th
Você já deve ter percebido que sou viciado em séries de televisão. Pois é, acompanho muitas até mesmo por questões profissionais e é bem complicado arranjar tempo para ver tudo – mesmo as séries que passam na televisão acabo tendo que ver no computador, porque não consigo conciliar meus horários com as grades de programação. Essa paixão toda começou há pouco tempo, uns três anos, e percebi que gostava muito desse assunto quando, em um site sobre seriados, vi uma listagem com a maioria das séries já produzidas e pensei: um dia ainda vou assistir a todas elas.
Talvez eu não chegue lá – nem quero mais, afinal, eu gosto da minha vida -, mas essa greve de roteiristas está sendo ótima para eu colocar minha lista de “para assistir” em dia – sem que, enquanto isso, uma outra lista se forme com os novos episódios. Para que eu consiga ver tudo que quero, a greve teria que durar mais uns cinco meses – o que, entretanto, certamente causaria danos terríveis a outras séries que adoro, como a nova Pushing Daisies, que ainda não garantiu uma segunda temporada e nem sabe se completará a primeira – que, antes da greve, havia sido confirmada.
A causa da paralisação dos roteiristas norte-americanos é justa: eles buscam uma maior participação nos lucros com as vendas de DVD e exibições na internet. Só que os custos que essa greve está tendo para os próprios manifestantes já superaram a diferença que eles exigem receber em um ano. É aquela coisa: perdem agora para recuperarem a longo prazo.
Hollywood está parada e calada e um número gigantesco de profissionais ligados à indústria do entretenimento televisivo e cinematográfico passa por uma grave crise financeira, graças à falta de atividades e a demissões temporárias, que podem atingir milhares de pessoas.
Apesar de todo o efeito negativo da greve nesses setores, os vilões continuavam sendo os produtores. Mas aí os atores, em solidariedade aos roteiristas, anunciaram boicote ao Globo de Ouro. A cerimônia, que já não teria roteiristas sindicalizados, acabou sem as estrelas e, por isso, não havia mais motivo para ser televisionada. O resultado foi o cancelamento, e os vencedores serão anunciados amanhã, em uma entrevista coletiva à imprensa transmitida por diversos canais – já que a exibição por uma só emissora, que lucraria financeiramente com isso, como estava previsto, irritou os roteiristas, que ameaçaram piquetes em frente ao local do evento.
A produção do Golden Globe e todo o mercado que o envolve, inclusive aqui no Brasil, acabaram sofrendo. Afinal, não haverá material de cobertura para milhares de veículos que já estavam preparados para isso, um prejuízo gigantesco, que só deve ser menor ao gerado por um eventual cancelamento do Oscar, cerimônia que, na verdade, está mais próxima do que os organizadores gostariam.
Intransigência, de ambos os lados, parece ser a tônica dessa greve. É isso que, associado à inabilidade de negociação, faz tudo ficar parado. São poucos os avanços até agora e as perspectivas, infelizmente, não são nada boas – apesar de um acordo para a realização do Oscar ser muito provável.
De qualquer forma, as séries que já haviam sido gravadas e que estrearam agora nos Estados Unidos, em meio a um monte de reprises, não estão fazendo sucesso, ao contrário do que se esperava. Os reality shows e os programas jornalísticos, que também aguardavam um aumento de audiência, não registraram tanta diferença assim.
Não duvido que nesse meio tempo as pessoas, assim como estou fazendo, acabem, cada vez mais, baixando da internet séries antigas ou que ainda não tinham visto, mantendo a roda girando, mas deixando de proporcionar dinheiro tanto aos “gananciosos produtores” quanto aos “injustiçados roteiristas”.
Na internet ninguém espera pelo oficial: Se alguém tiver como disponibilizar, o fará, e o mundo inteiro consumirá esse conteúdo, independentemente do resultado de qualquer greve, seja ela de roteiristas, de diretores ou de atores – e olha que estas duas últimas podem realmente acontecer em breve.
Isso não é bom para ninguém – nem mesmo para os viciados em séries e filmes que, apesar de poderem ver o material de arquivo, deixarão de ter coisas novas ou, pior, poderão ter que assistir a um final melancólico para o que gostam. E eu gosto demais de Scrubs para aceitar que isso aconteça.
Acaba logo, greve!
[BL]DVDs de Scrubs[/BL]
Versão brasileira: “High School Musical” e as adaptações tupiniquins
Oct 20th
As inscrições para a seleção da versão nacional do mega-sucesso “High School Musical” estão abertas (clique aqui e vá para o site de “Disney High School Musical – A Seleção”). O telefilme será feito com jovens atores brasileiros, que também vão cantar e dançar músicas que viraram hits mundo afora.
Certamente tudo será traduzido, mas se será ou não adaptado para nossa realidade é uma outra história. E é aí que mora o perigo: será que um “Musical Colegial” viraria moda ou seria um desastre?
Se tomarmos como base as últimas adaptações de dramaturgia internacional (em outros tipos de atração, as versões brasileiras vão geralmente bem), não teremos boas perspectivas – exceção importante a “Floribella”.
As novelas mexicanas adaptadas para o Brasil pelo SBT, como “Amigas e Rivais”, que está no ar, não conseguem dar audiência. Quando se trata de SBT, há dezenas de itens que podem ser responsáveis pelo fracasso, mas um se mostra comum em todas essas produções: Ela não fala diretamente com o público brasileiro.
É o mesmo de “Donas de Casa Desesperadas”, da Rede TV!, a versão nacional de uma das séries de maior sucesso atualmente no mundo, a americana “Desperate Housewives”. Esse programa foi produzido com um grande capricho, a emissora gastou mais por episódio do que a média brasileira e a parceria com a Disney garantiu cenários de altíssima qualidade (em uma cidade cenográfica montada na Argentina, utilizada por diversos países da América Latina). A direção é eficiente, o visual é belíssimo, o texto é praticamente o mesmo do que o original, mas a falta de algo grita: ali não tem o Brasil.
Não dá para uma série dessas, que sofreu pouquíssimas adaptações, parecer brasileira, já que a realidade norte-americana é bem diferente da daqui (por exemplo: as nossas “Donas de Casa” moram em Alphaville, mas, tal qual as americanas, não possuem empregadas domésticas. Isso é normal lá, mas não para a classe-média brasileira). A vinheta, que foi toda recriada e ganhou um sambinha, é uma das coisas mais legais da série, exatamente por ser original do Brasil. O resto parece reencenação e, convenhamos, isso não tem muito propósito. Ter características próprias e legítimas é fundamental.
Será que no “High School Musical” brasileiro, o protagonista será o capitão do time de futebol da escola ou o time continuará sendo de basquete, que não é tão popular em nosso país quanto lá? Qual seria o equivalente brasileiro do nome Troy? Algo como… Toím, apelido de Antônio? Faz sentido um musical em escola brasileira (lembrando que, no original, os protagonistas não são ricos)? Daria, em nosso país, para ter todo o show na quadra de basquete, com cheerleaders, de forma natural?
São muitas coisas que não colam por aqui, porque não fazem parte do modo de vida brasileiro. Não é por isso, entretanto, que o filme está destinado ao fracasso ou a ser ruim. Basta ele ganhar vida própria, como “Floribella” teve.
A novela da Band foi um sucesso memorável, tendo duas temporadas e conquistando uma audiência satisfatória. O maior feito, porém, veio daquilo que é o trunfo de “HSM”: a parte musical, pop o suficiente para conquistar adolescentes, romântica o bastante para arrebatar pré-adolescentes sonhadoras e inocente e fantasiosa na medida certa para agradar também a crianças. Misturado com efeitos visuais de primeira qualidade e um elenco carismático, a novela acabou se fortalecendo e vendendo produtos que nem água – de CDs e DVDs a ringtones e álbuns de figurinhas, passando por bonecas e tênis. Com seu roteiro quase que completamente nacional (partindo apenas da premissa do original argentino), “Floribella” decolou, dando prestígio a seus atores e roteiristas. Estes, não por acaso, assumiram a nova temporada de “Malhação”, na Globo, que está em crise de audiência, e já implementaram uma coisa que deu certo em “Floribella” e no “HSM”: Os atores são mais jovens, interpretado personagens com idades próximas às deles.
Se o nosso “High School Musical” tiver esse mesmo cuidado com as músicas e coreografias e conseguir fugir da cafonice e dramaticidade que tendemos a depositar em temas como primeiro amor e sentimentos da adolescência, tende a fazer sucesso. Tem muito dinheiro envolvido nisso e, como a produção certamente é da Globo, há chances maiores de ter boa qualidade técnica e artística.
O desafio é tornar o filme condizente com nosso país. Os nossos adolescentes (ou pré-adolescentes) não são tão diferentes dos de lá (me parece que os dilemas desse período da vida são universais) e até os gostos são parecidos (musicais e tramas de amor inocente caem fácil no gosto popular de ambos os países), mas a regra da televisão não pode ser quebrada: o telespectador quer se ver na tela e projetar aquela história à sua vida. Se o Troy e a Gabriella daqui conseguirem representar com tons nacionais a idealização do começo da adolescência tão bem quanto os de lá fazem, teremos que nos preparar para não ouvir falar em outra coisa por um bom tempo.
Agora, se fizerem algo do nível que apresentaram no Criança Esperança desse ano (como você vê no constrangedor vídeo acima), colocando figuras do naipe de Felipe Dylon e Perlla como o casal principal, a aversão será tanto que acho melhor se preparar é para mudar logo de país.
[BL]DVD High School Musical, CDs de High School Musical, CDs de Floribella, CDs de Felipe Dylon, CDs de Perlla[/BL]
ManagemenTV: Um canal para assistir sem terno e gravata
Aug 7th
[BL]DVD The Office, TV por assinatura, Livro O Monge e o Executivo[/BL]
Um canal feito para executivos certamente seria chato para qualquer outro tipo de telespectador, certo? Errado, bem errado.
Lançado no último dia 2, o canal ManagemenTV, tem como foco esse público, mas a programação passa longe do papo chato e formal. Primeiro canal do mundo totalmente especializado nessa temática, ele investe em atrações que têm, claro, as bases no mundo empresarial e de management, mas sem ser pedante ou entediante. Pelo contrário, é até bem interessante para qualquer um que seja um pouquinho empreendedor ou, ao menos, goste de saber a história por trás de marcas de sucesso.
De todos que estrearam agora na Sky (entre eles FashionTV, Sci-fi e Speed Channel), foi justamente o ManagemenTV que mais me interessou. Nesses quatro dias em que o canal está no ar, já me peguei diversas vezes assistindo-o, coisa que não fiz com nenhum outro lançamento da operadora.
É até natural que isso aconteça, já que caminho adotado por eles foi muito inteligente: tratar a complicada temática com bom humor e leveza, misturando informação e entretenimento (fórmula complicada, mas que traz ótimos resultados quando bem aplicada) e mantendo a linguagem simples.
A segmentação da televisão é uma tendência mundial e se mostra cada vez mais presente em nosso país. Cada canal agrada seu nicho, e acabamos com uma vasta gama de opções para atingir todas as demandas. O mérito da ManagemenTV é justamente conseguir ultrapassar seu target, podendo ser assistida sem maiores adaptações por parte do telespectador comum de TV paga.
É claro que nem tudo é simples. Ele veicula programas de entrevista, como “CEO Exchange”, e alguns mais técnicos, que podem ser mais enfadonhos a leigos. Mas contra-balanceia com documentários e programas interessantes até mesmo para aquele público que tem em “O Aprendiz” a máxima aproximação com o mundo empresarial.
Um documentário que assisti e adorei foi o “Inside Saatchi & Saatchi: A Spirited Case Study“, sobre a construção da campanha publicitária para o lançamento da cachaça brasileira Sagatiba na Inglaterra. Mostrando os bastidores da agência e todo o processo de concepção, criação e produção dos anúncios, o programa, exibido originalmente com sucesso pela BBC2 na Grã Bretanha, certamente enche os olhos daqueles que torcem nas provas comandadas por Roberto Justus – ou, para manter melhor a proporção, por Donald Trump – além, é claro, de agradar qualquer brasileiro, que aprecia o esforço para representar o seu país em um mercado potencial.
Ainda não consegui ver, mas estou atento às reprises de “Coca x Pepsi” e “Google Por Dentro”. Nesses casos, somos atraídos até mesmo como consumidores, conhecendo melhor o funcionamento das corporações que fazem parte do nosso dia-a-dia. Parece chato para você?
Pode ser. Então é melhor optar pelos programas ainda mais leves e menos especializados – tanto que já passaram em outros canais. É o caso da versão britânica –e original – do seriado “The Office”, que é ótima e já foi exibida aqui no Brasil pelo Eurochannel e pelo People&Arts. Ou do reality show “The Restaurant”, que mostra a batalha do famoso chef Rocco DiSpirito para conseguir abrir e manter um requintado restaurante italiano em Manhattan, e foi veiculada em 2005 pelo canal Sony.
Produções nacionais ainda não foram lançadas, mas são prometidas para breve. De qualquer forma, o canal é interessante e gostoso de se ver, com identidade visual e vinhetas sóbrias e modernas.
O slogan deles, entretanto, é péssimo: “A gente tem o canal”. Gosto muito mais da frase dita no vídeo que ilustra o post: “Um canal para entender por que o mundo segue em frente”. Eles poderiam trabalhar em cima dela para criar um conceito melhor, não? Se eles assistissem ao “Ad Persuasion” (que exibem às 20h), com certeza ficariam mais inspirados…
A ManagemenTV é exclusiva da Sky e está disponível gratuitamente por tempo limitado a todos os assinantes – o tal período de degustação. A partir de 20 de agosto, será vendido separadamente, como extra, pela bagatela de R$39,90. Sim, quase quarenta mangos apenas por um canal.
Historicamente, canais vendidos a esse preço não duram muito tempo. Acreditando que o público-alvo tivesse alto poder aquisitivo, a Sky também enfiou a faca na venda à la carte do The Golf Channel. Por mais dinheiro que os potenciais consumidores pudessem ter, acho que eles não se dispuseram a pagar um absurdo desses. Deu nisso: o canal agora faz parte do plano mais básico, aberto a todos os assinantes. Se não der certo nem assim, ele certamente deve deixar o line-up.
A ManagemenTV, pelo menos, conta com experiências anteriores, devido à HSM – empresa conceituada no setor de capacitação de executivos e com uma grande carteira de clientes, que pagam bem caro por seus produtos – que está por trás do canal. Cada exemplar da revista bimestral [bp]HSM Management[/bp], por exemplo, custa R$36,50, para quem faz a assinatura anual. Desse modo, não é de se admirar que cobrem tão caro por sua verão televisiva, não é mesmo?
Só que, em breve, o Grupo Abril também lançará seu canal voltado ao mundo empresarial, o Ideal. O panorama pode mudar caso o Ideal consiga entrar no line-up da Sky – a maior operadora por satélite do país -, e aí a ManagemenTV poderá ter problemas, tendo que repensar toda sua estratégia.
Teremos então uma situação curiosa: Como será que empresas especializadas no competitivo mundo dos negócios lidarão com a concorrência? Essa briga eu quero ver.
Ou assistir.
***
Quem não tem Sky e se interessa pela temática, recomendo que assista ao programa “Mundo S/A”, da GloboNews. Também é ótimo, e dá para assistir online.
[BL]DVD The Office, TV por assinatura, Livro O Monge e o Executivo[/BL]
Dublagem de séries na Fox: Jack Bauer, por favor, não fale português!
Jul 5th
A televisão é um dos meios de comunicação mais quadrados que existe, porque é baseada em hábitos – e pouca gente gosta de mudá-los. Por isso projetos de vanguarda não costumam dar certo aqui em nosso país, embora façam sucesso de crítica.
Nesse caso, ir contra o interesse do espectador é justificado, já que há a busca por inovar, criar coisas novas. Em todos os outros, é burrice e tende a estimular a fuga de telespectadores para outros canais – o que acontece, por exemplo, com o SBT, que não mantém uma grade de programação fixa por muito tempo.
Por isso é raro ver qualquer coisa legendada na TV aberta – que, naturalmente, possui quase a totalidade de sua programação falada em português -, recurso normalmente reservado a filmes clássicos, que possuem um público mais qualificado. Ainda assim, é algo bem restrito e raro, até porque não tem uma grande audiência e não é muito bem aceito, já que não está de acordo com os costumes da grande massa de telespectadores.
Panorama inverso é o da TV paga, que é dominada por programação importada e tem um público de maior poder aquisitivo, cultural e educacional. Capitais simbólicos essenciais para a familiarização com línguas e costumes estrangeiros, permitindo que o telespectador – que, conseqüentemente, é bem mais alfabetizado – consiga assistir a programas legendados sem maiores problemas.
Assim acontece em todos os canais fechados de séries, quase na íntegra de sua programação. Mesmo no TNT, que exibe filmes dublados, as séries – as cultuadas “Veronica Mars”, “Battlestar Galactica” e “The Closer” – são legendadas. A exceção é “Six Feet Under” (ou “A sete palmos”) no Warner Channel, mas, aí, a decisão é bem mais contratual do que estratégica: a série é originalmente exibida, legendada, na HBO, que, por não fazer parte dos pacotes básicos das operadoras de [bp]TV por assinatura[/bp], permitiu a veiculação da série, dublada, na Warner, que não é um canal “extra”.
Só que os canais de filmes dublados, como o próprio TNT e o Telecine Pipoca, costumam dar bastante audiência. Aí, naturalmente, outras emissoras, como a Fox, querem tentar aumentar seu público exibindo filmes em nosso idioma, em faixas dedicadas à família. Nada de errado, certo? Filmes em português em meio a toda a programação em inglês, legendada.
O problema é quando querem misturar as coisas, como a Fox está fazendo agora, dublando suas principais séries. PELO AMOR DE DEUS! Quem quer ver série dublada vai assistir na TV aberta! Por mais que a qualidade das legendas muitas vezes deixe a desejar, a dublagem descaracteriza a série! Eu não consigo assistir à “Gilmore Girls” – uma de minhas séries favoritas – dublada, a versão “Tal Mãe, Tal Filha” fica terrivelmente ruim.
Mas a Fox fez o pior: por anos, exibiu seus seriados legendados e, agora, resolveu dublar – no meio da temporada! A quebra da rotina do telespectador não poderia ter repercutido mais negativamente do que está acontecendo, com todos os portais – mesmo os não-especializados – destacando reclamações, com espectadores organizando abaixo-assinado e manifestações de todos os lados…
Sobrou até para o intérprete do maior herói do canal, Jack Bauer, o ator Kiefer Sutherland, que está aqui no Brasil para gravar um comercial. Um fã se hospedou no Copacabana Palace, onde o astro de “24 Horas” está, e deixou uma mensagem na recepção fazendo um apelo para que ele intercedesse junto a Fox! Será que ele poderá deter esses executivos malucos que planejam acabar com o costume dos telespectadores?
O canal, por sua vez, dizia que a medida era experimental e que levaria em conta todos esses manifestos. Agora, a Fox já está com 80% de sua programação dublada, diz que a mudança é definitiva e afirma que está estudando, junto às operadoras, formas de disponibilizar ambos os formatos simultaneamente – como acontece com filmes em pay per view.
Com isso acontecendo, óbvio, ninguém vai reclamar de ter a opção de ver dublado. Mas, enquanto não há essa possibilidade, nada deveria mudar. Com seriados não se mexe: os telespectadores – que, mais uma vez, são mais informados e conseguem amplificar melhor sua voz pela imprensa – acompanham e se envolvem com aquilo de tal forma que fazem esse barulho todo por uma mudança estratégica do canal. Mais do que com as novelas, qualquer mudança nessas ficções semanais causa impacto, já que não tem a enrolação da teledramaturgia diária. Nem a ignorância de achar que o espectador apenas recebe calado a programação da televisão. O telespectador de séries é o que mais gosta de repetição, criando rotinas.
Por essa lógica, claro, também é válido o inverso: o público vai, com o tempo, acabar se acostumando com as dublagens. Só que até isso acontecer, ele pode já ter desenvolvido a prática de pedir o seriado ao Paul Torrent. Aí será muito mais difícil de fazer o telespectador voltar – uma vez que, quem acompanha pela internet tem acesso aos episódios americanos bem antes deles chegarem à televisão brasileira. E é tão fácil adquirir o hábito de ver as coisas antes dos outros…
Se eles querem experimentar, por que não criam um horário alternativo? Passa num horário dublado e em outro legendado. Agrada a todos – ou quase. O que não pode é acabar com o hábito de anos do telespectador que, obviamente, gosta das coisas iguais, em série. Eu é que não quero ouvir um “”Largue a arma, UCT, droga!“.
Exijo respeito! Damn it.
[BL]DVDs Battlestar Galactica, DVDs A Sete Palmos, DVDs Gilmore Girls, DVDs 24 Horas[/BL]
Fiz TV: conheça o canal de TV interativa do Grupo Abril
Jul 4th
Você deve ter lido em algum outro blog que, na sexta-feira, dia 29 de junho, aconteceu em São Paulo o pré-lançamento do Fiz.TV, o novo canal televisivo do Grupo Abril. O evento tinha o objetivo de apresentar a emissora aos blogueiros e permitir que tirássemos nossas dúvidas a respeito dessa nova proposta, ainda um tanto mal compreendida por muitos, que insistem em rotulá-la de Youtube-killer ou bobeira do tipo. Não é o caso, nem de longe. Eu estive nesse encontro – que, aliás, me pareceu por diversas vezes uma mistura de coletiva de imprensa com a sociabilidade da Barcamp -, fiz perguntas ao Marcelo Botta, gerente de conteúdo do Fiz, e prestei bastante atenção em tudo que foi dito. Abaixo você poderá compreender melhor como será esse canal, que estreará no próximo dia 30, e ver as minhas impressões a respeito dessa proposta potencialmente inovadora.
TV + Internet
Essa é a premissa básica do canal: veicular apenas conteúdos produzidos por cidadãos comuns, havendo diálogo entre internet e televisão. O Fiz.TV será um portal de vídeos na web, do tipo Youtube, só que com um propósito: ser o meio para o usuário enviar seu material que, após votação popular, pode ser exibido na televisão.
Além disso, há o blog – lançado durante o encontro -, que mostrará destaques entre os vídeos do sistema, sempre com bom humor. O blogueiro, o estudante de jornalismo Fábio, é o apresentador do canal na internet e aparece em vídeos engraçados no próprio site. Na TV não haverá nenhum apresentador ou VJ, apenas uma narradora. Pode ser que a voz da TV e o apresentador virtual venham a interagir – o que, acredito, pode ser bem divertido se seguir na linha adotada pelas legendas do “[adult swim]“, bloco adulto do Cartoon Network.
Os melhores vídeos, segundo os votos dos internautas, vão para a TV, em blocos temáticos. Na internet eles ficarão disponíveis, sob demanda, como estamos acostumados. O legal é que, conforme a pessoa vai produzindo vídeos que fazem sucesso, ela vai aumentando seu nível de poder – começa como telespectador e vai até Chuck Norris – e pode até chegar a ter um programa próprio no canal.
Essa é outra característica da Fiz.TV: ela é totalmente aberta e nem a equipe sabe o que vem pela frente. Não tem uma forma certa, um projeto a ser seguido à risca. Ela será lançada e, com o tempo, irá mudando. Isso é, em partes, proposital, já que eles querem possuir uma programação totalmente flexível, agradando às vontades dos espectadores-internautas.

Público alvo e conteúdo on demand
Está tudo tão aberto que eles não sabem nem em que operadora de TV por assinatura eles estarão. Vão começar na TVA – companhia que pertence ao grupo Abril e à Telefônica e que tem cerca de 300 mil de assinantes -, mas esperam entrar no line-up de outras operadoras em breve. O público-alvo fica evidente com o tipo de visual adotado pelo canal, com arte e vinhetas bem jovens. É nessa parcela dos telespectadores que eles pretendem investir, já que, pelo menos teoricamente, é o público mais aberto a novidades e o que consome e produz esse tipo de conteúdo na internet. Dessa forma, considerando o target e a taxa de alcance familiar de cada aparelho televisor, eles pretendem atingir cerca de 200 mil espectadores no começo do canal.
O problema, ao meu ver, é que as linguagens dos veículos são bem diferentes. O grande atrativo da web é poder ver e indicar qualquer coisa, na hora que você quer. Na TV isso não existe e, por mais flexível que o canal pretenda ser, ele ficará preso à grade de programação – o que, no caso da Fiz.TV, é até um fator até positivo. Explico: eles esperam que o internauta veja o vídeo no site, goste, vote e vá ver na televisão, avisando os amigos. Para isso acontecer, é preciso ter uma grade muito bem elaborada, além de sistemas que avisem ao internauta a que horas determinado conteúdo será exibido na TV. Mais ou menos como MTV Brasil tinha há algum tempo em seu site, em que o usuário se cadastrava e selecionava clipes específicos, podendo receber, por e-mail ou – se não me engano – através de um sofware, avisos de seus horários de exibição no canal. Dessa forma, acredito, pode até funcionar – afinal, seria legal ver um vídeo que você gosta ou que foi produzido por um amigo passando na televisão! – mas é importante que haja o aviso para cada vídeo individual, e não apenas para as faixas temáticas.
Blocos Temáticos
Os vídeos serão divididos por temas ou gêneros, criando blocos, que serão os “programas” dessa emissora. É o caso do “Fiz.Anima”, de animações, o “Fiz.Caca”, só com vídeos trash, o “Fiz.Humor”, de vídeos de comédia, o “Fiz.curta”, com curtas-metragens, e o “Fiz.Doc”, com documentários, que podem vir, inclusive, do meio acadêmico. Isso mesmo: Totalmente colaborativa, a Fiz.TV não receberá apenas vídeos de internautas, mas já está realizando parcerias com universidades do país todo, além de festivais. Acho que daqui pode vir coisa bem interessante, dando espaço a produtos legais, mas que eram engavetados assim que o professor desse a nota ou a estatueta fosse para a prateleira. Só não sei se o público do canal – jovens, que consomem vídeos da web e gostam de inovação – apreciará um gênero mais sério como esse. Torço para que sim, pois é uma divulgação tamanha para a produção universitária nacional (que já vinha ganhando espaço com programas como o “Campus”, da TV Cultura).
Divulgação, essa é a palavra-chave para novas bandas, certo? Pois é, aproveitando o fenômeno das bandas divulgadas online, eles também vão exibir a faixa “Fiz.Clipe”, só com produções musicais amadoras, de bandas independentes – eles já buscam, inclusive, parcerias na área. Boa! Isso é o que acontece na web 2.0 (ah, vai, até que eu sobrevivi a muito texto sem usar a expressão mais mala dos últimos tempos) e também acontecerá na TV 2.0 (não, não terá overdose. Foi a última expressão “2.0” desse post!), o usuário poderá escolher seus clipes e bandas favoritas e depois curtir. Não duvido nem um pouco do poder viral da música e do potencial de indicação que a faixa musical possui, podendo atrair audiência e – por que não? -, amplificar a fama e traçar novos caminhos para os ídolos surgidos na web.
Telejornalismo Colaborativo
O jornalismo, claro, também está presente , com o “Fiz.Notícia” que, obviamente, receberá notícias dos internautas. Isso não foi dito na apresentação, mas o Marcelo me explicou como funcionará esse que pode ser o primeiro telejornal colaborativo da história da TV: O usuário manda o vídeo para o site e os editores do canal (sim, eles também selecionarão os vídeos por conta própria) podem utilizá-lo, caso quente e factual, mesmo sem passar pelos procedimentos básicos (como o processo de votação e o ranking, onde só um Chuck Norris colocaria um vídeo com tanta facilidade na televisão). Ou seja, o vídeo vai para a TV mesmo sem ninguém ter votado nele, para que não perca seu valor-notícia. Compromisso com a informação? Mais ou menos, e é isso que me deixa preocupado.
Tal pressa para veiculação é mais ânsia e euforia pelo conceito de notícia ágil e fresquinha do que comprometimento com o jornalismo e suas premissas básicas, como a checagem. Como não passará necessariamente por processo de votação, a notícia precisaria de um jornalista (um profissional do jornalismo) para checá-la. Não terá. Segundo Marcelo, os vídeos serão veiculados e, caso algo muito errado vá ao ar, eles podem “desmentir no dia seguinte, ou até mesmo no dia!”. É pouco, muito pouco. Imagina só a quantidade de besteira que pode ir ao ar? Temo que seja um desserviço ao jornalismo colaborativo, que caminha a duros passos para conquistar credibilidade no Brasil.
Equipe da Fiz.TV, cuidado com isso, por favor! Não se esqueçam que vocês pertencem ao mesmo grupo que edita a revista semanal de informação mais importante de nosso país (só não se inspirem na credibilidade e imparcialidade de lá, por motivos óbvios) e que, por mais que a inovação seja interessante, tem coisas que são fundamentais, e a verdade é a principal delas.
Integração e Cross Media
As revistas da Editora Abril são parceiras potenciais da Fiz.TV. Já estão sendo elaboradas formas de interação, incentivando, por exemplo, os leitores da revista Superinteressante a gravarem vídeos sobre o tema da edição e mandarem para o site da emissora. Por enquanto não há nenhum plano de lançamento de uma revista Fiz, até porque o grupo já possui uma publicação colaborativa, a Sou+Eu, empreitada jornalística-popular de baixa renda.
A Sou+Eu, aliás, que seria uma parceira natural da Fiz.TV, por compatibilidade de conceitos e de origem, não está nos planos do canal por enquanto. O perfil do periódico é totalmente diferente do da Fiz.TV, já que é voltado a mulheres de classe C e D com uma certa idade – quase o oposto do público jovem, com acesso à internet e à TV paga que a emissora busca. Isso, entretanto e felizmente, tende a mudar, já que, segundo ele, a Sou+Eu será reformulada e se aproximará mais de seu projeto inicial: conteúdo colaborativo para um público mais jovem e com maior poder aquisitivo. Aí, sim, pode acontecer uma junção dos dois produtos mais colaborativos do grupo Abril.
Publicidade
Colaboratividade é, certamente, a palavra mais usada nesse texto – e também na elaboração da Fiz.TV. Tanto que eles pretendem, se possível, exibir apenas comerciais feitos por usuários. Sim, publicidade 2.0 (pois é, não tenho palavra e usei novamente esse termo mala. Desculpe.), em que as marcas pagariam os usuários para produzirem vídeos com seus produtos. Sei não, uma vez é legal, duas vezes dá certo, mas só isso pode ser cansativo e dar errado. Embora entenda a intenção de gerar uma programação unificada – o que tornaria o comercial tão interessante quanto uma atração do “Fiz.Humor”, por exemplo -, temo que não termine bem. Publicidade participativa é bem complexa e, como eu já escrevi aqui no blog, há uma tendência para sua execução nesse nosso contexto de realidade (não, não vou falar 2.0!) horizontal e comunicação bi-direcional, mas quem vai como muita sede ao pote…
Remuneração e aspectos técnicos
O usuário, claro, não produzirá conteúdo de graça, ele será pago caso seu vídeo passe na televisão. Nenhum grande cachê – segundo Marcelo, ninguém vai conseguir viver disso! -, mas uma justa recompensa pelo bom trabalho. O departamento jurídico terá a árdua tarefa de deixar tudo legalizado, sem infringir copyrigh ou permitir apologia a qualquer coisa (como seria enquadrado o Tapa na Pantera, com drogas, por exemplo). A equipe técnica terá que ajustar o áudio e a imagem de cada vídeo para que tudo fique bom na tela grande – e, pelo que foi mostrado para gente, pareceu estar funcionando, já que não ficou com imagem quadriculada ou coisa do tipo. O GC, gerador de caracteres, aquele letreiro que aparece na tela, informará o nome do vídeo, os autores e a localidade dele (imagina o trabalho que vai dar organizar e separar tudo isso para montar os blocos?).
Não será nada fácil fazer esse canal funcionar, mas a equipe é jovem e está determinada a tornar a Fiz.TV um sucesso, indo muito além das 4 horas diárias de exibição dessa fase inicial. O clima intimista e informal do nosso encontro, realizado no “quintal” do casarão que abrigará o canal, foi intencionalmente criado para mostrar o espírito do projeto: um grupo de amigos trabalhando naquilo que gosta e criando coisas novas.
Espera aí, essa não é exatamente a história do início de grandes serviços da internet?
Logomarca da Fiz.TV encontrada no Techbits, do meu novo amigo Alexandre Fugita
O fim de “Gilmore Girls”: Vou me matar.
May 3rd
A culpa é do Warner Channel brasileiro, com a sua maldição de quinta-feira. Pensa bem, ano passado a série que passava depois de “GG” era “[BP]Everwood[/bp]“, que foi cancelada. Esse ano, “[bp]The OC[/bp]” sucedia as Garotas Gilmore: Cancelada. Claro, com tanta série afundando por perto, “[bp]Gilmore Girls[/bp]” não agüentou e acabou também chegando ao fim.
Para falar a verdade, o cancelamento de GG não é nenhuma grande surpresa, mas a possibilidade de haver uma oitava temporada, com 13 episódios, parecia bem grande. A vitória no “Save a Show” também me animou. O problema da série não foi a audiência – essa continua sendo uma das maiores do canal The CW -, mas os atores, principalmente a Alexis “Rory” Bledel, que, após 7 temporadas, se cansaram de interpretar os mesmos papéis, sem ter tempo para o cinema, que está com as portas cada vez mais abertas para as estrelas da série (em especial para a ótima Lauren “Lorelai” Graham, uma grande atriz que está em cartaz aqui no Brasil com “Minha mãe quer que eu case” e já já estará nas telas em “A Volta do Todo Poderoso”). Assim, “Gilmore Girls“, com o universo fantástico de Stars Hollow e personagens incríveis, deixará de existir.
Eu, como extremo fã da série, lamento MUITO. Era a minha série favorita em exibição.
É muito estranha a relação dessas séries com a gente, parece que são pessoas da nossa família que estão morrendo. Não tem como não sentir falta da Rory (que tinha uma história de vida bem parecida com a minha de verdade – e não só pelo jornalismo), do mal humor do Luke, das bizarrices do Kirk, da estranheza da Lane, da loucura da Sookie, da arrogância rabugenta do Michel, da deliciosa maluquice da Paris, do jeito do Richard e, principalmente, de Emily e Lorelai Gilmore, as mães mais legais da história da TV (a primeira por sua personalidade arrogante e arrependida de dondoca que quer amor, o que garantia ótimos momentos ao drama; a segunda, bem, porque era a Lorelai – precisa de algo mais? Era ela que tornava GG tão boa!).
Será que, pelo menos, a série e/ou a Lauren ganharão um Emmy e/ou Globo de Ouro dessa vez? Além de merecer, pelo conjunto da obra, faria todo sentido (na lógica dessas premiações): essa temporada foi a que os fãs menos gostaram, logo, a que os jurados dos prêmios provavelmente gostarão mais! É a última chance de se fazer justiça.
Meus DVDs e o restante dos episódios na televisão não deixarão eu ficar tão saudoso, mas… Tem coisa que jamais deveria acabar – e eu, como você já percebeu, acho que “Gilmore Girls” é uma delas.
O episódio final vai ao ar no dia 15 de maio nos EUA e dia 7 de junho aqui no Brasil. Desde já, estou de luto. Lorelai Gilmore não nos fará mais sentir.
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Veja, abaixo, as capas de grandes portais, com links para as notícias do cancelamento:
TV JB: Um primeiro olhar, não muito positivo
Apr 19th
Assisti agora a um pouco da TV JB, que estreou ontem. Comecei direto pelo o principal programa do canal, o “Telejornal do Brasil”, que é dirigido e apresentado por Boris Casoy.
Vi bem pouco, confesso, mas já deu para perceber que a proposta é diferente. Primeiro, é gravado. Segundo, o cenário é estranho. Terceiro, há entrevistas, no estilo talk show, no meio do jornal – mesmo que não tenha nenhum assunto especial, como costuma acontecer em eleição presidencial, quando há entrevistas com candidatos. É esquisito, mas merece atenção para ver se a fórmula vinga (não em audiência, porque isso eu duvido que o canal vá ter, mas em qualidade e fôlego).
Parece tudo meio velho, empoeirado. O próprio Boris Casoy já não tem mais aquele rosto que esperamos de um âncora de telejornal. Para falar a verdade, eu nunca entendi direito porque ele era tão importante, mas hoje, depois de conhecer um pouco de sua carreira nos meios impressos e na televisão, compreendo que, no mínimo, devemos dar algum crédito a projetos com sua assinatura.
O visual do canal como um todo é ruim. A logomarca parece feita por uma criança naqueles programas gráficos toscos utilizados antigamente por quem não tinha acesso ao Photoshop ou ao Corel, que vinham em CDs encartados em revistas do tipo “monte sua própria gráfica”.
Na seqüência do telejornal entrou um programa que, se não me engano, já tinha na CNT (que agora cede seu horário nobre a essa nova rede). É o “+ POP”, programa de clipes e celebridades que me causa muito estranhamento. A apresentação tende do informal ao capenga, algo irreconhecível na linguagem das TVs paulistanas (e olha que temos coisas do nível do “Insômnia”, na Rede TV!) e da Globo, que mantém um estilo mais próximo de São Paulo do que do Rio, até por esse ser o mercado que realmente importa a qualquer canal comercial de abrangência nacional. A mídia televisiva definiu um padrão sem muitos modismos regionais, uma linguagem mais “limpa”, e conseqüentemente mais formal. Talvez esse seja o problema: a apresentadora e o programa são cariocas demais e isso não agrada quem não é de lá – além do cenário eletrônico que parece os piores efeitos do Windows Media Player. O programa do Clodovil, que ocupará esse horário às quartas, não estreou ainda.
Depois da meia noite, o canal continua a exibir o trash “Mil e Uma Noites”, programa de vendas e leilão por telefone de quadros, jóias, tapetes e relógios. Hoje o programa é “especial”, com a apresentadora Meire Nogueira (ela é a cara da Debra Jo Rupp como a Kitty de “[BP]That ’70s Show”[/bp]!) falando a cada 3 minutos que estão na “Rede JB”, ao invés de TV JB, e citando até mesmo a morte da Nair Bello para aumentar as vendas. Segundo eles, o programa faz a parte de verdade da “maravilhosa Rede JB” e, agora, também estará ao vivo nas tardes dos sábados e domingos. Pobre Meire, já foi uma estrela pioneira da TV e hoje comanda uma atração desse quilate (desculpe, o trocadilho imbecil e sem graça é inevitável). Não entendo como uma coisa dessa aparece em um canal que não seja do interior. Medo.
Não sei. Não esperava ver nada de muito bom da emissora, mas o que vi só me fez querer mudar de canal. Pelo pouco que assisti não deu para perceber a que veio a tal TV JB, que, é importante lembrar, pertence ao grupo do Jornal do Brasil impresso.
Difícil acreditar que vá decolar, mas, de qualquer forma, vou continuar de olho.
Cordel do Fogo Encantado iluminando na Globo: Conheça o grupo e as músicas
Apr 15th
Compare Preços: CD “Cordel do Fogo Encantado”, DVD “MTV Apresenta: Cordel Do Fogo Encantado”, CD “Transfiguração”, CD “O Palhaço do Circo Sem Futuro”
Tem felicidade maior do que as suas bandas de coração fazerem cada vez mais sucesso? Acho que não. Eu estabeleço uma relação quase espiritual com as minhas músicas preferidas e, por isso, só vou poder dormir após este post. É que o “Cordel do Fogo Encantado” estava até agora no “Altas Horas”!
[BP]Cordel do Fogo Encantado[/bp]? Hãn?
Você ainda não conhece? Demorou! Aliás, demorou muito, alguns anos!
Mas ainda é tempo. Surgido como um grupo teatral na cidade de Arcoverde, no sertão de Pernambuco, o Cordel mistura música, literatura e, claro, teatro. O resultado é uma explosão cultural tão fascinante quanto estranha, diferente, única. Misturando elementos, o grupo comandado por Lirinha traz canções fortes, com marcantes tambores. Entre músicas, a poesia – que nos shows é dita em coro com os fãs – de mestres consagrados de nossa literatura (como João Cabral de Melo Neto e Euclides da Cunha) e mestres ainda desconhecidos pela maioria (como Patativa do Assaré e o poeta Zé da Luz). A mistura de rock e música popular faz emergir a cultura mais profunda do nosso país, que vem há muito conquistando o público.
Essa não foi a primeira vez deles na TV. Quem assiste à TV Cultura já cansou de vê-los no “Metrópolis” e até em uma apresentação ao vivo no “Festival Cultura” de música brasileira. Na MTV eles também já tocaram, no especial “[BP]MTV Apresenta: Cordel Do Fogo Encantado[/BP]“, que virou DVD. Nem mesmo na Globo foi estréia. Uma música deles tocou nessa edição do Big Brother, para desespero dos fãs, que, além da banda em si, também amam a atmosfera cult que a envolve.
Eu adoro bandas cult e pouco conhecidas, mas sempre quero que elas cresçam e atinjam a massa. Poxa, que bom seria se um som com essa qualidade freqüentasse as rádios, não? Eu acho, mas muita gente não e, agora, com o grupo cada vez mais popular, não faltam críticas. Dizem que os membros da banda estão virando estrelas, que os shows estão caros e que a música está perdendo sua cara.
E está, mas de forma proposital. O nome do mais novo CD deles é “[BP]Transfiguração[/BP]” e traz canções mais musicais do que nos anteriores “Cordel do Fogo Encantado” e “[BP]O Palhaço do Circo Sem Futuro[/Bp]. É, sem dúvida alguma, o álbum mais fácil de digerir e também o mais “comum” deles, alimentando as acusações de que eles estão mais comerciais. Segundo eles, a diferença é que, dessa vez, o processo criativo foi das músicas e do álbum ao show, e não o contrário, como havia acontecido anteriormente. Por isso que os críticos musicais gostaram tanto desse CD, julgando-o mais maduro. Ele realmente traz coisas muito boas, como “Preta” a “Morte e Vida Stanley”, que eles apresentaram no “Altas Horas”, além de “Aqui”, “Pedra e Bala”, “Transfiguração” ” e “Louco de Deus”. Vale a pena conhecer.
Os rapazes do Cordel já fizeram shows em diversos país e são referência em nossa música há um bom tempo (ja ganharam até o Prêmio Tim, a mais importante premiação musical brasileira), com uma legião de fãs que sabem cada vírgula de suas letras e poesias. Tive prova disso quando, em um show do Teatro Mágico há algumas semanas, a trupe paulista tocou, no meio de sua “Camarada D’água” (que, aliás, foi gravada com a participação do pessoal da banda de Arcoverde, embora a maioria não saiba), um trecho de “Chover”, que talvez seja a música de maior sucesso do Cordel do Fogo Encantado. E não é que o público do Teatro sabia a música inteira do Cordel? Inclusive a poesia, gritada como num ritual, numa missa. É mágico, encantado.
Eles não ligam para os críticos e garantem que o próximo CD será ainda diferente dos anteriores. O por quê? O próprio Lirinha explica, respondendo a uma pergunta minha no Bate Papo UOL no ano passado: “Porque a gente acredita que temos raízes, mas não como as árvores. Temos pernas e podemos caminhar. Acreditamos no trânsito e na divisão política dos lugares, que só cria submissão. Não temos nenhum receio de perda de identidade.”
Se é assim, sim. Que venham as novidades, que venha o sucesso.
Está esperando o que para ir lá no site e no Myspace deles e baixar tudo que puder e ir no Youtube conhecer essa premiada e deliciosa banda herdeira do mangue beat que canta o sertão e coloca fogo mundo afora?
[BL]O Teatro Mágico[/BL]

Outra loirinha que também servia de babá-eletrônica – na definição de Silvio Essinger, no “Almanaque dos Anos 90” -, foi a Eliana, que comandou no SBT a “Sessão Desenho” e o “Bom Dia & Cia”, entre outros. Neste último, ela se consagrou como ídolo infantil ao conquistar audiência com desenhos populares e personagens, que interagiam com ela no palco, como Flitz e Melocoton – que, por si só, também fizeram muito sucesso. A música “Os Dedinhos” foi um de seus hits – e todo mundo cantava, lembra? Na Record, emissora em que ainda é apresentadora, apresentou os infantis “Eliana e Alegria” – que se tornou sucesso graças ao desenho “Pokémon” (que me fez gastar uma grana em revistas e Guaraná Antarctica Caçulinha, que vinha com a pokebola!) – e “Eliana no Parque”, que eu já era velho demais para gostar.







