Séries
Globo de Ouro – Ao Vivo!
Jan 17th
Convidei alguns amigos blogueiros, que escrevem sobre séries e filmes, para participar de um Live Chat aqui no blog durante o Globo de Ouro. O TNT começa a transmitir às 23h, mas estaremos por aqui a partir das 22h30, com o red carpet, que já está rolando no E!. Foram dezenas de pessoas lendo, centenas de cliques no Twitter e uma cobertura de quatro horas com comentários de quem entende muito do assunto.
Esse é o retorno do OutrOs OlhOs, que no começo de fevereiro completará 7 anos de existência.
Comentando o Golden Globe estiveram:
Ale Rocha, do Poltrona.tv
Bruno Carvalho, do Ligado em Série
Diego Maia, do This Blog is a Movie
Eric Franco, do Cegos, Surdos e Loucos e colaborador do OutrOs OlhOs
Felipe Rezende, do Wlking Contradiction
Gustavo Miller, do Daqui pra Lá!
Rob Gordon, do Championship Vinyl
Vinícius Silva, do Sob a Minha Lente
A lista de vencedores você vê aqui. Abaixo, você confere como foi nossa cobertura ao vivo:
Obrigado a todos. No Oscar tem mais!
Atualizado às 2h15
Série “Freaks and Geeks” e o resultado da promoção
Apr 2nd
Não podia ser mais óbvio. Eu deixei tão fácil, mas tão fácil, que mandaram a resposta já dizendo “não pode ser… tá MUITO na cara”. Estava mesmo!
A série a que fiz referência no título de meu texto para a Pix – “Freaks e Geeks: a maluquice hi-tech das séries de TV” – é…
“Freaks and Geeks”!
Pois é, estava na cara, gritando no título, e ainda assim muita gente errou ou não conseguiu lembrar. É que esse seriado, produzido entre 1999 e 2000, teve apenas 18 episódios e não teve lá muita audiência ou repercussão. Uma pena: ele realmente era ótimo!
Protagonizado por Linda Cardellini (que depois entrou em “ER”, como a enfermeira Samantha Taggart) e por John Francis Daley (que nunca mais fez nada de tão importante, mas que participou no ano passado de “Bones”), a série contava a vida de jovens colegiais nos anos 80, com seus conflitos e inadequações – assim como “Anos Incríveis” fazia e “Aliens in America” tenta fazer – de forma brilhante, misturando drama e comédia. Não era uma série teen sobre populares jovens plastificados interpretados por atores de 25 anos. Era sobre adolescentes de verdade, personagens realmente humanos que viviam em grupinhos marginalizados.
Os roteiros de “Freaks and Geeks” eram absurdamente inteligentes e reais, o que talvez justifique a falta de audiência – pode ter sido sofisticada demais para a TV aberta norte-americana), levando a seu cancelamento logo na primeira temporada – apesar da vitória no Emmy de 2000 como melhor elenco de comédia e outras duas indicações ao prêmio.
Com ótima direção, elenco de primeira e uma trilha sonora bem bacana (já ouvi até o tema de abertura, esse do vídeo que ilustra o post, “Bad Reputation”, tocando em balada!), a série está presente em todas as listas de melhores coisas produzidas pela TV ou de seriados cancelados prematuramente.
Não é a toa. Ali estavam diversos talentos que depois viriam a estourar, como o ator Seth Rogen – que esse ano apresentou uma categoria no Oscar – e Judd Apatow, produtor, diretor e roteirista. Foi a primeira parceria dos dois e deu tão certo que eles a repetiram em produções como “Ligeiramente Grávidos”, “Superbad – É hoje” (que traz temática parecida com a da série) e “O Virgem de 40 anos”, verdadeiros hits, que conquistaram platéias e crítica, focalizando, adivinha?!, pessoas freaks. “Freaks and Geeks” é a base dessas comédias que estão dominando o cinema nos anos 2000.
No time de coadjuvantes da série também estavam Jason Segel, o Marshal de “How I Met Your Mother” (e que participou de “Ligeiramente…”), Martin Starr, que também esteve em “Ligeiramente Grávidos”e “SuperBad”, além de um episódio de “How I Met Your Mother”. Tinha ainda Busy Philipps, a Audrey de “Dawson’s Creek” – e que também fez “HIMYM” e “ER” -, e James Franco, dos filmes “Homem Aranha” (1, 2 e 3) e “No Vale das Sombras”. Que tal?
Nos EUA, já foi lançado o DVD com a série completa – que hoje é reconhecida, aclamada e cult. Aqui no Brasil, claro, não tem nem previsão disso acontecer. Mas com sorte você consegue pegar alguma reprise de madrugada na Globo (juro que já vi passando nela, embora não tenha encontrado registro) ou no Multishow, que chegou a exibir diversas vezes com regularidade até bem pouco tempo. Ah, também dá para pedir para o Paul Torrent e pegar legendas em português!
É isso, fica meu tributo a essa série que gosto tanto e que você deveria conhecer…
***
O quê? Esqueci de alguma coisa?
Aqui estão os vencedores da promoção, os cinco primeiros que acertaram o nome da série por E-mail:
Fabiana Neves, do Rocker Space
Vitor Hugo, do Prato Fundo
Leandro Alonso, do Leandrow.net
Hilário Júnior, do Sarcasmo Raro
Lucas dos Santos, do Séries é Aqui
Parabéns aos cinco! Repondam ao E-mail que enviarei com seus endereços completos que mandarei a revista Pix #17 para vocês, certo?
Revista Pix: o texto é meu, a revista é sua
Mar 23rd
Na edição de março da revista Pix, distribuída gratuitamente de diversos lugares, eu pago a minha língua. Não costumo participar de memes aqui no blog, mas lá eu participo. Na verdade, é uma coluna fixa em que um blogueiro indica o outro para escrever na edição seguinte e eu sou o segundo a participar, por indicação da Rosana Hermann.
Na coluna, chamada Rodízio de Idéias – Blogs, eu junto dois dos meus assuntos favoritos: tecnologia e séries de TV. Sabe quando algum personagem consegue sinal no celular no meio do deserto e você fica gritando mentalmente “NO WAY”? Pois é, é disso que eu falo por lá, das maluquices envolvendo tecnologia que acontecem nos seriados de televisão norte-americanos.

A revista é bem bacana, falando, de forma divertida e totalmente informal, de cultura digital. A inspiração assumida vem da linguagem blogueira e eles – os colunistas e principalmente a editora, a já amiga Bia Granja – dão conta direitinho de transpor o universo daqui para as páginas da revista. Eu já gostava antes de escrever – e também babava pelos incríveis ensaios que toda edição traz.
A Pix é um blog bacana que nasceu em papel, mas também dá para ler tudinho online e colaborar bastante. Vale a pena ver a revista impressa, que tem o formato certo para ler em qualquer lugar, até na fila da balada.
É de graça e está disponível em vários lugares, mas ainda assim vou mandar essa edição para a casa dos primeiros cinco leitores que perceberem a qual série eu faço referência no título do meu texto. É bem óbvio mesmo – está gritante no título! -, mas a série não é muito famosa.
Se você souber, basta mandar o nome dela através do formulário de contato do blog. Se você for um dos cinco primeiros, eu mando a revista para a sua casa. Ah, não conte o nome nos comentários, senão perde a graça, né?!
Aguardo as respostas, espero que você gosto do meu texto e recomendo que você conheça a revista. É jeito gostoso de obter, mesmo offline, uma boa dose de diversão digital.
Greve de roteiristas e internet: a roda continua girando
Jan 12th
Você já deve ter percebido que sou viciado em séries de televisão. Pois é, acompanho muitas até mesmo por questões profissionais e é bem complicado arranjar tempo para ver tudo – mesmo as séries que passam na televisão acabo tendo que ver no computador, porque não consigo conciliar meus horários com as grades de programação. Essa paixão toda começou há pouco tempo, uns três anos, e percebi que gostava muito desse assunto quando, em um site sobre seriados, vi uma listagem com a maioria das séries já produzidas e pensei: um dia ainda vou assistir a todas elas.
Talvez eu não chegue lá – nem quero mais, afinal, eu gosto da minha vida -, mas essa greve de roteiristas está sendo ótima para eu colocar minha lista de “para assistir” em dia – sem que, enquanto isso, uma outra lista se forme com os novos episódios. Para que eu consiga ver tudo que quero, a greve teria que durar mais uns cinco meses – o que, entretanto, certamente causaria danos terríveis a outras séries que adoro, como a nova Pushing Daisies, que ainda não garantiu uma segunda temporada e nem sabe se completará a primeira – que, antes da greve, havia sido confirmada.
A causa da paralisação dos roteiristas norte-americanos é justa: eles buscam uma maior participação nos lucros com as vendas de DVD e exibições na internet. Só que os custos que essa greve está tendo para os próprios manifestantes já superaram a diferença que eles exigem receber em um ano. É aquela coisa: perdem agora para recuperarem a longo prazo.
Hollywood está parada e calada e um número gigantesco de profissionais ligados à indústria do entretenimento televisivo e cinematográfico passa por uma grave crise financeira, graças à falta de atividades e a demissões temporárias, que podem atingir milhares de pessoas.
Apesar de todo o efeito negativo da greve nesses setores, os vilões continuavam sendo os produtores. Mas aí os atores, em solidariedade aos roteiristas, anunciaram boicote ao Globo de Ouro. A cerimônia, que já não teria roteiristas sindicalizados, acabou sem as estrelas e, por isso, não havia mais motivo para ser televisionada. O resultado foi o cancelamento, e os vencedores serão anunciados amanhã, em uma entrevista coletiva à imprensa transmitida por diversos canais – já que a exibição por uma só emissora, que lucraria financeiramente com isso, como estava previsto, irritou os roteiristas, que ameaçaram piquetes em frente ao local do evento.
A produção do Golden Globe e todo o mercado que o envolve, inclusive aqui no Brasil, acabaram sofrendo. Afinal, não haverá material de cobertura para milhares de veículos que já estavam preparados para isso, um prejuízo gigantesco, que só deve ser menor ao gerado por um eventual cancelamento do Oscar, cerimônia que, na verdade, está mais próxima do que os organizadores gostariam.
Intransigência, de ambos os lados, parece ser a tônica dessa greve. É isso que, associado à inabilidade de negociação, faz tudo ficar parado. São poucos os avanços até agora e as perspectivas, infelizmente, não são nada boas – apesar de um acordo para a realização do Oscar ser muito provável.
De qualquer forma, as séries que já haviam sido gravadas e que estrearam agora nos Estados Unidos, em meio a um monte de reprises, não estão fazendo sucesso, ao contrário do que se esperava. Os reality shows e os programas jornalísticos, que também aguardavam um aumento de audiência, não registraram tanta diferença assim.
Não duvido que nesse meio tempo as pessoas, assim como estou fazendo, acabem, cada vez mais, baixando da internet séries antigas ou que ainda não tinham visto, mantendo a roda girando, mas deixando de proporcionar dinheiro tanto aos “gananciosos produtores” quanto aos “injustiçados roteiristas”.
Na internet ninguém espera pelo oficial: Se alguém tiver como disponibilizar, o fará, e o mundo inteiro consumirá esse conteúdo, independentemente do resultado de qualquer greve, seja ela de roteiristas, de diretores ou de atores – e olha que estas duas últimas podem realmente acontecer em breve.
Isso não é bom para ninguém – nem mesmo para os viciados em séries e filmes que, apesar de poderem ver o material de arquivo, deixarão de ter coisas novas ou, pior, poderão ter que assistir a um final melancólico para o que gostam. E eu gosto demais de Scrubs para aceitar que isso aconteça.
Acaba logo, greve!
[BL]DVDs de Scrubs[/BL]
Série “How I Met Your Mother”: Como conheci sua mãe e me apaixonei
Jan 4th
Crianças, esta é uma história de amor, que poucas vezes acontece. Era o dia das mães de 2007. O almoço em família havia chegado ao fim e, sozinho em minha casa, liguei a televisão. Parei em um canal um tanto quanto obscuro, que me prendeu por seis horas seguidas. Foi assim que conheci sua mãe.

Conheci “How I Met Your Mother” numa maratona do Fox Life e, sem nunca ter ouvido falar da série, acabei vendo seis horas seguidas (só não vi mais porque parou de passar). Gostei e me identifiquei tanto com a história e com o protagonista, Ted Mosby (Josh Radnor), que a série ganhou um lugar de destaque no hall das minhas queridinhas. Mas, apesar dos meus esforços, nunca mais consegui assisti-la na televisão. O dia e o horário são péssimos e o canal é quase um desconhecido dos fãs de seriados, além de não estar disponível para a maioria dos assinantes da TV paga.
Claro, pedi para o Paul Torrent trazê-la, na íntegra. Já assisti a tudo e jamais consegui ver apenas um episódio por vez. “How I Met Your Mother” é legen – espere por isso – dária!
A trama gira em torno do arquiteto Ted Mosby, um cara bacana e romântico que batalha para encontrar um grande amor e se casar, e de seus melhores amigos – Barney (Neil Patrick Harris), um solteirão safado e egocêntrico que adora badalar e conquistar belas mulheres; Robin (Cobie Smulders), uma bela jornalista de TV um tanto quanto masculinizada, que desperta o interesse (ou muito mais do que isso) de Ted e se apaixona por ele, mas que tem medo de relacionamentos sérios; Lily (Alyson Hannigan), uma professora do jardim da infância apaixonada por artes e por seu marido, Marshall (Jason Segel), o melhor amigo de Ted, um advogado recém-formado que sonha em advogar a favor do meio-ambiente, mas que vive o dilema de ter que trabalhar para uma organização poluidora para conseguir um bom dinheiro e manter uma vida melhor.
A história é narrada em flashback. Ted, o pai, conta para os filhos, em 2030, como foi que conheceu a mãe deles. Já estamos no terceiro ano da série e o mais próximo que chegamos da mãe foi ver seu guarda-chuvas voar. Enquanto não sabemos quem ela é, vamos vendo os relacionamentos do pai e de seus amigos, o encantador namoro com a “tia” Robin, como nem sempre tudo dá certo… Ou seja, o dia-a-dia de cinco amigos em Nova York.
Sim, parece “Friends” – e são muitos os que comparam. Mas são várias as diferenças, e a principal delas é a estrutura narrativa. “HIMYM” é contada por quem já a viveu. A maior parte do episódio se passa nos dias atuais, mas a base é em 2030, com a narração do Ted velho falando para os filhos (que aparecem, já adolescentes, em vários episódios). Tal artifício engessa um pouco – e bem pouco – o roteiro, já que sabemos por exemplo, que o carismático casal formado pelo pai e pela Robin não pode dar certo – afinal, sabemos que ela não é a mãe (o que é uma pena e até desanima!). Por outro lado, traz uma complexidade sem precedentes (pelo menos nunca vi nada parecido) em sitcoms, misturando vários tempos – além de 2030 e do ano de exibição da série (que é onde as histórias de desenvolvem), já aconteceram flashbacks dentro de flashbacks e até mesmo idas ao futuro-passado de 2020.
Como a série é contada através da memória, subjetiva, do protagonista, diversas vezes vemos coisas que não são reais, mas frutos da imaginação e do sentimento dele. Isso deixa tudo ainda mais engraçado.
Além disso, os roteiristas não têm medo de brincar com a televisão, introduzindo elementos pouco usuais – na terceira temporada, o personagem de Barney desenha na tela!
O conteúdo não fica atrás da forma: apesar de ser uma comédia leve, ela fala assuntos sérios com muito bom humor. Tem um episódio na terceira temporada, ainda inédito no Brasil, em que eles fazem referência ao uso de maconha por eles na juventude tomando todo o cuidado que um pai tem para falar com o filho sobre isso – e eu chorei de dar risada vendo. Ah, sim, se você gosta de referências pop – algo que eu adoro – a série também tem bastante, como quando Barney inventa uma história de sua primeira vez misturando vários filmes.

“How I Met Your Mother” tem algo em comum com todas as grandes comédias do passado, como “Friends” (de novo!) e “Seinfeld”: Ela consegue criar elementos que podem ser incorporados pela sociedade – Como o “How you doin?” do Joey, o Barney tem seu “Legen – wait for it – dary!” e o “Have you met Ted?”; assim como o Festivus do pai do George Constanza, Marshall criou seu Slapgiving (Dia da “Estapeação” de Graças). Fora os ótimos “crazy eyes” e “the lemon law” e a sábia frase “Quando passa da 2 da manhã, apenas vá dormir”.
A série tem um dos melhores personagens das comédias contemporâneas: a alma do show, Barney, interpretado com maestria pelo Neil Patrick Harris – o que lhe rendeu uma indicação ao Emmy de 2007. Mesmo se todo o resto fosse ruim, valeria a pena só pelo humor ardido desse personagem – que, wait for it, é blogueiro!
Poucas vezes gostei tanto de uma série. Poucas vezes achei um personagem que eu me identificasse tanto (quando eu for mais velho, tenho certeza que serei igualzinho ao Ted!). Poucas vezes torci tanto por um casal (Ted e Robin). Poucas vezes fui tão influenciado por algo da TV (mudei um tanto da minha atitude com as mulheres e até mesmo me lembrei do Barney para comprar roupa social – “Suit Up!”). E, claro, muitas vezes recomendo que você assista a “How I Met Your Mother”!
Aproveite, o Fox Life começou a exibir nessa semana a terceira temporada da série, que começa meio estranha, mas logo volta a ficar hilária – quase tão boa quanto a primeira temporada, que, para mim, é a melhor de todas! Aqui, tem um vídeo mostrando tudo que aconteceu nas duas primeiras temporadas da série em 3 minutos, mas eu indico que você procure ver tudo por Torrrent (ou aqui) ou conheça mais no canal oficial de “HIMYM” no Youtube. Vale muito a pena ver a série inteira, eu garanto.
Pena que, por enquanto, não tem mais episódios inéditos. A terceira temporada foi até o 11º episódio e aí foi interrompida pela maldita greve de roteiristas.
[bl]DVDs de How I Met Your Mother, DVDs de Friends, DVDs de Seinfeld[/bl]
Dublagem de séries na Fox: Jack Bauer, por favor, não fale português!
Jul 5th
A televisão é um dos meios de comunicação mais quadrados que existe, porque é baseada em hábitos – e pouca gente gosta de mudá-los. Por isso projetos de vanguarda não costumam dar certo aqui em nosso país, embora façam sucesso de crítica.
Nesse caso, ir contra o interesse do espectador é justificado, já que há a busca por inovar, criar coisas novas. Em todos os outros, é burrice e tende a estimular a fuga de telespectadores para outros canais – o que acontece, por exemplo, com o SBT, que não mantém uma grade de programação fixa por muito tempo.
Por isso é raro ver qualquer coisa legendada na TV aberta – que, naturalmente, possui quase a totalidade de sua programação falada em português -, recurso normalmente reservado a filmes clássicos, que possuem um público mais qualificado. Ainda assim, é algo bem restrito e raro, até porque não tem uma grande audiência e não é muito bem aceito, já que não está de acordo com os costumes da grande massa de telespectadores.
Panorama inverso é o da TV paga, que é dominada por programação importada e tem um público de maior poder aquisitivo, cultural e educacional. Capitais simbólicos essenciais para a familiarização com línguas e costumes estrangeiros, permitindo que o telespectador – que, conseqüentemente, é bem mais alfabetizado – consiga assistir a programas legendados sem maiores problemas.
Assim acontece em todos os canais fechados de séries, quase na íntegra de sua programação. Mesmo no TNT, que exibe filmes dublados, as séries – as cultuadas “Veronica Mars”, “Battlestar Galactica” e “The Closer” – são legendadas. A exceção é “Six Feet Under” (ou “A sete palmos”) no Warner Channel, mas, aí, a decisão é bem mais contratual do que estratégica: a série é originalmente exibida, legendada, na HBO, que, por não fazer parte dos pacotes básicos das operadoras de [bp]TV por assinatura[/bp], permitiu a veiculação da série, dublada, na Warner, que não é um canal “extra”.
Só que os canais de filmes dublados, como o próprio TNT e o Telecine Pipoca, costumam dar bastante audiência. Aí, naturalmente, outras emissoras, como a Fox, querem tentar aumentar seu público exibindo filmes em nosso idioma, em faixas dedicadas à família. Nada de errado, certo? Filmes em português em meio a toda a programação em inglês, legendada.
O problema é quando querem misturar as coisas, como a Fox está fazendo agora, dublando suas principais séries. PELO AMOR DE DEUS! Quem quer ver série dublada vai assistir na TV aberta! Por mais que a qualidade das legendas muitas vezes deixe a desejar, a dublagem descaracteriza a série! Eu não consigo assistir à “Gilmore Girls” – uma de minhas séries favoritas – dublada, a versão “Tal Mãe, Tal Filha” fica terrivelmente ruim.
Mas a Fox fez o pior: por anos, exibiu seus seriados legendados e, agora, resolveu dublar – no meio da temporada! A quebra da rotina do telespectador não poderia ter repercutido mais negativamente do que está acontecendo, com todos os portais – mesmo os não-especializados – destacando reclamações, com espectadores organizando abaixo-assinado e manifestações de todos os lados…
Sobrou até para o intérprete do maior herói do canal, Jack Bauer, o ator Kiefer Sutherland, que está aqui no Brasil para gravar um comercial. Um fã se hospedou no Copacabana Palace, onde o astro de “24 Horas” está, e deixou uma mensagem na recepção fazendo um apelo para que ele intercedesse junto a Fox! Será que ele poderá deter esses executivos malucos que planejam acabar com o costume dos telespectadores?
O canal, por sua vez, dizia que a medida era experimental e que levaria em conta todos esses manifestos. Agora, a Fox já está com 80% de sua programação dublada, diz que a mudança é definitiva e afirma que está estudando, junto às operadoras, formas de disponibilizar ambos os formatos simultaneamente – como acontece com filmes em pay per view.
Com isso acontecendo, óbvio, ninguém vai reclamar de ter a opção de ver dublado. Mas, enquanto não há essa possibilidade, nada deveria mudar. Com seriados não se mexe: os telespectadores – que, mais uma vez, são mais informados e conseguem amplificar melhor sua voz pela imprensa – acompanham e se envolvem com aquilo de tal forma que fazem esse barulho todo por uma mudança estratégica do canal. Mais do que com as novelas, qualquer mudança nessas ficções semanais causa impacto, já que não tem a enrolação da teledramaturgia diária. Nem a ignorância de achar que o espectador apenas recebe calado a programação da televisão. O telespectador de séries é o que mais gosta de repetição, criando rotinas.
Por essa lógica, claro, também é válido o inverso: o público vai, com o tempo, acabar se acostumando com as dublagens. Só que até isso acontecer, ele pode já ter desenvolvido a prática de pedir o seriado ao Paul Torrent. Aí será muito mais difícil de fazer o telespectador voltar – uma vez que, quem acompanha pela internet tem acesso aos episódios americanos bem antes deles chegarem à televisão brasileira. E é tão fácil adquirir o hábito de ver as coisas antes dos outros…
Se eles querem experimentar, por que não criam um horário alternativo? Passa num horário dublado e em outro legendado. Agrada a todos – ou quase. O que não pode é acabar com o hábito de anos do telespectador que, obviamente, gosta das coisas iguais, em série. Eu é que não quero ouvir um “”Largue a arma, UCT, droga!“.
Exijo respeito! Damn it.
[BL]DVDs Battlestar Galactica, DVDs A Sete Palmos, DVDs Gilmore Girls, DVDs 24 Horas[/BL]
As estranhas listas de séries mais vistas
May 30th
Dizem que toda minoria é barulhenta. Deve ser verdade, levando em conta as listas com as séries mais vistas no Brasil e nos EUA, que trazem várias surpresas e ficam bem distantes das mais faladas.
A audiência norte-americana nem é tão curiosa assim, já que é possível acompanhá-la semanalmente pela internet. Já a divulgação da lista das séries mais vistas na TV paga brasileira causou muita estranheza, até porque o acesso a esses dados é tão restrito que a descoberta por parte do Daniel Castro virou capa da Folha Ilustrada de domingo, com direito a chamada na primeira página da Folha.
A série mais vista do Brasil em abril foi “[BP]Lost[/BP]”, que há tempos deixou de ser uma das mais assistidas nos EUA. A segunda, “Heroes” está em sua primeira temporada e também tem ido bem em seu país de origem. Em terceiro veio “Criminal Minds”, que faz sucesso lá fora – desbancando “Lost” –, mas que permanecia meio obscura por aqui. Nunca ouvi falar nada sobre ela em nosso país, nem nenhum site dedicou grande atenção. Pelo visto o público descobriu sozinho e assistiu calado…
Na quarta posição vem a queridinha – faz sucesso também na TV aberta tupiniquim – “[BP]Smallville[/BP]”, que por lá tem uma audiência satisfatória em sua emissora (uma espécie de Band americana). Na quinta vem “[BP]Grey’s Anatomy[/BP]”, a série de maior sucesso nos EUA atualmente. Em seguida, a surpresa: [BP]E.R.[/BP], após tantos anos, ainda entre as mais vistas.
E por aí vai. Os que mais me surpreendem são “Cold Case”, na 9ª colocação; “[BP]Monk[/BP]” na 11ª (Eu gosto, mas… “Monk” ainda faz sucesso por aqui?!); e “Friends” em 20º lugar, além das reprises de “The OC”, “House” e “Lost”. E a ausência de “Gilmore Girls”, tão falada, com fãs tão fiéis – mas que não foi tão vista assim em abril (período em que exibiu reprises).
É engraçado ver como o buzz não garante a audiência. O Séries ETC. divulgou hoje as séries mais vistas lá nos EUA durante toda a temporada 2006/2007. Uma lista bem estranha e que traz mais surpresa: “Grey’s” não é a série mais vista, apesar de quase toda semana ser o primeiro seriado no ranking de audiência. O topo da lista é de “CSI” e o terceiro ficou com “House” (que vem crescendo na audiência e que, ano que vem, sucederá a maior audiência norte-americana: o Superbowl). Mais 5 séries policiais estão na lista: a franquia “Miami” de “CSI”, “Without a trace”, “NCIS”, “Cold Case” e “Criminal Minds”. Nada de “Desperate Housewives” ou “24 horas”, por exemplo. É bastante esquisito que a audiência da íntegra da temporada difira tão sensivelmente do acompanhamento semanal. Vai entender…
Ninguém muda de série preferida só porque ela é ou não uma das mais vistas, mas os índices são importantes para que nossos programas preferidos possam continuar a ser produzidos nos EUA (embora nem sempre seja garantia, caso de “Gilmore Girls”) e que recebam mais atenção do canal (em agilidade na legendagem dos episódios, na elaboração de promoções e comerciais…) aqui em nosso país – apesar dos números serem absurdamente pequenos (o mais visto, “Lost”, foi assistido por apenas 217.903 telespectadores).
Tomara que, agora, possamos ter acesso mensalmente aos dados das séries no país. Eu sempre reclamava disso com a Claudia Croitor, que, agora, também destacou os números no site. Já sabemos que é pouco, não há mais o que esconder.
E, fala sério, fã que é fã gosta de ver a sua série no topo, mesmo que isso não sirva para muita coisa, não?
O fim de “Gilmore Girls”: Vou me matar.
May 3rd
A culpa é do Warner Channel brasileiro, com a sua maldição de quinta-feira. Pensa bem, ano passado a série que passava depois de “GG” era “[BP]Everwood[/bp]“, que foi cancelada. Esse ano, “[bp]The OC[/bp]” sucedia as Garotas Gilmore: Cancelada. Claro, com tanta série afundando por perto, “[bp]Gilmore Girls[/bp]” não agüentou e acabou também chegando ao fim.
Para falar a verdade, o cancelamento de GG não é nenhuma grande surpresa, mas a possibilidade de haver uma oitava temporada, com 13 episódios, parecia bem grande. A vitória no “Save a Show” também me animou. O problema da série não foi a audiência – essa continua sendo uma das maiores do canal The CW -, mas os atores, principalmente a Alexis “Rory” Bledel, que, após 7 temporadas, se cansaram de interpretar os mesmos papéis, sem ter tempo para o cinema, que está com as portas cada vez mais abertas para as estrelas da série (em especial para a ótima Lauren “Lorelai” Graham, uma grande atriz que está em cartaz aqui no Brasil com “Minha mãe quer que eu case” e já já estará nas telas em “A Volta do Todo Poderoso”). Assim, “Gilmore Girls“, com o universo fantástico de Stars Hollow e personagens incríveis, deixará de existir.
Eu, como extremo fã da série, lamento MUITO. Era a minha série favorita em exibição.
É muito estranha a relação dessas séries com a gente, parece que são pessoas da nossa família que estão morrendo. Não tem como não sentir falta da Rory (que tinha uma história de vida bem parecida com a minha de verdade – e não só pelo jornalismo), do mal humor do Luke, das bizarrices do Kirk, da estranheza da Lane, da loucura da Sookie, da arrogância rabugenta do Michel, da deliciosa maluquice da Paris, do jeito do Richard e, principalmente, de Emily e Lorelai Gilmore, as mães mais legais da história da TV (a primeira por sua personalidade arrogante e arrependida de dondoca que quer amor, o que garantia ótimos momentos ao drama; a segunda, bem, porque era a Lorelai – precisa de algo mais? Era ela que tornava GG tão boa!).
Será que, pelo menos, a série e/ou a Lauren ganharão um Emmy e/ou Globo de Ouro dessa vez? Além de merecer, pelo conjunto da obra, faria todo sentido (na lógica dessas premiações): essa temporada foi a que os fãs menos gostaram, logo, a que os jurados dos prêmios provavelmente gostarão mais! É a última chance de se fazer justiça.
Meus DVDs e o restante dos episódios na televisão não deixarão eu ficar tão saudoso, mas… Tem coisa que jamais deveria acabar – e eu, como você já percebeu, acho que “Gilmore Girls” é uma delas.
O episódio final vai ao ar no dia 15 de maio nos EUA e dia 7 de junho aqui no Brasil. Desde já, estou de luto. Lorelai Gilmore não nos fará mais sentir.
***
Veja, abaixo, as capas de grandes portais, com links para as notícias do cancelamento:
Pé na Jaca: uma série divertida em forma de novela
Apr 14th
Compare Preços: Friends, That ’70s Show, Gilmore Girls, Seinfeld, Battlestar Galactica, TV por Assinatura
É uma pena ver os índices de audiência de “Pé na Jaca” tão baixos, mas não chega a surpreender. A novela é uma das coisas mais legais no ar em nosso país, mas sua aparência idiota e o roteiro cheio de referências que o telespectador não compreende fazem com que o público não tenha interesse. Se fosse uma série de TV paga, certamente faria mais sucesso.
A fórmula da novela é exatamente essa: parece uma série norte-americana, com um elemento-base do roteiro, mas sem histórias fechadas ou tramas mirabolantes. São 5 amigos de infância que se encontram em uma cidade pequena após anos, cada um com sua nova vida e ambições. Acompanhamos a vida deles atualmente: um executivo estranho que perdeu tudo devido a uma CPI, uma mocinha dona-de-casa batalhadora, uma modelo maluca, um herói mulherengo mas de ótimo coração e uma ex-freira ambiciosa e problemática que se torna a malvada vilã.
É ótima, Fernanda Lima está bem melhor e fica bem com o Marcos Pasquim, que está em seu pensonagem mais carismático, que eu me lembre. É muito bom o clima de amizade entre os irmãos Lance (Pasquim) e Tadeu, bom papel de Rodrigo Lombardi, e o carinho do mulherengo com o filho. A vilã Elizabeth, de Deborah Secco, poderia ser melhor aproveitada, já que possui uma complexidade bem interessante, repleta de frustrações bem humanas. Não é, mas ainda assim vai bem.
Mas o melhor de tudo é o casal mais estranho da TV: Juliana Paes e Murilo Benício. Ela vive sua primeira personagem romântica, mãe de família, lutadora – e não a gostosona. Ele vive a crônica perfeita do típico homem de classe média, que vê metade do mundo por revistas e é cheio de manias, esquisitices e esquizofrenias. Acho que eu nunca havia gostado do Murilo Benício antes. Finalmente ele demonstra alguma personalidade, está hilário, perfeito. Muito bom, mesmo.
Tudo seria ótimo se a audiência não fizesse a trama ser alterada e se novela brasileira, bem, não fosse novela brasileira. Com episódios de uma hora todos os dias, a trama acaba tendo que se arrastar. Como não tem uma história fechada (daí a semelhança com as sitcoms), parece que nada acontece nunca, e cansa. Além disso, o autor, que está com o humor crítico afiadíssimo (infinitamente melhor do que em suas obras anteriores) acaba caindo na idiotice por diversas vezes, como agora, que os personagens descobrindo poderes especiais ou dupla personalidade. Ou ainda com aquele humor pastelão, infantil, como quando um personagem contava história para uma menininha dormir, e, blarg, ele acabava dormindo antes que ela.
Mediocridade a parte, limpando os excesso, fica uma proposta um tanto quanto inovadora, mas sofisticada demais para o que se propõe (ser uma novela das 7). O potencial de Chico Anysio não foi aproveitado, mas Daniele Valente dá um show a parte. Carlos Bonow e Ricardo Tozzi também estão tendo suas grandes oportunidades – e não estão fazendo feio. O núcleo da fazenda vai bem, e Flávia Alessandra finalmente tem uma boa atuação.
Se fosse uma série, semanal, com esses mesmos atores principais, certamente faria um grande sucesso, principalmente com fãs de comédias como “[BP]Friends[/BP]“, “[BP]That ’70s Show[/BP]” e “[BP]Seinfeld[/BP]“. É dessa água que Carlos Lombardi bebe e tira a inspiração para o melhor de “Pé na Jaca”: Ele é fã assumido dos seriados, já citou “[BP]Battlestar Galactica[/BP]” na novela e até já copiou (desnecessariamente) uma história de “[BP]Gilmore Girls[/BP]“. Isso mesmo, copiou na cara dura a personagem oriental Lane, a melhor amiga da protagonista Rory. Tal qual a rebelde boazinha norte-americana, a Rosa, de Daniele Suzuki, faz coisas escondidas de sua mãe tirânica e tem até uma banda de rock. Criativo, não?
De qualquer forma, fico feliz de ter produções com um texto esperto como esse (cheio de referências, como o trio de queridinhos: Lancelotti, Guinevere e Arthur, insipirado no mito da Tavola Redonda), além da proposta interessante de deixar a trama acontecer, ir rolando. Pena que os problemas internos e de audiência dificilmente deixarão a novela virar uma série, o que ela sempre deveria ter sido!
[BL]TV por assinatura[/BL]
Oh see ya, OC!
Apr 12th
Hoje a Warner exibe o episódio final de “[BP]The OC[/BP]“, que, em sua quarta temporada, foi cancelada.
Eu desisti de assistir ao drama no ano passado, por falta de tempo. Os problemas de Marissa Cooper, mais irritante do que nunca, encheram tanto que ela teve que morrer, e junto com ela toda a audiência da Fox americana, que não encontrava mais na série o bom humor, a leveza e o ritmo que fizeram de “The OC” um dos maiores sucessos desse século.
A série ditou tendências para os jovens americanos e virou mania até mesmo aqui no Brasil, onde chegou a ser capa de alguns jornais. Lançou bandas, foi referência fashion e fez o estilo de vida dos protagonistas ser replicado por aí. Também há de se destacar que, dessa vez, o grande queridinho do público não era o casal principal, com Marissa e Ryan, mas sim Seth e Summer, amigos dos protagonistas. O bad boy herói ficava em segundo plano para o nerd-indie mais querido da TV.
Tantas conquistas e sucessos foram se esvaindo ao decorrer de duas temporadas problemáticas, a segunda e a terceira. A quarta veio de novo em boa forma, sem Marissa e com uma personagem promovida a protagonista: a divertida Taylor, que deu novo fôlego ao programa. A crítica voltou a dar atenção, elogiando seu texto esperto e bem construído, cheio de referências pops, mas o público e o canal já haviam desistido. “The OC” jamais recuperou sua audiência – e a Fox dos EUA também não se mexeu muito para colocá-lo de novo no topo.
Assim, em no capítulo 04s16e, “The End’s Not Near, It’s Here”, o 92º episódio da série, após um terremoto, “The OC” chega ao fim, capengando, mas com dignidade. Vamos sentir falta, não?
We’ve been on the run
Driving in the sun
looking out for number 1
California here we come
Right back where we started from
(Pelo menos continuamos com os DVDs. Estou com o box da primeira temporada aqui para assistir… e em junho a quarta e última temporada será lançada aqui no Brasil)







