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Jul25

“Era Uma Vez…”: no filme que estréia hoje, o amor sobe o morro


Estréia hoje, em todo o país, o filme “Era uma Vez…”, nova produção do diretor Breno Silveira, de Dois Filhos de Francisco. Eu já assisti, e gostei.

Postei sobre o filme há algum tempo, disse que não entendia qual o objetivo de se criar uma nova versão de Romeu e Julieta e fiquei receoso com relação a sua qualidade - apesar de botar fé no trabalho do diretor, que encarava esse filme como a produção de sua vida.

Pois bem. Assisti ao filme duas vezes já, em cabines. E afirmo: Breno mostra o que sabe fazer de melhor, trabalhar sentimentos sem cair na pieguice - não espere um filme sobre violência, pois não é. Naturalmente, a violência dos morros cariocas está presente e é determinante para a trama, mas não é seu foco. Esse papel fica para o amor dos protagonistas, um acerto, que também leva ao maior erro do filme: O pior de “Era uma Vez” vem logo de sua inspiração: ao atualizar a trama de Romeu e Julieta, o filme acabou engessado à história que lhe deu origem.

As atuações são boas (Thiago Martins - nascido no Vidigal e ainda morador de lá - e Vitória Frate estão muito bem, assim como Rocco Pitanga), a trilha sonora - assinada por Carlinhos Brown e Marisa Monte - foi bem escolhida, a fotografia também agrada e a direção de Breno Silveira imprime um bom ritmo ao filme. Já o roteiro…

A história do vendedor de quiosque Dé (Thiago), morador do morro do Cantagalo, que se apaixona pela patricinha Nina (Vitória) e encontra a questão social no meio do caminho entre Ipanema e a favela, é contada através de uma coleção de clichês. Talvez menos do que eu esperasse (ok, eu esperava que o filme fosse ter coisas bem patéticas), mas em grande quantidade. O bom é que eles funcionam e a história engrena. Você se envolve, torce pelos protagonistas, quer que eles fiquem juntos, acredita que aquele amor pode dar certo, fica aflito pelo que pode acontecer… Até que chega a meia hora final e o roteiro perde qualidade na velocidade da luz.

Sério, gostei muito filme, até chegar no fim e todos os personagens agirem feito idiotas, tomando as decisões mais burras e improváveis, apenas para que se chegue ao final apoteótico de Romeu e Julieta. Isso acontece, mas da pior forma possível. Eu só pensava: o filme estava bom, por que esse final tão forçado, por quê??

Eu participei da equipe de divulgação do filme, então pude ver reação bem diferentes, dependendo do público. Em uma das sessões, para “formadores de opinião”, a risada foi coletiva nas cenas finais. Por outro lado, nos comentários aqui do blog, pessoas que já assistiram ao filme falam dele com toda paixão do mundo.

Entendo ambos. Dá realmente para se apaixonar por “Era uma vez…”, que é um belo filme - e, para mim, é um tanto surpreendente em seu desenvolvimento (até você lembrar de Romeu e Julieta e falar: “putz, será esse o final” e acertar). Mas também dá para rir do desfecho inverossímil e de como os meios surgem apenas para que o fim seja possível, com os personagens deixando de agir naturalmente.

Tem quem ame, tem quem odeie “Era uma Vez…”. Eu gostei, apesar dos pesares. No mínimo, vale o ingresso.

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May27

Filme “Era uma Vez” - Romeu e Julieta, morro e asfalto


Uma história pode ser contada e recontada milhões de vezes sem nunca cansar. A base da dramaturgia, principalmente televisiva, é essa: repetir o que o público já está acostumado e implementar uma ou outra novidade no meio do caminho. Ou você acha que alguém gosta de algo que gere completo estranhamento?

Pensa bem, quantas vezes você já viu, ouviu e leu versões de Romeu e Julieta, adaptadas aos mais diversos contextos? Novelas, séries e filmes já beberam muito nessa fonte - sem, entretanto, fazer com que as pessoas parassem de suspirar pelo amor que parece impossível, mas é batalhado até as últimas conseqüências.

É na mais famosa obra de Shakespeare que o novo filme de Breno Silveira, diretor do mega-sucesso “2 Filhos de Francisco” é baseado. A “inovação” já é velha: ao invés de famílias que se odeiam, a condição social é o abismo que separa o casal apaixonado. Em “Era uma vez…“, um rapaz pobre, do morro, cai de amores por uma moça rica, do asfalto - trama parecida com a que serve de mote para “Amor e Intrigas”, novela da Rede Record, e com tantas outras produções. Então qual o objetivo de fazer um filme sobre isso?

Não sei, de verdade. Mas ainda assim não consigo deixar de me interessar. Assim como a rivalidade entre Palmeiras e Corinthians pôde ser um interessante para a comédia em uma das adaptações, acredito que a diferença entre morro e asfalto é um terreno fértil para um drama contemporâneo, intenso e realista.

Parece que essa é mesmo a intenção do diretor. Esse é o filme da vida dele, o que ele sempre sonhou. Breno queria comprar os direitos para fazer “Cidade de Deus“, mas chegou tarde demais. Convidou Paulo Lins, autor do livro “Cidade de Deus” para escrever o roteiro de “Era uma Vez…”, mas parou tudo, graças ao furacão “2 Filhos de Francisco”. Virando segundo filme, após o grande sucesso - inclusive de crítica - que conquistou ao mostrar pessoas comuns (ou quase isso) com suas forças, fraquezas, amores e ódios, Breno não quis mais falar de violência e correr o risco de ficar na sombra de “Cidade”. Focou a história, então, no romance do casal - para tal, convidou Patrícia Andrade, de “2 Filhos”, para reescrever o roteiro.

Foram 500 latas de filme gravado (o trabalho com os atores, pelo que contam, foi intenso), algumas favelas cariocas usadas como locação e um esforço tremendo para conseguir verba para finalizar a produção, toda feita em película. O resultado estréia nos cinemas em 25 de julho, como a materialização do sonho de Breno Silveira - que, naturalmente, já desperta curiosidade: Será que ele conseguirá ter algum sucesso próximo ao de “2 filhos de Francisco?”

Não sei, mas acredito que no elenco há mais um elemento forte, que traz mais verdade a adaptação: o protagonista Thiago Martins. O jovem ator veio do morro do Vidigal, através do projeto Nós do Morro, do qual ainda faz parte. Já fez novelas na Globo com relativo sucesso, tem seu espaço como um promissor ator. Agora, faz a um papel que lembra sua origem real. Oportunidades como essa, se bem aproveitadas, costumam dar muito certo. Espero que seja o caso.

Pode ser que seja tudo um grande clichê, mais um filme da estética da pobreza e da violência. Pode ser que o roteiro caia na vala comum e torne o filme apenas mais uma história de Romeu e Julieta atualizada e empobrecida. Mas também pode ser um retrato vivo de uma sociedade cada vez mais gritante, surpreendendo positivamente. Pode ser que Breno Silveira consiga transformar seu sonho em algo realmente bom, provando que as histórias humanas se repetem, mesmo que mudem de cenários e de personagens, e que, ainda assim, podem ser bem contadas a cada nova vez. Tendo ou não final feliz, começando ou não com “era uma vez…

Update: Clique aqui e leia a minha crítica do filme.

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
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