Página de Arquivos: Bandas independentes

May10

Qualidade sem selo: A hora dos independentes


Bandas alternativas vivem ótimo momento, ganhando espaço na mídia e aproveitando a internet para atingir o público mesmo sem o apoio das grandes gravadoras.

“Você pode comprar nosso CD por cinco reais. Mas se você não tiver dinheiro, pode piratear!”, dizia Fernando Anitelli, comandante da trupe “O Teatro Mágico”, durante show para 3500 pessoas, seu maior público, na Academia Brasileira de Circo, em São Paulo. Na saída, o pai do vocalista vendia os CDs em uma barraquinha. Em três anos de existência, o grupo já vendeu mais de 40 mil discos, todos dessa forma, e se tornou conhecido graças a divulgação dos fãs. Não são os únicos: isso vem acontecendo com cada vez com mais freqüência e já traz novas cores para a cena musical contemporânea.

Calypso, Snow Patrol, Cachorro Grande, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Gossip, Mombojó, MC Serginho. Sonoridades distintas, passados semelhantes. Nascidas pequenas, essas bandas fizeram sucesso e chamaram a atenção da mídia sem contar com a força de uma grande gravadora e de seus marqueteiros. O grupo do Pará se tornou fenômeno com seu tecnobrega graças aos CDs vendidos a preços populares em bancas de camelô. O pop rock do Cansei de Ser Sexy, que hoje faz sucesso mundo afora, ganhou destaque com o fotolog da vocalista e com músicas quase amadoras disponibilizadas no site Trama Virtual, celeiro artistas independentes na internet brasileira.

“A grande oferta de bandas é superpositiva, e o Trama Virtual é um passo sensacional nesse sentido”, acredita Tatá Aeroplano, músico dos grupos Cérebro Eletrônico e Jumbo Elektro. Suas bandas também utilizam a internet como meio de divulgação, possuindo, além de sites próprios e de uma página no Trama Virtual, perfis nos sites de relacionamento MySpace e Orkut. “Eu sou daquele tipo de pessoa que fica a noite inteira no SoulSeek [programa de compartilhamento de áudio] atrás de músicas, conversando com pessoas sobre isso. É meu esporte favorito”, brinca Francisco Ramos, programador de softwares e músico amador. Assim como ele, o jornalista Alexandre Inagaki utiliza as ferramentas virtuais para descobrir novas bandas. “Hoje em dia, com o surgimento de sites como Last.FM e Pandora que, teoricamente, ajudam você a encontrar novos sons que você possivelmente apreciará, de acordo com as músicas que você costuma ouvir por aí, a tarefa de garimpar bandas bacanas em meio ao dilúvio de informações é bastante facilitada, embora a grande ferramenta para a descoberta de bons músicos ainda seja o bom e velho boca-a-boca, devidamente modernizado através de bate-papos no Soulseek ou troca de scraps no Orkut”, diz ele, que mantém o blog Pensar Enlouquece, Pense Nisso. “Sempre convivi com bandas alternativas. Acompanho desde os anos 90, quando a internet nem existia e a divulgação era feita por fitas cassetes, trocas de zines, shows organizados por casas locais e coisas assim”, relembra Francisco.

“O povo cansou de ouvir sempre os mesmos artistas tocando sempre as mesmas coisas. Pode não ser um sucesso mundial, mas com certeza as novas propostas musicais terão seu espaço definido no mercado”, acredita Billy Umbella, mais conhecido como Maestro Billy, DJ do programa global “Caldeirão do Huck”. Produtor musical com mais de 15 anos de atuação e passagens por grandes veículos, ele não gosta do que ouve atualmente nas rádios. “Há exceção, mas, no geral, as músicas atuais estão todas iguais, sem nenhuma novidade que valha a pena ser ouvida”, reclama. Segundo ele, as mídias convencionais vão se abrindo, aos poucos, para o novo.

“Estamos passamos por uma fase muito rica na cena alternativa brasileira, com dezenas de bandas muito boas e um público novo, que está se formando através da exposição pelos meios de comunicação”, diz Tatá, que já apareceu em diversos programas de TV, como o “Fantástico”.

“Quase todas as bandas que eu gosto não passam nas rádios ou nas TVs, mas também não deixo de assistir ou ouvir. Já conheci coisas legais na MTV e nas rádios”, conta Francisco, que possui um podcast musical. “A internet certamente tem poder o suficiente para fazer com que bandas não dependam mais de mídia tradicional para conquistarem públicos consideráveis, vide exemplos tupiniquins como Fresno, Dance of Days ou Terminal Guadalupe. E isso pra não falar de exemplos no exterior como Arctic Monkeys, Ok Go e Lily Allen, que estouraram graças à força de sites como YouTube e MySpace”, explica Inagaki. “Com a internet, não adianta tentar impor um estilo ou uma banda, cabe ao ouvinte saber o que é legal”, julga Billy, que diz tocar tudo que considera bom em seus podcasts, com destaque para o que faz para a marca Heineken, onde somente sons alternativos são veiculados. Na TV, entretanto, a liberdade não é tão grande assim. “Eu toco no ‘Caldeirão’ o que é sucesso. Eu, o Luciano [Huck, apresentador], o My Boy [sonoplasta], o diretor e o produtor musical conversamos e escolhemos o que o povo gosta.”

Para eles, as gravadoras não são vilãs da cultura brasileira. “Acho que as grandes gravadoras, quando bem administradas, podem até ajudar a cultura pop. Isso aconteceu até o início dos noventa, depois elas não acompanharam as mudanças, perderam o fio da meada”, reflete Tatá, que teve seus CDs lançados por selos independentes. Billy concorda: “Não vejo as grandes como inimigas, mas sim como um braço da música que defende seus interesses e seus produtos.”

Esse mercado, entretanto, parece cada vez mais interessado em aumentar e diversificar seu número de produtos. Nos Estados Unidos, programas populares como o “Late Show”, apresentado por David Letterman, tem dado espaço a bandas iniciantes, que rapidamente se tornam sucesso. Panorama parecido é o das séries norte-americanas. O grupo britânico Snow Patrol estorou naquele país em 2006, quando tocou em diversos seriados, entre eles “Grey’s Anatomy”, uma das maiores audiências americanas. Mesmo na TV brasileira isso já vem acontecendo: o site Trama Virtual virou programa no canal pago “Multishow”; a MTV lançou o projeto “MTV apresenta”, exibindo e transformando em DVD shows de artistas alternativos e tem ainda em sua grade o programa “Banda Antes”, com grupos em começo de carreira.

O grande motor dessa nova “indústria” é o público. “Ser apresentado para uma banda nova e realmente boa é equivalente a receber um presente. Por isso gosto de indicar a amigos”, conta Francisco. “Se você encontra um som legal que ninguém mais conhece, você quer divulgar e, no boca-a-boca, a coisa toma proporções gigantescas”, explica Billy.

O diferente parece cada vez mais interessante ao público, consolidando a cultura indie. “Com certeza há um espaço imenso para uma música que não seja comercial, nós temos conquistado um espaço muito significativo com o nosso som”, comemora Tatá, que utiliza elementos inusitados e divertidos em suas músicas. Francisco diz freqüentar diversos shows de bandas alternativas e que todas eles possuem uma característica em comum: “a quase inexistência de diferença entre o artista e o espectador. É algo mais humano, sem o ‘endeusamento’ peculiar das estrelas.”

Sinal dos tempos. Hoje, até mesmo a música entrou na era colaborativa e o underground caiu de vez no gosto do mainstream.

Compare Preços: Calypso, Snow Patrol, Cachorro Grande, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Gossip, Mombojó, MC Serginho, MP3 Players

Apr15

Cordel do Fogo Encantado iluminando na Globo: Conheça o grupo e as músicas


Compare Preços: CD “Cordel do Fogo Encantado”, DVD “MTV Apresenta: Cordel Do Fogo Encantado”, CD “Transfiguração”, CD “O Palhaço do Circo Sem Futuro”

Tem felicidade maior do que as suas bandas de coração fazerem cada vez mais sucesso? Acho que não. Eu estabeleço uma relação quase espiritual com as minhas músicas preferidas e, por isso, só vou poder dormir após este post. É que o “Cordel do Fogo Encantado” estava até agora no “Altas Horas”!

Cordel do Fogo Encantado? Hãn?

Você ainda não conhece? Demorou! Aliás, demorou muito, alguns anos!
Mas ainda é tempo. Surgido como um grupo teatral na cidade de Arcoverde, no sertão de Pernambuco, o Cordel mistura música, literatura e, claro, teatro. O resultado é uma explosão cultural tão fascinante quanto estranha, diferente, única. Misturando elementos, o grupo comandado por Lirinha traz canções fortes, com marcantes tambores. Entre músicas, a poesia - que nos shows é dita em coro com os fãs - de mestres consagrados de nossa literatura (como João Cabral de Melo Neto e Euclides da Cunha) e mestres ainda desconhecidos pela maioria (como Patativa do Assaré e o poeta Zé da Luz). A mistura de rock e música popular faz emergir a cultura mais profunda do nosso país, que vem há muito conquistando o público.

Essa não foi a primeira vez deles na TV. Quem assiste à TV Cultura já cansou de vê-los no “Metrópolis” e até em uma apresentação ao vivo no “Festival Cultura” de música brasileira. Na MTV eles também já tocaram, no especial “MTV Apresenta: Cordel Do Fogo Encantado“, que virou DVD. Nem mesmo na Globo foi estréia. Uma música deles tocou nessa edição do Big Brother, para desespero dos fãs, que, além da banda em si, também amam a atmosfera cult que a envolve.

Eu adoro bandas cult e pouco conhecidas, mas sempre quero que elas cresçam e atinjam a massa. Poxa, que bom seria se um som com essa qualidade freqüentasse as rádios, não? Eu acho, mas muita gente não e, agora, com o grupo cada vez mais popular, não faltam críticas. Dizem que os membros da banda estão virando estrelas, que os shows estão caros e que a música está perdendo sua cara.

E está, mas de forma proposital. O nome do mais novo CD deles é “Transfiguração” e traz canções mais musicais do que nos anteriores “Cordel do Fogo Encantado” e “O Palhaço do Circo Sem Futuro. É, sem dúvida alguma, o álbum mais fácil de digerir e também o mais “comum” deles, alimentando as acusações de que eles estão mais comerciais. Segundo eles, a diferença é que, dessa vez, o processo criativo foi das músicas e do álbum ao show, e não o contrário, como havia acontecido anteriormente. Por isso que os críticos musicais gostaram tanto desse CD, julgando-o mais maduro. Ele realmente traz coisas muito boas, como “Preta” a “Morte e Vida Stanley”, que eles apresentaram no “Altas Horas”, além de “Aqui”, “Pedra e Bala”, “Transfiguração” ” e “Louco de Deus”. Vale a pena conhecer.

Os rapazes do Cordel já fizeram shows em diversos país e são referência em nossa música há um bom tempo (ja ganharam até o Prêmio Tim, a mais importante premiação musical brasileira), com uma legião de fãs que sabem cada vírgula de suas letras e poesias. Tive prova disso quando, em um show do Teatro Mágico há algumas semanas, a trupe paulista tocou, no meio de sua “Camarada D’água” (que, aliás, foi gravada com a participação do pessoal da banda de Arcoverde, embora a maioria não saiba), um trecho de “Chover”, que talvez seja a música de maior sucesso do Cordel do Fogo Encantado. E não é que o público do Teatro sabia a música inteira do Cordel? Inclusive a poesia, gritada como num ritual, numa missa. É mágico, encantado.

Eles não ligam para os críticos e garantem que o próximo CD será ainda diferente dos anteriores. O por quê? O próprio Lirinha explica, respondendo a uma pergunta minha no Bate Papo UOL no ano passado: “Porque a gente acredita que temos raízes, mas não como as árvores. Temos pernas e podemos caminhar. Acreditamos no trânsito e na divisão política dos lugares, que só cria submissão. Não temos nenhum receio de perda de identidade.”

Se é assim, sim. Que venham as novidades, que venha o sucesso.

Está esperando o que para ir lá no site e no Myspace deles e baixar tudo que puder e ir no Youtube conhecer essa premiada e deliciosa banda herdeira do mangue beat que canta o sertão e coloca fogo mundo afora?

Compare Preços: Cordel do Fogo Encantado, MTV Apresenta: Cordel Do Fogo Encantado, Transfiguração, O Palhaço do Circo Sem Futuro, O Teatro Mágico

Mar17

O Teatro Mágico, cultura e encantamento para raros


O Teatro Mágico: Entrada para raros

Eu tenho uma mania: Pego algo para gostar, e fico fanático. Mas são poucas as coisas que atingem o nível em que “O Teatro Mágico” está atualmente.

Teatro Mágico? Hãn?

Nunca ouviu falar? Pois bem, a entrada é realmente para raros.
O Teatro Mágico é uma trupe comandada pelo ótimo Fernando Anitelli que mistura música, teatro, poesia e circo em espetáculos pelo Brasil todo (eles são de SP). O resultado é fantástico, capaz de criar uma legião de fãs tão ou mais maníacos do que eu.

Nunca fiz por nenhuma banda o que tenho feito por esse grupo. Para você ter idéia, no último show deles em São Paulo, no Centro Cultural, eu cheguei a ficar 6 horas na fila do segundo dia de show (após já ter ficado na do primeiro dia, sem sucesso) apenas para comprar o ingresso para a primeira sessão, a única que daria para eu assistir. Acredita que, chegando perto da minha vez, acabaram os ingressos para esse show? Pois é, fui embora para casa sem assistir.


Por quase um mês, evitei ouvir qualquer música deles para não ficar lamentando, em vão. O “vício” voltou mais forte do que nunca. Principalmente agora, em uma fase de tantas novidades boas: eles farão um show grande (finalmente!), para 3 mil pessoas, na Academia Brasileira de Circo, mostrando algumas músicas de seu segundo CD (!!!), “O Teatro Mágico: Segundo ato”, que será lançado em breve. Quer coisa melhor?

Eu, que cheguei até a panfletar na faculdade, obviamente, estarei lá. É hoje, dia 17 de março!

Vá também. É uma dose tão boa de cultura, inocência, pureza e magia que você dificilmente não ficará encantado.

Além de tudo, é uma “banda” independente, interativa, divulgada essencialmente pela internet, e com conteúdo livre, aberto. Isso mesmo, você pode baixar as músicas gratuitamente no site oficial do grupo, que, aliás, sofreu uma reformulação e está entre os mais bonitos que vi nos últimos tempos. Muito bom!

Caso você não possa ir ao show, fique esperto pelo menos na TV: Uma matéria com a trupe passará nesse sábado no Jornal Hoje, às 13h. Tão bom ver talento e qualidade sendo difundidos e reconhecidos pela grande mídia, abrindo portas para que a massa absorva um pouco dessa mágica cultura.

Conheça e ajude a divulgar. Em tempos tão emburrecedores e sintéticos, um grupo tão artesanal e brilhante merece receber de nós o que todo palhaço espera: palmas e sorrisos de satisfação.

Compare Preços: O Teatro Mágico, CD, músicas, MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
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