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Campus Party: Vamos conversar?

Blogueiros são bem mais legais ao vivo do que nos blogs. Isso é um fato, mas, naturalmente, não é regra – apesar do número de blogueiros bacanas pessoalmente ser animador. O melhor da Campus Party, claro, são as conversações – assim como nos blogs.

Eu tenho conversado absurdamente por lá. Quase só faço isso. Batendo papo sobre coisas sérias, sobre bobeiras, sobre tudo, com todos. Além de encontrar novamente os amigos, lá é um excepcional balcão de negócios travestidos de conversas informais. A feira? Bom, ela também está bacana.

De verdade, o ambiente completamente geek não faz nenhuma diferença para mim. Vejo os outros blogueiros animados com as novidades tecnológicas, fotografando e postando tudo, mas não me deu a menor vontade de fazer isso. É algo meio “Ok, bacana! Vamos para o próximo stand?”

Estou com um grave problema: eu não tenho a porcaria da programação (e sim, eu sei que tem no site). Não tomei vergonha na cara de ver as coisas direito e, com isso, perdi várias palestras e desconferências que eu queria ver. Me enrolei e acabei perdendo até o lançamento da Blog Content, uma consultoria para blogs corporativos tocada pelo Edney Souza, pelo Ian Black, pelo Alexandre Inagaki e por mim.

As discussões que eu vi foram dentro do mundinho que já freqüento, o dos blogs e do jornalismo. Depois de ir em tantos eventos do tipo, acho que acabei cansando de ouvir e discutir coisas que eu adoro e sempre posto no blog, mas que nunca saem do mesmo quando debatidas nessas ocasiões.

Para variar, não entendi muito bem as polêmicas jornalismo x blog – tirando a da Folha Online, com um problema jornalístico que, coincidentemente, aconteceu com blogueiros – e ouvi gente dos dois lados (se é que isso existe) falando que o outro não mudava nunca de opinião. Não mudam mesmo, e cansa.

Não tomo partido, falo “pois é” e dou um sorriso para jornalistas e blogueiros. Eu concordo e discordo dos dois! O que fazer, não é mesmo? Passei já da fase de ficar fazendo lutinhas internas: Meus lados blogueiro e jornalista estão cada mais misturados e quando vêem o Pedro Dória já dão uma risadinha e tentam adivinhar o que ele vai falar (sério mesmo, já fui em tantas palestras com ele que não duvido decorar suas palavras).

É válido que se discuta, principalmente se tiver algo novo – e sempre tem -, mas o processo de aceitação é lento e só de dá na prática: quando um tem contato com o outro e vê como tudo é legal e pode funcionar em harmonia, mudando algumas peças estratégicas no tabuleiro. Sonho com o dia em que os blogueiros e jornalistas se reunirão para pensar no que podem fazer juntos.

A propósito, achei boba boba a idéia do protesto do dinossauro no aquário da imprensa (o que também é bem bobo, aliás) – embora eu não tenha visto ao vivo e até tenha acompanhado parte da preparação -, mas também achei divertidinha. Nem tudo tem que fazer tanto sentido assim, ou tem? Os jornalistas curtiram, os blogueiros também. Rir faz bem.

Mesmo sem cobrir o evento como tinha pensado fazer, voltarei com alguns posts bem interessantes para breve. É que meu tipo de nerdice (fiz 25 pontos e aqui você faz o teste) é definitivamente outro: sou aquele cara que vai no stand da TV por assinatura assistir a “[bp]Friends[/bp]” e sai de lá constrangido e meio bravo porque mais ninguém fica dando risadas (sim, eu realmente fiz isso. Que povo chato! Não rir de “Friends”? Como assim?).

Mas hoje vou pra lá querendo descobrir tudo. Como funciona, o que tem de bacana em outros setores, o que os robôs fazem, quanto os caras do modding gastam para fazer aquelas maluquices (no melhor sentido possível) com seus computadores, como se anda em um segway…

Prometo que vou conversar menos e ser um pouco mais blogueiro e jornalista. Sem, para isso, me afogar em nenhum aquário.

Blogs são como amizades

Na Blogcamp Paraná, que aconteceu em Curitiba no último sábado, e, principalmente, no Café.com Blogs, que foi realizado na terça-feira passada em São Paulo, pude ver como pessoas com formações diferentes enxergam os blogs, podcasts e mídias colaborativas em geral de maneiras completamente diferentes. E é surpreendente como o que é claro para mim, ou para você, parece complicado para essas pessoas – e isso não é demérito, é falta de familiaridade mesmo – o que ficou bastante claro no Café.com Blogs que tem mesmo o nobre objetivo de misturar blogueiros com quem não é desse mundo (mas do mundo dos negócios!) e consegue cumprir bem seu papel, gerando um debate de idéias que leva ao esclarecimento. O funcionamento dos blogs é um desses assuntos que ainda despertam muitas dúvidas e que carecem de maior definição. Vou tentar dar a minha.

A Rosana Hermann já disse que blogs são como padarias (precisam sempre de pão/post fresquinho), praças (áreas públicas de convivência, que precisam de manutenção do zelador/autor para que funcionem corretamente) e pergaminhos (que se desenrolam de cima para baixo). Concordo plenamente, mas, para mim, acima de tudo, blogs são como amizades.

É que a dinâmica dos dois é bastante parecida. Em determinado momento, o blog cruza a vida do internauta e, nessa hora, pode acontecer ou não a empatia. Se sim, ele vira leitor e possivelmente assina o RSS ou favorita. Se não, ele continua navegando e, eventualmente , pode voltar a te visitar – e desse modo, pode vir a gostar cada vez mais do blog. Assim como os amigos.

Criada uma relação – ainda que superficial – entre o internauta e o blog, a manutenção não é simples. São muitos os blogs que cruzam nosso caminho e que, aparentemente, nos identificamos. Mas, com o tempo, vamos vendo se são ou não como a gente, se nos agradam de verdade ou se foi apenas uma equivocada primeira impressão. Ninguém confia em alguém assim que conhece, é preciso tempo e desenvolvimento de histórias para que uma pessoa se identifique com outra e construa uma amizade. Com blogs, também é assim que se adquire credibilidade: a cada post vamos sabendo se gostamos ou não dos assuntos tratados, das formas como o blogueiro se posiciona com relação às coisas, se o que ele escreve é lógico e condiz com nossos pensamentos. Se tudo isso acontece de maneira positiva, após certo tempo, passamos a confiar e a gostar cada vez mais.

Por trás dos blogs estão pessoas e todo leitor se relaciona com elas, mesmo que indiretamente. Se essa “amizade” é conquistada, ela tem que continuar a ser cultivada. Mas como dar atenção a todos os blogs que continuam a cruzar nossos caminhos? Bom, é impossível ser amigo de todo mundo e também não dá para estar com todos os amigos o tempo todo, mas a gente sempre consegue ligar, mandar um e-mail ou um cartão de Natal que seja – e nem por isso a amizade é abalada. Não dá mesmo para ler tudo, nem precisamos; às vezes, uma visitinha rápida é suficiente para pôr os assuntos em dia, um simples comentário de um post lido aleatoriamente pode gerar uma conversa bastante proveitosa sem tomar tanto tempo. A gente sempre arranja tempo para os verdadeiros amigos, não importa como ou com que freqüência, mas sempre damos um jeito. Ou não?

Do lado dos blogueiros, a amizade também é verdadeira – ainda que com uma mística entidade chamada “meus leitores”, que, claro, pode eventualmente se personificar. O consultor Marcos Aranha atentou para um importante aspecto durante sua palestra no Café.com Blog. Para ele, a profissionalização dos blogs é um paradoxo, já que esse formato de site pessoal surgiu exatamente para ser um local livre, fugindo das obrigações profissionais e, de certo modo, também das pessoais: o bom dos blogs é que seu dono entende e gosta muito de um assunto e sente prazer em escrever a respeito dele . Concordo: Fazer blog apenas por obrigação não é lá muito possível, nem ser amigo. Fica notavelmente falso e, após certo tempo, deixa de fazer qualquer sentido, para todas as partes. Aí, claro, fim de blog e de amizade.

Até mesmo com a publicidade a lógica da amizade funciona. Quando falamos de qualquer produto no blog, nossos leitores encaram como um conselho. Desse modo, o impacto que um post patrocinado tem nesse público é bem grande, afinal, você dá muito mais ouvidos ao que seus amigos dizem do que àquilo que um comercial diz, não é verdade? Agora, se seu amigo está vendendo o produto comentado – o que seria o caso – é natural ficar com um certo pé atrás, mas dá para resolver esse problema: Você sabe quando aquela sua colega de trabalho que é revendedora da Avon está querendo te passar um produto e quando ela está sendo sincera, já que, no primeiro caso, ela viria te oferecer e, no segundo, ela te apresentaria algo que ela usa, comentando sinceramente. A qualquer momento, você pode questionar o que ela está dizendo. Com blogs também: Para não trair a amizade, é só ser honesto, dizer realmente o que pensa, responder sinceramente aos comentários e, importantíssimo, contar que está sendo pago para escrever daquilo. Assim, ninguém é enganado e, ainda que haja um desconforto inicial, logo passa e tudo volta ao normal. Afinal, amigo é amigo.

A relação entre o blog e seu leitor é valiosíssima e uma das melhores formas de se conhecer um novo amigo é através de outro. A indicação dos usuários a seus amigos é fundamental para o desenvolvimento de todo esse sistema, já que, na rede, todo leitor também pode ser emissor – possivelmente com um blog mesmo. Com diálogo entre blogs distintos e também entre um blog e sua audiência, o círculo social vai se expandindo e ganhando proporções cada vez maiores.

Assim, os blogs vão ficando melhores e acabam agregando mais e mais amigos leitores ao decorrer do tempo, tal qual acontece com toda mídia – só que de forma humana.
Pelo que vejo, os blogs de maior sucesso são exatamente aqueles feitos por pessoas que escrevem do ponto de vista humano, não tentando copiar nenhum outro tipo de discurso. Nada mais justo: o melhor de toda amizade é a conversa descontraída, sem grandes artifícios, em que há uma grande identificação, não é? E pode perguntar a qualquer um que tenha blog há um bom tempo que a resposta será sempre a mesma: o que de melhor esses blogs trouxeram foram nos novos amigos. No sentido real.

Aí está o mais legal da Blogcamp, blogueiros, leitores e pessoas com interesses parecidos se juntam e discutem temas que verdadeiramente gostam. Com a proliferação desse tipo de evento, a amizade vai deixando de ser metáfora e vira realidade: nessa em Curitiba, além do alto nível dos debates, as pessoas estavam muito mais unidas, conversando e se divertindo como amigos.

Blogs são vivos e feitos por pessoas, que, no fundo, sempre buscam amizades.