por / 2 Abr

Não podia ser mais óbvio. Eu deixei tão fácil, mas tão fácil, que mandaram a resposta já dizendo “não pode ser… tá MUITO na cara”. Estava mesmo!

A série a que fiz referência no título de meu texto para a Pix – “Freaks e Geeks: a maluquice hi-tech das séries de TV” – é…


Freaks and Geeks”!

Pois é, estava na cara, gritando no título, e ainda assim muita gente errou ou não conseguiu lembrar. É que esse seriado, produzido entre 1999 e 2000, teve apenas 18 episódios e não teve lá muita audiência ou repercussão. Uma pena: ele realmente era ótimo!

Protagonizado por Linda Cardellini (que depois entrou em “ER”, como a enfermeira Samantha Taggart) e por John Francis Daley (que nunca mais fez nada de tão importante, mas que participou no ano passado de “Bones”), a série contava a vida de jovens colegiais nos anos 80, com seus conflitos e inadequações – assim como “Anos Incríveis” fazia e “Aliens in America” tenta fazer – de forma brilhante, misturando drama e comédia. Não era uma série teen sobre populares jovens plastificados interpretados por atores de 25 anos. Era sobre adolescentes de verdade, personagens realmente humanos que viviam em grupinhos marginalizados.

Os roteiros de “Freaks and Geeks” eram absurdamente inteligentes e reais, o que talvez justifique a falta de audiência – pode ter sido sofisticada demais para a TV aberta norte-americana), levando a seu cancelamento logo na primeira temporada – apesar da vitória no Emmy de 2000 como melhor elenco de comédia e outras duas indicações ao prêmio.

Com ótima direção, elenco de primeira e uma trilha sonora bem bacana (já ouvi até o tema de abertura, esse do vídeo que ilustra o post, “Bad Reputation”, tocando em balada!), a série está presente em todas as listas de melhores coisas produzidas pela TV ou de seriados cancelados prematuramente.

Não é a toa. Ali estavam diversos talentos que depois viriam a estourar, como o ator Seth Rogen – que esse ano apresentou uma categoria no Oscar – e Judd Apatow, produtor, diretor e roteirista. Foi a primeira parceria dos dois e deu tão certo que eles a repetiram em produções como “Ligeiramente Grávidos”, “Superbad – É hoje” (que traz temática parecida com a da série) e “O Virgem de 40 anos”, verdadeiros hits, que conquistaram platéias e crítica, focalizando, adivinha?!, pessoas freaks. “Freaks and Geeks” é a base dessas comédias que estão dominando o cinema nos anos 2000.

No time de coadjuvantes da série também estavam Jason Segel, o Marshal de “How I Met Your Mother” (e que participou de “Ligeiramente…”), Martin Starr, que também esteve em “Ligeiramente Grávidos”e “SuperBad”, além de um episódio de “How I Met Your Mother”. Tinha ainda Busy Philipps, a Audrey de “Dawson’s Creek” – e que também fez “HIMYM” e “ER” -, e James Franco, dos filmes “Homem Aranha” (1, 2 e 3) e “No Vale das Sombras”. Que tal?

Nos EUA, já foi lançado o DVD com a série completa – que hoje é reconhecida, aclamada e cult. Aqui no Brasil, claro, não tem nem previsão disso acontecer. Mas com sorte você consegue pegar alguma reprise de madrugada na Globo (juro que já vi passando nela, embora não tenha encontrado registro) ou no Multishow, que chegou a exibir diversas vezes com regularidade até bem pouco tempo. Ah, também dá para pedir para o Paul Torrent e pegar legendas em português!

É isso, fica meu tributo a essa série que gosto tanto e que você deveria conhecer…

***

O quê? Esqueci de alguma coisa? :P Aqui estão os vencedores da promoção, os cinco primeiros que acertaram o nome da série por E-mail:

Fabiana Neves, do Rocker Space
Vitor Hugo, do Prato Fundo
Leandro Alonso, do Leandrow.net
Hilário Júnior, do Sarcasmo Raro
Lucas dos Santos, do Séries é Aqui

Parabéns aos cinco! Repondam ao E-mail que enviarei com seus endereços completos que mandarei a revista Pix #17 para vocês, certo?
:D

por / 4 Jan

Crianças, esta é uma história de amor, que poucas vezes acontece. Era o dia das mães de 2007. O almoço em família havia chegado ao fim e, sozinho em minha casa, liguei a televisão. Parei em um canal um tanto quanto obscuro, que me prendeu por seis horas seguidas. Foi assim que conheci sua mãe.

How I Met Your Mother

Conheci “How I Met Your Mother” numa maratona do Fox Life e, sem nunca ter ouvido falar da série, acabei vendo seis horas seguidas (só não vi mais porque parou de passar). Gostei e me identifiquei tanto com a história e com o protagonista, Ted Mosby (Josh Radnor), que a série ganhou um lugar de destaque no hall das minhas queridinhas. Mas, apesar dos meus esforços, nunca mais consegui assisti-la na televisão. O dia e o horário são péssimos e o canal é quase um desconhecido dos fãs de seriados, além de não estar disponível para a maioria dos assinantes da TV paga.

Claro, pedi para o Paul Torrent trazê-la, na íntegra. Já assisti a tudo e jamais consegui ver apenas um episódio por vez. “How I Met Your Mother” é legen – espere por isso – dária!

A trama gira em torno do arquiteto Ted Mosby, um cara bacana e romântico que batalha para encontrar um grande amor e se casar, e de seus melhores amigos – Barney (Neil Patrick Harris), um solteirão safado e egocêntrico que adora badalar e conquistar belas mulheres; Robin (Cobie Smulders), uma bela jornalista de TV um tanto quanto masculinizada, que desperta o interesse (ou muito mais do que isso) de Ted e se apaixona por ele, mas que tem medo de relacionamentos sérios; Lily (Alyson Hannigan), uma professora do jardim da infância apaixonada por artes e por seu marido, Marshall (Jason Segel), o melhor amigo de Ted, um advogado recém-formado que sonha em advogar a favor do meio-ambiente, mas que vive o dilema de ter que trabalhar para uma organização poluidora para conseguir um bom dinheiro e manter uma vida melhor.

A história é narrada em flashback. Ted, o pai, conta para os filhos, em 2030, como foi que conheceu a mãe deles. Já estamos no terceiro ano da série e o mais próximo que chegamos da mãe foi ver seu guarda-chuvas voar. Enquanto não sabemos quem ela é, vamos vendo os relacionamentos do pai e de seus amigos, o encantador namoro com a “tia” Robin, como nem sempre tudo dá certo… Ou seja, o dia-a-dia de cinco amigos em Nova York.

Sim, parece “Friends” – e são muitos os que comparam. Mas são várias as diferenças, e a principal delas é a estrutura narrativa. “HIMYM” é contada por quem já a viveu. A maior parte do episódio se passa nos dias atuais, mas a base é em 2030, com a narração do Ted velho falando para os filhos (que aparecem, já adolescentes, em vários episódios). Tal artifício engessa um pouco – e bem pouco – o roteiro, já que sabemos por exemplo, que o carismático casal formado pelo pai e pela Robin não pode dar certo – afinal, sabemos que ela não é a mãe (o que é uma pena e até desanima!). Por outro lado, traz uma complexidade sem precedentes (pelo menos nunca vi nada parecido) em sitcoms, misturando vários tempos – além de 2030 e do ano de exibição da série (que é onde as histórias de desenvolvem), já aconteceram flashbacks dentro de flashbacks e até mesmo idas ao futuro-passado de 2020.

Como a série é contada através da memória, subjetiva, do protagonista, diversas vezes vemos coisas que não são reais, mas frutos da imaginação e do sentimento dele. Isso deixa tudo ainda mais engraçado.

Além disso, os roteiristas não têm medo de brincar com a televisão, introduzindo elementos pouco usuais – na terceira temporada, o personagem de Barney desenha na tela!

O conteúdo não fica atrás da forma: apesar de ser uma comédia leve, ela fala assuntos sérios com muito bom humor. Tem um episódio na terceira temporada, ainda inédito no Brasil, em que eles fazem referência ao uso de maconha por eles na juventude tomando todo o cuidado que um pai tem para falar com o filho sobre isso – e eu chorei de dar risada vendo. Ah, sim, se você gosta de referências pop – algo que eu adoro – a série também tem bastante, como quando Barney inventa uma história de sua primeira vez misturando vários filmes.

How I Met Your Mother

“How I Met Your Mother” tem algo em comum com todas as grandes comédias do passado, como “Friends” (de novo!) e “Seinfeld”: Ela consegue criar elementos que podem ser incorporados pela sociedade – Como o “How you doin?” do Joey, o Barney tem seu “Legen – wait for it – dary!” e o “Have you met Ted?”; assim como o Festivus do pai do George Constanza, Marshall criou seu Slapgiving (Dia da “Estapeação” de Graças). Fora os ótimos “crazy eyes” e “the lemon law” e a sábia frase “Quando passa da 2 da manhã, apenas vá dormir”.

A série tem um dos melhores personagens das comédias contemporâneas: a alma do show, Barney, interpretado com maestria pelo Neil Patrick Harris – o que lhe rendeu uma indicação ao Emmy de 2007. Mesmo se todo o resto fosse ruim, valeria a pena só pelo humor ardido desse personagem – que, wait for it, é blogueiro!

Poucas vezes gostei tanto de uma série. Poucas vezes achei um personagem que eu me identificasse tanto (quando eu for mais velho, tenho certeza que serei igualzinho ao Ted!). Poucas vezes torci tanto por um casal (Ted e Robin). Poucas vezes fui tão influenciado por algo da TV (mudei um tanto da minha atitude com as mulheres e até mesmo me lembrei do Barney para comprar roupa social – “Suit Up!”). E, claro, muitas vezes recomendo que você assista a “How I Met Your Mother”!

Aproveite, o Fox Life começou a exibir nessa semana a terceira temporada da série, que começa meio estranha, mas logo volta a ficar hilária – quase tão boa quanto a primeira temporada, que, para mim, é a melhor de todas! Aqui, tem um vídeo mostrando tudo que aconteceu nas duas primeiras temporadas da série em 3 minutos, mas eu indico que você procure ver tudo por Torrrent (ou aqui) ou conheça mais no canal oficial de “HIMYM” no Youtube. Vale muito a pena ver a série inteira, eu garanto.

Pena que, por enquanto, não tem mais episódios inéditos. A terceira temporada foi até o 11º episódio e aí foi interrompida pela maldita greve de roteiristas.

[bl]DVDs de How I Met Your Mother, DVDs de Friends, DVDs de Seinfeld[/bl]