por / 8 Nov

Poucas coisas são capazes de mexer tanto com um ser humano quanto a música. Afinal, músicas sempre vêm acompanhadas de um batalhão de emoções e lembranças, imediatamente reacendidas ao primeiro acorde. Com canções, revivemos várias experiências e geramos outras, novas. Damos trilha sonora à vida.

As músicas são como títulos dos capítulos que vivemos em uma espécie de sumário sonoro de nossas vidas. São a epígrafe de nossas experiências.
Com a sociedade, acontece o mesmo. Músicas inspiraram e embalaram experiências marcantes por todo o planeta:

  • “Grândola, Vila Morena”, do cantor português Zeca Afonso, foi o símbolo de uma nova era de liberdade em Portugal na Revolução dos Cravos;
  • “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, não ganhou o Festival da Canção de 1968, mas inspirou milhares de brasileiros na luta por liberdade e por mudanças durante a ditadura militar;
  • “Do They Know It’s Christmas?”, da Band Aid (resultante da união de músicos britânicos e irlandeses), foi o hino anti-fome que reverberou por todo o mundo no histórico concerto Live Aid, em 1984;
  • “We are the world”, do USA for África (grupo de quarenta e cinco artistas norte-americanos) se tornou, no ano seguinte, 85, o grande o hit contra fome, juntando vozes e levantando fundos para a África;
  • “Inútil”, do Ultraje a Rigor, deu o tom para a multidão que pedia direito ao voto, em 1984, cantando “a gente não sabemos escolher presidente / a gente não sabemos tomar conta da gente / (…) inútil! / a gente somos inútil!” e consagrando o rock jovem, de protesto, que marcaria a década;
  • “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento, acompanhou a comoção nacional causada pela agonia e morte do presidente Tancredo Neves – o primeiro presidente civil eleito em mais de 20 anos -, em 1985;
  • I Need to Wake Up, de Melissa Etheridge, ganhou o Oscar de Melhor Canção em 2007, por “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre o aquecimento global. O filme e a música ajudaram a abrir os olhos do planeta para um de seus maiores problemas na atualidade.

Pois é, música sempre está ligada a experiência, seja pessoal, seja global. É muito mais do que a junção de letra e melodia: é união de estados de espírito. Ouvir música é capaz de nos fazer mudar, de nos fazer buscarmos algo melhor. Afinal, só de buscarmos música já fazemos algo de bom para nós mesmos, não?

Por isso, estou indo agora – a convite dos organizadores – para o Planeta Terra Festival, do qual sou embaixador. O tema dessa edição é exatamente esse: “Um festival. Várias experiências”.

Ele, ainda que não represente nenhuma mudança do mundo, é o festival brasileiro mais antenado com uma grande mudança global: os novos caminhos da música – tanto que, no ano passado, dei um duro danado para cobrir o evento para uma matéria com esse tema, e não consegui. Pelos seus palcos passarão artistas como Kaiser Chiefs, Bloc Party, Vanguart e Mallu Magalhães, que encontraram na web uma forma de potencializarem seus sucessos.

Offspring, Jesus and Mary Chain, Spoon, Foals, Brothers of Brazil, The Breeders, DJ Mau Mau, Sébastien Léger, Mylo e Felix da Housecat, Animal Collective e Curumin completam o line-up deste que promete  ser o melhor festival do ano.

Será? Eu vou lá descobrir, mas, se você não tiver ingresso, não se preocupe: o Planeta Terra terá uma transmissão online bem bacana, ao vivo e com apresentação de Sabrina Parlatore, Bárbara Thomaz, Kid Vinil e Daniel Daibem. Começa às 16h e termina lá para as 3h.

Está pronto para essa experiência?