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Feb15

Campus Party: Vamos conversar?


Blogueiros são bem mais legais ao vivo do que nos blogs. Isso é um fato, mas, naturalmente, não é regra - apesar do número de blogueiros bacanas pessoalmente ser animador. O melhor da Campus Party, claro, são as conversações - assim como nos blogs.

Eu tenho conversado absurdamente por lá. Quase só faço isso. Batendo papo sobre coisas sérias, sobre bobeiras, sobre tudo, com todos. Além de encontrar novamente os amigos, lá é um excepcional balcão de negócios travestidos de conversas informais. A feira? Bom, ela também está bacana.

De verdade, o ambiente completamente geek não faz nenhuma diferença para mim. Vejo os outros blogueiros animados com as novidades tecnológicas, fotografando e postando tudo, mas não me deu a menor vontade de fazer isso. É algo meio “Ok, bacana! Vamos para o próximo stand?”

Estou com um grave problema: eu não tenho a porcaria da programação (e sim, eu sei que tem no site). Não tomei vergonha na cara de ver as coisas direito e, com isso, perdi várias palestras e desconferências que eu queria ver. Me enrolei e acabei perdendo até o lançamento da Blog Content, uma consultoria para blogs corporativos tocada pelo Edney Souza, pelo Ian Black, pelo Alexandre Inagaki e por mim.

As discussões que eu vi foram dentro do mundinho que já freqüento, o dos blogs e do jornalismo. Depois de ir em tantos eventos do tipo, acho que acabei cansando de ouvir e discutir coisas que eu adoro e sempre posto no blog, mas que nunca saem do mesmo quando debatidas nessas ocasiões.

Para variar, não entendi muito bem as polêmicas jornalismo x blog - tirando a da Folha Online, com um problema jornalístico que, coincidentemente, aconteceu com blogueiros - e ouvi gente dos dois lados (se é que isso existe) falando que o outro não mudava nunca de opinião. Não mudam mesmo, e cansa.

Não tomo partido, falo “pois é” e dou um sorriso para jornalistas e blogueiros. Eu concordo e discordo dos dois! O que fazer, não é mesmo? Passei já da fase de ficar fazendo lutinhas internas: Meus lados blogueiro e jornalista estão cada mais misturados e quando vêem o Pedro Dória já dão uma risadinha e tentam adivinhar o que ele vai falar (sério mesmo, já fui em tantas palestras com ele que não duvido decorar suas palavras).

É válido que se discuta, principalmente se tiver algo novo - e sempre tem -, mas o processo de aceitação é lento e só de dá na prática: quando um tem contato com o outro e vê como tudo é legal e pode funcionar em harmonia, mudando algumas peças estratégicas no tabuleiro. Sonho com o dia em que os blogueiros e jornalistas se reunirão para pensar no que podem fazer juntos.

A propósito, achei boba boba a idéia do protesto do dinossauro no aquário da imprensa (o que também é bem bobo, aliás) - embora eu não tenha visto ao vivo e até tenha acompanhado parte da preparação -, mas também achei divertidinha. Nem tudo tem que fazer tanto sentido assim, ou tem? Os jornalistas curtiram, os blogueiros também. Rir faz bem.

Mesmo sem cobrir o evento como tinha pensado fazer, voltarei com alguns posts bem interessantes para breve. É que meu tipo de nerdice (fiz 25 pontos e aqui você faz o teste) é definitivamente outro: sou aquele cara que vai no stand da TV por assinatura assistir a “Friends” e sai de lá constrangido e meio bravo porque mais ninguém fica dando risadas (sim, eu realmente fiz isso. Que povo chato! Não rir de “Friends”? Como assim?).

Mas hoje vou pra lá querendo descobrir tudo. Como funciona, o que tem de bacana em outros setores, o que os robôs fazem, quanto os caras do modding gastam para fazer aquelas maluquices (no melhor sentido possível) com seus computadores, como se anda em um segway…

Prometo que vou conversar menos e ser um pouco mais blogueiro e jornalista. Sem, para isso, me afogar em nenhum aquário.

Compare Preços: Friends, MP3, iPod, celulares, notebooks, câmeras

Jan10

A fonte está cada vez mais próxima do jornalista. E agora?


Em uma reportagem, descobri que duas moças que faziam parte da equipe de limpeza do lugar onde acontecia uma etapa de seleção para um reality show da TV paga, haviam sido convidadas, pela produção, a participar do concurso, tentando assim maquiar a falta de reais candidatas. A matéria foi publicada e acabou ganhando destaque na homepage da Globo.com.

“gustavo tudo bem? p nao perder o costume só dei bastante risada quando minha irmã ligou dizendo que eu estava na primeira pagina do site da globo vc é fogo heim!!achei bacana pelo menos nao acrescentaram nada e foi super verdadeira bjssssssss”

Este foi o comentário de uma das meninas da matéria, aqui no blog. No meu Orkut, também tinha scrap dela, além do pedido para ser minha amiga. Ainda bem que ela gostou da matéria - e, sem nem perceber, confirmou as informações de uma maneira que, eu, como repórter, jamais poderia fazer: ela mesma falou com os leitores (ainda que aqui não fosse o melhor lugar para isso).

Lidar com interação dos leitores daqui blog nunca foi um problema, muito pelo contrário. Blogs são tão legais porque são baseados em conversação e, além de tudo, é muito bom para quem produz conteúdo saber o que seus consumidores acham. No jornalismo, embora eu conheça vários profissionais que não se deram conta disso ainda, a participação do leitor/espectador/ouvinte também tem um papel importante, ajudando a manter o jornalista mais próximo da realidade, ampliando o alcance de sua visão.

Interação e colaboração são palavras-chave para a comunicação em tempos de internet, onde, querendo ou não, nada mais somos do que nomes na tela, ao alcance de qualquer um. A tendência é que os comunicadores, as fontes e os consumidores de informação fiquem cada vez mais próximos.

Qualquer um pode procurar meu nome no Google, no Blogblogs, na Technorati ou no Flickr e descobrir por onde andei, com quem me relaciono e o que eu acho das coisas, além de encontrar o meu E-mail ou algum formulário de contato - e isso é importante para mim como blogueiro, afinal, nenhum blog funciona sem que haja relação entre as duas partes. É fácil para o leitor do blog, é fácil para a fonte jornalística. E é aí que a coisa complica.

A fonte é aquela pessoa que passa a informação trabalhada pelo jornalista. É quem dá a entrevista, quem viveu o que será relatado, quem faz parte de verdade daquilo que será transformado em história. Na faculdade, ouvimos muito sobre o relacionamento do jornalista com a fonte que, sempre, deve ser distanciado. Pois é, só que a fonte é viva e se comunica. Além de, eventualmente, utilizar a internet.

Não dá mais para jornalista fingir ser apenas um instrumento da informação. Não somos, e o envolvimento voluntário ou não com o público e, principalmente, com a fonte não nos deixa ser. A questão é descobrir como devemos nos portar sem que haja prejuízo à notícia. Pelo contrário, é o momento certo para lucrar: na web, toda fonte vira usuário e todo usuário vira fonte.

Já que está tudo tão próximo e que as fontes estão mais ativas do que nunca, por que não aproveitar? Essa interação faz com que o jornalista tome mais cuidado com o que publica e, além disso, permite que a informação seja conferida e revidada por seus personagens. É mais ou menos o mesmo raciocínio do sistema de comentários do Google News, só que feito de forma humana - e, por isso menos, mais confiável.

Em sua dissertação de mestrado, a jornalista (e amiga) Ana Brambilla destaca um conceito de Peter Burke, no livro História Social do Conhecimento: a informação é como a água: quanto mais próxima da fonte, mais pura será.

Estamos no momento certo para, utilizando o potencial social da web, produzirmos informações cada vez mais precisas e verdadeiras - o que seria potencializado caso os grandes veículos perdessem o medo e abrissem espaço para os comentários. Todo mundo se comunica: o leitor conversa com o jornalista que conversa com a fonte que, agora, também conversa com o leitor. Novas visões para o leitor, mais credibilidade e utilidade para a mídia.

Compare Preços: História Social do Conhecimento, Lost, Desperate Housewives, Greys Anatomy, 24 Horas

Participe do novo Podcast:

OutrOs OlhOs Podcast Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:

O caminho da comunicação passa pelos blogs?

Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.

As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!

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OutrOs OlhOs, por Gustavo Jreige
SP - Brasil | Desde 03/02/2003





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