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Planeta Terra: Músicas e experiências
Poucas coisas são capazes de mexer tanto com um ser humano quanto a música. Afinal, músicas sempre vêm acompanhadas de um batalhão de emoções e lembranças, imediatamente reacendidas ao primeiro acorde. Com canções, revivemos várias experiências e geramos outras, novas. Damos trilha sonora à vida.
As músicas são como títulos dos capítulos que vivemos em uma espécie de sumário sonoro de nossas vidas. São a epígrafe de nossas experiências.
Com a sociedade, acontece o mesmo. Músicas inspiraram e embalaram experiências marcantes por todo o planeta:
- “Grândola, Vila Morena”, do cantor português Zeca Afonso, foi o símbolo de uma nova era de liberdade em Portugal na Revolução dos Cravos;
- “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, não ganhou o Festival da Canção de 1968, mas inspirou milhares de brasileiros na luta por liberdade e por mudanças durante a ditadura militar;
- “Do They Know It’s Christmas?”, da Band Aid (resultante da união de músicos britânicos e irlandeses), foi o hino anti-fome que reverberou por todo o mundo no histórico concerto Live Aid, em 1984;
- “We are the world”, do USA for África (grupo de quarenta e cinco artistas norte-americanos) se tornou, no ano seguinte, 85, o grande o hit contra fome, juntando vozes e levantando fundos para a África;
- “Inútil”, do Ultraje a Rigor, deu o tom para a multidão que pedia direito ao voto, em 1984, cantando “a gente não sabemos escolher presidente / a gente não sabemos tomar conta da gente / (…) inútil! / a gente somos inútil!” e consagrando o rock jovem, de protesto, que marcaria a década;
- “Coração de Estudante”, de Milton Nascimento, acompanhou a comoção nacional causada pela agonia e morte do presidente Tancredo Neves - o primeiro presidente civil eleito em mais de 20 anos -, em 1985;
- “I Need to Wake Up”, de Melissa Etheridge, ganhou o Oscar de Melhor Canção em 2007, por “Uma Verdade Inconveniente”, documentário sobre o aquecimento global. O filme e a música ajudaram a abrir os olhos do planeta para um de seus maiores problemas na atualidade.
Pois é, música sempre está ligada a experiência, seja pessoal, seja global. É muito mais do que a junção de letra e melodia: é união de estados de espírito. Ouvir música é capaz de nos fazer mudar, de nos fazer buscarmos algo melhor. Afinal, só de buscarmos música já fazemos algo de bom para nós mesmos, não?
Por isso, estou indo agora - a convite dos organizadores - para o Planeta Terra Festival, do qual sou embaixador. O tema dessa edição é exatamente esse: “Um festival. Várias experiências”.
Ele, ainda que não represente nenhuma mudança do mundo, é o festival brasileiro mais antenado com uma grande mudança global: os novos caminhos da música - tanto que, no ano passado, dei um duro danado para cobrir o evento para uma matéria com esse tema, e não consegui. Pelos seus palcos passarão artistas como Kaiser Chiefs, Bloc Party, Vanguart e Mallu Magalhães, que encontraram na web uma forma de potencializarem seus sucessos.
Offspring, Jesus and Mary Chain, Spoon, Foals, Brothers of Brazil, The Breeders, DJ Mau Mau, Sébastien Léger, Mylo e Felix da Housecat, Animal Collective e Curumin completam o line-up deste que promete ser o melhor festival do ano.
Será? Eu vou lá descobrir, mas, se você não tiver ingresso, não se preocupe: o Planeta Terra terá uma transmissão online bem bacana, ao vivo e com apresentação de Sabrina Parlatore, Bárbara Thomaz, Kid Vinil e Daniel Daibem. Começa às 16h e termina lá para as 3h.
Está pronto para essa experiência?
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Letra e tradução da música “Falling Slowly”, de “Once”
“Falling Slowly”, tema do filme irlandês “Once”, venceu o Oscar 2008 de Melhor Canção Original. A seguir, você confere a letra e a tradução dessa romântica música, composta e interpretada por Markéta Irglová e Glen Hansard - que também protagonizam a película. A canção é marcante e mostra como é possível se apaixonar aos poucos, lentamente, sem nem se dar conta disso - combinando bastante com a história de “Once”. Para ouvir de coração aberto.
Letra
Música, Letra e Interpretação: Markéta Irglová e Glen Hansard
I don’t know you
But I want you
All the more for that
Words fall through me
And always fool me
And I can’t react
And games that never amount
To more than they’re meant
Will play themselves out
Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you have a choice
You’ve made it now
Falling slowly, eyes that know me
And I can’t go back
Moods that take me and erase me
And I’m painted black
You have suffered enough
And warred with yourself
It’s time that you won
Take this sinking boat and point it home
We’ve still got time
Raise your hopeful voice you had a choice
You’ve made it now
Falling slowly sing your melody
I’ll sing along
Tradução
Tradução livre: Claudia Fusco, Gabriela Brasileiro e Gustavo Jreige - www.outrosolhos.com.br
Eu não te conheço
Mas te quero
Ainda mais por causa disso
As palavras caem de mim
E sempre me enganam
E eu não consigo reagir
E jogos que não são
Mais do que parecem
Irão se desgastar sozinhos
Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você tem uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando aos poucos, olhos que me conhecem
E eu não posso voltar atrás
Humores que me tomam e me anulam
E eu estou deprimido
Você já sofreu o bastante
E brigou consigo mesma
É hora de você vencer
Pegue este barco naufragante e o aponte para casa
Ainda temos tempo
Ressoe sua voz esperançosa, você teve uma escolha
E você a fez agora
Se apaixonando lentamente, cante sua melodia
Eu cantarei junto
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- Categorias: Música, Oscar 2008
Melhor Canção: “Falling Slowly”, de “Once”
Clique aqui se você está procurando a letra e a tradução dessa música
Ta aí o prêmio que mais me deixou feliz: Oscar de melhor música original para “Falling Slowly”, do filme irlandês “Once”. Os créditos vão para Glen Hansard e Marketa Irglova.
Eu torcia por ela - e olha que para isso tive que torcer contra a fraca música de “O Som do Coração”, que é estrelado pela Keri Russell, a minha atriz preferida, que apresentou a canção no palco essa noite (e quase me matou do coração de tão linda!).
Sério mesmo, essa era a única canção digna de um Oscar. Ela está grudada na minha cabeça há uma semana e, mesmo sozinha, tem uma força gigantesca.
O interessante é que ela tem uma pegada mais pop, que tocaria nas rádios. Certamente não será um hino, como “I Need to Wake Up”, de “Uma Verdade Inconveniente”, foi ano passado, mas pode virar hit nas FMs pelo mundo.
Prêmio justo, e que ainda honra a arte independente. Viva a globalização do Oscar!
Concorriam:
“Happy Working Song” (Alen Menken e Stephen Schwartz - “Encantada”)
“Raise It Up” (Autor a ser determinado - “August Rush”)
“So Close” (Alan Menken e Stephen Schwartz - “Encantada”)
“That’s How You Know” (Alan Menken e Stephen Schwartz - “Encantada”)
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- Categorias: Oscar 2008
O sucesso na era da internet
Retomando o blog, pergunto: o que é sucesso nos dias de hoje?
A tal cauda longa veio confundir vários conceitos a que estávamos habituados, e isso é ótimo. O sucesso sempre foi relativo, mas agora é uma coisa de doido: em todas as áreas do consumo de informação - seja ela qual for - o meio vem alterando a percepção da consagração.
Na música, pequenas demandas por vários artistas constituem um novo panorama. Desse modo, vai havendo a extinção dos poucos vendedores de milhões de discos e a ascensão de vários vendedores na faixa dos milhares. É como me disse, em entrevista, a Flávia Durante (que tem grande experiência na área e, entre outras 1500 atividades, é assessora de imprensa do Michael Jackson ou uma Britney Spears, mas vários Arcade Fires ou Strokes. Será uma coisa mais segmentada, mas sempre se movimentando”. O movimento, aqui, significa um grande número de artistas fazendo sucesso segmentado, agradando a nichos. Fora que, através da rede, várias bandas estão conseguindo trilhar um caminho bacana, conquistando público pelas próprias pernas - e fotos, e blogs, e vídeos, e músicas. O sucesso, portanto, muda: atinge menos pessoas, mas é mais humano e, possivelmente, intenso. O Mombojó, o Terminal Guadalupe, o Jumbo Elektro e o Suburban Kids with Biblical Names são muito bem-sucedidos, ainda que minha mãe não tenha idéia de quem eles sejam.
Com séries, a definição de sucesso também é complicada. “Gilmore Girls” foi sempre elogiada pela crítica, mas nunca foi indicada às principais categorias do Emmy. “30 Rock”, vencedora do Emmy 2007 de Melhor Comédia, entretanto, ainda sofre com a baixa audiência. “Jericho”, que também apresenta índices aquém dos esperados, foi salva do cancelamento devido à barulhenta manifestação dos fãs. Séries consideradas transgressoras e aclamadas pela crítica, como “Arrested Development” porém, chegaram ao fim sem chamar muita atenção do público. “Lost” possui um público gigantesco, mas não tão grande quanto antigamente. Já “Gossip Girl” não figura entre as mais vistas da TV norte-americana (pelo contrário), mas é a série mais baixada do iTunes. Viu o tamanho da zona?
O colaborador de TV e cinema da Folha de S. Paulo, Cássio Starling Carlos, autor do livro “Em Tempo Real”, sobre séries, me respondeu como se pode medir o sucesso de uma produção hoje em dia: “Trata-se de uma lógica industrial que tem que considerar custos de produção, apelo comercial (publicidade ou assinaturas, no caso de TV a cabo) e, atualmente, mecanismos de oferta “on demand”. A audiência é medida, prioritariamente, pelo índice Nielsen, mas existem outras, como fãs e suas comunidades virtuais, que não são ignoradas. Tanto a crítica como as premiações são fator de prestígio, mas sua influência não é considerada prioritária, salvo para efeitos midiáticos. O que de fato mede o sucesso de uma série hoje, além dos índices de audiência, é o barulho que elas fazem e a isso os produtores estão bem atentos.”
Ou seja, o sucesso tradicional é o mais considerado pelos veículos tradicionais - ainda que incorporando novos meios. Mas para os fãs, aposto, uma série de sucesso é aquela que os agrada. E ponto.
Com blogs, me parece, o sucesso segue essa tendência de pessoalidade, de forma mais extremada, por que vinte mil leitores indiferentes deveriam ser mais importantes do que vinte satisfeitos e fiéis?
Volto à pergunta: o que é sucesso nos dias de hoje? Não sei a resposta, nem mesmo se ela realmente existe. A percepção de sucesso, para mim, é pessoal e intransferível, embora muitas vezes tenhamos que engolir definições alheias.
Sucesso é tudo aquilo que me faz feliz, e só.
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- Categorias: Cultura, Internet, Mídia
Participe do novo Podcast:
Está no forno o novo episódio do OutrOs OlhOs Podcast, falando sobre blogs, e você pode participar dele. Basta responder, em áudio, a pergunta:
O caminho da comunicação passa pelos blogs?
Grave a sua resposta, com até dois minutos, em MP3 ou WAV, usando algum programa do tipo Audacity (que é gratuito), e envie para podcast@outrosolhos.com.br. Também dá para gravar diretamente nos comentários do podcast, clicando aqui.
As gravações poderão ser veiculadas no nosso próximo episódio!

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