por / 3 Fev

Caro leitor,

Se você olhar a homepage desse blog, irá notar que, vergonhasamente, o post de comemoração dos 6 anos do OutrOs OlhOs encontra-se a poucas postanges abaixo dessa. Apenas quatro posts se passaram de lá até aqui, até hoje, dia em que o OO comemora 7 anos de existência.

Acredite se quiser: estou escrevendo por aqui há um terço de minha vida. Tamanho descaso nem de longe representa a importância que esse blog tem para mim: por aqui, como disse ano passado, estão os melhores e piores momentos que já passei – exceto pelos últimos dois anos, quando o blog me deu uma carreira, que, veja só, me roubou dele.

Esses dias fui procurar o número do meu ICQ no Google e caí no histórico do blog. Você já parou para pensar como seria ler sua adolescência? Pois bem, comecei o OO com 14 anos, falando basicamente sobre a minha vida (no melhor estilo Twitter) e dando opinião sobre notícias.

Ler tudo aquilo, os bons e maus momentos, as minhas percepções de mundo, o que eu amava e odiava, me assustou. Naturalmente, não sou mais aquela pessoa – e nem lembrava ter passado por tudo aquilo para chegar até aqui.

Mas cheguei, e o blog não me acompanhou com a mesma intensidade. Ele também mudou.

Dizem que todo projeto tem um fim. Foi assim com o Enloucrescendo, com o Chiqueiro Chique, com o Nova Corja e, agora, com o Poltrona. A Sam Shiraishi fez um post ontem sobre isso e constatou: “às vezes a gente muda e os projetos não mudam, descobrimos que eles estão concluídos e não precisam continuar a caminhada. Ou tomaram vida própria, uma vida que vai continuar ou que se encerra, como uma obra que, finalmente, fica pronta.”

Por diversas vezes pensei nisso: vale a pena tratar com tamanha falta de respeito um espaço que, bem, me deu algumas das melhores coisas da minha vida (mansões, mulheres, carros importados, amigos e uma carreira, por exemplo)?

As mudanças do Ian, da Marina e do Alê dizem respeito a um novo momento de vida, a uma fase concluída e até a voltar a ser blogueiro como antigamente, quando os blogs eram mais nossos – cabendo até contar sobre os superestimados dramas adolescentes. Lá no fundo, concordo com tudo isso. Então chegou o momento do fim do blog?

Para mim, não. Deixar o OutrOs OlhOs é simplesmente abandonar um terço da minha vida e perder uma batalha. Esse espaço é vivo e, como um bom amigo, continua sempre aqui, ao meu lado, mesmo que eu passe tanto tempo longe. Continuo querendo estar aqui mais tempo do que estou hoje em dia.

Às pessoas que me aturam por aqui – algumas há vários anos -, agradeço a paciência e peço desculpas pela ausência.

Ao blog, só tenho uma coisa a dizer: feliz aniversário, OutrOs OlhOs, e obrigado por tudo.

por / 3 Fev

No filme “Marley e eu”, o protagonista John (vivido por Owen Wilson) é um jornalista que relata em sua coluna diária acontecimentos cotidianos, como as dificuldades do começo da vida de casado e a relação com o “pior cachorro do mundo”, o filhote Marley. Anos depois, o filho de John pega os recortes dessas colunas de jornal e lê, conhecendo assim o começo de sua família, as estripulias de seu agora idoso cachorro, as dificuldades que o pai enfrentava. O pai, claro, se emociona ao ver o filho ter contato com seu trabalho e, principalmente, com seu passado.

Não por acaso, essa foi a cena que mais me emocionou no filme. Como jornalista, tenho paixão por contar histórias para perpetuá-las. A perspectiva de ter sua história registrada junto aos acontecimentos relatados e que ela seja lida no futuro pelos filhos é algo que considero de uma beleza única.

E o que é um blog senão o registro de nossas vidas?

Quando você cria um blog, você nunca sabe aonde ele te levará. Como toda cria, ele amadurece. Vai se transformando com o tempo, ganhando novos contornos, novos endereços, novos amigos e visitantes. Mas você sempre está nele.

Nesses 6 anos que o OutrOs OlhOs me acompanha, vivi a maioria dos melhores e piores momentos da minha vida. Por aqui, compartilhei angústias, alegrias, novidades, opiniões, desabafos, ausências.

E tive você aqui, acompanhando, dando força, me ajudando a crescer.

Nos últimos tempos, encontrei com diversos leitores antigos daqui do blog, o que me fez ter essa dimensão de como registramos nossas vidas. Vários deles falando “nossa, e pensar que eu acompanhava seus sonhos para entrar na faculdade e ser jornalista…” .

Tem coisa melhor do que você ser acompanhado ao decorrer dos anos por pessoas que torcem por você? Que realmente acompanham essa novela real que é blogar e passam a fazer parte dela?

A você, antigo leitor, meu muito obrigado, por todo o carinho, por toda a paciência, por ter virado amigo. A você, que não está por aqui há muito tempo, também agradeço e convido a acompanhar o que tenho vivido e o que meus OutrOs OlhOs têm visto.

Esse ano, a relação com o blog ficará ainda mais estreita, já que meu TCC da faculdade de jornalismo se desenvolverá nesse espaço. Mais do que nunca, nos vemos aqui, para darmos, juntos, novos passos. Combinado?

Feliz aniversário, OutrOs OlhOs, e obrigado por tudo.