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Especial “O Teatro Mágico”: O show do “Segundo Ato” e o download das músicas
Aug 25th
Veja a primeira parte desse especial clicando aqui.
O Teatro Mágico é um espetáculo, um junção de música, poesia, teatro, circo… Com o objetivo de ser um “sarau amplificado”, ele une suas canções e textos a figurinos, cenários, coreografias, acrobacias, palhaçadas. Quando junta tudo numa coisa só, ganha força e mostra porque consegue atrair tanta gente: é no palco que esse teatro mágico de fato acontece.
Já vi vários shows da trupe, peguei várias filas intermináveis e já até fiquei de fora, após mais de 6 horas aguardando por um ingresso (pois é, mas isso quando ainda não tinha visto nenhum show e queria ver mais do que tudo na vida). Fui nas duas Viradas Culturais, ano passado e nesse, ficando no meio das multidões de 40 e 30 mil pessoas, respectivamente, que saíram com o pé detonado após tanto pular e receber pisões.
Fui a tantos shows do “Entrada para Raros” que, em certo momento, ninguém mais queria me acompanhar. De tanto repetir as mesmas músicas e piadas, o TM foi cansando a platéia menos fanática. Consciente disso, tomou uma importante – e acertada – decisão: nesse novo “Segundo ato”, não cantaria nenhum de seus maiores hits, do disco anterior.

A convite do grupo, assisti à estréia da turnê, no Memorial da América Latina, em São Paulo, há cerca de dois meses. De fato, não tinha as canções mais famosas do “Entrada para Raros” – o grupo chegou a brincar, tocando a introdução de algumas delas -, mas elas não fizeram tanta falta assim (na verdade, só me lembro de tocar uma nova versão de “Uma parte que não tinha“, do primeiro álbum).
Quase todas músicas desse novo álbum já eram tocadas na turnê antiga, o que gerou uma transição menos doída, sem tanto estranhamento. Essas canções – como “Pena”, “O Mérito e o Monstro” e “Cidadão de Papelão” -, ganharam novos arranjos e toda uma composição de palco – viraram “números musicais”, como diria algum apresentador brega da TV.
E foi um show de palco – totalmente registrado pelos fãs e disponível no Youtube. A platéia delirou com as representações ainda mais teatrais das músicas – que também ganharam um toque mais rock’n’roll, que empolgou. A energia e o romantismo que fizeram o grupo se destacar nos últimos anos continuavam novamente ali, revigorados.
Novas acrobacias e coreografias ajudaram a renovar o espetáculo visual. Os figurinos estavam muito, muito mais luxuosos e belos, um grande e necessário avanço a essa trupe cada vez menos mambembe.
Ao contrário do CD, no show tudo funciona. A presença de palco do grupo garante isso quando a música não o faz – e são poucas vezes.
Naturalmente, as canções novas ainda não animaram tanto assim, nem tinham força, em sua primeira apresentação “oficial” (com a versão que foram gravadas no disco), para substituir “Realejo”, “Ana e o Mar”, “O anjo mais velho”, “A pedra mais alta”, “Zaluzejo” e companhia, mas também não deixaram o público se desanimar.
Nos próximos shows, certamente já serão grandes hits – especialmente “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” (que no show ganha uma hilária introdução), “Reticências” e “Abaçaiado” .
O show continua imperdível e há grandes chances de levar novamente o prêmio do Guia da Folha de melhor show do ano – feito conquistado no ano passado. Eu votaria.
Além disso, a lojinha do TM continua lá (com novas camisetas!), ainda tem uma música em que todos sentam e, é claro, a trupe continua descendo para conversar com o público após o show.
Se interessou? Em São Paulo, o próximo show do Teatro Mágico será nos dias 04 e 05 de outubro, no mesmo Memorial da América Latina – boa locação, com palco vazado e espaço para todo mundo sentar e também dançar, sem aperto. Estarei lá!

O Teatro Mágico – Download de Músicas
Sempre admirei o grupo pela forma inteligente que utiliza a internet e consegue mobilizar os fãs. É um dos primeiros e maiores sucessos musicais provenientes da web no Brasil. Duvida?
O CD “Segundo Ato” foi disponibilizado integralmente no Trama Virtual. E adivinha? 60% de todas as músicas baixadas nos meses de junho e julho no site eram da trupe.
Até agora, mais de 550 mil downloads foram feitos no site, um recorde. Para efeito de comparação, no ano passado o mês que mais teve downloads no Trama Virtual, agosto, contou com “apenas” 170 mil downloads no total.
Visitei várias vezes o TOP 100 do site, e por muito tempo, todas as músicas do Teatro Mágico (37 no total, com as canções do primeiro e do novo disco) estavam entre as 40 mais ouvidas – todas do TOP 20 eram deles. Todas continuam entre as 65 mais ouvidas e 11 músicas do TOP 20 são deles.
O que é curioso é que algumas das músicas mais acessadas da trupe no site Letras, um dos mais populares de seu gênero, não costumam tocar nos shows, não estão em nenhum CD – e, conseqüentemente, também não no Trama Virtual. É o caso de “Cuida de Mim”, que ocupa o terceiro lugar, “Eu não sei na verdade quem eu sou”, na quinta posição, “Sobra tanta falta” (8ª) e “Perto de Você” (9ª). Sinal de que continua havendo um grande número de downloads das músicas em outros sites – tem até uma comunidade só para isso no Orkut, com mais de 8 mil membros.
Essas músicas não são necessariamente do Teatro Mágico como um grupo, mas gravações de Fernando Anitelli e de outros membros da trupe, a maioria apenas com voz e violão. Você pode encontrar essas e outras músicas clicando aqui.
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No próximo domingo, na última parte do Especial “O Teatro Mágico”, você confere uma super galeria de fotos desse show e também um vídeo exclusivo e em primeira mão do novo DVD do grupo!
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Claro, não posso deixar de falar das dezenas de comentários no post anterior, criticando minha crítica e até me ofendendo. A todos que usaram argumentos e que foram racionais, agradeço. Aos que xingaram apenas por eu não ter falado 100% bem do CD, peço reflexão: uma das propostas do Teatro Mágico é ser crítico com tudo, inclusive com ele mesmo. É não aceitar por aceitar, ou, como diz a música “não acomodar com o que incomoda”. Ser alienado com o próprio trabalho d’O Teatro Mágico é negar, contradizer e desperdiçar tudo que o Fernando e a trupe pregam. Esse tipo de fanatismo me parece exatamente incompreensão. Pensem nisso.
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Tem sugestão de banda para o Estúdio OutrOs OlhOs? Mande para blog[arroba]outrosolhos.com.br.
Especial “O Teatro Mágico”: As músicas do CD “Segundo Ato” e os novos caminhos da trupe
Aug 10th
O Teatro Mágico mudou. Em seu “Segundo Ato”, como bem disse um integrante do grupo, há menos bolas de sabão – que, segundo ele, já ardiam os olhos. A idéia era fazer um CD mais politizado, menos colorido, saindo do “Mundo Mágico de Oz… Osasco” (a piada fraca e batida, repetida em todos os shows, que brinca com a cidade de origem do grupo) e chegando a São Paulo, onde agora fica o escritório da trupe. Pois bem, a convite d’O Teatro Mágico, fui à estréia do novo show, recebi prévia do CD e depois o CD pronto, além de um preview do DVD. Vi e ouvi tudo e posso afirmar: o grupo é outro – e isso não é necessariamente bom.
Vamos por partes – e são várias. Se você é fã do Teatro Mágico, como eu sou há um bom tempo, vai adorar essa série especial de posts sobre o grupo, que será publicada agora e nos próximos dois domingos.
Nessa primeira parte, você verá a crítica do novo CD “Segundo Ato”. No segundo post do especial, no ar no próximo domingo, trarei dados surpreendentes sobre o grupo, minhas impressões sobre o novo show e fotos da apresentação e dos bastidores. No terceiro e último post, dia 24, você verá um vídeo exclusivo com a prévia do DVD, em primeira mão! Vamos começar? Estréia, então, o Estúdio OutrOs OlhOs!
CD – O TEATRO MÁGICO: SEGUNDO ATO
As maiores críticas ao primeiro álbum, “Entrada para Raros”, eram nesse sentido: a pretensão do grupo de ser diferente e mudar tudo era maior do que a qualidade de suas letras e músicas.
Em contrapartida, os sons “coloridos” e um tanto quanto apaixonados da banda, resgatando um universo inocente, em que o amor prevalece e o mundo é perfeito, conquistavam milhares de “raros” (como os fãs da trupe são chamados), especialmente universitários, encantados com aqueles palhaços felizes em pedras mais altas, com papéis de realejo trazendo sorte, com camaradas d’água vivendo à sua maneira, com lembranças do anjo mais velho que duravam até a ultima respiração, com opostos se distraindo e dispostos se atraindo.
Agora, o teatro está menos mágico, os tons coloridos foram substituídos por cinza, os trocadilhos infelizes continuam e as críticas sociais são rasas e ainda mais pretensiosas. O disco não é ruim, mas também não empolga. Como há uma dose bem menor de romantismo, que tanto apetece a platéia da trupe, pode decepcionar. Mas, por esse mesmo motivo, pode trazer novos ouvintes.
“Amadurecência”, uma poesia dispensável que marca a passagem entre as fases do grupo, abre o álbum. Não poderia deixar de registrar que a frase “com outros olhos” é repetida várias vezes. Agradeço o merchan.
Na seqüência, músicas já conhecidas pelo público, em novas versões. Detestei quase todas da primeira vez que ouvi, por ter lembrança delas sendo tocadas ao vivo ou em MP3 acústicas que rolaram na web, mas agora gosto bem mais.
Na ordem: “O Mérito e o Monstro” – mais rock’n’roll, um belo acerto -, “Cidadão de Papelão” – música pensada para esse álbum e uma das minhas favoritas, que já tocava nos últimos shows da primeira turnê – e “Pena” – música já batida, em versão pouco inspirada, com efeitos desnecessários, não conseguindo trazer nem um pouco da força que a canção tem ao vivo.
Também conhecidas do público, “Sonho de uma flauta” – já disponibilizada pelos fãs em acústico, agora com arranjos melhores, mais emocionante e com uma alteração boba na letra, quando diz “sei que toda mãe é santa, sei que a incerteza traz inspiração”, ao invés de “(…) toda mãe é santa, mas a incerteza (…)”, mas que poderia ficar melhor se conseguisse dar a sensação de um sonho, lúdico, coisa que não chega nem perto – e “Eu não sou Chico (mas quero tentar)” – samba gostoso, com boa letra, divertida e bem-humorada, talvez a melhor canção do álbum.
Das novas, gosto muito de “Xanéu Nº5” – crítica à televisão, com participação de Zeca Baleiro (sim, o encontro perfeito, dirão tanto os que odeiam quanto os que adoram!) -, de “Abaçaiado” – música bem gostosa, que tem traços de “Camarada d’Água” e de “Zaluzejo” e traz um tom nordestino ao disco, com a participação do Silvério Pessoa – e “Reticências…” – que traz mais elementos circenses à música e tem uma surpresa escondida ao seu final.
Fiquei indiferente às outras músicas, como “Sina Nossa” e “Criado Mudo”, bem dispensáveis ao meu ver.
Não gosto tanto das vinhetas desse álbum quanto gostei das do anterior. As que se destacam são “#@$!@” e “Alguma Coisa”, especialmente a primeira – que consegue, no álbum, ter a energia que tem no palco.
A produção do disco está infinitamente melhor. O CD, independente, é vendido em duas versões: só o CD, sem arte, por R$5,00, e com encarte, por R$10. A capa do disco e o encarte são bem bonitos – assim como o novo figurino e cenário, possuem elementos de Sandman, quadrinhos de Neil Gaiman, e das obras de Salvador Dalí -, como você pode ver acima. Também dá para baixar tudo de graça, na Trama Virtual – onde o primeiro CD também está disponível. Boa, TM!
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Com esse post e com os outros dois da série, quebro uma promessa pessoal. A antiga assessoria de imprensa do grupo cometeu tantos deslizes comigo quando tentei fazer uma matéria com eles para um programa de TV que prometi nunca dar espaço algum ao Teatro Mágico. Felizmente, até isso mudou e dei uma segunda chance. Não me arrependi nem um pouco.
E, como você já notou, essa é a estréia do “Estúdio OutrOs OlhOs”, coluna que sempre dará espaço para artistas independentes que eu gostar. Já dava esse espaço no Podcast, mas como costumo demorar séculos entre um podcast e outro, agora vira coluna no blog também. Espero que você goste das minhas indicações musicais e que também sugira nomes, no blog(arroba)outrosolhos.com.br.
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