por / 9 Dez

“Raios e trovões!”. “Por Merlin, bate!”. “Cruj, Cruj, Cruj, tchau”. “Senta, que lá vem história”. “Vamos todos juntos, na turma do Pateta”. “Quem conhece a gaita já sabe quem tá chegando…”. “Hakuna matata, isso é viver!”. “Parem, parem tudo. Estão ouvindo esse som? Ele quer dizer que está na hora do…” “Tio Ted, Tio Ted!”. “Onde tudo pode acontecer…”. “Mexe, mexe, mexe com as mãos”. “Não é a mamãe!”, “Pokébola, vai!”. “Um beijo para minha mãe, para meu pai e outro para você”. “É hora de morfar!”. “Patty, você é minha maionese”. “Meteoro de Pégasus!”. “Tá na mesa pessoal!”

Se você cresceu nos anos 90, certamente várias dessas frases marcaram a sua infância – é o meu caso. São bordões que toda criança repetiu e que deram um toque especial aos momentos em frente à televisão – e que, aposto, ainda animam toda a vez que são ditos.

Afinal, uma das coisas mais divertidas depois de uma certa idade (na verdade, desde quando você passa a ter recordações) é relembrar a infância – e suas “transformações” da realidade, que fazem as coisas mais toscas parecerem fantásticas.

Deve ser por isso que quase pirei quando vi o Almanaque dos Anos 90 a venda, na FNAC. Estava lá para matar o tempo enquanto aguardava para ir a um evento. Acabei chegando atrasado, porque não conseguia largar o livro escrito por Silvio Essinger.

Nunca havia entendido direito a euforia em torno dos anos 80 até relar nesse livro que retrata a década em que cresci. Fiquei tão animado com as lembranças que ele me trouxe, que pedi uma cópia à Ediouro, que gentilmente me enviou. O livro é ótimo e te surpreenderá com coisas que você já amou, mas que nem lembrava que existia.

É o caso de alguns dos programas que relatarei abaixo. O autor do livro esqueceu de alguns deles ou não se estendeu muito a respeito. Mas, fala sério, nada como quem foi criança nos anos 90 para relembrar, não é mesmo?

Clássicos contemporâneos, os programas infantis da década passada misturaram entretenimento com educação, conquistando diversos prêmios e o coração da molecada – mesmo quando já nem parecem mais tão moleques assim.

Personagens carismáticos de desenhos animados ganharam ainda mais vida com a popularização da TV a cabo e a boa safra de programas infantis.

Foram hits dos anos 90 personagens como Doug Funnie (“Doug”); Timão e Pumba (“Timão e Pumba”); Pateta e Max (“A Turma do Pateta”); Marsupilami (“Marsupilami”); Bob (“O Fantástico Mundo de Bob”); Babar (“As Avanturas de Babar”); Ash e Pikachu (“Pokémon”); Seiya (“Os Cavaleiros do Zodíaco”); Sailor (“Sailor Moon”); Goku e Gohan (“Dragon Ball“); Inspetor Bugiganga (“Inspetor Bugiganga”); Tommy (“Rugrats – Os anjinhos”); Pernalonga, Piu-piu e cia (“Looney Tunes”); Pinky e Cérebro (“Animaniacs”, “Pinky e o Cérebro”); Pica-pau (“Pica-Pau”); Tom e Jerry (“Tom & Jerry”); Valente e Ternura (“Os Ursinhos Carinhosos”); Meena (“Meena”); Tintin (“As Aventuras de Tintin”); Dexter, Jonny Bravo e cia (“O Laboratório do Dexter”). Doug, Pateta, Bob, Babar, Pikachu, Inspetor Bugiganga, Tommy e Tom e Jerry eram meus favoritos.

Na apresentação dos programas e dos desenhos, personalidades que até hoje estrelam em nossa televisão. Xuxa decolava com seu “Xou da Xuxa” no começo da década. Em 1994, a “rainha dos baixinhos” estreou seu “Xuxa Park”, que permaneceu no ar com sucesso até 2001, quando o estúdio do programa sofreu um incêndio. Em 1997, Xuxa apresentou, pela primeira vez, um programa para os que já haviam crescido: o bem-sucedido “Planeta Xuxa”, derivado de um quadro do “Park”.

A Xuxa marcou época, mas nunca me convenceu. Afinal, minha loura preferida era a outra: Angélica, que surgiu e conquistou a posição de estrela nos anos 90. Na TV Manchete, apresentou o seu primeiro programa, o infantil “Milk Shake”. Em 93, foi para o SBT comandar a “Casa da Angélica”, que a consagrou com ídolo das crianças. Por lá, ela ainda apresentou o “Passa ou Repassa” e a “TV Animal”. Mas foi na TV Globo que a loirinha representou um dos personagens mais queridos da infância dos que nasceram nos anos 90 – disparado minha atração favorita da TV -, a Fada Bela, protagonista da novelinha “Caça Talentos”, transmitida dentro do programa “Angel Mix”, que estreou em 1996. É da Fada Bela os bordões “Por Merlin!” e “Bate”, além de canções que grudavam na cabeça, como “Fada Bela” e “Dança da Fadinha”. Angélica também fez sucesso com seus CDs e filmes – que eu comprava e assistia em pré-estréia, sem exceção. :P

Outra loirinha que também servia de babá-eletrônica – na definição de Silvio Essinger, no “Almanaque dos Anos 90” -, foi a Eliana, que comandou no SBT a “Sessão Desenho” e o “Bom Dia & Cia”, entre outros. Neste último, ela se consagrou como ídolo infantil ao conquistar audiência com desenhos populares e personagens, que interagiam com ela no palco, como Flitz e Melocoton – que, por si só, também fizeram muito sucesso. A música “Os Dedinhos” foi um de seus hits – e todo mundo cantava, lembra? Na Record, emissora em que ainda é apresentadora, apresentou os infantis “Eliana e Alegria” – que se tornou sucesso graças ao desenho “Pokémon” (que me fez gastar uma grana em revistas e Guaraná Antarctica Caçulinha, que vinha com a pokebola!) – e “Eliana no Parque”, que eu já era velho demais para gostar.

Mas o período foi especialmente fértil para as séries infantis. Além de “Caça Talentos”, da Globo, diversos programas que ainda hoje são referência surgiram na época – seguindo na esteira de atrações de boa qualidade dos anos 80, como o “Rá-tim-bum”, que ficou no ar até 1990 e fez sucesso por toda a década (e faz até hoje na Cultura e no Canal Rá-Tim-Bum).

Glub Glub”, da TV Cultura, apareceu em 1991, mostrando dois peixinhos aprontando aventuras no fundo do mar e contando como era a vida marítima para as crianças.

Também neste ano, em parceria com a TV Globo, a Cultura lançava a série “Mundo da Lua”, protagonizada pelo sonhador menino Lucas Silva e Silva e com elenco de peso. A série fez muito sucesso com públicos de diversas idades e conseguiu misturar educação, situação familiar e diversão em um só programa. Como eu queria ter aquele gravador!

Já na “TV Colosso”, da Globo, eram os cachorros que dominavam. Na série, de 1993, a sheep dog Priscila era a produtora de um canal de TV voltado para os cachorros, mostrando o dia-a-dia da emissora, seus programas e funcionários. Um grande sucesso, que possui um saudoso fã-clube ainda hoje. Em 2008, o programa “Mais Você”, da Globo, trouxe de volta os personagens em um especial de dia das crianças, aumentando os boatos de que a emissora pretende voltar com o show, que saiu do ar em 1996 – o que já foi desmentido pela emissora. Até tive um LP deles (sim, éle pê!), mas nunca gostei taaanto assim.

A série de maior sucesso da década, entretanto, era comandada por uma família de bruxos! O “Castelo Rá-Tim-Bum” estreou em 1994 na TV Cultura e se tornou um dos maiores fenômenos de audiência do canal e um dos programas infantis mais premiados do Brasil. Misturando diversão, magia e conteúdo cultural e educacional, o “Castelo” contava a história do menino Nino, um jovem bruxo de “apenas” 300 anos de idade, e seus amigos humanos, Zequinha, Pedro e Biba. Havia ainda o feiticeiro Dr. Victor e a bruxa Morgana – interpretados por Sérgio Mamberti e Rosi Campos-, os cientistas gêmeos Tíbio e Perônio, as fadinhas do lustre Lana e Lara e o “tira-dúvidas” Telekid (vivido por Marcelo Tas), além do vilão Dr. Abobrinha e dos amigos que sempre visitavam o castelo: Penélope – uma jornalista -, Bongô – um entregador de pizza -, Etevaldo – um ET atrapalhado e a Caipora – a figura folclórica. Com relógios, gatos, ratos, pássaros e cobras falantes, monstros que habitavam o encanamento e um universo mágico, a série conseguiu atrair audiência e sucesso ao decorrer da década, figurando ainda hoje como um dos programas mais vistos da TV Cultura. Eu ainda paro para ver na TV e fico todo bobo com o episódio da Rádio Ra-tim-bum, que me fazia sonhar em ter uma rádio amadora só minha (sim, sempre tive paixão por comunicação! haha).

Em 1996, a Cultura estreou outra série de sucesso: “Cocoricó”, com bonecos de manipulação, que conta a vida de Júlio, um menino que vai morar no sítio dos avós e cria amizade com os divertidos e falantes animais do local – como as galinhas Lola, Zazá e Lilica, a vaca Mimosa, os papagaios Kiko e Caco e o cavalo Alípio. Ainda é um dos produtos mais rentáveis da emissora e, confesso, me dá um certo orgulho presentear meus priminhos com DVDs da série.

No SBT, além das novelas mexicanas, uma brasileira se destacou, alcançando expressivos índices no Ibope: a adaptação da Argentina “Chiquititas”, que estreou em 1997 misturando música e atuação para contar a história de um orfanato infantil e de seus habitantes, entrando no universo jovem e lançando diversos atores que hoje fazem sucesso na TV, como Fernanda Souza, que interpretava a protagonista, Mili. Musical, a novela lançou vários CDs, que vendiam como água. Eu comprava, assumo.

Programas como o “X-Tudo” (TV Cultura, 1992), o “Agente G” (Record, 1996), a “Vila Esperança” (TV Record, 1998), todos comandados pelo simpático Gérson de Abreu também prenderam as crianças em frente ao televisor. Assistia a todos!

Já o “Hugo Game”, da CNT, apostava na interatividade. Lançado em 1996, era um videogame comandado pelo telefone, em que um telespectador comandava o duende Hugo na busca por salvar sua esposa e filhos de uma terrível bruxa. O legal é que o personagem era tão carismático que, mesmo sendo um jogo, parecia até desenho animado! Tentei diversas vezes ligar para lá, mas nunca consegui… foi quase um trauma! :P

De fora do país, vieram atrações como a “Família Dinossauro” (Globo, 1992), as “Bananas de Pijamas” (SBT, 1992), os “Power Rangers” (Globo, 1993) e “Teletubbies” (Globo, 1999). E, fala sério, quem nunca brincou de morfar, gritou “querida cheguei” e quis ter o boneco da Ranger rosa, que tinha tanto a cabeça da Kimberly quanto o capacete de Ranger? Eu tinha um grandão e era apaixonado por ela.

E a melhor de todas: “Punky, a Levada da Breca“. A história da menina órfã, seu cachorro e seu pai adotivo foi sucesso nos EUA nos anos 80, mas ainda assim encantou crianças brasileiras no SBT ao decorrer da década de 90. A série virou desenho e tudo, se tornando um dos clássicos da TV mundial. Eu adorava e queria muito ter uma casa na árvore, exatamente como a dela na série! Você não? A Band comprou os direitos da série e deve exibi-la em 2009, com nova dublagem.*

Claro, tinha ainda as séries eternas como o “Chaves” e o “Chapolim“, as reprises do “Sítio“, os já não tão mais engraçados “Os Trapalhões” e apresentadores como Mariane, Mara Maravilha e o ídolo Sérgio Mallandro – além dos mini-dançarinos, como os do grupo Mulekada, que tocavam no Raul Gil.

Aposto que você ficou com o coração apertado de relembrar, né? E tem todos os motivos: foi uma década para pai nenhum botar defeito, não é mesmo?

PS: Fala a verdade, você preferia a Xuxa, a Angélica ou a Eliana? (eu amava a Angélica, gostava da Eliana e odiava a Xuxa!)

PS²: Você percebe que já está ficando velho quando tem um livro contando como foi a década da sua infância, não? :P

Este post foi atualizado (com edição de texto e acréscimo de imagens) em 27/12/2008 e em 03/12/2009 (com edição de texto e acréscimo dos vídeos).
* Informação acrescentada em 03/12