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Filme “Watchmen” chega ao DVD. Vale alugar?
Sep 5th
O filme “Watchmen”, adaptação das HQs escritas por Alan Moore e desenhadas por Dave Gibbons, finalmente chegou em DVD ao Brasil essa semana. A superprodução, que foi lançada nos cinemas brasileiros em março desse ano, não conseguiu alavancar grandes bilheterias (para seu porte, é claro) nos EUA e a venda do DVD, com uma versão extendida do filme, é uma das esperanças dos estúdios para conseguir lucros ainda mais expressivos com os super-heróis. Os fãs, claro, aguardavam ansiosamente para ter em mãos os discos com a história completa.
No Brasil, porém, só é possível, por enquanto, alugar o DVD simples do filme (sem muitos extras) ou comprar o Blue Ray duplo (aí sim com extras para deixar os fãs satisfeitos). A venda, em DVD duplo, está prevista para novembro.
Sinceramente, esse não é o tipo de filme que eu gosto, mas convidei dois amigos que viram “Watchmen” no cinema para darem seus pitacos sobre a produção. Um deles, o Eric, nunca tinha lido a obra de Moore. Já o outro, o Tiago, viciado em quadrinhos, já era fã das HQs. As opiniões, naturalmente, são diferentes e podem te ajudar a decidir se vale ou não ir até a locadora mais próxima ou comprar os discos azuis.
Quem só viu o filme…
Curto e grosso: se você nunca leu Watchmen mas tem um leve conhecimento sobre esse mundo pitoresco de seres poderosos e com um péssimo gosto para roupas, alugar o filme vale 100%.
Todo mundo sabe que adaptar uma obra para outra mídia é trabalho hercúleo e ingrato, os fãs sempre irão reclamar se você colocar coisas de menos da obra original dizendo que você descaracterizou ou, então, farão o contrário, dizendo que o autor coloca coisas demais, deixando o filme longo e arrastado e que devia ter coisas de menos. Isso nunca vai mudar.
Talvez por isso, quem vive nessa espécie de limbo entre o desconhecimento e a familiaridade com as HQ’s seja o tipo de espectador que vai sair mais entusiasmado ao assistir a “Watchmen”.
As razões vão desde o roteiro que consegue ser fiel a obra original e ao mesmo tempo bastante dinâmico para explicar o desenrolar do trama em bem menos tempo do que na HQ, até a trilha sonora sensacional que conta com grandes nomes como Bob Dylan, Jimi Hendrix, Janis Joplin e Leonard Cohen, escolhidos a dedo e que casam perfeitamente com as situações em que são retratadas. De certo modo, elas conseguem te transportar praquela década de 80 desesperançosa com os rumos caóticos que a Guerra Fria trazia.
Mas o que realmente salta aos olhos é o espetáculo visual que o diretor Zack Snyder proporciona com seu cuidado excessivo em reproduzir fielmente diversas cenas da graphic novel – o que por si só já é fantástico – mas que fica ainda mais bonito na tela do cinema. Como nem tudo são flores, a escolha de atores até certo ponto desconhecidos e relativamente inexperientes em filmes desse porte se mostra uma aposta arriscada, já que ao mesmo tempo em que se conseguem atuações contumazes como o Roscharch de Jackie Earle Haley, outros parecem claramente não incorporar o personagem, como Malin Aikerman pouco a vontade no papel de Silk Spectre, assim como o Ozzymandias de Matthew Goode.
Pode ser citada ainda mais uma ou outra perfumaria de Snyder, como o excesso de cenas em câmera lenta e lutas posadas demais pra quem já está acostumado com a porradaria de Hollywood, mas nada que chegue a estragar o fato de que ele faz um trabalho grandioso aqui.
Antes de tentar ser uma grande adaptação do quadrinho escrito por Alan Moore, creio que a intenção foi fazer um grande filme. E nesse sentido é possível dizer que os objetivos foram completados com louvor.
Eric Franco nunca leu Watchmen e espera não apanhar dos fãs xiitas que acham que o filme devia durar 8 horas pra contar a história inteira. Blogueiro do Cegos, Surdos e Loucos, desse texto em diante passa a escrever também por aqui.
Quem é fã da HQ…
Para escrever sobre Watchmen – O Filme, após a primeira vez, comecei a pensar mais sobre seus erros e suas falhas. E seus acertos. Para um fã da história criada por Alan Moore e Dave Gibbons é difícil conceber que exista algo de novo para se dizer sobre a obra máxima dos comics – termo usado para identificar quadrinhos de super-heróis no clássico estilo norte-americano – e nesse sentido é incrível que Snyder consiga acrescentar boas novidades como a maravilhosa seqüência de abertura. O problema é que o prólogo dura apenas alguns segundos e o filme tem mais de duas horas.
Em todo esse tempo, Zack Snyder consegue obter um grande resultado estético. A fidelidade visual é algo de impressionante, fruto do bom gosto do diretor e de uma tecnologia cada vez mais apurada que vai transformando a boa e velha película em algo distante e antiquado. O problema é que só a estética não basta, seja no cinema ou nos quadrinhos.
E sem isso, Watchmen não passa mesmo de um filme pela metade. Uma primeira hora justa e bem feita por retratar de forma eficiente a obra original e uma segunda metade em que se afasta do que Moore escreveu. Ao contrário do que alguns temiam, é justamente a falta de mais do roteiro emblemático de Moore que vai tornando a história rasa e comum. A impressão que dá é que Snyder dirigiu a parte inicial e Michael Bay (Transformers) a seguinte. É o ideal Massa, Véio suprimindo o que consolidou os quadrinhos adultos e seu potencial cinematográfico.
Mesmo que fosse um filme totalmente original, isso não apagaria erros 100% cinematográficos. Malin Akerman pode ser uma atriz à altura do papel de Silk Spectre algum dia. Hoje, é muito verde com uma interpretação quase caricata. Já Matthew Goode faz um Ozymandias óbvio e afetado demais. Aliás, vale a pergunta (que contém SPOILERS): por que os dois últimos vilões de Snyder (Ozymandias e Xerxes, de 300) são retratados como gays se os personagens na obra em que foram baseados não eram? Ou parece uma mudança comum em uma transposição para outra mídia?
Existe o mito de se dizer que adaptações de quadrinhos caem mais no gosto de quem não leu o original (mesmo que existam fãs da HQ que gostaram do que viram). Será difícil para quem não conhecer a história em quadrinhos entender toda trama. Para quem leu, é mais difícil ainda entender o porquê das mudanças. Watchmen – O Filme não chega a ser um filme óbvio, mas passa longe de ser um filme totalmente compreensível. Se fosse você, ia ler os quadrinhos antes de alugar para entender do que estou falando.
Tiago Cordeiro é jornalista e escreve para os blogs Melhores do Mundo, Quinze Minutos e Rubens Diz.
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E aí, vai alugar ou não?
Letra, tradução e clipe de “Jai Ho”, de “Quem Quer Ser um Milionário?”
Apr 20th
Todas as previsões se confirmaram e o grande vencedor do Oscar 2009 foi o filme “Quem Quer Ser um Milionário?” (“Slumdog Millionaire”), produção inglesa sobre a história verídica de um menino indiano que participa de uma versão do “Show do Milhão” e começa a acertar todas as respostas, apesar de ser analfabeto. Ele está próximo de levar o grande prêmio e deixa todos desconfiados de que trapaceou no jogo – o que o leva à prisão, onde é torturado. Lá, ele conta sua incrível história de vida e de amor.
O filme, que levou oito estatuetas na premiação, marca a aproximação de Hollywood com Bollywood – a indústria cinematográfica indiana – e, como na maioria das produções de lá, conta com um número musical. A música que embala a coreografia dos protagonistas é “Jai Ho”, expressão equivalente a “Vitória!”, que ganhou o Oscar de Melhor Canção Original.
A música, que é cantada em hindi com trechos em espanhol, ganhou uma versão em inglês cantada pelas Pussycat Dolls. Nem precisava: a canção é tão pop que pegaria no mundo todo. Há tempos espero a música estourar e, desde a primeira vez que ouvi, aguardo para dançar uma versão remixada na balada.
Pois bem, o filme liderou a bilheteria brasileira pela segunda semana e a canção deve virar hit logo logo. Tocou até no Faustão no último domingo!
Abaixo, você vê o clipe do filme, a letra original de A. R. Rahman e uma tentativa de tradução (baseada em traduções do hindi para o inglês) que meu amigo Maurício fez especialmente para o blog.
“Jai Ho”
De A. R. Rahman
Jai Ho!
Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Jai Ho!
Ratti ratti sachchi maine jaan gawayi hai
Nach Nach koylon pe raat bitaayi hai
Ankhiyon ki neend maine phoonkon se udaa di
Gin gin taarey maine ungli jalayi hai
Eh Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Baila! Baila!
Ahora conmigo, tu baila para hoy
Por nuestro dia de movidas,
los problemas los que sean
Salud!
Baila! Baila!
Jai Ho!
Chakh le, haan chakh le, yeh raat shehed hai
Chakh le, haan rakh le,
Dil hai, dil aakhri hadd hai
Kaala kaala kaajal tera
Koi kaala jaadu hai na?
Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Jai Ho!
Kab se haan kab se jo lab pe ruki hai
Keh de, keh de, haan keh de
Ab aankh jhuki hai
Aisi aisi roshan aankhein
Roshan dono heerey hain kya?
Aaja aaja jind shamiyaane ke taley
Aaja zari waale neele aasmaane ke taley
Jai Ho!
Vitória!
Tradução livre: Maurício Guimarães (http://www.outrosolhos.com.br)
Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes
Viva! Viva!
Venha, venha minha vida, para debaixo desta tenda
Venha para baixo deste céu de brilhantes
Viva! Viva!
Pouco a pouco, deixei minha vida passar
Passei noites dançando na brasa
Eu assoprei o sono que estava em meus olhos
Eu contei estrelas até meus dedos queimarem
Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Dance, dance
Agora comigo, você dança agora
Por nosso dia de movimento
E que venham os problemas
Viva!
Dance, dance
Viva, viva, viva, viva
Viva, viva, viva, viva
Desde quando isto está em seus lábios?
Diga, agora diga. Diga.
Está em seus olhos fechados?
Diga.
Seus olhos estão talhados com luz
Eles me disseram tudo isso
Venha, venha para minha vida, abaixo do teto
Venha abaixo do céu azul e decorado
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Vitória! Vitória! Vitória! Vitória!
Letra, tradução e clipe de “Down to Earth”, de “Wall-E”
Feb 21st
Em “Wall-E”, um robô deixado na Terra e se apaixona por uma robô recém-chegada. Essa canção, uma declaração de amor ao planeta, aparece já nos créditos do filme, mas ainda assim conquistou uma indicação ao Oscar de Melhor Canção e, melhor ainda, levou o Grammy 2008 de canção cinematográfica.
Não gosto tanto assim dessa música (prefiro as de “Quem quer ser um Milionário”, “O…Saya” e “Jai Ho” – com uma leve predileção pela segunda), mas há grandes chances da estatueta dourada ir para ela.
Confira a seguir a letra, o clipe e uma tradução que fiz da música.
“Down to Earth”
De Peter Gabriel e Thomas Newman
Did you think that your feet had been bound
By what gravity brings to the ground?
Did you feel you were tricked
By the future you picked?
Well, come on down
All those rules don’t apply
When you’re high in the sky
So, come on down
Come on down
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
Did you think you’d escaped from routine
By changing the script and the scene?
Despite all you made of it
You’re always afraid
Of the change
You’ve got a lot on your chest
Well, you can come as my guest
So come on down
Come on down
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
Like the fish in the ocean
We felt at home in the sea
We learned to live off the good land
Learned to climb up a tree
Then we got up on two legs
But we wanted to fly
When we messed up our homeland
We set sail for the sky
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
We’re coming down
Coming down to Earth
Like babies at birth
Coming down to Earth
We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
We’re coming down to the ground
There’s no better place to go
We’ve got snow up on the mountains
We’ve got rivers down below
We’re coming down to the ground
We hear the birds sing in the trees
And the land will be looked after
We send the seeds out in the breeze
We’re gonna find new priorities
These are extraordinary qualities
Descendo para a Terra
Tradução livre: Gustavo Jreige (http://www.outrosolhos.com.br)
Você acha que seu pé foi balançado
Pelo que a gravidade traz ao chão?
Você se sentiu enganado
Pelo futuro que você escolheu?
Bem, venha para baixo
Nenhuma dessas regras se aplica
Quando você está no céu
Então, venha para baixo
Venha para baixo
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Você achou que escaparia da rotina
Mundando o roteiro e a cena?
Apesar de tudo que você fez a respeito
Você está sempre com medo
Da mudança
Você tem muito em seu baú
Bem, você pode vir como meu convidado
Então venha para baixo
Venha para baixo
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Como os peixes no oceano
Nos sentimos em casa no mar
Nós aprendemos a viver bem sem a terra
Aprendemos a escalar uma árvore
Então levantamos nas duas pernas
Mas nós queremos voar
Quando nós perdemos nossa terra natal
Nós navegamos ao céu
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós estamos indo para baixo
Descendo para a Terra
Como bebês no nascimento
Descendo para a Terra
Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós estamos descendo para a terra
Não há lugar melhor para ir
Nós temos neve no alto das montanhas
Nós temos rios logo abaixo
Nós estamos descendo para a terra
Nós ouvimos os pássaros cantando em suas árvores
E a terra será vista após
Nós enviarmos as sementes pela brisa
Nós buscaremos novas prioridades
Essas são extraordinárias qualidades
“Era Uma Vez…”: no filme que estréia hoje, o amor sobe o morro
Jul 25th
Estréia hoje, em todo o país, o filme “Era uma Vez…”, nova produção do diretor Breno Silveira, de Dois Filhos de Francisco. Eu já assisti, e gostei.
Postei sobre o filme há algum tempo, disse que não entendia qual o objetivo de se criar uma nova versão de Romeu e Julieta e fiquei receoso com relação a sua qualidade – apesar de botar fé no trabalho do diretor, que encarava esse filme como a produção de sua vida.
Pois bem. Assisti ao filme duas vezes já, em cabines. E afirmo: Breno mostra o que sabe fazer de melhor, trabalhar sentimentos sem cair na pieguice – não espere um filme sobre violência, pois não é. Naturalmente, a violência dos morros cariocas está presente e é determinante para a trama, mas não é seu foco. Esse papel fica para o amor dos protagonistas, um acerto, que também leva ao maior erro do filme: O pior de “Era uma Vez” vem logo de sua inspiração: ao atualizar a trama de Romeu e Julieta, o filme acabou engessado à história que lhe deu origem.
As atuações são boas (Thiago Martins – nascido no Vidigal e ainda morador de lá – e Vitória Frate estão muito bem, assim como Rocco Pitanga), a trilha sonora – assinada por Carlinhos Brown e Marisa Monte – foi bem escolhida, a fotografia também agrada e a direção de Breno Silveira imprime um bom ritmo ao filme. Já o roteiro…
A história do vendedor de quiosque Dé (Thiago), morador do morro do Cantagalo, que se apaixona pela patricinha Nina (Vitória) e encontra a questão social no meio do caminho entre Ipanema e a favela, é contada através de uma coleção de clichês. Talvez menos do que eu esperasse (ok, eu esperava que o filme fosse ter coisas bem patéticas), mas em grande quantidade. O bom é que eles funcionam e a história engrena. Você se envolve, torce pelos protagonistas, quer que eles fiquem juntos, acredita que aquele amor pode dar certo, fica aflito pelo que pode acontecer… Até que chega a meia hora final e o roteiro perde qualidade na velocidade da luz.
Sério, gostei muito filme, até chegar no fim e todos os personagens agirem feito idiotas, tomando as decisões mais burras e improváveis, apenas para que se chegue ao final apoteótico de Romeu e Julieta. Isso acontece, mas da pior forma possível. Eu só pensava: o filme estava bom, por que esse final tão forçado, por quê??
Eu participei da equipe de divulgação do filme, então pude ver reação bem diferentes, dependendo do público. Em uma das sessões, para “formadores de opinião”, a risada foi coletiva nas cenas finais. Por outro lado, nos comentários aqui do blog, pessoas que já assistiram ao filme falam dele com toda paixão do mundo.
Entendo ambos. Dá realmente para se apaixonar por “Era uma vez…”, que é um belo filme – e, para mim, é um tanto surpreendente em seu desenvolvimento (até você lembrar de Romeu e Julieta e falar: “putz, será esse o final” e acertar). Mas também dá para rir do desfecho inverossímil e de como os meios surgem apenas para que o fim seja possível, com os personagens deixando de agir naturalmente.
Tem quem ame, tem quem odeie “Era uma Vez…”. Eu gostei, apesar dos pesares. No mínimo, vale o ingresso.
Filme “Era uma Vez” – Romeu e Julieta, morro e asfalto
May 27th
Uma história pode ser contada e recontada milhões de vezes sem nunca cansar. A base da dramaturgia, principalmente televisiva, é essa: repetir o que o público já está acostumado e implementar uma ou outra novidade no meio do caminho. Ou você acha que alguém gosta de algo que gere completo estranhamento?
Pensa bem, quantas vezes você já viu, ouviu e leu versões de Romeu e Julieta, adaptadas aos mais diversos contextos? Novelas, séries e filmes já beberam muito nessa fonte – sem, entretanto, fazer com que as pessoas parassem de suspirar pelo amor que parece impossível, mas é batalhado até as últimas conseqüências.
É na mais famosa obra de Shakespeare que o novo filme de Breno Silveira, diretor do mega-sucesso “2 Filhos de Francisco” é baseado. A “inovação” já é velha: ao invés de famílias que se odeiam, a condição social é o abismo que separa o casal apaixonado. Em “Era uma vez…“, um rapaz pobre, do morro, cai de amores por uma moça rica, do asfalto – trama parecida com a que serve de mote para “Amor e Intrigas”, novela da Rede Record, e com tantas outras produções. Então qual o objetivo de fazer um filme sobre isso?
Não sei, de verdade. Mas ainda assim não consigo deixar de me interessar. Assim como a rivalidade entre Palmeiras e Corinthians pôde ser um interessante para a comédia em uma das adaptações, acredito que a diferença entre morro e asfalto é um terreno fértil para um drama contemporâneo, intenso e realista.
Parece que essa é mesmo a intenção do diretor. Esse é o filme da vida dele, o que ele sempre sonhou. Breno queria comprar os direitos para fazer “Cidade de Deus“, mas chegou tarde demais. Convidou Paulo Lins, autor do livro “Cidade de Deus” para escrever o roteiro de “Era uma Vez…”, mas parou tudo, graças ao furacão “2 Filhos de Francisco”. Virando segundo filme, após o grande sucesso – inclusive de crítica – que conquistou ao mostrar pessoas comuns (ou quase isso) com suas forças, fraquezas, amores e ódios, Breno não quis mais falar de violência e correr o risco de ficar na sombra de “Cidade”. Focou a história, então, no romance do casal – para tal, convidou Patrícia Andrade, de “2 Filhos”, para reescrever o roteiro.
Foram 500 latas de filme gravado (o trabalho com os atores, pelo que contam, foi intenso), algumas favelas cariocas usadas como locação e um esforço tremendo para conseguir verba para finalizar a produção, toda feita em película. O resultado estréia nos cinemas em 25 de julho, como a materialização do sonho de Breno Silveira – que, naturalmente, já desperta curiosidade: Será que ele conseguirá ter algum sucesso próximo ao de “2 filhos de Francisco?”
Não sei, mas acredito que no elenco há mais um elemento forte, que traz mais verdade a adaptação: o protagonista Thiago Martins. O jovem ator veio do morro do Vidigal, através do projeto Nós do Morro, do qual ainda faz parte. Já fez novelas na Globo com relativo sucesso, tem seu espaço como um promissor ator. Agora, faz a um papel que lembra sua origem real. Oportunidades como essa, se bem aproveitadas, costumam dar muito certo. Espero que seja o caso.
Pode ser que seja tudo um grande clichê, mais um filme da estética da pobreza e da violência. Pode ser que o roteiro caia na vala comum e torne o filme apenas mais uma história de Romeu e Julieta atualizada e empobrecida. Mas também pode ser um retrato vivo de uma sociedade cada vez mais gritante, surpreendendo positivamente. Pode ser que Breno Silveira consiga transformar seu sonho em algo realmente bom, provando que as histórias humanas se repetem, mesmo que mudem de cenários e de personagens, e que, ainda assim, podem ser bem contadas a cada nova vez. Tendo ou não final feliz, começando ou não com “era uma vez…“
Trilha Sonora: “Desejo e Reparação”
Feb 25th
“Desejo e Reparação” é um grande filme, muito bom mesmo. Duvido, entretanto, que consiga outra estatueta. Essa é justa: é a trilha sonora que dá o tom às cenas, conseguindo temperar e dar emoção mesmo em momentos em que o filme está em seus ‘baixos’, quando fica confuso. A trilha original de Dario Marianeli mistura os elementos que o próprio filme mistura. Não é esse o papel da trilha sonora, dar mais vida ao filme, mantendo sua personalidade? Então conseguiu!
Concorriam:
“O Caçador de Pipas” (Alberto Iglesias)
“Conduta de Risco” (James Newton Howard)
“Ratatouille” (Michael Giacchino)
“Os Indomáveis” (Marco Beltrami)
